Seguidores

domingo, 4 de agosto de 2019

PROJETO RUA COLORIDA – EMBELEZANDO UMA COMUNIDADE

*Rangel Alves da Costa

Mesmo que objetive o embelezamento de uma rua, mesmo que se proponha tornar aquela via muito mais bonita, atraente e convidativa, ainda assim surgem problemas partindo de alguns de membros da própria comunidade.
Ainda bem que são poucos os empecilhos. Um dos moradores não deixa que a fachada de sua casa seja embelezada e as portas e janelas pintadas, sob a justificativa de que também pretende pintar algum dia. Já outro diz que pintou de uma cor e não quer outra cor na parede. E certamente não permitirá uma pintura nova na mesma cor. Acreditem, pois bem assim!
Muito difícil querer ajudar e encontrar tais tipos de resistências, como se tais negativas fossem somente pelo prazer de dizer não. Ora, qual o problema de proporcionar uma fachada bonita, alegre, colorida, a uma residência? Mas apenas dois insistem não compartilhar com o desejo do restante da comunidade.
Por outro lado, e inversamente do que se possa imaginar, o desenvolvimento do projeto não significa apenas a chegada de profissionais com latas de tintas e pincéis. Não. Várias etapas serão percorridas até que tudo alcance o resultado almejado: uma rua colorida, com fachadas de cores vivas, algo jamais visto pelo interior sergipano.
O primeiro passo - e que imediatamente será dado - é a realização de reparos em algumas paredes. Paredes danificadas receberão tratamento, através de argamassa ou massa acrílica, para somente depois receber a primeira mão de tinta.
O mesmo será feito com a porta de uma residência, que por estar fechada e praticamente abandonada e com a porta da frente retirada, receberá uma nova porta. E esta já foi providenciada, faltando somente que um profissional já contratado faça o serviço.
O segundo passo, após os reparos nas paredes e a colocação da porta, será dar início às pinturas. Inicialmente, para que as cores de fundo alcancem a tonalidade perfeita, será dada uma primeira mão de tinta em todas as fachadas.
Após isso - e como passo seguinte -, as fachadas, portas e janelas, receberão as cores de fundo, ou seja, aquelas escolhidas para cada casa. Cada fachada receberá uma cor diferente. Por exemplo, uma casa pintada na cor vinho terá ao lado outra casa noutra cor, sempre forte, viva, bem vistosa.


As portas e janelas também receberão cores diferentes daquelas da fachada. Por exemplo, uma casa pintada de vermelho terá portas e janelas na cor marrom terra ou outra cor que permita a melhor sensação visual.
Há de se imaginar que o processo de pintura terminará quando as fachadas, portas e janelas, tiverem recebido suas cores definitivas. Mas não. O passo seguinte talvez seja o mais importante de todos, eis que o que também se pretende é que a rua colorida permaneça com cores vivas e fortes por muito tempo.
Neste sentido, objetivando dar maior durabilidade, vivacidade e beleza às pinturas, é que todas as residências receberão uma camada forte de hidrobrilho, um tipo de esmalte incolor que não só protege das interferências do sol e da chuva como assegura maior firmeza às paredes pintadas.
Somente após todas as fachadas receberem a camada de hidrobrilho é que se poderá dizer que o processo de pintura e embelezamento estará terminado. E então os moradores da Rua Manoel França, adjacências e todo o Poço Redondo, estarão diante de uma rua que se confirmará como a mais bela de todo Sergipe.
A imprensa sergipana e diversas autoridades estarão presentes durante o evento de entrega do embelezamento aos moradores da Rua Manoel França. Contudo, o que se pretende mesmo é que todo o povo de Poço Redondo esteja presente para sentir o quanto pode ser feito em suas comunidades, a partir do engajamento e da colaboração.
Portanto, o que vamos colocar agora em prática é um projeto bonito, responsável e a serviço de uma comunidade que tanto merece. Por isso que quando pedimos colaboração de amigos é porque temos ciência da grandiosidade de tal projeto. E cada um que colaborou - ou ainda vai colaborar - certamente vai se sentir também maravilhado pela beleza que ajudou a realizar.
E mais adiante, quem sabe, que outras ruas coloridas possam ser avistadas por todo o Poço Redondo. Numa rua viva, bela e colorida, sente-se muito mais prazer em viver!

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

POLÊMICA: "O TIRO QUE MATOU LAMPIÃO", PELO DR. IVANILDO SILVEIRA.

Aderbal Nogueira

Palestra de Ivanildo Silveira durante o Cariri Cangaço 10 Anos, em julho de 2019.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANA DE AÇÚCAR


Por Francisco de Paula Melo Aguiar

Da cana se faz açúcar
Favo do prazer também
Lenha para o verbo amar
Garapa d’água tem.

Da cana se faz álcool
Tecnologia do vai além
Motor do progresso, farol
Perfume e bebida também.

Da cana se faz bagaço
E até papel para escritor
Faz fumaça e não regaço
Poluição do ar que horror.

Da cana se faz cachaça
Água que passarinho não bebe
Esquenta juízo, carapaça
Queima goela de rico e plebe.

Da cana se faz mel
De furo , melaço da decantação
Do banguê, doce de tirar o chapéu
Processo natural da centrifugação.

Da cana se faz rapadura
Alimentação nordestina
Tudo é questão de cultura
De popular e de gente fina.

Da cana se faz riqueza
Paga impostos a fole
Emprego para pobreza
E barriga cheia para prole.

http://www.cantodasletras.com.br/poesias/6711604

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O MUNDO FICOU MAIS TRISTE!

Por Vandilo Brito - Poeta e Advogado
https://www.youtube.com/watch?v=Q9n7oz0-yW0

O MUNDO FICOU MAIS TRISTE!

Apenas 30 anos atrás
o mundo ficou mais triste,
reviver não nos apraz
sua ausência ainda persiste,
sua música nos conforta
nossa alma nos transporta
para o sertão que cingiste.

Fostes um rei sem coroa,
uma espécie de guardião,
navegando sempre na proa
nas águas do meu sertão,
deixastes teus seguidores,
todos são mantenedores
do forró, xote e Baião.

Luiz Gonzaga cantava
o nordestino sofrido,
mas mostrava que amava
o seu povo aguerrido,
exaltando a sua gente
sempre foi inteligente
e também muito querido.

Valorizou o vaqueiro,
os “causos” do meu sertão.
Parecia um candeeiro,
o nosso Rei do Baião,
Iluminando o terreiro
falava do amor matreiro
nas noites de São João.

A vida de viajante,
Olha pro céu meu amor,
Asa Branca foi marcante
mas também cantou a dor,
Assum preto é verdadeiro
e a morte do vaqueiro
é um espinho sem a flor.

O homem pode morrer
Mas a sua obra não finda.
Vamos todos promover
colocando na berlinda.
Luiz Gonzaga é o rei,
a ele intercederei
pela cultura nordestina.

Por Vandilo Brito - Poeta e Advogado
Em 03/08/2019

#luizgonzaga #poesia #nordeste#tributoaluizgonzaga #forró #baião#orgulhodesernordestino #paraiba #cordel
— emJoão Pessoa.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

NOS ANOS LONGÍNQUOS COMO SOFRIAM OS ESCRITORES E PESQUISADORES.

Por José Mendes Pereira

Nos anos longínquos como sofriam os escritores e pesquisadores. Tudo era muito difícil. Apenas apanhavam para os seus escritos de poucos livros doados ou comprados, e muito mais difícil era o uso de fotos e outras imagens. 

Às vezes recebiam informações de amigos que iriam mandar uma foto, um texto para suas pesquisas, mas quando chegariam em suas mãos? Tinha que ter paciência, porque a comunicação era só através de rádio, jornal, revista e um lento trabalho dos correios e Telégrafos.

Agora a tecnologia e as invenções na informática deixaram os escritores e pesquisadores bem pertinhos do leitor. Não ler se não quiser, mas os escritores e pesquisadores todos estão aí, ao seu lado, bem pertinhos, e até se precisar para tirar dúvidas eles estão à sua disposição...

A informátiva já foi protótipo, mas hoje ela está prontinha para quem quiser usá-la, e do jeito que quiser, quando e aonde?.


Quem imaginava que um dia uma porção de escritores e pesquisadores organizaria uma literatura para o movimento social de cangaceiros? No passado escreveram muito pouco sobre este movimento, mas só passou a ser uma febre de estudiosos (não vou citar os nomes dos que iniciaram para não esquecer alguns) a partir dos anos 80, quando uma nova geração de escritores e estudiosos reuniu-se e se encarregou de procurar pelos lugares do Nordeste do Brasil todas as peças do dominó do cangaço, para colocar cada peça em seu devido lugar. 

Parabéns a eles! E que nós estudantes e curiosos muito agradecemos, vez que é uma literatura gostosa de se ler, apesar ser de um movimento triste, quando rios de sangue ficavam escorrendo no chão do nosso sofrido Nordeste. A literatura lampiônica é tão gostosa de se ler que a cada dia que se passa os blog e sites vão adquirindo mais seguidores. 


Este meu blog tem havido um aumento de acesso chegando a alcançar mais de dois mil por dia. Imagina os que já são conhecidos como o Cariri Cangaço do Manoel Severo. -  http://cariricangaco.blogspot.com


O Lampião Aceso do Kiko Monteiro. - http://lampiaoaceso.blogspot.com


O Tok de História do Rostand Medeiros. - https://tokdehistoria.com.br/


O Portal do Cangaço do pesquisador e historiador Guilherme Machado. portaldocangaco.blogspot.com


O blog João de Sousa Lima. http://joaodesousalima.blogspot.com/


O Cangaço na Bahia do professor e pesquisador do cognaço Rubens Antonio e outros tantos. http://cangaconabahia.blogspot.com/

O tema cangaço está cada vez mais vivo no Brasil e no mundo.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

92 ANOS DA INVASÃO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ

Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=7Qlio7b_FVE&t=26s&fbclid=IwAR0KZu6dncae0lowMoUhDD49d7lZflLH4YP_t8vpmxTXJr_NF2EN3AGA8ro

Coletânea de alguns vídeos já postados sobre o ataque a Mossoró e a fuga por Limoeiro do Norte.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A SEDIÇÃO...PUBLICADO EM 2011

Por: Aderbal Nogueira

Quando fui convidado a participar como Co-produtor da mini série "Sedição de Juazeiro" me senti lisonjeado com o convite. Porém, quando assistimos ao primeiro capítulo da série já editado no teatro do SESC em Juazeiro do Norte, foi que tive a real noção de quão grandiosa ficou a Minissérie.

Trabalho com audiovisual há mais de 20 anos e sou um cinéfilo de carteirinha. E ali pude comprovar o que sempre disse: "Santo de casa faz milagre sim". A prova estava ali na nossa frente. Sem deixar a desejar absolutamente nada às grandes produções globais ou até mesmo hollywoodianas. Com um roteiro muito bem elaborado por Jonasluis, com assessoria dos renomados Renato Cassimiro, Daniel Walker e Renato Dantas a trama estava consistente e muito bem contextualizada.

Padre Alencar Paixoto se prepara para entrar em "cena"...

Pausa nas gravações para "Floro, Conde e Cícero"

Jonasluis, de Icapuí, Ângela, Daniel Abreu e Aderbal Nogueira

Contando ainda com a primorosa direção de Daniel Abreu, que soube como ninguém dar forma e vida à Minissérie de uma maneira única e peculiar, a obra está simplesmente "MÁGICA". Além de tudo passou com louros pelo crivo dos maiores pesquisadores do Brasil que estavam presentes no 3º Cariri Cangaço e que tiveram a oportunidade de assistir e comentar as suas impressões sobre a Série. Só fica uma lamentação: essa magnífica obra era para ir coroar as salas de cinema Brasil afora, inclusive 'além mares', pois para mim a TV é pouco para uma obra tão importante do ponto de vista Histórico e, porque não dizer, cinematográfico.

Aderbal Nogueira
Documentarista e Pesquisador
Sócio da SBEC
Diretor do GECC
Conselheiro Cariri Cangaço
 

sábado, 3 de agosto de 2019

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

“LAMPIÃO ERA UM INFELIZ, UM CÃO”



Prestes a completar 79 anos da morte de Virgulino Ferreira, o Lampião, sua figura e seus crimes ainda causam revolta e medo no sertão. Encerrando uma sequência de matérias e artigos sobre o Rei do Cangaço, mostramos agora dois depoimentos de sertanejas, cujas famílias viviam assombradas.

Uma delas, aos 87 anos, nascida em Jeremoabo, até hoje teme represálias dos bandidos. Nascida em Jeremoabo, em uma família influente, considera Lampião “um infeliz que só fazia o mal”, pede para não ser identificada. Vale lembrar que Jeremoabo era a terra do coronel João Sá, um dos principais coiteiros de Virgulino.

Em suas lembranças, histórias de crimes pavorosos, o julgamento do cangaceiro Labareda e o dia em que sua tia foi retida por dois bandoleiros.

O outro depoimento é de Elisangela Maria, de Ribeira do Amparo. Ela conta como os pais de seu avô reagiram ao saber que Lampião estava próximo. A reação inusitada mostra como as pessoas sofriam no sertão só de ouvir falar o nome do cangaceiro.

E.O, 87 ANOS, DE JEREMOABO

“Eu era menina. A cidade vivia apavorada, todo mundo estava assombrado. Lampião e seu bando passaram pela Fazenda Almêcega e exigiu muito dinheiro do proprietário, Manoel Salina, ameaçando-o arrancar a língua dele se não recebesse o que queria. Manoel pagou e mandou avisar Jeremoabo que o cangaceiro estava próximo.

Tempos depois, Lampião voltou e pediu mais dinheiro. Seu Manoel não tinha toda a quantia e foi ameaçado de morte com a família. Resolveu vir para Jeremoabo (a fazenda Almêcega ficava a 18 km da cidade e tinha um grande contingente de volantes) depois que Ângelo Roque, o Labareda, cangaceiro nascido aqui na região, avisou que era melhor todo mundo sair porque seu chefe ia matar a todos.

Passou um tempo e Manoel, em dificuldades financeiras, reuniu cinco filhos, três sobrinhos e quatro vizinhos para colher a mandioca de suas terras rapidamente. Alguém avisou Lampião. Esse bandido foi na fazenda e matou cinco pessoas, diante de seu Manoel.

Um dos filhos, que estava no telhado, ao ver a família ser assassinada fugiu pelo mato e foi até Jeremoabo pedir ajuda. Duas filhas do fazendeiro também escaparam.

Lampião ainda mata três vizinhos de Manoel. Terminada a chacina, manda atear fogo em tudo o que ali existia. Pega Salina e corta suas orelhas, castra-o, arranca-lhe unhas, lhe fura os olhos e segue com ele para a casa de seu outro filho, o vaqueiro Ulisses, em uma fazenda próxima. Lá, mata o rapaz e Manoel, que tem o coração arrancado e deixado ao lado do corpo.

Lampião era um bandido, miserável, que desassossegou todo mundo, esbagaçou com tudo. Passou pela Bahia em 1928 e ficou dez anos “infernando”. Se alguém tivesse que viajar, rezava pedindo para São João para voltar a salvo.

Um infeliz desse no sertão só fazia o mal. Na minha opinião, um bandido miserável que destruiu muita coisa, destruiu famílias, propriedades, gado lindo.

Meu avô contava que o coronel Pedro não seguiu os caprichos de Lampião e ele tocou fogo no curral  com o gado dentro. Gostei quando a família não deixou botar um busto desse bandido na cidade.

Quando eu era menina, ficávamos com o coração na mão quando minha tia saía para trabalhar fora do município. Um dia, ela encontrou dois bandidos, um era filho de Várzea da Ema, o Balão, o outro era o Moita Brava.

Meu avô vinha com ela. Os cangaceiros pararam os dois, apontando fuzis. Fiscalizaram tudo, repararam no cabelo dela e disseram que quem tinha mulher devia mostrar logo e não tentar esconder. Os dois ficaram apavorados. Só depois de um tempo foram liberados.

Tempos depois Labareda se entregou e fomos ver o júri dele. Só crime horroroso, muita miséria, ninguém aguentou ficar ouvido aquilo.

Lampião era um infeliz, um cão. Ele e a tropa dele”

Mulher marcada a ferro no rosto por cangaceiro

ELISANGELA MARIA, 38, DE RIBEIRA DO AMPARO

“Meu avô era um cabra valente, mas certa noite em meio a tantas conversas e prosas miúdas no terreiro da casa, sob uma esteira de tábua velha, eu tão pequenina e curiosa ouvi dele: “Minha filha, me escondi da tirania desse homem (Lampião).

Na realidade meu “pai avô” viveu até os 93 anos. Ele é meu amor eterno, o maior sertanejo que conheci. Matou minha fome no cabo da enxada e me contava suas histórias.

Ele nasceu no povoado de Várzea Salgada, em Ribeira do Amparo (BA). Eu, Elisangela, venho de dois lados. Os Canuto, por parte de minha mãe avó, estavam presentes em Canudos. Os da parte de meu pai avô foram os que se esconderam de Lampião. Sou valente de um lado e do outro, frouxa.

Meu pai avô contou diversas vezes que seus país, nesse caso meus bisavós, cavaram uma espécie de bunker (abrigo) e cobriram com palhas de licuri seca, após ouvirem relatos de terceiros que Lampião se aproximava daquela redondeza.

Meus bisavós e os filhos pequenos, um total de nove, ficaram escondidos por quinze dias comendo batata assada e melancias, arrancadas das plantações próximas ao esconderijo. A água era adquirida nas copas do gravatá, uma bromélia silvestre que dá no sertão – eu até já bebi dela nas catas dos cambuís (fruta nativa dos tabuleiros baianos, utilizada no tratamento de herpes, brotoeja, cólicas e diarreias) que dá nesse lugar.

Anúncio de recompensa por Lampião

Eles ficaram neste esconderijo até que o meu velho bisavô foi averiguar e ouviu de um conhecido que Lampião já havia passado. Deixaram a toca e tocaram a vida, normalmente.

Minha bisa faleceu quando eu tinha um ano de vida, isso foi em 1979. Dizem que ela ainda me colocou no colo. O meu bisavô foi primeiro, antes de eu nascer. Meu pai avô morreu em 2015, dois meses depois dele apreciar meu enlace matrimonial.

Cantei para ele no seu leito de morte e ele sorriu para mim como sempre. Nasceu na roça e faleceu na roça, no hospital da região, pois ele tinha receio da cidade grande.

Tudo o que sou devo a eles e ao sertão baiano que me fez mais humana. Se tiver um pedaço de charque, compartilha-se com todos; um vaqueiro não descansa antes de juntar sua boiada; se tiver um caju, um maturi, você não joga galho para tirar o fruto maduro em respeito ao maturi que ainda brota. Coisas simples, mas que me servem até o dia de hoje.

Obrigado foi o que disse a meu pai avô e vos digo também, como ele me ensinou.

Obrigado por se lembrar do sertão meu, seu, de Euclides e de quem chegar.

O sertão é assim, vai além de céu estrelado e das caçadas em noites de lua cheia. O sertao vai comigo até onde eu for nesse mundo de meu Deus”


Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.



http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MEXAM QUI EU QUERO VER, PESTIS !!!

Por José Mendes Pereira

Bichins, se vocês  mexerim cum a minha quirida rainha Maria Bonita e cum a mina cabruera irão passá pelo meu punhá e meu mosquetão. Duvido pestis, vocêis bulirim cum eles. Eu quero qui si torne manchete nacioná e no mundo intêro quando eu fizé vingança.


Copie, mas respeite os direitos autorais. Ponha o nome do autor e a fonte pesquisada. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

SERTÃO DO CHAPÉU DE PALHA

Clerisvaldo Braga das Chagas, 26 de dezembro de 2014
Crônica Nº 1.332

Foto: (savoirfairessa.blog).
No antigo sertão nordestino predominavam os chapéus de couro, de palha e o de baeta, massa ou feltro. Este era usado, principalmente, pelo pessoal mais abastado e da cidade. O couro, pelos mais pobres ligados à pecuária e a palha, pelos da agricultura.
Hoje a matéria-prima usada no chapéu de palha, é diversificada, como a palha da cana e do milho. Quero me referir, contudo, aos chapéus de palhas feitos da palha do coqueiro ouricuri. Confeccionados por mulheres que trabalhavam sentadas no chão da casa de barro batido, usando pouquíssimas e simples ferramentas. Suas comercializações aconteciam nas feiras livres, ao lado de vassouras e abanos também de palhas.
O chapéu de palha sempre foi desvalorizado, levando junto o seu usuário. Porém, diante do sol inclemente sertanejo, para caminhadas e para uso no roçado, nada pagava a proteção desse tipo de chapéu. Ele não esquenta nunca, mesmo diante do sol mais quente do mundo. É igual à água de cabaça, quanto mais alta a temperatura mais é fria. O negócio é que não pode levar chuva. Nas feiras os emboladores de pandeiros à mão, se desafiavam:

Cabra de chapéu de couro
Quem não pode com besouro
Não assanha mangangá...

O outro respondia o desafio, atacando também:

Cabra do chapéu de “paia”
Como vai tua “canaia”
Já deixasse de roubar?

O chapéu de palha, nos últimos anos, vem sendo substituído pelo boné. Mas a muito que se dizia ao encontrar um cabra com chapéu desse tipo: “Homem de boné, ou corno ou chofer”.
Quem vai desaparecendo é o coqueiro ouricuri, matéria-prima  do chapéu, fruto do desmatamento.
Mesmo assim o chapéu de palha de vários formatos atinge seu alto grau de popularidade com os romeiros do padre Cícero, em Juazeiro do Norte, quando acontece a famosa bênção do chapéu.

CORPO FECHADO

*Rangel Alves da Costa

A pessoa vive de corpo aberto, e sempre aberto ao mal, assim diz a crendice popular, principalmente pela voz de curandeiros, rezadores, benzedeiras, iniciados e cultuadores das ervas, das raízes, das pedras e do sobrenatural. E tão aberto é o corpo que a pessoa pode, sem saber, deixar que todo mal entre por sua porta sem que se dê conta do perigo.
Segundo dizem, um simples vento chegado em hora errada pode ocasionar desde o entortamento da boca até a morte inesperada. Basta um mau olhado para que tudo comece a desandar. Basta um descuido na fé ou na crença para que se veja tomada por atrasos e enfermidades. Por isso mesmo tão necessário fechar o corpo para que o mal dele não se apodere e transforme a força em um nada.
Mas como fechar o corpo ante os perigos do mundo, perante a maldade humana, diante dos acasos negativos da vida, quando na presença do desconhecido? Segundo diz a sabedoria matuta, há muitas maneiras de colocar cadeado na porta do corpo e impedir que o mal a tudo ameace ou tome conta. A pessoa pode se valer da reza, do benzimento, da oração forte, do chá encantado, da infusão milagrosa, do toque da pedra miraculosa sobre o corpo, do segredo jamais revelado pelos iniciados.
Não negam, contudo, que o principal cadeado da alma está na fé, na sagrada devoção, na obediência aos ensinamentos, no respeito a Deus, aos anjos e santos. Dificilmente um mal avança por uma porta de fé. Não há passagem do mal para quem vive protegido por Nosso Senhor Jesus Cristo, para quem um céu no oratório, para quem faz da igreja um lar e a religião como relicário maior. Nenhum vento mal entra pela boca que ora nem se aproxima de uma vela acesa. Ainda assim não descartam outras formas de fechar o corpo.
No terreiro, no quarto escuro, no quintal, por cima do tamborete, em quaisquer destes lugares há um cenário ideal para o ritual tanto da reza, do afastamento dos malefícios da alma e da cura de enfermidades, como para o fechamento do corpo. Mãos, palavras, toques, olhares, folhas, raízes, junção de objetos pessoais e até encantamentos, tudo serve para que o cadeado da proteção se entrelace ao indivíduo. E quando bem feito não há mal que consiga romper o segredo.


Pelos sertões ainda existe essa força. Os antigos não abdicaram de sua sabedoria de cura e proteção. No passado havia uma verdadeira profusão de rezadores, curandeiros, iniciados e trancadores de cadeados. Uma gente que mesmo distante fazia uma serpente ficar aprisionada na beira da estrada. Uma gente que prendia uma caça na loca em que ela estivesse. Uma gente que olhava no olho do outro e dizia o mal que lhe estava acometendo. Uma gente que passava um ramo sobre a cabeça do fragilizado e logo este se sentia refeito na vida. Uma gente que murmurava algumas palavras e verdadeiros milagres aconteciam.
Da boca e das mãos da sabedoria antiga, e ainda cultuada por muitos lugares, surgindo verdadeiras lições. E certamente dizendo que não se deve colocar o pé adiante da porta sem antes fazer o sinal da cruz. Não há risco maior que abrir a porta quando a ventania parece ter voz. Perigoso demais entrar numa curva da estrada sem se benzer e sem pedir permissão aos santos. Em rastro desconhecido não se pisa, evite passar onde a coruja está e o canto do Rasga-Mortalha parece chamar.
Deve-se sempre evitar os quebrantos e as moléstias do ar. Um chá forte purifica a alma, mas nada como se valer da velha sabedoria. Um banho de sal grosso, um rosário bento dormido na lua cheia, uma peça de roupa lavada em água corrente de riacho, uma folha milagrosa colocada detrás da orelha, um dente de veado levado no bolso, uma lasca de madeira de cruz, um frasquinho de água benta no bolso. Mas, e acima de tudo, não deixar que o corpo se veja à mercê do tempo ruim. Vento ruim é igual a punhal de ponta afiada, é pior que muita coisa que fere e faz sangrar, e assim porque sua ferida maior não se mostra enquanto definha e até dizima a pessoa.
Há, pois, em cima desse chão e embaixo dessa lua, toda uma visão ritualística para, através do fechamento do corpo, da cura de enfermidades e do soerguimento daqueles já desvalidos, uma demonstração de que a sabedoria popular sempre serviu como medicina da crença e como remédio para os males. E, muitas vezes, nem é preciso rezar ou benzer, passar chá ou qualquer infusão, bastando que as mãos, as bocas e os olhares operem milagres. E estes acreditados pelo próprio povo, cuja cura nasce da própria crença.
Como dizia o Velho da Serra, gente de corpo aberto é ninguém. Mas também não se fecha aquilo que não acredita na proteção. Não adianta levar um rosário de cabeça de alho sobre o corpo se a pessoa não reconhece o seu poder de afastamento de todo o mal. E, por via de dúvidas, é melhor se benzer agora. Um vento ruim pode estar caçando uma brecha.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com