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sexta-feira, 2 de abril de 2021

UM PEDIDO DOS POETAS A DEUS

 Por José Cícero Silva

Dizem a boca pequena por aí que os poetas que partiram, antes de nós, para o andar de cima resolveram um dia desses, reivindicar algo de novo a Deus:

Pediram por escrito, em versos antigos e modernos em forma de moção holística. Alguns em sextilhas, decassilabos, versos livres e haicais. Que desde então, na vida, sofrer fosse apenas uma condição opcional.

Que pecado de verdade fosse somente não se permitir ser feliz integralmente.

Ainda, que amar sem limite fosse de fato, uma necessidade essencial.

Como também que a morte, de agora em diante, fosse algo raríssimo, meramente casual.

Que a maldade humana enfim, desaparecesse para sempre.

E que ninguém nunca mais partisse.

Como igualmente, se extinguisse

a dor de qualquer saudade.

E que a felicidade fosse uma profissão de fé e o otimismo um sentimento universal.

Ainda, que doravante, todos os homens na face da terra, de verdade se tornassem livres, humanistas e conscientes.

Que a solidão fosse uma escolha própria da gente. E que a poesia aproximassem os idiomas, além dos corações e a prece, a humanidade da divindade celeste.

Que desaparecessem por fim, do meio de nós, a ganância, o orgulho, a sede e a fome.

Que o homem, nunca mais fosse o lobo do próprio homem. E que a igualdade e a justiça alimentassem a política da Concórdia e da paz. Que desaparecessem de vez as fronteiras ecumênicas e territoriais.

E que os momentos alegres e felizes se perpetuassem indefinidamente, como para todo o sempre. E que qualquer tipo de guerra sobre a Terra não existisse nunca mais.

Jc

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POEMA SOBRE LÍDIA

 Por Conrado Matos

Na quarta-feira pela noite eu resolvi assistir um filme sobre Corisco. Este filme já é bem antigo. Mas o que me chamou muito atenção fora as mortes cruéis de um lado e outro, bando, coiteiro e polícia. A morte da cangaceira Lídia foi muito cruel. Morta a pauladas pelo seu marido, o cruel Zé Baiano. Uma cena chocante. Lembrei do meu poema que escrevi sobre Lídia e hoje resolvi postar novamente.

A BAIANA LÍDIA TEVE UM TRISTE FIM

Poesia de Conrado Matos


A bela Lídia do bando de Lampião

Baiana alegre, moça bonita do sertão

Mulher cortejada no cangaço

Não faltava homem interessado


Entrou no bando com 18 anos de idade

Para azar do seu destino e infelicidade

Tornou-se companheira de Zé Baiano

Valentão e machista de verdade


Zé Baiano, todos sabiam da sua paixão

Lídia morava por inteira no teu coração

Lídia um dia por outro homem se interessou

Pelo cangaceiro Bem-te-vi se encantou


Dentro do cangaço tinha o código do pecado

Quem fosse traidor seria assassinado

Bem-te-vi um homem alto, louro e bonito

Lídia não pensou, este homem é meu partido


Certo dia atrás da moita Lídia é flagrada

Como já disse aqui, ela era uma mulher cortejada

Numa falta de sorte foi vista pelo cangaceiro Coqueiro

Por Lídia não o dá bolas, fora seu maior fofoqueiro


Coqueiro contou para Zé Baiano sobre a traição

Lídia procura Lampião para pedido de perdão

Maria Bonita e nem o Capitão deram atenção

Tinha o Código de Honra onde pagava por traição


Numa noite triste de muita crueldade e maldição

Zé amarrou Lídia, julga e executa sua condenação

E mata a indefesa mulher com várias pauladas

No quintal, Zé chorava feito uma criança desvairada


Conrado Matos - Psicanalista, Poeta e Escritor sergipano residente em Salvador há 39 anos. Autor do livro A RECEITA da FELICIDADE vem de VOCÊ.

Nota: Foto da casa onde Lídia Pereira de Souza viveu (Povoado Salgadinho-Paulo Afonso-BA) com sua família, antes de conhecer Zé Baiano. Nesta casa Zé Baiano ficou durante uns dias sendo cuidado pelos pais de Lídia, por motivo de uma doença. Lídia vai embora com Zé Baiano para seguir o cangaço.

FONTE DA FOTO: CANGACIOLOGIA.

 https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/posts/3590058591105299?notif_id=1617359641221115&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

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O CASO DE CARLINHOS

 Por Wikipédia

O Caso Carlinhos refere-se ao sequestro do menino Carlos Ramires da Costa, ocorrido em 1973, no Rio de Janeiro, o qual permanece insolúvel[1].

O caso, repleto de hipóteses, suspeitos e informações controversas, gerou grande repercussão nacional. Carlinhos, uma criança de dez anos, era um dos sete filhos da dona de casa Maria da Conceição Ramires da Costa e do industrial João Mello da Costa, proprietário da indústria farmacêutica Unilabor, em Duque de Caxias.

O menino foi sequestrado em sua residência, invadida por um criminoso que deixou um bilhete, no qual marcou data e local de pagamento do resgate. Com a publicação do bilhete pelo jornal O Globo e grande repercussão subsequente, os sequestradores não compareceram ao local combinado, e Carlinhos jamais foi encontrado[2]. Desde então, diversas notícias sobre o paradeiro de Carlinhos surgiram[3][4], mas nenhuma obteve confirmação nos testes de DNA[5].

Para o jornalista Celso de Martin Serqueira, que foi a primeira pessoa a chegar ao local do sequestro e que acompanhou o caso, a mãe de Carlinhos, que exibiu comportamento extravagante no curso das investigações, era a principal suspeita do crime na investigação efetuada pelo governo militar[2]. Em 26 de junho de 2003, o programa Linha Direta, da TV Globo, exibiu reportagem especial sobre o caso, expondo a versão da mãe de Carlinhos para os acontecimentos[6].

Sequestro

Por volta das 20h35min da noite chuvosa da quinta-feira de 2 de agosto de 1973, na residência nº 1.606 da Rua Alice, zona sul do Rio de Janeiro, Carlinhos, à época com 10 anos, foi sequestrado[7]. No momento do crime, vestia apenas uma bermuda azul-marinho e assistia a novela Cavalo de Aço, na Rede Globo, juntamente a sua mãe e 4 de seus 6 irmãos (Vera Lúcia, de 15 anos; Carmem, de 14; Eduardo, de 13; e João, de 11), quando a luz da casa foi cortada. O sequestrador, um jovem negro vestindo uma blusa vermelha e com cabelo estilo black power, invadiu a residência, pediu "a criança menor que estava em casa"[8] e trancou a mãe e os irmãos de Carlinhos no banheiro. O pai, que fazia uma entrega em Copacabana, chegou ao local pouco depois, juntamente aos outros dois irmãos de Carlinhos (Luciana, de 3 anos; e Roberto, de 8).

Antes da fuga, o sequestrador deixou um bilhete, redigido com erros de português e em letra de forma num pedaço de papel de caderno comum, no qual pedia um resgate no valor de Cr$ 100 mil (equivalentes a R$ 368 mil em valores de 2017)[9], os quais deveriam ser pagos até o dia 4 de agosto[10]. Juntamente a um de seus funcionários, Abel Alves da Silva, o pai de Carlinhos teria perseguido o sequestrador, que entrara com o garoto em um matagal, após pular um muro na Rua Alice. Ambos comunicaram o sequestro a policiais militares[11].

Aviso a você que a criança esta em nosso poder e só entregaremos após ser pago o resgate de cem mil cruzeiros. Esta importância deverá cer (sic) em pequeno volume e metido dentro de uma bolsa e deverá cer (sic) depositado ensima (sic) de uma caixa de cimento que fica situada na Rua Alice cruzando com a Rua Dr. Júlio Otoni (sic), junto a duas placa (sic) no dia 4/8/1973 às 02:00 horas, digo duas horas do dia quatro, e lembre si (sic) de que qualquer reação a vítima será liquidada. OBS: Depois de ser feito este depósito deverão seguir em direção ao Rio Comprido e esta carta deverá ser devolvida no ato.

A caixa de cimento a que se referia o sequestrador em seu bilhete situava-se na esquina das ruas Alice e Doutor Júlio Otoni, no cruzamento onde estavam duas placas do DER indicando os itinerários para o SilvestreMirante Dona Marta, Lagoinha, Belvedere e Cidade Nova.

Após tomar conhecimento do caso, o Corpo de Bombeiros e a 9ª Delegacia da Polícia Civil dirigiram-se para o local, por volta das 21 horas, e passaram a realizar buscas no mato. Rádiosjornais e emissoras de televisão também seguiram para a Rua Alice. As buscas prosseguiram até o início da madrugada, quando foram suspensas, para recomeçarem de manhã cedo.

No dia seguinte, o bilhete do sequestrador foi reproduzido na íntegra pela imprensa. Na data estipulada pelos bandidos, o local do resgate foi tomado por policiais civis disfarçados de vendedores de sorvete e pipoqueiros, além da presença de vários repórteres. No trabalho conjunto em busca do paradeiro de Carlinhos, foram mobilizados agentes do DOPS, da 9ª Delegacia, da Delegacia de Vigilância Centro e da Delegacia de Roubos e Furtos. João Mello depositou o pacote, que continha apenas algumas cédulas de cem cruzeiros por cima de papéis picados, sobre as caixas de cimento. Nenhum suspeito compareceu ao local.

Investigação

No dia 4 de agosto de 1973, os policiais deram início a investigação, interrogando diretores da clínica médica Dr. Filizzola, localizada ao lado da casa de Carlinhos, pois um deles, Mário Filizzola, oferecera Cr$ 60 mil para comprar o imóvel, o que foi encarado pela polícia como um possível motivo para o crime. O primeiro suspeito preso, Kleber Ramos, trabalhava como marceneiro na clínica e teria sido contratado para o crime a fim de forçar a venda do imóvel pelo preço estipulado[13]. Sua prisão foi baseada nos relatos de Vera Lúcia, a irmã mais velha de Carlinhos, que recebeu o bilhete das mãos do sequestrador. Como álibi, Kleber alegou ter saído da clínica por volta das 20 horas, em companhia de 3 mulheres, em direção à Praça Mauá, de onde tomou um ônibus com destino a sua casa, no bairro do Éden. Esta versão foi confirmada à polícia por uma das mulheres. Kleber foi libertado após 3 dias de detenção, por um habeas corpus expedido pelo juiz Santiago Dantas, da 14ª Vara Criminal.

Um outro suspeito, o mecânico José da Silva, apresentou-se na 9ª Delegacia no mesmo dia. José, que frequentava a casa da Rua Alice, teria tempos antes complicado a situação financeira de João Mello ao deixar de pagar as letras de uma televisão avalizada pelo industrial. A mãe de Carlinhos também esteve no local, porém não o reconheceu como sequestrador. O terceiro suspeito foi apontado por Maria da Conceição, que havia fornecido apenas o primeiro nome à polícia, mas logo fora por esta identificado como Raimundo Pereira Lulu, o qual teria realizado uma tentativa frustrada de seduzir Maria.

No dia 6, o comerciante Celso Vasconcellos de Passos, então com 34 anos, e seu cunhado, Francisco de Almeida, foram detidos. Celso teria uma dívida de cerca de Cr$ 15 mil com João Mello, que, para não ficar no prejuízo, tomou de Celso a sua Variant amarela. No mesmo dia, um funcionário aposentado da Petrobrás, Hildebrando Martins de Castro, de 43 anos, compareceu à residência de Carlinhos para fazer uma proposta. Hildebrando ofereceu um ou dois de seus filhos aos pais de Carlinhos para substituir o menino sequestrado[14].

Os exames do perito Carlos Éboli revelaram que o bilhete do sequestrador fora escrito 3 dias antes e que os erros gramaticais foram propositais, com o objetivo de confundir os pais dos garotos e as autoridades. As suspeitas recaíram sobre os integrantes da família. Chamou a atenção da polícia o estranho comportamento da mãe, que deixou de ir à sessão espírita que costumava frequentar exatamente na quinta-feira do dia do sequestro. Quando a polícia chegou ao local do crime, Maria da Conceição assistia televisão calmamente. No dia seguinte, chamada para depor na delegacia, pôs sua melhor peruca e pintou os olhos. A polícia foi informada de que a mãe de Carlinhos era pouco cuidadosa com os filhos, gastava o dinheiro que recebia em bilhetes de loteria e roupas para si. O pai também entrou na lista de suspeitos, pois encontrava-se em sérias dificuldades financeiras e teria montado o falso sequestro para arrecadar dinheiro.

Nos dias seguintes, a Delegacia de Roubos e Furtos, coordenadora das investigações, recebeu diversas informações falsas por telefone. Uma ligação anônima, porém, indicou a casa de número 1908 da Rua Barão de Petrópolis como sendo o primeiro local para onde Carlinhos teria sido levado após o sequestro. A pessoa que telefonou afirmou ter visto um homem subindo em direção ao casebre no dia do sequestro, em companhia de um menino. A placa do veículo em que ambos chegaram ao local fora anotada pelo informante: TA0206, um táxi Opala. A polícia encontrou a casa vazia, sem nenhum móvel, apenas com um pacote de velas.

Uma semana depois do sequestro, a polícia prendeu Ademar Augusto de Fraga Filho, vulgo Capoeira, ex-agente da Polícia Judiciária, e um estelionatário como novos suspeitos. O motivo do crime teria sido vingança por parte de um grupo de contrabandistas que teriam sido lesados pelo pai de Carlinhos. De acordo com a polícia, Ademar usaria o dinheiro do resgate para fugir do país, já que era procurado, acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte. Também foram ouvidos o contrabandista José Pereira de Brito e Júlio de Carvalho, que havia realizado o sequestro de um menino em 1966 e fora convocado pela polícia para fazer um exame grafotécnico.

No dia 10, mais 7 pessoas (6 homens e 1 mulher), funcionários das clínicas Dr. Filizzola e Instituto Fleming, ambas vizinhas à casa de Carlinhos, foram presas para serem interrogadas. Dois dias depois, Maria Margarida da Silva, secretária da empresa de João Mello e filha da mulher presa, confessou ser a autora intelectual do sequestro de Carlinhos. Margarida teria fornecido o bloco de papel utilizado para o bilhete dos sequestradores. Sua justificativa para o sequestro seria a de usar o dinheiro para cobrir o desfalque que dera na empresa farmacêutica onde trabalha. A versão foi desmentida pelas autoridades encarregadas das investigações.

O possível sequestrador ligou para o número à disposição da população e marcou um novo local: o Portão 18 do estádio do Maracanã, numa área próxima à estátua de Bellini. Um forte esquema policial foi montado, porém ninguém apareceu. Os sequestradores não entraram mais em contato, o que levou a conclusão da polícia de que o sequestro não foi praticado por motivo de dinheiro.

A ausência de pistas concretas levou os policiais civis à paranoia. Teodorico Murta, comissário da 9ª Delegacia, foi fotografado por jornalistas vestindo roupas de mulher, afirmando que iria investigar alguns suspeitos. Tal iniciativa resultou na suspensão de suas funções por 90 dias. Mesmo punido, continuou suas investigações por conta própria, porém foi assassinado anos mais tarde.

Na ânsia de solucionar o caso, um grupo de policiais torturou e prendeu a lavadeira Ranulfa da Silva. Os policiais queriam que ela denunciasse Antônio Costa da Silva (vulgo Pitoco), seu ex-amante e que trabalhou com ela na casa de Carlinhos havia dois anos, como autor do sequestro. Antônio e Ranulfa haviam discutido e sido demitidos por João Mello, além de haver a hipótese de se tratar de crime passional (a polícia levantou a possibilidade de João Mello também ser amante de Ranulfa). Posteriormente, Antônio foi capturado e apresentado à imprensa como um dos sequestradores.

Em janeiro de 1974, o assaltante Adilson Cândido da Silva entregou-se à polícia, alegando ser o sequestrador de Carlinhos e ter jogado o corpo do menino ao mar, a pedido de João Mello da Costa[15]. Seis meses depois do crime, uma ossada encontrada na praia da Engenhoca, Ilha do Governador, levantou a suspeita de que pudesse se tratar de Carlinhos. A ossada, resgatada por um pescador português em local citado por Adílson em seu depoimento, estava enrolada em arames amarrados juntamente a um mourão de concreto de aproximadamente um metro de comprimento[16]. Comprovou-se posteriormente que a ossada não era de Carlinhos[17].

Inquérito policial

inquérito policial para apurar o sequestro de Carlinhos só foi aberto oficialmente em 26 de março de 1977, três anos e meio depois de o fato ter ocorrido. Antes disso, só existia um procedimento investigatório. Os delegados Jorge Gomes Sobrinho e Rogério Marchezini, da Delegacia de Roubos e Furtos, foram designados para o cargo. Os policiais ouviram todos os suspeitos, além de João Mello e seus ex-funcionários. A conclusão do inquérito foi divulgada em 25 de novembro de 1977.

Quatro anos após o sequestro, Vera Lúcia relatou à polícia que reconheceu Sílvio Azevedo Pereira, funcionário do laboratório do pai, como sequestrador. No dia do crime, Vera Lúcia afirma ter sentido um cheiro forte, semelhante ao dos produtos farmacêuticos manipulados no laboratório de João Mello. Sílvio chegou a ser condenado na 17ª Vara Criminal a 13 anos de prisão, em 30 de dezembro de 1985, mas seus advogados recorreram da sentença e ele foi absolto.

Indícios

A pessoa seria conhecida da família, pois os 3 cães, Negrinho, Claise, e Suzi, não tiveram nenhuma reação ao invasor. Também conhecia o local onde estava situada a caixa de luz da casa. O portão lateral da casa, que normalmente ficava fechado, estava aberto e foi por onde o sequestrador teria entrado.

A residência escolhida não possuía telefone para o contato com sequestradores e, de fato, não houve contato após o crime. Os pais de Carlinhos estavam praticamente separados na época do crime.

Contradições

Abel Alves da Silva declarou ter visto Carlinhos e o sequestrador entrarem em um táxi Volkswagen vermelho, de 4 portas, parado próximo à casa do menino. O veículo teria partido em seguida. Contou também que, pouco antes, havia visto um desconhecido descer do táxi e entrar no matagal, o homem supostamente perseguido pelo patrão. João Mello, a mulher e os filhos negaram ter visto um táxi perto de casa quando o sequestrador saiu com o menino. Além disso, ao avisar os policiais sobre o caso, Abel apresentou-se como vizinho de João Mello, quando, na verdade, residia em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Ver também

Lista de pessoas que desapareceram misteriosamente

Referências

 O Globo, 90 anos: Após 42 anos, um sequestro que permanece indecifrável O Globo, acessado em 10 de junho de 2015

↑ Ir para:a b Caso Carlinhos

 Mais um Carlinhos Revista Quem, acessado em 25 de abril de 2010

 Homem pode ser Carlinhos, desaparecido desde 1973 O Estado de S.Paulo, acessado em 25 de abril de 2010

 Resultado do exame de DNA é negativo Folha da Região, acessado em 25 de abril de 2010

 Memória Globo

 Versão surpreendente do sequestro de Carlinhos Conteudo.com.br, acessado em 24 de abril de 2010

 Sequestrado garoto de 10 anos na Rua Alice O Globo, acessado em 24 de abril de 2010

 «FEE». www.fee.rs.gov.br. Consultado em 4 de janeiro de 2018

 Sequestrador invade casa e leva menino Jornal do Brasil, acessado em 24 de abril de 2010

 ARAUJO, Flávio & MOURA, George. Crimes que Abalaram o Brasil. Globo Editora, 2007. 316p. ISBN 8525043109

 Sequestrador leva garoto na Rua Alice e pede Cr$ 100 mil O Globo, acessado em 24 de abril de 2010

 Sequestrador é procurado entre vizinhos Jornal do Brasil, acessado em 24 de abril de 2010

 Pai oferece um ou dois de seus 5 filhos em troca de Carlinhos O Globo, acessado em 24 de abril de 2010

 Confissão forjada JB Online, acessado em 25 de abril de 2010

 Bellot: Ossada foi encontrada em local citado pelo Adilson A Notícia, acessado em 24 de abril de 2010

 Caso Carlinhos

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Carlinhos

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PADRE CIRILO, MAJOR E SACRISTÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.503

Em Santana do Ipanema, após as procissões de Semana Santa, as imagens que arrastavam multidões pelas ruas e avenidas, eram retiradas de cena e guardadas superficialmente no Salão Paroquial. Ali no salão contíguo à Matriz, ficavam por vários dias até que eram levadas para lugares definitivos. O preto velho, vulgo Major, maior sineiro de todos os tempos da Matriz de Senhora Santana, tomava conta das imagens, pois também era uma das pessoas zeladoras da igreja. O sacristão Jaime, por ser de baixa estatura, também era chamado de Jaiminho, ajudava no recolhimento das imagens junto ao Major. Aliás, o sacristão Jaime preenchia toda a trajetória do padre Luís Cirilo Silva. Quando o padre e o sacristão chegavam ao povoado Pedrão, em Olho d’Água das Flores, para celebrações de missa, casamentos e batizados, lá estava eu na casa dos meus tios Manoel Anastácio e Delídia, para hospedá-los e providenciar todas as mordomias possíveis. Ambos chegavam a cavalo e eu ficava boquiaberto vendo ali a quatro léguas (24 Km) da minha cidade, o nosso pároco e o sacristão.

CENTRO COMERCIAL DE SANTANA DO IPANEMA, VISTO DA IGREJA MATRIZ. (FOTO: ACERVO B. CHAGAS).

Mas retornando à Matriz, quando a igreja estava vazia ou quase, porém aberta, eu aproveitava para percorrê-la com a complacência do bondoso zelador Major. Fazia uma incursão pelo salão paroquial, entrando por trás ou pela porta lateral que se comunicava com a nave. Jaime era mais ríspido, todavia, o Major – em avançada idade, já – era doce, calado, tolerante e paciente com as crianças como eu. Nunca esqueci do impacto dentro do silencioso salão quando me deparei com a imagem do Senhor Morto e Nossa Senhora, ainda no andor. Pareciam vivos e, como foi uma visão inesperada, senti todo o peso da surpresa e uma atmosfera espiritual muito forte, tanto que abandonei o salão imediatamente.

E é assim que nesse tempo de pandemia sem sino, sem matraca, com a saudade do padre Cirilo, do sacristão Jaime e do sineiro Major, vamos recordando momentos felizes do livro dos tempos no meu sertão nordestino na religiosidade da minha querida Santana do Ipanema.

A propósito, o padre Luís Cirilo era natural da serra da Mandioca, município de Palmeira dos Índios, ainda de descendência holandesa. O Major, era filho do povoado quilombola Tapera do Jorge (Fui saber depois de adulto), município de Poço das Trincheiras.

Reviver é viver. Hoje é Sexta-Feira Santa. Silenciosa Sexta-Feira Santa!...


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CASO DA CLÁUDIA LESSIN RODRIGUES

 Por Wikipédia

O Caso Cláudia refere-se a um crime ocorrido em 1977, no Rio de Janeiro - o assassinato da jovem Cláudia Lessin Rodrigues, de 21 anos, na casa de Michel Frank, milionário suíço-brasileiro supostamente envolvido com o tráfico de drogas. Acusado do crime, Michel fugiu para a Suíça, onde foi morto a tiros em 1989, sem nunca ter sido julgado.[1][2]

O caso

Uma dor de dente horrível não deixava o operário Luiz Gonzaga de Oliveira dormir direito na noite de 24 para 25 de julho de 1977. Instalado num barraco da Tecnosolo, firma para a qual trabalhava, na avenida Niemeyer, na altura de um local conhecido por Chapéu dos Pescadores, Rio de Janeiro, ao lado de três colegas, ele foi o único a escutar barulho estranho nas proximidades, fora do barraco, por volta de meia-noite.

Por uma fresta na parede do barraco, vislumbrou uma Brasília estacionada quase em frente, com um homem em seu interior, e outro do lado de fora.

Satisfeito com o que vira, voltou à cama. Mas foi novamente despertado, agora por vozes masculinas. As vozes o atraíram de novo para a fresta. Observou, então, o homem que estava sentado no banco da frente pular para o banco de trás, enquanto o outro parecia tirar alguma coisa de dentro do porta-malas.

Números na pedra

Depois de algum tempo, período no qual o carro mudou de posição algumas vezes, indo adiante ou para trás, Luiz Gonzaga de Oliveira percebeu os dois homens se afastarem da Brasilia, carregando uma grande mala, até um ponto mais baixo da encosta.

Ele saiu, então, do barraco e se aproximou do carro. Anotou, num muro de pedras, em grandes caracteres, o número da placa da Brasília avermelhada: 5964. As letras ele só memorizou: SX. Voltou ao barraco. Somente duas horas depois, sempre meio acordado, meio adormecido, ouviu a ignição do carro. Os estranhos haviam partido e a cena insólita não saiu de sua cabeça.

Quando acordou definitivamente, às quatro e meia da manhã, como de hábito, contou o episódio aos colegas. Propôs que fossem todos até as pedras verificar o que tinha havido. Os colegas não se empolgaram com sua proposta. "Deve ser macumba", alegaram. Luiz Gonzaga resolveu fazer uma inspeção por conta própria. Não encontrou, porém, nada de anormal.

Na hora do almoço, um colega de serviço comentou com Luiz Gonzaga: "Acharam um corpo no Chapéu dos Pescadores."

Ele trabalhou a tarde toda. Ao voltar para casa, no final da tarde, pediu a uma vizinha o telefone da polícia. Ela não tinha. Luiz Gonzaga dirigiu-se ao orelhão e telefonou para a Rádio Globo.

Da cintura para cima

Conseguiu falar com duas pessoas da rádio, mas com o redator-chefe somente na terça-feira, a quem revelou o segredo dos números anotados nas pedras. Disse-lhe também que poderia reconhecer ao menos um dos homens da Brasília, pois o vira da cintura para cima.

"Um motorista da rádio" informou o redator-chefe "alertou a polícia sobre aqueles números, mas não foi ouvido. "Com a placa revelada, a polícia descobriu que a Brasília estava registrada em nome da Imobiliária Suíça. O dono da imobiliária era Michel Frank.

Na segunda-feira, Michel pediu que seu amigo Georges Khour o levasse a dois lugares: ao médico, para tratar das feridas em suas mãos, e ao apartamento dos amigos Carlo e Bernadete Simonelli. Na visita, Michel contou aos amigos o que tinha ocorrido em seu apartamento no fim de semana e pediu-lhes ajuda. Estava transtornado. Acabou ficando até mais tarde. Dormiu no apartamento. Khour foi embora.

Encontro com o pai

Terça-feira, logo de manhã, Carlo Simonelli começou a atender ao pedido de socorro do amigo. Levou-o ao escritório do industrial Egon Frank, pai de Michel. Ao pai, dono da fábrica de relógios Mondaine, Michel contou a seguinte história. No sábado à noite, ele estava em seu apartamento, jogando cartas com Georges Khour, quando tocou o telefone. Era Claudia Lessin. Ele a tinha visto, até então, duas vezes, se tanto. A primeira, em maio, num dos salões do Hotel Meridien, onde se festejava o lançamento do filme Gente Fina É Outra Coisa, produzido pelo pai, Egon. Claudia era namorada do diretor do filme, Pedro Carlos Rovai. E irmã da estrela, Marcia Rodrigues, conhecida como a Garota de Ipanema depois de fazer o papel principal do filme baseado no samba de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. "Nesse dia sequer nos falamos" contou Michel. "Somente três semanas depois fui apresentado a ela, quando veio ao meu apartamento, com Pedro Rovai." Era outro sábado, muito movimento na casa, e muito pó, como de hábito. No sábado, 23 de julho, de acordo com o relato de Michel ao pai, testemunhado por Carlo Simonelli, Claudia lhe telefonara perguntando se seu namorado estava por lá. Não estava. Ainda assim, Michel a convidou para vir e " combinado com Georges Khour " sugeriu que ela trouxesse uma amiga. Claudia tocou a campainha minutos depois, sem a amiga. Linda como sempre, aos 20 anos. Michel e Georges estavam em companhia de Danielle Labelle, na mesa de carteado. O casal Simonelli também estava entre os convivas.

O embalo

Depois de fazer muitas perguntas sobre o jogo, sem participar dele, Claudia alegou que estava se sentindo mal, pois tinha bebido cerveja e vinho em excesso. Michel a acompanhou ao banheiro, onde foi amparada por Bernadete Simonelli. Recuperada do mal estar, Claudia voltou à sala. "Quero puxar fumo" pediu a Michel. Ele respondeu que não haveria problema, desde que ela fumasse num dos quartos, bem longe dele, que não tolerava o cheiro de fumaça. "Depois ela voltou à sala pedindo "outras coisas"" Michel contou ao pai. "Entra no primeiro quarto, que é o meu, e sirva-se à vontade" respondeu Michel. O jogo na sala, a essa altura, não era mais de cartas, mas de gamão. "Khour resolveu ir ao banheiro" contou Michel ao pai "e, voltando, ao passar pelo meu quarto viu Claudia deitada de lado, totalmente nua." SEXO A TRÊS Assim que Daniel Labelle se retirou para o quarto de hóspedes, alegando não ter condições de continuar o jogo, Michel e Georges decidiram fazer uma visita a Claudia. "Fomos lá com a intenção de fazer sexo" contou Michel, "mas como tínhamos consumido muito pó, não conseguimos ereção." De repente, continuou Michel, eis que Claudia desaba na cama, com evidentes sinais de overdose: o corpo tremendo, os dentes trincados, a boca totalmente fechada. "Fizemos de tudo para salvá-la, pois ela provavelmente havia enrolado a língua. Enquanto Georges tentava reanimá-la aplicando choques elétricos com o fio desencapado da luminária, eu coloquei as mãos dentro da sua boca, para desenrolar sua língua." O barulho produzido pela operação salvamento acordou Labelle. Atônito, ele deparou-se, da porta do quarto, com uma cena que parecia ser de um ménage à trois. Foi Georges quem o trouxe de volta à realidade: "Elle est morte" disse ele, em francês. Georges e Michel pediram ajuda a Labelle, mas ele se apavorou com a situação, vestiu-se e saiu. 

O pai de Michel acompanhava o relato com evidente tensão e ansiedade. Mas ainda faltava a parte mais escabrosa. PENTE-FINO "Preocupados em nos envolver num processo por drogas, decidimos nos livrar do corpo" contou Michel. A seguir, passaram um pente-fino no apartamento, tirando todas as drogas possíveis de vista. E, antes que pudessem iniciar o processo de ocultação do cadáver de Claudia, Michel caiu em sono profundo, segundo ele devido à ingestão de comprimidos de mandrix. Por volta de 1 da tarde de domingo Michel acordou, disposto a resolver o problema imediatamente. Georges, que era pescador nas horas vagas alegou conhecer vários bons locais de onde jogar o corpo ao mar. Michel propôs fazer primeiro uma incursão sem o corpo para descobrir o melhor local. Georges avisou que seu carro estava com pouca gasolina. O carro de Michel também. Aos domingos os postos não abriam, era a política de racionamento de combustíveis, inaugurada em 1973, quando os produtores árabes triplicaram o preço do barril, para se vingarem da Guerra do Yom Kipur, vencida por Israel. 

MALA DE PEDRAS Foi convocado Moisés, gerente da Imobiliária Suíça. Ele transferiu gasolina de seu carro para a Brasília de Michel. Antes de saírem para dar um rolê, Michel e Georges ligaram o ar condicionado do quarto onde Claudia jazia inerte. Somente por volta de 10 e meia da noite eles envolveram o corpo de Claudia num lençol e o socaram dentro de uma mala. Não conseguiram, no entanto, levantá-la, razão pela qual chamaram a moça que trabalhava na casa para ajudá-los a carregar, do terceiro andar até o térreo, pela escada e daí até o carro. O Chapéu dos Pescadores não era seu primeiro objetivo. Acabaram optando por ele depois de se perderem na Rio-Santos, preocupados com a gasolina. Para terem certeza de que o corpo jogado iria afundar no mar, amarraram-no a uma bolsa de couro marrom, marca Favo, cheia de pedras. E o atiraram de uns 80 metros de altura. 

O paredão de pedras apresenta uma divisão por platôs. No primeiro platô, o corpo parou. Eles desceram, então, e o atiraram de novo. No entanto, nem dessa vez conseguiram afundá-lo nas águas. VERDADE OU MENTIRA? Como todo industrial, Egon Frank confiava desconfiando. Depois de ouvir a história do filho pediu ao sócio minoritário da Mondaine, João Batista que checasse com um médico se era possível acontecer o que Michel contara. Foi marcada nova reunião para daí a dois dias, quinta-feira. O encontro desta vez foi no apartamento do diretor da Mondaine, José Milfont, na Praia do Flamengo. Presentes os advogados Evaristo de Moraes Filho e Georges Tavares, o patologista De Paula (convidado por ser amigo de João Batista) e seu amigo Luiz Antonio Pontual Machado. Para De Paula, a história de Michel era plausível, Claudia realmente poderia ter tido morte acidental por overdose e o ferimento em suas mãos produto de atrito com seus dentes na tentativa de desenrolar a língua. Prometeu, ainda, preparar um parecer que sustentasse a versão do filho de Egon. Na sexta-feira, depois de tomar conhecimento do laudo cadavérico, Evaristo de Moraes Filho dispensou o relatório do patologista. Segundo o laudo, transmitido pelo diretor do Instituto Médico Legal, Nilson Santana, Claudia fora morta por contusão na cabeça com hemorragia subdural e asfixia provocada por esganadura. A versão de Michel não se sustentava. 

O DEPOIMENTO DE MICHEL Evaristo começou a discutir com Egon a nova estratégia da defesa. Egon queria, no fundo, que o laudo fosse contestado, mas Evaristo não concordava com isso. Acabou sendo afastado. Egon contratou em seu lugar o advogado Wilson Lopes dos Santos, alguém com coragem suficiente para afirmar que o laudo estava errado. No interrogatório policial, Michel preferiu omitir a cena da overdose: "Eu estava em meu apartamento, quando recebi um telefonema de Claudia, que procurava por seu namorado, Pedro Rovai. Disse a ela que ele não estava em minha casa e Claudia insistiu para ir até lá." "Consultei meu amigo Georges Khour, que estava ao meu lado na hora, e pedi para ela vir com uma amiga." "Desliguei o telefone. Após algum tempo, chegaram Carlo e Bernardete Simonelli, Daniel Labelle e Enrico Grossi. Eu jogava cartas com Georges e Daniel." "Claudia tocou a campainha sozinha. Abri a porta, ela entrou e sentou-se na sala. Claudia não parava de fazer perguntas sobre o jogo. Carlos e Bernadete também estavam na sala. Em uma certa altura, Claudia passou a sentir-se muito mal por causa da cerveja e do vinho, eu acho. 

Acompanhei a moça até o banheiro e depois a Bernadete também foi lá, ampará-la. Voltamos para a sala um pouco depois.  Claudia já estava melhor e veio com a gente também. Ela me pediu para fumar maconha. Como não gosto desse cheiro, disse para que ela o fizesse bem longe de mim. Ela foi." "Jogávamos na sala quando Claudia apareceu na porta e me pediu outras coisas. Eu falei a ela que fosse até o meu quarto e se servisse à vontade." "De madrugada, Carlo, Enrico e Bernadete foram embora, ficando apenas eu, Daniel Labelle, Georges Khour e Claudia no meu apartamento. Georges foi até o banheiro e na volta levou Labelle a um dos quartos, porque ele estava com muito sono. Daniel bebeu muito naquele dia também e estava aparentemente acabado. 

O telefone tocou e era uma amiga de Claudia procurando por ela. Eu a chamei e ela atendeu ao telefonema, marcando de sair com sua amiga. Claudia pegou sua bolsa e disse que precisava ir embora, despediu-se e saiu. Eu e Khour continuamos o jogo e depois fomos dormir." Quando o Juiz Sumariante do I Tribunal do Júri decretou a prisão preventiva de Michel Frank e de Georges Khour, no dia 6 de setembro, Michel já estava em Zurich. A ORGIA Ele fugiu do Brasil de carro, passando pelo Paraguai e depois Buenos Aires, onde embarcou no avião que o levou à Suíça. No dia 9 de setembro, Michel Frank e Georges Khour foram denunciados pelo promotor em exercício do I Tribunal do Júri, José Carlos da Cruz Ribeiro. "Em 24 de julho de 1977, em hora não precisada, no interior do apartamento no. 302, da rua Desembargador Alfredo Russel no. 70, no Leblon, os denunciados, unidos pelo mesmo desígnio, desferiram pancadas na cabeça e estrangularam com as mãos Claudia Lessin Rodrigues, causando-lhe lesões. Ditas lesões e mais asfixia mecânica foram a causa suficiente da morte da vítima, como positiva o auto de exame cadavérico. "Torpe o motivo, desenfreio da lascívia. 

O fato punível foi cometido através de meio cruel, ou seja, por asfixia mecânica. "Os denunciados usaram de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, brutalmente seviciada, inclusive com a introdução de objeto em orifício do seu corpo, de tal maneira que não pôde opor resistência aos agressores, que lhe eram superiores física e numericamente. "Os denunciados, no local supra referido, promoveram, no dia 23 de julho de 1977 uma orgia que se prolongou pela madrugada do outro dia, terminando em hora não precisada, quando serviram aos presentes cocaína e mandrix, sendo o entorpecente, para quem aceitou a oferta, consumido por aspiração nasal, com a utilização de um canudo feito por uma cédula, a qual foi na hora enrolada." 

KHOUR DESMENTE MICHEL No dia 13 de setembro, Georges Khour apresentou-se espontaneamente ao Juiz Sumariante, contestando o depoimento de Michel. Para ele, Claudia não tinha ido embora do apartamento antes de morrer. Ele descreveu assim a cena da sua morte:"que reparou estar Michel com as mãos dentro da boca de Claudia, que havia sangue nas mãos de Michel" que a vítima se contorcia" que tudo ocorreu de forma muito rápida, o depoente começou a fazer massagens no peito da vítima" que quando segurava os braços, o depoente notou que Michel também fazia massagens no peito da vítima" que Daniel a tudo assistiu, da porta do quarto; que o depoente virou-se para Daniel e, em francês, disse-lhe: ela está morta; que Daniel saiu correndo ao mesmo tempo em que Michel caía ao lado da vítima."O corpo de Cláudia foi encontrado nu na manhã do dia 26 de julho de 1977, no rochedo do Chapéu dos Pescadores, na Niemeyer. O rosto completamente desfigurado e o corpo amarrado por arame, preso a uma mala cheia de pedras. 

Cláudia tinha apenas 21 anos. Não houve mistério mais discutido pela imprensa e pelo Brasil do que a morte de Cláudia Lessin Rodrigues que, numa noite de sábado, se despediu dos pais e foi a uma festa. Filha de um casal classe média alta, o comandante Hilton e a dona de casa Maria, Cláudia sempre teve tudo: bons princípios e educação esmerada, mas não andava nas melhores fases da vida. Enfrentava uma depressão " não conseguia esquecer um namorado que teve nos Estados Unidos " mas estava sob controle: fazia terapia e tudo mais. 

Já tinha usado drogas, sim, como a maioria da sua geração, mas não era viciada e, se tinha algum vício, era cultura: adorava música clássica, ler e as sessões de filmes de arte do antigo Cine Veneza. Ela morava com a família, desde criança, na rua Fernando Mendes, esquina com a avenida Atlântica, com uma bela vista para o mar. Criados com amor e em bons colégios. A ida de Cláudia ao apartamento de Michel Frank até hoje é um mistério, porém, o mais provável é que ela teria sido convidada para uma festa, na qual encontraria Rovai. Ele não foi, e quando Cláudia chegou, a festa era de "função" ou, melhor dizendo, de "cheiração". Segundo o livro de Valério Meinel, Cláudia teria passado o fim de semana com os dois homens, que jogavam cartas, cheiravam cocaína, vendida por Michel aos amigos que chegavam, sem parar. Muito entra-e-sai entre uma cartada e outra. Cláudia teria ficado lá "de bobeira", como dizem os cariocas quando não estão fazendo nada. 

Em compensação, Michel "comia como farinha", como dizem no meio os que cheiram muito. Cheirava desde os 16 anos. Foi o detetive Jamil Warwar que, 48 horas depois do crime, já havia descoberto tudo, e, em uma declaração publicada em 1986, afirma: "Houve um embalo de tóxico na casa de Frank. No dia seguinte, Frank e Kour, cheios de cocaína, caminhavam em cima da mureta da avenida Niemeyer e resolveram então estuprá-la ali mesmo. Ela resistiu, ameaçou denunciar o que vira no apartamento no dia anterior (Michel vendendo bastante pó)". O ex-gordinho, que na adolescência não pegava nem gripe por causa da aparência, agora se firmara como um "grande" homem aspirando pó. Segundo o que foi presumido pelo detetive Warwar, os dois, após violentá-la na própria Niemeyer, a mataram. 

Quando tentaram dar sumiço ao corpo, amarrado com uma mala cheia de pedras, foram vistos por um operário chamado Índio, que esclareceu o caso, como consta na revista Manchete, em reportagem publicada em 20 de dezembro de 1986. Os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de acordo com a mesma revista, são taxativos: afirmam que Cláudia foi morta no local, pois havia sangue sobre as pedras. Declaram também que ela morreu por asfixia mecânica " viam-se claramente as marcas dos dedos, a olho nu, em seu pescoço. 

O exame toxicológico mostrava que não havia usado cocaína nem qualquer outra droga. O poder e as relações do pai de Frank falaram mais alto a ponto de Warwar ser afastado das investigações por meio de uma decisão publicada no boletim de Segurança Pública. O detetive ligou para o pai de Cláudia, dizendo: "O negócio envolve gente da alta, com muito dinheiro. O delegado Hélber Murtinho já deu a entender que vou ser substituído, mas não tem problema não. Já sei de tudo, quem matou sua filha e onde ela foi morta". "Quero viver além dos 90 anos para ver os assassinos da minha filha condenados", declarou o pai. Frank, que tinha nacionalidade suíço-brasileira, foi para Zurique e lá viveu por 12 anos. Porém, levou junto o vício. Cheirava sem parar, chegando ao extremo de alguns familiares cortarem relações com ele. "Foi justamente a falta de relações do meu pai com o poder " ele era apenas um piloto da aviação civil " que impediu que a Justiça fosse feita. Fosse meu pai um militar naquela época de ditadura, teríamos visto certamente a condenação dos assassinos. 

O que vimos, ao contrário, foi o poder do dinheiro e o regime de exceção facilitando a fuga anunciada de Michel Frank e a posterior absolvição dele num julgamento fraudulento, de fachada", afirma Márcia Rodrigues. A imprensa não sossegou com o fato e os pais de Cláudia Lessin sempre abriram as portas a ela, pois Cláudia caiu numa grande roubada, que acabou servindo de exemplo para muitos pais desavisados. Na Suíça, Frank acabou inocentado do assassinato de Cláudia por falta de provas consistentes da Justiça brasileira. Em 1989, ele foi encontrado morto, com seis tiros na cabeça, na garagem de seu prédio em Zurique. Seu corpo estava entre uma máquina de lavar e outra de secar. Estava envolvido com drogas até o último fio de cabelo. E por falar em cabelo, a última notícia que se teve de Georges Kour é que ele abriu um salão em Niterói. Ele, que em 1977 era cheio de estilo, envelheceu mais de 30 anos em três atrás das grades. 

Foi considerado culpado pela tentativa de ocultação de cadáver. Até os descolados da bucólica Niterói desconhecem o seu salão. Atualmente, os pais de Cláudia moram próximos à filha Márcia, que abandonou a carreira e hoje é uma das mais respeitadas designers de interiores do Rio. Ambos estão com mais de 90 anos. Já o detetive Jamil Warwar, um dos melhores do Rio, se desiludiu com a profissão e a largou. Em 1977, no Rio de Janeiro, Cláudia Lessin Rodrigues, de 21 anos, foi assassinada na casa de Michel Frank, um milionário suíço-brasileiro supostamente envolvido com o tráfico de drogas. [3]

Acusado do crime, Michel fugiu para a Suíça, onde foi morto a tiros em 1989, sem nunca ter sido julgado.

Em 1978, o nome de Claudia apareceu em um outdoor vencedor do primeiro Concurso Nacional de Outdoor, como parte de uma campanha antitóxico. A peça dizia "Cláudia Lessin Rodrigues - Que todos os pais dessa cidade jamais se esqueçam deste nome". O crime gerou o filme "O Caso Cláudia", dirigido por Miguel Borges, em 1979.

Referências

 24horasNews, 22/10/2002 Os superfilhos de Brasília, por Maria Luiza Curti.

 O caso Claudia Lessin Rodrigues Publicado originalmente pela revista Veja, em 07/09/1977.

 24horasNews, 22/10/2002 Os superfilhos de Brasília, por Maria Luiza Curti.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udia_Lessin_Rodrigues

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quinta-feira, 1 de abril de 2021

O JAGUNÇO, O CAPANGA

 *Rangel Alves da Costa

O sangue escorrido na história nordestina e sertaneja tem muito do jagunço e do capanga. Muitas vezes, a confusão se generaliza na explicação dos atos brutais de ambos. Mas a verdade que nem sempre o jagunço foi capanga e nem o capanga foi jagunço, mas aquele tendendo mais a praticar as mesmas ações jaguncistas.

Vamos, contudo, ao que dizem os livros. Os dicionários dizem que jagunço é sujeito criminoso, homem violento contratado como guarda-costas por indivíduo influente. A Wikipédia erra feio ao dizer que “jagunço ou capanga era, no nordeste brasileiro, o indivíduo que se prestava ao trabalho paramilitar de proteção e segurança às lideranças políticas”.

Era feio pelo simples fato da generalização. O modus operandi de um é diferenciado do outro. Até mesmo o tipo de armamento utilizado por um se diferenciava do cano de fogo do outro. Arma na cintura é coisa de capanga. Jagunço que se preze leva seu mosquetão à mão e pelos escondidos do mato vai se entrincheirando até chegar o momento certo de apertar o gatilho.

É no tipo de prestação de serviço que reside a grande diferença. Ora, o jagunço não era, necessariamente, alguém que vivia a serviço de um poderoso. Até que poderia viver aos arredores do coronel dando suporte às suas ordens, mas não na sua rotina diária. Quem sempre estava com o poderoso era o capanga.

O jagunço ganhava para matar, para amedrontar, para aterrorizar a vida dos inimigos e desafetos daquele que o pagasse. Através de suas mãos sempre sujas de sangue, os inimigos tombavam nos beirais das estradas, criações eram sangradas, casas incendiadas, e por aí vai. Já o capanga não se expunha tanto, não fazia o serviço mais sujo.

O capanga tinha a serventia de escudo ao chefe, ao poderoso. Como os coronéis – principalmente aqueles sempre odiados ou contando com inimigos – nunca saíam ou viajavam sozinhos, necessário que tivessem sempre ao lado alguém que os protegessem de ameaças e ataques. Um tiro dado era mais fácil atingir o capanga do que o coronel, pois para tal ele era sustentado.

Imaginem a cena: Numa feira interiorana, um senhor vestido de terno de linho branco, chapéu grande na cabeça, charuto fumaçando na boca, caminhando cercado por homens em vigilância. Cena de um coronel rodeado de capangas. Ora, o capanga estava ao lado para proteger, mas também atacar, revidar agressões, matar. Matava, mas não como o jagunço.

O capanga não saía da presença do coronel para ir fazer tocaia ou emboscada, para ficar escondido nos tufos de matos ou atrás de troncos esperando a passagem do inimigo do coronel ou de quem estivesse com a morte encomendada. Quem fazia isso era o jagunço. Era o jagunço que recebia para dar conta da encomenda. Muitas vezes, o restante do pagamento somente quando levasse a orelha do morto.

Capanga era uma espécie de segurança. Jagunço era uma espécie de frio assassino. Capanga possuía serviço diversificado, pois também ajudante-de-ordem do poderoso. Jagunço sempre agindo na surdina, no escondido, tudo fazendo para não ser descoberto. Capanga matando aquele que atacasse o seu patrão. Jagunço matando qualquer um que desejasse o seu patrão ou outro mandante qualquer.

Não era cena comum a jagunçada se esgueirando pelos centros urbanos à espera da passagem de alguém, e para matar. Mas era cena comum avistar a capangagem armada até os dentes e em companhia de seus patrões. Era uma demonstração de poder pessoal, mas também a força das armas se sobrepondo a tudo e todos.

Outras coisas, contudo, não os distingue muito. Nos dois, a exaltação de desmedida violência. Nos dois, o medo e o terror pelos sertões antigos (e também atuais). Em ambos, a sina da desvalia da vida do próximo, de qualquer um que caísse na desgraça da inimizade com o poder. Em ambos, a escrita sangrenta de uma terra ferida de morte pelo coronel, pelo jagunço, pelo capanga.

Então o coronel mandava o capanga chamar o jagunço e dizia: “Vá matar e mate ligeiro. Vou cuspir. E quero a orelha aqui antes de o cuspe secar!”. E de repente, ali a orelha chegava. O restante era dos urubus, dos gaviões, das aves carnicentas.

Escritor
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