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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Como agiam as volantes

Por: Airton Maciel(*)
A partir da esquerda: Ildefonso Flor, Maneol Gomes de Lira, João Jurubeba de Sá Nogueira ( João Gato), João Gomes Jurubeba e Manoel Gomes de Sá.

Irmãos, primos, famílias inteiras se incorporaram às volantes na caçada a Lampião e seu bando. A violência das volantes pelos sertões é uma mancha registrada pela literatura sobre o cangaço.

João Gomes de Lira

O tenente reformado e ex-integrante de volante, João Gomes de Lira, 82 anos (já falecido - centenário 100 anos próximo mês), autor do livro Memórias de um Soldado de Volante, reconhece ações arbitrárias nas perseguições a Lampião, mas restritas aos "coiteiros". "Nunca soube de morte deles pelas volantes" afirma João Gomes.

Recolhido à pequena Nazaré, vila do município de Floresta, a 470 km do Recife, palco e cenário das primeiras desordens de Lampião, o tenente João Gomes conta o começo da história. Em entrevista exclusiva, por telefone, ao Suplemento Cultural.

Suplemento Cultural - Em Lampião - Memórias de um Soldado de Volante, o senhor conta a origem dos Ferreira e os primeiros atritos da família de Lampião coim os Nogueira, clã do qual o senhor faz parte. Como se deu o seu ingresso na volante?

João Gomes de Lira - Estava em Nazaré, em agosto de 1931, e Lampião assolava, miseravelmente, o Estado da Bahia. O governador baiano pediu socorro ao governador de Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti, que designou o tenente Manoel Neto para formar uma volante.

Manoel Neto

Ele levou mais de vinte meninos de 16 anos a 19 anos, e alistou em Vila Bela, hoje Serra Talhada. Eu tinha 18 anos. Lá, estava o comandante das forças volantes do interior, coronel João Emerson Benjamin, que ficou surpreso com o recrutamento. Ele disse que a força era de meninos e que o Governo não tinha vaca leiteira para dar leite a todos esses pirralhas.

Suplemento Cultural - Como o tenente conseguiu convencer o comandante a aceitar a volante arregimentada em Nazaré, diante da surpresa que quase representa a desmoralização da Força?

João Gomes de Lira - O tenente Manoel Neto não aceitou o argumento e insistiu na continuação da volante. Manoel Neto disse que, quando se encontrasse com Lampião, o Sertão, o Brasil e o Mundo iam saber quem era Manoel Neto e seus meninos. Lampião dizia que a tropa de Manoel Neto era de "cachorrinhos novos que tinha pego em Pernambuco". 12 dias depois do alistamento a gente foi para a Bahia. Lampião andava com 60 a 70 cangaceiros e a nossa volante tinha 45 praças. Em Setembro, no dia 6, Lampião atacou em Santo Antonio da Glória, sertão da Bahia. A volante de Manoel Neto conseguiu alcançá-lo na caatinga. Houve muito tiroteio e feridos, mas ele e o grupo conseguiram fugir. Foi o único confronto qie tivemos.

Suplemento Cultural - As volantes que combatiam o cangaço tinham fama de violência. Há acusações de saques, truculências e atrocidades. As volantes agiam mesmo fora da lei?

João Gomes de Lira - A quantidade de coiteiros não tinha quem contasse. Acoitavam Lampião, informavam ele das volantes. Se a gente perguntava por Lampião, eles diziam que não tinham visto, não sabiam onde estava. Tinham que levar uma surra pra falar, mas nunca vi nenhum coiteiro ser morto.

Suplemento Cultural - Como as volantes conseguiam munições e alimentação para manter a perseguição?

João Gomes de Lira - A munição a gente recebia em Vila Bela, e a comida era mais difícil. A tropa comia muito coroa de frade (planta da caatinga), e carne assada com rapadura e farinha quando tinha. O tenente tinha dinheiro para despesas e a gente comprava nas casas.

Lampião

Suplemento Cultural - Como começaram as desavenças e atritos com os Ferreira, família de Lampião, em Nazaré?

João Gomes de Lira - A minha família era inimiga dos Ferreira. A primeira vez que ele brigou aqui foi em 1919. Na época, havia as famílias Pereira e Carvalho. Sidário Carvalho e seu grupo eram inimigos do cangaceiro Sebastião Pereira.

Sebastião Pereira - o cangaceiro Sinhô Pereira

Um dia se encontraram na vila, discutiram e trocaram ameaças. Meu pai (Antonio Gomes Jurubeba) ficou do lado de Sidário e Lampião o desacatou e a Sidário. Até então, Lampião andava armado, mas ainda não era cangaceiro. Virgulino, Levino e Antonio ferreira tinham frequentes discussões com os  Saturnino e os Nogueira (formada pelas ramificações Jurubeba, Souza Ferraz e Souza Nogueira, e mudaram-se de Vila Bela para Nazaré em 1919. Depois da briga na vila, Virgulino mudou-se para Alagoas, e só retornou em 1922, quando Sebastião Pereira foi para Goiás e Lampião assumiu o seu grupo. Em 1º de agosto de 1923, uma prima de Lampião ia se casar na igreja de Nazaré. Lampião veio pra cá com 15 cangaceiros, mas no caminho cortou a linha do telégrafo e fez 15 chicotes.  Chegaram na vila dizendo que era para dar 15 surras. Meu pai se retirou com a família para o sítio para não haver morte, mas antes chegou a discutir com Virgulino. Foi assim que nasceu a inimizade. Aqui era tudo parente, por isso todo mundo se integrou à volante tempos depois, para perseguir Lampião.

(*) Jornalista. Repórter do Diário de Pernambuco.

Fonte:
Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Vozes da Seca

Por: Aderbal Nogueira
Paulo Gastão e Aderbal Nogueira

Gravei a uns 6 messes a inauguração de uma grande indústria de roupas aqui no Ceara. A pouco tempo estive lá novamente e na entrada tem cartazes gigantes dizendo: "PRECISA-SE DE COSTUREIRAS", sabe de quantas vagas? 2000 duas mil. 

Dois galpões fechados, simplesmente por que as mulheres não querem perder esse tal de bolsa esmola. Auxilio sim, para doentes velhos e em calamidades. Para quem é são, o velho rei do baião já disse o que acontece. 


http://www.youtube.com/watch?v=bcHziEM2xgs

Extraído do facebook da página do cineasta e pesquisador do cangaço: Aderbal Nogueira

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domingo, 19 de maio de 2013

A solidão do poeta Luiz Campos

Por: Ednilto Neves

Luiz Campos, aos 73 anos, sente dificuldades para escrever ou recitar: ‘Estou cego, meu filho’, brinca

Luiz Campos é uma figura ímpar no meio literário norte-rio-grandense, com uma vida dedicada à poesia e à cantoria, mas também um homem que sente o peso da idade, depois de tantas experiências, de muitos poemas escritos e rasgados, de muitas desilusões e amores fortuitos.

Sentado numa cadeira, a escutar um noticiário de uma rádio local, o poeta nos recebe para uma conversa descontraída – como devem ser os diálogos com Luiz Campos – e uma boa pitada de sarcasmo. “Não tomo café... me ofende mais que uma dose de qualquer coisa”, brinca.

Na sala, um freezer enferrujado traz a antiga logo da Pepsi e, sobre ele, alguns copos. “Estava ouvindo o noticiário. Ultimamente, tenho sonhado muito com o papa... Há três noites que sonho com ele, com aquela roupa branca, aquela estola amarela, sentado num trono, e também tenho visto vultos, ouvido vozes. Isso tudo é muito espiritual, não acha?”, e sorri, irônico. “Certamente, o papa não quer me levar com ele. Ave Maria!”, diz.
“Tirando as brincadeiras”, o poeta, aos 73 anos, continua afiado, mas sem escrever, pois a visão está quase comprometida. Antes, os versos que vinham à mente eram recitados e um pequeno gravador captava o poema. “Mas esse gravador quebrou e, desde então, estou sem produzir muita coisa, quase nada... também passei por uns momentos difíceis, mas sou um cara que não gosto de estar perturbando ninguém. Em termos de publicação, estou sem condições de escrever ou publicar qualquer coisa. O que eu tenho são cordéis que já foram publicados. Não tenho mais livros para vender. Todos foram comprados”, fala.

Durante a reportagem, várias pessoas o saudaram na calçada. “Poeta Luiz Campos!”, dizia um; “grande Luiz!”, repetia outro... “Não vejo quem é, apenas falo. São pessoas que me ouviram cantar em algum lugar ou mesmo leram meus poemas”, comenta.

O poeta lamenta, porém, sobre uma de suas piores sensações: a de morar sozinho. “Não foi por escolha, foram as coisas e os acontecimentos que me levaram a morar sozinho. A solidão é muito ruim, uma coisa que nos massacra. Mas acredito que, depois de tudo, é isso, realmente, o que eu mereço... não acho que Deus seja injusto comigo, pelo contrário: ele é e sempre será um Deus justo. Eu tenho o que mereço, nesse sentido”, salienta, frisando que a vida do poeta não pode ser fácil.

Adepto da visão clássica de que grandes poetas foram grandes sofredores e passaram por momentos difíceis em suas vidas, Luiz Campos se apega a esse conceito e justifica: “As pessoas elogiam muito os poetas, mas não ajudam na divulgação de seus trabalhos, deixando-os alheios a qualquer coisa. Sempre foi assim. Os grandes poetas viveram e sofreram muito. A vida do poeta é sofrida, cheia de sacrifícios e sofrimentos. Segundo o que eu já li, desde o começo do mundo que os poetas são sofredores”, diz. “Nenhum grande poeta que eu conheci gozou de regalias. Agora, os poetastros, esses, sim, são picaretas. Conheço um bocado”, ironiza. “Os verdadeiros poetas acabam, de certa forma, no esquecimento, abandonados... como Pinto Monteiro, por exemplo”, exemplifica.

Interrompido por uma vendedora, Luiz brinca: “Nem olho pro café!” e compra tapiocas. “Conheço Luiz Campos desde muito tempo, das Cajazeiras”, fala a vendedora. “Ele é um poeta conhecido”, frisa.
Luiz sorri com a simpatia da desconhecida. Fala que, sempre que pode, compra para “ajudar ao pessoal, que está aí na batalha da subsistência”.

A solidão, essa companheira inseparável...

Mesmo se sentindo só e com a visão comprometida, o poeta nunca perdeu o bom humor. “Não sou um cara fechado”, diz, sorrindo, enquanto oferece uma cadeira para o repórter-fotográfico Ednilto Neves. “Por aqui já passaram grandes nomes da poesia nordestina. Alguns, hoje, quando vêm a Mossoró, sequer passam por aqui”, explica. “Esta casa foi quem fez os grandes cantadores. Ivanildo morou aqui, Luiz Pereira, Luiz Antônio, Antônio Lisboa (que eu criei, pois chegou aqui ainda menino e ganhou o seu primeiro dinheiro com cantoria ao meu lado) e tantos outros poetas e cantadores dos bons que estiveram aqui comigo. Como disse, infelizmente muitos se esquecem da gente, mas alguns se lembram, como Ivanildo, que sempre que pode aparece por esses lados e até me deu a honra de me ouvir cantar, já agora, recentemente, quando me apresentei ao lado de Cícero Nascimento. Ele reconhece meu trabalho, lê meus poemas e divulga minha obra”, comenta, agradecido.

Aposentado, Luiz Campos divide seus dias entre algumas caminhadas, conversas com amigos e diversões eventuais, como ir a alguns eventos, mesmo com todos os problemas de saúde. “O que me machuca mais é a solidão. No resto, estou em paz. Minha solidão é meu castigo, pois durante minha vida deixei muitas mulheres apenas por vaidade e isso pode ter sido o motivo. Também brinquei, juntamente com João Liberalino, certa vez, com a doença de Elizeu Ventania: passamos perto dele, batemos nele, de leve, e não falamos. Ele não nos reconheceu, pois já estava perdendo a visão. Eu e João sorrimos. Não foi uma brincadeira boa. Hoje não estou do mesmo jeito? Manguei dele e estou do mesmo modo”, confessa.

Para ele, quem mora sozinho é discriminado. “Não discrimino nem critico; o ruim é assumir a qualidade do criticado. Moro sozinho e não posso fazer nada quanto a isso. Também não canto mais e nem posso viajar, devido aos problemas de saúde. Dentro da cidade, se tiver transporte para me levar em cantorias, até posso me apresentar. Qualquer pequena viagem de táxi custa certo dinheiro. Às vezes nem compensa participar, pois não sabemos o que a cantoria vai render”, explica Luiz Campos.

VIVER INTENSAMENTE

Para o poeta, a vida deve ser vivida intensamente. “Tive dezessete mulheres que moraram aqui. Tenho, nos dezoito Estados que andei, um filho em cada um. Já fui muito boêmio e, nesse sentido, não tenho do que reclamar”, fala, relembrando alguns períodos da vida de poeta. “Vivi intensamente, meu filho... aos 73 anos, posso dizer que vivi muita coisa. Quando a solidão vem, pego de um copo, tomo alguma coisa e me esqueço. Ela, pelo menos, alivia a solidão, mesmo quando os versos me vêm à noite e, depois, passam, porque não tenho como registrá-los. Lamento essa parte e também lamento não ter sido reconhecido por muitos, pois vejo muitas pessoas ganhando dinheiro às minhas custas, com meus poemas, reproduzindo e vendendo, sem minha autorização. Tive alguns problemas com alguns poemas clássicos meus, como Me enganei com minha noiva, que muita gente reproduz sem, ao menos, me solicitar nada. Isso tem sido uma chateação. Também já vi muita gente fazendo DVD com meus versos e, claro, ganhando dinheiro”, critica.

No Recife, o cordel Julgado pelo destino, onde o poeta narra suas desilusões, está sendo negociado. “Soube por um amigo que muitas pessoas estão comprando esse cordel lá, mas não mandei nada para Recife”, observa, enquanto dedilha a viola, companheira de muitos anos...

http://www.gazetadooeste.com.br/cultura-a-solidao-do-poeta-luiz-campos-8780


Crispiniano Neto - no seu livro poesias com Luiz Campos - pág. 51 - publicado em Julho de 1993 - Segue:

...ele tá comendo fusca 

César, numa das piadas de Luiz Campos, é irmão de um cantador. César é retardado mental, não faz mal a ninguém e é muito querido pelos cantadores, até pela sua completa inocência.

Porém, nos últimos anos, César que sempre andava com um fusquinha de plástico na mão, degringolou e viu sua mania transformada em tara.

Hoje ele é muito conhecido em Mossoró, pela triste mania de "manter relações sexuais" com fusca. Não adianta trazer um carro mais bonito. A tara dele é por fusca. Parece que todo mundo já entendeu que é desvio mental e mesmo quem não o conhece de perto, dispensa sua loucura. Até mesmo as mulheres, olham, riem e passam ao lado.

No começo, nós tínhamos medo de que as pessoas sem conhecê-lo cometessem alguma violência contra ele.

Foi nesse período que Luiz Campos cantava na presença de um dos irmãos de César, quando surgiu este assunto: Aí Luiz disse:

Amigo tenha cuidado
se não seu nome se ofusca
faça alguma diligência
corra mais, dê uma busca
procure mulher pra César 
que ele tá comendo fusca.

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O BARBUDO DE VALDEREDO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 17/18/19 de maio de 2013 - Crônica Nº 1019

O BARBUDO DE VALDEREDO
     
Na década de sessenta, principalmente, foram manchetes em jornais nordestinos e revistas nacionais, os embates no Sertão alagoano. Floro Gome Novais virava mito com suas vinganças pela morte do pai, em Olivença. Nas regiões dos povoados Várzea de Dona Joana e Pedra d’Água dos Alexandres, uma família se digladiava em rixa tremenda. Muitas emboscadas e mortes marcaram negativamente os bons invernos daquela década. Raramente os noticiários do dia deixavam de citar algum acontecimento ligado a Floro Novais ou à família Ferreira. 

Família Ferreira

Nos duelos sem fim que dizimavam jovens e adultos dos Ferreira, ganhou destaque o senhor Valderedo. Mesmo assim outros personagens da mesma família eram citados como ágeis e valentes. Valderedo e Floro tornaram-se amigos, mas Floro não se metia na briga interna dos Ferreira e nem aprovava os combates do mesmo sangue. No final de tantas lutas, Floro Novais foi emboscado e morto com um simples caroço de chumbo que lhe atingiu o coração. Valderedo desencarnou depois, dizem, vítima do próprio coração.

 
foto: (passosmgonline).

Certa feita, um vizinho nosso estava em um bar no cruzamento urbano Maracanã, em Santana do Ipanema. Gostava ─ como ainda hoje ─ de andar barbudo. Ao passar pelo local, sempre alerta e desconfiado, Valderedo avistou o cliente e agitou-se. Confundi-o com um dos seus terríveis inimigos. Quando estava pronto para eliminar o pobre caminhoneiro, foi convencido por alguém que aquele barbudo não era o fulano e sim, um rapaz muito trabalhador, motorista e conhecido de todos na cidade. Valderedo ainda demorou em acreditar no que lhe diziam, por causa da semelhança das pessoas em causa. Entretanto, o trabalho de convencimento teve êxito. Não temos certeza, todavia, se ao desistir do intento Valderedo ainda chegou a pedir desculpas à suposta vítima. Estar certo o que filosofa: “quem de uma escapa, cem anos vive”. Vez em quando passo e cumprimento o meu vizinho que continua barbado e caminhoneiro.

Muitas vezes a vida não passa de ilusão de ótica ou de cabeça. Quantos covardes e traidores surgem entre os que você julgava amigos! Quanto alívio se sente ao saber que o inimigo estava apenas na ilusão, como O BARBUDO DE VALDEREDO!.

Autobiografia

CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei. 
Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.
Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).


Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático);Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado(romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema (história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).
Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.

(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia) 
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Lampião, o invencível - duas vidas, duas mortes"

Livro escrito por José Geraldo Aguiar
Lili, filha de Moreno e Durvalina e José Geraldo Aguiar

Não me atrevo em dizer que as informações que segundo o livro do escritor José Geraldo Aguiar foram criadas por ele, mas este suposto Lampião era na verdade, um verdadeiro mentiroso, querendo ser Lampião até fisicamente.


Leia o que segue:

Livro garante que Lampião passou seus últimos anos de vida no Norte de Minas

Por: Avay Miranda
Colaboração para O NORTE

BRASÍLIA-DF - A morte do mais famoso cangaceiro brasileiro, Lampião, tem causado muitos debates, informações desencontradas e dúvidas, ao longo da história, desde aquele dia fatídico, 28 de julho de 1938, quando as forças policiais promoveram uma emboscada a um grupo de cangaceiros, na localidade de Angico, Município de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, matando 11 pessoas e apresentando às autoridades suas cabeças, dizendo que se trata de Virgulino Ferreira da Silva, sua mulher Maria Bonita e de alguns seguidores.

A grande imprensa do país tem se dedicado ao assunto e nos últimos 15 anos vem noticiando que um fotógrafo de São Francisco estava fazendo pesquisa para publicar um livro, provando que Lampião não foi degolado naquele dia, mas, armou um esquema com as autoridades e fugiu para Minas Gerais, tendo residido em várias cidades do Norte Minério, usados diversos nomes e faleceu em 1993, na cidade de Buritis, no Noroeste de Minas Gerais.

Trata-se de José Geraldo Aguiar, 59 anos, que, como fotógrafo, em São Francisco, com muitos contatos, tomou conhecimento dos rumores na região de que Lampião estaria vivendo naquele Município.

José Geraldo Aguiar, autor do livro
"Lampião, o Invencível: duas vidas, duas mortes".

Passou a pesquisar e encontrou um homem sisudo, estranho, com um defeito no olho direito, usava óculos escuros e que não era de ter amigos. Procurou se aproximar daquela pessoa, travando conversas, puxando assunto, até que ficou sabendo de se tratar de João Teixeira Lima
.
Os contatos foram aumentando. João Teixeira Lima passou a ter confiança em Geraldo Aguiar, como é conhecido em São Francisco. Muitas informações foram transmitidas ao fotógrafo, até que num determinado dia, João Teixeira confessou que era, na realidade, Virgulino Ferreira da Silva, narrando toda a história de sua vida e como ele renunciou ao cangaço e fugiu para Minas.

Certo dia, em 1992, Geraldo Aguiar disse para João Teixeira que queria escrever a sua história, para corrigir o equívoco daquele episódio de Angico. Ele disse: “meu passado foi muito problemático, não posso aparecer. Faça o que for possível, mas, não anuncie nada antes da minha morte. Vou morrer no ano que vem. Deixo minha mulher autorizada a colaborar com você em tudo que for possível.”

Realmente, João Teixeira Lima veio a falecer no ano seguinte, o óbito foi registrado em nome de Antônio Maria da Conceição e a sua então mulher, Severina Alves de Morais, conhecida por Firmina, outorgou procuração para José Geraldo Aguiar, prestou todas as informações necessárias e entregou documentos importantes.

Geraldo Aguiar pesquisou o assunto durante 17 anos, entrevistou dezenas de pessoas ligadas ao cangaço e terminou de escrever o livro, com o título “Lampião, o Invencível: duas vidas e duas mortes.” Está sendo editado pela Thesaurus Editora, de Brasília e sairá até o fim deste mês, cujo primeiro lançamento será feito num Congresso sobre o Cangaço, em Crato, no Ceará, nos dias 22 a 26 do corrente mês e outros lançamentos serão feitos em várias cidades do Norte de Minas.

Na pesquisa, especialmente com as entrevistas com familiares de Lampião, Geraldo Aguiar conseguiu obter informações importantes e inéditas, que irão mudar o rumo da história do cangaço no Brasil.

LAMPIÃO TERIA RESIDIDO EM VÁRIOS MUNICÍPIOS

José Geraldo Aguiar, fotógrafo em São Francisco, escreveu um livro, com o título “Lampião, o Invencível: duas vidas, duas mortes”, para demonstrar que o cangaceiro mais conhecido do país, renunciou ao cangaço, fugiu do Nordeste em 1938, passou por diversas cidades do Norte e Noroeste de Minas e viveu seus últimos dias na cidade de Buritis, onde faleceu no dia 3 de agosto de 1993, com 96 anos de idade, uma vez que nasceu em 7 de julho de 1897, em Pernambuco.

Desde que renunciou ao cangaço, em julho de 1938, que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, mudou de nome e, com Maria Bonita e outros seguidores, fugiram para a cidade de Paulo Áfono e de lá foram margeando o Rio São Francisco até entrarem em Minas pela cidade e Manga.

Lampião e Maria Bonita, em cada Município que chegavam, adotavam nomes diferentes, procuravam abrigo mais seguro na zona rural, alugando mangas e criando bovinos, evitando contados mais estreitos com pessoas estranhas.

Assim, eles residiram nas localidades de Itacarambi, Missões, Povoados de Brejo do Amparo, São Joaquim e Tijuco, em Januária, Pedras de Maria da Cruz, Matias Cardoso, Burarama, hoje Capitão Enéas, Arinos, Urucuia, São Francisco e finalmente em Buritis, onde faleceu.

Em São Francisco, Lampião encontrou local seguro para residir e comprou uma fazenda às margens do Rio São Domingos, onde ficou por muitos anos, até a sua velhice. Depois se mudou para a cidade de Buritis, onde conseguiu se aposentar pelo FUNRURAL. Voltou para São Francisco, indo residir na cidade.

Enquanto residia em Minas, Lampião foi algumas vezes a várias cidades das Bahia e chegou a voltar à sua terra, em Pernambuco, porém, disfarçado.
Para manter o seu disfarce, Lampião usou os nomes de Antônio Teixeira Lima, João Teixeira Lima, José Pereira, João Baiano, João Pernambucano, João Bogó, João Mangabeira, Policarpo Lima, Antônio Luiz de Lima, Luiz Antônio de Lima, Luiz Fulício Lima e, quando faleceu, o registro foi feito em nome de Antônio Maria da Conceição, porém, na cruz, colocada na sepultura, consta o nome de Antônio Teixeira Lima.

Segundo o autor do livro sobre as duas vidas de Lampião, o que houve em Sergipe, em 1938, quando as forças policiais mataram 11 cangaceiros e disseram que Lampião e Maria Bonita estavam entre eles, foi um amplo acordo de Lampião com as autoridades locais para ele fugir.

Lampião contava com 41 anos de idade, estava certo que não tinha mais condições de chefiar o seu bando, já manifestara, por diversas vezes, que queria deixar o cangaço e viver uma vida descente.

Governava Sergipe, na época, o Dr. Eronildes Carvalho, que era amigo e protetor de Lampião, assim como o famoso Padre Cícero, também apoiava o chefe do cangaço. Com eles, Lampião negociou o acordo para deixar o cangaço e fugir das caatingas do Nordeste.

Virgulino Ferreira da Silva teve mais dez filhos com Maria Bonita, em Minas Gerais, tinha três filhos com outra mulher e, quando faleceu, sua companheira Severina Alves de Morais, que ainda vive em Buritis, teve três filhos com ele.

Facebook - página do pesquisador Guilherme Machado

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sábado, 18 de maio de 2013

O cangaceiro Moreno

Por: Guilherme Machado

Um passado triunfante, de glória e aventura no cangaço. 


Moreno um dos últimos da saga do cangaço brasileiro.


 É como fala o poeta João de Sousa Lima: sangue, amor e aventura no cangaço. 


Moreno e Durvinha, pais da companheira Neli Conceição.


Extraído do facebook. Página do pesquisador do cangaço: Guilherme Machado

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Livros sobre "Cangaço"

1938 - Angico

Autor: Paulo Medeiros Gastão


Lampião de A a Z


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A outra face do cangaço

  
Autor: Antonio Vilela de Sousa


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Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

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MEXENDO O PIRÃO

Autor: Adriano Marcena

Título: Mexendo o Pirão:


Importância sociocultural da farinha de mandioca no Brasil holandês (1637-1646)
Tema: História da alimentação
Páginas: 160
Preço do livro: R$ 20,00

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Missa de 7º dia do Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes

Convite para Missa de 7o dia do Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes

Data: 20/05/2013 (segunda-feira)
Local: Igreja de Santa Júlia (Torre)
Horário: 17h


Prof. João Marcelo Alves Macêdo
Diretor Técnico-Cientifico e de Integração com a Sociedade
Instituto UFPB de Desenvolvimento da Paraíba - IDEP
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Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso


É hoje a abertura Oficial do Cariri Cangaço 2013: Lavras da Mangabeira


Dentro de  mais algumas horas começa o Cariri Cangaço 2013 com grande festa em
Lavras da Mangabeira!

Começa hoje as 15 horas a Agenda do Cariri Cangaço para 2013; O município de Lavras da Mangabeira inaugura com um grande evento o conjunto de Avant Premier do Cariri Cangaço 2013.

A secretária de Cultura do município de Lavras da Mangabeira, Cristina Couto, disse que a cidade vive a expectativa de realização do evento, que já promoveu outros 3 seminários, exposições e debates nas cidades de Barbalha, Crato, Aurora, Barro, Juazeiro do Norte, Missão Velha e Porteiras. "Aqui em Lavras o enfoque será dado para a discussão sobre a Sedição de Juazeiro e a participação de Fideralina Augusto Lima", frisou. "É uma oportunidade das pessoas conhecerem acerca da história do Ceará", completou.

O Cariri Cangaço 2013 começa com a tradicional Cavalgada Lêla Férrer, que  é um acontecimento anual e de resgate histórico, coordenado pelo deputado estadual, Heitor Férrer, descendente da matriarca Fideralina Augusto Lima, que no século passado exerceu com determinação e força, liderança política regional. Na época, a família comprava animais da região do Riacho do Sangue e os trazia em tropas para Lavras.

Neste ano, a chegada de 12 cavaleiros que vão se juntar a 50 vaqueiros vai coincidir com a abertura do Cariri Cangaço. Após a solenidade de abertura a ser realizada no plenário da Câmara Municipal de Lavras da Mangabeira, haverá apresentação de um vídeo produzido pela Assembleia Legislativa sobre a história de vida de Fideralina Augusto Lima.


Fideralina : Personagem Principal

"Ela foi uma das cinco matriarcas do Nordeste, com poder de mando, quando naquela época esse papel não era reservado à mulher", observou Cristina Couto. "Estava à frente do seu tempo". Ainda à tarde, haverá palestra com o historiador Dimas Macedo, que vai abordar o tema ´Entre canetas e bacamartes´. Integram os debates, os professores José Cícero, Juliana Ischiara e Bosco André, sob a coordenação de Manoel Severo Barbosa.

Está prevista para o fim da tarde, uma apresentação cultural com declamação de cordel de autoria de José Teles da Silva, que descreve sobre a passagem de Lampião em 1927 sobre Lavras da Mangabeira, e de número de dança de xaxado por um grupo de estudantes da Escola de Ensino Fundamental Assis Lucena. No domingo pela manhã, a programação inclui um encontro dos participantes do evento com o prefeito, Gustavo Augusto Lima Bisneto (Doutor Tavinho), descendente (trineto) da matriarca Fideralina Augusto. No domingo a visitação aos prinicpais pontos turídsticos de Lavras e ao emblemático sítio Tatu, propriedade de Fideralina Augusto Lima.

CARIRI CANGAÇO 2013

http://cariricangaco.blogspot.com 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entre Deus e o Diabo – O único homem a filmar Lampião e seu bando.

Por Nação Nordestina em Destaque, Nordeste

Livro resgata a saga do sírio-libanês Benjamin Abrahão, que imigrou para o Nordeste brasileiro na década de 1910 e entrou para a história por se tornar braço direito do padre Cícero e ter sido o único a filmar Lampião e seu bando.

Deus e o diabo na terra do sol. Impossível não lembrar do título do filme de Glauber Rocha ao ouvir a história do sírio-libanês Benjamim Abrahão, curiosa figura que fez sua vida no sertão nordestino nos anos 1920 e 1930. O forasteiro conseguiu seu sustento se aproveitando ora do homem santo padre Cícero, ora do vilão Lampião. Nessa empreitada, ficou marcado na história como o primeiro a documentar de perto a vida do cangaço, através de fotos e filmes.

Sua rica biografia é narrada pelo historiador Frederico Pernambucano em Benjamin Abrahão, entre anjos e cangaceiros, livro repleto de detalhes suculentos sobre a vida no sertão e que não deixa de fora importantes marcos da política e da história da época.

Parte da história de Benjamin Abrahão já havia sido contada no filme Baile perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira. A essa época, Pernambucano já estudava a saga do sírio-libanês e foi ele quem sugeriu o tema para os cineastas. Passados quase 20 anos, o historiador nos revela, em mais detalhes, um Benjamin Abrahão oportunista, que soube aproveitar cada chance oferecida no Brasil.

Logo que chegou ao país, em 1915, fugido do alistamento militar para a Primeira Guerra Mundial, Abrahão usou da sua estrangeirice para conquistar a confiança de padre Cícero, então um poderoso e influente líder religioso e político de Juazeiro, interior do Ceará. Em meio à multidão de fiéis que visitavam o “padim”, o sírio se destacou apresentando-se como conterrâneo de Jesus. Tornou-se secretário pessoal de Cícero.

Capa do livro

“Benjamin era um espertalhão, tão sedutor que conseguiu se instalar na casa paroquial, na época uma sede de poder importante. Lá vivia o padre Cícero e seu braço político Bartolomeu Floro. Benjamin se tornou o braço pessoal do padre”, conta Pernambucano. “Ficaram o padre e os dois como se fossem seus ministros.”

O sírio-libanês ficou na paróquia de 1917 a 1926. Nesse período, responsável pelas muitas joias doadas por fiéis, desviou fundos para si mesmo. Circulava no luxo e na luxúria até que a morte do padre pôs fim a sua boa vida.

Pernambucano nos conta que em uma última tentativa de lucrar em cima do beato, Abrahão cortou chumaços de cabelo de Cícero já morto e passou a vendê-los para os romeiros. O empreendimento deu lucro até que o povo começou a desconfiar que o religioso não tinha tanto cabelo quanto estava sendo vendido.

O cangaço filmado

Sem dinheiro e desrespeitado, Benjamin Abrahão partiu para uma nova aventura. Com a chancela de ter sido braço direito de padre Cícero, foi em busca do temido Virgulino Ferreira, o Lampião. Devoto conhecido do “padim”, o cangaceiro estava em seu auge, controlando vários bandos pelo Nordeste, quando Abrahão lhe propôs ser seu documentarista oficial. Os dois já haviam se encontrado quando o cangaceiro foi convencido por padre Cícero a lutar ao lado do governo contra a Coluna Prestes, que passou pelo Nordeste por volta de 1925.

Abrahão já tinha tudo preparado. Conseguiu apoio da agência alemã Aba Filmes para filmar o cangaceiro procurado pela Justiça com uma câmera sem som de alta tecnologia para a época. Lampião, fascinado com a modernidade dos apetrechos, aceitou a proposta. Antes, porém, testou o equipamento para garantir que não se tratava de uma arma disfarçada.
“Benjamim conseguiu convencer Lampião por causa do efeito mágico do cinema”, diz Pernambucano. “Naquela época, Lampião mobilizava grossos capitais. Travava com coronéis da região que financiavam seus roubos e recebiam parte do lucro. Seu bando era a imagem do sucesso da organização fora da lei. Ele viu na proposta de filmagem a oportunidade de ingressar na história pela forma mais moderna que havia então.”

A aventura cinematográfica de Benjamim Abrahão ganhou as páginas dos principais jornais do país. Em fevereiro de 1937, ele publicou uma série de reportagens no Diário de Pernambuco exibindo a intimidade do cangaço. Havia fotos impensáveis de Lampião costurando, Maria bonita penteando-lhe os cabelos, cangaceiros tocando gaita e comendo. O sírio-libanês anunciava para a imprensa que em breve lançaria um documentário sobre 

Lampião e seu bando.

A ideia dele era exibir o filme no Brasil e vender cópias para o exterior, onde Lampião também era manchete. Mas seu sonho foi destruído pela então recém-instalada ditadura do Estado Novo, que mandou confiscar as filmagens e proibiu a exibição e comercialização das películas.

“As fotos e filmes de Benjamim eram um atestado da incompetência das forças policiais e uma afronta ao Palácio do Catete”, comenta o historiador, que traduziu a caderneta em que o forasteiro sírio registrou denúncias sobre as forças policiais que matavam civis e colocavam a culpa nos cangaceiros.

Nessa época, sequências inteiras dos filmes foram destruídas. O que restou foi recuperado na década de 1950 pela Fundação Getúlio Vargas. Entre os filmes remanescentes, um chama atenção. Mostra o rei do cangaço fazendo comercial de Cafiaspirina, remédio para dor de cabeça da empresa alemã Bayer. O cangaceiro aparece distribuindo o remédio para seu bando em frente a um cartaz que diz: “Se é Bayer, é bom”.

Nessa época, sequências inteiras dos filmes foram destruídas. O que restou foi recuperado na década de 1950 pela Fundação Getúlio Vargas. Entre os filmes remanescentes, um chama atenção. Mostra o rei do cangaço fazendo comercial de Cafiaspirina, remédio para dor de cabeça da empresa alemã Bayer. O cangaceiro aparece distribuindo o remédio para seu bando em frente a um cartaz que diz: “Se é Bayer, é bom”.

Fadados à morte

Benjamin Abrahão morreu em circunstâncias misteriosas sem conseguir lucrar com seus filmes. Saiu para beber cerveja quando faltou luz na vila em que estava. Ouviram-se gritos e seu corpo foi encontrado esfaqueado dentro da casa de um homem aleijado que confessou o crime.

Ninguém sabe quem foi o real autor do assassinato. Segundo Pernambucano, provavelmente foi alguém do povo contratado por algum coronel que queria queimar o “arquivo vivo” que era Abrahão. Tendo convivido com Lampião, ele conhecia todos os coronéis e policiais corruptos que ajudavam o cangaceiro.

Mas, para o historiador, em última instância, quem matou o sírio-libanês e também Lampião foi o Estado Novo. O fim da soberania dos estados imposta pelo novo regime nacionalista desmantelou a estratégia de ocupação do cangaço, que se mantinha nas fronteiras para escapar das forças policiais que não tinham domínio para além de seus territórios.

Outro elemento apontado por Pernambucano foi o fim da inviolabilidade do latifúndio, que fez com que os coronéis que abrigavam bandos de cangaceiros não pudessem mais impedir a entrada de policiais em suas terras.

“Quem matou Benjamin foi a mesma força que matou Lampião: o Palácio do Catete e os valores da ditadura”, afirma o historiador. “Antes que o Estado Novo espatifasse o sistema de poder do sertão, era alto negócio para qualquer fazendeiro comercializar com o cangaceiro. O Estado Novo acabou com esse colaboracionismo. A morte de Benjamin foi, sobretudo, uma queima de arquivo histórica.”

Fonte: Ciência Hoje
FONTE:

http://www.tribunadoceara.com.br/nacaonordestina/destaque/entre-deus-e-o-diabo-o-unico-homem-a-filmar-lampiao-e-seu-bando/

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: José Romero Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com