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sábado, 26 de dezembro de 2015

CANGACEIROS DE FARDA - ALMAS DE LAMA E DE AÇO

Por Raul Meneleu

Na história do cangaço, não necessariamente a que retrata Lampião e seu bando, sentimos que a violência imperava naquela época e o reflexo de tal, não irradiava somente na figura dos foras da lei mas também daqueles que eram pagos pela sociedade para protege-la.

Lemos em livros de diversos autores que os soldados e seus comandantes eram também de uma ferocidade exacerbada e muitas vezes excediam em maltratar principalmente os pobres, que não dispunham de uma justiça cega, pois a que existia via tudo ao seu redor e escolhia proteger os que tinham dinheiro e poder.

Aqui e acolá fatos hediondos nos são trazidos por livros de escritores e um dos que chama atenção para isso, é um capítulo do livro ALMAS DE LAMA E DE AÇO, onde um dos mais importantes membros da Academia Brasileira de Letras, advogado, professor, político, contista, folclorista, museólogo, cronista, ensaísta e romancista; o cearense Gustavo Barroso (1888-1959), que lhe dá o título de CANGACEIROS DE FARDA, e através de sua experiência pessoal, como Secretário de Estado do Interior, no governo (1914-1916) cearense do general Benjamim Barroso (1859-1933), onde relata a violência dos policiais e a falta de preparo de alguns oficiais.

Fazendo uma comparação com os dias de hoje, podemos notar que praticamente alguns policiais continuam a ser violentos além do necessário, em todos Estados do Brasil, assim como era naquela época. Mas voltemos ao livro.

Gustavo Barroso textualmente lá no ano de 1928, quando escreveu esse livro, já dizia que “são tudo, menos polícias... E que eram organizadas por oficiais do Exército, escolhidos pelas conveniências políticas.”

Nos Estados do Nordeste brasileiro flagelados pelo banditismo, os batalhões de polícia eram chamados de Segurança. Polícia era termo considerado pejorativo. Gustavo Barroso nos conta que eles tinham o mesmo número de companhias e de praças que os do Exército, obedeciam aos mesmos regulamentos de serviço, vestiam-se com quase o mesmo uniforme, eram considerados sua reserva e segundo o autor. “tornam-se inúteis ou prejudiciais para a missão que deviam cumprir.”

Esses soldados eram recrutados geralmente entre os piores elementos da sociedade, “dão guarnição na capital, formam em parada, são revistados no dia sete de Setembro pelo governador, usam grandes galas espaventosas, fornecem capangas disfarçados para surrar jornalistas, empastelam tipografias e, na hora do perigo, derretem-se como por encanto. Conheci uma faustosa polícia dessa natureza, a do presidente Nogueira Accioly, que o deixou sozinho no dia em que o povo de Fortaleza se revoltou. Nunca houvera guarda pretoriana mais apavorante, nem comandante mais entusiasmado. Evaporaram-se aos primeiros tiros de duas dúzias de rapazes do comércio e estudantes...

Até hoje não tiveram os Estados nordestinos um homem de governo que os livrasse do ônus financeiro e moral dessas caricaturas de tropa de linha. Esses aparelhos militares policiais custam milhares de contos e são nocivos. De que forças precisa um presidente nordestino?”

Já naquela época, Gustavo Barroso já defendia um polícia inteiramente civil e não militar. Nos convida para reflexão quando diz: 

“Examinemos a questão com inteligência. O policiamento de sua capital deve ser feito pela guarda-civil. Aliás, esta existe em muitas sedes de governo. Uma companhia de estabelecimento, bem disciplinada, constituída de veteranos de boa conduta, é bastante para a guarda dos edifícios públicos, as guardas de honra e outros serviços de guarnição. Um pequeno esquadrão de cavalaria basta às rondas e escoltas. E, em lugar dos tais Batalhões de Segurança, algumas companhias volantes no interior, de infantaria montada, organizadas semelhantemente à guarda rural, tão famosa, do Canadá, e ao regimento sertanejo de S. Paulo. Homens do sertão, escolhidos a dedo, bem pagos, vestidos à maneira do sertão, montados, armados, equipados e exercitados à sertaneja. Eis ai a única tropa capaz de combater e vencer o cangaceiro. Talvez um dia essa ideia medre na cabeça dum dos administradores daquelas terras e, assim, termine a vergonha de haver polícias piores que os bandidos, provocando à revolta almas enérgicas que descambam para o crime. A ação violenta, injusta e brutal da polícia tem de ser sociologicamente computada entre as causas principais do cangaceirismo.”

Daí então Gustavo Barroso nos dá vários exemplos da sanha violenta de membros da polícia, com reportagens de jornais, e indica notícias do jornal O Ceará de 9 de Agosto de 1929:

"Espancado por nove soldados de polícia, enlouqueceu — Granja 7 — Meu marido foi barbaramente espancado por nove soldados de polícia, ficando muito doente. Depois de tamanha atrocidade, permaneceu trinta e seis horas na cadeia. Dois dias após ao espancamento, ficou louco. Chamado o medico, dr. Jacome de Oliveira, este atribuiu a perturbação mental a fortes pancadas vibradas no crânio. Pedi providências ao dr. chefe de polícia, de quem espero ação enérgica. Rosa Pereira de Lima."

Amanhã, os filhos ou parentes dessa vítima matam o responsável direto por esse espancamento, que não foi punido. Persegue-os a justiça. Eles amontam-se e tornam-se bandidos. Quem os gerou? A polícia.

Outra local da mesma folha:

"Verificou-se, sábado último estúpida cena de sangue, que teve por teatro a pitoresca vila de Guaramiranga e da qual foi vítima o trabalhador de nome João Branco da Silva, com 28 anos de idade, casado, empregado no sítio do dr. Hélio Caracas, naquela localidade." "Achava-se João Branco um pouco alcoolizado, em certa bodega do povoado, acompanhado de um colega de trabalho, quando, apeando-se do cavalo em que vinha montado, entrou inopinadamente no estabelecimento o sargento de polícia Tito, conhecido ali por militar desordeiro e de caráter atrabiliário.

João Branco, nesse momento, encontrava-se com o juízo completamente transtornado pelos vapores alcoólicos.

Ao pedido do amigo para que não mais bebesse, puxou violentamente a faca que trazia no cinto e a cravou com força no balcão, vergando-a até quebrá-la em dois pedaços. Nesse ínterim, apareceu o sargento Tito, que brutalmente agarrou a João Branco pelo braço, enquanto, dando-lhe voz de prisão, lhe encostava no ombro direito o revólver e disparava. Atingido pelo projetil, o desditoso operário conseguiu desprender-se das mãos do militar refugiando-se, em seguida, na residência do merceeiro, próxima à bodega.

Raivoso por não ter satisfeito a sede de sangue que caracteriza os assassinos, o miliciano foi à procura da sua vítima, penetrando na residência do merceeiro, a despeito dos rogos deste, que queria evitar qualquer abalo moral à sua mulher, que se achava de resguardo. Surdo aos pedidos, o violento militar arrastou a João Branco de dentro do quarto onde o mesmo estava escondido, trazendo-o, desse modo, para fora. — "Neste momento não obedeço nem mesmo aos meus superiores", foram as palavras do sargento ao ser-lhe pedida pela segunda vez a vida do operário pelo comerciante.

Sabendo, porém, que o trabalhador era empregado do dr. Hélio Caracas, o furibundo militar largou a sua presa, deixando-a retirar-se para a casa dos seus patrões. O ferido foi transportado, domingo, em automóvel, para Baturité, onde lhe foram facultados os primeiros curativos. A bala alojou-se na região torácica, não tendo sido ainda extraída.

João Branco foi recolhido, anteontem, à Santa Casa, para ser procedida esta operação. A polícia não tomou conhecimento do fato."

Outro caso que Gustavo Barroso nos traz a conhecimento deu-se em Guaramiranga que “não é uma localidade perdida no fundo dos sertões; mas a princesa da serra de Baturité, a Petrópolis de Fortaleza, com estrada de ferro próxima e estrada de rodagem, distando da capital mais ou menos cem quilômetros. O fato, eloquentíssimo, não carece comentários. Os resultados dessas violências são outras violências. No futuro, esse truculento inferior poderá ser assassinado por vingança, como há muito pouco tempo foi morto à porta de sua casa, à noite, dentro de Fortaleza, um tenente de polícia costumeiro a mandar espancar-, desfeitear e prender. 

É ainda o referido jornal que, noticiando o passamento do chefe político sertanejo Isaias Arruda, nos dá esta página viva do cangaço no Ceará: "Pesavam-lhe, como ninguém ignora entre nós, terríveis acusações de chefe de cangaço, de protetor de Lampião e seu sócio, de incendiário da ponte do rio Salgado, de vários assassinatos por ele mandados praticar friamente, na sua maior parte, para a ocultação de hediondos delitos.

Isaias morou no Cedro e Aurora em cujas localidades, com os seus irmãos, abriu varias lutas com os destacamentos locais. Ele e os seus eram tidos como valentes e, por isso mesmo, temidos. Há seis anos mudou-se para Missão Velha. Assumindo o governo o desembargador Moreira e precisando desbancar o partido democrata, começou por ali a tarefa, com a deposição, à mão armada, do coronel Manoel Dantas de Araújo, chefe do mesmo partido, empresa essa que foi confiada a Isaias Arruda, pelo então chefe de polícia, dr. José Pires de Carvalho e pelos dois filhos do presidente. Essa combinação se deu, em 1925, na própria vila de Missão Velha quando se inaugurava a estação da estrada de ferro e quando o coronel deposto recebia, com festas, o presidente do Estado e luzida comitiva que então, foi ao Juazeiro e Crato. Dada a deposição, o coronel Dantas tentou reconquistar seu posto e, então, teve com armas nas mãos, para sua defesa, os seus amigos, de Ingazeiras e Aurora, os Paulinos.

Estes, homens valentes, brancos, eram uns quinze, que formavam urna espécie de guarda para a defesa dos seus interesses, naquele pedaço do nosso sertão onde ainda não raiou o sol da justiça e onde sempre imperou o direito cio mais forte.

Isaias, que com eles mantinha relações de amizade, dada aquela atitude ao lado do coronel Dantas, passou a hostiliza-los, contando para isso não só com os seus cangaceiros como, francamente, com a força pública. Invadindo Ingazeiras certa vez à frente de bandidos e soldados, conquistou-a, roubou-lhe as mercadorias de quatro lojas e ateou fogo nas suas casas, naquele povoado. Numa emboscada, posteriormente, dirigida por José Gonçalves, delegado de polícia de Missão Velha, foi assassinado João Paulino, o chefe do bando. Depois seguiram-se os assassinatos de outros Paulinos e de três moradores seus.

Continuando a tremenda perseguição, os Paulinos restantes, com as suas famílias, mudaram-se para a Paraíba, onde, em Princesa, se sentiram garantidos sob a proteção do deputado estadual coronel José Pereira. Dois desses, passado algum tempo, vieram da Paraíba à Fortaleza.

Vieram pedir garantias ao governo para reverem os seus haveres, propriedades e gados em Aurora e Ingazeiras. O governo não lhes prestou a devida atenção, tendo eles ainda sido presos aqui pelo tenente Manoel Gonçalves de Araújo, então inspetor de veículos e cunhado de Isaias.

Não obstante isso, esses dois Paulinos conseguiram ir à sua terra, às escondidas, e lá verificaram que nada mais possuíam. Tudo que lhes pertencia, os gados, móveis, etc., haviam sido roubados!

As casas, os currais, os cercados, haviam sido devorados pelo fogo. Naquelas paragens ninguém há que desconheça estes fatos.

Agora eis que Antonio e Francisco Paulino cortaram a Isaias Arruda, o fim da sua existência."

Gustavo Barroso finaliza esse capítulo dizendo: "Os exemplos mostram que os bandidos sertanejos quase sempre procuram fazer com suas mãos a justiça que lhes negaram magistrados, policias e governos. De mim sei que, na maioria dos casos, prefiro os cangaceiros sem farda aos cangaceiros de farda. Aqueles são muitas vezes almas de aço. Estes raramente não são almas somente de lama."

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O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca

Por Marcílio Lima Falcão

Sinopse - Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Jararaca: Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró historiciza a construção das memórias sobre a santificação do cangaceiro Jararaca, morto na noite de 19 de junho de 1927, no cemitério São Sebastião, em Mossoró, pela força policial que o escoltava para Natal, capital do Rio Grande do Norte. A interpretação é realizada por meio da análise da documentação dos jornais O Mossoroense, O Nordeste e O Correio do Povo, da análise de obras com narrativas a respeito da morte de Jararaca, da importância dos lugares de memória como espaços de conflito e das falas dos devotos que visitavam o túmulo de Jararaca no dia de finados. Procura-se compreender as formas de circulação, apreensão e ressignificação das memórias sobre a santificação de Jararaca.

Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Autor: Marcílio Lima Falcão
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Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Cangaço_Fragmentos

Por Aderbal Nogueira - Aderbalvídeo

Publicado em 25 de mar de 2014
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Fonte: facebook
Página: Aderbal Nogueira
Grupo: Ofício das Espingardas

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ANTIGO ASPECTO DA CASA DE DONA GUILHERMINA RODRIGUES ROSA, MÃE DE DURVAL ROSA E DO COITEIRO PEDRO DE CÂNDIDO.


Esta casa ficava localizada na Fazenda Angico (Poço Redondo/SE) próxima à margem do Rio São Francisco. Na época em que ocorreu a morte de Lampião e parte de seu bando, Durval Rosa morava com a mãe nessa casa. Pedro de Cândido morava na localidade chamada Entremontes que fica localizada na margem alagoana.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
Grupo: O Cangaço

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HÁ EXATOS 21 ANOS, UM CÂNCER DE INTESTINO LEVAVA MAIS UMA IMPORTANTE TESTEMUNHA OCULAR DO CANGAÇO.


Sérgia Ribeiro da Silva, nasceu na cidade de Belém do São Francisco - PE, em 25.04.1915 e faleceu no dia 07.02.1994, no hospital São Rafael em Salvador.

Era por volta de 01:30 h, acabara de acordar de um coma induzido. Olha ao seu redor e pede por favor, a sua acompanhante, uma caixa de maquiagem que está em uma gaveta próxima e começa a se produzir, passa batom, se penteia, se maqueia, insiste que pinte suas unhas, se arruma como se fosse sair... Depois disse que iria numa festa com Jesus e não poderia chegar desarrumada.

Cumprida sua vontade, deixou recados carinhosos para seus netos e avisou que o Alcides estava ali, ao do seu lado e que sua hora tinha chegado... Sorriu para a amiga e faleceu. O relógio girava em torno das 02:20 h da madrugada.... E assim descansou Dadá, ficando gravado para sempre seu nome na História.

Obs: Este testemunho foi narrado para a família, por meio da senhora Fátima, uma psicóloga amiga, que substituía uma neta naquela noite de sua partida !

Fonte:
Sílvio Bulhões (filho);
Indaiá Santos (neta);
Volta seca (pesquisador);
Carlos Emydio (pesquisador).

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DEZ ANOS SEM VINGT-UN - 20 DE DEZEMBRO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Na próxima segunda-feira, 21 de dezembro de 2015, completa dez anos do falecimento do professor Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Mas apesar de todos esses anos, sua presença continua viva na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de sua convivência. Eu fui um desses privilegiados. Por cinco anos fiz parte do seu círculo de amizade e me tornei seu discípulo. Eu, que vim de outra cidade, passei a amar essa terra por ele denominada de “pais de Mossoró”, e a divulgar a sua história e a saga do seu povo. 



Em 25 de setembro de 1920, num dia de sábado, nascia em Mossoró, num velho casarão da Rua 30 de Setembro, Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, sendo filho do patriarca Jerônimo Rosado e dona Isaura Rosado Maia. Era o vigésimo primeiro filho de uma família numerosa e numerada, como ele mesmo gostava de dizer, já que seu nome vem exatamente da seqüência à ordem numérica francesa dos nomes que Jerônimo Rosado dava aos filhos.
               
Teve uma infância normal, de brincadeiras telúricas, embora dando a impressão de ser um pouco contemplativo. Desde cedo se dedicou aos empreendimentos intelectuais, preferindo acompanhar a atividade do irmão mais velho, Tércio, filho do primeiro matrimônio do seu pai, que era um homem culto, poeta, amante dos livros e pioneiro do cooperativismo no Estado. E foi ainda na juventude que começou a cultivar o gosto pelos livros e pela pesquisa histórica. Na adolescência atuou como bibliotecário no Colégio Santa Luzia. E esse gosto pelos livros o acompanharia durante toda a sua vida.
               
Em 1940 parte para Lavras/MG para estudar agronomia. Lá chegando, o seu envolvimento com os livros, as letras e a pesquisa tornaram-se mais intensa. Nesse mesmo ano, com apenas 20 anos, publicou o seu primeiro livro, que recebeu o título de “Mossoró”. Concluindo o curso em novembro de 1944, voltou para Mossoró para desenvolver atividades junto à empresa familiar que atuava na área de exploração de gesso e paralelamente começou a desenvolver um trabalho no campo cultural, que culminou com a criação da Coleção Mossoroense.
               
Apesar de pertencer à tradicional família de políticos que comanda Mossoró por gerações, preferiu enveredar mesmo pelo caminho da cultura. Na verdade, chegou mesmo a disputar dois cargos eletivos. A primeira vez candidatou-se a Prefeito de Mossoró, perdendo por uma margem de 0,4% em 1968. Em 1972 elegeu-se vereador com a maior votação proporcional da história de Mossoró, até aquela data. Mas foi mesmo na área cultural que se destacou, tornando-se ícone da cultura local. Em 1940, com apenas 20 anos, publicou o seu primeiro livro, que recebeu o título de “Mossoró”. A esse, seguiram mais de duzentos, que foram da antropologia ao estudo das secas.
               
Como convocado de guerra em 1945, sofreu uma punição por transgressão disciplinar, ficando detido na cadeia da Companhia Escola de Engenharia de Ouro Fino/MG, por 15 dias. O motivo da pena foi ter fugido para encontra-se com sua namorada, América Fernandes Rosado, que seria sua companheira por toda a vida. Segundo um depoimento do próprio Vingt-un, ao terminar a carreira militar, o seu comportamento foi considerado insuficiente.
               
Vingt-un esteve sempre presente em várias frentes de atividade cultural, tanto no município como no Estado. Foi professor fundador de três faculdades e idealizador da URRN, hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Foi fundador e duas vezes diretor da ESAM, hoje Universidade Federal Rural do Semi-Árido e professor Honoris Causa da UERN. Integrou o Conselho Estadual de Cultura, foi membro de quatro Academias em dois Estados da Federação, tendo sido criador e ex-presidente de duas delas, a Academia Norte-rio-grandense de Ciências e a Academia Cearense de Farmácia.
               
Jerônimo Vingt-un Rosado morreu no dia 21 de dezembro de 2005, aos 85 anos de idade. Morreu não; encantou-se. Continua vivo na memória do povo da terra que tanto amou, ao ponto de idealizar nela um país, o País de Mossoró. Nesta sua Pasárgada, ele era amigo do rei, mas era amigo também de qualquer homem do povo. Fez-se General da Cultura e nessa área abraçou várias causas, venceu várias batalhas: a batalha da cultura, a batalha da água, a batalha do petróleo e tantas outras batalhas que estão documentadas na sua grande obra. É nessa obra que deixou como legado que Vingt-un vive, pois esse é o segredo da imortalidade: ressurgir sempre que um livro seu é aberto, que uma frase sua é repetida e que um gesto seu é lembrado. Lembrando Celso Carvalho, “é triste passar pela vida como a sombra pela estrada. Quando passa é percebida... passou não resta mais nada”. Por isso Vingt-un fez-se luz. E assim criou o País de Mossoró. 

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:

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SERÁ MESMO, FILHA DE BENJAMIN ABRAÃO?


F O T O I N É D I T A...!

FILHA de BENJAMIN ABRAÃO no sertão do Estado de Sergipe.
Segundo um pesquisador, essa menina da foto abaixo, seria filha de Abraão... Observem que no verso da FOTO, há a assinatura do mesmo, data, e o Estado. 


Confrontando essa assinatura dele, com outras, me induz a acreditar, que a mesma é verdadeira. 
Não posso dizer o mesmo, quanto à "IDENTIDADE DA MENINA", pois, não disponho de elementos suficientes para comprovar essa afirmação, mas, o pesquisador que me fez a cortesia da foto, afirma, QUE SIM. 
Como sabemos, ABRAÃO (o homem que filmou Lampião e seu bando) era mulherengo. 
Compete aos estudiosos do tema chegarem a uma conclusão.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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TERRA DA BOA ESPERANÇA

Por Rangel Alves da Costa*

O sertão é, verdadeiramente, a terra da boa esperança. Por cima de sua terra, seja rachada de sol ou jogada semente, sempre há uma promessa de dias melhores. Dentro de seus quadrantes, seja debaixo do sol ou da lua imensa, sempre haverá um compromisso com a grandeza da vida. Na humildade uma riqueza sem fim, no jeito simples de ser a verdade humana mais pujante.

Natureza e homem vivem um só destino, um mesmo desafio e uma mesma promessa. O homem serve ao meio e dele tira todo o seu sustento, daí que o sertanejo cheira a terra, tem a fragilidade do velame e a força do mandacaru. O bicho é amigo do homem e por este é preservado com todos os meios e sacrifícios. Sofre a dor do animal padecente, chora a tristeza da pele ossuda, tudo faz para que não falte palma, capim, um pouco de água.

Pelo trabalho incansável, o sertanejo é um povo destinado à vitória, ao crescimento, à conquista. Contudo, a conquista maior está na sobrevivência, na sombra entre quatro paredes, no pote molhado, na moringa à janela, no fogão fumaçando o cheiro bom de qualquer comida. E quando tudo falta, quando não há nem água nem pão, quando da porta adiante está tudo cinzento e da porta pra dentro tudo é desvalia, então ele se renova na esperança. Aprendeu que o tempo castiga mas não lhe retira o encorajamento e a luta.

Não há nenhum povo que seja mais esperançoso, mais confiante, que o sertanejo. Não há tempo ruim que lhe tire a fé que logo, amanhã ou mais adiante, tudo será resolvido. Não há seca, sofrimento, padecimento ou dor parecida, que faça o sertanejo desacreditar que logo a ajuda divina chegará e uma chuvarada boa acabará com a aflição. Cada lar é um pequeno templo, cada casebre uma moradia de santos e anjos, cada oratório um céu encantado e com um Deus maravilhoso que sempre ouve a voz do necessitado.

Tanta esperança é fruto da profunda religiosidade do povo sertanejo. Para muita gente – talvez ainda a maioria das pessoas -, tudo é questão de destino, de desejo divino. Nada acontece sem que seja com a permissão de Deus. Daí que a seca é um castigo que precisa ser suportado para aumentar a fé, o respeito, fugir dos pecados. O sofrimento tem de suportado porque assim o divino quis. Nada, absolutamente nada, deixa de ter uma explicação divina. Daí ser o homem apenas um instrumento de sua vontade.


Suporta o sofrimento como destino do qual não se pode fugir, porém vive apegado na certeza que Deus não quer o sofrimento de ninguém. Por ser um Deus de bondade, então jamais descuidará dos filhos que tanto padecem e que tanto sofrimento têm de suportar com a falta de água, de comida, de terra molhada e planta no chão. Então a esperança nasce daí, dessa profunda certeza que mesmo abandonados pelos homens não estão desamparados pelas forças do céu.

É a fé, pois, que alimenta a esperança, e esta acaba preservando aquela. Ninguém desiste da sorte porque a crença na mudança não permite. Ninguém se entrega ajoelhado ao desalento porque confiante demais na força da prece, da oração. Ninguém dá nada por perdido ou desiste de lutar porque já entregou seu destino ao querer divino. E a força maior não permitirá que o sofrimento se demore onde o contentamento é tão esperado. Assim a fé do sertanejo, também a sua esperança.

E tantas outras coisas servem para comprovar esse dom de perseverança, de autoestima e positividade mesmo diante das agruras do dia a dia. Que alguém bata na porta de uma casinhola matuta e observe bem como será recebido. Mesmo que a casa esteja com o barro da parede desabando, mesmo que dentro não tenha sequer um banco pra sentar, mesmo que todo o contexto seja de absoluta pobreza, ainda assim encontrará o sorriso largo. Que não seja na expressão sorridente ao desconhecido, mas o coração festivo e demasiadamente acolhedor.

Assim, não se pode negar que há no sertão e no sertanejo os elementos essenciais para que sempre se reconheça uma terra da boa esperança. Toda aquela vida se assemelha ao dia após o pingo d’água cair. Durante muito tempo suportando as agruras da sequidão, o sofrimento da falta de tudo e as dores do abandono, de repente a porta se abre para os sinais do renascimento. Basta pouca chuva e tudo já começa a verdejar, a dar uma nova feição às paisagens. Basta avistar a mudança na terra e o homem já se esquece da sede de ontem.

Quando sobe aquele bafo quente, molhado, tipicamente sertanejo, é como se sentisse o cheiro de pão, de cuscuz no fogo, de café torrado. Dali da terra, através do plantio ou do trabalho, todo o alimento da casa e toda a vida da família. E depois da chuva a certeza que Deus ouviu suas preces e que um tempo novo chama à luta. Então limpa os ossos da seca, prepara a terra, lança a semente e olha para os céus. Ainda não será preciso rogar a Deus, apenas ter esperança.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

25 DE DEZEMBRO DE 1933 JOSÉ DE MATOS ENTRA NO CANGAÇO

Por Aderbal Nogueira
Manoel Dantas Loyola o cangaceiro Candeeiro, cineasta Aderbal Nogueira e José Alves de Matos o cangaceiro Vinte e Cinco.

25 de dezembro de 1933 José Alves entra no cangaço. Durante uma caminhada em direção a casa de um coiteiro, ele, Dadá e Corisco são surpreendidos por tiros e o inferno começa. Durante o tiroteio o comandante da volante xinga e se identifica e logo pergunta de quem é o bando, Corisco diz "você briga com Corisco, Dadá, mais 25". 

Em instantes os tiros vão rareando e a volante desaparece. À noite, no coito, Corisco lembra o fato e eles se dão conta que a volante, que devia ser pequena, entendeu que era Corisco, Dadá e 25 cangaceiros no bando... caíram na risada. Qualquer hora vou postar esse depoimento.

Fonte: facebook
Página: Aderbal Nogueira

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ILHA DE FERNANDO DE NORONHA


A linda e paradisíaca Ilha de Fernando de Noronha já foi um presídio de segurança máxima. A cadeia funcionou por mais de 200 anos. Sendo extinta em 1942. Alguns cangaceiros sentenciados cumpriram pena na Ilha como por Ex. Zabelê e Beija Flor.

Fonte: facebook
Página: Francimary Oliveira

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VAQUEIROS E CURRAIS

Por Rangel Alves da Costa*

No Nordeste brasileiro, pode-se afirmar que os currais antecederam aos vaqueiros. Quer dizer, antes mesmo que se falasse em sertanejo montando em cavalo guiando boi e boiada pelas estradas empoeiradas, os currais já estavam instalados nas beiradas dos rios, principalmente o Velho Chico. E assim por que o desbravamento e povoação da região nordestina até então inóspita, se deu através do caminho das águas, pelos leitos dos rios que levaram o litorâneo às margens e depois às entranhas da mata.

O litorâneo trazia consigo toda uma vida juntada e então ameaçada pelas rebeliões e incertezas coloniais. E nessa junção de vida, os sonhos de se estabelecer noutras paragens e de nas novas terras espalhar seus rebanhos, ainda que pequenos. Por isso que embarcavam com seus criatórios e iam remansando nas águas em busca das margens mais propícias ao desembarque. Como as ribeiras geralmente eram ladeadas por serras, enchiam-se de contentamento ao avistar paisagens mais planas e que servissem para levantar currais e alimentar os animais pelos arredores.

Ao adentrar na mata em busca de terras para fixar moradia, o colonizador sertanejo abandonou seus antigos currais e deixou para trás as pedras fundamentais das povoações que foram surgindo nas beiradas dos rios. Depois de vencer a mata e suas hostilidades naturais e de se estabelecer em descampados ou em regiões mais altas, novos currais foram construídos e espalhados por toda a vastidão sertaneja. Nas proximidades ou ao lado das rústicas moradias, erguidos como simples cercados de proteção, abrigavam alguns cavalos e bois após a chiqueiragem do entardecer. Em meio a cantos dolentes de aboiador, os bichos iam sendo reunidos e levados à porteira. E depois os berros e mugidos até a descida da lua grande.

Na nova paisagem, com os animais criados soltos e se espalhando pelas distâncias, a sua vigilância e recolhimento só eram possíveis com o dono montado no lombo de cavalo. Cavalos brabos ou já amansados pelo arreio e chicote, venciam os espinhos e as traições da mataria no encalço da novilha mais desgarrada. Então aqueles senhores, tantas vezes protegidos por gibão, perneira e chapéu de couro, apertavam os estribos no alazão e se lançavam afoitos no rastro das crias apartadas do rebanho. Retornavam lanhados de pontas de pau, mas sempre tendo adiante o bicho mais arredio.


Assim que os sertões foram sendo cada vez mais povoados e as fazendas de gado se espalhando pelas suas distâncias, os proprietários dos grandes rebanhos foram buscar na experiência do homem da terra o cuidado exigido por suas crias. Então aqueles sertanejos de curral com poucas reses ou de pedaço de chão de pouco cultivo, passaram a exercer os ofícios da vaqueirama, do cuidando com a gadama alheia, do alimentar o bicho com palma e capim, de tirar leite, de fazer apartação, de manter a boiada sem perigo e correr atrás daquele bicho mais afoito que se embrenhava pelas matas.

Mas vaqueiros de afazeres diferenciados segundo o patrão, a fazenda e o rebanho. Vaqueiros de moradia fixa na fazenda do grande criador, ali residente com a família e tomando conta de tudo ao redor, desde o bicho à cerca de tronco ou arame farpado. Eram verdadeiros administradores das propriedades, cuidando não só dos rebanhos como das pastagens e dos serviços e melhorias. Confiados pelos patrões, destes recebiam permissões para de tudo cuidar como se fosse seu. Daí o progresso de tantas propriedades, do crescimento saudável dos rebanhos, da terra frutificando a cada passo.

Outros vaqueiros trabalhavam por empreitada, por serviço a ser realizado, mas também de forma assalariada, sem moradia nos arredores do curral. Aqueles transportavam boiadas, levavam rebanhos de canto a outro, faziam o recolhimento do gado solto nos latifúndios, corriam pelas caatingas e matarias em busca de bicho brabo. Geralmente não trabalhava sozinho, mas em dupla ou mesmo em grupo, dependendo do tamanho dos rebanhos e das brabezas dos animais. Já estes, de comparecimento diário, possuíam como ofício a apartação do gado, a chiqueiragem até o curral, o ordenhamento das vacas leiteiras, a vacinação do gado, além da esticagem até as lonjuras quando alguma rês não aparecia na contagem.

Pelos sertões se acostumou dizer que vaqueiro bom logo se reconhece pela cara lanhada ou pelo corpo marcado da luta. Com efeito, em muitas ocasiões, geralmente nas famosas pega-de-bois, o vaqueiro retorna trazendo não só o boi valente e arredio como o rosto marcado pelos espinhos, galhagens e cipós traiçoeiros. Mesmo que esteja todo paramentado ao subir no cavalo, com seu inseparável gibão, perneira, guarda-peito, chapéu de couro e roló, o vaqueiro nunca consegue vencer as armadilhas pontiagudas das caatingas.

Segundo a indumentária usada, também a diferença do vaqueiro do mato daquele de moradia na propriedade. Mas nos dois a intencionalidade maior de levar a rês ao curral. Neste, com aquele cheiro típico de estrume e com o som do berro e do chocalho, o destino de retorno da vida vaqueira. Uma vida tanto perigosa como não devidamente reconhecida. Mas foi através destes homens encourados que os sertões seguiram como boiada na estrada. E na voz o aboio dolente: “Boi na lua se escondeu, mas São Jorge no cavalo com o bicho logo desceu. Ê gado ê, ô...”.

Poeta e cronista
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MEUS MAIORES AMIGOS QUE TIVE NA MINHA VIDA!

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Hoje, Natal (24-12-2015), amanheci com uma saudade grande dos dois maiores amigos que tive na vida:


 Dr. Vingt-Un Rosado e o poeta Barros Pinho. Parte das minhas preces de hoje são para os dois.

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O RAPOSA DAS CAATINGAS É SUCESSO NACIONAL E AGORA FOI LANÇADA A 3ª EDIÇÃO


Se você ainda não comprou este fantástico trabalho do escritor José Bezerra Lima Irmão, só restam poucos livros. Então procura adquiri-lo o quanto antes, pois os colecionadores poderão comprar os poucos que restam. Seja mais um conhecedor das histórias sobre cangaço, para ter firmeza em determinadas reuniões quando o assunto é "cangaço". 

São 736 páginas.
29 centímetros de tamanho. 
19,5 de largura. 
4 centímetros de altura.
Foram 11 anos de pesquisas feitas pelo autor 

É o maior livro escrito até hoje sobre "Cangaço". Fala desde a juventude  e namoro dos pais de Lampião. Quem comprou, sabe muito bem a razão do "Sucesso a nível nacional do Raposa das Caatingas". 

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

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ESCRITOR SABINO BASSETTI PÕE NA PRAÇA O SEU MAIS NOVO TRABALHO SOBRE CANGAÇO - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o  mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti com o título "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

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