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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Exposição no Palácio do Planalto homenageia trajetória de Luiz Gonzaga


A exposição "O Imaginário do Rei" fica em Brasília até 5 de dezembro, aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos domingos, das 9h30 às 14h30.

http://luzdefifo.blogspot.com.br/

Hoje na História de Mossoró - 14 de Novembro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 14 de novembro de 1890 dava–se o falecimento de D. Amélia de Souza Galvão (Sinhá Galvão), esposa de Romualdo Lopes Galvão, Presidente da Intendência no período abolicionista de Mossoró.
               
D. Amélia Galvão teve papel saliente na campanha de 1883, ao lado de seu marido, sendo de sua autoria a confecção do Estandarte da Libertadora Mossoroense, feito em cetim, com franjas e letras douradas.
               
Na memorável sessão de 30 de setembro de 1883, D. Amélia Galvão teve a incumbência de fazer entrega de carta de alforria às mulheres escravas e, a cada uma, beijava, dizendo: “D. Fulana, a senhora, de agora em diante é tão livre como eu”.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:

http://www.blogdogemaia.com/#

Jeremoabo: encontrada a última irmã da cangaceira “Moça”.

Por: João de Sousa Lima(*)

Zita é de 1913, um ano mais jovem que sua irmã Joana Gomes

Sinforosa Gomes dos Santos ou simplesmente “Zita”, última irmã viva da cangaceira “Moça” companheira do cangaceiro Cirilo de Engrácia, 

Cirilo de Engrácia ao centro da foto, mas quando fizeram a foto ele já estava morto

vive hoje entre sua casa na Várzea da Ema (Centro do Raso da Catarina) e a casa de sua filha Niceia, em Água Branca, povoado de Jeremoabo.

Zita é de 1913, um ano mais jovem que sua irmã Joana Gomes que entrou no cangaço com apelido de Moça.

A cangaceira Moça

Zita foi uma das testemunhas da história quando Lampião tocou fogo nas casas e quebrou as telhas de outras residências na Várzea da Ema, por ser reduto do coronel Petro.

O rei Lampião

A Várzea da Ema tem ligação com a história de Canudos e a história do cangaço. Vários remanescentes de Canudos fixaram morada nessa povoação. Zita deixou informações importantíssimas sobre a irmã cangaceira que serão levadas a público no próximo livro de João de Sousa Lima.

Uma das casas incendiadas por Lampião hoje funciona como museu e guarda as lembranças.

(*) Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br


Fontes:

http://jeremoaboagora.com.br
http://www.joaodesousalima.com

Lampião e seu bando

Lampião e Maria Bonita ao centro

Podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques à fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época.

Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência.

Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.

Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”. 

Filme de Lampião feito na caatinga em 1936 - Benjamin Abraão - Youtube 

O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.

Depois do fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros, já enfraquecidos, foram se desarticulando até terminarem de vez ,no final da década de 1930.

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/cangaco.htm

O Cangaço em Novo livro do Confrade Frederico Pernambucano de Mello

Por: João de Sousa Lima

Benjamin Abrahão: entre anjos e cangaceiros

Autoridade na cultura do Nordeste do Brasil, o historiador Frederico Pernambucano de Mello nos apresenta o livro Benjamin Abrahão: entre anjos e cangaceiros (Escrituras Editora), que traz a biografia do secretário particular do padre Cícero, do Juazeiro, de 1917 a 1934, além de fotógrafo autorizado do cangaceiro Lampião, tendo acompanhado os diferentes bandos de que este dispunha em sete Estados do Nordeste, no meado de 1936, creditando-se como responsável pela mais completa documentação do cangaço jamais obtida, ao incorporar a imagem cinematográfica às velhas fotografias conhecidas.

A obra é ensaio interdisciplinar que ocupou boa parte da vida do autor, e também um livro de arte, com dezenas de fotografias e de fotogramas históricos da trajetória do sírio Benjamin Abrahão Calil Botto -- um “conterrâneo de Jesus”, como se declarava, por conta do nascimento em Belém, na Terra Santa --, que desembarcou no Porto do Recife em 1915, aos 15 anos de idade, fugindo da Grande Guerra, para trilhar uma aventura extraordinária pelos sertões do Brasil setentrional.
  
No livro, Pernambucano de Mello, reconhecido por Gilberto Freyre, já em 1984, como “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, apresenta pesquisa profunda, feita ao longo de 40 anos. Pela primeira vez, é divulgado o conteúdo da caderneta de campo deixada por Benjamin Abrahão, recolhida pela polícia no momento de seu assassinato com 42 punhaladas, no começo de 1938, no sertão de Pernambuco, aos 37 anos de idade. Cobrindo os anos da missão sobre o cangaço, a caderneta abrange o período 1935-1937, com lançamentos alternados em português e em árabe, assim impusesse a necessidade de sigilo sobre o assunto.O historiador trabalhou por três anos, com dois professores de árabe, traduzindo, ponto a ponto, o conteúdo averbado -- muitas vezes resultante de conversas noite adentro com Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros -- que são relatos que matam polêmicas e contestam versões atuais sobre fatos e figuras das décadas de 1910, 1920 e 1930, como o polêmico Floro Bartolomeu da Costa e a apregoada amizade entre Lampião e o padre Cícero, além de informações que dizem respeito ao real combate do Batalhão Patriótico à Coluna Prestes, para o qual traz entrevista inédita que fez com Prestes, em 1983, no Recife.
  
Particularmente importante, pela originalidade, é a revelação da matriz setecentista e estrangeira do pensamento social brasileiro dos anos 1930 sobre o cangaço, presente, sobretudo no chamado romance nordestino, tendente a culpar a sociedade e a desculpar os excessos dos protagonistas do fenômeno. O mesmo se diga sobre a revelação, de todo desconhecida até o presente, dos esforços de apropriação internacional do apelo épico que o tema encerra, por parte das facções travadas em luta de morte ao longo da década aludida: o Reich alemão contra o Soviete russo, Hitler contra Stalin, ao tempo em que Lampião dava as cartas na caatinga.

O livro traz ainda apêndice com a reprodução de importantes documentos, colhidos em pesquisa que contou com o apoio de muitos colaboradores e instituições, como a Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, a Cinemateca Brasileira de São Paulo, os arquivos Renato Casimiro/Daniel Walker, do Juazeiro, e da antiga Aba-Film, de Fortaleza, ambos do Ceará, entre outros.

Sobre o autor:

Frederico Pernambucano de Mello possui formação em história e direito. Na Fundação Joaquim Nabuco, do Ministério da Educação, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre, de 1972 a 1987, período em que se especializou no estudo da cultura da região Nordeste do Brasil, tendo publicado os seguintes livros: Rota batida: escritos de lazere de ofício, Recife, Edições Pirata, 1983; Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco, 1985 [ora em 5ª edição pelo selo A Girafa, de São Paulo]; Quem foi Lampião, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1993 [ora em 3ª edição]; A guerra total de Canudos, Recife-Zürich, Stähli Edition, 1997 [ora em 3ª edição pela A Girafa]; Delmiro Gouveia: desenvolvimento com impulso de preservação ambiental, Recife, Editora Massangana/ Fundação Joaquim Nabuco-CHESF, 1998; Guararapes: uma visita às origens da Pátria, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2002; Tragédia dos blindados: a Revolução de 30 no Recife, Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2007; Estrelas de couro: a estética do cangaço, São Paulo, Escrituras Editora, 2010, livro finalista do Prêmio Jabuti de 2011, nas categorias projeto gráfico e ciências humanas.  É membro dos Institutos Históricos de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, e da Academia de História Militar Terrestre, tendo sido curador internacional da Fundação Bienal de São Paulo para a Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 Anos, São Paulo, 2000, e presidente da União Brasileira de Escritores – Seção de Pernambuco.  Na Academia Pernambucana de Letras, ocupa a cadeira 36 desde o ano de 1988. Pela originalidade de seus estudos, pelo volume da obra que produziu, e por se dedicar a aspectos de nossa história considerados ásperos e de pesquisa difícil, tem sido considerado o “historiador do Brasil profundo”, na palavra do professor Nelson Aguilar.

http://www.joaodesousalima.com/

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Lilian Barg agradece ao escritor Kydelmir Dantas


Bom dia Kydelmir:

Agradeço seu email com a informação. Este box do Luiz Gonzaga é dá época em que meu pai Leon Barg estava vivo e  as informações foram coletadas por ele. Vou providenciar a correção para uma próxima tiragem.
Atenciosamente,

Lilian Barg

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

Kydelmir Dantas agradece à Lilian Barg


Agradecemos, honradamente, o retorno que nos foi dado pela gravadora REVIVENDO, através de sua diretora Lilian Barg, com relação aos créditos da música REVIVENDO (Onildo Almeida - Celso da Silveira).

PS: Esta nota está copiada (cc) para todo(a)s os Gonzaguianos de nossa lista.
Caso alguém não queira receber nossos e-mails, favor informar-nos para que possa ser retirado da lista... Sem traumas nem sequelas.


Kydelmir Dantas
Poeta, escritor e pesquisador do cangaço.
MOSSORÓ - RN 

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


Já está à venda na LIVRARIA NOBEL
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CEP - 59022-000
fone: (0xx) - 84 - 3613-2007


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com verbetes:

Celso da Silveira, Chico Elion, Henrique Brito, Elino Julão, Frei Marcelino, Jandhuy Finizola e Severino Ramos.

Parceiros e intérpretes potiguares

com verbetes:

Ademilde Fonseca, As Potiguaras, Carlos Zens, Coral da Petrobras Mossoró, Khrystal, Marina Elali, Meirinhos, Mirabô Dantas, Nenem do Baião, Orquestra Sinfônica da UFRN, Orquestra Sanfônica de Mossoró, Paulo Tito, Roberto do Acordeon, Terezinha de Jesus, Trio Irakitan, Trio Mossoró, VINA e Zé Lima.

Clique nos links abaixo:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/11/lampiao-contra-o-mata-sete-e-uma-obra.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/10/a-expectativa-de-um-novo-ataque.html

Para todo Brasil!!! - Nesta Quinta-feira 15, Sedição de Juazeiro, estreia em rede nacional


Jonas Luis da Silva, de Icapuí conclama a nação. A TV Senado orgulhosamente apresenta para todo o Brasil, em canal aberto e TV por assinatura, a minissérie Sedição de Juazeiro: A guerra de 1914, em 4 capítulos. Estreia nesta Quinta 15 com reprise no Domingo 18. 

Na segunda década do século XX, o poder central no Brasil era exercido pelo chamado homem forte do regime, Pinheiro Machado, presidente do senado. O presidente da república, Hermes da Fonseca, homem medíocre e fraco, lhe era submisso.


Pinheiro Machado trata de criar condições para, a menos de dois anos da sucessão presidencial suprema, substituí-lo com o apoio das chefias dos Estados. Em Juazeiro reúne-se uma assembléia estadual insubmissa, sob a presidência de Floro Bartolomeu, aliado do Senador Pinheiro Machado. Declara-se assim uma dualidade de poderes legislativos no Estado. Na segunda quinzena de janeiro de 1914, tropas enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo atacam Juazeiro. Floro e seus soldados esperavam o ataque.

As forças atacantes foram logo repelidas e postas em fuga. Os sediciosos de Floro Bartolomeu marcharam-lhes ao encalço e não deixaram pedra sobre pedra. Invadiram e saquearam sucessivamente o Crato, Barbalha, Missão Velha e Iguatu. Dali os combatentes de Floro tomam o trem e saem ocupando as cidades de Quixeramobim, Quixadá, Baturité, Redenção, até atingem a periferia da Capital, em Parangaba. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará a 14 de março de 1914.

Os jagunços de Floro Bartolomeu chegam a capital Fortaleza. Franco Rabelo embarca de volta ao Rio de Janeiro. Triunfa a SEDIÇÃO DE JUAZEIRO: A GUERRA DE 1914.
Veja o Trailer
Espie o Trailer


Um trabalho produzido pela FGF-TV de Fortaleza e co produção da Laser Vídeo, Produções de Aderbal Nogueira.

Jorge Remígio

http://lampiaoaceso.blogspot.co

Sedição na Tv Senado !!!!!


A TV Senado, orgulhosamente apresenta para todo o Brasil, em canal aberto, e também nas Tvs por assinatura, o primeiro capítulo da Minissérie Sedição de Juazeiro: A Guerra de 1914. 

 O Primeiro Capítulo será apresentado nesta quinta-feira com reapresentação no domingo.

Sedição de Juazeiro é uma super produção da FGF-TV que marca 10 anos com você.

Nota Cariri Cangaço: A família Cariri Cangaço se une ao sentimento de orgulho em poder fazer parte desta grande empreendimento e parabeniza a toda a equipe do "Sedição", abraçando Jonas Luis da Silva de Icapuí e Daniel Abreu.

http://cariricangaco.blogspot.com


Faça uma visitinha ao blog: "Fatos e Fotos"
http://sednemmendes.blogspot.com

Nas Trilhas do Cangaço

Por: João de Sousa Lima

A região de Paulo Afonso, principalmente a que cerca o Raso da Catarina é muito rica na história do cangaço. Os limites das cidades de paulo Afonso, Jeremoabo, Santa Brígida, Canudos, Canché, Macururé, Chorrochó, Uauá, Monte Santo, e Glória, foram cidades que tiveram seus nomes ligados ao nome do cangaceiro Lampião. Essas cidades circundam o Raso da Catarina e o Raso foi um dos maiores coitos dos cangaceiros. Em Paulo Afonso seus povoados todos tiveram essa ligação histórica com o fenômeno cangaço  e ainda é fácil encontrar pessoas que conviveram com os cangaceiros. A cidade hoje é um dos principais focos de estudos e diariamente recebe  visita de pesquisadores, estudiosos e interessados no tema. Recentemente tivemos a visita  do jovem Gilson, que reside em Salvador, Bahia.
 
Dos lugares que visitamos passamos nos povoados Salgadinho, na casa da cangaceira Lídia de Zé Baiano e seguimos até a cruz do coiteiro Antonio Curvina. Antonio Curvina acabou sendo morto pelos cangaceiros por engano. Os cangaceiros estavam  perseguindo um dos soldados que fugiu do combate da Lagoa do Mel; O soldado passou no povoado Nambebé e trouxe Antonio Curvina como refém. O soldado bastante cansado entregou os bornais e o chapéu para Antonio Curvina transportar e na emboscada armada pelos cangaceiros Antonio acabou sendo confundido e recebendo os primeiros disparos, caindo morto no local onde é assinalado pela cruz. O garoto Epifávio de Félix que também vinha como refém se escondeu atras da árvore que vemos na fotografia e acabou escapando dos tiros. O soldado seguiu direto pra casa da irmã da cangaceira Lídia sendo pego pelos paisanos e morto e enterrado na Serra do Padre.


NA FOTOGRAFIA ACIMA GILSON E JOÃO EM PASSAGEM PELA CRUZ DE ANTONIO CURVINA.


A cruz de Antonio Curvina.


Cruz  de Zé Pretinho, morto pela volante de Douradinho, acusado de coiteiro de Lampião. A cruz fica no povoado Riacho, na subida da casa de Generosa Gomes de Sá.



Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: 
oão de Sousa Lima

 http://www.joaodesousalima.com/

OS MISTÉRIOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ, QUARTA E ÚLTIMA TEORIA, QUINTA PARTE

Por: Honório de Medeiros(*)
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Quarta teoria: o ataque a Mossoró resultou de um plano político (quinta parte)

OS CORONÉIS QUINCAS E BENEDITO SALDANHA

Mas se realmente Massilon tinha, por trás de si, desde o episódio de Brejo do Cruz, PB, até o ataque a Apodi, RN, as figuras maquiavélicas de Quincas e Benedito Saldanha, ainda não há como ligar diretamente os Coronéis paraibanos ao ataque a Mossoró. 

Pelo menos até onde sabemos, mesmo que os coronéis ambicionassem o controle político da Região, como o demonstram suas participações na política de Caraúbas, via o Coronel Quincas Saldanha; de Apodi, por intermédio de Benedito Saldanha, Tylon Gurgel, Martiniano Porto e Luis Ferreira Leite; e, porque não dizer, influência política no Rio Grande do Norte como um todo, haja vista a participação em episódios políticos decisivos no Estado, oriunda das relações políticas com o Interventor Mário Câmara e a histórica campanha da Aliança Social versus Partido Popular, relatada acima, em meados da década de 30. 

Isso, por uma razão muito simples: não teria como haver a invasão de Mossoró sem Lampião e, conforme exposto acima, nem o Coronel Isaías Arruda, tampouco Massilon – homem dos Saldanha –, sabia que o grande cangaceiro se dirigia a Aurora no período do ataque a Apodi.
Recordemos Sérgio Dantas[1]: 

O encontro de Lampião com Massilon deu-se em dias de maio, após o assalto a Apodi. Até aí, Lampião desconhecia completamente o novel bandoleiro. O cangaceiro Mormaço, em interrogatórios consignados nos processos-crime instaurados nas Comarcas de Martins e Pau dos Ferros, ambos em 1927, deixam claro esse particular. Também, nesse sentido, depoimento prestado por Jararaca à Polícia no mesmo ano. Todos são unânimes quanto à época do encontro. 

Ainda: 

O cangaceiro “Mormaço”, em diferentes interrogatórios prestados à Polícia (Martins, Pau dos Ferros, Mossoró e Crato), deixou claro que Lampião desejava chegar ao Ceará para refugiar-se e municiar o bando. Também acrescentou, em diversas oportunidades, que Arruda intermediava, invariavelmente, tais compras de munição. 

A NÃO SER que o projeto do ataque a Mossoró, revelado por Argemiro Liberato e denunciado pela imprensa mossoroense, estivesse na fase de planejamento e, deste, fizesse parte a noção de que somente depois, em uma outra etapa, os líderes cangaceiros seriam procurados por Massilon, etapa que teria sido precipitada para aproveitar a chegada inesperada, em Aurora, de Lampião. 

Pois é fato que, até onde se sabe, nenhuma outra pessoa, fora os Coronéis Quincas e Benedito Saldanha, teriam tanto a ganhar, AO MESMO TEMPO, politicamente, com a invasão de Apodi e Mossoró, e a deposição, pela força das armas, dos Coronéis Francisco Pinto e Rodolpho Fernandes do poder, exceto, também, o próprio Governador José Augusto Bezerra de Medeiros, e Jerônimo Rosado. 

Os Coronéis tinham um sério e quase imbatível adversário político na Região: os Fernandes, e, principalmente, o Coronel Rodolpho Fernandes. 

E dois fatos a favor, digamo-lo assim: a vontade de José Augusto Bezerra de Medeiros de destruir o crescente poderio político dos Fernandes, e a atitude destes em relegar Jerônimo Rosado, um dos dois principais aliados políticos de Francisco Pinheiro de Almeida Castro[2] - o outro era Rafael Fernandes, ao esquecimento, como veremos um pouco adiante.

Rafael Fernandes: até hoje quem mais tempo passou no poder, de forma ininterrupta, no Rn 

JOSÉ AUGUSTO BEZERRA DE MEDEIROS 

Façamos uma introdução à política do estado potiguar: nos anos vinte ocorreram várias mudanças significativas em termos de poder político no Rio Grande do Norte. 

José Augusto Bezerra de Medeiros, do Seridó, herdeiro político do Coronel José Bernardo de Medeiros, líder regional desde a época do Império, transferira o centro das decisões no Estado para o Sertão, correspondendo esse poderio, no que diz respeito ao econômico, à ascendência da cultura algodoeira no Estado. 

É o que lemos em Luiz Eduardo Brandão Suassuna e Marlene da Silva Mariz[3]: 

José Augusto e Juvenal Lamartine de Faria, seu sucessor e herdeiro político, com o apoio do Presidente Artur Bernardes, conseguiram impedir Joaquim Ferreira Chaves, da oligarquia Maranhão, de chegar ao poder pela terceira vez, e, assim, praticamente decretaram seu fim.

Juvenal Lamartine: teria sido por ordem sua que morreu Chico Pereira 

A linha política do governo José Augusto insere-se na conjuntura nacional, com a oligarquia local em plena harmonia com a oligarquia que detém a hegemonia nacional. Um exemplo desse entrosamento é a visita de Washington Luis, em 1926 (após ter sido eleito Presidente da República), ao Rio Grande do Norte. 

O poder de José Augusto Bezerra de Medeiros será bruscamente interrompido pela Revolução de 1930, embora esteja no cerne da vitoriosa campanha do Partido Popular contra o Interventor Mário Câmara, tão cuidadosamente retratada por Edgar Barbosa em “HISTÓRIA DE UMA CAMPANHA”, já aludido. 

José Augusto Bezerra de Medeiros manobrou, o quanto pode, para instituir uma nova oligarquia no Rio Grande do Norte, relata-nos Gil Soares[4]: 

José Augusto não se limitou a cuidar do seu quatriênio. Preparou sucessões de familiares seus. O “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro anunciou logo isso. Oligarquia. E na modalidade mais rudimentar, que é a do tipo familiar. 

De início julgava-se prestigiado para esse objetivo derrubando, no interior, velhos dirigentes do seu partido, para substituí-los por elementos de sua confiança pessoal. Exemplos: 

Em São José do Mipibu, Inácio Henrique por Monsenhor Antônio Paiva; em Nízia Floresta, José de Araújo por Joaquim Freire; em Goianinha, Gonzaga Barbalho por Manoel Ottoni de Araújo Lima; em Pedro Velho e Santo Antônio, Rodopiano de Azevêdo por Joaquim da Luz e Epaminondas Mendes, respectivamente; em Nova Cruz, Anísio de Carvalho por Nestor Marinho; em Taipu, Rozendo Leite por João Gomes da Costa; em Touros, Francisco Zacarias por Joel Cristino; em Macau, Feliciano Tetéo por Armando China. E assim por diante. 

Manoel Maurício Freire (Neco Freire), de Macaíba, resistiu. Mas ficou muito desprestigiado. Viu o Governador eleger deputado estadual o comerciante Antônio de Andrade Lima, seu velho adversário local. Quando lhe chegou a vez de indicar o nome do prefeito, ei-lo obrigado a aceitar o macaibense Cícero Aranha, Chefe de Serviço do Tesouro do Estado. 

Depois do Seridó, a maior força eleitoral situava-se na Zona Oeste. Liderada pela família Fernandes. Homens pacíficos, muito dedicados a atividades agropecuárias e industriais.  

O plano, aí, seria reduzir-lhe, paulatinamente, o grande prestígio político. 

Começou, pois, o Governador, atraindo para a chapa estadual o médico Antônio Soares Júnior[5], a maior figura da oposição em Mossoró[6].

Antônio Soares Júnior, líder da oposição radical ao Coronel Rodolpho Fernandes

Também: 

No segundo ano do governo de José Augusto, seu primo Napoleão Bezerra, meu velho e saudoso amigo currais-novense, me dizia o seguinte no Campo de Demonstração de Jundiaí, em Macaíba: “Se os Maranhões dominaram a política do estado durante trinta anos, por que não podemos fazer o mesmo?” 

E: 

Naquele ano de 1926 era voz corrente, em Natal, que o “plano político” do governo do Estado seria o seguinte:

1º O governador José Augusto teria como sucessor seu sobrinho-afim Juvenal Lamartine e seguiria, logo, para o Senado; 2º por sua vez, o sucessor de Juvenal Lamartine, em 1932, viria a ser seu sobrinho Cristóvam Dantas; 3º este ingressaria como deputado federal logo no pleito de 1930, a fim de abrir a vaga para Juvenal Lamartine retornar ao Congresso Nacional.  

José Augusto, quando achava necessário, agia com violência, como nos recorda Gil Soares, na mesma obra: 

Causando surpresa, José Augusto demitiu sumariamente o jornalista Pedro Lopes Júnior do cargo de escrivão da Delegacia Auxiliar de Polícia, por causa de comentários desfavoráveis a atos do seu governo. 

Como seria de se esperar, o Tribunal de Justiça, unânime, mandou-o retornar ao cargo. Em ambiente hostil, alta noite, elementos fazendo-se passar por policiais, bateram a sua porta. Pedro Lopes foi, pelo quintal, ocultar-se em casa de um vizinho. Preferiu deixar o Estado. 

Ainda: 

Vitoriosa a Revolução de 1930, o advogado Bruno Pereira em telegrama divulgado pela imprensa, manifestou seu “desafeto”: 

“Interventor Irineu Joffily – Natal. 

Pessoa vossa excelência felicito minha estremecida terra redimida garras mais imoral oligarquia[7] do mundo. Atenciosa saudação. Bruno Pereira”.

                            E, também, Spinelli[8]:

Em 1921, Café Filho e Kerginaldo Cavalcanti apoiaram a Reação Republicana de Nilo Peçanha. Em 1928, Café Filho foi eleito vereador em Natal, mas o governo queimou as atas, procedendo a novas eleições a “bico de pena”. Nesse mesmo ano, o sindicato[9] e o jornal[10] foram invadidos e destruídos pela polícia do governador Juvenal Lamartine, e Café Filho foi obrigado a fugir do Estado, indo conspirar com os políticos e militares da Aliança Liberal na Paraíba.

CONTINUA...
[1] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Cartgraf – Gráfica Editora; 2005; Natal; RN.

[2] Falecido em 1922.

[3] “HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE”; SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão e MARIZ, Marlene da Silva; Sebo Vermelho; 2ª. Edição; 2005; Natal, Rn.

[4] “O PASSADO VISTO POR GIL SOARES”; MUINIZ, Caio César (organizador); Coleção Mossoroense; Série “C”; volume 1.147; 2005; Mossoró, RN.

[5] Eis o líder da oposição a Rodolpho Fernandes em Mossoró, razão de suas principais divergências com José Augusto. Foi o primeiro mossoroense a se doutorar em Medicina. Filho de Antônio Soares de Góis e Josefa Soares de Góis, nasceu em 4 de maio de 1881, no lugar Barrocas, subúrbio da cidade. Formou-se na Bahia, em 1905. Prefeito de Mossoró de 21 de setembro de 1933 a 4 de novembro de 1935 (dados obtidos em (BRITO, Raimundo Soares de; “RUAS E PATRONOS DE MOSSORÓ”; Coleção Mossoroense; Série “J”; v. 01; dezembro de 2003; Mossoró. Raimundo Nonato lembra, em “MEMÓRIAS DE UM RETIRANTE” (Fundação Guimarães Duque e Fundação Vingt-un Rosado; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.235; 3ª edição; 2001; Mossoró), ao relatar um dos embates entre os Fernandes e José Augusto Bezerra de Medeiros, que “Neste particular, a situação do Dr. Soares Júnior era, realmente, privilegiada, pois comandava um forte grupo de oposição, cujo concurso o governador do Estado via com bons olhos.”

[6] Grifei.

[7] Oligarquia liderada por José Augusto.

[8] SPINELLI, José Antônio; “CORONÉIS E OLIGARQUIAS NO RIO GRANDE DO NORTE”; EDUFURN; 1ª edição; Natal; 2010.

[9] Sindicato dos Operários de Natal.

[10] “Jornal do Norte”.

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/





Livros sobre "Cangaço"

1938 - Angico


Autor: Paulo Medeiros Gastão


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A outra face do cangaço 


Autor: Antonio Vilela de Sousa

 

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Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O cangaceiro Corisco e o lobisomem

Por: Francisco Carlos Jorge de Oliveira
Corisco
Caro leitor:

Em um vale castigado ao extremo pela cruel estiagem que castigava o sertão baiano, num ranchinho escondido ao lado de um quase escasso olho d'água, morava um velho vaqueiro solitário, que atendia pela alcunha de "Zezim Pebão".

Ninguém sabia o seu nome e todos o consideravam como o maior vaqueiro da região, pois seus aboios ecoavam nas caatingas e eram ouvidos à léguas de distância, e segundo os moradores do lugar, este homem perdera sua mulher em uma noite bem escura, quando juntos caçavam tatu, e ela foi picada por uma urutu cruzeira, serpente perigosíssima, a mais peçonhenta das jararacas.

Dizem que ele chorou e sofreu bastante com a perda da companheira, e logo após enterrá-la no cemitério da cidade, ele sumiu montado em seu cavalo ruano e ninguém mais ouviu falar dele.

Alguns caçadores dizem que quando se perdiam durante a noite, sua cantiga os conduziam ao rumo certo. Na quaresma de Março do ano de 1932, o cangaceiro 

Corisco e Dadá

Cristino Gomes da Silva Cleto o "Corisco", junto de Dadá, sua companheira, que na ocasião encontrava-se grávida, deixaram o bando de Lampião e em trajes comuns, atravessaram o sertão pernambucano, penetrando na inóspita região do Raso da Catarina, com destino á cidade de Salgado do Melão, no Estado baiano.

Corisco estava montado em um vistoso e ligeiro cavalo alazão, e a montaria de Dadá era uma mansa e linda mula de pelagem rosilha. 

Eles cavalgavam atentos, e com todo o cuidado, pois o estado de Dadá era totalmente delicado. Foi então que em um lugar longínquo, na região próxima ao Brejo do Burgo, ao cair à tarde, cansados da viagem, Corisco escolheu um recanto seguro, entre umas rochas rodeadas de mandacarus, e sob a sombra de um frondoso pé de jatobá, ali, ele apeou-se e ajudando Dadá a descer da mula, forrou uma coberta sobre a vegetação rasteira, acomodando carinhosamente seu cônjuge. E pegando as cabaças repletas de água, após saciarem a sede, deram água também aos animais, desarreando-os, deixando-os que pastassem amarrados ali perto deles.


Corisco e seus Cães

Corisco tinha uma cadela preta e branca, mestiça, da raça perdigueira, que gostava mais dele do que a própria Dadá, e era ela quem fazia a guarda deles. 

Corisco desembainhou seu facão collins c.o, e foi mais adiante cortar alguns galhos para fazer uma fogueira onde passariam a noite, e quando vinha vindo com o feixe de lenha nas costas, avistou uma cotia, que assustada, cruzou correndo sua frente. 

Corisco fez jus ao nome, e ágil como um raio, disparou um tiro com seu fuzil mauser cal.7 m., vindo a atingir o ouvido do pequeno roedor. 

O jantar já estava garantido. Após comerem, Corisco improvisando um leito e agasalhando sua companheira de maneira cômoda, acariciou seus cabelos, fazendo com que sua amada dormisse tranquila e aconchegante.

Corisco perdera o sono. Sentou-se em uma pedra ali ao lado, fez um cigarro de palha, e ficou observando a lua cheia, que morosamente surgia entre os mandacarus, parecia pressentir o que estava por vir. 

Corisco pensava em chegar logo até Salgado do Melão, pois Dadá estava próxima a entrar em trabalhos de parto, e isto lhe preocupava muito. Mas de repente sua cadela levantou-se e ficou de orelhas em pé.

O Diabo Loiro que não temia nada, vendo algum perigo ali rondar, de imediato acordou Dadá, deixando-a preparada para enfrentar o perigo oculto nas sombras da noite.

A cadela rosnou e ficou ao lado de Dadá. Os cavalos começaram a se agitar, um grunhido estranho e aterrorizante se ouviu à frente. E quando Dadá lumiou com um tição em chamas, pode-se ver de fronte a Corisco, a figura horripilante de um lobisomem.

A besta fera era bem maior que Corisco. Tinha orelhas grandes e eretas. Seus olhos eram vermelhos flamejantes, igual a duas jóias vindas do inferno. Dentro da bocarra espumante havia enormes dentes caninos e pontiagudos, entre eles escorria uma baba fétida, sórdida e gosmenta. As patas superiores apresentavam descomunais garras afiadíssimas e a pelagem negra, ajudavam-no a se ocultar dentro da escuridão da noite.

Corisco que já se encontrava de arma na mão, manobrou seu fuzil e efetuou três disparos em direção do monstro. Mas para sua surpresa, as balas só amorteciam no pelo dele e caiam fumegantes no chão. Corisco nem gastou mais munição. Puxou de seu punhal de prata e ficou na defensiva. O demônio saltou sobre o Diabo Loiro que se atracaram em uma luta mortal sobre a relva molhada de sereno. Num lapso, o punhal escapa das mãos do cangaceiro e caindo, se perde em meio a vegetação rasteira. Nisso, a fera agarra em seu pescoço e vai apertando gradativamente para matá-lo enforcado. 

O valente cangaceiro se esforça inutilmente, e quando vê os seus olhos já sendo coberto pelo véu cinzento da morte, numa derradeira tentativa ele passa a mão sobre a grama achando seu punhal de prata. E assim segurando-o com firmeza, reunindo as últimas energias do seu corpo, o Diabo Loiro serra os dentes e desfere um fatídico golpe que atinge violentamente o sovaco do lobisomem, causando-lhe uma lesão profunda e mortal. A besta solta um urro ensurdecedor, larga o cangaceiro e sai correndo e sangrando caatinga adentro, até desaparecer na escuridão da noite. 

Corisco segurando o punhal manchado pelo sangue da fera vai cambaleando até Dadá, que o abraça e banha com água sua cabeça para ajudá-lo a se recuperar mais rápido, e assim ambos adormecem. 

No alvorecer do dia seguinte Corisco assopra e ateia os tições quase extintos da fogueira, e faz um café. Após quebrar o jejum corisco deixa Dadá em um lugar seguro, e vai campear suas cavalgaduras, e caminhando por alguns minutos, ele localiza os animais a uns oitocentos metros do seu acampamento.

Corisco ao se aproximar, avista um ranchinho ao lado de um pé de aroeira, e  quando chega mais perto, vê pelas frestas de madeira um  velho deitado numa tarimba, gemendo de dor. Corisco pega seu parabelliun 9 m. e vai pra bem perto do cabra,  pergunta:

- Ei! môço, o quê ta se sucedendo com o sinhô?

E o moribundo responde:

- Ai!aaai! eu fui cortá lenha nu mato i trupiquei num cipó i na queda cai com u subacu im cima duma ferpa di pau, ai!ai! óia moço, pega sua muiê e suma daqui antes di iscurecê antis da lua saí.

Corisco perguntou novamente:

- Diga então veio, pelo menu seu nome?

E ele respondeu:

- É "Zezim Pebão".  Agora fais o que tô mandandu. Si arranca daqui cabra da mulestra!

Sem desconfiar de nada o cangaceiro pegou seus animais e se foi. Chegando ao acampamento Corisco arriou os animais e partiu rumo ao lugarejo chamado Salgado do Melão, e assim quase turvando o casal, chegou na supracitada cidade,

Corisco levou Dadá para casa e deixou a companheira aos cuidados dos parentes. E foi até uma venda comprar o que precisava, e lá, bebendo umas pingas e proseando com o povo ele perguntou:

 Arguém di oceis cunhece um tar "Zezim Pebão"?

Dai um sertanejo por nome Zé Osmídio respondeu que sim, e contou toda a verdade a Corisco, que cismado e surpreso, foi para junto de Dadá. No outro dia já estava viajando de volta para Pernambuco, com destino ao coito de seu compadre Lampião.

Pois é amigos, este é mais um fantástico caso do cangaço e de cangaceiros.

 Se é verídico cabe a você analisar.

Francisco Carlos Jorge de oliveira é da policia militar paranaense, e mais uma vez vem postar sua interessante história do cangaço neste blog.

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