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sábado, 14 de novembro de 2020

PADRE JOSÉ KEHRLE E OS CANGACEIROS

Por Beto Rueda

Padre José Kehrle, homem admirável, culto, proveniente de família Judia, nasceu em 19 de maio de 1891, na cidade de Rheinstetten, Alemanha.

Cursou medicina na Universidade de Munique tendo desistido da carreira no último ano de faculdade para ingressar no seminário e tornar-se sacerdote.

Padre José Kehrle

Veio para o Brasil em 1909, optando pela vida religiosa e ordenou-se em 14 de março de 1914, no Mosteiro de São Bento, em Olinda-PE.

Transferiu-se no ano seguinte para Quixadá-CE., onde chegou a ter contato com o Pe. Cícero, em Juazeiro do Norte.

Foi encarregado de assumir a secretaria do bispado de Floresta, onde ficou por quatro anos. Tornou-se o primeiro pároco de Rio Branco, atual Arcoverde.

Assumiu a paróquia de Nossa Senhora da Penha, em Vila Bela (atual Serra Talhada), ficando também responsável pela paróquia de São José do Belmonte.

Conheceu Virgolino Ferreira o Lampião, ainda no começo de sua vida como cangaceiro, sendo inclusive seu conselheiro.

Ainda em sua missão pelo Sertão pernambucano, o padre alemão passou pelas cidades de Venturosa, Afogados da Ingazeira, Brejo da Madre de Deus e Moxotó. Por fim, chegou em Buíque no ano de 1947.

No ano de 1967, a pesquisadora e escritora Aglae Lima de Oliveira, foi a Buíque e coversou com ele:

"Tive a satisfação de conhecê-lo pessoalmente. Pesquisador do banditismo, inteligente, forte sotaque germânico, estimadíssimo na cidade. Conta com 76 anos de idade. Possui vasto documentário sobre o cangaço. Conheceu de perto todos os problemas desse fenômeno. Recorda-se de Lampião como cangaceiro iniciante em Vila Bela.

Perguntei:

- Padre, Lampião e os cabras confessavam-se com o senhor?

- Não.

Nunca se confessaram comigo, os outros padres, tenho certeza, não os receberam no confessionário.

- Fale padre, sobre a personalidade de Lampião, pois tão bem o conheceu.

- Eu fui vigário em Vila Bela, conheci Lampião quase menino. Ele me obedecia. Tomava-me a benção, desarreado e desarmado. Todos os cangaceiros assistiam a Santa Missa, com os chapéus na mão, respeitosos.

No momento que chegavam às capelas, as armas eram ensarilhadas, guardadas e trancadas na sacristia.

Os cabras não perdiam missa, principalmente se incursionassem nas fazendas e povoados pertencentes a paróquia onde eu era vigário. Eram fiéis as missas celebradas por mim. Prestavam atenção ao aviso das próximas, fitavam-me com respeito e absoluto silêncio.

- A polícia sabia que Lampião assistia a missa nas capelas da sua Paróquia?

- Sabia, e nunca foram procurá-los nas igrejas.

- Padre, fale sobre Sinhô Pereira.

- Conheci muito. Era de família nobre, neto do barão Andrelino Pereira do Pajeú. Teve suas razões para entrar no cangaço.

- Padre Kehrle, conheceu outros cangaceiros?

- Conheci todos em minha região, até 1940.

- O que achava da personalidade deles, da religião, costumes e da vida que levavam?

- Observava que o meio e as injustiças sociais foram responsáveis por todos os bandidos do Nordeste. Sobre a religião, eu ficava impressionado diante da fé e da confiança. Não desviavam a atenção das imagens e da minha pessoa. Ouviam o meu sermão cabisbaixos. Rezavam rosários e orações fortes.

- Padre Kehrle, fico impressionada com a personalidade complexa dessa gente. Eles não temiam a surpresa de as volantes cercarem as capelas?

- Não.

As volantes também me respeitavam e jamais escolheriam as igrejas para cercar bandos desarmados. A polícia também nunca castigou padres. Lembro-me de que, depois da missa, eu retirava do bolso da minha batina a chave da sacristia e Lampião distribuía as armas e os arreios.

Anotei os costumes e a vida que levavam e consegui encher uma mala cheia de documentários.

- Padre, o senhor aparenta gostar também do assunto?

- Imensamente.

Sou alemão de nascimento mas amo profundamente o Brasil. É a minha segunda pátria, vivo a muitos anos nos sertões.

- O que mais o impressionou em Lampião?

- Seus modos. Era calmo. Falava manso. Atendia aos meus pedidos.

- O senhor lhe solicitava que abandonasse o cangaço?

- Sim. Várias vezes.

Ele baixava a cabeça, segurava o fuzil e dizia:

- Padre José, não tem mais jeito."

José Kehrle faleceu em Buíque no dia 06 de agosto de 1978, aos 87 anos. Sua grandiosa contribuição é lembrada para a história do interior de Pernambuco.

REFERÊNCIAS:

OLIVEIRA. Aglae Lima de. Lampião, cangaço e Nordeste. 2.ed. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1970.

MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa Editora, 2004.

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NOVA DESCOBERTA SOBRE LAMPIÃO

 Por Marcos de Carmelita

Nova descoberta no Cangaço: O homem que baleou Lampião e por pouco não eliminou o Rei do Cangaço!

Fazenda Tigre em Floresta-Pe hoje coberta pelas águas da barragem de Itaparica. Na primeira janela onde tem uma cruz, Lampião foi baleado no peito direito bem próximo ao braço. Só agora descobri quem foi o Volante autor da façanha.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A MORTE DE NENÉM DE LUIZ PEDRO NA FAZENDA MOCAMBO

Por Aderbal Nogueira

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A morte dessa jovem, ou pós ela, existe uma polêmica devido ter em livros, e outros "ouvi dizer", que ocorreu profanação do cadáver. Alguns dizem que foram os "volantes" a profanarem sexualmente o corpo. Já outros, que eles colocaram os cães para profanarem.

Laser/vídeo

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A PEDRA DE DÉ ARAÚJO

 Por Valdir José Nogueira de Moura


Em meio a tantas paisagens urbanas, históricas e naturais, muitos lugares incríveis no município de São José do Belmonte continuam desconhecidos do grande público, seja pela dificuldade de acesso ou somente pela falta de informação, muitos atrativos em nosso município seguem inexplorados.

Panorama a partir da PEDRA DE DÉ ARAÚJO.

A famosa “Pedra de Dé Araújo” é um desses lugares.

No entanto, informa-nos o historiador Rostand Medeiros, no seu prestigiado blog “Tok de História”, que, ao norte da cidade pernambucana de São José do Belmonte, em área de limites estaduais de Pernambuco, Paraíba e do Ceará, existe no lado pernambucano, uma elevação natural, com altitudes que chegam a mais de 1.000 metros e é conhecida como Serra do Catolé. 

Escritores Rostand Medeiros, João de Sousa Lima e Juliana Pereira

Ele informa-nos, também, que, em entrevista com o senhor Luiz Severino dos Santos, morador nascido e criado naquela Serra, que as grutas existentes naquela elevação natural foram utilizadas como esconderijo pelo bando de Sinhô Pereira e pelo seu primo, Luiz Padre, ficando o local conhecido como o “Coito” dos Pereiras, existindo ali também outra gruta que ficou conhecida como a PEDRA DE DÉ ARAÚJO.

“Dé Araújo – Um cangaceiro afamado – um soldado célebre”

De acordo com o senhor Severino, a família de Luiz Padre era proprietária do Sítio Catolé antes mesmo do início das “brigadas” contra os Carvalhos. Entre uma pausa e outra da luta, Luiz Padre, Sinhô Pereira e o bando seguiam para a Serra do Catolé, onde se refaziam para novos combates. Atesta Rostand que as características de isolamento e as dificuldades naturais de acesso a Serra, proporcionaram aos cangaceiros um verdadeiro local de descanso e apoio. A permanência do grupo naquele local era sempre rápida e controlada. Temendo que a polícia descobrisse aqueles esconderijos, todos os acessos eram vigiados, ninguém entrava ou saia da Serra sem que Luiz Padre e Sinhô Pereira não soubessem. A localização da Serra e do Sítio Catolé era de importância estratégica, pois distava, somente, 18 quilômetros da fronteira cearense e a 3 da Paraíba, mostrando que a partir daquele local estas fronteiras poderiam ser ultrapassadas e outros locais de apoios e de combate poderiam ser alcançados.

Certo dia, tendo ido o cangaceiro Dé Araújo encontrar com o companheiro Cícero Costa, na Paraíba, foi o mesmo surpreendido por uma força policial composta de 12 praças, sob o comando de um cabo, na altura do Riacho de Santa Inez. Conseguindo então furar o cerco, depois de levemente ferido, foi Dé Araújo se refugiar em uma das inúmeras grutas existentes na Serra do Catolé. A partir de então, o local ficou conhecido como PEDRA DE DÉ ARAÚJO.

PEDRA DE DÉ ARAÚJO - Serra do Catolé – São José do Belmonte

Natural de Floresta, Dé Araújo, batizado como Manoel Cavalcanti de Araújo, era filho do casal, João Antônio de Souza Araújo e Pacífica Benvinda Cavalcanti de Albuquerque. Em 1919 seus familiares passaram a residir em um sítio na Serra do Catolé. Nesse mesmo ano Manoel Cavalcanti de Araújo por motivos pessoais, torna-se cangaceiro do bando de Sebastião Pereira e Luiz Padre. 

Sinhô Pereira sentado e Luiz Padre.

Deixando o bando, incorpora-se na Força Pública de Pernambuco, porém, torna-se desertor e regressa ao bando de Sinhô Pereira, virando, então DÉ ARAÚJO. Com a desistência de Sinhô Pereira, chefe supremo dos cangaceiros, oportunidade em que se retirou para Goiás, Lampião assumiria o bando. Em outubro de 1922, Dé Araújo também participou do grupo de cangaceiros que atacou a cidade de Belmonte, com o objetivo de assassinar o coronel Gonzaga Ferraz. Tempos depois Dé Araújo abandona o cangaço, sendo que no dia 1/12/1926, com outra identidade, agora era o novo cidadão Rodrigo de Souza Nogueira, verificou Praça na Força Pública de São Paulo, no 1º Regimento de Cavalaria.

Nessa cidade, faleceu Dé Araújo aos 77 anos de idade no dia 29/4/1979. A sua história foi contada magistralmente pelo historiador e Conselheiro do Cariri Cangaço, Geraldo Ferraz, no livro “Dé Araújo – Um Cangaceiro Afamado, Um Soldado Célebre”.

Personagem da história do cangaceirismo dos sertões nordestinos, seu nome foi eternizado, numa gruta da Serra do Catolé , a famosa PEDRA DE DÉ ARAÚJO.

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BANHA DE PORCO

 Clerisvaldo B. Chagas, 13 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:  3.417

       Estamos vivendo a crise de preço dos óleos de cozinha. Antes desses óleos industrializados, sempre usávamos em nossos sertões, a banha de porco para os cozimentos alimentares. Para isso, os produtores criavam nas fazendas, nos sítios e nos quintais urbanos dois tipos de porcos onde não se usavam os nomes científicos das espécies. Eram simplesmente chamados porco baé e porco do focinho grande. Ambos eram alimentados com lavagem, abóbora, soro do leite, grãos e qualquer resto de alimentos jogado na lata de lavagem que era o líquido de água usada e esses restos de inúmeros alimentos. O porco Baé, menor, arredondado, focinho curto, bom comedor e engorda rápida. O porco do focinho grande, maior e mais comprido, era muito ruim de desenvolvimento para o abate.

Dos porcos abatidos artesanalmente aproveita-se a carne e a banha que serviam para fazer torreiro e para cozinhar os alimentos das casas sertanejas. Torreiro e não torresmo de “praciante” besta. Em Santana do Ipanema, seu Antônio (?) Simões, na ponte do Padre, era famoso vendendo torreiro na sua bodega bem localizada com esse produto delicioso e nutritivo. O senhor (?) Santana, no final da Rua das Panelas, também vendia torreiros saborosos. O segredo era metade carne, metade couro, passados na banha de porco. Outras pessoas também produziam essa delícia sertaneja. Até as padarias compravam banha em latões para o fabrico de suas iguarias.

Seu João Soares, no bairro Monumento era mestre na produção e venda de torreiro, banha e carne de porco até para exportar. Aliás, a banha de porco que o Sr. João Soares exportava, nem precisava testes de compradores como faziam com outras. A sua honestidade e dignidade falavam por si na alta qualidade da banha que produzia. O saudoso João Soares Campos chegou a montar um açougue muito moderno para a época, na esquina do beco do Mercado de Carne, público. Quando a medicina condenou a banha de porco em defesa de óleo industrializado, tudo mudou, a banha desapareceu do mercado. Mas, com o novo conceito medicinal, a banha de porco está voltando à praça, vendida nas feiras camponesas e mesmo em supermercados. O porco baé e o de focinho grande, foi substituído pelo suíno gigante, amarelo e comprido, criado com as mais avançadas tecnologias. O povo do Sertão chama esse novo porco criado para a indústria de “porco galego”. Mas a banha de porco voltou com força ao mundo doméstico em condenação aos óleos e elogios a banha para a saúde do povo brasileiro.

Banha de porco: heroína, Vilã, heroína de novo, IRONIA DAS COISAS.

(FOTO: savegnago.com.br).

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3 COITEIROS


 Para adquiri-lo basta entrar em contato com o professor Francisco Pereira Lima lá em Cajazeiras, no Estado da Paraíba, através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

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ENTRE CANETA E BACAMARTE - A SAGA DE FIDERALINA, NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO.

 Por Manoel Severo

"Conhecida como figura de destaque do coronelismo, cujo espírito encarnou com a sua armadura de guerreira, Fideralina sempre levou às últimas consequências as vinditas com os seus adversários, ganhando ou perdendo as demandas com as quais se envolveu. Falecida aos 16 de janeiro de 1919, foi casada com o major Ildefonso Correia Lima, e entre os fatos marcantes da sua trajetória podem ser enumerados: a detenção do poder político supremo, em Lavras da Mangabeira, e a derrubada do seu próprio filho, Honório Correia Lima, da chefia da Intendência local.

Senhora de vastos domínios territoriais e de grande vocação para o exercício da política, em Lavras estabeleceu residência em casarão localizado na então Rua Grande, hoje Major Ildefonso, e sua vivenda de campo foi construída no sítio Tatu do mesmo município, ostentando, além da casa-grande, a senzala, a capela e o engenho, símbolos máximos da autonomia do sistema latifundiário. Vastíssima tem sido a crônica histórica a seu respeito, valendo destacar algumas opiniões de abalizados conhecedores da nossa história política, selecionadas entre a complexa bibliografia que regista a sua trajetória. Em torno de sua pessoa disse Antônio Barroso Pontes: “Dona Fideralina, que na sua época dominou toda a região sul do Ceará”. E Joaryvar Macedo: “Mulher forte, Dona Fideralina tornou-se uma das maiores expressões da política cearense do seu tempo". O autor do texto, Dimas Macedo e Cristina Couto, são os convidados de Manoel Severo para esta noite ímpar, sobre uma das mais preciosas personagens do coronelismo sertanejo: Entre Caneta e Bacamarte - A Saga de Fideralina.

https://cariricangaco.blogspot.com/2020/11/entre-caneta-e-bacamarte-saga-de.html

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TRAIÇÃO E LIBERDADE.

Por João Filho de Paula Pessoa

Na reta final da passagem pelo Ceará durante sua fuga de Mossoró/RN em 1927, Lampião foi traído por um fazendeiro que julgava ser seu amigo e que tinha participado dos planos ao ataque à Mossoró, o Cel. Isaías Arruda. 

O Bando de Lampião já tinha passado por vários combates de perseguição e muitas provações de força e resistência durante esta fuga, muita fome, sede, exaustão, perdas, mortes e deserções, encontrando-se o bando já bastante reduzido, em frangalhos e extremamente debilitado. Lampião esperava encontrar guarida na fazenda do amigo em Aurora/Ce, para se recompor e prosseguir sua viagem de volta à sua terra. 

O Cel. Isaías Arruda o recebeu e o encaminhou à uma outra fazenda próxima, Fazenda Ipueiras, para hospedá-los na casa grande, mas ao se aproximar da casa, Lampião, seguindo seus instintos, resolveu não entrar e acampou numa vargem próxima, debaixo de algumas árvores. No outro dia, o Cel. Isaías Arruda convidou o bando para um almoço na mesma casa grande, onde seria mais confortável, mas ao se aproximar o horário do almoço, Lampião, instintivamente, novamente não entrou na casa e pediu que o almoço fosse servido no pátio da fazenda, ao ar livre. 

Os instintos, as precauções e a sagacidade de Lampião lhes salvaram a vida, pois seu suposto amigo tinha tramado um plano cruel e covarde para sua morte, mandou envenenar a comida que lhe seria servida, para quando estivessem envenenados dentro da casa, fosse tocado fogo em todo o canavial que a rodeava por todo o pasto e ainda posicionou sua tropa de jagunços armados de tocaia fora da casa, em posição de combate, para abater à tiros todos os que, por ventura, se salvassem do veneno e saísse da casa, tendo ainda as chamas do fogo e a intoxicação da fumaça para assim aniquilar Lampião e todo o bando de uma vez só. 

Iniciou-se então o almoço e logo alguns cangaceiros começaram a passar mal e o fogaréu também iniciou e se alastrou rapidamente por toda a fazenda, a fumaça tomou conta do pátio e da roça, formando uma imensa e tóxica nuvem negra de fumaça, que agravou o mal estar dos envenenados. Lampião estranhou tudo aquilo e imediatamente ordenou a retirada e iniciou o combate com os jagunços empreendendo fuga simultaneamente. 

Os Cangaceiros envenenados correram aos tropeços, combateram, tombaram e fugiram aos vômitos, enjoos e fortes dores, recorrendo ao que restava de suas últimas forças e sumindo na negritude da nuvem de fumaça e na vermelhidão das chamas do fogo, alguns caíram e ficaram pelo caminho, mas, heroicamente e inimaginavelmente, Lampião chegou às terras pernambucanas em condições totalmente precárias, com seu bando quase moribundo, mas vivos e em “casa”, sentindo enfim o gosto da liberdade. 

Isaías Arruda morreu no ano seguinte, em agosto de 1928, por uns oito tiros à queima roupa na Estação de trem de Aurora, sua cidade natal, aos 28 anos. Lampião por sua vez, viveu por mais dez anos, até 1938, quando foi morto em Angico/SE aos 40 anos. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 14/02/2020.

Assista este conto narrado em vídeo: https://youtu.be/6Vlk49SlBSE

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA

Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados estão sendo coordenados por Manoela e Janaína, pelo e-mail: 


Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 


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O CANGACEIRO CAGÃO - CONTOS DO CANGAÇO - LAMPIÃO

 https://www.youtube.com/watch?v=tQqp6wl6GgQ&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1mW1uZvbrL8PZ-kJtSDSFDvbjb1jDP0spnkpSNRUcU7ZQ0aNj7m0RD774&ab_channel=ContosdoCanga%C3%A7o

Contos do Cangaço

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GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO.

 Por Manoel Severo

https://www.youtube.com/watch?v=zPGUQvZL74U&fbclid=IwAR0EwEWt_Un7vDyFFNCIEIfwJXIRbEHV8EPq1z7UpNoakob84V5-w4fCLLQ&ab_channel=CaririCanga%C3%A7o

 Manoel Severo Barbosa recebe Dimas Macedo e Cristina Couto para mais um grande programa Ao Vivo: "Entre Caneta e Bacamarte - A Saga de Fideralina" , nesta SEXTA, DIA 13 AS 20 HORAS no Canal do Cariri Cangaço no YouTube. Clique no link e ative o lembrete !!!

https://www.youtube.com/watch?v=zPGUQvZL74U

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PUNHAIS DO CANGAÇO

Por Volta Seca 


Punhais do cangaço...!

Devem ter matado muita gente...!

Fonte: Coleção particular de... !

OBS: Essa, é apenas, uma parte da coleção.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

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A LÍNGUA DA VACA

 Clerisvaldo B. Chagas, 12 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.417


O nordestino é muito criativo e também gosta bastante de humor. Basta citarmos mestres como Anísio Silva, Didi, Batoré e muitos outros mais. O sertanejo dessa Grande Região do Brasil tem uma queda e tanta para contar casos e “causos” durante horas seguidas, achando uma boa plateia de interessados. Os longos casos falam sobre cangaceiros, intrigas, amor, assombração, caçada, pescaria, tempos passados... Entrando na verdade, saindo na mentira, isto é, “entrando por uma perna de pato, saindo por uma perna de pinto, Seu Rei mandou dizer que contasse cinco”. Tivemos famosos com o Lulu Félix, o Querubino e vários outros versados na arte de distrair os caros espectadores. Vamos lembrar uma loa:

Alguém deu com a mão e o automóvel parou à margem da pista. Um matuto de chapéu de palha, cumprimentou o motorista e pediu uma carona. O condutor, vendo que o matuto conduzia uma vaca pela corda, indagou: “Como é que senhor quer uma carona? Não posso colocar essa vaca dentro do meu carro”. Respondeu o matuto: “Não se preocupe, meu patrão, a vaca vai amarrada aí atrás no para-choque”. O motorista arregalou os olhos e disse: “o senhor é doido, basta uma arrancada minha para matar o animal. O roceiro voltou à carga: “Qualquer prejuízo eu me responsabilizo, vamos fazer a experiência”. O condutor, então, maliciosamente, mandou amarrar a vaca no para-choque traseiro, riu por dentro e pensou em sentir o mórbido prazer em matar a vaquinha do homem do campo.

Colocou a velocidade mínima, a vaca acompanhou. Foi aumentando gradativamente a velocidade e a vaca acompanhando. Sentindo-se incomodado, o motorista resolveu logo puxar o que o carro continha como velocidade máxima. O roceiro pitava calmamente e sua tranquilidade irritava o condutor. Quando o automóvel chegou à maior velocidade, mais uma vez o motorista lançou o olhar ao retrovisor, alegrou-se e disse: “Sua vaquinha enfim vai entregar os pontos, meu amigo, já colocou a língua de fora”. Então, o roceiro indagou com a mesma paciência de início: “A língua está para a esquerda ou para à direita?”. “Para a esquerda”, respondeu o motorista. O matuto afirmou com segurança: “Pois o senhor vá todo para a direita porque a MINHA VACA QUEBROU A CORDA E ESTAR PEDINDO PASSAGEM. (FOTO. Istockfhoto.com).



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SEGUNDA PARTE DO DOCUMENTÁRIO. - CANGACEIRO SABINO INVADE CAJAZEIRAS - PARAÍBA.

Por Geraldo Júnior
https://www.youtube.com/watch?v=Y8mKLsfjmcs&feature=share&fbclid=IwAR2IZyeEboWC8dhlifEFsQolzUtjrjPqTTMB6xhaUdLnHjk-FUXRJfdYjn8

Cangaçologia

Nessa segunda parte do documentário o Professor Francisco Pereira Lima falará sobre a entrada e a invasão do bando liderado pelo cangaceiro Sabino Gomes de Góis o "Sabino das Abóboras" à cidade paraibana de Cajazeiras, no dia 28 de setembro de 1926. Um fato que marcou para sempre a rotina da população da região e que causou grande repercussão na época do ocorrido. Vamos conhecer a história diretamente do local onde os fatos sucederam. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações. 

Forte abraço... Cabroeira! 

Atenciosamente: Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador do canal.

Se você não assistiu a primeira parte, corre lá no canal e assista.
Acesse o link abaixo:

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TECNOLOGIA USADA NO COMBATE AO CANGAÇO

Por José João Souza

O tenente João Bezerra tinha saído em uma diligência para Delmiro Gouveia, depois de ter sido informado de que Lampião estava na divisa com Alagoas. Com a informação de Joca Bernardo, o sargento Aniceto pediu ao telegrafista Valdemar Dasmasceno para passar um telegrama endereçado ao tenente João Bezerra, em Delmiro. O teor do telegrama foi esse: tem boi no pasto! Era um código e o tenente Bezerra logo entendeu e retornou a Piranhas.

https://www.facebook.com/groups/GrupoCangacologia

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DE JOÃO PARA LUIZ O REI DO BAIÃO

Por João de Sousa Lima

Cem anos se passaram, chegou o dia 13 de dezembro de 2012, nesse dia, se vivo, o cantor Luiz Gonzaga completaria cem anos de idade. Durante todo o ano de 2012 o Brasil se mobilizou em torno da figura e da grandiosidade do Rei do Baião. Trabalhos escolares, grupos teatrais, culturais e musicais, cantores repentistas, xilógrafos, escritores e radialistas homenagearam o cantor. Em universidades, teses, trabalhos de graduação e trabalhos de conclusão de cursos, tiveram por tema o artista e sua arte. Vários projetos foram finalizados enaltecendo Luiz Gonzaga. O Rei do Baião representa para o nordeste brasileiro a valorização dos nossos costumes, das nossas tradições, das nossas raízes culturais, artísticas e históricas.  A cidade de Paulo Afonso teve o privilégio de sediar vários shows de Luiz Gonzaga; Aqui ele cantou, encantou, fez amigos, foi querido e amado, recebeu titulo de cidadão Pauloafonsino, cantou em troca de alimentos para ajudar os sertanejos que enfrentavam a terrível seca de 1983. Aqui ele foi fotografado, cortejado, adorado, acolhido, venerado. 
 
A música Paulo Afonso foi a maior prova de amor entre a cidade e o artista. Quando em 1989 o cantor faleceu, a cidade em peso chorou, hastearam a meio mastro suas bandeiras em luto; Referencias e comoções tomaram conta da cidade.  Agora, em seu centenário, realizamos algumas homenagens ao Rei do Baião. Eu escrevi um livro narrando a passagem de Luiz em nossa cidade, resgatando imagens e histórias acontecidas com nosso povo. Sebastião Carvalho que foi a pessoa encarregada pela loja Maçônica São Francisco para fazer o contato convidando Luis Gonzaga para fazer o show beneficente em 1983 prestou sua homenagem ao velho amigo e em seu Haras Estrada da Vida, colocou dezessete sanfoneiros tocando músicas do Rei do Baião. O evento que comportou cento e trinta convidados foi embalado pelo autêntico forró, regado a emoção e a lembrança do inesquecível cantor.
João de Sousa Lima, Waldonys e Sebastião
No dia 13 de dezembro, nesse dia, Eu, Sebastião e Carlos Galindo acordamos com o raiar do sol e seguimos para os festejos em Exú, Pernambuco, lugar onde nasceu Luiz Gonzaga. Cruzamos Petrolândia, Floresta, Salgueiro, Bodocó e chegamos à terra do Rei do Baião. Uma multidão aglomerava-se no Parque Aza Branca e no centro da cidade. Na entrada do parque o cantor Alcimar Monteiro gravava programa para um canal de televisão. Mais na frente encontramos o comediante e maior imitador de Luiz Gonzaga, João Cláudio Moreno. Fizemos algumas fotografias com João e com ele nos dirigimos ao mausoléu do Rei do Baião. Dentro do mausoléu João Cláudio entrou em profundo silêncio, encostou a cabeça no mármore frio da lápide e em oração se emocionou e chorou. Eu e Sebastião ficamos de longe olhando a cena e depois deixamos João Cláudio em seu momento intimo. À tarde, várias autoridades civis e militares chegaram ao parque onde aguardavam o governador Eduardo Campos. Uma orquestra militar tocava músicas do Gonzagão. Entre as autoridades destacava-se Joquinha Gonzaga, sanfoneiro e sobrinho de Luiz Gonzaga. Quando começou o protocolo Joquinha Gonzaga foi agraciado com a comenda de Cidadão Pernambucano, recebendo o Titulo das mãos do governador Eduardo Campos. Depois o governador inaugurou uma estátua dourada de Luiz Gonzaga em frente ao Museu.
Com o cair da noite, lateral ao palco principal surgiu um cinema ao ar livre. Nas cadeiras lotadas ouvimos um discurso emocionado e emocionante do governador que tão justo falou da importância de Luiz Gonzaga para a cultura do Brasil. A casa da moeda do Brasil lançou a medalha em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga nas versões ouro, para e bronze. Consegui para meu acervo a versão em bronze e Sebastião Carvalho adquiriu as versões em prata e bronze. Em público o governador quebrou as cunhas das moedas. Os correios lançaram um selo em homenagem aos cem anos de Luiz Gonzaga. Mesa das autoridades desfeita começou a obra de arte do cineasta Breno Silveira: Gonzaga, de pai para filho. O filme traça um perfil das turbulências afetivas entre Gonzagão e Gonzaguinha, sem perder a ternura jamais. A película é de uma emoção pouco vista nas telas brasileiras, um verdadeiro retrato do que se passa no mais profundo sertão, sentido nos corações de dois grandiosos artistas ligados por uma áurea divina.
Depois do filme ouvimos o show de João Silva, um dos parceiros de Luiz Gonzaga. Algumas músicas mais e fomos procurar um local para descansarmos do dia estafante. Percorremos os quilômetros que separam Exú do Crato, pois em Exú os hotéis e pousadas estavam lotados. No Crato ficamos no hotel pasárgada, de onde saímos cedo, depois de um fato café matinal. Visitamos o Horto e o Museu do Padre Cícero Romão Batista. Muito próximo a estátua do padre Cícero cruzava em vôos rasantes um avião azul, depois ficamos sabendo pelo próprio piloto, o sanfoneiro Waldonys, que ele tinha ido lá, em suas acrobacias, tomar benção ao famoso Padre.

João de Sousa Lima e Joquinha Gonzaga

Retornamos a Exú e ainda cedo, na antiga residência de Luiz Gonzaga, vimos uma aglomeração e seguimos até lá; Na entrada da casa estava exposto um veraneio verde que pertenceu a Luiz Gonzaga. Dentro da casa pessoas fechavam um circulo ao redor de uma pessoa. Entrei com Sebastião e descobrimos que no meio daquela gente toda estava o Mestre Dominguinhos. Velhos e crianças cercavam o herdeiro musical do Velho “Lua”. Dominguinhos sorridente e ao mesmo tempo visivelmente abatido atendia todos com a simpatia que sempre dedicou a seus fãs e que fez parte de sua carreira artística. Com Dominguinhos estava Paulo Wanderley, um amigo que fiz em Fortaleza quando realizava palestra sobre o cangaço para o festival de Cinema daquela capital. Tiramos algumas fotos ao lado de Dominguinhos e seguimos a casa de Joquinha Gonzaga. Na casa de Joquinha deixamos alguns presentes com ele e seguimos para o lugar onde nasceu Luiz Gonzaga. Na antiga residência onde morou Januário, pai do rei do Baião, podemos degustar um carneiro na brasa e conhecermos o dono do restaurante, o senhor Junior. Junior nos levou para vermos o local do nascimento de Luiz Gonzaga. Fotografamos o lugar e seguimos até a  casa  da heroína Bárbara de Alencar. Da casa de Barbara fomos até a outra casa onde Luiz Gonzaga morou e que fica vizinha a casa do Barão de Exú. Na casa do Barão encontramos seu trineto Francisco, que muito educadamente se deixou ser fotografado com sua mãe e nos proporcionou a oportunidade de visitar os cômodos da antiga mansão que ainda mantêm móveis e utensílios de época. No pátio na frente do casarão situa-se a majestosa igreja que também foi construída pelo Barão. Lateral a igreja uma roda de sanfoneiros chamou nossa atenção. O sanfoneiro Amazan gravava o programa “Sala de Reboco” e desfrutamos de uma tarde memorável ouvindo Targino Gondim, Robertinho do Acordeom, Erivaldo de Carira e Joquinha Gonzaga.
     
Muitas músicas depois e chegou a hora de retornarmos. Carro na estrada e nas lembranças uma Asa Branca clareando os pensamentos; No coração a satisfação de ter ido lá, de ter prestado essa ho0menagem ao inesquecível Luiz Gonzaga e de ter participado desse momento histórico. Nas terras do Rei do Baião vivi emoções, senti pulsar nas veias o sangue nordestino dos homens invencíveis que se quebrantam na musicalidade e no aboio do vaqueiro, na canção que ecoa daquela sanfona branca que eternizou a bandeira em canto que influencia gerações e se torna marco indestrutível nas estradas cravadas com a arte de Luiz Gonzaga. Pela maestria de Luiz o transformamos no “Embaixador do Nordeste”, cujo canto é paz, é vida, alegria e emoção. Na felicidade de ter vivido tudo isso, deixei minhas preces em cada canto desses cantos que passei e que foram motivos de inspirações que saíram em forma de músicas nos acordes das teclas daquela sanfona branca e que hoje vaga no imaginário de uma nação que derrama em prantos a saudade deixada por Luiz Gonzaga do Nascimento, o eterno Rei do Baião.

João de Sousa Lima
Paulo Afonso, Bahia, 
Madrugada do dia 15 de dezembro de 2012.
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TELEGRAMMA À SECRETARIA DA POLICIA E SEGURANÇA PUBLICA - 15/08/1929

 Do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio


Telegramma Secretaria da Policia e Segurança Publica da Bahia

De Quixabas - 68-136 - 18 de agosto de 1929

Dr. Secretario Policia - Bahia - (...) Tenho informar vossencia que Alfredo Barbosa teve em sua protecção muitos tempos os criminosos Hortencio Gomes Lima vulgo Arvoredo, Christino Gomes Lima vulgo Corisco, Faustino Gomes Lima conhecido ultimamente por Pae velho, irmãos Novatos, sendo que Hortencio acha-se armado fuzil (mauser) offerecido por Alfredo Barbosa, os demais eram merecidos tambem por sua valiosa protecção, tanto assim ultimamente Faustino, vulgo Pae Velho, achava-se homisiado fazenda Alfredo Barbosa. Foram roubados diversos animaes conduzidos para a fazenda do citado Alfredo Barbosa e alli foram vendidos por Faustino e bem assim anda grande centenas de pelles de creações furtadas e mortas pelos remettentes Curisco, Hortencio, João Ribeiro Silva, Manoel Ribeiro Silva vulgo Chileleu, Silvestre Gomes Lima, Ambrosio Gomes Lima e Manoel Gomes Lima vulgo Pé-na-meia, sendo estes tres ultimos filhos de Faustino, irmãos de Hortencio por intermedio de Pedreo Gomes Lima vulgo Judioca cujas pelles entregues a Faustino e vendidas a Pedro Borges em Bejo do Catuny tambem protector, sendo que Alfredo Barbosa sabia occorrido conforme, quando presos filhos Faustino e parentes, aqui relataram, bem assim comparsa tambem bandido Manoel Ribeiro Silva, vulgo Chilileu, conforme sciente vossencia por telegramma pt. Lembro vossencia que os irmãos Novatos foram presos primeira vez em Jaguarary a mando Capitão Arthur Cortes por ordem vossencia alli resistiram prisão, constando que Alfredo Barbosa naquella occasião requera habeas corpus em favor mesmo no Estado Pernambuco logar Boa Vista para onde tinham sido remettidos voltando mesmos a residir Jaguarary protecção Alfredo Barbosa, occasião Curisco e Hortencio achavam-se sobre protecção Alfredo Barbosa, tanto que deante denuncia Hortencio tambem preso em Joazeiro Alfredo trabalhou soltura voltando Hortencio residir fazenda seu patrão, onde varias vezes policia perseguiu-o juntamente Curisco e Faustino de tudo isso Alfredo era conhecedor. Esse Alfredo Barboza que quer defender não ser protector de bandidos muito concorreu para defender os bandidos da cadeia que hoje acham-se no grupo Lampeão. Lembro ainda vossencia que os irmãos Novatos criminosos eram reforço com toda certeza de Lampeão neste Estado e protegidos escandalosamente por Alfredo Barbosa em Jaguarary quaes ja tinham sido asseclas do grupo no Estado de Pernambuco por alcunha “os grandes” que tudo expuz a vossencia. Saudações.

(a) Tenente Waldemar Lopes Commandante Contingente.

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25 DE DEZEMBRO DE 1929, NO “DIARIO OFICIAL DO ESTADO DA BAHIA”

 Do acervo do professsoe e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

SECRETARIA DA POLICIA

Portaria

O Secretario da Policia e Segurança Publica, no uso de suas attribuições, tendo em vista o art. 11 da Lei n.1897, de 2 de agosto de 1926, resolve designar o bacharel em direito João Mendes da Costa Filho, delegado de policia do termo séde da comarca de Maragogipe, para em commissão proceder o inquerito de referencia aos crimes commetidos na Villa de Queimadas, da comarca do Bomfim, por Virgolino Ferreira da Silva, vulgo “Lampeão” e outros, para onde deverá se transportar, afim de apurar as responsabilidades dos seus auctores e bem assim, de quantos prestaram auxilios para a practica desses crimes.

Secretaria da Policia e Segurança Publica, em 24 de Dezembro de 1929

Bernardino Madureira de Pinho

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12 DE MAIO DE 1928, NO “DIARIO DE NOTICIAS”:

Do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Lampeão!

Reduzido o grupo a 9 homens, o sertão pernambucano respira agora a liberdade

RECIFE, 11 – Argos – Commerciantes, autoridades e conselheiros de Villabella telegrapharam á imprensa, dizendo que realmente o sertão respira, hoje, livremente, por estar o grupo de Lampeão reduzido apenas a nove homens e internado nas caatingas, fugindo de todos e de tudo.

O povo sertanejo dá graças a Deus por haver o sr. Estacio Coimbra, inspirado nos mais nobres sentimentos, promovido a cruzada do saneamento moral do sertão, em boa hora confiada ao major Theophanes Torres, cuja actuação proveitosa e efficiente na campanha contra o banditismo só desconhecem inimigos pessoaes.

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14 DE MAIO DE 1928, NO “A TARDE”: O BANDO DE ANTONIO SOUZA UMA FORÇA VOLANTE DO CEARÁ DESTROÇOU–O EM ARARIPE

Do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio


De conformidade com as bases do convenio policial, os Estados limitrophes ao da Bahia não dão treguas ao bando do destemido cangaceiro Antonio Souza, que ha dias vem revolucionando o sertão bahiano.

Hontem, o dr. Madureira de Pinho, secretario da Policia, recebeu do seu collega do Ceará o seguinte telegramma:

“Acaba de ser destroçado na serra do Araripe o grupo do bandido Antonio Souza, pela volante do ten. Aristides Rosa, que continua perseguindo os bandoleiros. Morreu na luta o bandido José Pereira, sendo capturado o criminoso Firmino e apprehendidos tres animaes.

Telegraphei nosso prezado collega de Recife, pedindo concurso companhia volante tenente Arindo, empenhada como se acha esta chefia em auxiliar o exterminio do banditismo. Saudações cordiaes. – (a) Paulo Pessoa, chefe de policia.”

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