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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

LENHA NA FOGUEIRA! ADEMAR OU BENJAMIM?

Por: Renato Casimiro
Severo me pediu uma opinião sobre o excelente Depoimento de Nirez, com respeito à participação de Ademar Bezerra Albuquerque na realização do filme com Lampião. A rigor, não ouvi ali nada do que não seja o restabelecimento da verdade. Nirez tem a seu favor um zelo muito grande por tudo que lhe cerca, seja na fotografia, na música e em todas as suas manifestações de grande memorialista.

Não há dúvida que o seu depoimento procura esclarecer a verdade sobre aquilo que, historicamente, se aceitou como sendo uma ação de Benjamim Abrahão.

É perfeitamente factível que as atenções de Ademar Bezerra Albuquerque para não perder a oportunidade de realizar o trabalho, através de Benjamim, sejam verdadeiras e incontestáveis. E nisto o Nirez juntou detalhes fornecidos pelo Chico Albuquerque com grande propriedade para firmar a veracidade das afirmativas.

Procurando imagens do Juazeiro antigo, não encontrei em muitos anos uma só que pudesse ser referida ao “fotógrafo” Benjamim. E olhe que ele tinha tudo para fazê-lo, pois no período em que foi secretário do Pe. Cícero, Juazeiro se viu descoberto por uma quantidade enorme de visitantes ilustrados e o dia-a-dia da casa do padre era muito favorável a isto.
Ademar Bezerra Albuquerque 
Pescada em Fortaleza Nobre

Efetivamente, este período de Juazeiro e do Pe. Cícero (época em que Benjamim servia à casa do padre) é muito rico em imagens fotográficas e filmes. A propósito destes filmes, reproduzo o texto que apresentei em nosso então jornal eletrônico Juazeiro on line, na sua edição de 18.01.2009, numa coluna denominada Juazeiro, por aí, que ainda pode ser encontrado disponível em 
http://www.juaonline.info/.

FILMOGRAFIA(I)...

Numa consulta à Cinemateca Brasileira (Secretaria do Audiovisual/Minc), São Paulo, localizei dados sobre os filmes realizados pelo sr. Lauro Reis Vidal, durante sua visita a Juazeiro, em 1925. Foram três películas: um filme original, de 1925, e dois outros montados nos anos 1939 e 1955.

FILMOGRAFIA(II)...

O JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO

(Infelizmente, a Cinemateca Brasileira não possui este filme), é um documentário inscrito na categoria de curta-metragem/silencioso/não-ficção. O material original foi em 35mm, BP, 16q. Produção de 1925, em Fortaleza, onde foi lançado em 08.12.1925, no Cine Moderno. A produtora foi a Aba Film, de Adhemar Albuquerque, que fez a direção. Sinopses: "Surpreendente filme natural apresentando magníficos aspectos da região do Cariri em que se vêem: Joazeiro, Crato, Barbalha e outros lugares, assim como Missão Velha, Lavras, Quixadá, Ingazeiras, Fortaleza, etc.

Impressionante vista do grande açude do Cedro". (Jornal do Comércio, 28.11.1926). "Trata-se de uma bela reportagem cinematográfica do Cariri, zona em que o padre Cícero exerce a sua infatigável atividade e o seu grande prestígio. O Joazeiro, a cidade do padre Cícero, é apresentada em seus diversos aspectos, mostrando o seu progresso, o seu povo, enfim tudo o que ali existe de importante. Além do Joazeiro, o público aprecia outros bonitos pontos do sertão cearense, destacando-se o Crato, Barbalha, Missão Velha e o colossal açude do Cedro, obra grandiosa da engenharia brasileira. De Fortaleza há algumas, como sejam o porto, o passeio Público e o Parque da Liberdade. 

Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. É um filme digno de ser apreciado. Não fatiga o espectador. Ao contrário, torna-se atraente pela variedade de cenas, que desenrola. Além disto satisfaz uma curiosidade: mostra o maior domador de homens dos sertões, o padre Cícero Romão Baptista, que se apresenta em diferentes cenas, entre o povo que o aclama, em sua residência trabalhando, abençoando afilhados e romeiros, discursando, enfim de diversas maneiras é ele visto na tela". 
(Jornal do Comércio, 02.12.1926)

FILMOGRAFIA(III)...

O JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO, o segundo documentário, foi realizado em 1939, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir de um material original anterior, em 35mm, BP, com duração de 8min, 220m, 24q. A produção foi de Lauro Reis Vidal, no Rio de Janeiro.

FILMOGRAFIA(IV)...

PADRE CÍCERO, O PATRIARCA DO JUAZEIRO, o terceiro documentário, foi realizado em 1955, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir do material original em 35mm, BP, com duração de 11min, 300m, 24q. A produtora foi a Filmes Artísticos Nacionais, do Rio de Janeiro, e a co-produção foi de Lauro Reis Vidal, tendo como direção Alexandre Wulfes. Por exigência da época, o documentário passou pela censura em 19.01.1955, com o certificado 31942, válido até 19 de janeiro de 1960.

FILMOGRAFIA(V)...

Comentários: Observe que fotos de Lampião são referidas em período anterior à sua visita a Juazeiro, em 1926. Algumas das cenas destes documentários podem ser vistas em outras produções recentes, tanto para cinema como para TV. Na ilustração da coluna de hoje, o arquivo do Juaonline apresenta algumas delas, em fotos que foram obtidas por Raymundo Gomes de Figueiredo (anos 50), a partir de fotogramas destas películas. Especialmente sobre esta primeira película, encontro um registro cartorial firmado pelo Pe. Cícero nos seguintes termos:
1931, 13 de Novembro
-  DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA, AO SR. LAURO DOS REIS VIDAL, PARA EXIBIÇÃO DO FILME" JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "ÍNTEGRA: 
" Amigo e Sr. Laudo Reis Vidal. Saudações. Consoante os seus desejos, pela presente, dou a V.S. a exclusividade absoluta para exibição e representação cinematográfica em "qualquer parte do país e fora dele" de filme que diz respeito a aspectos deste município ou fora dele, nos quais figure a minha pessoa. Assim autorizado poderá V.S. fazer a exibição de qualquer película authentica que tenha obtido, ou que possa obter, conforme melhormente consulte as suas conveniencias e as aspirações gerais do povo, a exemplo da que já é de sua propriedade. 
Joazeiro, 13, de outubro de 1931.  
Ass. Padre Cícero Romão Baptista. (Lo. B-l, N° de Ordem 10, p. 18)
No dia seguinte, o Pe. Cícero faz constar no mesmo livro do primeiro tabelionato uma outra comunicação, reafirmando a concessão do dia anterior e ampliando suas prerrogativas:
1931, 14 de Novembro
DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA AO SR. LAURO REIS VIDAL, PARA IXIBIÇÃO DO FILME "JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "Integra:
"Amigo e Sr. Lauro Reis Vidal. Local. Reportando-me a minha carta passada onde lhe concedo a exclusividade de minha exibição cinematográfica ficando V.S. com plena autorização por ser o único habilitado a propagar o município de Joazeiro e minha pessoa, através da mesma exclusividade, em todos os tempos, como proprietário do filme "Joazeiro, do Padre Cícero e Aspectos do Ceará" ou outro qualquer filme que possa obter; sirvo-me da presente para juntar as fotografias e documentos que solicitou, em relação separada e por mim assignada, como elementos precisos para a via de propaganda acima citada. Encerrando, cumpre-me, de já, agradecer a sua manifesta boa vontade para comigo, os meus amigos e as coisas do Joazeiro. 
Saudações. 
Joazeiro, 14 de novembro de 1931. 
Ass. Padre Cícero Romão Baptista.( Lo.B-l, N° de Ordem 12, p. 19/20).
O ano de 1925 foi pródigo para filmagens em Juazeiro. Conhecemos a película realizada em 11 de janeiro, quando da inauguração da estátua ao Pe. Cícero, na Praça Alm. Alexandrino de Alencar; conhecemos a película realizada em setembro, quando da visita da comitiva do presidente Moreira da Rocha; conhecemos a que foi realizada por Ademar Albuquerque/Reis Vidal; mas não conhecemos uma que teria sido realizada por iniciativa do então deputado estadual Godofredo de Castro, neste mesmo ano.

É muito mais provável que Ademar esteja como realizador em todas estas películas e este relacionamento teria servido para oferecer um treinamento mínimo para o que viria anos depois com o filme de Lampião, pois é neste ponto que o testemunho de Chico Albuquerque a Nirez é importante.

Não tenho dúvida em aceitar que Ademar e Benjamim tornaram-se parceiros, sendo este cliente daquele e a quem poderia realizar pelo motivo apresentado por Chico Albuquerque e Nirez, o da confiança de alguém que não o punha, e a seu grupo, em apuros com a repressão policial.

Embora tenha feito isto, publicamente, em depoimento durante uma edição do Cine Ceará, anos atrás, aproveito a oportunidade para relatar brevemente o que me foi ensejado conhecer desta atividade cinematográfica de Benjamim. No início dos anos 80, eu e Daniel Walker adquirimos uma coleção de fotografias antigas de Juazeiro e alguns pequenos pedaços destas películas que o seu proprietário, Raymundo Gomes de Figueiredo, cidadão juazeirense, mantinha como acervo e no qual se incluíam livros e jornais, e a que deu o nome de Arquivo Benjamim Abraão.
 Benjamim

Quando adquirimos e isto foi divulgado pelo Diário do Nordeste, o fato foi relevado como se tivéssemos adquirido o Arquivo “de” Benjamim Abraão. A família de Benjamim, através de seu filho, então residente em Niteroi e comerciante no Rio de Janeiro, Atalah Abraão, instruído por Eusélio Oliveira, resolveu mover uma ação contra nós dois e a levou adiante nas instâncias de Juazeiro do Norte e Fortaleza. Vencemos nas duas e o material nos foi devolvido, anos depois.

Mais adiante, numa conversa com o ex-senador da república, José Reginaldo Duarte, cuja família criou nos arredores de Juazeiro, o filho de Benjamim, o sr. Atalah, nos chamou para uma conversa onde algumas coisas foram faladas a respeito da frustração que aquele ato determinou para nós e para a família, sobretudo porque ficou demonstrado que nós não havíamos comprado nenhum roubo, portanto, não éramos receptadores de um acervo, até então procurado.

O sr. Reginaldo Duarte nos lembrou, inclusive, que por vários anos, encontrando-se diversos rolos de filmes pertencentes a Benjamim (não se sabe se apenas outros que não o relativo a Lampião) num canto da casa, na localidade de Brejo Seco, proximidades do atual Aeroporto Regional do Cariri, guardados em latas...

...a garotada do sítio tomava aqueles rolos e os queimavam durante as festas juninas. Certamente que por conta do material cinematográfico de então, sua queima se assemelhava a uma chuva de prata, coisa que fazia a garotada delirar.

Este é o fim trágico, pelo qual, inclusive tivemos que pagar duramente por uma suspeita descabida, a partir da ignorância e má vontade do então, meu amigo, Eusélio Oliveira, que não se permitiu aceitar o convite para conhecer de perto o que tínhamos comprado. A grande indagação que ficou, como moral da história foi mais uma grande dúvida sobre o que teria feito ou não Benjamim Abraão, como fotógrafo e cinegrafista, aluno de Ademar.

Em tudo o que mencionei antes e do que ouvi, destaco: Sem querer por fogo na fornalha e já pondo, enfatizo o que registra a ficha da Cinemateca, mencionada: Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. Não é interessante que haja estas fotografias tomadas em data(s) anterior(es) a 1926. Observar que no filme com Lampião, Benjamim aparece usando um bornal com a inscrição Aba Film. Nunca houve omissão de que a produtora foi a Aba Film, de Adhemar Bezerra Albuquerque, que (também) deve ter feito a direção, à distância. Por isto, o depoimento de Nirez corrobora com as indicações anteriores de que ele era, efetivamente, produtor, diretor e fotógrafo destas películas em torno de 1925.

Entre 1925 e 1936, quando filma Lampião, certamente Benjamim já teria apreendido objetivas e eficientes lições para manejar a máquina. Em mais de 10 anos de relação profissional com Ademar, Benjamim só teria feito isto? A resposta se foi, desgraçadamente, no fogo ingênuo das crianças, em noitadas de São João, nos arredores de Juazeiro do Norte.

Renato Casimiro

Pescado no açude do Coroné Severo: Cariri Cangaço

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Ademar%20Albuquerque

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OS TIROS QUE MATARAM LAMPIÃO.


Por Antônio Amaury Corrêa de Araújo.
https://www.youtube.com/watch?v=2jlBtZPd5FI&t=88s&fbclid=IwAR1pQaA76df9IYJIVT3rKfBpJtB1EB4ojgBRhFsS4JYjIglugbPFx5tREeE

Tendo em vista a recente polêmica apresentada pelo escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo em torno da autoria e dos tiros sofridos por Lampião em Angico no dia 28 de julho de 1938, achei por bem apresentar a versão do não menos conhecido escritor e pesquisador do cangaço, Antônio Amaury Corrêa de Araújo, atualmente o pesquisador/escritor de maior longevidade ainda e considerado por muitos como uma das maiores autoridades sobre o tema cangaço.

Assistam, analisem e tirem suas próprias conclusões.

Em breve espero trazer depoimentos de outros confrades pesquisadores/escritores.

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?multi_permalinks=1163201693843945&notif_id=1542664340795420&notif_t=feedback_reaction_generic

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O TRAUMÁTICO EXÍLIO DA FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA



Há exatos 129 anos atrás, um golpe de estado liderado por setores do exército apoiados por uma camada da elite insatisfeita com o Império, derrubou a Monarquia no Brasil e Proclamou a República. Naquela época, o Império já havia degradado quase toda a sua sustentação política, mesmo assim, a aprovação do imperador ainda era grande por parte da população.

O imperador estava em Petrópolis quando soube dos acontecimentos daquele 15 de novembro de 1889 e foi levado ao Rio de Janeiro. O desejo de Dom Pedro II era permanecer no Brasil, mas acabou sendo banido com toda a família real. Além do banimento, o governo republicano confiscou e leiloou muitos dos bens da família imperial. Em 1890, treze leilões de bens da Casa Imperial foram realizados.

No dia 7 de dezembro, o navio que os levou para o exílio chegou em Lisboa, porém a chegada da família imperial coincidiu com as cerimônias de ascensão do rei D. Carlos I, e logo o governo português informou Pedro que a presença de um soberano deposto não era bem vinda na capital naquele momento. Humilhados pela recepção, o imperador e a imperatriz foram para a cidade do Porto enquanto que Isabel e seus filhos partiram para a Espanha.

A MORTE DA IMPERATRIZ E DO IMPERADOR

No dia 24 de dezembro de 1889, véspera de Natal, a imperatriz e o imperador receberam a notícia oficial informando que estavam proibidos de retornar ao Brasil. A "notícia aniquilou a vontade de viver de D. Teresa Cristina". Pedro escreveu em seu diário no dia 28 de dezembro: "Ouvindo a Imperatriz queixar-se fui ver o que é. Está com frio e dor nas costas; mas não tem febre". A respiração de Teresa Cristina ficou cada vez mais pesada enquanto o dia passava. Após uma falha no seu sistema respiratório que a levou a uma parada cardiorrespiratória, a imperatriz veio a falecer às 14h daquele mesmo dia.

Em seu leito de morte, ela disse a Baronesa de Japurá, cunhada do Marquês de Tamandaré: "Maria Isabel, não morro de doença. Morro de dor e de desgosto". Suas últimas palavras foram: "Sinto a ausência de minha filha e de meus netos. Não posso abençoar pela última vez. Brasil, terra linda ... não posso lá voltar"

As ruas do Porto ficaram lotadas de pessoas que se reuniram para assistir a procissão fúnebre. O corpo de Teresa Cristina foi carregado até a Igreja de São Vicente de Fora perto de Lisboa e enterrado no Panteão dos Braganças, de acordo com o pedido de Pedro. A morte da imperatriz também trouxe grande comoção ao Brasil.

Após a morte da esposa, Dom Pedro II se estabeleceu em Paris. Seus últimos dois anos de vida foram solitários e melancólicos, vivendo em hotéis modestos com quase nenhum recurso, ajudado financeiramente pelo seu amigo Conde de Alves Machado e escrevendo em seu diário sobre sonhos em que lhe era permitido retornar ao Brasil.

Pedro morreu em 5 de dezembro de 1891, em razão de uma pneumonia. Suas últimas palavras foram: "Deus que me conceda esses últimos desejos, paz e prosperidade para o Brasil." Enquanto preparavam seu corpo, um pacote lacrado foi encontrado no quarto com uma mensagem escrita pelo próprio imperador: "É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria". O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão. A princesa Isabel desejava que fosse feita uma cerimônia fúnebre discreta para o pai, porém acabou aceitando o convite do governo Francês que pretendia realizar um funeral de Estado para o imperador. Milhares de personalidades compareceram, incluindo diversos membros da nobreza europeia. Apesar das tentativas do governo brasileiro em abafar as notícias sobre a morte do imperador, missas solenes ocorreram por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico.

Os restos mortais do imperador e da imperatriz foram repatriados para o Brasil em 1921. Ambos receberam um local de descanso final na Catedral de S. Pedro de Alcântara, Petrópolis, em 1939, com uma cerimônia que contou com a presença do presidente Getúlio Vargas.

A foto abaixo mostra o corpo de Dom Pedro II em seu leito de morte. O livro embaixo do travesseiro sob a sua cabeça simboliza que, "mesmo após a morte, sua mente descansa sobre conhecimento".

https://www.facebook.com/426337287820819/photos/a.427714047683143/588090771645469/?type=3&theater&ifg=1

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O CANGACEIRO ZÉ SERENO E AS SUAS MALDADES.

Por José Mendes Pereira
O cangaceiro Zé Sereno - https://m.facebook.com/HistoriasdoCangaco/posts/1319820924773443:0

Segundo os pesquisadores e escritores do "cangaço" contam que um dos mais terríveis  cangaceiros de Lampião era o José Ribeiro da Silva o Zé Sereno, que no cangaço e mesmo após este, era companheiro da cangaceira Sila a Ilda Ribeiro de Sousa. Como ele era chefe de um dos subgrupos do capitão Lampião, além dele próprio matar, ordenava aos seus comandados que, antes de exterminar qualquer indivíduo, podiam judiar bastante aquele que estava marcado para morrer.


O que segue, aconteceu com o cangaceiro "Novo Tempo" por nome legítimo de Abdias, e que era irmão da ex-cangaceiro Sila companheira do ex-cangaceiro Zé Sereno, você irá encontrar este relato nos livros: "Gente de Lampião" de Antonio Amaury e "Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico" do escritor Alcino Alves, contam o triste acontecimento com esse cangaceiro que foi atingido nos dois braços pelas balas da volante do tenente Zé Rufino, no tiroteio chamado de "Fogo da Laginha, na Lagoa do Domingo João.

O cangaceiro passou três dias numa condição terrível porque para chegar a um lugar qualquer tinha que se arrastar no chão tentando chegar a uma das fazendas de Antonio Caixeiro pai de Eronides Ferreira de Carvalho para pedir socorro. Foi recebido, mas  posteriormente foi traído por um dos cabras da fazenda chamado Zé Vaqueiro, que ao lhe socorrer viu que aquele infeliz não escaparia daquela desgraça em estado gravíssimo, mas mesmo assim, o  Zé Vaqueiro  tentou ajudá-lo. 

Diz o jornalista Juarez Conrado em seu livro: "Lampião Assaltos e Morte em Sergipe" que vendo que o cangaceiro não estava se recuperando e temendo que as volantes policiais descobrissem que ele estava acobertando cangaceiro, covardemente o Zé Vaqueiro resolveu liquidá-lo com um tiro no ouvido. E sem mais pensar, sapecou-lhe um besourinho de chumbo em um dos ouvidos do infeliz facínora.

Feita a crueldade com o desgraçado cangaceiro que estava muito debilitado, e pensando que ele tinha morrido, o coiteiro Zé Vaqueiro foi até em sua casa, e levou ferramentas para fazer a cova, e ali mesmo, seria o seu plano: enterrar o suposto morto, vez que ninguém nunca iria saber, que na propriedade tinha um cangaceiro enterrado. Se às pressas ele foi em sua casa, muito mais às pressas ele voltou. Mas o coiteiro foi muito infeliz, porque a sorte o abandonou. E ao chegar ao local onde havia assassinado o cangaceiro (assim pensava o coiteiro), não encontrou o “Novo Tempo” nem morto e nem vivo.

E agora? Com certeza, caso os cangaceiros soubessem desse terrível acontecimento contra um dos seus companheiros, e se descobrissem que a crueldade fora feita por quem eles tanto confiavam, que era o coiteiro Zé Vaqueiro, sem dúvida, ele tinha assinado a sua sentença de morte, e a cobrança dos cangaceiros seria inevitável.

Apesar do balaço que recebera no ouvido o cangaceiro “Novo Tempo”, mesmo ferido, conseguiu sobreviver desta crueldade, e fugiu de imediato do local em que fora baleado no ouvido pelo coiteiro. E assim que localizou o bando de cangaceiros do seu cunhado Zé Sereno, “Novo Tempo” participou a eles o que havia lhe feito o coiteiro  Zé Vaqueiro. E a partir daí, Zé Sereno criou ódio, e sem muita demora, ordenou a vingança sem perdão e sem piedade.

E com ordem do chefe de subgrupo de Lampião os cangaceiros Juriti, Sabiá, Mergulhão e Marinheiro foram ao encontro do vaqueiro. É possível que ao ver os cangaceiros em sua porta o vaqueiro deve ter os recebido como de sempre, e talvez não imaginasse que o “Novo Tempo” tinha escapado.

E lá, ele foi amarrado, xingado, levando boas bofetadas, além de chicoteadas e pontapés, sendo obrigado a cortar xiquexiques e mandacarus, e destes Cactáceos, fizeram uma cama; depois de despido, o coiteiro Zé Vaqueiro foi jogado sobre os espinhos, morrendo pouco tempo depois todo ensanguentado saindo pelos furos dos espinhos. Tocaram fogo, deixando a labareda se alimentando das gorduras do infeliz Zé Vaqueiro.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

POR ENTRE ESQUINAS E LABIRINTOS

*Rangel Alves da Costa


Manuel Bandeira, em poema de expressividade cruenta, havia suposto a existência de um estranho animal sobre os lixões. “Vi ontem um bicho na imundície do pátio, catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, não examinava nem cheirava: engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem”. Eis o retrato de “O bicho”, tão verdadeiro como voraz, e ainda avistável pelos lixões e por todos os lugares.
“O bicho, meu Deus, era um homem”. Que testemunho tão indigno aos olhos de um ser humano. Mas que presença tão constante e costumeira aos olhos do ser humano. E quantos bichos haverão de estar agora pelos mesmos lixões, pelas ruas insensatas e desumanas, pelas marquises solitárias e perigosas, pelos becos carcomidos de vícios, pelas vielas sangrentas e amedrontadas, pelos barracos disformes e nus. Por entre esquinas e labirintos vive a realidade social mais contundente e mais negada. Todo mundo vê bicho, todo mundo sente a presença do bicho. Mas é bicho, e então se afasta. Mesmo sabendo que não é bicho, mas tão humano quanto o espelho de si mesmo.
Uma selva humana em meio aos homens de bem, assim se imagina. Uns dizem se tratar de feras perigosas. Outros dizem que vivem sempre prontos para o ataque, e por isso mesmo é melhor fugir de suas presenças. Já outros, simplesmente ignoram os uivos, os berros, as ruminações, os olhos famintos e as mãos estendidas. E dizem ainda: nem todos são iguais, e por isso tais diferenças que não nos cabe resolver. E seguem adiante, com olhos atentos, amedrontados, temendo sempre serem alcançados por uma diminuta ferocidade: um menino magro e quase nu que pede esmola. Que tempos, que mundo!
Eu também todos os dias vejo bichos na imundície do pátio, catando comida entre os detritos. Meu olhar não pode fugir aos bichos que se estendem adormecidos por cima de bancos de praças, debaixo de marquises, em meio às calçadas, num canto qualquer. E creio que todo aquele que não finja enxergar, certamente também avista a selva humana que está pelos becos, pelas ruas, pelos escondidos da cidade. E também dentro daquilo que se tem como lar. Barracos caindo, moradias de papelão e madeira, quatro paredes frágeis com uma tosca cobertura por cima. E a fome grassando, a carência doendo dentro de cada um, a ausência de prato, a inexistência de comida.
Não há como negar que realidades assim estão por todos os lugares, nas grandes e pequenas cidades. A noção de bicho está exatamente no espanto causado ante o avistamento dessa realidade. Tem-se que não é da normalidade humana viver catando restos e detritos para se alimentar. Tem-se que foge ao comum entendimento que seres humanos ainda se submetam a restos putrefatos das bolsas de lixo colocados em calçadas. Muitos ainda imaginam que mesmo tendo pouco no seu dia a dia, as pessoas não digerem as podridões que encontram pelas ruas.
Tudo uma questão de sobrevivência. Verdade que o bicho do mato se alimenta bem melhor que o homem. As aves carnicentas se alimentam de restos podres por disposição digestiva. Predadores se alimentam de outros animais por que necessitam sobreviver. Em épocas de seca ou de falta de alimentos, sempre reinventam seus alimentos. Contudo, negam aquilo que não desejam, ainda que estejam famintos. Mas com o homem não acontece assim. O homem não tem a palma pinicada em cesto no lugar da pastagem verdejante. O homem não tem o caroço mastigável quando lhe falta o broto. Com o homem é diferente. Ou tem ou não tem.
Qual a escolha a ser feita quando não há mais comida? O que se deve fazer quanto não resta mais tostão nem vintém para comprar tiquinho disso ou daquilo? Qual atitude tomar perante o choro dos filhos e o passar das horas sem qualquer esperança de alimento? Situações dilacerantes para um ser humano suportar. Por perto e pelas distâncias, quantos fogões sem panela, quantas panelas sem alimento, quantos pratos vazios, quantos pais desesperados ante o pedido dos filhos? O que fazer, então? Mendigar, pedir, implorar, catar, animalizar-se. E logo perante uma sociedade que teme o bicho.
Mas não só pela falta de alimento padece a pobreza ou a indigência. A selva social vive repleta de bichos cheios de dores. A penúria é imensa e dolorosa, mas outras angústias também tomam conta desse perverso tempo. Os miseráveis das drogas e outros vícios, os que tiveram as portas fechadas e passaram a ter o desalento como lar, os que padecem como inúteis e discriminados nos corredores dos hospitais, os que desacreditaram na vida e vivem no pêndulo da mesma vida. E quanto abandono de pais pelos filhos. E quanto dói sentir a sociedade cada vez mais desumanizada pelos egoísmos e acumulações materiais. E para nada.
Agora mesmo eu vi um bicho. Ora, quanta insensibilidade no meu olhar e quanta frieza na minha atitude. Pediu e dei-lhe um copo d’água. Com o cuidado para que minha mão tão limpa não se aproximasse muito da dele. Ele poderia morder.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

NOVOS LIVROS!

Os interessados poderão adquiri-los através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br



e Flores do Pajeú História e Tradições de Belarmino de Souza Neto.

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MAIS UMA DESCOBERTA..! COM AUXÍLIO DE UMA LUPA


Por Voltaseca

Descobri que o cangaceiro JURITY usava uma "PALMATÓRIA" para supliciar as suas vítimas..! 

Sobre esse assunto, nenhum livro escrito, até hoje sobre o cangaço, faz menção a esse fato.

Foto: Benjamin Abrahão, 1936.

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CURIOSIDADE

Por Joel Reis

- Neném com uma arma, provavelmente do Gorgulho.

- Há a possibilidade de que Gorgulho tenha tirado a foto, já que ele deu sua arma para Neném segurar.


P.S.: a outra foto está no primeiro comentário.
Barra Nova II, Juriti III, Neném, Sabonete II
Local: AL, Sertão nordestino, nas proximidades do rio São Francisco, 1936.


Fonte: Aba-Film
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2036243606440525&set=gm.953752004833744&type=3&theater&ifg=1Perdi a fonte:

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MORREU HOJE PELA MANHÃ, MAIS UM IRMÃO DA VIOLA!


Por José Ribamar Alves

Deste vez, o poeta Antônio Nunes de França. Ele que cantou por muitos anos na Rádio Vale do Jaguaribe, de Limoeiro do Norte-CE, Duplado Com Juvenal Evangelista, Chico Pedra de Oliveira & Zé Cardoso.


Segundo Francimar Belé, poeta, o sepultamento será amanhã dia 21-11-2018, às nove horas da manhã em DR. Severiano-RN.


Nossos pêsames a todos os familiares!

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VELOCIDADE E PANCADA LADEADOS POR POLICIAIS

Foto do acervo do Natan Pereira

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LAMPIÃO ERA UM SUJEITO FORMIDÁVEL. MAL-EMPREGADO ELE NÃO TER ESTUDADO. - GENERINO BEZERRA


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RESGATE & MEMÓRIA



O humor nos tempos do Cangaço
*
As dificuldades da imprensa para informar
o paradeiro certo de Lampião e seu bando, 
no final dos anos 1920.

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- Charge publicada no Jornal do Recife, edição de 08 de março de 1928 (quinta-feira), autor não informado.

Material do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio.

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PAPA FRANCISCO PERDOA PADRE CÍCERO E ENVIA CARTA AO CRATO

Fonte: O Povo

O bispo da diocese de Crato, dom Fernando Panico, divulgou neste domingo, durante missa na Catedral de Crato, que o Padre Cícero Romão Batista foi perdoado pelo Vaticano das punições impostas pela igreja Católica entre 1892 a 1916. A reconciliação é um passo definitivo para a reabilitação de padre Cícero na Igreja Católica.

Durante a homilia na Sé do Cariri, dom Fernando Panico informou que "Hoje, por ocasião da abertura solene da Porta Santa da Misericórdia nesta Catedral de Nossa Senhora da Penha, quero anunciar com alegria, à querida Diocese de Crato e aos romeiros e romeiras do Juazeiro do Norte, um gesto concreto de misericórdia, de atenção e de carinho por parte do Papa Francisco para nós: a igreja Católica se reconcilia historicamente com o padre Cícero Romão Batista". 

Segundo a carta, assinada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.

A comunicação da reconciliação da igreja com Padre Cícero "é mais que uma reconciliação. É um pedido de perdão da igreja pelo o que aconteceu o sacerdote brasileiro", afirmou Armando Rafael, assessor de comunicação de dom Fernando Panico. 

Na mensagem enviada à diocese do Crato, o papa Francisco exalta várias virtudes de evangelizador de padre Cícero, fundador de Juazeiro do Norte e primeiro prefeito do município. 

Sobre a Reconciliação histórica da Igreja Católica com a memória do Padre Cícero Romão Batista.

Em longa correspondência enviada ao Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, afirmou que: “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.

A mensagem lembra, inicialmente, as festas pelo centenário de criação da Diocese de Crato acrescentando “que (essas comemorações) põem em realce a figura do Padre Cícero Romão Batista e a nova Evangelização, procurando concretamente ressaltar os bons frutos que hoje podem ser vivenciados pelos inúmeros romeiros que, sem cessar, peregrinam a Juazeiro atraídos pela figura daquele sacerdote. Procedendo desta forma, pode-se perceber que a memória do Padre Cícero Romão Batista mantém, no conjunto de boa parte do catolicismo deste país, e, dessa forma, valoriza-la desde um ponto de vista eminentemente pastoral e religioso, como um possível instrumento de evangelização popular”.

Lembrando que Deus sempre se serve de pobres instrumentos para realizar suas maravilhas e que todos nós somos “vasos de argila” (2Co 4,7) em Suas mãos, o texto afirma, sem dúvida alguma, que Padre Cícero, pelo seu intenso amor pelos mais pobres e por sua inquebrantável confiança em Deus, foi esse instrumento escolhido por Ele. O Padre respondeu a este chamado, movido por um desejo sincero de estender o Reino de Deus.

Na correspondência constam vários tópicos, dos quais alguns são reproduzidos, a seguir, textualmente:

“Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.

“É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”.

“Deixou marcas profundas no povo nordestino a intensa devoção do Padre Cícero à Virgem Maria” no seu título de “Mãe das Dores e das Candeias” (...) Como não reconhecer, Dom Fernando, na devoção simples e arraigada destes romeiros, o sentido consciente de pertença à Igreja Católica, que tem na Mãe de Jesus Cristo um dos seus elementos mais característicos?

“A grande romaria do dia de Finados, iniciada pelo Padre Cícero, transmite a dimensão escatológica da existência humana. Pois, como afirma o documento de Aparecida, Nossos povos (...) têm sede de vida e felicidade em Cristo. (...)

“Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanhá-los e de ajuda-los na vivência da sua fé”.

“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”.

“O afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (...). Portanto, é necessário, neste contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”.

“Assim fazendo, abrem-se inúmeras perspectivas para a evangelização, na linha desta recomendação do Documento de Aparecida; “Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular”. (Documento de Aparecida, 300).

“Ao mesmo tempo que me desempenho da honra de transmitir uma fraterna saudação do Santo Padre a todo o povo fiel do sertão do Ceará, com os seus Pastores, bendizendo a Deus pelos luminosos frutos de santidade que a semente do Evangelho faz brotar nestas terras abençoadas, valho-me do ensejo para lhe testemunhar minha fraterna estima e me confirmar de Vossa Excelência Reverendíssima devotíssimo no Senhor.

O Povo


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