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terça-feira, 10 de março de 2020

NOTA DE PESAR!



O Relembrando Mossoró vem comunicar que faleceu hoje às 11:10, no Hospital Wilson Rosado, nesta cidade de Mossoró, o senhor Otaviano Costa, mais conhecido como Costinha, o mesmo estava com 92 anos. O mesmo era Auditor fiscal aposentado. Nossos sentimentos aos familiares e amigos.


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ENALVA SOARES, A FILHA DE CORISCO



A TV MARIA BONITA entrevistou a Sra. Enalva Soares Pinto, filha de CORISCO com a Sra. Maria Francisca, que foi entregue ao Padre Soares Pinto, que por sua vez a entregou para seu tio, o fazendeiro Antônio Soares Pinto, para cria-la.


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Paisagem de interior A VIDA, SOCIEDADE, POLÍTICA... segundo Seu Chico Heráclio



Após ler o livro "Breviário do Cel. Francisco Heráclio Rego", do autor André Heráclio do Rego, me ocorreu a ideia de selecionar para os seguidores do "Lampião aceso" as principais "Frases", e filosofia desse famoso coronel, que teve muita influência no Estado de Pernambuco.

No seu linguajar de matuto inteligente, o Coronel sabia falar para o povo entender, usando provérbios e ditos populares, mas alguns deles, eram de sua criação.


Vejamos o  seu ponto de vista:


- Liso, que só rapariga de cidade do interior na Semana Santa;


- Todo "bêbado" é rico, bonito e valente;


- Quem amansa valente é a cadeia;


- Rasgar dinheiro e comer merda, tá doido;


- Só tem duas doenças que não pegam: gravidez e osso quebrado;


- O dinheiro só não faz chover, mas ameaça o tempo;


- Se ao menos fossem 22 mulheres bonitas, mas são 22 barbados de pernas cabeludas, correndo atrás de uma bola (Sobre o Futebol);

Nunca dei cobertura a ladrão ou assassino que matou para roubar. Também nunca acobertei quem tirou a vida de outro por causa de bebedeira ou jogo de azar. Agora o homem de bem pode se tornar criminoso em defesa de sua honra e dos seus direitos. Este tem sempre o meu apoio;

- Não existe cabeça dura para pancada e dinheiro. Depende da quantidade (Sobre o ato de se vender );

- Velho é feito rede, só se acaba pelo fundo (sobre a velhice);

- Quem não rouba ou não herda, enrica uma merda ! (sobre a riqueza);

Ladrão é feito peixe, só vive de olho aberto;

Gordo que só filho de ladrão quando o pai está solto ( sobre gente bem nutrida esbanjando banhas );

A desgraça do homem se resume a três coisas: desanimar e falar fino; largar a mulher e morar perto; e mijar de cócoras;

Quando se quiser fazer aqui um filme de cowboy, de fora basta trazer os bandidos, porque aqui (em Limoeiro/PE), todo mundo é artista ( sobre a gente de seu feudo );

- Meu amigo não tem defeito. Inimigo, se não tiver eu boto;


- Cachorro que engole osso, sabe o c... que possui;

- Quem vai na onda, é bosta de marinheiro ( sobre quem não se deixa enganar );

- Sino só não bebe porque tem a boca para baixo;

- Político esperto é como bezerro enjeitado, mama em todas as vacas;

- Filho meu só é de maior, quando eu morrer;

- Política em Limoeiro/PE contra o Cel. Francisco Heráclio, é malhar em ferro frio e fazer careta a macaco;

- Político é como feijão n´agua, só sobem os podres ( sobre o mau político );

- Meu filho, esse negócio de Lei é relativo. Quando ela é alta, a gente passa por baixo, e quando é baixa, a gente pula por cima;

- Político sem mandato é como "puta" sem cama;

- Mulher é feito espingarda. Só presta guardada cheia (grávida);

- Mulher, carro e revólver, só zero quilometro (sobre a virgindade);

- Com carne mijada não se mexe. Dá nisso. (sobre as desventuras de um eleitor seu, acusado de desvirginar uma jovem, e perseguido pela polícia);

- Ninguém nuna viu cemitério de mofino e nem valentão de cabelos brancos (sobre a prudência);

- Briga só tem três causas:questão de terra, política e carne mijada ( Mulher);

- O Dono vê dois olhos; o filho com um só; e o empregado é cego;

Transcrito por Ivanildo Silveira


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O CORONEL CHICO HERÁCLIO USOU ARMAS BIOQUÍMICAS CONTRA OS ADVERSÁRIOS


Por Angelo Castelo Branco

O ditador venezuelano Maduro está acusando a população de Caracas. É que o povo venezuelano resolveu jogar cocô nas milícias que reprimem os protestos contra o governo falido. Os grupos de militares e paramilitares voltam imundos e fedidos depois dos confrontos nas ruas. Maduro está possesso e acusa o povo pelo uso de "armas bioquímicas" que nada mais são do que merda (cuidadosamente, suponho) adicionada em sacos plásticos.

Entretanto, jogar merda em governo não é algo inédito na América Latina. Lá pela década de 60 o famoso "Coronel" Chico Heráclio, que montou um império de terras e de votos a partir da cidade de Limoeiro, perdeu uma eleição e brigou com o governo do Estado.

Desmoralizado nas urnas ele passou a ser motivo de chacotas. Caminhões carregados de populares governistas desfilavam em sua rua gritando insultos e debochando do ex-poderoso chefe político.

Mas o coronel não se deixou intimidar. Contratou um grupo de velhos bacamarteiros e preparou uma reação inusitada. Os atiradores "de elite" esconderam-se atras de pés de avelós, encheram os bacamartes de merda e concentraram fogo cerrado nos caminhões da militância oficial.

Até hoje, segundo contam Roberto Cavalcanti e Marcos Vilaça no cinquentenário "Coronel, Coronéis" ninguém em Limoeiro confessa que estava no caminhão emboscado.

O problema foi resolvido e espero que também o seja na Venezuela.

Angelo Castelo Branco é jornalista

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

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segunda-feira, 9 de março de 2020

UM OLHAR SOBRE ANGICO PARTE I

Por Alfredo Bonessi
Pesquisador Alfredo Bonessi em sua palestra durante o Cariri Cangaço 2010

Ainda hoje a gente sente o calor do fogo que aqui se deu naquela manhã de 28 de julho de 1938. No entardecer do dia 27 de julho de 1938 , na grota de Angicos, Pedro chega com a mercadoria encomendada por Lampião. Lampião está triste, acabrunhado, esquisito. Tinha recebido notícias que a Força tinha saído ao encalço dele pras bandas do Moxotó. Já é noite e Lampião corta uma melancia e distribui entre Maria Bonita e Sila e após isso elas vão conversar em cima de uma pedra existente na subida do barranco, oposto a gruta, de frente a barraca de Lampião.

Maria se queixa de Lampião, da vida que leva, quer ir embora, largar a vida, mas Lampião não quer. Estavam de brigas, tinham discutido muito. Maria tinha cortado os cabelos. Daí Sila vê algumas luzinhas no alto do morro e pergunta a Maria o que é aquilo, aquelas luzinhas açula ? Ela triste e pensativa responde que é vaga-lume. E só podia ser mesmo, porque naquela hora a volante estava com Joca, o delator, bem distante dali. Maria ainda fala que não tem medo da volante de Alagoas, porque possui nela um parente. Sila diz que não tem medo da volante Sergipana, mas não explica por que. Separam -se cada uma vai para a sua barraca.

Anos depois, Zé Sereno, marido de Sila, afirma que naquela noite derradeira Lampião e Pedro conversaram dentro do mato, sozinhos até as 23 horas. Durval confirma isso. Pedro vai para casa, atravessa o rio de canoa. Chega em casa e pouco depois chega a polícia para buscá-lo. Ele diz que não pode ir. Teve tempo suficiente para pegar a canoa e atravessar de volta para o coito dos cangaceiros, ou mesmo avisar o irmão para que avisasse Lampião. Mas fica em casa, espera. A vida de Lampião está com as horas contadas. Minutos depois a polícia retorna, daí ele segue por terra com o Cabo Bida até onde está a volante. Chegando lá o Tenente Bezerra põe a mão no ombro dele e avisa: eu vim para te matar se você não me der conta dos cangaceiros. Pedro pensa um pouco e entrega tudo, mas não dá a certeza se os homens ainda estão lá na grota – precisa salvar a sua vida - e, temendo que o irmão esteja entre os cangaceiros e possa ser morto pela polícia, indica a polícia o irmão que está do outro lado e para lá seguem. Chegando lá avisa o irmão para que entregue tudo, porque está preso. Durval sem pestanejar confirma: estão lá sim, acabei de chegar de lá e a bem pouco eles estavam aqui pegando bebida. O fim de Lampião estava traçado.

O que não encaixa na história relatada posteriormente por Durval era que o irmão estava com a camisa ensangüentada da ponta do punhal de João Bezerra, ou mesmo com as unhas arrancadas.

Esse relato é para minimizar uma possível ação posterior de vingança dos cangaceiros contra eles. Sabe-se que o Aspirante Ferreira queria matar logo Pedro, coisa que o Tenente Bezerra não deixou. Lógico, era uma estratégia policial para fazer com que ele desse no bico, pois os mortos não falam e Pedro morto não valia nada para a operação e a missão fracassaria. Depois foi a vez de Durval ser amedrontado. Segundo ele, o Aspirante deu uma tapa no lado do seu rosto que ele caiu no terreiro. Em outro depoimento diz que foi apenas empurrões e que o Aspirante queria logo matar a ambos no que João Bezerra saiu em defesa deles, em proteção. Cenas de artistas primários em picadeiros de circo das periferias. Por fim, com os objetivos traçados e a força avisada com quem iria brigar, começam a subir o leito do riacho. Daí o Tenente Bezerra acende uma lanterna e foca a tropa que em coluna avançava, dá um sorriso e pensa consigo mesmo: quantos daí vão morrer ? ora para quem vai enfrentar um número de cangaceiros superior ao número de seus comandados, e ainda em um terreno desconhecido, a noite, sem saber onde estavam os inimigos e acender uma lanterna é uma atitude reprovável, criminosa, leviana, e inexplicável. Estaria avisando a alguém ? Se a força estivesse em campo aberto o foco da lanterna poderia ser visto a mais de um quilometro de distância, e uma saraivada de balas cairia sobre todos e a maioria morreria naquele momento ou ficaria ferida.

Outro fato acontecido nesse momento que foi relatado e hoje está escrito como verdadeiro é que o Aspirante estava bêbado, aponto de não parar em pé. Ora, para quem desce o Rio São Francisco a noite, nas corredeiras, em três canoas amarradas, podendo a qualquer momento bater em uma pedra e ir ao fundo, estar bêbado e equipado é muito contar com a sorte – é ser negligente demais, ou aventureiro mesmo, aqueles das historinhas de gibis. Outro detalhe tido como verdadeiro: o Aspirante estava tão bêbado que não podia levar a metralhadora e deu a arma a um estranho para levá-la. Ora, dar a metralhadora para um paisano desconhecido, para levá-la, sabendo que ele poderia manobrar a arma e matar muita gente ali presente é demais para quem vai atacar um inimigo naquelas horas da madrugada. O fato que bêbado ou não, foi o Aspirante e sua turma que deram fim ao Rei do Cangaço.



Ainda, para esse momento, e poucas horas antes, o mesmo depoente afirma categoricamente que o Tenente que vai atacar Lampião tinha, ao entardecer, mandado pelo seu irmão, um saco de balas para Lampião. Não cola, não fecha. Não existe explicação enviar um saco de balas para quem você vai atacar horas depois, mesmo porque o Tenente não estava em Piranhas, estava em Pedra, e Pedro comprou as mercadorias em Piranhas. Nessa cidadezinha estavam acantonadas as volantes de Odilon Flor, da Bahia, e talvez a volante de Bezouro, também da Bahia. Se o Oficial Comandante estivesse corrompido não iria atacar Lampião naquela madrugada – atacaria no dia seguinte, em plena luz do dia, para ser visto, ou então mandaria uma aviso por algum informante a Lampião.

Entre tantas contradições há uma: que o Tenente não conhecia Lampião, foi conhecê-lo após a morte do cangaceiro, quando o mesmo já estava de cabeça cortada. Puro engano. Ambos eram conhecidos de muito tempo quando o Tenente, por ser agiota, estava afastado da corporação, e então se misturou ao grupo de todo o tipo de gente, caçadores, bandidos, cangaceiros e jogadores, daí então que aprendeu as manhas de lidar com a gente do sertão, incluindo aí os cangaceiros. Afirmam testemunhas que o Tenente Bezerra jogou baralho com Lampião – eu acredito nisso. Tanto é, que após a morte de Lampião, se embalando em uma rede no oitão da casa da fazenda do Tenente Zé Rufino, esse falou a aquele: como é rapaz, você foi matar o seu amigo ? – a que o Tenente respondera: é, foi o jeito ! – quem viu, testemunhou e está escrito.

Outra história bem verídica dessa amizade é sobre o cachorro de Lampião que aprisionado em combate pela força de Zé Rufino e entregue ao Tenente Bezerra em Piranhas, sessenta dias depois o animal estava na posse de Lampião. Essa amizade antiga, esse conhecimento da vida cangaceira, a troca de informações entre vários informantes, a atitude, o comportamento proposital aos olhos de todos, dando a impressão de apatia, desinteresse, de ser conivente, frouxo, tanto da parte dele como do Sargento Aniceto é que concorreu sobremaneira para o aniquilamento de Lampião, porque com certeza Lampião sabia muito bem do temperamento de seu oponente e com isso negligenciou a segurança do grupo e dele mesmo. Facilitou e pagou caro por isso.


Outra questão a ser comentada é com relação ao bando de Corisco. Lampião chegara na grota no dia 20 ou 21 de julho. Convocou todo o pessoal para uma reunião. Estava na posse de uma fortuna , algo em torno de mais de R$ 750 mil reais em jóias (estimativas ao dia de hoje), cinco quilos de ouro,segundo alguns - mas para encher duas bacias de rosto de jóias dão mais ou menos 2,5 quilos de ouro e não cinco. Somente se fosse ouro em barra, aí se poderia estimar esse peso de cinco quilos – analisando por esse lado, esse valor cairia para 350 mil reais. Em dinheiro sim, supomos, sem nenhuma informação, que Lampião estivesse com valores bem acima de 500 contos de réis, valores que daria para adquirir hoje, 10 automóveis, segundo uns, ao preço de 50 contos de réis um automóvel, outros dizem que não, um automóvel custava na época 8 contos de réis. Outros calculam a correspondência entre as moedas: pega-se o conto de réis e divide-se por quatro, tem-se o valor em reais aos dias de hoje. O fato que uma fortuna estava na posse de Lampião naquela ocasião. Maria Bonita possuía 160 contos de réis, daria para comprar quatro fazendas. Luiz Pedro estava com 360 contos de réis (estimativa), fora as jóias, daria para comprar nove fazendas, sem contar os outros cangaceiros que foram mortos, e mais ainda, aqueles que largaram tudo nas toldas e correram, abandonando o local. Era muito dinheiro.

A volante se apossou de tudo e ninguém soube o destino em que foi parar essa fortuna.

Depois da refrega, quem seria doido de buscar explicações com o pessoal da volante sobre o paradeiro dessa riqueza em um tempo em que a polícia fazia o que bem queria e um soldado da polícia mandava mais no sertanejo que um Senador Romano no tempo de Júlio César ? Esses comentários que foi o dinheiro que matou Lampião surgiu agora na década de 60 e somente foi cogitado no século XXI quando os componentes da volante já não existiam mais.

Continua...

Alfredo Bonessi


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DONA BÁRBARA... POR VALDIR NOGUEIRA


DONA BÁRBARA PEREIRA DE ALENCAR, A SERTANEJA “INIMIGA DO REI” QUE SE TORNOU A PRIMEIRA PRESA POLÍTICA DO BRASIL
Foram dias pendurada no lombo seco de um cavalo, com os braços acorrentados, até que Bárbara de Alencar percorresse quase 500 km entre o Crato e o Quartel da 1ª Linha em Fortaleza, onde seria encarcerada por oito meses por ter declarado a independência de uma pequena vila na capitania do Ceará de Portugal. Avó de José de Alencar, Dona Bárbara foi uma insurgente que confabulou pela independência e pela república, podendo ser considerada a primeira presa política do Brasil. Atuou no Crato, mas nasceu em Exu (PE).
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Dona Bárbara de Alencar foi um dos expoentes da Revolução Pernambucana de 1817, movimento de oposição à monarquia que fundou uma república em parte do Nordeste mais de 70 anos antes de o marechal Deodoro da Fonseca dar fim ao Segundo Reinado e transformar o Brasil independente em República.

Valdir Nogueira, pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaço - São Jose de Belmonte-PE

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COMENDA PATATIVA DO ASSARÉ 2020

Josenir Lacerda recebe Comenda Patativa do Assaré
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Assaré, no cariri cearense, testemunhou a extraordinária cerimônia de entrega da Comenda Patativa do Assaré. O evento comandado pela vice-governadora Isolda Cela e pelo secretário de cultura do Ceará, Fabiano Piúba, aconteceu nesta última quinta-feira, dia 5 de março de 2020, durante a festa de comemoração do nascimento de grande poeta cearense, Patativa do Assaré, que faz parte do Calendário Cultural Oficial do Estado do Ceará. O evento; aberto ao público; homenageia e reconhece o mérito de personalidades do universo da cultura e da arte no estado do Ceará.
Com indicações diretamente do público, através da rede mundial de computadores, com o acompanhamento e justificativa do mérito dos nomes sugeridos e os indicados avaliados por uma Comissão de Seleção composta por sete membros: três integrantes do Conselho Estadual de Política Cultural do Ceará (CEPC); dois integrantes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará; um representante da Universidade Regional do Cariri (URCA); e um representante da Fundação Memorial Patativa do Assaré. 
"A condecoração visa promover o reconhecimento de pesquisadores, artistas, poetas e cantores populares e tradicionais que, assim como fez o grande poeta popular Patativa do Assaré, por meio de sua obra ou atuação, levam adiante os saberes e os fazeres da cultura popular."
Foram agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2020 o cineasta Rosemberg Cariry, o jornalista e pesquisador de cultura popular Gilmar de Carvalho, a cordelista cratense Josenir Lacerda, o cantor e compositor Raimundo Fagner e o jornalista e pesquisador de manifestações folclóricas Oswald Barroso.
"Dia de entrega da Comenda Patativa do Assaré! Dia memorável! Somos gratos por ter no enredo de nossa história a figura da poetisa Josenir Lacerda que muito nos honra a cada título recebido, ao ser citada,lembrada e homenageada. Estamos muito felizes com esse presente, ser agraciado pela comenda que leva o nome deste saudoso poeta popular que cantou tão bem o sertão, com sua genialidade, memória incrível e rimas perfeitas. Cantou o popular e o erudito. Vivia na poesia. Sua fala era poesia! Viva Patativa! Viva Assaré! " CordelEArte.
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 Gilmar de Carvalho, Oswald Barroso e Josenir Lacerda
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Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "a entrega da comenda Patativa do Assaré já é motivo de jubilo e festejo, e ainda por cima consolidar o reconhecimento a esta plêiade de homenageados da estatura de Gilmar de Carvalho, Oswald Barroso, Fagner, Rosemberg e da minha querida e estimada amiga do coração, cordelista Josenir Lacerda, é simplesmente sensacional, meu abraço fraterno e de reconhecimento a Miguel e a toda Academia  de Cordelista do Crato, Avante sempre ".
Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu no dia 05 de março de 1909, na Serra de Santana, no município de Assaré. Foi cantador, repentista, compositor e um dos maiores poetas populares do Brasil. Por meio de sua poesia, foi intérprete e porta-voz das tradições e valores do sertão e do povo excluído de seu tempo. Nos seus 93 anos de vida (faleceu em 8 de julho de 2002), escreveu sobre amor, sobre o cotidiano e os dramas do sertanejo, sobre as dificuldades enfrentadas com a seca e sobre o desafio que as novas tecnologias representa às formas tradicionais de sociabilidade do sertão. Com a medida certa entre a emoção e a razão, nunca silenciou diante de censuras, nem mesmo durante o regime ditatorial. Colocou também sua poesia a serviço de lutas sociais, denunciando as desigualdades, a situação dos meninos de rua, reclamando por Reforma Agrária, reivindicando as eleições diretas e a renovação da política. Ganhou popularidade nacional e reconhecimento internacional como um dos maiores nomes da poesia brasileira por meio de diversas premiações, títulos e homenagens.
"Entre os agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2020, temos a poetisa Josenir Lacerda, que é destaque e referência entre poetas, cordelistas e simpatizantes.Sempre que penso e falo em Josenir Lacerda, me vem a palavra zelo, pois além de inspirada, Josenir Lacerda é cuidadosa e zelosa ao extremo com suas criações. Não foi por acaso que a poetisa recebeu do poeta e instrumentista Ulisses Germano o título de Dama dos versos encantados. De Josenir, eu ouvia inebriada os relatos de suas conversas com Patativa do Assaré, aquelas conversas com certeza foram sementinhas que vingaram e hoje a poetisa colhe os bons frutos. Nesse pequeno relato quero dizer da minha admiração pelo poetisa Josenir Lacerda, do quanto fico feliz com seu sucesso, com esse reconhecimento e como amiga quero reforçar que mesmo distante fico na torcida e aplaudindo de pé suas merecidas conquistas. As portas sempre se abrirão para quem tem a generosidade de abrir sua porta, acreditar e exercer a partilha. Josenir Lacerda, você tem, meu carinho, meu respeito e minha gratidão.Meu abraço," revela a cordelista Dalinha Catunda.
Entrega da Comenda Patativa do Assaré
Governo do Estado do Ceará
Assaré, cariri cearense - 05 de março de 2020


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UMA VELHA

*Rangel Alves da Costa

Hoje, data em que se comemora o Dia da Mulher, repasso um texto escrito no passado e que reflete bem outra condição feminina: a velhice, o abandono, a difícil vida, o difícil viver. Um texto sobre uma velha mulher, e certamente uma mulher que não se encontra tão escondida no seio de nossa sociedade.
Seus olhos profundos e sem luz, quase sumidos nas entranhas da pele escura e enrugada que lhe adorna, parecem ver apenas sombras e nublados naquilo que se põem a olhar. Mas insistentemente Sinhá Titoca mira a vida, e intimamente reflete o que avista ou recorda neste ato solitário de todas as tardes, principalmente após o entardecer.
Velha Antônia ou Sinhá Titoca, do mesmo modo dá atenção a quem lhe cumprimenta de um jeito ou outro. Já não recorda o tempo que alguém pronunciou seu nome de batismo: Antônia Rosarina das Mercês. Achava nome bonito demais para uma filha de escravos e que escravizada também viveu.
Mas a escravidão dos libertos, ou dos libertados sem ter de si afastados o peso dos grilhões e a dor das chibatas do preconceito, da discriminação, da falta de oportunidades para viver e do reconhecimento como pessoa humana. Desse modo, apenas uma escrava liberta e jogada numa nova senzala, aquela da miséria e do esquecimento. Os que chegam somem no passo seguinte.
Hoje pequenina pela idade que parece encolher, de cabelo carapinha todo branquinho, convivendo com sua fé mista de catolicismo e deuses africanos. Ao lado das fitas já esbranquiçadas do Senhor do Bonfim sobressaem-se sempre, e por todo lugar, as imagens de santos e plaquetas com dizeres religiosos. Mas nunca leu uma só palavra. Nunca aprendeu a ler nem escrever.
Foi empurrada às brenhas da cidade e aí permaneceu num casebre ao lado do seu amor de mesma cor e raiz. Mas um dia, depois de longo tempo de verdadeiro banzo distante da paz no campo, o companheiro fechou os olhos de vez e ela ficou sozinha. E o tempo passou, sua casinha ficou cada vez mais comprimida com as novas moradias, mas ela permaneceu aí sem ter para onde ir nem o que fazer.


Cocada branca, arroz doce e mungunzá, não havia nada mais saboroso do que ela fazia. Depois do meio-dia colocava suas guloseimas numa mesinha na entrada do casebre, cobria tudo com toalha rendada e de alvura de leite, e se punha a esperar a clientela chegar, bater palmas, chamar seu nome. Houve um tempo que não dava pra quem queria, mas a clientela foi se mudando, rareando, até que ficou dispendioso demais tanto trabalho para nenhum lucro.
Deixou de lado as comidas de coco e teve de aceitar como ofício aquilo que já fazia desde muito tempo, que era rezar e benzer as pessoas que chegassem necessitadas de um auxílio. Ali chegam pessoas se dizendo tomadas de mau olhado, com espinhela caída, cheias de enfermidades desconhecidas, envoltas em convulsões, e mais um rosário de doenças ou meros temores em busca das rezas milagrosas da velha senhora.
Em tom de brincadeira, mostrando uma dentadura ainda forte e de mármore branco, brinca com quem chega pedindo para que faça trabalho amoroso; ou seja, que faça rezas e encantamentos para o amado fujão voltar de vez e se apaixonar. Ou amarrar o cabra, como costumam dizer. E acrescenta que se mexesse com essas estripulias não vivia naquele deserto de solidão. E pede desculpa por não invocar entidades nem se ajoelhar perante a divindade para pedir intercessão junto às coisas do coração.
Gosta mesmo é de preparar chás, infusões, unguentos, pastas com remédios medicinais. Possui uma pequena farmácia no seu quintal onde cuidadosamente cultiva boldo, mastruz, erva-cidreira, hortelã, arruda e malva, dentre muitas outras ervas milagrosas. Também conhece rezas antigas, ensinamentos passados de outras gerações. E muitos dizem que suas mãos têm o dom de mandar a enfermidade às profundezas dos sete mares e trazer fortalecimento espiritual.
Escolhe três ramos ou folhas no quintal, silenciosamente pronuncia algumas palavras, em seguida seu braço magro faz a planta circundar a cabeça e o corpo da pessoa. Quando a planta se mostra totalmente murcha é porque todo o carrego saiu do corpo e ali se instalou. E a pessoa está livre do mau olhado ou do peso que lhe atormenta. Mas quando a planta insiste em não murchar, então ela se mostra tomada de preocupação.
E diz que a pessoa tome muito cuidado, mesmo estando com corpo fechado. É em corpo assim que as chaves falsas entram com facilidade. E manda que reze três ave-maria por três dias seguidos, que tome banho com água de cuia e não deixe o vento do entardecer subir pelas coxas. É esse vento tinhoso que desanda a vida de qualquer um.
Depois agradece a moeda colocada em sua mão. E o dia seguinte a encontrará na mesma solidão dos tempos, conversando com as plantas, ouvindo os gemidos de dor de suas raízes escravas.

Escritor
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VIRGULINO CARTOGRAFADO, DE GUERHANSBERGER TAYLLOW PORYURI SOUSA


Existem diferentes concepções de História, dentre às quais muito me agrada a ideia de História como "a arte de inventar o passado", reflexão desenvolvida por Durval Muniz. Essa concepção nos distancia do ideal positivista, da construção de uma narrativa histórica objetiva, que reconstitua o passado tal como ele foi. Ao historiador, cabe a construção de uma narrativa; de um enredo erigido sob o diálogo de suas fontes documentais, com as mais variadas bases teóricas, como descreveu Durval: Nós, historiadores, podemos fazer disso a delimitação de nosso espaço, tomarmos a História como uma proto-arte próxima da Ciência e da Filosofia, podendo manter, com estas áreas do conhecimento, diálogo permanente, enfatizando, conforme as problemáticas e temáticas a serem estudadas em cada momento, um destes seus aspectos. 

Quanto a esta construção "artística", em diálogo principalmente com a Geografia e em certa medida com a Filosofia Foucaultiana e Deleuziana, Virgulino Cartografado se apresenta como um livro instigante, por sua beleza e por sua assertividade científica; com tal assertividade científica não quero me referir ao alcance de um conhecimento concluído e objetivo, e sim ao fato de que o aporte teórico da pesquisa, parece ter sido feito especialmente para embasar esta construção. 


Virgulino Cartografado, certamente causará um desafio aos seus leitores, considerando principalmente, aqueles que já possuem uma iniciação nos estudos do cangaço, ao acolher a recomendação que faz Durval Muniz logo no prefácio, a de que abandonemos nossa zona de conforto e nos disponhamos a colocar nossos pensamentos em movimento, principalmente nós, que estamos acostumados com toda a literatura referente ao cangaço(e possuímos certo apego a ela), em sua busca por construção de identidades, sejam elas de heróis ou de bandidos(dicotomia identitária que inclusive permeia livros como "A derradeira gesta", livro de cunho acadêmico e "O canto do acauã", livro de cunho memorialista), com sua vontade de verdade, buscando a perfeita reconstituição do passado, a tão famosa "verdade dos fatos ou verdade histórica"; sem falar em nosso apego a certos autores como Frederico Pernambucano e Gustavo Barroso; nos deparamos ao longo de boa parte do texto com críticas frontais às ideias esboçadas nos livros destes escritores, especialmente à ideia de isolamento, o que certamente causa um desconforto inicial nos leitores(grupo este, em que me incluo). 

A obra é também permeada por um espírito desconstrucionista, com ressonâncias de "A invenção do Nordeste e outras artes", que é uma ideia que não me agrada tanto(deixo claro que compreendo as intenções da tese do professor Durval, tendo em vista que nossa cultura em si e simultaneamente as representações que são construídas a seu respeito, sobretudo por e para aqueles que estão fora dos limites geográficos e ideológicos de nossa região, possui vários problemas, tais como a ideia de que vivemos em uma eterna seca e o da virilidade/masculinidade, que como percebemos na história do cangaço, causou destruição de vidas e de famílias, tendo como exemplo bem próximo, a da família de nosso protagonista. No entanto, acredito que esta identidade cultural, que não deve ser é claro, uma imposição ontológica, e desde que não corrobore com a violência e a vitimização, seja importante), o que tem influência direta na linguagem usada nas críticas, que não são agressivas, mas que em dados momentos soam pejorativas. Todavia, abro um parêntesis para ressaltar que o autor é um experiente estudante do tema, e em termos de publicação, este não se trata de seu primeiro trabalho, tendo estabelecido contato com uma grande bibliografia a seu respeito, conhecendo bem os problemas destes escritos; conhecendo sua qualidade ou falta de qualidade; tendo adquirido por este percurso, autoridade para nos oferecer seu julgamento, refletido na linguagem usada em suas considerações.

Guerhansberg Tayllow e Narciso Dias em dia de Cariri Cangaço

Quanto aos pontos específicos desenvolvidos por Guerhansberger, em parceria com o pensamento de Deleuze e Guatarri, destaco a ideia de máquina de guerra nômade, que parece ter sido feita especialmente para o bando de Lampião. Uma máquina que funciona paralelamente à máquina estatal e à margem de seu controle. Aos estudantes do tema, não raro se faz o questionamento maniqueísta: Lampião era herói ou bandido? Por conta do presente livro, em uma próxima oportunidade em que for questionado nestes termos, terei a resposta "na ponta da língua": Lampião era um guerrilheiro, porém, sem uma ideologia política; portanto, as suas "conquistas" serviam unicamente para alimentar a sua existência e a dos componentes de seu bando, se configurando em uma ação egoísta. A abordagem das táticas de guerra de Lampião, também é algo que chama atenção, tratando sobre sua ação "conservadora" e não, covarde, ao fugir de determinados combates; o seu uso do substrato material espacial; o fato de o bandoleiro não possuir um território sedentário para defender; entre outras considerações sobre sua guerrilha. 

Salta aos olhos também, neste estudo, a capacidade política(e micropolítica) de Lampião, que em termos de articulação e construção de alianças, pouco se diferencia de nossos políticos atuais(os do passado também), em suas incontáveis e sujas conexões em rede, se diferenciando apenas em um ponto, que seria no fato de que o Capitão não tinha nenhuma obrigação com a sociedade que o rodeava, uma vez que era um fora da lei, o que não acontece com nossos parlamentares, que sim, possuem tais obrigações, e por esse motivo, vez ou outra aparecem com mínimas benfeitorias. 

Uma vez mais, reitero a beleza teórica que migra pro estético, na obra ora resenhada. Todo o aporte teórico parece ter sido feito especialmente para a construção desta dissertação, tal é a precisão das urdiduras feitas em seu interior. Me recordo de Ariano Suassuna, que ao prefaciar o livro "Estrelas de Couro - a estética do cangaço" de Frederico Pernambucano, diz que fora da literatura, se pudesse ter escolhido uma obra para ter escrito, esta obra seria Estrelas de Couro, que cá entre nós, assim como outros escritos de Frederico, possui uma acentuada beleza literária. Parafraseando-o, eu digo que se pudesse escolher uma obra para ter escrito dentre tantas que li e conheço, esta seria "Virgulino Cartografado"(é claro, estou muito longe de ser um Ariano, mas vale a ideia que esta declaração encerra). 

Yuri Oliveira Sousa - Caxias - MA 
Acadêmico de Pedagogia


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