Por Wikipédia
O Caso
Cláudia refere-se a um crime ocorrido em 1977, no Rio de Janeiro - o assassinato da
jovem Cláudia Lessin Rodrigues, de 21 anos, na
casa de Michel Frank, milionário suíço-brasileiro supostamente
envolvido com o tráfico de drogas. Acusado do crime, Michel fugiu
para a Suíça, onde foi morto a tiros em 1989, sem nunca ter
sido julgado.[1][2]
O caso
Uma dor de
dente horrível não deixava o operário Luiz Gonzaga de Oliveira dormir direito
na noite de 24 para 25 de julho de 1977. Instalado num barraco da Tecnosolo,
firma para a qual trabalhava, na avenida Niemeyer, na altura de um local
conhecido por Chapéu dos Pescadores, Rio de Janeiro, ao lado de três colegas,
ele foi o único a escutar barulho estranho nas proximidades, fora do barraco,
por volta de meia-noite.
Por uma fresta
na parede do barraco, vislumbrou uma Brasília estacionada quase em frente, com
um homem em seu interior, e outro do lado de fora.
Satisfeito com
o que vira, voltou à cama. Mas foi novamente despertado, agora por vozes
masculinas. As vozes o atraíram de novo para a fresta. Observou, então, o homem
que estava sentado no banco da frente pular para o banco de trás, enquanto o
outro parecia tirar alguma coisa de dentro do porta-malas.
Números na
pedra
Depois de
algum tempo, período no qual o carro mudou de posição algumas vezes, indo
adiante ou para trás, Luiz Gonzaga de Oliveira percebeu os dois homens se
afastarem da Brasilia, carregando uma grande mala, até um ponto mais baixo da
encosta.
Ele saiu, então,
do barraco e se aproximou do carro. Anotou, num muro de pedras, em grandes
caracteres, o número da placa da Brasília avermelhada: 5964. As letras ele só
memorizou: SX. Voltou ao barraco. Somente duas horas depois, sempre meio
acordado, meio adormecido, ouviu a ignição do carro. Os estranhos haviam
partido e a cena insólita não saiu de sua cabeça.
Quando acordou
definitivamente, às quatro e meia da manhã, como de hábito, contou o episódio
aos colegas. Propôs que fossem todos até as pedras verificar o que tinha
havido. Os colegas não se empolgaram com sua proposta. "Deve ser
macumba", alegaram. Luiz Gonzaga resolveu fazer uma inspeção por conta
própria. Não encontrou, porém, nada de anormal.
Na hora do
almoço, um colega de serviço comentou com Luiz Gonzaga: "Acharam um corpo
no Chapéu dos Pescadores."
Ele trabalhou
a tarde toda. Ao voltar para casa, no final da tarde, pediu a uma vizinha o
telefone da polícia. Ela não tinha. Luiz Gonzaga dirigiu-se ao orelhão e
telefonou para a Rádio Globo.
Da cintura para
cima
Conseguiu
falar com duas pessoas da rádio, mas com o redator-chefe somente na
terça-feira, a quem revelou o segredo dos números anotados nas pedras.
Disse-lhe também que poderia reconhecer ao menos um dos homens da Brasília,
pois o vira da cintura para cima.
"Um
motorista da rádio" informou o redator-chefe "alertou a polícia sobre
aqueles números, mas não foi ouvido. "Com a placa revelada, a polícia
descobriu que a Brasília estava registrada em nome da Imobiliária Suíça. O dono
da imobiliária era Michel Frank.
Na
segunda-feira, Michel pediu que seu amigo Georges Khour o levasse a dois
lugares: ao médico, para tratar das feridas em suas mãos, e ao apartamento dos
amigos Carlo e Bernadete Simonelli. Na visita, Michel contou aos amigos o que
tinha ocorrido em seu apartamento no fim de semana e pediu-lhes ajuda. Estava
transtornado. Acabou ficando até mais tarde. Dormiu no apartamento. Khour foi
embora.
Encontro com o
pai
Terça-feira,
logo de manhã, Carlo Simonelli começou a atender ao pedido de socorro do amigo.
Levou-o ao escritório do industrial Egon Frank, pai de Michel. Ao pai, dono da
fábrica de relógios Mondaine, Michel contou a seguinte história. No sábado à
noite, ele estava em seu apartamento, jogando cartas com Georges Khour, quando
tocou o telefone. Era Claudia Lessin. Ele a tinha visto, até então, duas vezes,
se tanto. A primeira, em maio, num dos salões do Hotel Meridien, onde se
festejava o lançamento do filme Gente Fina É Outra Coisa, produzido pelo pai,
Egon. Claudia era namorada do diretor do filme, Pedro Carlos Rovai. E irmã da
estrela, Marcia Rodrigues, conhecida como a Garota de Ipanema depois de fazer o
papel principal do filme baseado no samba de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
"Nesse dia sequer nos falamos" contou Michel. "Somente três
semanas depois fui apresentado a ela, quando veio ao meu apartamento, com Pedro
Rovai." Era outro sábado, muito movimento na casa, e muito pó, como de
hábito. No sábado, 23 de julho, de acordo com o relato de Michel ao pai,
testemunhado por Carlo Simonelli, Claudia lhe telefonara perguntando se seu
namorado estava por lá. Não estava. Ainda assim, Michel a convidou para vir e
" combinado com Georges Khour " sugeriu que ela trouxesse uma amiga.
Claudia tocou a campainha minutos depois, sem a amiga. Linda como sempre, aos
20 anos. Michel e Georges estavam em companhia de Danielle Labelle, na mesa de
carteado. O casal Simonelli também estava entre os convivas.

O embalo
Depois de
fazer muitas perguntas sobre o jogo, sem participar dele, Claudia alegou que
estava se sentindo mal, pois tinha bebido cerveja e vinho em excesso. Michel a
acompanhou ao banheiro, onde foi amparada por Bernadete Simonelli. Recuperada
do mal estar, Claudia voltou à sala. "Quero puxar fumo" pediu a
Michel. Ele respondeu que não haveria problema, desde que ela fumasse num dos
quartos, bem longe dele, que não tolerava o cheiro de fumaça. "Depois ela
voltou à sala pedindo "outras coisas"" Michel contou ao pai.
"Entra no primeiro quarto, que é o meu, e sirva-se à vontade"
respondeu Michel. O jogo na sala, a essa altura, não era mais de cartas, mas de
gamão. "Khour resolveu ir ao banheiro" contou Michel ao pai "e,
voltando, ao passar pelo meu quarto viu Claudia deitada de lado, totalmente
nua." SEXO A TRÊS Assim que Daniel Labelle se retirou para o quarto de
hóspedes, alegando não ter condições de continuar o jogo, Michel e Georges
decidiram fazer uma visita a Claudia. "Fomos lá com a intenção de fazer
sexo" contou Michel, "mas como tínhamos consumido muito pó, não
conseguimos ereção." De repente, continuou Michel, eis que Claudia desaba
na cama, com evidentes sinais de overdose: o corpo tremendo, os dentes
trincados, a boca totalmente fechada. "Fizemos de tudo para salvá-la, pois
ela provavelmente havia enrolado a língua. Enquanto Georges tentava reanimá-la
aplicando choques elétricos com o fio desencapado da luminária, eu coloquei as
mãos dentro da sua boca, para desenrolar sua língua." O barulho produzido
pela operação salvamento acordou Labelle. Atônito, ele deparou-se, da porta do
quarto, com uma cena que parecia ser de um ménage à trois. Foi Georges quem o
trouxe de volta à realidade: "Elle est morte" disse ele, em francês.
Georges e Michel pediram ajuda a Labelle, mas ele se apavorou com a situação,
vestiu-se e saiu.
O pai de Michel acompanhava o relato com evidente tensão e
ansiedade. Mas ainda faltava a parte mais escabrosa. PENTE-FINO
"Preocupados em nos envolver num processo por drogas, decidimos nos livrar
do corpo" contou Michel. A seguir, passaram um pente-fino no apartamento,
tirando todas as drogas possíveis de vista. E, antes que pudessem iniciar o
processo de ocultação do cadáver de Claudia, Michel caiu em sono profundo,
segundo ele devido à ingestão de comprimidos de mandrix. Por volta de 1 da
tarde de domingo Michel acordou, disposto a resolver o problema imediatamente.
Georges, que era pescador nas horas vagas alegou conhecer vários bons locais de
onde jogar o corpo ao mar. Michel propôs fazer primeiro uma incursão sem o
corpo para descobrir o melhor local. Georges avisou que seu carro estava com
pouca gasolina. O carro de Michel também. Aos domingos os postos não abriam,
era a política de racionamento de combustíveis, inaugurada em 1973, quando os
produtores árabes triplicaram o preço do barril, para se vingarem da Guerra do
Yom Kipur, vencida por Israel.
MALA DE PEDRAS Foi convocado Moisés, gerente da
Imobiliária Suíça. Ele transferiu gasolina de seu carro para a Brasília de
Michel. Antes de saírem para dar um rolê, Michel e Georges ligaram o ar
condicionado do quarto onde Claudia jazia inerte. Somente por volta de 10 e
meia da noite eles envolveram o corpo de Claudia num lençol e o socaram dentro
de uma mala. Não conseguiram, no entanto, levantá-la, razão pela qual chamaram
a moça que trabalhava na casa para ajudá-los a carregar, do terceiro andar até
o térreo, pela escada e daí até o carro. O Chapéu dos Pescadores não era seu
primeiro objetivo. Acabaram optando por ele depois de se perderem na
Rio-Santos, preocupados com a gasolina. Para terem certeza de que o corpo
jogado iria afundar no mar, amarraram-no a uma bolsa de couro marrom, marca
Favo, cheia de pedras. E o atiraram de uns 80 metros de altura.
O paredão de
pedras apresenta uma divisão por platôs. No primeiro platô, o corpo parou. Eles
desceram, então, e o atiraram de novo. No entanto, nem dessa vez conseguiram
afundá-lo nas águas. VERDADE OU MENTIRA? Como todo industrial, Egon Frank
confiava desconfiando. Depois de ouvir a história do filho pediu ao sócio
minoritário da Mondaine, João Batista que checasse com um médico se era
possível acontecer o que Michel contara. Foi marcada nova reunião para daí a
dois dias, quinta-feira. O encontro desta vez foi no apartamento do diretor da
Mondaine, José Milfont, na Praia do Flamengo. Presentes os advogados Evaristo
de Moraes Filho e Georges Tavares, o patologista De Paula (convidado por ser
amigo de João Batista) e seu amigo Luiz Antonio Pontual Machado. Para De Paula,
a história de Michel era plausível, Claudia realmente poderia ter tido morte
acidental por overdose e o ferimento em suas mãos produto de atrito com seus
dentes na tentativa de desenrolar a língua. Prometeu, ainda, preparar um
parecer que sustentasse a versão do filho de Egon. Na sexta-feira, depois de
tomar conhecimento do laudo cadavérico, Evaristo de Moraes Filho dispensou o
relatório do patologista. Segundo o laudo, transmitido pelo diretor do
Instituto Médico Legal, Nilson Santana, Claudia fora morta por contusão na
cabeça com hemorragia subdural e asfixia provocada por esganadura. A versão de
Michel não se sustentava.
O DEPOIMENTO DE MICHEL Evaristo começou a discutir
com Egon a nova estratégia da defesa. Egon queria, no fundo, que o laudo fosse
contestado, mas Evaristo não concordava com isso. Acabou sendo afastado. Egon
contratou em seu lugar o advogado Wilson Lopes dos Santos, alguém com coragem
suficiente para afirmar que o laudo estava errado. No interrogatório policial,
Michel preferiu omitir a cena da overdose: "Eu estava em meu apartamento,
quando recebi um telefonema de Claudia, que procurava por seu namorado, Pedro
Rovai. Disse a ela que ele não estava em minha casa e Claudia insistiu para ir
até lá." "Consultei meu amigo Georges Khour, que estava ao meu lado
na hora, e pedi para ela vir com uma amiga." "Desliguei o telefone.
Após algum tempo, chegaram Carlo e Bernardete Simonelli, Daniel Labelle e
Enrico Grossi. Eu jogava cartas com Georges e Daniel." "Claudia tocou
a campainha sozinha. Abri a porta, ela entrou e sentou-se na sala. Claudia não
parava de fazer perguntas sobre o jogo. Carlos e Bernadete também estavam na
sala. Em uma certa altura, Claudia passou a sentir-se muito mal por causa da
cerveja e do vinho, eu acho.
Acompanhei a moça até o banheiro e depois a Bernadete
também foi lá, ampará-la. Voltamos para a sala um pouco depois. Claudia
já estava melhor e veio com a gente também. Ela me pediu para fumar maconha.
Como não gosto desse cheiro, disse para que ela o fizesse bem longe de mim. Ela
foi." "Jogávamos na sala quando Claudia apareceu na porta e me pediu
outras coisas. Eu falei a ela que fosse até o meu quarto e se servisse à
vontade." "De madrugada, Carlo, Enrico e Bernadete foram embora,
ficando apenas eu, Daniel Labelle, Georges Khour e Claudia no meu apartamento.
Georges foi até o banheiro e na volta levou Labelle a um dos quartos, porque
ele estava com muito sono. Daniel bebeu muito naquele dia também e estava
aparentemente acabado.
O telefone tocou e era uma amiga de Claudia procurando
por ela. Eu a chamei e ela atendeu ao telefonema, marcando de sair com sua
amiga. Claudia pegou sua bolsa e disse que precisava ir embora, despediu-se e
saiu. Eu e Khour continuamos o jogo e depois fomos dormir." Quando o Juiz
Sumariante do I Tribunal do Júri decretou a prisão preventiva de Michel Frank e
de Georges Khour, no dia 6 de setembro, Michel já estava em Zurich. A ORGIA Ele
fugiu do Brasil de carro, passando pelo Paraguai e depois Buenos Aires, onde
embarcou no avião que o levou à Suíça. No dia 9 de setembro, Michel Frank e
Georges Khour foram denunciados pelo promotor em exercício do I Tribunal do
Júri, José Carlos da Cruz Ribeiro. "Em 24 de julho de 1977, em hora não
precisada, no interior do apartamento no. 302, da rua Desembargador Alfredo
Russel no. 70, no Leblon, os denunciados, unidos pelo mesmo desígnio,
desferiram pancadas na cabeça e estrangularam com as mãos Claudia Lessin
Rodrigues, causando-lhe lesões. Ditas lesões e mais asfixia mecânica foram a
causa suficiente da morte da vítima, como positiva o auto de exame cadavérico.
"Torpe o motivo, desenfreio da lascívia.
O fato punível foi cometido
através de meio cruel, ou seja, por asfixia mecânica. "Os denunciados
usaram de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, brutalmente seviciada,
inclusive com a introdução de objeto em orifício do seu corpo, de tal maneira
que não pôde opor resistência aos agressores, que lhe eram superiores física e
numericamente. "Os denunciados, no local supra referido, promoveram, no
dia 23 de julho de 1977 uma orgia que se prolongou pela madrugada do outro dia,
terminando em hora não precisada, quando serviram aos presentes cocaína e
mandrix, sendo o entorpecente, para quem aceitou a oferta, consumido por
aspiração nasal, com a utilização de um canudo feito por uma cédula, a qual foi
na hora enrolada."
KHOUR DESMENTE MICHEL No dia 13 de setembro, Georges
Khour apresentou-se espontaneamente ao Juiz Sumariante, contestando o
depoimento de Michel. Para ele, Claudia não tinha ido embora do apartamento
antes de morrer. Ele descreveu assim a cena da sua morte:"que reparou
estar Michel com as mãos dentro da boca de Claudia, que havia sangue nas mãos
de Michel" que a vítima se contorcia" que tudo ocorreu de forma muito
rápida, o depoente começou a fazer massagens no peito da vítima" que
quando segurava os braços, o depoente notou que Michel também fazia massagens
no peito da vítima" que Daniel a tudo assistiu, da porta do quarto; que o
depoente virou-se para Daniel e, em francês, disse-lhe: ela está morta; que
Daniel saiu correndo ao mesmo tempo em que Michel caía ao lado da
vítima."O corpo de Cláudia foi encontrado nu na manhã do dia 26 de julho
de 1977, no rochedo do Chapéu dos Pescadores, na Niemeyer. O rosto
completamente desfigurado e o corpo amarrado por arame, preso a uma mala cheia
de pedras.
Cláudia tinha apenas 21 anos. Não houve mistério mais discutido pela
imprensa e pelo Brasil do que a morte de Cláudia Lessin Rodrigues que, numa
noite de sábado, se despediu dos pais e foi a uma festa. Filha de um casal
classe média alta, o comandante Hilton e a dona de casa Maria, Cláudia sempre
teve tudo: bons princípios e educação esmerada, mas não andava nas melhores
fases da vida. Enfrentava uma depressão " não conseguia esquecer um
namorado que teve nos Estados Unidos " mas estava sob controle: fazia
terapia e tudo mais.
Já tinha usado drogas, sim, como a maioria da sua geração,
mas não era viciada e, se tinha algum vício, era cultura: adorava música
clássica, ler e as sessões de filmes de arte do antigo Cine Veneza. Ela morava
com a família, desde criança, na rua Fernando Mendes, esquina com a avenida
Atlântica, com uma bela vista para o mar. Criados com amor e em bons colégios.
A ida de Cláudia ao apartamento de Michel Frank até hoje é um mistério, porém,
o mais provável é que ela teria sido convidada para uma festa, na qual
encontraria Rovai. Ele não foi, e quando Cláudia chegou, a festa era de
"função" ou, melhor dizendo, de "cheiração". Segundo o
livro de Valério Meinel, Cláudia teria passado o fim de semana com os dois
homens, que jogavam cartas, cheiravam cocaína, vendida por Michel aos amigos
que chegavam, sem parar. Muito entra-e-sai entre uma cartada e outra. Cláudia
teria ficado lá "de bobeira", como dizem os cariocas quando não estão
fazendo nada.
Em compensação, Michel "comia como farinha", como dizem
no meio os que cheiram muito. Cheirava desde os 16 anos. Foi o detetive Jamil
Warwar que, 48 horas depois do crime, já havia descoberto tudo, e, em uma
declaração publicada em 1986, afirma: "Houve um embalo de tóxico na casa
de Frank. No dia seguinte, Frank e Kour, cheios de cocaína, caminhavam em cima
da mureta da avenida Niemeyer e resolveram então estuprá-la ali mesmo. Ela
resistiu, ameaçou denunciar o que vira no apartamento no dia anterior (Michel
vendendo bastante pó)". O ex-gordinho, que na adolescência não pegava nem
gripe por causa da aparência, agora se firmara como um "grande" homem
aspirando pó. Segundo o que foi presumido pelo detetive Warwar, os dois, após
violentá-la na própria Niemeyer, a mataram.
Quando tentaram dar sumiço ao
corpo, amarrado com uma mala cheia de pedras, foram vistos por um operário
chamado Índio, que esclareceu o caso, como consta na revista Manchete, em
reportagem publicada em 20 de dezembro de 1986. Os laudos do Instituto de
Criminalística Carlos Éboli, de acordo com a mesma revista, são taxativos:
afirmam que Cláudia foi morta no local, pois havia sangue sobre as pedras.
Declaram também que ela morreu por asfixia mecânica " viam-se claramente
as marcas dos dedos, a olho nu, em seu pescoço.
O exame toxicológico mostrava
que não havia usado cocaína nem qualquer outra droga. O poder e as relações do
pai de Frank falaram mais alto a ponto de Warwar ser afastado das investigações
por meio de uma decisão publicada no boletim de Segurança Pública. O detetive
ligou para o pai de Cláudia, dizendo: "O negócio envolve gente da alta,
com muito dinheiro. O delegado Hélber Murtinho já deu a entender que vou ser
substituído, mas não tem problema não. Já sei de tudo, quem matou sua filha e
onde ela foi morta". "Quero viver além dos 90 anos para ver os
assassinos da minha filha condenados", declarou o pai. Frank, que tinha
nacionalidade suíço-brasileira, foi para Zurique e lá viveu por 12 anos. Porém,
levou junto o vício. Cheirava sem parar, chegando ao extremo de alguns
familiares cortarem relações com ele. "Foi justamente a falta de relações
do meu pai com o poder " ele era apenas um piloto da aviação civil "
que impediu que a Justiça fosse feita. Fosse meu pai um militar naquela época
de ditadura, teríamos visto certamente a condenação dos assassinos.
O que
vimos, ao contrário, foi o poder do dinheiro e o regime de exceção facilitando
a fuga anunciada de Michel Frank e a posterior absolvição dele num julgamento
fraudulento, de fachada", afirma Márcia Rodrigues. A imprensa não sossegou
com o fato e os pais de Cláudia Lessin sempre abriram as portas a ela, pois
Cláudia caiu numa grande roubada, que acabou servindo de exemplo para muitos
pais desavisados. Na Suíça, Frank acabou inocentado do assassinato de Cláudia
por falta de provas consistentes da Justiça brasileira. Em 1989, ele foi
encontrado morto, com seis tiros na cabeça, na garagem de seu prédio em
Zurique. Seu corpo estava entre uma máquina de lavar e outra de secar. Estava
envolvido com drogas até o último fio de cabelo. E por falar em cabelo, a
última notícia que se teve de Georges Kour é que ele abriu um salão em Niterói.
Ele, que em 1977 era cheio de estilo, envelheceu mais de 30 anos em três atrás
das grades.
Foi considerado culpado pela tentativa de ocultação de cadáver. Até
os descolados da bucólica Niterói desconhecem o seu salão. Atualmente, os pais
de Cláudia moram próximos à filha Márcia, que abandonou a carreira e hoje é uma
das mais respeitadas designers de interiores do Rio. Ambos estão com mais de 90
anos. Já o detetive Jamil Warwar, um dos melhores do Rio, se desiludiu com a
profissão e a largou. Em 1977, no Rio de Janeiro, Cláudia Lessin Rodrigues,
de 21 anos, foi assassinada na casa de Michel Frank, um milionário
suíço-brasileiro supostamente envolvido com o tráfico de drogas. [3]
Acusado do
crime, Michel fugiu para a Suíça, onde foi morto a tiros em 1989, sem nunca ter
sido julgado.
Em 1978, o nome de
Claudia apareceu em um outdoor vencedor do primeiro Concurso Nacional de
Outdoor, como parte de uma campanha antitóxico. A peça dizia "Cláudia
Lessin Rodrigues - Que todos os pais dessa cidade jamais se esqueçam deste
nome". O crime gerou o filme "O
Caso Cláudia", dirigido por Miguel
Borges, em 1979.
Referências
↑ 24horasNews, 22/10/2002 Os superfilhos de
Brasília, por Maria Luiza Curti.
↑ O caso
Claudia Lessin Rodrigues Publicado originalmente pela revista Veja, em 07/09/1977.
↑ 24horasNews, 22/10/2002 Os superfilhos de
Brasília, por Maria Luiza Curti.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udia_Lessin_Rodrigues
http://blogdomendesemendes.blogspot.com