Por Relembrando Mossoró
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
NOTA DE PESAR!
CANGAÇO
Por O Cangaço na Literatura
Enfim, entrevistamos o Mito Frederico Pernambucano de Mello
e soubemos coisas incríveis sobre o cangaço, muita novidade! Link da matéria
sobre Volta Seca http://blogdomendesemendes.blogspot.c...
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
NO TEMPO DO CANGAÇO
Por Aderbal Nogueira
No tempo do cangaço Vários fragmentos de depoimentos
gravados ao longo de duas décadas com remanescentes da época do cangaço. A
maioria dos depoimentos foram gravados na década de 90. Link desse vídeo: https://youtu.be/DQ0U7cZpToE
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HÁ 75 ANOS, O BRASIL ASSISTIA AO FIM DO CANGAÇO - JORNAL FUTURA - CANAL FUTURA
Por Canal Futura
https://www.youtube.com/watch?v=RzLdmX3DSbcHá 75 anos, o Brasil assistia ao final do cangaço: era fim
de maio de 1940, quando Cristino Gomes da Silva Cleto, o mitológico cangaceiro
Corisco, foi metralhado numa emboscada na fazenda Cavacos, em Brotas de
Macaúba, na Bahia, pelo tenente José Rufino, um dos maiores caçadores de
cangaceiros da história. Àquela altura, dois anos após a morte de Lampião,
Corisco era o último cangaceiro em atividade, apesar de ter ficado com um braço
deficiente por causa de tiros. Era o fim de um ciclo sangrento que durou cerca
de um século e que teve seu ápice no tempo de Lampião.
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MENDES E O NORDESTE NU
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de dezembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.233
Nesta véspera de NATAL, quero agradecer aos nossos leitores
do Brasil, Estados Unidos, Portugal, Rússia, Alemanha, França, Cingapura, Reino
Unido, Dinamarca, Espanha e outros mais. Tudo isso graças à parceria entre o
nosso blog: (clerisvaldobchagas.blogspot.com) e o (blogdomendesemendes),
Alagoas com Rio Grande do Norte. As crônicas de Clerisvaldo chegaram para
preencher o vazio entre publicações de livros do autor. São escritos que
abordam todos os temas do mundo, com ênfase no solo alagoano e nordestino. O
blog do Mendes, mais focado no antigo relicário cangaceiro, publica também os
cenários periféricos do cangaço e expõe todo o Nordeste, principalmente os
sertões, sem terno, sem gravata, sem cueca, completamente despido.
José Mendes Pereira que nasceu no sítio Barrinha, em Mossoró, é filho de Pedro Nél Pereira e de Antônia Mendes Pereira. Com seus estudos, pesquisas e determinação, atuou no mundo gráfico, tornou-se professor e criou o blog atual, dedicando-se ao universo do cangaço. O seu blog, pouco a pouco atingiu uma dimensão colossal ultrapassando fronteiras, firmando-se como indispensável aos que pesquisam o Sertão do Nordeste na Sociologia, História, Geografia e nas Artes. Mas nem somente de cangaço vive o blogdomendesemendes. Imprensado entre os cangaceiros estão os escritos ecléticos de Clerisvaldo B. Chagas e de Rangel Alves da Costa.
Escritor Rangel Alves da Costa
São crônicas normais e longas que permitem o
lazer aos “cangaceirólogos” e ao planeta. O sergipano Rangel é um escritor
versátil, sensível, seguro e poético que sabe exatamente onde cabe cada uma das
suas palavras escritas. Um mestre escritor.
Assim as crônicas são ornadas pelas pesquisas e artigos de
José Mendes Pereira e, às vezes, cintilam “O Nordeste Nu”. O miolo, porém,
destes escritos é mais para parabenizar o Mendes por mais um ano de vitória no
repto da sua vida prestando relevantes serviços ao mundo da Cultura. Seu
hercúleo esforço para fabricar o “pão e entregá-lo ainda quente na madrugada” é
tarefa mesmo para os maiores titãs da Mitologia e do Cangaço. E na valorização
das suas publicações diárias, responde o próprio Nordeste riquíssimo em ditados
populares: “Rapadura é doce, mas não é mole não”. FELIZ NATAL PARA O GLOBO E
PARA NÓS.
MENDES x RANGEL (CRÉDITO: BLOG DO MENDES).
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/
REGISTRO DO CANGAÇO.
Por Getúlio Moura
Tenente Arlindo Rocha nasceu em 23 de março de 1883, no
Sitio Campinhos (Salgueiro/PE).
Em 1924, Arlindo Rocha articula uma emboscada contra o
subgrupo de Antônio Padre, ocorrendo uma troca de tiros, no episódio que ficou
conhecido como o “ Fogo de Pilões”, que culminou nas mortes de Antônio Padre e
Gavião.
Arlindo Rocha participou da Batalha de Serra Grande,
considerada a mais importante vitória de Lampião sob as forças volantes.
Na referida batalha, o tenente foi alvejado por um disparo
na boca que lhe trouxe problemas, sendo assim, chamado pelos cangaceiros pelo
apelido de “Queixo de Prata”.
Arlindo faleceu em 7 de outubro de 1956.
https://www.facebook.com/photo?fbid=6867518089956246&set=gm.965290860741537
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ESSA NOTÍCIA SAIU NO JORNAL DE PERNAMBUCO EM 1936, FALANDO SOBRE AS FILMAGENS DE BENJAMIN ABRAÃO, NO NOTÍCIA ABRAÃO, QUANDO FOI FICAR COM OS CANGACEIROS.
Do acervo do pesquisador Deivid Júnior.
https://www.facebook.com/groups/508711929732768/?multi_permalinks=965572247380065%2C965628124041144%2C965024807434809%2C963891037548186%2C962953040975319¬if_id=1639771815458668¬if_t=group_activity&ref=notif
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FAZENDA PATOS - TAPERA DOS GILOS - QUEIMADAS - OS MAIORES MASSACRES DO CANGAÇO.
Contos do Cangaço é um grupo
literário de entretenimento e engrandecimento cultural, que objetiva a
divulgação, o conhecimento e a apreciação da história do Cangaço como fenômeno
social nordestino, com todas suas características, acontecimentos e
personagens, na forma como ocorreu. Não objetivamos a crítica, a polêmica nem o
conflito de opiniões, o passado não se muda, nem devemos julga-lo com os olhos
de hoje ou compará-lo ao contexto atual. Postagens e comentários devem seguir
esta linha, manifestações desagradáveis, incultas, ofensivas e que incitam o
conflito e a desarmonia não condizem com o espírito e o objetivo do grupo. A
diversidade de opiniões, visões e entendimento sobre o Cangaço deve ser
respeitada, sem necessariamente ter que ser combatida, contraditada e
conflitada, pois isso não resolve, nem muda a opinião alheia. Opiniões devem
ser feitas em postagens próprias, e não por críticas em postagens de outros, em
prol do respeito mútuo e melhor andamento do grupo. Favor não misturar,
comparar ou envolver o Cangaço com política, não tem nada a ver, é
incompatível, o Cangaço não levantou ou defendeu bandeiras políticas.
https://www.youtube.com/watch?v=R_SZdebcs5M
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terça-feira, 21 de dezembro de 2021
NESTE DIA 17 DE DEZEMBRO RECORDAMOS OS 70 ANOS DO MAIOR ACIDENTE FERROVIÁRIO DO CEARÁ NO KM 322 EM PIQUET CARNEIRO
Por José Cícero
Quase tudo relacionado à história do trem do trem do Cariri
foi indelével e determinante. De modo que, assim como foram marcantes as coisas
boas, ficaram também inesquecíveis os seus acidentes. Alguns de grande
repercussão pelos números de vítimas registradas. Portanto, na nossa linha Sul
é imperioso dizer que o Km 322 localizado no município de Piquet
Carneiro(antigo distrito de Senador Pompeu), ocupou um lugar de destaque nestas
narrativas de fatos. Por ter sido, por assim dizer, o palco sinistro de diversos
destes acidentes dramáticos ocorridos ao longo da história do trem da chamada
linha sul. Sendo o maior deles, o que aconteceu na manhã do dia 17 de dezembro
de 1951 deixando um saldo de quase cem mortes como ainda ainda pouco mais de
100 feridos, alguns com sequelas irreversíveis pelo resto da vida. Destaco este
lamentável acontecimento pelo fato do Sr. Joaquim Gregório, morador de Aurora
ter sido um dos seus sobreviventes. E que, conforme sua bisneta Lúcia França,
hoje residente na cidade do RJ ter me relatado como tudo ocorreu. Informes
estes baseados nos relatos do mesmo. "Meu avô sempre nos dizia que aquele
trem virou de repente. E que foi muito triste tudo aquilo. Quando ele viu já
estava desacordado no chão do lastro e sem enxergar nada. Apenas bolas de luzes
coloridas tremulando na sua visão embaçada pela violência da batida. E de
repente sentiu uma sede enorme. Desesperado diante daquele ambiente de tragédia
urinou nas próprias mãos e bebeu. Melhorou um pouco. E quando deu por si.
Percebeu o tamanho do acidente. Era triste e desolador o quadro de sangue e dor
ao seu redor. Esqueceu dos seus ferimentos para cuidar das outras pessoas que
ali sofriam. Muitos corpos ensanguentados espalhados por todo canto. Pessoas
gritando de dor e pedindo socorro. Gemidos e choros de mulher, homens e
criancas. Ele ajudou muitos dos que se encontravam ali sob os vagões de ferro
retorcidos dentro dos barrancos dos matos. Nunca esqueceu daquele acontecimento
triste e fatídico que vivenciou e escapou, segundo ele próprio, "por puro
milagre de Deus". Uma senhora de nome Maria Dolores da cidade de Brejo
Santo também pereceu neste O mesmo é considerado até hoje como o maior acidente
ferroviário da história das ferrovias do Ceará e do Nordeste.
Porém esta tragédia não terminaria ali. Visto que no dia 04
de dezembro de 1957 às 16:30h a senhora Vicencia Gregório de Figueiredo( dona
Nininha), filha do Sr. Joaquim( o sobrevivente na de 51) embarcava na estação
de Aurora com destino à Fortaleza. Ela se fazia acompanhar do seu futuro genro
de nome Abner, telegrafista da cidade e das suas filhas: Maria Eunicia(noiva),
Nena e Silvany.
Dona Nininha(foto abaixo) era esposa do então conhecido
comerciante aurorense e vereador José Lourenço do Amaral. Um casal benquiste
por toda a comunidade e de muita reputação na cidade.
O trem pernoitou no Iguatu. E no começo da manhã do dia
seguinte, 5 de dezembro, uma segunda-feira, seguiu viagem nos rumos da capital
alencarina. Tudo ia bem e os passageiros da primeira classe conversavam de modo
alegre e descontraído. Coincidentemente já em Piquet Carneiro, dona Nininha
começou a explicar para as pessoas ao seu redor os fatos relacionados ao
acidente de 51 em que seu pai sobreviveu por um milagre. E, no instante em que
apontava o lugar exato em que tudo aconteceu, eis que de repente, o trem
tombou. Como num piscar de olhos tudo ficou escuro e empoeirado. Um silêncio e
em seguida, muitos gritos.
Às 20h do dia 05 de dezembro de 1957* a estação de Aurora
recebia o comunicado pelo código morse acerca do acidente. Logo passando a
triste notícia para à família. Duas vítimas fatais foram constatadas sendo uma
delas, dona Nininha, que morria aos 45 anos de idade.
Toda a cidade logo ficou triste e comovida diante da
informação, dando conta da morte de tão boa e conhecida cidadã aurorense.
Onze dias depois, isto é, no dia 17 de dezembro de 1957 no
mesmo km 322 de Piquet Carneiro um novo acidente ferroviário aconteceu.
Passaram-se os anos como sempre tudo passa na vida. E eis que
na manhã do dia 23 de julho de 1967 mais um acidente se daria em Piquet
Carneiro. Novamente vitimando uma pessoa de Aurora. Desta feita, o jovem
universitário Herlanio Leite Cruz, estudante do curso de engenharia de apenas
21 anos de idade. Filho do conhecido dentista, o saudoso dr. Enisio Cruz.
O jovem aurorense retornava para Fortaleza onde estudava,
após passar suas férias escolares em sua terra natal. O mesmo embarcara na
vizinha estação de Missão Velha já que seu avô paterno Pedro da Cruz, famoso
dono de engenho residia no distrito de Missão Nova onde seus netos costumavam
passar o período de férias. Aliás, cumpre registrar que neste mesmo trem de
1951 se encontrava também o ex-prefeito de Missão Velha o saudoso Sr. Geraldo
Soares(seu Geraldão) sendo um dos sobreviventes.
,................................
# Prof. José Cícero
fotos: Arquivo: I,II e III
C. Camocim: grupo Memória
das Ferrovias Cearenses.
IV- Arquivo do Face.
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SERRA TALHADA LOCAL DE ORIGEM DO CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA - ANTIGO CHEFE DE LAMPIÃO.
Foi nesse local onde no dia 20 de janeiro de 1896 nasceu Sebastião Pereira e Silva que ficou celebrizado no Nordeste por ter sido um dos cangaceiros de maior desta que em todo o ciclo do cangaço nordestino e por ter sido o último chefe-cangaceiro a liderar Lampião antes desse ter o seu próprio bando por sinal herdado de Sinhô Pereira. Esse vídeo tem por objetivo mostrar a região e o local aproximado onde havia a antiga casa, hoje destruída, onde nasceu Sinhô Pereira. Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCDyq...
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SANTA LUZIA E A BANDA
Clerisvaldo B. Chagas, 21/22 de dezembro de 2021
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.632
No mundo sertanejo, vez em quando somos surpreendidos pela tradição. Recebemos vídeo da mana Jeane Chagas, sobre as andanças de nova banda de pífanos pela Rua Antônio Tavares. Como antigamente, uma senhora com uma sombrinha, devido ao Sol forte do Sertão, comanda a bandinha. Leva nos braços a imagem envolvida em panos de Santa Luzia e pede auxílio para a novena da santa, de casa em casa. Seguindo à senhora, dois tocadores de pife, um zabumbeiro, um tocador de caixa e um ás no tarol animam as ruas e o ego dos pedintes. O pessoal da banda vai recebendo o auxílio para a festa, avisando onde será realizado o evento com o convite ao vivo. Esses gestos de homenagear os santos, acontecem mais com Santa Luzia, São José e Santa Quitéria, três grandes preferências sertanejas.
Não temos mais banda de pife ou esquenta-muié, porém, elas existem em municípios como São José da Tapera, Pão de Açúcar e outros mais. É preciso saúde para passar o dia inteiro rua acima, rua abaixo, fé para a persistência e muita devoção para informar, pedir, passar troco, e não se alimentar corretamente. Conforme o grupo, ele também dança com seus bailados próprios. Seguem páginas musicais gravadas por semelhantes criativos que atingiram o ápice, como o do saudoso João do Pife, sucesso no Brasil inteiro. particularmente gostamos muito da página musical “a Onça”. É um tipo de ópera matuta em que os músicos interpretam uma caçada de onça feita com cachorros. Os cachorros acoam a onça, brigam, cachorro grita, tudo representado pelos pifes e os acompanhamentos, com fidelidade. Um espetáculo! Quanto mais se entende sobre o assunto maior valorização.
Como em Maceió que os movimentos folclóricos aconteciam no Bairro Bebedouro, as nossas novenas com banda de pife, concentravam-se na zona rural e no subúrbio Bebedouro/Maniçoba. Um nome inesquecível mais recente dessas manifestações, senhor José Rosa que não está mais entre nós. Porém outros nomes se destacaram no Bebedouro antigo como o artesão de chapéu de couro de bode, João Lourenço, fundador da igrejinha de São João contra a Influenza, da Primeira Guerra Mundial.
As bandas de pife também se apresentavam sem o santo nas ruas, nos logradouros públicos, diante das igrejas... Patrocinadas pelas respectivas prefeituras.
Ô que Sertão gostoso de se viver!
BANDA DD OUTRA REGIÃO. (FOTO: AMORIAL BRASILEIRO).
MORRE EM NATAL-RN, O COMERCIANTE MOSSOROENSE TITICO DO MERCADINHO COCADA.
Por José Mendes Pereira
Vá com Deus e descanse em paz, Titico!
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HISTÓRIAS DAS BATALHAS SERRA GRANDE SE CONSOLIDOU COMO A MAIOR VITÓRIA
por Fernando Maia - Repórte
Calumbi (PE). O enfrentamento motivou o ex-policial, pesquisador e colecionador Lourinaldo Teles a escrever, após seis anos de pesquisa, o livro “A maior batalha de Lampião- Serra Grande e a invasão de Calumbi”, o que valeu na época para Virgulino Ferreira o título de Imperador do Sertão. Para se ter uma ideia do material conseguido por Lourinaldo, ele coleciona mais de 300 projéteis retirados da serra onde foi travada a luta, além de cartuchos vazios, a maioria encontrados com um detector de metais. Nos cálculos do escritor, pelo menos cinco mil tiros foram deflagrados no evento no qual Lampião demonstrou toda a sua condição de estrategista.
Quando tomou conhecimento que o major Theófiles Torres seria nomeado comandante geral das forças volantes do interior pernambucano, Lampião, já sabendo que o principal objetivo do militar era prendê-lo ou matá-lo, buscou uma maneira de desmoralizá-lo. No dia 24 de novembro, sequestrou Pedro Paulo, o Mineirinho, representante da Shell na região. Seguiu para a Serra Grande, entre os municípios de Flores, de quem Calumbi se emancipou em 1964, e Serra Talhada. No local, além de ser acostumado a acampar, tinha no entorno vários coiteiros.
Lampião enviou uma carta para as autoridades de Serra Talhada exigindo uma quantia em dinheiro para liberar Mineirinho. A Polícia foi até o local do sequestro para levantar pistas. Enquanto isso, o cangaceiro e seu bando praticavam ataques e sequestros na região, numa indisfarçável tentativa de levar as volantes ao local onde cerca de 116 homens estavam entrincheirados.
Segundo o pesquisador, oficialmente a Polícia contava com 296 soldados, mas o número real seria 350, contra 116 cangaceiros. Num confronto que começou às 8 horas da manhã e foi concluído às 17 horas, o saldo foi o seguinte: 10 mortos e 14 feridos entre as forças policiais. Nenhum cangaceiro saiu ferido.
“Esse é o relato oficial. Entretanto, consegui encontrar pelo menos mais um outro policial que faleceu, conforme depoimento de seus familiares. Foi uma batalha extraordinária. Lampião estava armado até os dentes com o arsenal que recebeu em Juazeiro do Norte. Do outro lado, estava toda a elite da Polícia de Serra Talhada. É considerada a maior batalha de Lampião, pelo número de envolvidos, de mortos e feridos e munição deflagrada, pelo menos uns cinco mil tiros, se contarmos em torno de dez balas por homem”.
Na companhia de Lourinaldo, visitamos a casa de Zé Braz, no Sítio Tamboril, onde os feridos ficaram. “Sete dos mortos foram enterrados numa cova coletiva, depois que os três primeiros foram colocados em sepulturas individuais. Os 14 feridos vieram para cá. Esse pilão aqui é o original. Aqui os pintos eram jogados e o pilão era usado para triturar as aves junto com água. O preparo era dado aos feridos. A crendice popular indicava que aqueles que bebessem e não vomitassem escapavam; do contrário, morreriam. O certo é que todos os pintos do sítio foram sacrificados nesse dia”.
De cima da linha férrea da Transnordestina, Lourinaldo aponta para a região onde os homens de Lampião se entrincheiraram. “O local é conhecido até hoje como Serrote de Lampião. Era o ponto perfeito. Do alto da serra, se via tudo o que se passava embaixo. Além disso, existiam olhos d´água e muitos animais para a caça. Outro fator importante: vários amigos de Virgulino, antes de ele entrar para o cangaço se tornariam seus coiteiros. Por ali, quando adolescente, ele levava e trazia mercadorias para negociar em Triunfo e outras cidades com os irmãos, conhecendo cada centímetro daquela terra. Enfim, ele escolheu o território ideal para desafiar as forças oficiais”.
Polêmica
Embora reconheça em Lampião um “homem astuto, extremamente estrategista e inteligente”, Lourinaldo contesta o entendimento de que o Rei do Cangaço, capaz de práticas cruéis contra seus inimigos, jamais abusou de mulheres. “No meu primeiro livro, já citei um caso envolvendo uma mulher casada. A pedido da família, o nome não foi mencionado. Entretanto, brevemente lançarei outra publicação, intitulada “Lampião, o Imperador do Sertão”, no qual narrarei dois outros abusos, também de mulheres casadas. Já recebi a autorização das famílias para citar os nomes e o farei”.
Lourinaldo destacou que o que mais lhe impressionou na história do Rei do Cangaço “foi sua capacidade de liderar mais de cem bandidos da pior espécie”. Sobre o fato de policiais utilizarem os mesmos métodos de tortura praticados pelos cangaceiros, o pesquisador disse não haver a menor dúvida disso e tem uma explicação.
“Muitos personagens estiveram dos dois lados. Quelé do Pajeú, por exemplo, foi inspetor de Polícia em Triunfo (PE). Saiu da Polícia para se tornar cangaceiro de Lampião, com quem se desentendeu. Abandonou o bando e foi ser sargento na Polícia da Paraíba. Corisco era soldado do Exército. Quando saiu, entrou para o cangaço”.
Coleção
O pesquisador possui em sua coleção particular, além de centenas de balas e cartuchos encontrados na Serra Grande e até em Angicos, punhais que pertenceram aos cangaceiros Joaquim Teles de Menezes, Meia-Noite e Félix Caboge. Mas uma arma tem um valor inestimável. É a que Luiz Pedro, considerado braço direito de Lampião, matou acidentalmente Antônio, irmão de Virgulino. O fuzil é o mesmo com o qual Antônio pousa em suas pernas para a famosa foto de Lampião e o restante da família, em Juazeiro do Norte.
O escritor e colecionador conta que todos estavam bebendo e jogando baralho no acampamento, quando Antônio bateu na rede onde Luiz Pedro estava deitado com o fuzil engatilhado. A arma disparou um tiro certeiro em Antônio. Tal era a confiança de Lampião em Luiz Pedro que poupou sua vida, mesmo ele tendo tirado a do próprio irmão.
O fuzil foi deixado por Luiz Pedro na casa de uma irmã, chamada Elvira, que, muitos anos depois da sua morte, entregou a arma a Lourinaldo.
BEM VINDOS AO CARIRI CANGAÇO
Por Manoel Severo
O ÚLTIMO COMBATE E A PRISÃO DO CANGACEIRO ANTÔNIO SILVINO O RIFLE DE OURO.
Por Cangaçologia
https://www.youtube.com/watch?v=n5WC6JwGub0http://blogdomendesemendes.blogspot.com
CANGAÇO E FUTEBOL | ENTREVISTA COM ROBÉRIO SANTOS DO "O CANGAÇO NA LITERATURA"
RESTAURANTE PANELA DE BARRO
Clerisvaldo B, Chagas, 19/20 de dezembro de 2021
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.631
Ficamos entusiasmados ao vermos a Feira das Panela de Barro, em Palmeira dos índios. Parecidas, com as antigas peças vendidas na feira de Santana. Verdade, porém, que o artesanato tem nuances em cada região, suas marcas registradas. São semelhantes no geral, mas não nos detalhes. O artesanato de barro do interior está muito mais para uso como utensílio do que como peça de adorno. E quando falamos em feira das panelas, vem a panela propriamente dita, a frigideira, o pote, a jarra, a quartinha e assim por diante. É bom saber que muitos lugares do agreste e Sertão ainda conservam seus produtores e feirantes de vasilhames rudes para cozinhar e armazenar água. E o melhor: encontrados nas feiras livres a preços acessíveis.
Certa feita houve uma feijoada beneficente no Tênis Clube de Santana do Ipanema. Mestres famosos foram convidados como o saudoso Filemon e outros mais. Só não lembramos se as panelas de barro foram colocadas em fogo de lenha, mas a feijoada foi servida em pratinhos de barro vendidos na feira. Um sucesso! Feijão preto com charque, linguiça defumada e partes do porco que só os mestres sabem fazer. A comida típica de muito sucesso à época, atraiu centenas de pessoas que ocuparam até a calçada do clube, onde valia, inclusive, uma cachacinha na hora de apreciar o prato. Fazer feijoada foi caindo de moda tendo como causa principal o preço campeão do charque que sem ele, não existe a feijoada verdadeira.
Mas os pratos e panelas ainda são encontrados em inúmeras feiras do interior para uma comida sadia, segundo os entendidos. Como dissemos antes, cada região tem suas características próprias de artesanato. Algumas possuem melhor acabamento e até são pintadas, caprichosamente. Não é possível encontrar cerâmica marajoara em todos os lugares, mas o capricho local assegura uma feijoada de primeira qualidade, desde que haja mestres e mestras nessa arte da gastronomia nordestina.
Se o amigo concorda ou não, fique à vontade, mas agora mesmo passou por aqui uma vontade enorme de procurar o Restaurante Panela de Barro.
Linguiça defumada, charque e feijão vargem rocha...
Hum !!!...
PANELAS DE BARRO (CRÉDITO: ELISANA TENÓRIO).
FESTA BOA
Clerisvaldo B. Chagas. 18 de dezembro de 2021
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.630
A Praça Coronel Manoel Rodrigues da Rocha (Praça da Matriz de Senhora Santana) encontra-se completamente ornamentada para este Natal. Outros lugares também chamam atenção de visitantes e nativos como a entrada da cidade, Avenida Dr. Arsênio Moreira e Praça do Monumento (Adelson Isaac de Miranda). A Praça da Matriz fez lembrar os antigos tempos de lapinhas ou presépios uma tradição santanense desde os tempos de vila. Havia um homem que não saía de casa, mas sempre fabricava a lapinha em todos os Natais. Assim o Centro de Santana do Ipanema volta a ser a grande atração de final de ano, também com lojas de pinturas renovadas e ornamentos prestigiando a festa do Cristo. O Centro da cidade merece a atenção especial.
O coronel Manoel Rodrigues foi a figura mais importante de Santana do Ipanema no primeiro quartel do Século XX. Sapateiro originário de Águas Belas, enriqueceu no ramo de couros no Baixo São Francisco, casou com uma sergipana e se transferiu para Santana do Ipanema, investindo muito neste município. Coronel da Guarda Nacional, comerciante, industrial, amigo de todos e amado em Santana. Em sua residência recebia governadores e outras altas autoridades, assim com Delmiro Gouveia. Seu sobrado (ainda existente) estava sempre de portas abertas para os blocos carnavalescos e outras manifestações culturais do povo. A Praça da Matriz o homenageia diante do casarão onde fixou residência. Os três sobrados construídos por ele, fazem parte do patrimônio arquitetônico de Santana do Ipanema.
Bem vindos os forasteiros que vêm progredir e fazer progredir. Assum foi o maestro Manoel Queirós também de Águas Belas que fundou a primeira banda musical de Santana, a Filarmônica Santa Cecília e teatro de amadores. Ainda de Águas Belas veio a primeira professora de Santana, Maria Joaquina, casada com o primeiro professor santanense Enéas Araújo. O tempo vai passando e as praças do Centro Comercial vão se adaptando às novas exigências, mas seus heróis permanecem lembrados pelos logradouros públicos, pelos escritores da terra e a memória dos que ainda não desistiram do seu torrão.
FELIZ NATAL A TODOS OS NOSSOS SEGUIDORES E SEGUIDORAS. NATAL SEMPRE NA VIDA DE CADA QUAL.
Parcial da Praça da Matriz com ornamentos natalinos. (Foto: B. Chagas).
ENTRE REZAS E BACAMARTES

O CEHM comunicou nessa segunda-feira 11 de outubro a publicação do já esperado livro de seu associado Valdir Nogueira, cujo título: ENTRE REZAS E BACAMARTES, possui prefácio do historiador e membro da Academia Pernambucana de Letras Frederico Pernambucano de Mello, e integra a Coleção Tempo Municipal do referido Centro de Estudos de História Municipal – CEHM/Agência Condepe/Fidem.
A obra traz um recorte sobre a atuação do Monsenhor Afonso Pequeno e a tradicional desavença entre as famílias Pereira e Carvalho sob a ótica da alternância de poder na lendária região do Pajeú do sertão pernambucano. Numa terra em que imperava a lei do punhal e do bacamarte, essas duas famílias espargiram sangue em ódios feudais, numa luta que esbarrou num famigerado banditismo.

Sobre o livro de Valdir Nogueira comentou o professor Yony Sampaio, professor da Universidade Federal de Pernambuco e Consultor do Banco Mundial:
“Muitos livros tem tratado da lendária briga entre os Pereira e os Carvalho. De modo geral exploram os confrontos armados, as sucessivas emboscadas e ataques, culminando com o período de Sebastião Pereira e Luís Padre. Este fantástico relato de Valdir Nogueira, Entre Rezas e Bacamartes, no entanto, é o primeiro a analisar em detalhe as intrigas politicas, a alternância de poder local, que vem a se constituir no cenário onde a questão se desenvolve.
Geograficamente, amplia o centro da questão para os municípios de Belmonte e Vila Bela, de onde se irradia pelo Pajeú e pelo sul do Ceará, relacionando movimentos do Cariri a incidentes no Pajeú. Indo aos fundamentos da questão, antepõe o Monsenhor Afonso Pequeno ao coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão do Pajeú.

De um lado, um padre guerreiro, politico, mas defensor da religião, a exemplo de muitos, como o Monsenhor Arruda Câmara, na revolução de trinta. De outro, um coronel tentando manter a estatura e autoridade do pai, porém sem possuir as mesmas qualidades de sobriedade e equilíbrio. Os novos perfis que traça, revelam faces escondidas da questão. Para iluminar tantas questões, Valdir divulga correspondências inéditas, comunicações em jornais da época, e corrige interpretações equivocadas. O livro de Valdir já nasce um clássico, essencial para melhor entendimento da história e da formação social daquele sertão.

O autor nasceu e foi criado em Belmonte e já nos brindou com um belo livro sobre São José do Belmonte. Conhece quase cada palmo de terra, discorre sobre as fazendas, locais de emboscada e convive com descendentes das famílias envolvidas, hoje bastante entrelaçadas, como sempre ocorre na sociedade sertaneja. Assim, possui a autoridade necessária para tal empreitada. Simples, de fala mansa, em outras épocas poderia ter tomado o bacamarte e entrado catinga adentro. Porém tem sido mais afeito aos estudos e ao conhecimento e preservação do passado da região. Excelente pesquisador, minucioso, reverencia nosso passado e tem sido o esteio da hoje famosa cavalhada do Belmonte que homenageia e relembra os incidentes da Pedra Bonita, então Serra Talhada e hoje Belmonte, que incendiou a imaginação de Ariano Suassuna no Romance da Pedra do Reino.
Ao leitor, tenho certeza que embarca em aventura prazerosa e educativa. Do autor, espero que continue a perscrutar nosso passado e revelar aspectos pouco conhecidos da nossa formação histórica e social”.


