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sexta-feira, 4 de março de 2022

A REPERCUSSÃO DOS ATAQUES DO CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA À PARAÍBA E A INFORMAÇÃO SE LAMPIÃO ESTEVE EM TERRAS POTIGUARES EM 1922

 Por Rostand Medeiros


 “NOTÍCIA RUIM CHEGA LIGEIRO!”

Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922
Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922

No dia 25 de dezembro de 1921, na pequena vila de Luís Gomes, o cabo Francisco Rodrigues Martins e o soldado Luis Antonio de Oliveira, foram assassinados por um grupo de cangaceiros quando realizavam uma diligência policial. Nesta época, o jornal natalense A Republica era extremamente econômico no seu noticiário quando o assunto era a ação de cangaceiros em terras potiguares e não publica uma só linha detalhando este episódio.

Vamos ter conhecimento deste fato já na edição de 20 de janeiro de 1922, onde está estampada a publicação do Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922, que informa terem as viúvas dos policiais mortos recebido “uma pensão correspondente à metade da etapa que os mesmo ganhavam, considerando que os militares foram assassinados por cangaceiros”.

De qual bando pertenciam estes bandidos? Quantos eram? Quem era o chefe? Infelizmente não sabemos, mas sabemos que o ataque aconteceu. Podemos deduzir que a não vinculação da notícia pelo principal jornal potiguar da época teria mais a ver com um desejo de evitar o pânico entre a população rural potiguar?

E este medo tinha fundamento?

Conforme descreve o então governador potiguar Antônio José de Mello e Souza, na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1921, parece que sim!

Devido a forte de seca dos anos de 1918 a 1920, aliado a uma acentuada baixa de produção do algodão e dos baixos valores alcançados por esta matéria-prima no mercado internacional, o Rio Grande do Norte se encontrava em uma precária situação financeira. Esta situação gerava reflexos principalmente nas ações de segurança e ordem pública, onde o governo mantinha a força pública com um efetivo bem abaixo de suas necessidades e material obsoleto para o combate ao banditismo.

A ERA DE 22 COMEÇA COM MUITA CHUVA E CANGACEIRO

Neste ínterim, a vida passou a sorrir de uma forma mais alegre para o sertanejo potiguar, pois tinha início uma promissora estação chuvosa, sendo noticiadas fortes chuvas em todo Estado (A Republica ed. 29/02/1922).

Por outro lado, o meio político estava agitado, pois a dia 1 de março ocorria em todo país a eleição para Presidência da República, onde Arthur Bernardes disputava com Nilo Peçanha, em um sufrágio muito pouco democrático, quem governaria o país pelos próximos quatro anos. É informado que o futuro presidente já assumiria a partir do dia 15 do mesmo mês de março (Mensagem, RN 1922, pág. 4).

Em meio a todo positivo noticiário sobre as chuvas e as eleições presidenciais, um dia é publicado uma pequena nota que mostrava que nem tudo corria as mil maravilhas no sertão paraibano, próximo a fronteira potiguar e a fonte da pequena nota era uma importante liderança política e empresarial potiguar.

Informe de Simplício Cascudo sobre ataque de cangaceiros na Paraíba e publicado em Natal
Informe de Simplício Cascudo sobre ataque de cangaceiros na Paraíba e publicado em Natal

O coronel Francisco Cascudo, pai do folclorista Câmara Cascudo, apresentou a redação de A República um telegrama remetido no dia 3 de março, emitido pelo seu parente Simplício Cascudo, então residente na cidade paraibana de Sousa, dando conta que um grande grupo de cangaceiros estava percorrendo as zonas rurais das cidades de Pombal, Brejo do Cruz, Catolé do Rocha e São Bento, na Paraíba e propriedades na área próxima a Vila de Alexandria, já no Rio Grande do Norte (mas sem trazer maiores detalhes). Informava Simplício Cascudo que as propriedades São Braz, Santa Umbellina e Brejo das Freiras foram “visitadas” pelos cangaceiros, sendo assaltados as pessoas de “José Olympio, filho de Antonio Fernandes, Adolpho Maia, Valdevino Lobo, proprietário da estância Dois Riachos, e Mestre Ignácio”. Informa o missivista que a cidade de São Bento estava “arrasada” com os acontecimentos, tendo os saques nas propriedades próximas sidos superiores a 200 contos de réis. Comentava que no dia 2 os cangaceiros se encontravam no lugar “Catolé”, próximo a Cajazeiras, estando a cidade receosa de ser atacada. Simplício Cascudo finalizava a nota informando que até o momento as garantias solicitadas ao governador da Paraíba, Sólon de Lucena, ainda não estavam presentes (A Republica ed. 07/03/1922).

Ora, diante de notícia fornecida por pessoa tão grada da sociedade potiguar, os grandes produtores rurais do Rio Grande do Norte, principalmente aqueles que tinham seus bens mais próximos à fronteira paraibana, ficam extremamente apreensivos com o que poderia ocorrer.

Logo seus piores pesadelos pareciam se concretizar…

Nota sobre o ataque a Jericó, Paraíba
Nota sobre o ataque a Jericó, Paraíba

Telegramas vindos da vila paraibana de Jericó, retransmitidos por postos telegráficos potiguares, fazem chegar a Natal a informação que em 5 de março de 1922, o celebre chefe cangaceiro Sinhô Pereira, com a ajuda do cangaceiro Liberato Alencar, acompanhados de um bando com um número estimado (pelos jornais da época) de 35 a 60 cangaceiros, ataca com sucesso toda aquela região. Desde a zona oeste do Rio Grande do Norte, até o Seridó, a notícia correu célere. Uma das notas de um dos jornais potiguares que noticiaram o fato assim apresentou a questão informando que “Notícia ruim chega ligeiro!”. Na antiga Jericó eles cometeram atrocidades e causaram inúmeros prejuízos aos moradores da localidade. Os cangaceiros foram finalmente rechaçados por um grupo de corajosos habitantes do lugar, destacando-se o nome de Antônio Felipe, João Bento, soldado João Ferreira e João Belarmino.

PÂNICO ENTRE A ELITE RURAL POTIGUAR

Os acontecimentos são publicados em grandes manchetes na edição de 8 de março de A República. A partir de então o pânico se generaliza de uma forma contundente entre os políticos e os fazendeiros que tinham interesses na fronteira do rio Grande do Norte com a Paraíba.

Um típico cangaceiro nordestino na década de 1920
Um típico cangaceiro nordestino na década de 1920

Em Natal começam a chover na mesa do governador Mello e Souza telegramas solicitando urgentemente o envio de efetivos da força pública potiguar para a defesa das cidades e vilas localizadas em praticamente toda a fronteira com a Paraíba. Os aflitos telegramas vinham desde a cidade de Luís Gomes, quase na divisa com o Ceará, à Nova Cruz, próximo ao litoral, todos informando existirem boatos de ataques eminentes e simultâneos de cangaceiros.

Nas amareladas folhas do velho jornal A Republica, existente na hemeroteca do Instituto Histórico do Estado do Rio Grande do Norte e no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte, é tal a quantidade de telegramas enviados ao governo, que aqueles que não possuem um maior conhecimento da história do cangaço nesta época, ao ler as alarmantes missivas reproduzidas, parece que a ação dos cangaceiros havia crescido numa proporção assustadora e o número de bandos havia aumentado por dez.

No geral as mensagens seguem quase um mesmo padrão. Comentam sobre a existência de “informações”, ou “boatos”, transmitidos por pessoas “vindas da Paraíba” da “existência de grupos de cangaceiros nas proximidades” e a possível “eminência de um ataque”.

OS JORNAIS REPERCUTEM A SITUAÇÃO

A imprensa dos dois Estados tratava a situação de modo alarmante e exagerado.

Possível combate próximo a cidade de potiguar de Santa Cruz. Jamais foi confirmado
Possível combate próximo a cidade de potiguar de Santa Cruz. Jamais foi confirmado

Na edição de 12 de março do jornal paraibano “A União”, existe a informação que havia ocorrido um violento combate nas proximidades da cidade potiguar de Santa Cruz, no qual teriam morrido 6 cangaceiros. Já o natalense A República chega a comentar na sua edição de 21 de março que, “se abstivera de divulgar as movimentações da tropa, por um princípio das táticas militares; Não fornecer indicações ao inimigo”. Como fosse o caso dos cangaceiros terem condição de ler jornais continuamente no meio da caatinga!

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Esta mesma edição de A República informa que em Caicó houve pânico com a notícia da aproximação de cangaceiros na fronteira desta cidade com a Paraíba, ficando a situação mais calma por haver deslocamento de forte contingente policial em direção à localidade de Jardim de Piranhas. Outro jornal natalense denominado A Notícia, informa que até mesmo ocorreu “fuzilamento de oficiais de nossa Força Pública e rapto de crianças”.

Até as repartições dos Correios e Telégrafos entraram na ideia de pânico generalizado. Houve o caso de um telegrafista enviar pedidos de ajuda ao Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro.

Os cangaceiros atrapalharam a coleta de materiais da cidade Martins para a exposição do centenário
Os cangaceiros atrapalharam a coleta de materiais da cidade Martins para a exposição do centenário

Até jornais do Rio de Janeiro noticiaram aqueles acontecimentos aparentemente através de notícias recebidas de informes telegráficos e um destes informes mostra uma interessante situação; no primeiro semestre de 1922 estava acontecendo em todo o Brasil os preparativos para as grandes festas do centenário da nossa independência e no Rio Grande do Norte estes preparativos estavam a toda. Cabia a cada estado brasileiro organizar e enviar para a Capital Federal, na época o Rio de Janeiro, uma coleção de produtos naturais típicos. No Rio Grande do Norte o responsável por tal trabalho era o Dr. João Vicente, que a época destes alarmes estava no município serrano de Martins. Na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, foi noticiado que o Dr. João “não podia trabalhar devido a ação dos cangaceiros e que o pessoal da serra estava pronto a reagir”.

MAS HOUVE ATAQUE?

Mesmo com todo exagero, o governador Antônio José de Mello e Souza, juntamente com o então chefe de polícia Sebastião Fernandes não perdem tempo na reação e tratam o assunto como uma verdadeira “situação de guerra”.

O chefe de polícia potiguar a época da crise
O chefe de polícia potiguar a época da crise

Convocam por decreto emergencial 100 praças para a força pública, promovem 2 sargentos a oficiais, despacham um grupo de policiais para seguir de navio até a cidade de Areia Branca, para depois seguirem a cavalo para fronteira. Com a ajuda do então IFOCS – Instituto Federal de Obras Contra as Secas (futuro DNOCS) mais de 100 militares serão enviados de caminhão ao interior. São feitas solicitações aos serviços de correios e telégrafos para a isenção de taxas para que os oficiais pudessem emitir telegramas da “frente de batalha”.

Na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, o governador Mello e Souza informa que recebeu que durante esta “crise”, mais de 100 despachos telegráficos vindos do interior. O próprio governador, tido como homem calmo e comedido, chegou ao ponto de reclamar que “até a cortesia sertaneja havia sido deixada de lado” naquelas solicitações de ajuda.

Apesar do estado limitadop desta fotografia, ela mostra oficiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, se preparando para seguir para o sertão para combater os cangaceiros que desejavam invadir o estado em 1922
Apesar do estado limitado desta fotografia, ela mostra oficiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, se preparando para seguir para o sertão e combater os cangaceiros que desejavam invadir o estado em 1922

Foram enviados policiais em tal quantidade que em Natal o efetivo policial foi classificado como “mínimo”, apenas para o essencial para a proteção do quartel da força pública e do presídio (Mensagem, RN, 1922, páginas 31 a 35).

Seja por conta das ações policiais praticadas pelos governos da Paraíba e da ação preventiva da polícia potiguar, ou por terem conseguido o que desejavam, o bando de Sinhô Pereira toma novamente o rumo do Ceará. Com a saída dos cangaceiros, pouco a pouco a situação volta a se normalizar. No dia 29 de março chega a Natal o Chefe de Polícia da Paraíba, Demócrito de Almeida, que vinha agradecer a ação da polícia potiguar e, juntamente com Mello e Souza e Sebastião Fernandes, acertarem as bases para ações de patrulhamento da fronteira (A Republica, pág. 1, Ed. 01/04/1922).

Nas edições do jornal “A Republica” e na própria Mensagem ao Legislativo de 1922, podem-se ler as respostas às críticas feitas a ação do governador Mello e Souza na proteção das fronteiras. Estas críticas comentavam principalmente sobre os gastos excessivos realizados pelo executivo estadual no deslocamento de tropas, em meio a grave crise financeira vivida pelo Tesouro do Estado.

Existem insinuações que a mobilização serviu para uma grande intimidação da classe política que se encontrava na oposição, devido a proximidade da eleição federal, além de mostrar quem estava no poder e quem mandava na Força Pública.

Mas enfim, os cangaceiros de Sinhô Pereira estiveram, ou não estiveram no Rio Grande do Norte em 1922?

Consta na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, que o governador Mello e Souza informou que estes cangaceiros ao seguirem em direção ao vizinho Ceará, teriam então realizado a única e verdadeiramente comprovada penetração em território potiguar. Foi quando realizaram um pequeno saque em Luís Gomes e passando nas imediações da Vila de Alexandria, sem, contudo esta localidade ser efetivamente atacada (Mensagem, RN, 1922, pág. 34).

Jornal carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922
Jornal carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922

Conforme podemos ver na reprodução da nota publicada na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, parece que estes cangaceiros estiveram no Rio Grande do Norte, mas não existem registros de saques em Patu, Alexandria e que a nossa polícia perseguiu a horda de meliantes até o Ceará.

UMA QUASE CONCLUSÃO…

Ao observamos estes episódios, é de se perguntar de onde vinha tamanho receio, ou medo, que as classes produtoras rurais potiguares tinham em relação aos cangaceiros? Até mesmo porque a marcante invasão do bando de Lampião ao Rio Grande do Norte só iria ocorrer cinco anos depois de todo a aquele pânico de 1922.

Sinhô Pereira (sentado) e seu primo Luiz Padre, dois grandes cangaceiros
Sinhô Pereira (sentado) e seu primo Luiz Padre, dois grandes cangaceiros

É certo que os produtores rurais estavam saindo de uma seca pesada e uma ação de cangaceiros em nada ajudaria a nossa já combalida economia rural. Mas não havia registro de grandes ações destes bandidos no Rio Grande do Norte desde a prisão do celebre Antônio Silvino em 1914.

No meu entendimento toda aquela movimentação foi na verdade uma combinação de receio das elites rurais com a chegada dos cangaceiros, acompanhado de exagerados equívocos de informações, tudo isso transmitido para a capital potiguar através de uma bem organizada linha de comunicação telegráfica, que encheu a mesa do governador de pedidos de ajuda contra bandidos que simplesmente não apareceram.

Tudo isso associado a uma tradicional posição destas mesmas elites rurais potiguares; a de não terem uma associação muito estreita com cangaceiros, fossem eles potiguares, ou principalmente de outros estados.

Os donos do poder do sertão potiguar, como até hoje acontece, jamais deixaram de ter uma parceria estreita com hordas de sanguinários pistoleiros, de gente execrável que mata exclusivamente por dinheiro. Que a soldo dos poderosos resolviam (e ainda resolvem) certos tipos de problemas. Mas a figura do cangaceiro, talvez pelo seu aspecto único de possuir determinado nível de autonomia em meio a estas elites, jamais teve dos coronéis do sertão potiguar muita guarida.

E ONDE ENTRA LAMPIÃO NESTA HISTÓRIA?

Ao realizar esta simples pesquisa, me veio o seguinte questionamento; e então o grande cangaceiro Lampião esteve no Rio Grande do Norte antes do ataque de Mossoró? Teria o Rei do Cangaço pisado solo potiguar antes de 1927? Teria ele atacado uma fazenda nos limites do nosso estado com a Paraíba e passado perto da Vila de Alexandria?

Sei que Lampião entrou no bando de Sinhô Pereira em 1921, mas daí a afirmar que ele e seus irmãos Antônio e Levino participaram destas ações, é complicado. Tem gente por aí que conhece muito mais desta história do que eu e pode responder.

Notícia do Diário de Pernambuco, edição de 17 de março de 1922, mostrando a presença de Sinhô Pereira e seus cangaceiros na Fazenda Feijão, Belmonte, Pernambuco. Logo ele deixaria o cangaço
Notícia do Diário de Pernambuco, edição de 17 de março de 1922, mostrando a presença de Sinhô Pereira e seus cangaceiros na Fazenda Feijão, Belmonte, Pernambuco. Logo ele deixaria o cangaço

Mas sei que nos primeiros dias de junho de 1922, no sítio Feijão, zona rural do município pernambucano de Belmonte, próximo a fronteira do Ceará, Sinhô Pereira informou aos membros do seu bando, que em breve iria entregar o comando a Lampião, então o seu melhor cangaceiro. Apesar de ter menos de 27 anos de idade, Sinhô alegou problemas de saúde para a sua decisão e que seguia um apelo do mítico Padre Cícero Romão Batista, da cidade de Juazeiro, Ceará, que havia lhe pedido para deixar esta vida bandida e ir embora para fora do Nordeste. A incursão de Sinhô Pereira e outros cangaceiros pelo interior da Paraíba teria tão somente o ensejo de arrecadar numerário para este chefe bandoleiro sair do sertão e só voltar em 1971, já idoso.

Lampião e seu irmão Antônio em Juazeiro, Ceará
Lampião e seu irmão Antônio em Juazeiro, Ceará

Vinte e dois dias depois de receber a notícia que a passagem de comando está próxima, Lampião efetivamente já é chefe de grupo. Neste momento começa a imprimir sua horrenda marca pelo Nordeste e vai se tornar o maior cangaceiro do Brasil.

Mas esta é outra história…

https://tokdehistoria.com.br/2013/03/15/noticia-ruim-chega-ligeiro/

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A MORTE DO SARGENTO DELUZ – PARTE IV

 Por José Mendes Pereira


Diz o escritor Alcino Alves Costa que nada desabonava a conduta do militar junto a Lampião, ou qualquer outro cangaceiro, assim como existiam  volantes acusados de envolvimentos amigáveis com cangaceiros. O que se sabia, era que o sargento Deluz era respeitado no meio militar, e mantinha pequenas amizades com influentes figurões da época. Dizem que ele era protegido de um senhor chamado Ercílio Britto, de outro Antônio Britto e outros e outros com estreitas amizades.
Se o Deluz não tivesse criado tamanha desavença com os familiares de Dalva, sua esposa, tudo teria dado certo, mesmo ele sendo um bruto... 

O conflito tinha tomado força e seria muito difícil, os envolvidos, tanto de um lado como do outro, abrir mão dos seus direitos. Todos queriam que a paz voltasse a reinar, e estavam preocupados, e sabiam que aquela confusão não iria terminar bem. 

Os filhos de João Marinho só gostavam mesmo era de trabalhar nos roçados, campeando o gado da fazenda, e vez por outra, correrem atrás de bois brabos naquelas caatingas. Os filhos do fazendeiro eram afamados derrubadores de touros que  faziam tremer o chão daquele sertão do cipó-de-leite, do xiquexique...

https://www.trekearth.com/gallery/South_America/Brazil/Northeast/Sergipe/Caninde_do_Sao_Francisco/photo1302039.htm

Toda aquela infelicidade começou assim que Dalva resolveu casar com o Deluz. Mas não foi só isso. O irmão dos Marinhos, que chegara do Rio de Janeiro, havia morrido de repente, num desmaio durante uma carreira que fizera atrás de umas bestas. E depois deste acontecimento, o velho João Marinho estava ficando alquebrado com tantas provações. Mas ele e os filhos não iriam baixar a cabeça para o sargento Deluz. 

O delegado era um todo poderoso, mas João Marinho e os filhos não eram covardes, para aceitarem tamanha humilhação. O sargento Deluz decidiu, e logo resolveu demarcar as suas terras, porque era casado com a filha do fazendeiro, por isso, se achava com direito para tal fim. Mas os do Brejo não aceitavam que isso fosse feito.

E com gênio bastante forte, dona Maria Gomes, esposa do João Marinho, e sogra do sargento Deluz, inconformada com a atitude do genro, disse sem medir o tamanho das palavras, que ele estava querendo roubar-lhes as terras que pertenciam ao João Marinho. Agora o bicho tinha aumentado de tamanho, acusação perigosa.  Essa situação já era de se esperar. Mesmo os Marinhos sendo família calma e tranquila, não iriam deixar que aquela confusão fosse mais adiante, sem uma solução, ou pacífica ou talvez pior, morte no meio daquela gente.

http://partiupelomundo.com/passeio-de-barco-pelo-canion-do-xingo/

Ao saber da acusação que fizera dona Maria Gomes contra si, o sargento Deluz tomou uma decisão: Intimidá-la para repetir o que havia dito contra ele. E sendo ele bruto e o grande poderoso daquela região, por ser delegado do destacamento, ainda afirmou que assim que ela se apresentasse aos seus pés na delegacia, dar-lhe-ia uma surra. Aquelas palavras ditas pelo o sargento Deluz não iriam ficar só naquilo. Dona Maria Gomes além de ser a matriarca daquela conceituada família, pertencia aos Gomes de linhagem famosa.

 O delegado podia ficar sabendo que a sua intimação iria ser cumprida e honrada, mas, em vez de dona Maria Gomes ficar em sua frente, lá na delegacia, quem iriam ficar diante dos seus olhos, era o João Marinho e os seus filhos. E foi assim que aconteceu. João Marinho e dois filhos o Totonho e o Jonas foram atender a injuriosa intimação de um delegado poderoso, desajustado e arrogante.

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Assim que o João Marinho chegou ao quartel em companhia dos dois filhos, o delegado estava tirando um pouco da sujeira dos seus pés, e ao vê-los, ficou um pouco surpreso, e se perguntando consigo mesmo, que  tinha intimidado a sogra, e apareceram o sogro e dois filhos!

- Delegado Deluz, a Maria não pôde vim, assim eu vim com meus filhos para apanharmos da autoridade.

O delegado não teve tempo de responder nada, porque o João Marinho e os filhos  atracaram o famoso xerife, derrubando-o ao chão e dominando-o por completo. O João Marinho tinha enlouquecido e estava dominado pelo ódio. E num momento, puxou um canivete e tentou sangrar o genro. Mas os dois filhos Totonho e Jonas não deixaram que o pai assassinasse o seu genro sargento Deluz. Felizmente, os soldados chegaram ao local e apaziguaram aquela terrível situação sem se intrometerem na confusão de parentes. Os policiais retiraram o sargento do local. Os Marinhos montaram em seus cavalos e retornaram para o Brejo.

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Um dos casos que tinha acontecido muito antes deste agarra, agarra do João Marinho  e filhos contra o sargento Deluz, foi com a geniosa Mariinha, irmã da Dalva do Deluz, e esposa do João Maria Valadão. Aproveitando que um soldado de nome Quixabeira fora à fazenda do marido Valadão, no Olho D’água, receber um carneiro (possivelmente doado ao sargento Deluz), Mariinha agrediu com todo tipo de palavras o cunhado Deluz.

Sabedor das ofensas o Delegado Deluz mandou intimar o concunhado, e pede que ele dê uma surra na sua esposa. A proposta do delegado não foi aceita pelo Valadão, e lhe disse que jamais tocou um dedo na esposa. E achava que o delegado estava mesmo era ficando maluco. Dada a resposta, o Valadão saiu da presença do Deluz e foi embora. O militar ficou remoendo o ódio dentro de si, e ainda, prometeu que a família de Dalva, sua esposa iria pagar caro por isso.

Continuarei amanhã!

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LAMPIÃO, REI DO CANGAÇO, FOI ASSOMBRO DO SERTÃO.

 Por José João Souza

https://www.youtube.com/watch?v=gKnWFUo2vJM

Lampião o rei do cangaço - Ivanildo Vila-Nova e Geraldo Amâncio.

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CANGACEIROS CASTIGAM JOVEM PORQUE CORTOU O CABELO

 Por Nas Pegadas da História

https://www.youtube.com/watch?v=jcBrUtArpUo&ab_channel=NASPEGADASDAHIST%C3%93RIA

Cangaceiros castigam jovem porque cortou o cabelo #Cangaço Se você quer ajudar nosso Canal, a nossa chave do PIX é 85987703564 ou se quiser ajudar com doações de livros e revistas favor entrar em contato com o e-mail: jflavioneres@gmail.com ✔📖CURSO ESCREVA UM CORDEL EM 40 DIAS https://go.hotmart.com/B67573637C LIVROS ✔👀Lampião, Senhor do Sertão. Vidas e Mortes de Um Cangaceiro https://amzn.to/3t3Afm6 ✔👀Apagando o Lampião: Vida e morte do rei do cangaço https://amzn.to/3pcnl4a https://ler-para-melhor-viver.webnode... https://jflavioneres-nph-livraria.fre... CANAIS PARCEIROS: 😊👀 UMA HISTÓRIA PARA A MEMÓRIA https://url.gratis/EKbuum 😊👀 ROSINHA VIDA MINHA: https://www.youtube.com/channel/UCE32... 😊👀 Pr. FLÁVIO NERES : https://www.youtube.com/channel/UCuM7... DICAS DE LIVROS. https://ler-para-melhor-viver.webnode... https://jflavioneres-nph-livraria.fre...

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A MORTE DE ADRIÃO | O CANGAÇO NA LITERATURA | #227

Por O Cangaço na Literatura 

https://www.youtube.com/watch?v=P8CIXACPoSg&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

Chegamos num ponto muito interessante. 

Quem foi Adrião? 

Quem o matou? 

Uma série de programas está sendo produzida para ajudar vocês a entenderem mais o Cangaço e as Volantes.

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A CARTA DE SINHÔ PEREIRA PARA LAMPIÃO

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=N2VQiFXU_k8

Teria Sinhô Pereira convidado Lampião a abandonar o cangaço? Afinal qual o conteúdo dessa polêmica carta endereçada pelo antigo chefe cangaceiro ao seu sucessor? Conheçam a história. Geraldo Antônio de Souza Júnior

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quinta-feira, 3 de março de 2022

LIVRO DO ESCRITOR VENÍCIO FEITOSA NEVES

 

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas.

Você irá adquiri-lo com o Professor Pereira através destes endereços:

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LIVRO DO ESCRITOR JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO

Por José Mendes Pereira

Diletos amigos estudiosos da saga do Cangaço.

Nos onze anos que passei pesquisando para escrever “Lampião – a Raposa das Caatingas” (que já está na 4ª edição), colhi muitas informações sobre a rica história do Nordeste. Concebi então a ideia de produzir uma trilogia que denominei NORDESTE – A TERRA DO ESPINHO.

Completando a trilogia, depois da “Raposa das Caatingas”, acabo de publicar duas obras: “Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste” e “Capítulos da História do Nordeste”.

Na segunda obra – Fatos Assombrosos da Recente História do Nordeste –, sistematizei, na ordem temporal dos fatos, as arrepiantes lutas de famílias, envolvendo Montes, Feitosas e Carcarás, da zona dos Inhamuns; Melos e Mourões, das faldas da Serra da Ibiapaba; Brilhantes e Limões, de Patu e Camucá; Dantas, Cavalcanti, Nóbregas e Batistas, da Serra do Teixeira; Pereiras e Carvalhos, do médio Pajeú; Arrudas e Paulinos, do Vale do Cariri; Souza Ferraz e Novaes, de Floresta do Navio; Pereiras, Barbosas, Lúcios e Marques, os sanhudos de Arapiraca; Peixotos e Maltas, de Mata Grande; Omenas e Calheiros, de Maceió.

Reservei um capítulo para narrar a saga de Delmiro Gouveia, o coronel empreendedor, e seu enigmático assassinato.

Narro as proezas cruentas dos Mendes, de Palmeira dos Índios, e de Elísio Maia, o último coronel de Alagoas.

A obra contempla ainda outros episódios tenebrosos ocorridos em Alagoas, incluindo a morte do Beato Franciscano, a Chacina de Tapera, o misterioso assassinato de Paulo César Farias e a Chacina da Gruta, tendo como principal vítima a deputada Ceci Cunha.

Narra as dolorosas pendengas entre pessedistas e udenistas em Itabaiana, no agreste sergipano; as façanhas dos pistoleiros Floro Novaes, Valderedo, Chapéu de Couro e Pititó; a rocambolesca crônica de Floro Calheiros, o “Ricardo Alagoano”, misto de comerciante, agiota, pecuarista e agenciador de pistoleiros.

......................

Completo a trilogia com Capítulos da História do Nordeste, em que busco resgatar fatos que a história oficial não conta ou conta pela metade. O livro conta a história do Nordeste desde o “descobrimento” do Brasil; a conquista da terra pelo colonizador português; o Quilombo dos Palmares.

Faz um relato minucioso e profundo dos episódios ocorridos durante as duas Invasões Holandesas, praticamente dia a dia, mês a mês.

Trata dos movimentos nativistas: a Revolta dos Beckman; a Guerra dos Mascates; os Motins do Maneta; a Revolta dos Alfaiates; a Conspiração dos Suassunas.

Descreve em alentados capítulos a Revolução Pernambucana de 1817; as Guerras da Independência, que culminaram com o episódio do 2 de Julho, quando o Brasil de fato se tornou independente; a Confederação do Equador; a Revolução Praieira; o Ronco da Abelha; a Revolta dos Quebra-Quilos; a Sabinada; a Balaiada; a Revolta de Princesa (do coronel Zé Pereira),

Tem capítulo sobre o Padre Cícero, Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, o episódio da Pedra Bonita (Pedra do Reino), Caldeirão do Beato José Lourenço, o Massacre de Pau de Colher.

A Intentona Comunista. A Sedição de Porto Calvo.

As Revoltas Tenentistas.

Quem tiver interesse nesses trabalhos, por favor peça ao Professor Pereira – ZAP (83)9911-8286. Eu gosto de escrever, mas não sei vender meus livros. Se pudesse dava todos de graça aos amigos...

Vejam aí as capas dos três livros:


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LIVRO DO ESCRITOR GUILHERME MACHADO

 Por José Mendes Pereira


Recentemente o escritor e pesquisador do cangaço Guilherme Machado lançou o seu trabalho sobre o mundo dos cangaceiros com o título "LAMPIÃO E SEUS PRINCIPAIS ALIADOS". 

O livro está recheado com mais de 50 biografias de cangaceiros que atuaram juntamente com o capitão Lampião. 

Eu já recebi o meu e não só recebi, como já o li. Além das biografias, tem fotos de cangaceiros que eu nem imaginava que existiam. São 150 páginas. Excelente narração. Conheça a boa narração que fez o autor. 

Pesquisador Geraldo Júnior

Prefaciado pelo pesquisador do cangaço Geraldo Antônio de Souza Júnior. Tem também a participação do pesquisador Robério Santos escritor e jornalista. Duas feras no que diz respeito aos estudos cangaceiros.

Jornalista Robério Santos

Não deixa de adquiri-lo. Faça o seu pedido com urgência, porque, você sabe muito bem, livros escritos sobre cangaços, são arrebatados pelos leitores e pelos colecionadores. Então cuida logo de adquirir o seu! 

Pesquisador Guilherme Machado

Adquira-o através deste e-mail: 

guilhermemachado60@hotmail.com

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CAÇA AO CANGACEIRO GATO E A VIGANÇA APAIXONADA [PARTE01]

Por Na Rota do Cangaço 

https://www.youtube.com/watch?v=h10HKywKjdA&ab_channel=NaRotaDoCanga%C3%A7o

#CANGACEIRO GATO # SANTILHO BARROS O GATO # CANGACEIRO EM PIRANHAS AL # CANGAÇO EM ALAGOAS #TENENTE JOÃO BEZERRA #CANGACEIRO CORISCO IMAGENS ILUSTRATIVAS

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CANGAÇO: MOURÃO II - BIOGRAFIA RESUMIDA

 Por Fatos na História - Cangaço e Nordeste

https://www.youtube.com/watch?v=f2CvB3C2FR4&ab_channel=FatosnaHist%C3%B3ria-Canga%C3%A7oeNordeste

...A conduta de Mourão II, perante os amigos e protegidos de Lampião, vinha sendo bastante contestada pelo Chefe, que não se cansava de advertir ao "cabra" de que não toleraria mais qualquer perturbação sua junto a pessoas amigas...
Referências: "Cangaceiros de Lampião de A a Z", de Bismarck Martins de Oliveira Fotos: Eronildes de Carvalho

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AS MORTES DOS CANGACEIROS-ÍNDIOS MOURÃO E MORMAÇO

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=CbQBAKSLTwU&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

As mortes dos cangaceiros-índios Mourão e Mormaço na versão do militar José Mutti de Almeida "Mutti" ex-comandante de Volantes baianas que durante anos atuou no combate e repressão ao cangaceirismo/banditismo nordestino.

Lembrando que existe uma outra versão, considerada por muitos como a versão oficial a respeito desse assunto, que em breve será apresentada no nosso canal para que vocês possam assistir, analisar, confrontar as informações e tirar suas próprias conclusões.

Por enquanto meus agradecimentos a todos que assistem nossos vídeos e que participam de forma direta ou indireta no canal Cangaçologia.
Geraldo Antônio de Souza Júnior

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À MARGEM DO ABISMO

Por José Cícero

À beira do imenso abismo uma vez o poeta decidiu ficar. Embevecido de muitas verdades ficou horas a fio ali de modo impassível a contemplar os perigos da vida; buscando encontrar uma nova maneira de se convencer a continuar. Pensou na vida diante da morte e na sua capacidade de acreditar, ainda que o mundo o contrariasse. Enfim, se despira de todo o tédio como do medo que até então o habitara. Logo o seu espírito ficou leve e suave. Enquanto a sua alma se vestiu de anil e de verdades.

Imaginou coisas novas como razão absoluta para sonhar como dantes em sua infinita e alada mocidade. Refletiu um pouco mais sobre à eternidade. Como ainda, sobre a finitude ante o imponderável das coisas intangíveis com os seus desejos loucos e impossíveis. Viu como quem olha para dentro de si mesmo todo o fenômeno contido no encantamento e no momento formidável. Renasceu das próprias cinzas: Hércules Quasimodo, Ícaro, Teseu, Sisifo e Prometeu...

Assim se sentiu como que voasse entre anjos e entre pássaros pelos céus. Quando a partir daquele ponto coberto de estranhamento imaginou puder recomeçar. Criou coragem. Desejou pular por sua conta e risco o seu abismo pessoal; sem ao menos notar; nem o perigo, nem o mistério. E assim, à margem do abissal perigo de si mesmo o poeta, finalmente descobriu milhões de quimeras e outras possibilidades. Como igualmente, que nenhum abismo existe de verdade, senão aquele que sempre existiu e que fora construído aos poucos por ele e pela vida inteira dentro de si.

https://www.facebook.com/josecicero.silva.33/posts/10220808957195412?notif_id=1646304665019371&notif_t=feedback_reaction_generic_tagged&ref=notif

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LAMPIÃO EM ALAGAOAS

 Por Sérgio Campos

“Lampião em Alagoas” foi escrito pelo já consagrado escritor, romancista, pesquisador e historiador Clerisvaldo B Chagas, em parceria com o professor e pesquisador Marcello Fausto.

Tive a grata satisfação de receber das mãos de um dos protagonistas desse trabalho, o professor Marcello Fausto, a obra, logo que saíu do “forno”. Posso abalizar o trabalho como sendo um riquíssimo teor literário e histórico para Alagoas.

O assunto Cangaço de há muito vem sendo discutido em todo o Brasil e até no exterior. Quase sempre dividido entre a paixão e a revolta, muitos foram os escritores que falaram dos cangaceiros nordestinos. Mas poucos foram os que buscaram se aprofundar no assunto a fim de passarem, de uma forma imparcial, para os sequiosos pelo tema a verdadeira história de um dos piores momentos vividos por esta região, que muitas vezes pareceu ter sido fadada ao sofrimento eterno.

Lampião em Alagoas é o primeiro livro que fala exclusivamente da história da passagem de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando, por terras alagoanas.

Como citam os autores, “os veteranos escritores do cangaço, ávidos por novidade, não irão encontrá-las em nosso trabalho, cujo mérito está apenas na organização sequenciada do que já foi dito por vários pesquisadores do estado e fora dele”. Esta obra é interessante pela forma como está sendo apresenta, cronológica e didática, facilitando assim a leitura, sobre a passagem do maior líder do cangaço de todos os tempos no Sertão de Alagoas na década de 30.

SERVIÇO

* O livro tem 468 páginas;
* Onde comprar?
Com o revendedor oficial e “exclusivo” Professor Pereira através do E-mail: franpelima@bol.com.br ou pelos telefones: (83) 9911 8286 (TIM) / (83) 8706 2819 (OI).

 http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/search/label/Alagoas

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MARÇO, OUTONO, CINZAS

 Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.666

Finalmente passou o mês pesado e mais curto do ano. Vamos iniciando uma nova marcha completamente estranha com incógnitas mais severas sobre o dia de amanhã. Ganhamos da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Meio Ambiente e Recursos Hídricos um Kit de camiseta e boné dos Profetas das Chuvas. Uma lembrança do recente encontro sobre o clima na área sertaneja. Muita chuva em fevereiro, mas também altíssimas temperaturas durante os dias, variando entre 36 graus a 24 durante às noites, no contraste. Março é um mês comprido, psicologicamente o mais comprido do ano e sem nenhum feriado para amenizar o batente. Março, tradicionalmente é um mês severo de estiagem, porém marca o início do outono, estação de começo das nossas chuvas no Sertão a partir de maio.

Os alastrados do antigo Loteamento Colorado estão floridos e frutificados, os pássaros se deliciam com seus frutos roxos e o vento sopra bem pelo relevo da colina. Será o anuncio de bom inverno?  E nessa Quarta-Feira de Cinzas, marcou as cinzas antecipadas do Carnaval e, infelizmente o triunfo do COVID l9 em nosso estado. Mas o nosso Soberano tem o poder de mandar a pandemia para um lugar distante do Universo onde não passa ninguém e frear a sede de ambição dos que pretendem dominar o mundo. Enquanto isso vamos espiando os movimentos mágicos das nuvens que trazem o pão aos nossos sertões nordestinos. Joelhos ao chão, olhares nas variações do tempo.

Passado o dia tão aguardado da Quarta-feira de Cinzas, lembramos quando as igrejas da cidade ficavam lotadas de fiéis para a tomada de cinzas na testa. Uma lembrança e advertência que todo somos frágeis e que voltaremos a virar pó. Uma quarta-feira triste de fim de mundo. Tudo, tudo está diferente já nos antecipavam as forças do Universo. Mas mesmo com todas as tristezas da terra, prossegue o mês de março a sua marcha inexorável.  Início de Quaresma, um período longo e santo perfeito para orações, meditação e oportunidades de abandonar o negativismo da vida. Tempo de fortificar a alma e garantir a luz. Quem sabe! Em meio à guerra e pandemia não aparece um facho luminoso no final do túnel!

Louvado seja o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó... E nosso também

ANOITECER NO COLORADO (FOTO: GUILHERME CHAGAS).

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2022/03/marcooutono-cinzas-clerisvaldob.html

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A MORTE DO SARGENTO DELUZ – PARTE III

 Por José Mendes Pereira

Sargento Deluz

Continuando a nossa história sobre a morte do sargento Deluz, o escritor Alcino Alves Costa nos diz que o pai da Dalva, o João Marinho, sempre tentava resolver aquele problema sem desassossegar a sua estimada família; sabia que a filha não tinha um tico de sossego, mas pior seria se pior fosse, uma desavença laçando todos da família. O que o patriarca mais queria era a paz naquele lar. Jamais desejou ser inimigo do seu próprio genro (apesar dos seus arrufos), pai de sua netinha que nascera no meio da infelicidade. Já tinha cedido uma parte de terra numa região de mata fechada, lá no Araticum. Naquele local o delegado desajustado fez uma fazendinha.

Mesmo com toda essa tribulação, surge mais uma novidade que deixa todos os seus familiares tristes, a Dalva engravida novamente do bruto delegado. Meses depois, a criança nasce, e é batizada com o nome Maria Luíza, mas entre família chamavam-na de Zizi.

Adquira este livro através deste e-mail: - franpelima@bol.com.br

Mas parece que as coisas iriam tomar outros rumos, porque o militar estava cheio de projetos, e desejava aumentar suas terras, assim alguém se abestalhasse e fizesse o seu desejo de lhe doar mais terras. E sendo o Valadão seu amigo e concunhado, casado com a Mariinha, propõe-lhe a cessão de um pedaço de terra. E sem muita demora, o seu pedido foi atendido, o Valadão fez a doação da área de terras do seu desejo, e lá, negociaram que seu pedaço de terras começava pelo um trilho que se iniciava em um riacho chamado da Barra.

Com essa doação, o delegado Deluz criou gosto em seus projetos, e a sua fazenda Araticum passou a ser de grande porte.

Mas parece que isso não agradou muito o seu sogro João Marinho, e resolveu não mais entregar os documentos de posses ao genro. E com essa negação de não entregar os documentos da terra que cedera ao Deluz, as desavenças aumentaram entre genro e sogro. O sargento fica furioso com a atitude tomada pelo seu sogro, e as confusões aumentaram mais ainda entre eles.

O Deluz não se contentou somente com as terras cedidas pelo Valadão, seu concunhado, e passou a desejar uma parte da grande propriedade do sogro. Como ele sempre foi arrogante procurou o velho João Marinho e falou sobre a sua intenção, adquirir mais terras para aumentar os seus projetos. Mas o João Marinho não concordou, e nesta confusão, entrou a sogra do sargento Deluz. Dona Maria Gomes se aborreceu com a solicitação, ou olho grande do bruto genro. E além dos maus-tratos com a esposa por último, queria investir sobre as terras do Brejo, e como era poderoso, não temia ninguém, porque se considera o melhor da lei e da justiça. A sua posição de delegado fazia pensar que era dono de tudo, sem que ninguém o incomodasse. E tinha que obedecer as suas exigências e ordens.

O fazendeiro João Marinho ficou sem saber o que iria fazer. O militar já atrapalhando a boa vida que tinha sua filha Dalva, agora só lhe faltava esta, querer se apossar do que não era dele? Aquela terra custou o seu suor, a sua vida desde muitos anos foi cuidar dela, e sem menos nem mais, de repente surge um infeliz querendo tomá-la do seu poder.

Apesar de ter sido um homem bruto, ignorante e outros mais adjetivos, o Deluz odiava qualquer tipo de trapassa, e sempre quando isso era para ser resolvido por ele, como militar, agia pela razão e conforme mandava a justiça.

Um deles foi o caso de Zuleica, uma das filhas de uma senhora chamada dona Delfina da Pedra D’água, que estava nos primeiros dias de resguardo, e tivera uma discussão com um jovem chamado Raimundo, um dos empregados de um senhor de nome Mestre Cícero. 

Tomando conhecimento da discussão que tivera o Raimundo com a parturiente Zuleica, o delegado Deluz intimou-o o jovem, e depois ordenou que a Zuleica desse-lhe uma surra de chicote daqueles fabricados com couro cru. Mas a Zuleica não aceitou a ordem. Revoltado com a rejeição da Zuleica o Deluz fez-lhe a segunda proposta, se ela não surrasse o Raimundo, quem iria apanhar era ela. E sem outra solução, mesmo contra vontade, o rapaz foi surrado pela Zuleica. Como a Zuleica ainda estava no seu resguardo e debilitada, e não esperava aquela ordem tão severa, findou adoecendo, e dias depois, ela faleceu.

Existe um outro fato que aconteceu com um jovem que ao ver algumas meninas brincando, dentre elas estava Adélia, filha do sargento Deluz e da infeliz Dalva, o jovem mostrou os seus órgãos genitais a elas. Assim que Deluz soube, prendeu e mandou que as meninas desse-lhe uma surra de chicote naquele indivíduo.

Continuarei amanhã!

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