Peter Kurt
Müller, cirurgião militar durante a Primeira Guerra Mundial, o médico veio
contratado para comandar o hospital da Companhia de Terras Norte do Paraná, o
primeiro do lugar. Era um patriota tão convicto que hasteava a bandeira alemã
em sua casa, localizada em frente ao hospital, em toda data festiva de seu
país. Vestia o uniforme militar para a cerimônia, embalada pelo hino nacional
alemão, tocado em um gramofone.
Era austero,
disciplinado e agia com os pacientes, como se fossem soldados. Por isso, não
era visto com simpatia pela população.
Müller veio
para Londrina em 1933. Um mês e meio depois da emancipação da cidade, no final
de 1934, cometeu um crime de grande repercussão: matou o conterrâneo Julio Von
Schütz, funcionário da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná e que mantinha um
caso amoroso com a sua esposa.
Müller fugiu
da cidade por causa desse crime, o primeiro ocorrido na pequena Londres.
O jornal
Paraná-Norte, primeiro jornal de Londrina, assim tratou o fato: “Quinta-feira
última pela manhã a cidade esteve emocionada. Um nervosismo intenso dominava a
população, entristecida com trágico acontecimento que tão grave abalo causou em
todo mundo. Corria uma notícia quase impossível. O Dr. Müller havia abatido a
tiros seu compatriota”.
O crime,
explicou o “Paraná Norte”, de 27 de janeiro de 1935, ocorreu porque,
“gravemente ofendido em sua honra por Julio Von Schütz”, Müller “foi fazer a
este uma interpelação”, porém, “mal recebido pelo interpelado, e ante uma nova
injúria, pesada e gravíssima, o Dr. Müller, saindo de sua calma habitual, saca
o revólver e detona três tiros contra Von Schütz que, gravemente ferido, veio a
falecer cinquenta minutos depois”.
Após fuzilar o
amante de sua esposa, o médico fugiu para a Alemanha, onde tornou-se oficial do
exército de Hitler.
Um trágico
acontecimento pouco conhecido em terras paranaenses, onde um crime mudou o rumo
da vida do médico alemão que veio para salvar vidas e que partiu para os
horrores da guerra mais uma vez.
Tendo
assassinado em plena feira de Vila Bela o seu parente Manoel Pereira Maranhão,
Antônio Quelé de Carvalho e Sá foi preso e submetido a julgamento, sendo então
absolvido. A absolvição de Quelé, sob a defesa magistral e espetacular do
monsenhor Afonso Antero Pequeno, abalou os alicerces da família Pereira e
demarcou o recomeço do secular conflito entre os dois tradicionais clãs no
sertão do Pajeú nos albores do século passado.
Casa da Fazenda
Queimada Grande, que pertenceu a Antônio Pereira de Araújo (Antônio Maroto).
Logo após esse
fato voltou Quelé para a sua fazenda Santo André, onde passou a viver ali sem
ser incomodado, quando surgiu outro incidente entre ele e Antônio Pereira de
Araújo conhecido por Antônio Maroto, residente na fazenda Queimada Grande,
vizinha a sua. É que Antônio Maroto mandou cortar um cedro, cujo colossal
tronco foi deixado pelos trabalhadores na extrema das duas propriedades e
aconteceu que os moradores de Quelé, não se sabe se por ordem deste, conduziram
a sua fazenda o toro de madeira, cuja devolução foi reclamada por Antônio
Maroto. Quelé, no entanto, mandou dizer a este que se o mesmo quisesse o cedro,
colocasse a cangalha em siá Chiquinha e dona Francisca (mãe e esposa de Antônio
Maroto) e fosse buscar. Com esse desaforo, Maroto julgou-se gravemente
injuriado. E resolvendo tomar um desforço pessoal, comunicou a sua intenção ao
tio, Manoel Pereira Jacobina (Padre Pereira), residente na fazenda Poço da
Cerca, povoado de São Francisco em Vila Bela.
Fotografia de Antônio
Quelé de Carvalho na parede da casa da antiga fazenda Carrancudo, onde o mesmo
faleceu no ano de 1919 aos 42 anos de idade.
Padre Pereira,
homem prudente, acatado por toda a família dirigiu-se a fazenda do sobrinho
Antônio Maroto, onde procurou dissuadi-lo de trocar desforra, e julgando haver
pacificado os ânimos, regressou para sua fazenda, com os parentes que o
acompanharam.
Escada que dar acesso
ao sótão da antiga fazenda Santo André, antiga propriedade de Antônio Quelé de
Carvalho e Sá. A tradição nos conta que esse escada e o assoalho do referido
sótão se originaram do colossal toro de cedro da confusão entre Antônio Quelé e
Antônio Maroto.
Entretanto
dias depois uns primos de Antônio Maroto mandaram um recado para Antônio Quelé
dizendo que o mesmo se preparasse, pois no outro dia eles iriam ao Santo André
por volta do meio dia jogar terra na comida dos trabalhadores. Pelo mesmo
portador Quelé respondeu que estava pronto para receber-los; que viessem. Na
hora marcada, conforme o avisado, a fazenda de Quelé foi cercada iniciando-se
então grande tiroteio. Os cabras de Quelé dentro das trincheiras que haviam
preparado no dia anterior sustentavam nutrido tiroteio. Em poucos instantes os
primos e cabras de Antônio Maroto, resolveram bater em retirada, admirados
alguns com a quantidade de gente de Quelé atirando ininterruptamente. Foram
embora. Ao chegar à Queimada Grande, um cabra de Maroto comentou: “homem, lá no
Santo André até as mulheres brigam, porque tinha uma mulher endiabrada, deitada
dentro do chiqueiro de porco atirando e gritando, fí dessa, fí daquela outra, e
a bala tinindo”...Na verdade quem estava dentro do chiqueiro era o cangaceiro
Júlio Sabino, um dos destemidos cabras de Quelé que tinha a voz fina. Nisso,
Siá Aninha, Irmã do dito cangaceiro, havia ido ao chiqueiro deixar a lavagem
dos porcos, a velha saiu de lá correndo subindo uma ladeira, com as balas
passando de raspão na rodilha da sua cabeça, ante os gritos do cabra Miguel
Vareda: “se deita na barroca Siá Aninha, êita, a véa vai morrer...” Que barroca
que nada, ela queria ficar longe dali, na sua desabalada carreira nenhuma bala
lhe atingiu, apenas sua rodilha havia ficado totalmente chamuscada.
Casal Sr. José
Francisco Alves e dona Antônia Francisca de Jesus, residentes na vila de Santo
André, hoje distrito de Penaforte no Ceará. Ele, aos 96 anos de idade, um
exímio contador de histórias, é filho de João Chico, antigo cangaceiro de
Antônio Quelé de Carvalho.
E era de se
ver a cabroeira de Quelé, como umas feras no famigerado tiroteio, composta dos
seus mais temidos comparsas entre eles Juriti, Vitorino Domingos, Zé Lourenço
(Flor), Zé Nazário, Miguel Vareda, Júlio Sabino, João Chico e Manoel Môco, esse
dizem que era muito perigoso, findou os seus dias na cadeia de Jardim (CE).
Capela do Santo André
Existem
relatos que o toro de cedro era ferrado, tinha uma marca, e de quem era então
essa marca?
Durante esse
tiroteio apenas saiu ferido Vitorino Domingos, o mesmo que estivera envolvido
no conflito de Vila Bela. Dali por diante as coisas começaram a se agravar dia
a dia.
Esta é uma reflexão mais particular, porém, cabe na Geografia de compartilhamento. Sempre que eu voltava de Maceió, chamava-me atenção a cidade de Estrela de Alagoas, a última do Agreste para quem viaja pela BR-316 Maceió – Sertão. Primeiro foi a rapidez com que aquele núcleo evoluiu e modernizou-se, após a sua emancipação política de Palmeira dos Índios. Segundo, a admiração em contemplar tantas árvores nos seus arredores, entre a cidade e uma serra próxima. Um parque rural espontâneo, pensei, mas sem oportunidade de visitá-lo. Ali nos arredores também existem dois montes famosos que foram parar na Geografia de Alagoas, do saudoso Professor Ivan Fernandes (1963).
Várias tentativas da minha parte foram feitas para fotografar ambos os montes afastados da cadeia de montanhas de Palmeira dos Índios: serrote do Cedro e serrote do Vento. Este é belíssimo e visitado por inúmeras pessoas em época de Semana Santa. O máximo que consegui foram fotos azuladas pela distância da BR para lá (cerca de 3 Km) e tempo chuvoso. Era para o meu livro “Repensando a Geografia de Alagoas”, inédito e engavetado. Modesta à parte um compêndio que nada deixa a desejar ao do mestre Ivan. Entretanto, fiquei mais admirado ainda com suas terras rurais de barro vermelho constantemente exibidas na Internet em vídeos de compra e venda de chácaras e fazendas daquele município. Acho que a morada naquelas terras caracteriza bem a vida dupla campo/cidade. Mundo rural com Estrela de Alagoas e Palmeira dos Índios.
Nem sei ainda como os políticos não se assanharam para emanciparem povoados, distritos e vilas como fizeram no passado. Mas isso ainda pode acontecer com lugares como Areias Brancas, em Santana do Ipanema; Canafístula Frei Damião, em Palmeira dos Índio; e vários outros lugares progressistas de Alagoas como o Pé Leve, Candunda, Caboclo, Piau, Alto do Tamanduá, Carié e muito mais.
Mas nessa hora em que estou planejando plantar meus tomateiros pérolas, bem poderia ser com aquelas terras vermelhas e belas de Estrela de Alagoas e do sítio serrote do Vento.
O Pernambucano
Maurício Vieira Barros, no posto de Sargento da Polícia de seu Estado, Maurício
desempenhava o cargo de Sub-Delegado de polícia de Manari época , pertencente a
comarca de Buíque, povoação já por mais de uma assaltada por Lampião e nem assim
isenta de novos ataques e prejuízos. Conhecedor desses antecedentes, o
Sargento, bicho casca-grossa, tomou a peito não permitir que o Capitão voltasse
ali para sair " esgravatando os dentes". Como o seu destacamento só
contasse com quatro praças, ele entrou em entendimento com fazendeiros e
comerciantes, objetivando reforçar as defesas locais, todas as medidas de
segurança possíveis foram tomadas.
Mas Lampião se
sumiu de um jeito que parecia ter-se mudado para o Polo. Passaram tantas luas
que, já por fim, se pensava que ele houvesse excluído Manari do mapa de suas
correrias periódicas.
Os Soldados
venciam um saldo de fome; e como estava tudo em paz, eles pediram permissão ao
Sub-Delegado para irem arranjando alguma bocas de cano por fora a fim de
melhorar o orçamento; e também os civis estavam gostando daquela providencial
pasmaceira.
Ora um dia o
miserável estourou na localidade pegando todo mundo na supresa. O único "
macaco " que deu pela novidade chamava-se Mariano. Correu ele para avisar
ao superior. Mas Lampião foi mais esperto, puxou a pistola Mauser e o bateu com
seis tiros certeiros.
Os estampidos
e a debandada dos habitantes chamaram porém a atenção de Maurício Barros para a
dura realidade e, mesmo assim, sem meios de enfrentar a onda esmagadora, militar
resolveu sair da toca para presenciar a bagaceira de perto. Não teve de
executar muitos passos, pois Lampião já vinha também de venta acesa em sucário
dele. Para mata-lo? Sem sombra de dúvida. Depois do que acabava de acontecer
com o pobre ordenança, que poderia esperar o chefe naquele instante dramático?
Mas o Capitão
Virgulino, sobre ser um legítimo Pelé da guerrilha, chocava às vezes os outros
com as suas contratações estonteantes. Realmente não se dirigiu ao adversário
com cara sorridente e sem ar impositivo, em absoluto, que esse tipo de
posicionamento não era com ele, mas em todo caso, ressalvando logo que não
matava Maurício, por lhe ser devedor de um favor desses que ninguém jamais pode
pagar; o de ter o Sargento sepultado seu pai, fuzilado no município alagoano de
Mata Grande.
Fonte:
Valdemar de Souza Lima
" O
Cangaceiro Lampião e o IV Mandamento pág 201- 202 - 203
O prefeito de
Juazeiro do Norte, Gledson Bezerra, sancionou em 20 de abril de 2021, a lei
nº5142, que torna obrigatório no âmbito do município a presença da foto da
Beata Maria de Araújo, em moldura e dimensões idênticas as fotografias já
existentes do Padre Cícero. Os quadros serão fixados ao lado da imagem do
religioso, e a decisão já consta no Diário Oficial desde vinte e dois do
corrente.
A ação, que
partiu do legislativo e foi bem recepcionada pelo executivo, é de extrema
importância no processo de reabilitação da imagem da religiosa, que é também
protagonista do processo de crescimento da cidade. São inolvidáveis as ações do
Padre Cícero para o surgimento e o crescimento da Juazeiro do Norte que hoje
conhecemos, mas o Milagre de Juazeiro foi fator preponderante para o início do
fluxo de visitações, e nos ritos de devoção em torno da cidade e seus lugares
sagrados.
Maria de
Araújo amargou as dores físicas e psicológicas do processo movido pela Diocese
do Ceará. Reclusa e doente, não teve direito sequer ao descanso eterno, tendo
seu túmulo sido violado em 1930, menos de duas décadas após seu falecimento. O
processo de valorização de sua memória está no princípio, e medidas afirmativas
são deveras importantes.
Audálio
Tenório, o quinto da direita para a esquerda
Acoitado nas
proximidades de Pau Ferro, atual Itaíba, no final de maio de 1921, Antônio
Matilde mandou um bilhete para o coronel Chico Martins no Salgadinho, serra próxima
a vila. Dizia o bilhete: "Coronel Francisco Martins, sabendo que o
Senhor não gosta de gente armada em seu povoado, peço-lhe o favor de vir até
aqui."
Chico Martins
foi ver o cangaceiro chefe de grupo, Antônio Matilde, levando junto com ele seu
filho Audálio Tenório. No local, além do grupo dos Matilde, estava também o
bando dos Porcinos, comandado por Antônio Porcino, grupo de família que era
composto por cinco irmãos. Audálio pôde observar que Virgulino, Antônio e
Livino estavam sentados, afastados dos demais cangaceiros. Soube depois que os
irmãos estavam de luto, pois fazia poucos dias que tinham perdido a mãe, Maria
Lopes, que morrera de causas naturais, e o pai, José Ferreira, assassinado pela
polícia de Alagoas.
Conversando
com Chico Martins, Antônio Matilde disse que ia para a proteção de José Inácio,
na cidade do Barro, no Ceará, enquanto José Porcino disse que ia para Vila Nova
da Rainha, na Bahia. Lampião estava calado, só ouvindo os companheiros, então
Antônio Matilde perguntou ao cangaceiro: "E você Virgulino, pra
onde vai?"
Virgulino e
Antônio
Lampião
respondeu que daquele dia em diante só queria a proteção “daquele” [apontando
pro céu, se referindo a Deus] e “desse” [batendo com a mão em sua arma].
O cangaceiro
foi apresentado a Chico Martins, que era o protetor de sua família em Águas
Belas. Virgulino quis saber do fazendeiro notícias dos seus parentes e Chico
Martins disse que estavam todos bem, que as moças viviam diariamente em sua
casa, aprendendo a fazer flores, aprendendo a fazer doce, se nutrindo de tudo
junto com sua família, e disse que sua senhora [responsável por ensinar os
ofícios às irmãs de Lampião] era muito jeitosa, muito sabedora das coisas.
Complementou dizendo ao cangaceiro, que suas irmãs viviam bem vestidas,
ajeitadas, até usando meias e que seu irmão, João, respeitosamente vivia sempre
o acatando.
Chico Martins
combinou com Lampião para irem se encontrar com sua família. Foram a cavalo até
o lugar Salgadinho, onde ocorreu o encontro. Quando chegaram ao local, um dos
cangaceiros que acompanhou o grupo zombou fazendo o sinal característico da mão
abanando o nariz, e dizendo que estava sentindo cheiro de macaco. Todos riram
com a brincadeira do cabra.
Junior
Almeida, Conselheiro Cariri Cangaço, Pesquisador e escritor, Membro da
ABLAC
Alguns amigos leitores do nosso blog nos chamam a atenção que ele está com problemas, quando aparecem as letras muito miudinhas. Mas me informou um conhecedor de blogs que é muito simples repará-lo, mesmo feito este reparo nele pelo leitor. E eu fiz o teste aqui e deu certo.
Claro que as pessoas assim como eu que sou leigo no que diz respeito à informática, sentimos dificuldades em alguns momentos, mas dará certo a correção.
1 - No seu teclado do computador, perte a tecla do lado esquerdo abaixo, que tem as letras Ctrl - CONTROL, e a conserve apertada até a conclusão que será após.
2 - Do lado direito logo acima têm as teclas com mais (+) e menos (-). Se for para aumentar as letras do texto em estudo, continue apertando a tecla Ctrl CONTROL e clicando no mais (+) que as letras irão chegar no tamanho real. Se for para diminui-las aperte a tecla Ctrl CONTROL e fique clicando no sinal menos (-).
Você verá que é apenas uma simples correção sobre o tamanho das letras na página. Cada vez que você vai clicando, todo o material do blog irá aumentando de tamanho ou diminuindo, inclusive o blog muda de tamanho.
Acho que agora o leitor que é do meu tamanho no que se refere à informática, já sabe como é o procedimento para aumentar ou diminuir as letras na página de qualquer blogspot.com.
Dona Francisca está ladeada pelos pesquisadores do cangaço Aderbal Nogueira e Kydelmir Dantas.
1º. CASAMENTO
O cangaceiro
Asa Branca fez matrimônio por duas vezes. Ainda na Cadeia Pública de Mossoró
casou-se pela primeira vez com dona Sebastiana Venâncio. Ela natural de
Mossoró, e com ele teve três filhos, os quais são: José Luiz Tavares (já falecido, Jeová
Luiz Tavares (já falecido) e Dijanete Luiz Tavares (até o ano de 2017 ele estava vivo. residindo em Fortaleza. E mesmo dona Francisca sua enteada não sabe se ele ainda está vivo, porque perdeu o contato.
Cangaceiro Asa Branca
Mas posteriormente, o seu primeiro casamento foi
de água abaixo, e foi a partir daí que os dois resolveram não mais conviverem no mesmo teto, e cada um
procurou o seu destino.
2º. CASAMENTO
O segundo
casamento foi realizado com dona Francisca da Silva Tavares, natural de Brejo
do Cruz, no Estado da Paraíba. Ela nasceu no dia 21 de Novembro de 1937, e
é filha de Máximo Batista de Araújo e de Dona Severina Guilermina
Silva, ambos paraibanos. Mas o casamento com dona Francisc só
aconteceu dezessete anos depois que ambos já viviam juntos.
Com o
ex-cangaceiro de Lampião Asa Branca, Dona Francisca teve nove filhos, e
destes, apenas três estão vivos, os filhos vivos são:
Antonio Esmeraldo Tavares faleceu há 3 anos passados. Eu o conheci pessoalmente.
Nascido no dia 10 de Novembro de 1957, na cidade de São Bento, no Estado
da Paraíba. Tinha como profissão, Motorista.
Francisco
Tavares da Silva assassinado por um primo. Não o conheci.
Nascido no dia 14 de Abril de 1959, na cidade de Caridade, no Estado do Ceará.
Este foi assassinado aos 24 anos de idade, por um primo, por coisas banais. O assassino foi logo morto.
Certo dia dona Francisca me falou em sua residência que o Asa Branca não tomou conhecimento do assassinato do filho, vez que toda família temia uma vingança por parte do ex-cangaceiro.
Maria Gorete
Tavares Barbosa. - Conheço-a pessoalmente. Gente fina.
Ela nascida no dia 1º. de Junho de 1960. Atualmente exerce a profissão de artesã
de Biscuit.
Maria da
Conceição Tavares da Silva. Conheço-a pessoalmente. Gente fina.
Nascida no dia 25 de Fevereiro de 1963, em Caridade, no Estado do Ceará. Exerce
também a profissão de artesã de Biscuit.
Máximo Neto
Batista. Não o conheço.
Nascido no dia
04 de maio de 1964, em Caridade, no Estado do Ceará. Reside atualmente em São
Paulo e exerce a profissão de Motorista.
Os demais
filhos do casal não foram citados aqui, porque faleceram ainda criancinhas.
Como
Francisca da Silva Tavares conheceu o "Asa Branca"
No ano de
1954, dona Francisca já era casada e mãe de um filho. Mas nesse
período ela contraiu uma doença, ficando por alguns meses sem
andar. Procurando recursos para se livrar da maldita doença que ora a
perseguia, soube que na região havia um curandeiro, já de idade. Não foi tão
difícil, pois dias depois um velho fazia as curas ao pé de sua cama.
O tempo foi se passando, finalmente dona Francisca se livrou da maldita e
desconhecida doença.
Com aquele
contato de reza vai, reza vem, os dois findaram apaixonados. E no ano de 1955, resolveu
abandonar o seu marido e um filho de sete meses, fugindo com o
curandeiro, cujo destino de apoio, Mossoró.
Mas veja bem
leitor, quem era o curador. Antonio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro "Asa
Branca", que deve ter aprendido as milagrosas rezas com o seu
ex-comandante, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
CONTOU-ME DONA FRANCISCA EM SUA CASA EM MOSSORÓ
Pelo que se
ver é que dona Francisca da Silva fez o mesmo papelão que fez a rainha do
cangaço, Maria Bonita, quando abandonou o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé
de Neném, para acompanhar o afamado Lampião.
Maria Bonita e Lampião
A única
diferença entre as duas é que Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita tornou-se
cangaceira, sendo companheira do capitão Lampião. E Dona Francisca jamais participou de cangaço.
Mas
assim que o seu pai, o Máximo Batista tomou conhecimento que ela havia
fugido com o rezador, isto é, o "Asa Branca", mandou dois dos seus
funcionários procurá-la por todos os recantos de Mossoró.
Já fazia três
dias da permanência do casal em Mossoró, e assim que Asa Branca soube que
estava sendo procurado, resolveu fugir às pressas com a companheira para
Fortaleza, capital do Ceará. Lá, foi assistido por um
médico, o doutor Lobo, que logo solucionou o seu problema, e o empregou em uma
mina de ametista.
De Fortaleza,
foram morar em Itapipoca, posteriormente para Caridade, e lá o casal teve
quatro filhos, mas sempre trabalhando na agricultura.
Anos depois a
família mudou-se para Macaíba, já no Estado do Rio Grande do Norte. Com alguns
anos passados, Asa Branca resolveu retornar a Mossoró, onde aqui criou a sua
família e viveu os seus últimos dias de vida.
Nos anos 70, o
Dr. José Araújo, ex-dentista, e diretor de algumas escolas de Mossoró,
juntamente com João Batista Cascudo Rodrigues, conseguiram um emprego na FURRN,
atualmente UERN, e Asa Branca trabalhou nela até morrer.
CASAMENTO
FEITO ÀS PRESSAS PARA SE EMPREGAR
Como Asa
Branca necessitava se empregar, e era necessária a sua documentação para ter
direito aos benefícios do INSS, e não querendo retornar a sua terra natal,
Cajazeiras do Rio do Peixe, na Paraíba, foi feito um casamento às pressas. Ele
resolveu ir à cidade de Porta Alegre, no Estado do Rio Grande do
Norte, e lá fez novos documentos.
De documentos
em mãos, foi feito o seu casamento com dona Francisca da Silva Tavares, no dia
14 de Janeiro de 1974, no 4º. Cartório Judiciário em Mossoró, Nº. 6.256, fls. 256,
do livro B-16, do Registro Civil de Casamento, assinado pelo tabelião Joca
Bruno da Mota.
Cangaço - Lampião e Zé Baiano em Alagadiço
O pesquisador Antônio Porfírio nos fala nessa 1ª parte do vídeo sobre a chegada do cangaceiro Zé Baiano a Alagadiço (SE) e porque Lampião também esteve algumas vezes na região.
Link desse vídeo:
https://youtu.be/UzVh0QXL1ns
É ponto praticamente passivo a afirmação que o maior bandoleiro da história do Brasil foi Virgulino Ferreira da Silva, o conhecido Lampião.
Já nos Estados Unidos este título vai certamente para Jesse Woodson James, o Jesse James.
Para muitos este bandoleiro ganhou reconhecimento como um guerrilheiro, o último rebelde da Guerra Civil Americana, um símbolo que trouxe esperança para aqueles que ainda acreditavam na causa dos estados do Sul dos Estados Unidos. Mas para outros ele foi tão somente um assaltante de bancos, trens e carruagens, além de um impiedoso assassino a sangue frio.
Jesse Woodson James
Apesar de serem pontos de vista divergentes, ambos são verdadeiros.
Embora seja verdade que grande parte da história de Jesse James é puro mito, também é verdade que muito do que se sabe sobre esta figura é baseada em fatos reais. Mas com a ficção e a realidade agora enredada – é quase impossível separá-los.
Então, quem era Jesse James?
O Homem e Sua Guerra
Jesse Woodson James nasceu em 5 de setembro de 1847. Era filho de um pastor que morreu quando ele tinha apenas dois anos, e de uma mãe de personalidade forte, Zerelda, que se tornou a matriarca da família. Ele foi criado em um ambiente extremamente escravocrata, onde negro era comparado a um bicho de carga e consta que sua família tinha orgulho do sistema escravista. Morava em uma propriedade perto da cidade de Kearney, no estado do Missouri. Tinha um irmão mais velho chamado Frank, que com ele pegaria em armas, e uma irmã mais nova, Susan, e quatro meio-irmãos, frutos de um novo casamento de sua mãe com o Dr. Ruben Samuels.
Zerelda James – Casada com Robert James aos 16 anos, viúva aos 25, a mãe de Jesse, Zerelda, casou-se novamente aos 30 com o Dr. Reuben Samuel.
Ela era uma figura dominante, uma feroz separatista com nervos de aço, uma língua dilacerante e um intelecto vigoroso.
Na época que Jesse James nasceu o seu mundo era extremamente maculado pela violência. Em 1850 o Missouri era um estado onde guerras de fronteira com os habitantes do vizinho estado do Kansas eram normais e tornou a vida muito perigosa para os que viviam no oeste do Missouri – vizinhos lutaram contra vizinhos e cada ataque brutal ocasionava ainda mais represálias brutais.
Mas o problema não era apenas com os vizinhos do Kansas. O Missouri era um estado com muitas facções armadas, mantidas por ricos fazendeiros, os “coronéis” deles, que lutavam por terra, dinheiro e poder. Ninguém foi poupado. Apenas arar seu campo poderia trazer a morte – e a noite não era difícil alguma casa ser queimada e o gado de algum proprietário ser roubado ou abatido a tiros. Mas também ocorriam contínuas batalhas internas e conflitos de fronteira por parte de pessoas que eram contra a escravidão – chamados de “Jayhawkers” (os nossos abolicionistas), que lutavam contra aqueles que eram pró-escravidão, chamados “Bushwhackers”. Sobre todos os aspectos, era um prelúdio sinistro e localizado do que seria a futura Guerra Civil Americana, ou Guerra da Secessão.
Fazenda da família James em 1877.
Quando o grande conflito entre os estados do norte e do sul dos Estados Unidos oficialmente estourou, em 12 de abril de 1861, muitos habitantes do Missouri deixaram suas terras para lutar pelo exército do Sul, os chamados Confederados. Estes estavam com medo que suas famílias e propriedades fossem atacadas pelas forças da União, os do Norte. Para evitar isso, milícias armadas foram criadas para proteger os que ficaram. Frank James juntou-se a um destes grupos de proteção em 1861.
Um dos líderes desses grupos era um jovem de 24 anos chamado William Quantrill. Este organizou várias centenas de homens sob a sua liderança, oferecendo seus serviços para a Confederação. Eles foram empossados em serviço no ano de 1862 e foram reconhecidos como uma parte importante da causa do Sul no Missouri (este reconhecimento é causa de extremas controvérsias até hoje nos Estados Unidos).
William Quantrill
Valente, astuto, um verdadeiro guerrilheiro, mas igualmente um sanguinário, William Quantrill e seus homens realizaram diversos ataques em várias localidades. Muitos de seus combates eram para a defesa dos habitantes do Missouri, mas muitas outras de suas ações não passaram de carnificina em massa, roubo desenfreado, estupros em quantidade e destruição massiva de patrimônio. O mais famoso (ou infame) sucesso de Quantrill ocorreu na madrugada de 21 de agosto de 1863, quando seu grupo composto por mais de 300 homens, realizou um ataque contra a cidade de Lawrence, Kansas. Quando eles terminaram, mais de 150 habitantes foram mortos, 200 casas e empresas estavam destruídas. Frank James estava na incursão a Lawrence.
O ataque a Lawrence, Kansas, em 21 de agosto de 1863, foi a pior atrocidade contra civis na Guerra da Secessão.
Em represália as ações de guerrilha de Quantrill, as milícias pró-União invadiram as propriedades das famílias dos membros do bando, incluindo a fazenda da família James.
No sertão nordestino de Lampião, nas décadas de 1920 e 1930, quando a polícia (em grupos conhecidos como volantes) realizavam perseguições aos cangaceiros, não tinham nenhuma piedade para conseguir informações junto aqueles que acreditavam ajudar estes bandoleiros nordestinos (os chamados coiteiros). Sessenta ou setenta anos antes, a família de Jesse James sofreu da mesma maneira nas mãos das milícias pró-União. Um dos meio irmãos do futuro bandoleiro quase foi enforcado para abrir alguma informação sobre Frank. O próprio Jesse foi chicoteado impiedosamente e sua mãe Zerelda apanhou bastante, mesmo estando grávida. Consequentemente Jesse, então com 16 anos, passou a andar com Quantrill e mais tarde com o seu sucessor, Willian “Bloody (sangrento) Bill” Anderson. Este último era conhecido por cortar as cabeças de seus inimigos com uma típica espada de pirata e levava os escalpos de muitas de suas vítimas em seu alforje.
Em Combate
Em agosto de 1864 Jesse estava com os guerrilheiros, quando ele foi baleado no peito, mas salvou-se e logo voltou à luta. Ele levou esta bala em seu corpo para o resto de sua vida. Em um ataque à cidade de Centralia, no Missouri, o bando de Bloody Bill Anderson matou 25 soldados da União desarmados e roubaram seus uniformes. Mais tarde uma tropa da União ao saber o que aconteceu, saiu em busca de Bill e seus homens. Quando eles foram encontrados, os guerrilheiros mataram mais de 100 dos seus perseguidores, em uma bem montada emboscada. Jesse foi identificado como aquele que matou o comandante dos soldados.
William “Bloody Bill” Anderson – Foi um chefe guerrilheiro cuja campanha de terror ao longo do rio Missouri em 1864 é amplamente considerada uma das mais brutais da história americana. Jesse James o seguiu durante essa época e nos anos posteriores falou com orgulho da filiação a esse homem.
Este seria o maior engajamento da carreira de Jesse como um guerrilheiro confederado. Dois meses após esta batalha, Bloody Bill foi morto em uma emboscada. Os dias dos guerrilheiros foram chegando ao fim, com muitos dos irregulares fugindo para os estados da Louisiana e Texas. Após a morte de Quantrill, os seus homens ou foram capturados, fuzilados, ou fugiram, incluindo neste último grupo Frank James.
Jesse James como um jovem guerrilheiro. Esta foto foi tirada em Platte City, Missouri, em 10 de julho de 1864, mostra o bandoleiro aparece com três revólveres modelo Colt Navy.
Enquanto Frank tinha ido para Kentucky, Jesse seguiu para o Texas, onde ficou até 1865. Após um tempo nesta inatividade, Jesse e alguns outros guerrilheiros decidiram voltar para o Missouri e se entregar. No caminho alguns soldados da União abriram fogo sobre eles e, pela segunda vez, Jesse foi baleado no peito. O ferimento era grave e ele foi levado para a casa de um tio, onde recuperou a saúde com a ajuda da prima Zee Mimms, por quem se apaixonou. Eles iriam se casar nove anos mais tarde.
O Guerrilheiro que se Transformou em Fora da Lei
Ressentimentos políticos, juntamente com dificuldades econômicas no Missouri, acrescentaram novas feridas a velhos problemas. Jesse e Frank James poderiam ter seguido para sua casa e objetivado levar uma vida pacífica, como fez a maioria dos outros guerrilheiros. Mas depois de uma vida tão “emocionante”, os dois irmãos logo se juntaram com alguns antigos guerrilheiros e começaram suas carreiras criminosas.
O líder guerrilheiro do Missouri Fletch Taylor (à esquerda), que mais tarde perderia seu braço direito, era o oficial comandante de Jesse James em 1864 antes dos James se juntarem ao grupo de “Bloody Bill” Anderson. Frank (no centro) e Jesse (direita) posaram para a rara foto em abril de 1864.
Salvo engano, Lampião passou 20 anos como cangaceiro, já Jesse e Frank James estiveram de armas na mão por 16 anos. Tal como Lampião, não se sabe quantos crimes os irmãos James cometeram, mas uma vez que eles tinham alcançado alguma notoriedade, foram acusados de mais assassinatos e roubos do que poderiam ter realmente cometido. Coisas da fama!
Mas se Lampião visava atacar principalmente as casas dos proprietários rurais, onde ficavam suas economias pela falta de casas bancárias no sertão nordestino, nos Estados Unidos eram os bancos o principal alvo dos irmãos James.
Acredita-se que o primeiro banco que eles roubaram foi na cidade de Liberty, Missouri. O fato ocorreu em fevereiro de 1866, o bando tinha cerca de 12 homens, que entraram na cidade tranquilamente montados em seus corcéis. Deixaram o estabelecimento bancário com quase 60.000 dólares e dispararam contra dois espectadores, matando um. Outros roubos semelhantes ocorreram no Missouri e em estados vizinhos entre 1866 e 1867. Logo os irmãos James, juntamente com seus primos, os Youngers, são apontados como suspeitos dos assaltos. O bando passa a ser conhecido como quadrilha dos James/Youngers.
Jesse e Frank James
Qualquer que fosse a dúvida de que os James estavam envolvidos em assaltos a bancos, esta foi eliminada quando roubaram o Banco Davies, na cidade de Gallatin, Missouri, em dezembro de 1869. Depois disso, seus nomes, com recompensas por suas cabeças, seriam ligados a crimes no Missouri e em outros lugares.
Jesse entrou neste banco e pediu a John Sheets, um ex-capitão do exército União, caixa e principal proprietário do banco, para trocar uma nota de 100 dólares. Quando este se sentou para escrever o recibo, Jesse percebeu que aquele era um ex-oficial do Norte e, sem pestanejar, atirou na sua cabeça e no coração. Apesar de dois outros assaltantes terem disparado contra um funcionário do banco, este conseguiu escapar e alertou a cidade.
Jesse James
Seus habitantes se posicionaram e, como quase todo mundo no velho oeste tinha uma arma de fogo, dispararam impiedosamente sobre o bando na medida em que estes saiam do banco e tentavam pegar seus cavalos. Ao montar em seu alazão, Jesse James caiu e foi arrastado por cerca de 40 metros antes que pudesse retirar o pé do estribo. Ele então subiu na garupa do cavalo de Frank e fugiram. Só depois conseguiu tomar outro cavalo de assalto.
Logo a imprensa estampou que o assassinato do ex-oficial da União Sheets, teria sido uma “vingança política” e muitos sulistas aprovaram o assassinato cometido por Jesse.
O Nascimento de uma Lenda
Embora os membros da quadrilha dos James/Youngers afirmassem aos quatro ventos que roubavam dos ricos para dar aos pobres, não há registro de que eles tenham dado algo a alguém. O mais próximo disso foi pagando aos que os apoiavam durante suas fugas.
A quadrilha dos James/Youngers
A quadrilha então volta a sua atenção para outra fonte de dinheiro – as ferrovias. Eles atacaram o seu primeiro trem em uma noite de julho de 1873, em Iowa. A quadrilha também roubou diligências. Eles provavelmente teriam assaltado postos de gasolina e lojas de conveniência, se estas existissem na época.
Apesar de ser oferecido cada vez mais dinheiro pelas cabeças dos membros da quadrilha dos James/Youngers, eles seguiam tranquilos. Entre os roubos, os irmãos James se escondiam nas cidades médias e grandes. Jesse e Frank viveram em vários locais, junto com as suas respectivas famílias. Jesse e Zee Mimms tiveram um filho e uma filha. Frank também se casou e de sua união nasceu um filho. As duas famílias unidas, ajudavam os irmãos James a se esconderem nas áreas urbanas.
Jesse era vaidoso com sua aparência, fumava charutos e raramente bebia qualquer coisa alcoólica mais forte do que a cerveja. Apesar de algumas madames contestarem esta versão, consta que ele nunca traiu a mulher e jamais levantou a voz com crianças. Ele tinha duas marcas de balas no peito, outra na coxa e faltava um pedaço do seu dedo médio esquerdo. Ele também tinha um pé esquerdo ligeiramente torcido. Afirma-se que era canhoto, tinha uma voz de contralto. Lia a bíblia, podia recitar salmos e poderia cantar hinos religiosos se quisesse. Consta que nunca se arrependeu de seus roubos, ou de seus muitos assassinatos. Ele tinha uma grande necessidade de atenção, poderia ser muito gentil, muito educado e era bem versado sobre os acontecimentos do seu tempo.
Livros publicados no final do século XIX sobre Jesse James
Jesse e Frank James estavam nas páginas dos jornais de todo o país. Mas foi o jornalista John Edwards, um ex-oficial da Confederação, escritor e editor de vários jornais depois da guerra, que viu em Jesse uma oportunidade de criar um ponto de encontro para a oposição à opressão que os antigos militares do Sul sofriam daqueles que estavam no poder. Edwards tornou Jesse o símbolo de uma causa perdida.
Jesse gostava de seu novo status, tornando-se obcecado com sua imagem pública. Ele leu jornais e muitas vezes escrevia cartas para os jornalistas e até mesmo chegou a planejar assaltos com base em sua percepção da reação do público. Com a contínua campanha de propaganda, Jesse se tornou um herói para muitos.
O Fim da Gangue James/Youngers
Os homens da famosa agência Pinkerton, de caçadores de bandidos, foram chamados várias vezes para capturar os membros da gangue James-Younger e não conseguiram. Em represália, numa noite de janeiro de 1875, várias bombas incendiárias foram lançadas na tradicional casa da fazenda da família James. Uma meia irmã de Jesse e Frank morreu e sua mãe Zerelda perdeu a mão.
Fazenda da família James, mantida totalmente original
O ataque pensado pelos agentes Pinkerton foi um fracasso, além de realizarem uma ação contra uma família indefesa, provocaram a morte de uma criança inocente, o que automaticamente trouxe simpatia e o apoio a quadrilha dos James/Youngers. Então veio o notório assalto ao banco em Northfield, Minnesota, em setembro de 1876.
Oito membros da gangue entraram na cidade, três ficaram em seus arredores, três entraram no First National Bank e dois ficaram do lado de fora. Quando o caixa do banco se recusou a abrir o cofre, sua garganta foi cortada e, em seguida, ele foi baleado – muito provavelmente por Jesse. Outro caixa fugiu para soar o alarme entre os moradores de Northfield. A rua foi imediatamente liberada pelos transeuntes e os habitantes da cidade começaram a atirar nos bandidos. Dois deles morreram, juntamente com um civil, e o resto da quadrilha fugiu.
Armas que pretensamente pertenceram a gangue James-Younger, em uma exibição na década de 1920.
Foi organizada uma caçada humana para rastrear os bandidos em fuga, esta acabou matando outro marginal e capturando Cole, Jim e Bob Younger. Jesse e Frank escaparam. O assalto foi um grande fracasso – três homens morreram, três foram presos (depois receberam sentenças de prisão perpétua), dois escaparam e nenhum dinheiro foi levado.
Hollywood aproveitou este fracasso do bando James/Younger na película “The Long Riders”, de 1980 (No Brasil foi intitulado “Cavalgada de Proscritos”), onde a cena deste assalto, apesar de certos exageros em relação ao fato real, é visualmente intensa (Veja a cena – http://www.youtube.com/watch?v=vr0MlCjzJak)
Bill Stiles e Clell Miller, do bando dos irmãos James, mortos no assalto de Northfield. Seus corpos foram fotografados em um estúdio. Embora pareça sombrio para os tempos atuais, fotos de bandidos mortos ou capturados e divulgados como lembranças. Isso também serviu ao propósito prático de ajudar em sua identificação.
A Morte de Jesse James por um Covarde
Depois de algum tempo, Frank decidiu sair do grupo e se aposentar. Já Jesse buscava montar um novo bando para continuar roubando por mais alguns anos. Mas os tempos e a política começaram a mudar. A eleição de Thomas T. Crittenden para governador do Missouri em 1880 foi o começo do fim para Jesse.
Na esperança de manter o grupo vivo, Jesse convidou os irmãos Robert (ou Bob) e Charles Ford para participar de um assalto ao banco da localidade de Platte City. Entretanto os irmãos já tinham decidido não participar de roubo algum, mas receber a recompensa de 10.000 dólares pela cabeça de Jesse. Ação que era patrocinada pelo governador Crittenden.
Robert Ford
O governador prometeu aos irmãos Fords um perdão completo pelo passado de crimes, mas eles teriam de matar Jesse, que era então o criminoso mais procurado dos Estados Unidos. Crittenden tinha elegido a captura dos irmãos James como sua prioridade política. Barrado por uma lei que não autorizava o oferecimento de uma recompensa vultosa pela captura de bandidos, o governador buscou apoio nas estradas de ferro e estes lhe cederam os 10.000 dólares.
Foto recentemente apresentada, que mostra Robert Ford (à esquerda) e Jesse James. A foto mostra o notório fora da lei americano e seu infame colega de gangue, que o trairia em troco da recompensa, matando-o a tiros em 1882. Ela pertence a uma família de fazendeiros do Texas, transferida de geração em geração. Eles passaram os últimos anos tentando provar que era legítima. A legista Lois Gibson, do Departamento de Polícia de Houston, confirmou sua autenticidade em 30 de setembro de 2015. Ela pode render muito dinheiro para a família.
Em 3 de abril de 1882, os irmãos Ford estavam junto com Jesse e sua família – a respeitável família Thomas Howard – em uma casa em Saint Joseph, Missouri. Depois de tomar café da manhã, os Fords e Jesse James entraram na sala de estar em preparação para a viagem para Platte City. De acordo com Robert Ford, tornou-se claro para ele que Jesse tinha percebido que ele e seu irmão estavam lá para matá-lo.
Desenho mostrando o assassinato de Jesse James por Robert Ford
No entanto, em vez de xingar ou matar os Fords, Jesse atravessou a sala de estar, colocou seus revólveres em um sofá e depois subiu em uma cadeira para tirar a poeira de um quadro. Bob Ford vendo a oportunidade, tirou o seu revólver calibre 44 do coldre, apontou-o para a parte de trás da cabeça de um homem desarmado e puxou o gatilho. Jesse ouviu o barulho do engatilhamento da arma e foi virando a cabeça, quando a bala o atingiu.
Casa onde Jesse James foi morto, hoje um museu.
Após o assassinato, os Fords foram ao encontro do governador Crittenden para reivindicar sua recompensa. Eles se entregaram às autoridades legais, mas ficaram consternados ao descobrirem que foram acusados de assassinato em primeiro grau. Em um dia, os irmãos Ford foram indiciados, se declararam culpado e foram condenados à morte por enforcamento. Duas horas depois, Crittenden lhes concedeu um perdão completo. Apesar do acordo, os irmãos Ford receberam apenas 500 dólares, uma fração do dinheiro originalmente prometido.
O corpo do bandoleiro Jesse James.
Por um tempo Bob Ford ganhou dinheiro posando para fotos como “o homem que matou Jesse James”. Junto com seu irmão reencenaram o assassinato em um espetáculo por várias cidades. Mas o desempenho dos Fords não foi bem recebido. A maneira como Bob havia assassinado Jesse James, enquanto ele estava de costas e desarmado, trouxe muitas inimizades em diversas cidades onde o espetáculo foi realizado.
Com tuberculose e viciado em morfina, Charles Ford se suicidou em 4 de maio de 1884. Quase dez anos depois do assassinato de Jesse James, no dia 8 de Junho de 1892, Robert Ford era dono de um saloon em Creede, no Colorado, quando foi morto com dois disparos de uma espingarda calibre 12 no peito. O assassino foi um homem que aparentemente tinha problemas mentais e desejava ficar famoso como “o homem que matou o homem que matou Jesse James”.
Vejam que ser famoso já não era fácil desde aquela época!
Propaganda de um show onde as atrações principais eram Frank James e seu primo Cole Younger
Propaganda de um show onde as atrações principais eram Frank James e seu primo Cole Younger
Depois que Jesse foi morto, seu irmão Frank se entregou às autoridades em 1882. Ele foi julgado e absolvido por um júri simpático. Nos últimos trinta anos de sua vida Frank trabalhou em vários empregos, inclusive como vendedor de sapatos e, em seguida, como um guarda de teatro em St. Louis. Durante algum tempo, junto com seu primo Cole Younger, participaram de shows itinerantes onde apresentavam as suas aventuras do passado. Em seus últimos anos, Frank James voltou para a tradicional fazenda da família James. Ele morreu em 18 de fevereiro de 1915, com a idade de 72 anos.
Legado – Jesse James, um Ícone da Cultura Pop
Tal como ocorreu com Lampião no Brasil, tão rapidamente quanto os jornais anunciaram a sua morte, rumores da sobrevivência de Jesse James proliferaram. Alguns disseram que Robert Ford matou alguém parecido com Jesse, em uma trama elaborada para permitir-lhe escapar da justiça. Estes contos têm recebido pouca credibilidade e nenhum dos biógrafos deste bandoleiro famoso apoiaram as versões de sobrevivência como plausível.
Cartaz origina oferecendo uma recompensa pelos irmãos James.
Nos Estados Unidos já foram rodados mais de 70 filmes e programas de TV sobre Jesse, ou incluindo Jesse, e a saga cinematográfica deste fora da lei é longa. O primeiro filme sobre ele foi feito em 1920 e estrelado por seu filho, Jesse James Jr. Mais recentemente, Brad Pitt interpretou o fora da lei em “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”. Houve também várias apresentações de palco. Jesse James também foi o herói em muitos romances baratos e objeto de vários livros e inúmeros artigos.
Tal como Lampião no Brasil, Jesse James continua a ser um símbolo controverso, que sempre pode ser reinterpretado, de várias maneiras, de acordo com as tensões e necessidades culturais.