Seguidores

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

LAMPIÃO AS MULHERES E O CANGAÇO


Veja se o professor Pereira está vendendo através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JOÃO DEDÉ SE FOI


Por Manoel Belarmino

Na manhã de hoje, eu soube do falecimento de seu João Dedé, ou João de Belinha, como também era conhecido. Seu João era esposo de Tia Belinha Soares, filha de Toinho Nicácio da lendária Fazenda Santo Antonio. Com mais de cem anos de idade, Seu João Dedé se foi. Despediu-se do sertão.


Na foto, feita na histórica Pia das Panelas, nas margens do Riacho do Quartavo, onde estão sepultados as cangaceiras Rosinha Soares e Lídia e o cangaceiro Coqueiro, está Seu João Dedé, eu e Tia Belinha.

https://www.facebook.com/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A MORTE DE EZEQUIEL ( irmão de Lampião)... - LAGOA DO MEL POR JOÃO DE SOUSA LIAM


Vídeo: Aderbal Nogueira com o escritor João De Sousa Lima.
https://www.youtube.com/watch?v=U2W9z7ZLDfE&feature=youtu.be&fbclid=IwAR0PBtbrJxqDA8CmX_-Upifj6WLrtmO-1254pT0efcGezf8SHCbGMLfEm1g&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o



O pesquisador e escritor João de Sousa Lima fala sobre o combate na Lagoa do Mel onde a história conta que morreu Ezequiel, irmão de Lampião.
Criado com
Vídeos de origem

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO: A RAPOSA DAS CAATINGAS – UMA OBRA IMPRESCINDÍVEL E INDISPENSÁVEL PARA QUEM ESTUDA O NORDESTE BRASILEIRO

Por José Romero Araújo Cardoso


Finalmente atrevi-me terminar de ler o extraordinário livro de autoria do renomado escritor e pesquisador José Bezerra Lima Irmão, intitulado Lampião: A Raposa das Caatingas, pois denso, riquíssimo em informações e bem estruturado em suas abordagens sobre o personagem principal e sobre o nordeste de uma época, perfazendo mais de setecentas páginas bem escritas,  setecentas e trinta e seis, para ser mais preciso, consiste-se em verdadeiro desafio concluir sua leitura, tendo em vista a forma envolvente como prende o leitor às minúcias de uma pesquisa séria e compenetrada que levou onze anos para ser concluída, a qual, utilizando metodologia eclética e bem selecionada, tem garantido lugar de destaque entre os grandes clássicos escritos sobre o Lampião, o cangaço e o Nordeste em todos os tempos.
          
Concordo, em parte, com o autor quando este defende que a história do nordeste brasileiro resume-se basicamente às figuras de Lampião, Padre Cícero e Antônio Conselheiro. Na minha humilde opinião, creio que faltou inserir o nome do grande evangelizador dos sertões nordestinos – “Coronel” Delmiro Augusto Gouveia Farias da Cruz, para quem trabalharam, exercendo o ofício de almocreve, Lampião e familiares, transportando, assim como diversos anônimos, algodão e outros produtos regionais a fim de contribuir para movimentar a produção da sofisticada fábrica de linhas Estrela da Villa da Pedra, em Alagoas.

          
Esses personagens destacaram-se, no espaço e no tempo, fomentando expressivos momentos da história nacional nos quais suas atuações notabilizaram-se pela atenção despertada além divisas regionais e fronteiras pátrias.
          
A objetividade que embasa o trabalho de fôlego de José Bezerra Lima Irmão é um dos pontos altos da imensa contribuição efetivada pelo responsável escritor e pesquisador, pois conclama que os leitores tirem suas conclusões sobre os assuntos abordados, tornando-os figuras de destaque na leitura da obra.
          
A estrutura didática sobre a qual ergue-se Lampião: A Raposa das Caatingas, em segunda edição, publicada em Salvador (Estado da Bahia) pela JM Gráfica & Editora, no ano de 2014, destaca duzentos e quarenta capítulos, iniciando com A figura de Lampião emoldurada no contexto histórico e no ambiente em que viveu, sendo concluída com importante abordagem sobre a sombra de Lampião, por título Corisco, o último cangaceiro.
          
O autor faz questão de frisar que o Lampião enfocado em sua obra não seja visualizado nem como herói e nem como bandido e sim como produto de sua época, um cangaceiro, pois “O Nordeste até quase o meado do século XX era uma terra de cangaceiro. Ser cangaceiro era moda” (LIMA IRMÃO, 2014, p. 17).
          
Um dos grandes momentos da obra, conforme constatei, é a própria valorização do nordeste em seus fundamentos humanos, pois o autor conseguiu compreender a região em seus aspectos mais incisivos, a exemplo da defesa referente à ortopéia popular, ou seja, o linguajar rude do matuto, o qual assinala a forma de falar do povo do sertão, tendo em vista que Lampião e seus cangaceiros falavam e se expressavam como a gente simples da qual faziam parte.
          
Mesmo tendo se passado mais de setenta anos de sua possível morte na grota de Angico, ao lado de dez cangaceiros e um praça volante, Lampião suscita polêmicas, dúvidas e incertezas, as quais são analisadas de forma inteligente e bem articuladas por José Bezerra Lima Irmão.
           
Virgulino Ferrreira da Silva integrou um nordeste marcado pela violência, pelo desejo de vingança, tornando-se arquétipo de uma raça altiva e forte, vem sendo estudado há décadas por autores nacionais e por brasilianistas, mas a forma ímpar como foi inserido como personagem principal na pesquisa metódica e compenetrada de José Bezerra Lima Irmão destaca sua importância incontestável na história regional.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP).

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O COMERCIANTE JOSÉ PEREIRA DE SOUZA - J. P. SOUZA

Por José Mendes Pereira
José Pereira de Souza

José Pereira de Souza nasceu em Pereiro, no Estado do Ceará, a 26 de Setembro de 1911. Era filho de Manoel Lucas Sobrinho e de Maria José de Souza. Tinha vários irmãos, os que mais se destacaram foram: Damião Rodrigue pai do Manoel Enfermeiro, dona Chiquinha Rodrigues Duarte esposa do fazendeiro Chico Duarte, dona Antonia Rodrigues (dona Toinha) esposa de Senhor, dona Santa esposa de Rosadinho.

Comércio de José Pereira de Souza

Conheci muito o José Pereira de Souza e era pai do empresário Paulinho da Honda. Foi casado com dona Júlia Paula e com o seu falecimento, casou-se pela segunda vez com dona Maria do Carmo Nogueira do Monte (Carminha), irmã do empresário Milton Nogueira do Monte que foi meu patrão na Editora Comercial S/A em Mossoró.

Costumeiramente quando ele passava para visitar dona Chiquinha Duarte, sua irmã na Fazenda Duarte - Barrinha, sempre tomava café na casa do meu pai Pedro Nél, Pedrinho, como chamava ele e os demais irmãos, pois nós morávamos na propriedade de Manoel Duarte, ao lado da estrada que leva até a antiga fazenda Barrinha. Mas antes era uma única propriedade, e que posteriormente foi dividica com os filhos do falecido fazendeiro Chico Duarte.

Dr. Milton Marques e Rafael Negreiros

Segundo Rafael Negreiros teceu seu perfil dizendo o seguinte: "Conheci José Pereira de Souza há mais de 40 anos, quando era gerente de uma fábrica de sabão de Luiz Paula, seu sogro. Posteriormente estabeleceu-se por conta própria, teve um gravíssimo problema de coluna e estou a me lembrar que nos idos de 1950, quando ele desceu num avião da Panair (caiu na fazenda Barrinha de sua irmã dona Chiquinha Duarte).


Não tinha quem o levasse para um carro especialmente preparado para a tarefa e não tive dúvidas, subi, levei-o nos braços e ele nunca me esqueceu o favor que lhe prestei. (...) Entre as muitas boas qualidades de José Pereira de Souza ele tinha uma fora do ramo - não falava mal de ninguém, ria apenas, dizia que seu estabelecimento era sua maior diversão e dava tempo integral e eu gostava de dizer a ele que estava correndo atrás de uma sombra, que jamais alcançaria. De casa para o armazém ou para uma fazenda de gado e estamos conversado".

Dona Chiquinha Duarte

Mas o seu sorriso ninguém sabia se era com o que estava sendo criticado, ou se era contra a pessoa que atacava o outro naquele momento, e se o crítico criticava daquele, talvez ele temia que o crítico podeira também criticar dele.

José Pereira de Sousa colaborou muito com o desenvolvimento de Mossoró, gerando emprego para os mossoroenses. Era pai de Ney, Zezinho, Paulo Neto, José Paula, Javan e Nathan. O empresário Faleceu no dia 07 de Dezembro do ano de 1999, e fez muita falta para Mossoró.

Fonte de pesquisa:

Ruas e Patronos de Mossoró

Raimundo Soares de Brito

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro.

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com

LAMPIÃO EM MOSSORÓ SAQUEIA A FAZENDA VENEZA


https://www.youtube.com/watch?v=brptLLGeUH4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR04xdQ3a4kvXbehw3zUN48AxOEpDuv6EjAF94bT7UG0TF7VTj_Oz9hLaW0



Pouca coisa se fala sobra as façanhas de Lampião e seu bando de cangaceiros em terras potiguares. Além da famosa defesa de Mossoró no dia 13 de Junho de 1927 contra os cangaceiros, a história guarda alguns feitos do bando, pouco explorados, trazemos agora esse relato que ate hoje é contado nos arredores da antiga fazenda Veneza. Fique-se registrado. Bom estudo. Crédito fotográfico: Blog Tok da História. Agradecimento: Aos queridos amigos, Rostand Medeiros por nos ceder gentilmente as fotos que compuseram o vídeo a Raimundo Filho pela Criação da trilha sonora e a todos que diretamente ou indiretamente nos ajudaram nesse trabalho.

https://www.youtube.com/watch?v=brptLLGeUH4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR04xdQ3a4kvXbehw3zUN48AxOEpDuv6EjAF94bT7UG0TF7VTj_Oz9hLaW0&ab_channel=NaRotaDoCanga%C3%A7o

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

OS CANGACEIROS DA CAATINGA...

Por Donizeti Silva

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2721793764755848&set=gm.1444166515792288&type=3&theater&ifg=1

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

VAMOS PRESTIGIAR O CANAL ADERBAL NOGUEIRA CANGAÇO NO YOU TUBE


Por Jose Irari

Novo inquilino!! Romance histórico, baseado em fatos verídicos!! Autor escreveu através de histórias orais. Estou começando a ler. Avante amigos do cariri cangaco. Vamos prestigiar o canal Aderbal Nogueira cangaco no YouTube. 

Toda semana uma live, com bons temas e ótimos palestrantes.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1235782730090401&set=gm.1445864582289148&type=3&theater&ifg=1

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O CANGACEIRO BRONZEADO E ATRAPALHADO.


João Filho de Paula Pessoa

O Ceará produziu poucos cangaceiros, tendo vivido em paz com o Cangaço, do qual não sofreu sua atuação violenta, pelo contrário era Terra respeitada por Lampião. No entanto, produziu um cangaceiro de apelido Bronzeado, natural de Lavras da Mangabeira, que fez parte do Bando de Massilon em 1927 no Rio Grande do Norte, participando de algumas ações naquele ano.

Participou do ataque a Apodi/RN e atacou também o lugar chamado Gavião. Saiu deste último ataque desnorteado, sozinho, fugindo e tentando retornar para casa no Ceará, mas sua desorientação era tanta, que errou o caminho e chegou à cidade de Martins/RN, onde foi reconhecido e preso. Dias depois chegou à mesma prisão o cangaceiro Mormaço, outro cearense, que tinha participado da invasão à Mossoró e desertou do bando, mas foi preso no Crato/Ce., ficaram presos por quase um ano, quando em Março de 1928 foram fuzilados na cadeia juntamente com outros presos, sob a justificativa de que tinham tentado fugir. 

Bronzeado morreu aos 27 anos, com uma curta e atrapalhada vida no Cangaço, sem nunca ter conhecido Lampião. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 13/01/2020.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3247821221974124&set=gm.679132459357380&type=3&theater&ifg=1

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

HUMOR E REFLEXÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de setembro de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.378

Saindo do sério histórico da minha terra, entremos na área do humor e reflexão. Existem pessoas que têm um raciocínio tão rápido que parecem saber o que vai ser perguntado ou dito. Uns chamam o fenômeno de tirocínio. Você é assim? Seja lá o que for vamos contar quatro passagens que o tempo não deixou esquecer.

(FOTO: B. CHAGAS)

O saudoso prefeito de Maceió, Sandoval Caju teve publicada várias histórias de presença de espírito. Uma delas conta que uma vez eleito, foi participar de uma reunião quando um dos presente disse baixinho ao companheiro, mas não tão baixo assim: “Esse é o palhaço que foi eleito”. Sandoval ouviu o desabafo opositor, virou-se rapidamente e disse: “Os palhaços são vocês, agora eu sou o dono do circo”.
Seu Marinho Rodrigues negociava no “prédio do meio da rua”, despachava no balcão do armazém juntamente com sua esposa Prazerinha e o cunhado Reguinho. Ao receber dinheiro costumava levá-lo contra a luz e examiná-lo com o tato. Gostava de chamar seus clientes homens de “caboclo velho”. O cidadão Zé Malta, de verve boêmia, entrou no armazém, pediu uma carteira de cigarro, pagou, recebeu o troco e saiu caminhando. Quando, lá na frente contou o troco, coisa rara! Marinho Rodrigues dera dinheiro a mais. Malta voltou lá para devolver o excesso: “Seu Marinho...”  “Diga caboclo velho”. Prossegue Zé Malta: “O senhor deu o troco errado”. E seu Marinho, na sua pompa de autoestima: “Aqui não se passa troco errado, caboclo velho”. Zé Malta falou apenas: “Muito obrigado, Seu Marinho”.  Pôs a gratificação de volta ao bolso, saiu assoviando e desapareceu na primeira esquina.
O ex-prefeito interventor Nozinho despachava no balcão da sua  Sorveteria Pinguim. Um rapaz pediu um picolé e veio um produto verde escuro. O cliente mordeu, experimentou, deglutiu um pedaço e indagou: “Seu Nozinho, esse picolé tão verde assim é de mata-pasto ou de quê?”. O ex-prefeito marca três efes respondeu em cima da bucha: “Você que estar chupando não sabe, quanto mais eu...”.
Antônio Alves Costa, o “Costinha” era prático de veterinária, brincalhão e rápido nas respostas. Certa feita foi vacinar o gado na  fazenda do meu pai, sítio Timbaúba. Os vaqueiros laçavam e dominavam as reses, o prático encostava e zás! enfiava a agulha com perfeita habilidade. Uma vaca, porém, dava muito trabalho aos vaqueiros.  Esperneava, pulava, escoiceava... E Costinha olhava da sua zona de conforto. Um dos vaqueiros, o Chicão, antes de dominar completamente a rês, gritou: “Venha, seu Costa que a rês é mansa”. Costinha só teve tempo de abrir a boca: “Mansa era minha mãe e meu pai tinha medo dela”. E Ficou espiando de longe tempos melhores.

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/09/humore-reflexao-clerisvaldob.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

HÁ RELATOS QUE PADRE CÍCERO DORMIA MUITO POUCO

Por Francisco Airton Castro Rocha2
Figura 2 Padre Cícero e o médico Luis Malzone, fundador dos Hospitais São Lucas; foto da década de 1920-1930, mostra inclinação lateral do pescoço. 

Há vários relatos de que o padre Cícero dormia muito pouco, era surpreendido a cochilar durante o dia, diante dos interlocutores, e até mesmo na sela de sua montaria.25,7,8 Sempre dormiu em rede, a despeito de ter uma cama em seu quarto.3 Tinha alimentação frugal, habitualmente jejuava por longos períodos. 14,6,8,9 Em 1910, ao pensar ser acometido de problemas renais, observou conselhos do Dr. Miguel Couto e acreditou que a situação decorria da água do Juazeiro. A partir de então, passou a beber apenas água de coco ou chá, não voltou a beber água potável. 35,10 Há descrições de hemoptises nas biografias do padre Cícero, embora nos pareça que se tratasse de hemoptoicos, já ele com 76 anos.2,3 Mesmo que não haja relato de sintomas respiratórios outros, considerando que o padre Cícero teria fumado, certamente cigarro não industrializado, por alguns anos, ainda antes de chegar ao Juazeiro,4,10 não se pode deixar de considerar a possibilidade de que ele tenha desenvolvido algum problema respiratório de vias aéreas inferiores que pudesse ter levado a episódios de hemoptoicos.

Aparentemente, é muito claro que o padre Cícero tenha apresentado repetidas infecções nos membros inferiores, descritas como erisipela, nos seus últimos anos de vida.2,3,7 Um antraz, na região cervical posterior, já próximo de sua morte, foi motivo de uma intervenção cirúrgica, bem como uma provável catarata, operada pouco mais de um mês antes de sua morte, sem sucesso.3

Em uma de suas biografias, a descrição de seu último quadro3 sugere o desenvolvimento de obstrução intestinal. Considerando que o padre Cícero já contava 90 anos, que teria apresentado furúnculos e mesmo erisipela de repetição, aliados à inexistência de antibioticoterapia e de cuidados adequados de desinfecção, é bem possível que seu quadro final tenha sido infecção generalizada, a partir de foco cutâneo, que levou a comprometimento intestinal, com abdome agudo clínico, como poderia ocorrer na fase inicial de um choque séptico, agravado por desidratação e consequente déficit de irrigação renal, com anúria, que, aliás, é relatada, e seguiu-se o óbito.2

Integração clínica

Motivado pela leitura de sua biografia, penso ser plausível propor a hipótese que o padre Cícero teria sido portador de uma espondiloartropatia crônica inflamatória, até hoje insuspeitada. A descrição seria de quadro doloroso lombar, que acometeu também a coluna cervical, em indivíduo do sexo masculino, de cor branca, iniciado antes dos 50 anos, com anquilose parcial da coluna, particularmente visível no segmento cervical. Teria havido pelo menos um episódio de artrite documentada e vários episódios de distúrbios intestinais, que poderiam ser associados a um componente inflamatório intestinal e fazer parte da hipótese diagnóstica principal. Na história familiar, há apenas relato de que sua mãe teve “inflamação nas pálpebras” por vários anos e teria ficado “‘paralítica” em 1897, por volta de sua sexta década de vida.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico anatômico predominante seria da coluna (segmentos lombar e cervical), com quadro crônico, de provável natureza inflamatória, uma vez que não há descrição de que seus sintomas fossem agravados por sua atividade física, que foi intensa. O “Padim” era incansável, trabalhava até altas horas. Sempre se deslocou regularmente, mesmo na última década de vida. A sonolência poderia denunciar sono não reparador e a preferência pela rede é comum em doentes com espondilite “aqui por essas bandas do Nordeste brasileiro”, embora não haja fundamentação técnica a apoiar esse hábito. Assim, esses aspectos que sugerem sono não reparador alimentam a hipótese de que suas dores na coluna, relatadas em vários livros a seu respeito, tivessem caráter inflamatório. Não há relato de trauma que pudesse justificar uma fratura cuja consolidação daria causa à deformidade cervical que desenvolveu. Também é improvável ter-se tratado de escoliose, que não é causa habitual de dor na coluna, ao contrário do pensamento comum, e raramente envolve a porção cervical, que é o segmento com deformidade mais perceptível no padre. Uma foto sua (fig. 3) ainda prestes a concluir os estudos no seminário (cerca de 23 anos) não mostra a inclinação do pescoço, que deveria existir já a esse tempo caso a razão fosse escoliose idiopática juvenil estrutural. É improvável tratar-se de osteoartrite primária, face ao sexo masculino e ter iniciado abaixo de 50 anos. A julgar pela foto de 1888 (fig. 1), em que o padre já aparece com o pescoço inclinado para a direita, e pelos relatos de dores e da “escoliose” por volta de seus 50 anos, é absolutamente plausível que ele tenha apresentado dores por algum tempo, que se teriam iniciado antes dos 45 anos, como ocorreria nas espondiloartrites.11 Causas infecciosas piogênicas e artrite reativa são improváveis pela cronologia, bem como artrite microcristalina, mesmo a de causa hiperuricêmica. Padre Cícero era magro, tinha dieta frugal, com pouca ingesta de carnes vermelhas, abstinência alcoólica e havia predominância do envolvimento da coluna. Não seria apelativo, a despeito da especulação inerente ao presente texto, que a artrite relatada aos 60 anos decorreria de envolvimento articular periférico de uma espondiloartrite de predomínio axial. Lues, doença altamente prevalente na época, pode ser excluída pela condição celibatária do patriarca, que assumiu esse compromisso ainda adolescente (aos 12 anos, segundo depoimentos), o que não foi questionado nem por seus mais ácidos críticos.3,4,9 Ademais, sua marcha não tinha aspecto de tabética, como seria passível de existir em uma lues terciária que envolvesse a medula espinhal. Etiologia tuberculosa, hansênica ou fúngica, a despeito dos hemoptoicos, nos parecem causas improváveis para explicar o quadro da coluna, face ao longo tempo (mais de 40 anos de evolução) e ao aspecto anquilosado que sua rigidez ao caminhar sugere. Não temos elementos para explicar os episódios de hemoptoicos, mas poderiam decorrer de sequelas de infecções respiratórias.2,3,9 Osteoporose primária que leva a fraturas pode ser afastada pelo sexo masculino, boa atividade física, ingesta frequente de laticínios, exposição intensa e por muitos anos ao sol, início antes dos 45 anos, além da artrite e quadro intestinal incompatíveis com osteoporose.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0482-50042016000500464&script=sci_arttext&tlng=pt

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

TERRITÓRIO LIVRE DE PRINCESA NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO...

Por Manoel Severo

"Estou vendo aqui o convite do querido amigo Manoel Severo para que assistamos ao vídeo do Cariri Cangaço sobre o tema Território Livre de Princesa – a Guerra de 30. Será amanhã, sexta-feira, no canal YouTube do Cariri Cangaço.Lembro que no encontro do Cariri Cangaço realizado em Princesa a revolta do Coronel Zé Pereira foi objeto de uma palestra do saudoso José Romero Araújo Cardoso. A Guerra de Princesa é um capítulo marcante da história do Nordeste. Governava a Paraíba o presidente João Pessoa, sujeito arrogante, vaidoso, que criticava os coronéis do sertão mas adotava os mesmos métodos deles, valendo-se de sua condição de sobrinho de Epitácio Pessoa, que tinha sido presidente da República. A polícia prendia, espancava e até matava quem lhe fizesse oposição.

Um dos perseguidos foi João Duarte, advogado brilhante, neto do ex-presidente paraibano Manoel Dantas. O automóvel do advogado foi lançado pela polícia nas águas do Sanhauá. A polícia invadiu sua residência, destruiu móveis, livros e processos judiciais e apoderou-se de vários documentos e papéis, no meio dos quais sua correspondência amorosa com a professora Anaíde Beiriz. Trechos de suas cartas íntimas foram publicados no jornal oficial do governo da Paraíba. Enquanto isso, no sertão, a violência corria solta. O Coronel Zé Pereira, chefe político de Princesa, rompeu com o governo do Estado. Os coronéis do sertão aliaram-se a ele. Em represália, o presidente João Pessoa mandou exonerar ou transferir funcionários que tivessem qualquer relação de parentesco ou amizade com Zé Pereira e seus correligionários.

Intensificaram-se as ações policiais. Em Teixeira, uma volante comandada pelo tenente Ascendino Feitosa cercou a casa do chefe político, o velho Manoel Silveira Dantas, e mandou bala. Duas senhoras idosas da família Dantas foram arrastadas da cama para a rua e humilhadas publicamente. Para arrasar Princesa, três colunas marcharam da capital o reduto do coronel turrão.Zé Pereira arregimentou seus jagunços, entre os quais havia vários ex-cangaceiros de Lampião.Foi heroica a participação do caboclo Marcolino e de seu cabra de confiança, Manoel Ronco Grosso. Marcolino era sobrinho e cunhado de Zé Pereira.

Houve combates memoráveis nas caatingas de Santana dos Garrotes, Nova Olinda, Imaculada, Água Branca, Patos de Princesa e Tavares. A Paraíba tornou-se ingovernável.Zé Pereira mandou publicar um Decreto proclamando a independência do município de Princesa, que passava a ser um Território Livre, ligado ao governo federal, mas desligado da Paraíba. Mas foi então que aconteceu um fato decisivo, embota nada tivesse a ver com a guerra de Princesa: ao anoitecer do dia 26 de julho de 1930, o advogado João Duarte, alucinado com a invasão de sua residência e a publicação de suas correspondências íntimas no órgão oficial do governo, assassinou o presidente João Pessoa em pleno centro do Recife.A revolta de Princesa e a morte de João Pessoa foram o estopim Revolução de 1930. No contexto desses fatos, ocorreu ainda o assassinato de João Suassuna, pai do grande escritor Ariano Suassuna.

(Esses episódios são narrados em detalhes no meu Capítulos da História do Nordeste. Quem tiver interesse em conhecer esse  trabalho, por favor peça ao Professor Pereira – contato: (83)9911-8286)." Pesquisador e escritor, José Bezerra Lima Irmão.


É Nesta próxima sexta-feira, dia 04 de setembro, às 20 Horas. 
Grandes Encontros Cariri Cangaço - YouTube
Território Livre de Princesa - A Guerra de 30
Convidados: Emmanuel Arruda, Thiago Pereira e Domingos Maximiano

https://cariricangaco.blogspot.com/2020/09/territorio-livre-de-princesa-nos.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CARIRI CANGAÇO

Por José Bezerra Lima Irmão

Estou vendo aqui o convite do querido amigo Manoel Severo para que assistamos ao vídeo do Cariri Cangaço sobre o tema Território Livre de Princesa – a Guerra de 30. Será amanhã, sexta-feira, no canal YouTube do Cariri Cangaço.

Lembro que no encontro do Cariri Cangaço realizado em Princesa a revolta do Coronel Zé Pereira foi objeto de uma palestra do saudoso José Romero Araújo Cardoso.

A Guerra de Princesa é um capítulo marcante da história do Nordeste.


Governava a Paraíba o presidente João Pessoa, sujeito arrogante, vaidoso, que criticava os coronéis do sertão mas adotava os mesmos métodos deles, valendo-se de sua condição de sobrinho de Epitácio Pessoa, que tinha sido presidente da República. A polícia prendia, espancava e até matava quem lhe fizesse oposição.

Um dos perseguidos foi João Duarte, advogado brilhante, neto do ex-presidente paraibano Manoel Dantas. O automóvel do advogado foi lançado pela polícia nas águas do Sanhauá. A polícia invadiu sua residência, destruiu móveis, livros e processos judiciais e apoderou-se de vários documentos e papéis, no meio dos quais sua correspondência amorosa com a professora Anaíde Beiriz. Trechos de suas cartas íntimas foram publicados no jornal oficial do governo da Paraíba.

Enquanto isso, no sertão, a violência corria solta.

O Coronel Zé Pereira, chefe político de Princesa, rompeu com o governo do Estado. Os coronéis do sertão aliaram-se a ele.

Em represália, o presidente João Pessoa mandou exonerar ou transferir funcionários que tivessem qualquer relação de parentesco ou amizade com Zé Pereira e seus correligionários.

Intensificaram-se as ações policiais. Em Teixeira, uma volante comandada pelo tenente Ascendino Feitosa cercou a casa do chefe político, o velho Manoel Silveira Dantas, e mandou bala. Duas senhoras idosas da família Dantas foram arrastadas da cama para a rua e humilhadas publicamente.

Para arrasar Princesa, três colunas marcharam da capital o reduto do coronel turrão.

Zé Pereira arregimentou seus jagunços, entre os quais havia vários ex-cangaceiros de Lampião.

Foi heróica a participação do caboclo Marcolino e de seu cabra de confiança, Manoel Ronco Grosso. Marcolino era sobrinho e cunhado de Zé Pereira.

Houve combates memoráveis nas caatingas de Santana dos Garrotes, Nova Olinda, Imaculada, Água Branca, Patos de Princesa e Tavares.

A Paraíba tornou-se ingovernável.

Zé Pereira mandou publicar um Decreto proclamando a independência do município de Princesa, que passava a ser um Território Livre, ligado ao governo federal, mas desligado da Paraíba.

Mas foi então que aconteceu um fato decisivo, embota nada tivesse a ver com a guerra de Princesa: ao anoitecer do dia 26 de julho de 1930, o advogado João Duarte, alucinado com a invasão de sua residência e a publicação de suas correspondências íntimas no órgão oficial do governo, assassinou o presidente João Pessoa em pleno centro do Recife.

A revolta de Princesa e a morte de João Pessoa foram o estopim Revolução de 1930. No contexto desses fatos, ocorreu ainda o assassinato de João Suassuna, pai do grande escritor Ariano Suassuna.

(Esses episódios são narrados em detalhes no meu Capítulos da História do Nordeste. 


Quem tiver interesse em conhecer esse trabalho, por favor peça ao Professor Pereira – contato: (83)9911-
franpelima@bol.com.br

https://www.facebook.com/photo?fbid=3362389307116237&set=gm.1446804562195150

http://blogdomendesemendes.blogspot.com