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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

VOCÊ SABIA?

 Clerisvaldo B. Chagas, 25 de janeiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:  2.832


      Você sabia que a maior ilha fluviomarinha lagunar do Brasil está localizada em Alagoas? Se não sabia fique sabendo que a maior ilha fluvial (rio) do Brasil é a do Bananal, no estado do Tocantins, que fica entre dois rios. E a maior ilha fluviomarinha do mundo é a de Marajó no estado do Pará. Em Alagoas, a ilha de Santa Rita é a maior ilha fluviomarinha lagunar do Brasil. Situada na laguna Mundaú, faz parte de um arquipélago e está situada no município de Marechal Deodoro, vizinho a Maceió. A ilha de Santa Rita possui quatro povoados, são eles: Santa Rita, Siriba, Jacaré e Barra Nova. A propósito, a Ilha de Marajó possui 40.1 mil km 2, a ilha do Bananal 19.162 kme, a nossa ilha de Santa Rita 12 km2 Nessas alturas o leitor pode indagar, então, qual seria a maior ilha oceânica do Brasil. Partindo para essa vertente, iremos encontrar a Ilhabela, em São Paulo, vizinha a cidade de São Sebastião, com 346 km2.

Mas, voltando a Alagoas, mesmo fazendo comparações entre extensões de ilhas, a Santa Rita até que é enorme! É um dos lugares mais procurados tanto pelo maceioense quanto pelos turistas, devido principalmente às suas belezas naturais e gastronomia de tradição lagunar e praieira. Olhando com outros olhos, é um verdadeiro livro  de Geografia escrito e ilustrado pelo Grande Arquiteto do Universo. Passar pelo menos um turno na região, é jogar pela janela o lixo do estresse de cada dia. Vale salientar que o local é área de preservação e tem a vantagem para quem quiser visitá-la, da proximidade com a capital do estado e do acesso rápido e fácil que proporcionam conforto ao visitante.

Vale salientar que tanto a ilha quanto as imediações, são repletas de belezas como praias, manguezais e paisagens arrebatadoras. Em alguns lugares da rodovia que liga Maceió a Marechal Deodoro, encontramos toldas de guloseimas dos tempos da vovó: broas, suspiros, cocada, bolos e muitas outras que derretem na boca na primeira mordida. Isso você só vai encontrar no povoado Pé-Leve, entre Arapiraca e Limoeiro. Mas o que é mesmo uma ilha? É uma quantidade de terras cercada de águas por todos os lados. E arquipélago é um conjunto de ilhas. Depois vêm os detalhes das ilhas, cada qual com seu nome específico.

Quer saber mais sobre a ilha de Santa Rita? Pneu na estrada, “véi”

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A MORTE DO SARGENTO DELUZ - PARTE III

Por José Mendes Pereira

Sargento Deluz

Continuando a nossa história sobre a morte do sargento Deluz, o escritor Alcino Costa, conta que o pai da Dalva, o João Marinho sempre tentava resolver aquele problema sem desassossegar a sua estimada família; sabia que a filha não tinha um tico de sossego, mas pior seria se pior fosse, uma desavença laçando todos da família. O que o patriarca mais queria, era a paz naquele lar. Jamais desejou ser inimigo do seu próprio genro, pai de sua netinha que nascera no meio da infelicidade. Já tinha cedido, uma parte de terra numa região de mata fechada, lá no Araticum. Naquele local o delegado desajustado fez uma fazendinha.

Mesmo com toda essa tribulação, surge mais uma novidade que deixa todos os seus familiares tristes, a Dalva engravida novamente do bruto delegado. Meses depois, a criança nasce, e é batizada com o nome Maria Luíza, mas entre família, chamavam-na de Zizi. 

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Mas parece que as coisas iriam tomar outros rumos, porque, o militar estava cheios de projetos, e desejava aumentar suas terras, assim alguém se abestalhasse e fizesse o seu desejo de lhe doar mais terras. E sendo o Valadão seu amigo e concunhado, casado com a Mariinha, propõe-lhe a cessão de um pedaço de terra. E sem muita demora, o seu pedido foi atendido, o Valadão fez a doação da área de terras do seu desejo, e lá, negociaram que, seu pedaço de terra começava pelo um trilho que se iniciava em um riacho chamado da Barra. Com essa doação, o delegado Deluz criou gosto em seus projetos, e a sua fazenda Araticum passou a ser de grande porte.

Mas essa doação, o seu sogro João Marinho não ficou satisfeito, e resolveu não mais entregar os documentos de posses ao genro. E com essa negação de não entregar os documentos da terra que cedera ao Deluz, as desavenças aumentaram entre genro e sogro. O sargento ficou furioso com a atitude tomada pelo seu sogro, e as confusões aumentaram mais ainda entre eles.

O Deluz não se contentou somente com as terras cedidas pelo Valadão, seu concunhado, e passou a desejar uma parte da grande propriedade do sogro. Como ele sempre foi arrogante, procurou o velho João Marinho e falou sobre a sua intenção, adquirir mais terras para aumentar os seus projetos. Mas o João Marinho não concordou, e nesta confusão, entrou a sogra do sargento Deluz. Dona Maria Gomes se aborreceu com a solicitação, ou olho grande do bruto genro. E além dos maus-tratos com a esposa, por último, queria investir sobre as terras do Brejo, e como era poderoso, não temia ninguém, porque se considerava o melhor da lei e da justiça. A sua posição de delegado fazia pensar que era dono de tudo, sem que ninguém o incomodasse. E tinha que obedecer as suas exigências e ordens.

O fazendeiro João Marinho ficou sem saber o que iria fazer. O militar já atrapalhando a boa vida que tinha sua filha Dalva, agora só lhe faltava esta, querer se apossar do que não era dele. Aquela terra custou o seu suor, a sua vida, desde muitos anos foi cuidar das suas terras, e sem menos nem mais, de repente, surge um infeliz querendo tomá-la do seu poder.

Apesar de ter sido um homem bruto, ignorante e outros mais adjetivos, o Deluz odiava qualquer tipo de trapassa, e sempre quando isso era para ser resolvido por ele, como militar, agia pela razão e conforme mandava a justiça.

Um deles foi o caso de Zuleica, uma das filhas de uma senhora chamada dona Delfina da Pedra D’água, que estava nos primeiros dias de resguardo, e tivera uma discussão com um jovem chamado Raimundo, um dos empregados de um senhor de nome Mestre Cícero. Tomando conhecimento da discussão que tivera o Raimundo com a parturiente Zuleica, o delegado Deluz intimou-o e ordenou que ela desse-lhe uma surra de chicote, daqueles fabricados com couro cru, mas a Zuleica não aceitou a ordem. Revoltado com a rejeição da Zuleica, o Deluz fez-lhe a segunda proposta: se ela não surrasse o Raimundo, quem iria apanhar era ela. E sem outra solução, mesmo contra vontade, o rapaz foi surrado pela Zuleica. Como a Zuleica ainda estava no seu resguardo e debilitada, e não esperava aquela ordem tão severa, findou adoecendo e dias depois, ela faleceu.

Existe um outro fato que aconteceu com um jovem, que ao ver algumas meninas brincando, dentre elas estava Adélia, filha do sargento Deluz e da infeliz Dalva, o jovem mostrou os seus órgãos genitais a elas. Assim que Deluz soube, prendeu e mandou que as meninas desse-lhe uma surra de chicote naquele indivíduo.

Calma! Continuarei amanhã!

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A MORTE DE ANTÔNIO CANELA

 Por Alcino Alves Costa


"Certa vez, por e-mail, Alcino Alves Costa me disse que gostaria de ser lembrado através desta foto - 
José Mendes Pereira"

O sertão está alegre. A chuva tem caído com abundância. O inverno é bom e farto. Tudo é bonança e grandeza. O mimoso se espalha belamente pelas caatingas, balouçando, daqui pra ali, ao sabor gostoso do vento. O capim, a beldroega, o feijão brabo, a jitirana e a marmelada cobrem os loros das selas e as barrigas dos animais. Vaqueiros, animados e felizes, todos os dias ficam mudando a gadama, de uma fazenda pra outra, nos trabalhos de apartação.

Nas serras do Curralinho uma pequena fazenda – Camarões – está em festa. Alguns vaqueiros (Chiquinho de Aninha, Flávio, seu Alves, Libéu, Angelino, João Cirilo) ajuntam o rebanho para apartação. A ideia é levar o gado de Juvêncio Rodrigues para a Pedrata.

A cachaça rola e a chuva cai.

Lá, no início da malhada, desponta Antônio Canela. O caboclo está caçando um jumento. Soube do ajuntamento que ali estava acontecendo e com vontade de beber uma cachacinha seguiu para a fazendinha de Juvêncio.

Canela era um galho familiar da Caldeira. Nascido e criado nas Alagoas, num lugarzinho chamado Bonito. Carregava uma provação em sua vida. Um dia acompanhou alguns amigos que foram até o povoado “Entre Montes” esperar Lampião com o intuito de enfrenta-lo. O cangaceiro não apareceu mais a notícia dos preparativos para a reação contra ele se espalhou.

Tempo depois o rapaz se muda para Sergipe, indo residir no Curralinho. Jamais poderia imaginar que aquela sua aventura com as armas iria lhe trazer tão trágico dano. Mas, um mensageiro da desgraça assim não pensava, era ele “Zuza de Invenção”, cabra ruim e mal-intencionado que, levado pela maldade e vontade de agradar os bandidos, conta a história de Canela a eles.

O moço não sabia que estava na mira dos bandoleiros. Sem nenhum temor caminha por todos os arredores, mesmo sabendo que aquelas redondezas estão infestadas de cangaceiros.

Na fazenda do ajuntamento os vaqueiros aboiam e bebem. A chuva não para e cai com vontade. Grossas bátegas se esparramam pelo barro vermelho daquelas serras. Os grotões e riachos estão empanzinados e roncando. O sertão mais parece um paraíso.

Antônio Canela se demora. Gosta da farra e da cachaça. A chuva é forte e demorada. O melhor é esperar e beber.

A chuva diminuiu e foi embora. João Cirilo abre uma das janelas. Surpreso exclama:

 - Ói Cuma vem genti ali, e só podi ser cangaceiro.

A malhada está coalhada de cangaceiro. O grupo é chefiado por Mané Moreno. Todos estão com as roupas encharcadas. Chegam ao telheiro. Os presentes são saudados com um aperto de mão. Quando chega a vez do rapaz de Alagoas, Mané Moreno é que pega na sua mão e para espanto de todos diz:

O cangaceiro Mané Moreno

- Você tá preso!

A afronta a Lampião iria ser vingada.

Angelino e João Cirilo tentam pedir pelo condenado. A sentença já estava consumada.

Mané Moreno encerra a conversa dizendo:

- Não adianta pidido ninhum pra este cabra Ele vai morrer pruque merece.

Canela era um homem destemido. Mesmo não desconhecendo o seu fim tem forças para perguntar:

- E o qui foi qui eu fiz?

Pancada é quem responde:

- Se esqueceu qui andava armado pra atirá im Lampião?

- Foi mesmo. Só tivi pena porque ele num apareceu.

Alecrim cabra perverso, arranca um canivete e com desmedida fúria enfia a arma várias vezes no corpo do prisioneiro. Um outro bandido – Cravo Roxo -  não deixa por menos, com o coice de seu mosquetão bate com furor desmedido no rosto de Canela. A cabroeira está irritada com a ousadia do rapaz.

Os cangaceiros Áurea,  (errado Gorgulho) é Cravo Roxo e Mané Moreno

O cangaceiro era a personificação da desgraça e da morte. A fazendinha e os vaqueiros agora estavam envoltos num manto de tristeza e dor. Acabara-se a festa e a alegria. Agora tudo havia se transformado em horror e agonia. O povo sertanejo não pode ser feliz enquanto aqueles malsinados bandoleiros dominarem o seu sertão. Impossível se ter paz e sossego naquele mundo dominado pelo cangaceiro e pelas volantes.

Antônio Canela estava sendo supliciado. Amarram-no na garupa do animal e alecrim e viajam. Canela pergunta a Áurea, companheira de Mané Moreno e filha de Antonio Nicácio, se os cangaceiros vão mata-lo. A bandida acena com a cabeça que sim. Desesperado, ao receber a confirmação de seu fim, o rapaz, num ato extremado, tenta escapulir. Consegue pular do animal e corre loucamente serra abaixo. É perseguido pelo bando e rapidamente alcançado.

Mané Moreno está possesso. Obriga o infeliz abria a boca e comprovando o monstro que era puxa sua arma e atira. Canela teve tempo apenas de virar sua cabeça para um lado e, então, em vez de atirar na boca, atirou no ouvido do moço.

Canela não caiu e recebe o segundo tiro. Este no rosto. Desaba por cima das macambiras. É ainda sangrado por Pancada.  Acontece, então, a grande prova do negrume daqueles seres que não eram humanos e sim verdadeiros monstros. O cangaceiro Cravo Roxo se acerca da cor inerte de Canela, fica ao seu lado acocorado e como se fosse um monstro, e mostro ele era – bebe o sangue que borbulha da veia do pescoço do infeliz que está estirado no chão duro daquelas serras.

Do telheiro da fazenda, Juvêncio, seu Alves João Cirilo, Angelino Libéu e Chiquinho de Aninha abobalhados, observam a triste e aterradora cena. Lá embaixo, na serra, mais um sertanejo acaba de ser ceifado deste mundo por força do flagelo que há tantos anos vem assolando aquela região antes tão pacata e feliz.

Desolados e temerosos os vaqueiros soltam o gado e retornam para Curralinho.

Fonte: “livro Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico”
Autor: Alcino Alves Costa
Páginas: 195, 196 e 197.
Edição 2ª. Edição
Ano: 2011

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BRIÓ E ANTÔNIO CANELA: QUANDO AS PALAVRAS E AS AMEAÇAS SÃO SENTENÇAS DE MORTE

 *Rangel Alves da Costa

Muitos foram os acontecidos no solo sertanejo de Poço Redondo, no sertão sergipano, naqueles idos cangaceiros, principalmente a partir dos anos 30. Fato curioso é que a saga cangaceira na região não envolveu somente a ferrenha luta entre cangaceiros e volantes, mas também personagens que mesmo estando à margem das vinditas, ainda assim foram alcançados pela cruel sangria.

Mais curioso ainda é o fato de que dois destes importantes acontecidos, de consequências verdadeiramente trágicas, tiveram por motivação as palavras ditas e as ameaças impensadas. Ou mesmo de forma pensada, mas sem se imaginar no fatal desfecho depois de proferidas. Depois da análise do relatado abaixo, logo será fácil compreender que perante o cangaço - incluindo o mundo das volantes - a palavra e o gesto possuíam tamanha força, tamanha consequência, que exsurgiam até como sentença de morte para aquele que erroneamente se expressasse.

Assim aconteceu, por exemplo, com Brió e Antônio Canela. Este de trágico fim nas proximidades da Estrada de Curralinho (Estrada Histórica Antônio Conselheiro) e aquele ladeando a Estrada da Maranduba (região das Queimadas, nas beiradas do Riacho do Braz), bem próximo ao local onde, em 1937, Zé Joaquim (José Machado Feitosa), um rapaz de Poço Redondo foi torturado e morto pelo grupo de Juriti e Zé Sereno, sob a falsa acusação de ter dito a Zé Rufino que o bando de Lampião estava emboscado à sua espera na Lagoa da Cruz.

Como dito, Antônio Canela, um modesto vaqueiro vivente entre as beiradas alagoanas de Bonito e sergipanas de Curralinho, falou demais e, além disso, ameaçou demais, e acabou trucidado pelas próprias ações do passado. Segundo consta, nos idos de 1937, o vaqueiro se juntou com outros sertanejos e prometeu dar cabo a Lampião assim que este chegasse a Entremontes, nas barrancas das Alagoas. Pegou em armas, preparou a tocaia, mas nada de o bando aparecer. Contudo, a história ganhou o vento e foi parar aos ouvidos da cangaceirama.

Certamente que amedrontado com a irrealizada promessa e as juras de dar fim ao rei cangaceiro, Antônio Canela resolveu se bandear para o outro lado do rio, região sergipana do Curralinho. Oficiando como vaqueiro, um dia foi atrás de um jumento pelos arredores da fazenda Camarões e mais adiante avistou, na sede da propriedade, uma festança. Vai até lá e se junta à beberança. Não sabia, contudo, que logo a cangaceirama chegaria para cobrá-lo na dor e no sofrimento aquela emboscada feita pra Lampião.

E a cangaceirama que chega é a comandada por Mané Moreno. O líder do subgrupo já havia sido informado que o vaqueiro “metido a valente” poderia estar por ali. Tanto estava que logo o reconheceu. Identificou e logo deu início à cruel vingança. Sem dar o mínimo de atenção aos rogos dos sertanejos ali presentes, o cangaceiro logo sentencia o vaqueiro de morte. E de forma mais bestial ainda ante a confissão feita de que só não matou Lampião por que este não apareceu. Uma coragem que equivalia a pedir pra morrer.

A morte de Canela foi de indescritível perversidade. Picotado pelo canivete de Alecrim, tombado ante o açoite do mosquetão de Cravo Roxo, e depois disso amarrado a um animal e levado à morte certa. Foi Mané Moreno quem deu o tiro fatal. Mais um. E já morto é sangrado. E, segundo Alcino Alves Costa em seu Lampião Além da Versão (p. 196), o cangaceiro Cravo Roxo se acerca do corpo e bebe do sangue que borbulhava em seu pescoço.

Antes disso, nos idos de fevereiro de 1935, o sertanejo Brió (Benjamin, irmão do cangaceiro Demudado), um moço de Poço Redondo, igualmente falou demais e pagou no além da conta pela sua ousadia. Num meio onde a mera suspeita de ser alcoviteiro de volante já era correr perigo, que se imagine um cabra dizer - mesmo mentirosamente - que iria se juntar ao comando de Zé Rufino para perseguir aqueles que fossem amigos, coiteiros ou protetores de cangaceiros.

Num forró na fazenda de Julião do Nascimento, pai do mesmo Zé de Julião que mais tarde se tornaria no cangaceiro Cajazeira, Brió se desentendeu com a família dos Lameu e, raivoso, disse que todos pagariam bem pago assim que entrasse na força de Zé Rufino, o que já estava prestes a acontecer. Mentiu, contudo. E sua mentira teve uma trágica consequência. Sua verdadeira intenção era se juntar ao grupo de cangaceiros que estavam acoitados naquelas proximidades, nas Capoeiras. Iria servir ao subgrupo do perverso Mané Moreno, contando ainda com Zé Sereno e Juriti.

Sem saber que Brió se juntaria ao grupo, então Zé de Julião apareceu no coito para contar a novidade: Brió havia prometido ser cabra de Zé Rufino. Foi o fim de uma mentira. Não demorou muito, eis que Brió se apresenta àquele que seria o seu futuro grupo cangaceiro. Só não sabia o que lhe esperava. A sentença foi rápida: morte certa ao traidor. Tentou desfazer a todo custo o mal-entendido, mas não teve jeito. Os cangaceiros levam-no até o Riacho do Braz e o enforcam.

Indaga-se: por que enforcamento e não de outra forma? Apenas por que Brió, ante a certeza da morte, rogou para não ser nem enforcado nem afogado. Assim a vida cangaceira e daqueles que estavam ao seu redor, suas sagas e seus desatinos, seus tortuosos caminhos.

Escritor

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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A MORTE DO SARGENTO DELUZ - PARTE II

 Por José Mendes Pereira

Sargento Deluz

O patriarca João Marinho tinha outro genro que era o João Maria Valadão, este se casara com a Mariinha. Ele havia nascido e criado no Olho D’água, que era uma fazendinha das redondezas. O Valadão tinha boas amizades com o esposo da cunhada Dalva, por isso, fora escolhido para saber do sargento Deluz, o que o fez devolver a sua esposa Dalva aos seus pais.

Depois de tudo preparado e pensado, o Valadão foi ao encontro do temido sargento e concunhado que havia rejeitado a esposa. João Maria era e quase não era tão quieto assim, como o seu sogro, e confiava em sua coragem, e mais ainda, com a amizade que tinha com o sargento. 

O sargento o recebeu em sua propriedade de nome Araticum com muito agrado. Os dois conversaram até certo ponto, quando o Valadão perguntou-lhe:

- Deluz, não se apoquente com a minha pergunta, eu queria saber o motivo que fez você devolver minha cunhada Dalva aos seus pais?

O sargento Deluz espanta-se um pouco quando ouve a pergunta, mas mesmo assim, resolveu responder o que lhe fora perguntado, com cara de quem não gostou, e diz:

- Num dava certo, Valadão. A Dalva foi criada com muito mimo, e ela não quer aceitar o meu jeito. Você sabe muito bem o meu jeito de serpente, e sendo assim, eu e ela não damos certos para vivermos em paz.

João Valadão resolveu falar também, mas com cuidado para não assanhar a serpente. E diz:

- No meu entender, eu acho que você tem razão, mas nem se preocupe, é assim que eu contarei ao João Marinho, nem mais nem menos falarei.

Mas, geralmente, casal que se separa, dias depois está aconchegado novamente, e o sargento Deluz e sua esposa Dalva não eram diferentes. Dias depois, estavam juntos. A vida do valente pernambucano continuava nas suas obrigações na fazenda Araticum. Os trabalhos militares sempre foram respeitados por todos, afinal, ele era um delegado que dominava toda região do Rio São Francisco, mesmo respeitado, os sertanejos os julgavam um bruto, indivíduo grosseiro e irracional. Até a sua presença física não era agradável perante às pessoas que se curvavam diante dele, e principalmente, repugnavam às escondidas as suas ordens. Tinha um corpo forte, atarracado, era viciado em fumo de corda, e vez por outra, mascava também.

Dalva sua esposa nunca teve um momento de paz e de amor em sua vida de casada, e esta infelicidade, começou a partir do dia em que ela deixou a família e foi morar com o sargento Deluz. As brigas do casal eram a todo momento, porque o Deluz, tratava a sua esposa Dalva sempre debaixo de ordens e na base do cacete. Mas a Dalva era geniosa e não se dobrava, enfrentava o agressivo cônjuge sem medo, e com isso, ele vendo que não a vencia, as desavenças eram constantes. Mas mesmo com o seu lar destruído, a Dalva engravida do homem que não lhe quer ver feliz.

Mas com a gravidez da mulher, o sargento poderia melhorar o seu comportamento, já que um filho seu fora gerado no útero da sua esposa Dalva. Todos da família pensavam isto, e tinham certeza que a vida do casal iria ser apaziguada. O delegado deu sinais que concordava a gravidez da esposa.

Deluz resolveu fazer uma roça nas terras do sogro, lá no Brejo, e o João Marinho aceitou de bom grado, acreditava que com a gravidez da filha, o seu genro poderia mudar o seu comportamento agressivo e grosseiro. E uma das melhores, o interesse do genro pela agricultura e criação de animais. A intenção de todos era que as coisas melhorassem, e a Dalva pudesse viver em paz com o seu desajustado esposo.

Já está bem próximo da Dalva ter neném, e à proporção que os dias iam se passando, as dores começavam visitar a Dalva. A parteira já está ali, esperando a hora de fazer o parto. Tempo depois, a criancinha veio ao mundo cheia de vida. Era uma meninazinha saudável e com nome já escolhido Adélia (que significa nobre e indica uma pessoa que luta para tomar as rédeas do seu destino. Não gosta de depender de ninguém, nem mesmo dos pais. Hábil e esperta em geral consegue o que quer da vida. Mas deve combater a ansiedade e desenvolver o sentido de vida em comum).

Parece que a Dalva escolhera este nome como protesto ao que ela passava com o seu marido bruto. A mãe está feliz com o nascimento da filha, mas o pai não demonstra nenhuma felicidade, e continua do mesmo jeito, grosso e arrogante.

Logo no segundo dia do resguardo, o sargento Deluz acordou com o cão nos couros, e sem nenhuma razão e motivo, fez a Dalva se levantar às pressas. Ela não ficou calada e o respondeu sem medo, devolvendo-lhe as suas ignorâncias.

Incomodado, porque não tinha como convencê-la, foi até a porta do quarto, e a trancou juntamente com a sua filhinha. Por último, a mãe e a filha estavam presas. Com temperamento de louco, derramou uma lata de querosene na casa, e ficou ameaçando tocar fogo para incendiá-las. E assim que a vizinhança percebeu o descontrole emocional do sargento em gritos, pede socorro. Finalmente, os seus comandados chegaram e conseguiram segurar o demônio que já se preparava com o fósforo quase a riscar. 

Aquele casal não tem mais condições de viver junto, e a solução, seria definitivamente a separação. O homem é um desajustado e não tem como inverter aquela situação. A Dalva, há muito tempo que havia deixado de ser sua esposa para simplesmente ser um saco de pancadas.

As pessoas do lugar que presenciavam aquela infeliz vida da Dalva filha do João Marinho, diziam em boca miúda:

- Coitada daquela moça! Foi tão bem criada, uma pessoa tão boa, ter que viver uma vida tão infeliz!

João Marinho, sua esposa e irmãos perderam o sossego por completo. A Dalva estava diante de um satanás. As irmãs lamentavam a pouca sorte da mana, e os irmãos começaram sentir ódio do cunhado maldito. Todos parentes da Dalva estavam angustiados, e sofrendo com o pouco censo de um homem totalmente desajustado e desequilibrado mentalmente.

Não se preocupe. Continuarei amanhã esta historinha! 

A Morte do sargento Deluz - Parte I 

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MENTIRA CABELUDA...!

 Por José Mendes Pereira

Suposto Ezequiel Ferreira da Silva

Amigo leitor, as minhas inquietações não se referem a nenhum dos que organiza a literatura lampiônica, e sim, aos depoentes que mentiram mais do que deviam. 

O suposto Ezequiel Ferreira da Silva que se dizia ser filho de José Ferreira com dona Maria Lopes, disse que saiu do cangaço em 1931, porque o seu irmão capitão Lampião, teria forjado a sua morte, só para que ele saísse do cangaço sem ser perseguido por nenhum grupo policial, possivelmente.  

Mas, veja que, 7 anos depois, ele reaparece, lá na Grota do Angico, em Porto da Folha, hoje Poço Redondo, nas terras sergipanas, e possivelmente, foi antes da chacina, e nesse dia, teria fugido do bando em companhia de Luiz Pedro, Lampião e Félix da Mata. Isso está na literatura lampiônica.


Veja o que disse o pesquisador Ângelo Osmiro:

O escritor e pesquisador do cangaço Ângelo Osmiro, residente na capital  de Fortaleza, no Estado do Ceará, em um dos seus trabalhos com o título “A morte de Ezequiel Ferreira (Ponto Fino) irmão de Lampião”, nos diz que, segundo o Ezequiel, teria ficado na “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia” até  julho de 1938, quando o irmão fez uma reunião, para comunicar aos companheiros que abandonaria o cangaço.  

Aqui está o link para você conferir e não achar que é invencionice minha: 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/07/a-morte-de-ezequiel-ferreira-ponto-fino.html

Mas é improvável que o Ezequiel Ferreira da Silva estava na Grota do Angico, naquele dia, porque nenhum dos remanescentes do cangaço falou sobre a presença de um irmão de Lampião lá, a não ser somente o José Ferreira, que era seu sobrinho, e conseguiu fugir no momento do ataque aos cangaceiros. 

Em 1938, o capitão Lampião não tinha mais nenhum irmão no cangaço. De Ferreira, naquela maldita vida, só ele e mais ninguém. Então, mais uma mentira do suposto Ezequiel Ferreira da Silva.

As histórias do Ezequiel não têm limites, e são facilmente entendidas como invenções, isso, na intenção de conquistar os pesquisadores, escritores e cineastas. Mas se enganara.

O que eu escrevi, de forma alguma, prejudicará os trabalhos dos estudiosos do cangaço. São apenas as minhas inquietações. 

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PAIS E IRMÃOS DE MARIA BONITA

 Por Lampião e o Cangaço 


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

A MORTE DO SARGENTO DELUZ - PARTE i

 Por José Mendes Pereira


Segundo o escritor Alcino Alves Costa escreveu em seu Livro “O Sertão de Lampião” que o verdadeiro assassino do cangaceiro Juriti, o seu nome de batismo era Amâncio Ferreira da Silva, famoso caçador de cangaceiros que se têm informações, e era da polícia sergipana. Esta figura era pernambucana, com naturalidade duvidosa, porque, uns afirmavam que ele era lá de São Bento do Una, enquanto outros diziam que o famoso e carrasco policial era da cidade de Gravatá. Ele nasceu no dia 11 de agosto de 1905. Mas o seu nome de batismo sempre ficou esquecido, porque desde criança, era conhecido por Deluz, nome que o fez pessoa importante na região que sempre esteve prestando os seus serviços à polícia militar e ingressou na força logo muito jovem.

Com o banditismo tomando de conta dos sertões nordestinos matando, roubando, destruindo tudo que via pela frente, Deluz recebeu ordem para ir destacar no último porto navegável do baixo São Francisco, o minúsculo lugarejo da família Britto, lá no Canindé do São Francisco.

Ali, naquele tempo, o sertão no abandono, a coroa que reinava por lá, era do velho guerreiro, destemido e sanguinário rei do cangaço o Lampião; e o jovem militar seguindo a missão de tantos outros do seu tempo, foi também incumbido para caçar cangaceiros, e iria enfrentar o poder do famoso e perverso Lampião.

Desde muito cedo que o Deluz demonstrava ser destemido, e com isso, seu nome caiu na boca do povo, como sendo um homem de muita coragem, e que nunca conheceu o significado da palavra medo, mas talvez carregasse consigo a pesada cruz, que era perseguir cangaceiros, homens que não tinham medo de ninguém e nem o que perderem. Após a chacina de Angico um dos seus divertimentos era procurar por todos os lugares ex-cangaceiros que sobraram da “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia”, para matar, assim aconteceu com o ex-facínora Juriti, que soube que ele estava na fazenda Pedra D’água, na casa do seu amigo Rosalvo Marinho, e assim que tomou conhecimento, Deluz e seus capangas foram até lá para engaiolá-lo. Assim que o prenderam, levaram-no para as matas, e lá, ele foi morto dentro de uma língua de fogo.

Uma das crueldades e gostosa que achava o Deluz, era tirar ladrão da cadeia de Propriá, e levar o infeliz para o Rio São Francisco e lá, amarrava-o a uma pedra, e o jogava dentro das águas. O tempo foi passando e a sua fama de homem valente foi se espalhando por toda região do São Francisco. As mocinhas quando o via desfilando pelas ruazinhas do arruado ribeirinho, se derretiam em dengos e desejos.

Diz o escritor Alcino Alves que um descendente dos Garra, e que foi uma das primeiras famílias de Poço Redondo, deixou de morar no arruado de Cupira e China, para fazer companhia a um tio paterno de nome João Grande, morador da pequena povoação de Curituba, sendo esta de um senhor chamado João dos Santos, lugar localizado nas terras do Canindé do São Francisco. O rapaz chamava-se João, e era filho de Hipólito José dos Santos e dona Marinha Cardoso dos Santos, que era chamada carinhosamente de Vevéia. Seus filhos eram: Germiniano, Joaquim, Chiquinho, José (Zé Hipólito), Antonio (Touca), Miguel, Manuel (Naninga), além de João, o João Marinho; tinha ainda as irmãs Isabel (Iaiá), Maria, Antônia Rosa, Júlia Filomena e Francelina, num total de quatorze irmãos descendentes daquela família lá das areias brancas de Poço Redondo.

O João Marinho dedica a sua vida nas terras de Canindé e parte para um compromisso sério com Maria, uma mocinha da conceituada família dos Gomes daquele pedaço de sertão sofrido. Noivam e se casam. O João Marinho resolveu ir trabalhar em uma das propriedades do coronel Chico Porfírio, na fazenda Brejo. O casal segue as tradições e os costumes da época, filhos e mais filhos foram nascendo. Hortêncio, Jonas, Zé Marinho, Angelina, Maria (Mariinha) Dalva e Santa.

João Marinho é um homem trabalhador, além dos filhos fazia planos para o futuro. Trabalhava com afinco e com dignidade, e viu os seus planos serem realizados, porque findou comprando a propriedade que morava., e com trabalhos, dedicação e coragem conseguiu fazer no Brejo uma das mais consideradas propriedade no imenso mundão de Canindé do São Francisco. O seu nome ficou respeitado no meio daquela gente como um vitorioso. Com as facilidades que a vida lhe deu dois dos seus irmãos (Chiquinho e Zé Hipólito) muda-se para Canindé, ali se casam. As sorteadas foram duas irmãs a Delfina e Anália.

O Chiquinho foi trabalhar como vaqueiro na Fazenda Rancho do Vale, de um conceituado Monteiro Santos, e o Zé Hipólito após vender a sua propriedade de nome Pindoba ao tenente João Maria da Serra Negra e faz nova moradia dando o nome de Vertente.

O João Marinho de Poço Redondo se tornou o patriarca daquela região. Seus filhos estão crescidos, e tanto os rapazes como as moças são desejados. Namorá-los é o desejo daquela juventude.

O Deluz começou a paquerar a Dalva e logo ficou apaixonado. O pai da Dalva o João Marinho ao saber do relacionamento da filha com ele não ficou satisfeito. O João era um homem tranquilo, e não desejava aquele homem misturado na sua família, porque ele queria o melhor para sua filha. E geralmente, namoro termina em noivado, e com a continuação, será realizado casamento. E sem muita demora a Dalva casou-se com o temido sargento. Mas Deluz não estava muito satisfeito com o seu cônjuge, e três dias depois, Deluz pôs a Dalva na frente e foi devolvê-la aos pais.

Uma grande desgraça! O que aconteceu que o sargento Deluz levou a esposa e a entregou aos pais?

Você saberá amanhã, porque continuarei!

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A MULHER E O CANGAÇO REMANESCENTES, VÍTIMAS E FAMILIARES

 Por: João de Sousa Lim

Há um fascínio natural quando se fala da mulher no cangaço. Em uma época tão difícil o que levou tantas mulheres - meninas a entrarem para esse mundo desconhecido e de certa forma brutal? Que tipo de atração o mundo feminino viu no movimento cangaceiro? Quais foram os motivos que causaram tanto deslumbramento aos olhos daquela juventude?

 *Ximando o almoço de Durvinha

A sergipana Adília

Apreciando o silencio de Maria de Jurity

Essas são algumas perguntas que fazemos tentando entender os reais motivos da entrada da mulher no cangaço. Mesmo diante dos depoimentos de algumas que foram forçadas a seguir seus companheiros, como foi o caso de Dadá que foi raptada por Corisco, no caso de Dulce que foi trocada por jóias pelo cunhado, de Aristéia que seguiu o cangaceiro Catingueira por sofrer maltrato da policia, Tanto Antônia quanto Inacinha forçadas por Gato, podemos citar vários casos dessa natureza, porém a maioria foi por pura paixão como é o caso de Durvinha que se apaixonou por Virgínio, Lídia por Zé Baiano, Maria por Lampião, Nenê por Luiz Pedro, Eleonora por Serra Branca, Naninha por Gavião, Aninha por Mourão, Catarina por Nevoeiro, Joana por Cirilo de Engrácia.

Edson Barreto, Ex Cangceira Dulce, João e Maria Cícera irmã de Dulce com "103 anos de idade"

João vive a mimar a ex cangaceira Aristéia

Alguns cangaceiros não concordaram com a entrada das mulheres no cangaço como foi o caso de Balão que deixou depoimentos confirmando que as mulheres atrapalhavam as caminhadas dentro da mataria, principalmente quando ficavam grávidas. Os tiroteios diminuíram e Balão era um dos cangaceiros que gostava dos confrontos.

Dona Rita, vitima de estupro praticado pelo cabra  Sabiá

A centenária Dona Mocinha (irmã de Lampião)

Para outros, com a mulher no cangaço, os estupros diminuíram, a violência sem aparente razão se atenuaram.
A verdade é que com a mulher no cangaço o movimento ganhou uma áurea romanesca, as histórias contadas sempre falam do amor entre casais famosos, no cinema, nos versos tantos eruditos quanto populares, no livreto de cordel, na arte plástica, na música, no teatro, na literatura, os romances sempre mexeram com a capacidade de imaginar o cavaleiro em seu cavalo alado salvando as mocinhas e donzelas para viverem o amor eterno.


Dona Joana ( irmã de Dadá)

Uma irmã da cangaceira "Moça" de Cirilo

A mulher cangaceira deixou para sempre na historiografia do nordeste brasileiro o nome da mulher sertaneja como sinônimo de mulher guerreira, bravia, independente, sem perder sua feminilidade, sua capacidade de amar, independente das circunstâncias.

*Ximar? É o mesmo que  desejar

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NOTA DE FALECIMENTO

Por Relembrando Mossoró.

Faleceu na manhã de hoje o Dr Clovis Augusto de Miranda - primeiro anestesista em nossa cidade. Era sócio da Casa de Saúde e Maternidade Santa Luzia. Era casado com Laurita Rosado. O velório será na Capela do Perpétuo Socorro. Formulamos sentimentos de pesar a família enlutada.

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COURO DE JUMENTA

 Clerisvaldo B. Chagas, 23 de janeiro de 2023 

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.830

Em torno dos anos 60, um coronel do sertão, em Poço das Trincheiras, resolveu convidar os amigos e oferecer farra e almoço na sua fazenda. Houve muitos comentários na época em toda a região. Todos beberam animadamente, até que saiu o tão aguardado almoço. No final da refeição, o coronel pediu atenção para um pronunciamento e perguntou aos convidados se sabiam o que tinham comido. Diante de tantas respostas inocentes, o coronel ria e falava: “vocês comeram carne de jumenta”. E para provar o que disse, mostrou o sexo da jega quando houve um burburinho grande na roda de amigos. Uns se conformavam dizendo que “foi bom”. Outros metiam os dedos na goela para provocar vômitos. Foi um deus-nos-acuda! Esse caso teve muita repercussão principalmente nos ciclos boêmios da região sertaneja.

ASNO PASTANDO NO LEITO DO IPANEMA SECO (FOTO: B. CHAGAS).

Pois bem, com aproximadamente 60 anos depois desse fato, estávamos entrevistando o senhor Daniel Manoel, de 81 anos e que trabalhou em todos os curtumes de Santana, sobre os detalhes daquela atividade em nossa terra.  Quando ele nos dizia que os curtumes curtiam couro de todos animais domésticos e selvagens, falou o seguinte: “Uma vez curtimos o couro até de uma jumenta, enviado pelo coronel fulano de Poço das Trincheiras”. Que coincidência medonha! A prova fatídica após tanto tempo, do caso do Poço. Como se descobre as coisas sem perguntar!  Entretanto, não é que esqueci de acrescentar essa passagem no livro terminado “Santana, o Reino do Couro e da Sola”. Eita “coroné”, danado!

A nossa ética na tradição brasileira, é não ao consumo de carne cavalar e semelhantes, mas os chamados coronéis sertanejos em muitos casos faziam as suas próprias leis, inclusive, retirar o couro das costas dos seus desafetos, em forma de tiras.  Voltando ao caso do couro do asno fêmea, não sabíamos antes da curtição desse couro. Foi curtido com qual finalidade? Talvez para ser exibido durante muito tempo como troféu, rir outras vezes daquela situação e afirmar o poder de mandachuva até nas brincadeiras farristas de péssimo mau gosto.

De qualquer maneira, agradecemos ao nosso entrevistado por essa lembrança inusitada de 60 anos atrás, na história dos curtumes.

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