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quinta-feira, 14 de março de 2024

O PESQUISADOR DO CANGAÇO E OS VELHINHOS.

 Por José Mendes Pereira

Pesquisador do cangaço Francisco das Chagas do Nascimento

O pesquisador do cangaço Francisco das Chagas Nascimento andava de mata adentro quando se deparou com um velhinho com mais de 110 anos de idade. O pesquisador perguntou-lhe para onde ele estava indo, vez que a sua idade e seu porte físico ofereciam perigos, por ele estar no meio daquela mata, totalmente desacompanhado.

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O velhinho disse-lhe que não se preocupasse, aquele seu caminhar já era de longos anos, uma obrigação que tinha, todos os dias, naquele horário, ele saía da sua residência para visitar o seu papai e a sua mamãe em sua casa.

- Mas quantos anos o senhor tem? – Perguntou-lhe o pesquisador.

- Eu tenho 110 anos já vividos com muita saúde diante do “Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

O pesquisador duvidou que ele com aquela idade toda era muito difícil ainda ter pai e mãe vivos. E perguntou-lhe o seguinte:

- O senhor me deixa ir à sua companhia até à casa dos seus pais para que eu os conheça?

- Não seja por isso, senhor! Desejar conhecer os meus pais para mim é uma grande honra. Eles estão bem velhinhos, mas tudo que se dizem eles ouvem e entendem muito bem.

E se abalaram os dois em busca da casa dos pais do velhinho. Ele sempre à frente do pesquisador. E ao chegar, entraram, e, lá estava a velhinha de cócoras ao chão. O pesquisador a cumprimentou e ela sem se levantar do chão o recebeu muito bem com risos, até fantasiada dos anos já vividos. 

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A velhinha ainda andava, mas com um pouco de dificuldades. Ali, conversaram um bom tempo. Ele fez uma porção de perguntas em relação de tantos anos vividos. Ela só o respondendo.

https://www.tudodesenhos.com/d/homem-deitado-na-rede

Terminou com esta pergunta:

- Quantos anos a senhora tem?

- Completos eu tenho 130 anos. – Disse a velhinha com alegria de vida e mais esperança de dias que iriam vir.

E virando-se para o velhinho o pesquisador perguntou-lhe:

- Agora onde está o seu pai que eu quero o cumprimentar?

- Ele está lá dentro do quarto...

E saiu levando o pesquisador para conhecer o seu papai. E ao entrar no quarto o pesquisador viu que o velhinho não estava mentindo. Dentro de uma rede o seu pai permanecia deitadinho, ali, só o caquinho de gente, mas lúcido, capaz de um só pulo se levantar da rede a qualquer momento. E logo o pesquisador perguntou:

- Quantos anos o senhor tem?

E se sentando na beira da rede, respondeu-lhe:

- Eu tenho 140 anos e sou o caçula da família. O meu irmão mais velho tem 147 anos de idade, e ainda trabalha na roça com muita lucidez.

- E o que faz com que uma pessoa viva tantos anos assim?

- Para se viver bem meu filho, existem várias maneiras que levam o homem/mulher viver muitos anos.

- O senhor pode exemplificar alguns? – Perguntou-lhe o pesquisador.

- Não seja só por isso..., casar para ter um cônjuge que lhe dê carinho, afeto e amor, que cuide bem e que o zele. Digo casar no sentido de casal, não casamento religioso e nem diante da justiça, aliás, dois amores que se gostem, porque o ser humano se não for zelado pelo seu parceiro morrerá mais cedo. Se o cônjuge falecer não fica chorando por muito tempo. A vida não admite que se chore em exagero por quem se foi e não voltará mais. Cuida de arranjar outro cônjuge o quanto antes para substituir o que se foi. Ninguém é insubstituível. Na terra o único homem que é insubstituível é o Jesus Cristo.

- Sim senhor! - O pesquisador ouvia o velhinho com atenção.

- Não fumar - continuava o ancião - não beber bebidas alcoólicas de forma alguma. Não perder noites de sono no trabalho e nem em farras. Para ter um corpo saudável tem que o deixar descansar muito. Ter fé em Deus e ajoelhar-se sempre diante dele para agradecer o que ele tem feito por você. Só compre se puder pagar, senão irá perder sono e isto diminui dias de vida. Não comer alimentos enlatados ou congelados, porque alimentos enlatados e congelados já estão vencidos para serem consumidos e contêm uma porção de bactérias. Beber água potável porque ela mata os germes. A água gelada não mata os germes do corpo do homem e o que ela faz é conservar os germes vivos, principalmente água mineral. Ter sempre alguns amigos sem exagero. O homem sem amigos é como um lobo solitário, estressado, triste e morrerá mais cedo.

- Estou entendendo bem, fez o pesquisador.

- Não deixar de comer pelo menos um ovo cozido por dia, dizia o velhinho - beber a água de um coco e leite de qualquer fêmea quadrúpede diária. Ver o nascer do sol todas as manhãs e ao entardecer, o seu desaparecimento no horizonte e admirá-lo. É a maior beleza da criação de Deus. Sempre que puder faça uma visita ao mar e veja que maravilha o Deus criou. Não usar armas como defesa. A arma encoraja o homem e poderá ter um fim triste. Comer com farinha rapadura preta do Cariri. Comer carne de sol. Levantar cedo e receber o sereno da madrugada. Não duvidar e nem teimar com ninguém. A teimosia estressa, e se estressa, poderá causar mortes.

Ponte de trem sobre o rio Mossoró - Imagem da internet

Em frente à casa dos velhinhos passava um rio e mantinha uma porção de água corrente. O pesquisador querendo ver se o velhinho teimava, disse:

- Interessante! Todos os rios que eu os conheço descem as águas de ladeira para baixo. O seu rio senhor, sobe de ladeira acima.

- Sim senhor, o daqui da minha propriedade é assim como o senhor afirma.

O velhinho não teimou de jeito nenhum. Concordou a mentira com o pesquisador.

Informação: 

Este pesquisador do cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (de Porto do Mangue e radicado em Mossoró por muitas décadas), foi o primeiro que me fez entrar de uma vez para acompanhar o rei do cangaço o capitão Lampião em suas andanças na caatinga do nordeste brasileiro. Emprestou-me livros e me indicou os blogs mais famosos do cangaço.

Com estas informações, me tornei cangaceirólogo, e presto uma homenagem a ele com este meu simples texto.

O segundo foi o  poeta, professor, escritor, pesquisador do cangaço, gonzaguiano e do Trio Mossoró Kydelmir Dantas de Oliveira.



ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

É melhor vivo medroso do que  morto valente.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 
"O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

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quarta-feira, 13 de março de 2024

SOU

Autor: José Di Rosa Maria

Sou o Everest da filosofia
Dos homens de bem que só Deus enxerga,
A torre dos sonhos quem ninguém enverga,
O mar do querer, que não se esvazia,
A flor que se abre nos braços do dia
Lançando perfume nos lábios do ar,
O vento que dorme nas mãos do luar
Deixando o silêncio reinar no espaço,
Pra noite escutar os versos que faço
Na hora que o mundo não quer escutar.
Sou a voz da chuva que acorda o grão
Que dorme por baixo da fronha da terra,
O grito do tempo que desperta a serra
Pra escutar óperas na voz do trovão;
Sou o mel do beijo que adoça a paixão
Da alma da vida, na luz do sonhar,
O pranto da nuvem ao se desfiar,
O eco dos anjos que a Deus pedem tanto
Pra noite escutar os versos que canto
Na hora que o mundo não quer escutar.
Sou a maestria das aves canoras
Que suavemente na sua inocência,
Nos cipós da doce magnificência
Gorjeiam na vinda das cândidas auroras;
Sou a solidão noturna das floras
No ápice da calma das águas do mar,
Sou o pensamento que pra viajar
Não pega carona nos sonhos de amigo,
Mas pede pra noite ouvir o que digo
Na hora que o mundo não quer escutar.

https://www.facebook.com/jose.ribamar.3939

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DOCUMENTÁRIO...

Por Moa Assumpção 

Caros, vejam se conseguem ir à estreia do meu primeiro documentário, que trata de um tema caro para todos nós, será dia 14/04, domingo, às 12h30, no Cine Belas Artes - Rua da Consolação, 2423, em São Paulo, abraços.

Público · Qualquer pessoa dentro ou fora do Facebook

Vamos apresentar, pela primeira vez, na íntegra, o nosso documentário, fruto do cinema independente, Acordo com Lampião? só na Boca do Fuzil! que conta a história dos maiores inimigos do Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira, o Lampião, os nazarenos, habitantes da pequena vila pernambucana de Nazaré do Pico, distrito de Floresta. Eram os únicos que Lampião temia. Uma história impressionante! 

https://www.facebook.com/events/323483147384289/?ref=newsfeed

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GRANDE NENÉM DO BAIÃO!

 Por José Mendes Pereira

Neném do Baião de Mossoró. Visitei-o várias vezes em sua residência, na Rua do boneco, bairro Santo Antônio, quando ele estava doente. Não faleceu do problema de garganta, e sim infartou no período que se recuperava da cirurgia. 

Neném faleceu no dia 9 de setembro de 2011. Eu soube do seu falecimento através do professor, poeta, escritor, pesquisador do cangaço, de Luiz Gonzaga do Nascimento e Trio Mossoró Kydelmir Dantas.

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terça-feira, 12 de março de 2024

O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS CANGACEIROS.

  Por José Mendes Pereira

Adquira este através deste e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até a corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino Alves que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

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CARTA RARA PARA OS AMIGOS...

 Guilherme Machado pesquisador /historiador.

Mais uma carta rara para os amigos. Em 1926, mais precisamente dia 4 de março, Lampião e mais 49 companheiros chegam ao Juazeiro do Norte-CE. O delegado local, José Antônio do Nascimento tenta agrupar um regimento para combater Lampião. Mas, é impedido pelo Padre Cícero e Lampião acaba sabendo desta traição e escreve uma carta para o delegado. Segue a transcrição (não sei se está certa):

Ilmo, José Antônio

Eu lhi faço este, até não devia mi sujeitar a ti escrever porem sempre mando ti avizar pois eu soube qui no dia que cheguei ahi na fazenda esteve prompto para vir mi voltar porem eu sempre lhi digo qui voce crie juizo, e deixi de violências, a pois eu venho chamado é por home, mesmo asim, com zuada não mi faz medo. Eu tenho visto é couza forte, e não me asombra, portanto deve e tratar de fazer amigos não para fazer como diz voce. Sempre lhe avizo, qui é para depois não se arrepender e nada mais não se zangue, isto é um conselho que lhe dou.

Do Capitam Virgulino Ferreira da Silva.

Fonte. Robério Santos.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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LAMPIÃO E MARIA. 1936, POR BENJAMIN ABRAHÃO. FICARIA LINDA ESTA FOTO COLORIDA.

 Por Robério Santos

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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COM GEORGE LISBOA E ANTÔNIO AMAURY.

Por João de Sousa Lima.

George Lisboa foi o homem que recebeu. Delmiro Gouveia o telegrama TEM BOI NO PASTO, se referindo a Lampião na região próxima a Piranhas.

Ele foi casado com uma irmã de Chiquinho Rodrigues, o homem que defendeu Piranhas do ataque do cangaceiro Gato.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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FOTO EXTREMAMENTE RARA...

 Por Helton Araújo

Foto extremamente rara do bando de Mariano, apesar da péssima qualidade é possível identificar dois cangaceiros. Em pé da esquerda para direita, sendo o terceiro, trata-se do cangaceiro Criança lll, ao seu lado da esquerda para direita, está o chefe Mariano.

Na fileira de baixo da esquerda para direita, sendo o segundo abaixado, muito me lembra o cangaceiro Santa Cruz ( mas é achismo de minha parte ).

Foto tirada nas proximidades da cidade alagoana de Pão de Açúcar, em 1936.

E aí, já tinham visto ?

https://www.facebook.com/groups/414354543685373/?multi_permalinks=934611958326293%2C933256725128483%2C933233988464090%2C931552981965524&notif_id=1709747952895511&notif_t=group_activity&ref=notif

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OS MELHORES AMIGOS DOS CANGACEIROS

 Por Paulo Goethe

Em suas andanças por sete estados do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva era manchete constante nos jornais da região de 1920 – quando entrou para o bando de Sinhô Pereira – até a sua morte em 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, em Sergipe. Até terminar seu reinado, o mais famoso bandoleiro brasileiro perdeu muitos companheiros de lutas, homens e mulheres que certo ou tarde eram atingidos pelas balas disparadas pelas volantes, forças policiais móveis formadas por sertanejos iguais em tudo na vida.

O Diário de Pernambuco, graças aos seus correspondentes em toda a região, registrou esta luta em detalhes. Tanto que, em 30 de maio de 1935, há 81 anos, informava aos seus leitores com destaque que Lampião havia sofrido uma grande perda em Tacaratu, após combate com o grupo do tenente Manoel Netto. Dourado, o cão de estimação do cangaceiro, foi varado por uma bala de fuzil disparada por um soldado que ia ser atacado pelo animal feroz, um legítimo Boca Preta Sertanejo, raça nordestina que já era criada pelos índios antes da chegada dos portugueses e hoje é objeto de estudos da Embrapa.

Segundo o Diário, Dourado “ostentava uma custosa coleira com incrustações a ouro e prata”. Amante dos cachorros, Lampião sempre procurou ter estes animais ao seu lado. Um ano depois da perda de Dourado, ele foi fotografado e filmado por Benjamin Abrahão, o libanês ousado que depois virou o personagem principal do filme “O baile perfumado”, ao lado de dois cachorros, Ligeiro (mais claro) e Guarani (mais escuro). Os cães estavam à vontade, sendo até acariciados por Maria Bonita. Ligeiro foi morto a bala. Quando Lampião foi emboscado em Angicos, sobre Guarani, o único que estava com o bando de nove homens e duas mulheres, há duas versões: foi morto junto aos cangaceiros ou adotado por um soldado da polícia de Maceió.

Em dezembro de 1931, em um cerco no Raso da Catarina, na Bahia, Lampião já havia perdido um cachorro atingido na barriga pelas volantes lideradas pelos oficiais do Exército Ladislau, Liberato, Manuel Arrudas, Luís Maranhão e Osório Cordeiro. Os cães, para os cangaceiros, eram companheiros de lida, mas nada amestrados. Os pesquisadores ainda se dividem se eles realmente tinham realmente a função de alertar.

A relação de Lampião com os cachorros vem de antes da sua entrada no cangaço. Em uma das histórias do início da briga da família de Virgulino Ferreira da Silva e o vizinho José Saturnino, em Serra Talhada, consta que um morador da fazenda do inimigo do futuro cangaceiro teria ido reclamar da invasão do pasto pelo gado dos Ferreira. Um dos seus cachorros teria matado um cachorro de Virgulino. Lampião, segundo o sertanejo João Alves Feitosa, em depoimento em 1973, citado no livro “Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro”, da francesa Elise Grunspan-Jasmin, disse que Lampião ficou “bastante agostado”. Foi quando resolveu acertar as contas com Saturnino e sua turma e sua peleja sangrenta começou.

O tema dos animais de estimação dos cangaceiros ainda é periférico nos estudos deste fenômeno nordestino. Graças aos registros fotográficos deixados pelo bando de Lampião e seus seguidores – Corisco também é visto com a sua cadela malhada Jardineira – eles acabaram se tornando divulgadores involuntários da raça Boca Preta Sertanejo, descrita com detalhes por Graciliano Ramos no romance “Vidas secas”. Sim, Baleia tinha parentesco com Dourado, Ligeiro, Guarani, Juriti e Seu Colega, os cães de verdade dos cangaceiros. Eram animais bons “de gado, de caça e de raposa”. E de histórias também.

https://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2016/05/10/os-melhores-amigos-dos-cangaceiros/

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O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS SEUS CANGACEIROS.

 Por José Mendes Pereira

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Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até à corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

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