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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

SAUDADE DE GONZAGA


José.

Esta SAUDADE DE GONZAGA (Kydelmir Dantas - Lucas Campelo)

É uma parceria minha com o músico, e cantor sergipano Lucas Campelo

Saudade de Gonzaga no youtube:

Clique no link para assistir:

https://www.youtube.com/watch?v=vlJFFzLznhw

Lucas Campelo do Nascimento
Músico - Sanfoneiro/Pianista

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A ABOLIÇÃO NO CEARÁ E EM MOSSORÓ


MARÇO - A ABOLIÇÃO NO CEARÁ
A ABOLIÇÃO ANTES DA LEI ÁUREA

Almino Affonso

A crônica que evoca a campanha abolicionista não parece ter espaço para fazer justiça aos que, valendo-se da pressão social como instrumento de luta política, lograram romper os grilhões do cativeiro cinco anos antes que a Lei Áurea fosse assinada pela princesa Isabel, num gesto de audácia que precisa ser lembrado, sobretudo pela lição que nos deixou. À frente das Províncias, numa façanha pioneira, está o Ceará. O próprio governo instituíra, em 1868, por meio da Lei n° 1.254, um ‘fundo especial de 15 contos de réis por ano, para a manumissão de cem escravos que fossem nascendo e levados à pia batismal, de preferência do sexo feminino’.

E as organizações libertárias, que foram se constituindo, cumpriram um papel propulsor, como a Sociedade Perseverança e Porvir, o Centro Abolicionista 25 de Dezembro, a Sociedade das Senhoras Libertadoras. Por sua vez, a Sociedade Cearense Libertadora, fundada em 1880, se propunha, com enorme audácia, libertar os escravos por todos os meios ao seu alcance. As Sociedades Libertadoras, além da pregação política, se entregavam à tarefa de obter a alforria de escravos, pela pressão social junto aos escravocratas, pela campanha para angariar fundos e comprar escravos, ato contínuo libertando-os, e pela articulação da fuga de escravos, dando-lhes guarida e defesa, inclusive transferindo-os de uma Província para outra.

O jornalista José Lino da Justa, na série de artigos Vultos da Abolição no Ceará (que remontam a 1938), revela quanto ousava a ação libertadora : ‘Aqui em Fortaleza chegavam até a arrebatar, de bordo dos vapores, escravos que em trânsito procediam do Norte’.

ABOLIÇÃO EM UMA VILA

Nesse contexto, não cabe estranhar que, a 27 de janeiro de 1881, os jangadeiros, tendo à frente Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, tenham assumido a responsabilidade histórica de proclamar : ‘No porto do Ceará não se embarcam mais escravos!’, frase atribuída a Pedro Arthur de Vasconcelos. O Governo, por todos os meios, tentou esmagar o movimento. Mas tudo em vão: os jangadeiros haviam abolido de fato o tráfico de escravos no Ceará. Nada mais podia deter o movimento emancipador. A Sociedade Cearense Libertadora decidira, num gesto emblemático, alforriar todos os escravos de Acarape. Vale dizer – e aí a força do símbolo –, abolir a escravidão na pequena vila. A comissão da ‘Libertadora’, composta de João Cordeiro, Almino Affonso, Antônio Martins e Frederico Borges, que visitara Acarape em novembro de 1882 – incumbida da pregação –, empolgou a cidadania.

Assim, quando se instalou o ato libertário, a 1° de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio (que viera do Rio de Janeiro para o evento) e das mais significativas lideranças do Ceará, foram distribuídas as últimas cartas de alforria. Na pequenina vila, que logo mais se chamaria Redenção, todos se tornaram homens livres. Na verdade, rompera-se a cadeia da escravatura no elo mais frágil. Não obstante as dimensões de Acarape, a repercussão política daquela manhã foi enorme. Joaquim Nabuco, em carta da Inglaterra, arrebata-se : ‘O Ceará é maravilhoso. Parece incrível que essa Província faça parte do Império. Acarape é mais do que um farol para todo o país, é o começo de uma pátria livre’. Raul Pompéia, o grande romancista, derrama-se em louvores: ‘O Acarape começa. Vai nascer o Futuro’. De volta ao Rio de Janeiro, José do Patrocínio denomina o Ceará de ‘Terra da Luz’.

DESAFIO À ORDEM

Na verdade, Acarape representou um desafio à ordem constituída. E um exemplo a ser seguido. Não tardou muito e Fortaleza, a 24 de maio de 1883, também ousou libertar os seus escravos. Pelo interior afora, a correnteza abolicionista já não é contida. Cidade por cidade, todos se orgulham de lavar-se do opróbrio escravagista. Até que, a 25 de março de 1884, o presidente da Província – Dr. Sátiro de Oliveira Dias – declara solenemente: ‘A Província do Ceará não possui mais escravos’. Os canhões da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção reboaram, os sinos repicaram: ‘É indescritível então o que se passou!’.

Segundo Manoel Onofre, os matutinos, em suas edições especiais, teceram ‘homenagens aos vultos abolicionistas mais atuantes, notando-se o relevo dado à personalidade de João Cordeiro e à de Almino Affonso, entre os primeiros e outros denodados companheiros’. Raimundo Nonato, por sua vez, destaca a contribuição do combativo rio-grandense-do-norte: ‘Fato que não padece dúvida é que toda a campanha abolicionista do Ceará teve na palavra de Almino Affonso um de seus elementos decisivos, senão sua principal figura pelo entusiasmo com que empolgava a Terra da Luz’.

EFEITO MORAL E POLÍTICO


Vale insistir : quatro anos antes da Lei Áurea, a Província do Ceará, pela vontade política e social de seu povo, tornou-se pioneira na abolição da escravatura. Joaquim Nabuco em Paris, em 1900, fez justiça a essa raça de lutadores: ‘A emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista. O efeito moral da existência de uma Província livre, resgatada e desde então fechada para a escravidão foi imenso; o efeito político, imediato!’. Ao impulso da maçonaria, fora organizada em Mossoró (RN), a Sociedade Libertadora Mossoroense, sob a liderança de Joaquim Bezerra da Costa Menezes, Romulo Lopes Galvão, Miguel Faustino do Monte e Francisco Romão Figueira. Ainda se ouviam as ressonâncias de Acarape e Fortaleza quando Mossoró, a 30 de setembro de 1883, também engalanou-se para declarar-se livre da escravidão. Foram sete dias de festa. Com a presença de Almino Affonso, que viera de Fortaleza para compartir com seus conterrâneos aquele momento de grandeza, o presidente da Sociedade Libertadora Mossoroense – Joaquim Bezerra da Costa Mendes – fez a declaração histórica: "Mossoró está livre: aqui não há mais escravos!".

Sem desmerecer a contribuição de tantas outras lideranças, os que se têm dedicado à história da abolição em Mossoró são unânimes em reconhecer em Almino Affonso o condutor daquela jornada, sobretudo pela sua palavra dominadora. Câmara Cascudo, por exemplo, na sua História do Rio Grande do Norte, interpreta esse fascínio coletivo: "Almino Affonso surgia para a multidão como seu predestinado, um super-homem, um semideus". E linhas adiante: "Na abolição de Mossoró, Almino, que fora para a magna capital cearense, passara a fronteira e conquistara a idolatria com sua voz ostentória, reboante e vastíssima". A irradiação do movimento abolicionista também se antecipara na Província do Amazonas. A Sociedade Emancipadora Amazonense, fundada em 1870, da qual foi presidente Tenreiro Aranha, de longe cumpria o seu papel de proselitismo. E o próprio governo, amparado na lei de 24 de abril de 1884, "consignou a quantia de 30 contos de réis, num orçamento de 2.500 contos, para completar as alforrias, ao mesmo tempo proibindo a entrada de novos escravos na Província do Amazonas".

A 1° de maio de 1884, fora constituída, em Manaus, a Sociedade Emancipadora 25 de março. Almino Affonso, que há pouco chegara do Ceará, incorpora-se à campanha abolicionista no Amazonas, ao lado figuras proeminentes da Província, como Lima Bacury, José Paranaguá, Leonardo Malcher. A 24 de maio de 1884, Manaus libertou seus escravos. Segundo Robério Braga, jovem e brilhante historiador amazonense, foi "da maior relevância o desempenho de Almino Affonso e Gentil Rodrigues de Souza", inclusive na obtenção de recursos para alforriar os escravos que ainda restavam nas senzalas. Por fim, a 10 de julho de 1884, o presidente da Província, DR. Theodureto Souto, proclama a emancipação dos escravos no Amazonas : "Ficando assim, e de hoje para sempre, abolida a escravidão e proclamada a igualdade dos direitos de todos os seus habitantes". Antecipando-se às demais Províncias, o Ceará, o Amazonas e o Rio Grande do Norte souberam plantar a sementeira da igualdade social, muito antes que a Lei Áurea ousasse fazê-lo. É hora de reconhecer-lhes essa façanha histórica. Almino Affonso, deputado federal pelo PSB-SP, Ministro do Trabalho e da Previdência Social (Governo João Goulart) e Vice-Governador do Estado de São Paulo (1983-1985). É organizador do livro Poliantéia - Almino Affonso, Tribuno da Abolição.

Fonte: http://www.nacaofortaleza.com/cabeza3.php

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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VÍDEOS DA CANGACEIRA MARIA BONITA





Não deixe de ver.

Fonte: Youtube

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A MORTE DO VAQUEIRO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 16 de dezembro de 2014 - Crônica Nº 1.325

Homenagem a Gonzaga



“A MORTE DO VAQUEIRO

Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido,
Nas quebradas do sertão.
Nunca mais ouvirão
Seu cantar, meu irmão
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
Sacudido numa cova
Desprezado do Senhor
Só lembrado do cachorro
Que inda chora
Sua dor
É demais tanta dor
A chorar com amor
Rengo, lengo, engo, lengo,
Tengo, lengo, tengo
Tendo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo”.


“A toada ‘A Morte do Vaqueiro’ foi gravada no ano de 1963 em um disco de 78RPM, tendo Nelson Barbalho como parceiro de autoria. Em depoimento à jornalista francesa, Dominique Dreyfus, que escreveu a biografia ‘Vida do Viajante – A Saga de Luiz Gonzaga’, Nelson Barbalho relembrou o momento da composição: “A Morte do Vaqueiro foi composta na rua Vidal de Negreiros, nº 11, no Recife. Nós almoçamos juntos e depois fomos para a sala. Tinha um relogiozinho feito de coco, daqueles que balançam e Luiz ficou olhando o relógio e, daqui a pouco, falou: ‘eu sempre tive vontade de prestar uma homenagem a um primo meu, que era vaqueiro e foi assassinado lá no Sertão’. E ele contou a história de Raimundo Jacó que foi assassinado na caatinga, e nunca ninguém soube quem era o culpado. Eu disse que isso podia fazer um baião danado de bom, e na mesma hora ele pegou na sanfona e fez: ‘Lá lari lari lara’ e eu fiz ‘Numa tarde bem tristonha’; e ele: ‘Larará lará Lara’ e eu: ‘Gado muge sem parar/ relembrando seu vaqueiro/ que não vem mais aboiar’ e, no final da tarde, a música estava pronta”.



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EU PEGUEI NOS " OSSOS " DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO


Certa vez, fui parar no Povoado Alagadiço - Frei Paulo-SE, e visitei a sepultura dos cangaceiros ZÉ BAIANO, Chico Peste, Acelino e Demudado. 


Os OSSOS que estão guardados em uma caixa de vidro, foram retirados e, abertos os invólucros, constatei / vi ossos: mandibulas, pedaços de crânios, fêmur, costelas, arcadas dentárias, dentes soltos, etc.

 Desenho do Walter Barà

Essas cenas, jamais sairão da minha retina e da minha mente. Algo macabro, histórico e, que está preservado.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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ROSINHA ÚNICA FILHA DO REI DO BAIÃO


Rosinha Gonzaga. Única filha do rei do Baião, Luiz Gonzaga... Musa inspiradora, de Várias Canção do velho Lua...!!!

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Agora deu! Eu não sabia que Luiz Gonzaga tinha filha. A gente estuda e de nada a gente sabe. Tolo é o estudante que disser que sabe muito sobre isso ou sobre aquilo.

Fonte: facebook

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LAMPIÃO E SEU GRUPO


Virgulino Ferreira da Silva - Da esquerda pra direita: Cangaceiro não identificado, Vila Nova, Cacheado, Jurity, Sabonete, Diferente e Lampião, e aos pés de Lampião, o cachorro ligeiro.

Fonte: facebook
Página: Cap Cangaceiro

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AINDA SOBRE ANIVERSÁRIO DO REI DO BAIÃO



Vamos comemorar, é aniversário de LuizGonzaga! O eterno Rei do Baião completa hoje 102 anos nos nossos corações. Porque ele continua vivo através de sua obra! Prova disso é o espetáculo Cordas, Gonzaga e Afins, que tem excursionado todo o Brasil na voz de ElbaRamalho. E por falar em voz de Elba, venha ouvir a música "Treze de Dezembro", que celebra justamente o nascimento de Luiz Gonzaga! 

Clique aqui: http://goo.gl/1vD11T


Fonte: facebook
Página: Elba Ramalho

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CANGAÇO XII

Material do acervo do pesquisador do cangaço Antonio Morais

Por volta das sete da manhã, Pedro José chegou à casa do prefeito Rodolfo Fernandes, de modo Cortez, considera inaceitável a resposta do bandoleiro e revela a disposição de enfrentá-lo. Levou Pedro ao aposento, onde havia vários caixões com latas de querosene e gasolina. Mostrou-lhe o que estava aberto, cheio de balas. Adiantou que tudo aquilo era munição. Exagerou o número de homens, em armas, na cidade. A conversa visava impressioná-lo e a seu mandante. Entrega-lhe a resposta da carta, escrita de maneira e não agravar a situação dos reféns com as vidas ameaçadas. Pedro saiu apreensivo. Bate a porta dos amigos. Conseguiu com os comerciantes Amâncio Leite e Ezequiel Fernandes o necessário para sua liberdade. Encontrou Salustiano. Soube já ter sido enviado a importância do seu resgate por Belarmino de Morais, residente naquela região. Salustiano escusara-se de voltar com receio dos bandidos. Embora o caso estivesse resolvido, Pedro, em cumprimento a palavra dada. Separou três contos e quinhentos e foi ao encontro de Lampião. E, perguntou: 

- Recebeu meu dinheiro? 

- Sim. 

- Aqui está o de Azarias. 

Enquanto entregava a resposta da carta de Antonio Gurgel, acrescentou: 

- O prefeito manda dizer que tem dois mil homens lhe esperando, e que fosse buscar o dinheiro! 

Virgulino não se alterou e, esboçando um sorriso, concluiu: 

- Qual nada, isso é para me intimidar! Não acredito nisso! Não é isso tudo não! Ele vai saber se vai me intimidar!

Resposta do Ultimato:

Antonio Gurgel.

Não é possível satisfazer-lhe a remessa dos quatrocentos contos, pois não tenho, e mesmo no comércio é impossível encontrar tal quantia. Ignora-se onde está refugiado o gerente do banco, Sr. Jaime Guedes. Estamos dispostos a recebê-los na altura em que eles desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança.

Rodolfo Fernandes- Prefeito.

CONTINUA...

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MEDALHA DO MÉRITO CULTURAL PROFESSOR DEÍFILO GURGEL – SOU UM DOS AGRACIADOS!

Por Rostand Medeiros
Convite para a Medalha do Mérito Cultural Professor Deífilo Gurgel

Para minha enorme e grata surpresa fui um dos escolhidos para receber neste ano de 2014 a Medalha do Mérito Cultural Prof. Deífilo Gurgel, a mais importante comenda cultural do Rio Grande do Norte.

Esta comenda se torna ainda especial para mim, pois tive duas marcantes oportunidades de manter contato com o Mestre Deífilo Gurgel. Guardo estes momentos com extrema nitidez na minha memória.

Meu primeiro encontro foi no lançamento do seu livro “Espaço e tempo do folclore potiguar”, em 19 de agosto de 1999 e tenho muito apreço pelo meu exemplar assinado por ele. Apesar deste se encontrar já todo riscado e bastante mexido de tanto que o leio e utilizo em minhas pesquisas.

Em 2007, ou 2008, tive a oportunidade de me reencontrar com ele e poder conversar um pouco mais.

Mestre Deífilo Gurgel – Foto – Canindé Soares

Na época eu trabalhava no Arquivo Público e Mestre Deífilo precisava de alguns materiais históricos, se não me engano para uma pesquisa sobre Mário de Andrade. Com autorização da direção, eu me comprometi a procurar e lhe entregar o dito material. Dias depois, em um sábado, me lembro de ir à casa do seu filho Alexandre, em um apartamento na Jaguarari e lhe entreguei algumas fotos de jornais antigos.

Não fiz esta tarefa apenas por uma obrigação de trabalho, ou por dinheiro, mas por admiração a alguém que tanto lutou pela nossa cultura. Uma pena não ter sido seu aluno. Até hoje me recordo impressionado tanta delicadeza naquele corpo franzino, junto com uma extrema e sincera humildade.

Receber uma medalha com o nome deste homem, conhecendo o seu trabalho e sua luta pela cultura do nosso Rio Grande do Norte é algo que me deixa muito feliz!

O legal é que vou está ao lado de pessoas as quais tenho enorme respeito, como o o amigo Paulo Gastão, o Professor Cláudio Augusto Pinto Galvão, o Professor Roberto Lima, Racine Santos e a todos os indicados.

Por isso meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que frequentam as páginas do nosso blog TOK DE HISTÓRIA, ou aos que já leram meus livros, aos meus familiares pela força em continuar com meu trabalho, especialmente a minha esposa Isa Cristina, e pela indicação a receber esta medalha de mérito.

Este prêmio é simplesmente combustível para seguir adiante com meus trabalhos e continuar sempre perseguindo o objetivo de democratizar a informação, principalmente em relação à história da minha região.

Forte abraço a todos.    
Rostand Medeiros 

http://tokdehistoria.com.br/2014/12/15/medalha-do-merito-cultural-professor-deifilo-gurgel-sou-um-dos-agraciados/

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Lampião no Município de Aurora Parte 1

 Por Amarílio Gonçalves Tavares

Em virtude da amizade com o Coronel Isaias Arruda, na verdade um dos grandes coiteiros de Lampião no Ceará, o rei do cangaço, como era chamado, esteve, mais de uma vez, no município de Aurora. Em suas incursões pelo município sul-cearense, o bandoleiro se acoitava na fazenda Ipueiras, de José Cardoso, cunhado de Isaias. Uma dessas vezes foi nos primeiros dias de junho de 1927. Na fazenda Ipueiras, onde já se encontrava Massilon Leite, que chefiava pequeno grupo de cangaceiros, Lampião foi incentivado a atacar a cidade norte-riograndese de Mossoró – Um plano que o bandoleiro poria em prática no dia 13 do citado mês.

Massilon

Em razão do incentivo, Lampião adquiriu do coronel um alentado lote de munição de fuzil que, de mão beijada, Isaias havia recebido do governo Federal ( Artur Bernardes, quando este promoveu farta distribuição de armas a coronéis para alimentar o combate dos batalhões patrióticos ‘a coluna prestes(54). Presente aquela negociação, que rendeu ao coronel Isaias a considerável quantia de trinta e cinco contos de réis, esteve o cangaceiro Massilon, que teve valiosa influência junto a Lampião, no sentido de atacar Mossoró, cujos preparativos tiveram lugar na fazenda ipueiras. Consta que Massilon Leite – associado a Lampião no sinistro empreendimento – tinha em mente assaltar a agência local do Banco do Brasil e sequestrar uma filha do coronel Rodolfo Fernandes.

O Bando de Lampião que chegou à Aurora era composto de uns cinquenta cangaceiros, dentre os quais Rouxinol, Jararaca e Severiano, os quais já se encontravam, há dias, na aludida fazenda acoitados por José Cardoso. De Aurora, Lampião levou José de Lúcio, José de Roque e José Cocô ( José dos Santos Chumbim), todos naturais da região de Antas, tendo sido incluídos no subgrupo de Massilon. No dia 13 de junho de 1927, Lampião ataca a cidade de Mossoró, a mais importante do interior do Estado potiguar. “ Após quarenta minutos de fogo, já tendo tomado duas ruas, Lampião ordena a retirada. Fracassara o seu maior plano.

Bando de Lampião em Limoeiro

Após o frustrado ataque ‘a cidade norte –riograndense, Lampião bate em retirada, entrando no Ceará pela cidade de Limoeiro, onde não é importunado. Ali fez dois reféns a resgate – pessoas idosas e de destaque social- e teve a petulância de , com seu grupo, posar para uma foto, no dia 16 daquele mês. Ante a ameaça de invasão das cidades da zona Jaguaribana e já havendo um plano de combate ao famigerado bando, juntaram-se contingentes policiais de três estados – Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – numa quixotesca campanha contra Lampião, tendo sido nomeado “ comandante geral das forças em operações “ o oficial cearense, Moisés Leite de Figueiredo ( Major ).

No dia 16 de junho, a força paraibana havia seguido para Limoeiro, mas ao chegar ali, Lampião já tinha levantado acampamento. Prosseguindo em sua retirada pelo território cearense, com um grupo reduzido a trinta e poucos homens, em virtude da morte de dois dos mais temíveis cangaceiros – Jararaca e colchete – e das deserções que se seguiram ao malogrado ataque, inclusive a de Massilon Leite e seu sub-grupo, Lampião é perseguido por volantes, com as quais tava combates.

Dentre estes, o mais intenso foi o travado no dia 25 de junho, na Serra da Macambira,, município de Riacho do Sangue, no qual Lampião, mais um vez, provou a sua invencibilidade. Enfrentando uma força de mais de trezentas praças, sob o comando exclusivo do tenente Manoel Firmo, este sendo auxiliado por nove tenentes – José Bezerra, Ózimo de Alencar, Luiz David, Veríssimo Alves, Antonio Pereira, Germano Sólon, Gomes de Matos, João Costa e Joaquim Moura, Lampião pôs-se em fuga incólume, deixando quatro soldados mortos. Seguram-se combates menores em cacimbas (Icó), Ribeiro, no vale do Bordão de Velho, e Ipueiras os dois últimos no município de Aurora, com o rei do cangaço levando a melhor.

 
Izaias Arruda

No dia 28 de junho, Lampião contorna a serra do Pereiro, passando pelas serras vermelhas, Michaela e Bastiões- o Grupo marchava a pé, por veredas e nunca por estradas – tendo a tropa em seu encalço. É ai que Lampião resolve derivar para o lado do cariri e continuar a retirada em direção ao município de Aurora, onde esperava encontrar refúgio no valha Couto do seu “amigo” Isaias Arruda.

Em seu livro “ lampião no Ceará, narra o major Moisés Leite Figuiredo que, no dia 1º de julho de 1927, Lampião cm seu grupo estacionava no alto da serra de Várzea Grande no lugar olho d’água das éguas, e que ali perto, no lugar Ribeiro, já se encontravam as forças do tenente Agripino Lima, José Guedes e Manoel Arruda – o primeiro, da polícia do rio grande do norte, e os dois últimos, da polícia paraibana -, valendo salientar que tais contingentes totalizavam “ cerca de duzentos homens, bem aparelhados, no dizer do major Moisés...

Continua...

Amarílio Gonçalves Tavares
TEXTO RETIRADO NA INTEGRA DO LIVRO AURORA HISTÓRIA E FOLCLORE, 

AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES P. DE 138 A 146 IOCE, 1993 - CAPÍTULO 15
(Cortesia do Envio: Luiz Domingos de Luna)
FONTE:http://www.icoenoticia.com/2009/05/lampiao-no-municipio-de-aurora.html

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/12/lampiao-no-municipio-de-aurora-parte-1.html

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PRIMEIRO ARMAZÉM DE DELMIRO GOUVEIA EM ÁGUA BRANCA

Hoje, em Água Branca, localizei o primeiro armazém de Delmiro Gouveia, quando recomeçou sua vida empresarial, em Alagoas.


Delmiro Gouveia, quando da sua fuga de Pernambuco para os sertões alagoano, foi na cidade de Água Branca-AL, onde é recebido pela família do Senador Ulisses Luna, e da Baronesa de Água Branca, aqui recomeça sua vida empresarial, comprando couros de todo o sertão e tornando se em poucos anos, novamente um empresário bem sucedido, aqui na terra da Baronesa.


Ele viveu quase seis anos, indo depois morar na Vila da Pedra, onde funda um grande empreendimento industrial,eviria a revolucionar todo o sertão nordestino, com seu espírito empreendedor.

Como localizei o armazém, após procurar a marca de Delmiro Gouveia, em algumas residências, segui fotografando a cidade, quando de repente me deparo com uma casa comercial, com o simbolo da marca registrada de Delmiro Gouveia, 



uma meia lua e uma estrela, Delmiro, marcava em todos seus empeendimentos esta marca, foi uma surpresa positiva esta descoberta, pois imaginava esse armazém já demolido, e o encontro em estado de novo, descaracterizado, mais inteiro e reformado, agora é com as autoridades da cidade e órgãos responsáveis pelo seu tombamento e compra e transformá-lo em um museu, contando a passagem de Delmiro Gouveia na cidade.

OBS - Logo, publicarei um artigo, falando desta marca, com fotos,.Aguardem!

Fonte: facebook

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CANGAÇO XI

Material do acervo do pesquisador do cangaço Antonio Morais

Ultimato ao prefeito.

Em passagem Oiticica, o prisioneiro Azarias Januário deparou-se com o velho conhecido, Pedro José da Silveira, em idêntica situação. Narrou-lhe o apuro em que se encontrava, sem portador para o resgate. Diante do impasse do amigo, Pedro entendeu-se com Virgulino, empenhando a palavra que regressaria com os sete contos de reis estipulados a ambos, caso fosse à cidade. Dessa vez, o bandido aquiesceu, porém mandou-o esperar. Entrou na casa de Miguel Santino. Voltou-se para o coronel Gurgel e indagou-lhe de chofre: 

- Conhece o chefe político de Mossoró, o coronel Rodolfo Fernandes? 

- Sim, conheço. 


Virgulino resolveu, então, negociar a ameaçar. Conversou com Sabino. E insistiu para Gurgel escrever ao coronel Rodolfo Fernandes, cobrando quinhentos contos de reis, para poupar a cidade do saque e incêndio.

 Coronel Rodolfo Fernandes

- Apenas conheço o coronel Rodolfo. É provável que ele não se lembre de mim. Nunca me fica bem escrever-lhe. 

- Venha escrever o que eu disser, retrucou Lampião. 

O cangaceiro Sabino Gomes

Sabino retira do bolso uma folha de papel, com o seu timbre numa página, e na outra com o do capitão Virgulino Ferreira, Lampião.

 Coronel Gurgel

Gurgel esclareceu que a exigência era muito pesada, descabida. 

Lampião reduziu-a para quatrocentos contos. Em nossos dias, a importância equivaleria a dois milhões de reais. Nestes termos o prisioneiro redigiu a carta:

13 de Junho de 1927.

Meu caro Rodolfo Fernandes.

Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aqui aquartelado, bem perto da cidade, manda porém, um acordo para não atacar mediante a soma de quatrocentos contos de reis. Posso adiantar sem receio que o grupo é numeroso, cerca de 150 homens bem equipados e municiados a farta. Creio que seria de bom alvitre você mandar um parlamentar até aqui, que me disse o próprio Lampião, seria bem recebido. Para evitar o pânico e derramamento de sangue, penso que o sacrifício compensa. Tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró. Diga sem falta ao Jaime que os vinte e um contos que pedir ontem para o meu resgate não chegaram até aqui, e se vieram, o portador se desencontrou, assim peço por vida de Yolanda para mandar o cobre por uma pessoa de muita confiança para salvar a vida do pobre velho. Devo adiantar que todo grupo me tem tratado com muita deferência, mas, eu bem avalio o risco que estou correndo. Creia no meu respeito.

Antonio Gurgel do Amaral.

Lampião estranha o apelo e pergunta: 

- Quem é Yolanda? 

- É minha netinha. Tem dois anos. 

A resposta emocionou o facínora. Não a esqueceu. Em seguida, entregou as cartas de Gurgel e Maria José a Pedro, advertindo-o: 

- Vá levar ao prefeito! Volte logo, com a resposta e o dinheiro. Se você não cumprir o trato, acabo com sua família. Toco fogo em tudo, nem galinha deixo na sua fazenda. Emprestou-lhe um cavalo e o despachou.

Raul Fernandes

CONTINUA...

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Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Lampião e Antônio do arroz


Lampião teve um encontro com o senhor "Antônio do arroz", pai do senhor "Chiquinho do arroz", lá da fazenda arroz.

Na ocasião o senhor Antônio do arroz perguntou:


- Lampião, sua questão com Zé Saturnino já está acabada?

Lampião respondeu:

- Ô Antônio do arroz, tú já viu falar que a pessoa morrendo e não fazendo o que quer, vai do inferno pra dentro, três dias de viagem?

Antônio do arroz disse:

- O povo fala isso.

Lampião respondeu:

- Pois se eu morrer e não matar Zé Saturnino vou para o inferno...

Adendo: - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A histórias é muito interessante, mas o nobre pesquisador Virgulino Ferreira DA Silva esqueceu de colocar o Estado, cidade ou sítio que moravam os senhores Antônio e Chiquinho da família "arroz", e o lugar onde isto se passou, pois é muito importante para  nós estudantes do cangaço, sabermos em qual Estado do Nordeste isto aconteceu. Mas mesmo sem esta informação, é muito interessante o que aconteceu com Lampião e Antônio do arroz.

Agora veja como o Antônio do arroz era corajoso. Fazer esta pergunta ao sanguinário Lampião, que geralmente intriga é uma ferida que não se deve descascá-la diante dos ofendidos, imagine sendo esta do jovem guerreiro Lampião. 

Fonte: facebook

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LUIZ GONZAGA E A MÚSICA POTIGUAR: UMA RELAÇÃO ÍNTIMA DE MEIO SÉCULO

Por Sergio Vilar

A relação de Luiz Gonzaga com o Rio Grande do Norte tem fatos que talvez o próprio Gonzaga desconheça. E são marcantes para a história musical potiguar e também do Rei do Baião. Troca de amizades, favores e experiências incalculáveis ao acervo do cancioneiro nacional. Desde a composição Ovo de Codorna, em parceria com o potiguar Severino Ramos, à reascensão de “Seu Lua” ao mercado com a produção de seus discos na década de 1980 pelas mãos do mossoroense Carlos André. Também a relação afetuosa com o músico Paulo Tito. Parcerias de composição também com Janduhy Finizola. Gravação do clássico de Chico Elion, Ranchinho de Páia. E nada menos que a última apresentação pública de Gonzagão, em Natal, meses antes de sua morte.

Gonzaga, padrinho de casamento de Carlos André, em 1963

Estes são apenas alguns dos laços arrochados de Gonzaga com o RN anotados pela pesquisadora Leide Câmara, no livro ‘Luiz Gonzaga e a Música Potiguar’. A obra é o título 36 da coleção Cultura Potiguar, editada pela Secretaria Extraordinária de Cultura do RN e Fundação José Augusto, através da Gráfica Manimbu. Será lançada hoje, na Pinacoteca do Estado (Praça 7 de Setembro, Cidade Alta). A sessão de autógrafos começa às 19 h. São quase 200 páginas de um minucioso levantamento das relações entre Gonzaga e os músicos potiguares, todo ilustrado e com informações de cada uma das canções de potiguares gravadas por Gonzaga, e vice-versa. E essa história começou já na década de 1940, quando o rei do baião não passava de um retirante.

Leide Câmara lembra que Gonzagão gravou a música Queixumes, do potiguar Henrique Brito ainda em 1945. “A música era toda instrumental, feita para o Gonzaga sanfoneiro. Naquela época, a voz nordestina dele ainda era pouco aceita”, conta a pesquisadora. Entre os potiguares que gravaram Gonzaga, Ademilde Fonseca foi a primeira, ainda em 1951. Depois, as Irmãs Ferreira. Depois, o Trio Irakitan e na sequência foram mais de 200 canções do repertório de Luiz Gonzaga gravadas por 54 cantores ou grupos potiguares. Segundo Leide Câmara, quem mais gravou foi João Mossoró. Por outro lado foram 24 canções de autoria de artistas potiguares gravadas por Gonzaga.

Composições potiguares na voz de Gonzagão

O compositor caicoense Severino Ramos foi o principal parceiro musical  potiguar de Luiz Gonzaga. Os dois assinaram nada menos que doze parcerias, entre as quais uma das mais conhecidas músicas do repertório final de Gonzaga: Ovo de Codorna, que enfrentou problemas com a censura durante a ditadura militar, mas foi gravada três vezes (1971, 1978 e 1979) pelo Rei do Baião. As duas primeiras composições, ambas em parceria, foram ainda em 1964: Aquilo Bom e Se Não Fosse Esse Meu Fole.

Leide desconhece quando os dois se conheceram. Nem mesmo a família de Severino soube informar. “A probabilidade é que tenha sido em Campina Grande. Severino Ramos, embora nascido em Caicó, foi registrado como filho de Campina Grande. Lá era o celeiro da música nordestina. E Severino era amigo de Jackson do Pandeiro, que foi padrinho do filho dele. Então havia laços que podem ter levado ao encontro dos dois”, acredita Leide Câmara.

Gonzaga, Jorge Ben e o jornalista Toinho, nos jardins da casa do ex-governador Geraldo Melo – andanças pelo solo potiguar

O outro grande parceiro potiguar de Gonzaga foi o médico Janduhy Finizola. Ele morava em Campina Grande; era fã do rei do baião. Em dia plantão, aparece Gonzaga no hospital para ser atendido. Surgiu daí a amizade recíproca, seguida da parceria em oito músicas. Entre elas, Missa do Vaqueiro, quando ambos foram assistir a missa e Gonzaga sugeriu a Finizola escrever a respeito. No livro de Leide há a foto dos dois nessa ocasião. Outras duas: Cavalo Criolo (1974) e Os Bacamateiros (1981).

Além das 12 músicas com Severino Ramos, das 8 com Janduhy Finizola, e da instrumental de Henrique Brito, Gonzaga gravou outras três canções de potiguares: Meu Padrin (1960), de Frei Marcelino e considerada a primeira música dedicada a Frei Damião; Ranchinho de Páia, de Chico Elion; e Renascença, do poeta potiguar Celso da Silveira em parceria com Onildo Almeida. “Esta foi a única música de Gonzaga gravada em CD. Todas as outras foram lançadas em disco e depois remasterizadas”.

‘Luiz Gonzaga e a Música Potiguar’ documenta ainda as andanças do velho Lua por todo o Rio Grande do Norte, ao longo de várias décadas. O livro registra homenagens fora da música — seminários, publicações em livro e folheto de cordel, eventos oficiais, e uma vasta iconografia que ilustra a presença de Gonzaga na cena artística potiguar, incluindo a primeira biografia escrita sobre Gonzagão, em 1951, por uma potiguar: Zé Praxedes, conhecido como “o poeta vaqueiro” e amigo íntimo do rei do baião.

Última aparição em público, em Natal

O primeiro encontro de Roberto do Acordeon com Luiz Gonzaga se deu na rádio Jornal do Comércio, em 1958. Nos anos de Jovem Guarda, Roberto e Luiz tocaram várias vezes em circos montados em interiores de Pernambuco. Trocavam uma ideia, acenavam um para o outro e mantinham o coleguismo saudável dos sanfoneiros. Somente em 1976, as antigas Casas Régio fizeram contrato com os dois para temporada de quatro shows no Rio Grande do Norte: um em Natal (Praça Gentil Ferreira, no Alecrim), em Mossoró (Festa de Santa Luzia), em Currais Novos e outro em Caicó.

“A época tava boa pra Gonzaga. O jornalista Carlos Imperial inventou de divulgar que um dos ex-Beatles tinha gravado Asa branca. Isso deu uma levantada na carreira dele. E fomos os dois para esses shows”, lembra Roberto. E sentencia: “Verdade é que o forró nunca morreu. E Seu Luiz era perseverante, teimoso. Nunca teve essa de período de baixa, não”. Mas lembra quando, em abril de 1989, a mulher com quem Gonzaga viveu seus últimos anos ligou para o sanfoneiro: “Roberto, é Edelzuíta. Gonzaga pediu para eu ligar pra você. Ele está precisando dos amigos agora. Tem data para ele por aí?”.

Gonzaga e Roberto do Acordeon – década de 1980

Roberto era dono do Forró do Sanfoneiro. O espaço marcou época em Natal, localizado na Roberto Freire, onde hoje funciona o supermercado Favoritos. A inauguração foi em 1985, com presença de Gonzaga. “Liguei convidando. Atendeu o sobrinho, Piloto. Gonzaga tava dormindo. Acordaram e ele atendeu todo animado. Era sempre assim: perguntava como a pessoa estava, se a família tava boa de saúde, sobre a política local. Aí fiz o convite. Ele disse: ‘Vou e faço um acordo bom pra você: eu toco dois dias e você me paga um’. E esse um ainda foi barato”.

Quatro anos depois seria o último show da vida de Luiz Gonzaga, também em Natal. “Edelzuíte me ligou de novo. Nem sabia que ele estava doente. Aceitei logo e pedido e marquei o show na semana seguinte. E ele repetiu a mesma proposta: fez duas apresentações e só cobrou uma”. Desta vez, o empresário hoteleiro Sami Elali soube de sua vinda e cedeu hospedagem. “Fomos ao hotel pegá-lo para o show. Quando chegamos, ele de cadeira de roda. Quem estava lá chorou. Ele dizia que estava tudo bem e que o show seria um dos maiores. E de fato superlotou de novo os dois dias”.

O show foi em maio. Luiz Gonzaga se locomovia em cadeira de rodas decorrente de osteoporose. Morreria três meses depois, em 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. O Forró do Sanfoneiro fecharia um ano depois, quando “o dono do terreno cresceu o olho no lugar”. Ainda saudoso, Roberto se conforma com a frase do amigo Gonzaga: “Ele me dizia: ‘Roberto, se esses forrós fossem bom pra negócio eu tinha uns quatro ou cinco lá no Rio e São Paulo, porque fui eu quem levou o forró pra lá”.

Leide Câmara

A autora é uma das mais importantes pesquisadoras musicais do estado e criadora do Instituto Leide Câmara Acervo da Música Potiguar (AMP). É autora de obras referenciais sobre o tema, como o ‘Dicionário de Música do Rio Grande do Norte’, com cerca de 600 verbetes que cobrem mais de um século de história, e de estudo sobre o pioneirismo bossanovista do compositor macauense Hianto de Almeida.

Mostras na Pinacoteca

O lançamento do livro de Leide Morais é parte de uma ampla programação na Pinacoteca do Estado nesta terça-feira, a partir das 19h. Serão abertas duas mostras de fotografia — Ser-Tão Seridó, de Paula Geórgia Fernandes, e Ecos Híbridos, de Eustáquio Neves, Alexandre Siqueira e Pedro David. As duas ficam abertas até o dia 21 de junho. A programação inclui ainda a exposição Obras-primas da Gravura, com parte do acervo da própria Pinacoteca, e o lançamento do edital do III Salão de Arte Popular Chico Santeiro.

Atualizado em 21 de maio de 2013

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