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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

HÁ 41 ANOS MULHER DE AURORA FOI CONDECORADA COM O TÍTULO DE 'HEROINA" PELA RFFSA.

 Por José Cícero


Há quarenta e um anos as páginas do jornal O Povo estampavam a inédita notícia de que a rede ferroviária federal(Rffsa) hoje extinta prestava homenagem a uma agricultora aurorense residente no sítio Santa Cruz em solenidade ocorrida na sede da superintendência da empresa em Fortaleza. Tal ato marcava o encerramento da semana de prevenção de acidentes ferroviários.

A Notícia: A senhora Maria Timóteo (dona Mariinha) na época com 62 anos de idade(foto) recebeu a comenda das mãos do dr. Mário Picanço, superintendente da Rffsa.

A mesma foi condecorada diante de autoridades e demais convidados da Rffsa com o título de "Heroína" por ela ter evitado um desastre com o antigo trem de passageiros, doze dias antes da referida homenagem.

O fato: Ela conseguiu alertar e parar o comboio scp-2 que vinha lotado de passageiros desde a cidade do Crato com destino à capital. Evitando assim, um possível desastre.

Era uma tarde nublada do dia 17 de maio de 1981. Muitas chuvas tinhas sido registradas desde a madrugada em todo o Cariri e principalmente em Aurora. Dona Mariinha estava em sua roça próximo de casa quando ouviu um grande estrondo. De início imaginou que poderia se tratar da parede do açude que havia se rompido. Mas não. Pois logo constatou que parte do paredão de pedras do corte grande da linha havia desmoronado bem na altura do km 525. Argila, areia e pedras se precipitaram sobre os trilhos interrompendo a passagem. Localizado quase na curva era praticamente impossível o desmoronamento ser visto a tempo pelo maquinista.

Faltavam cerca de quinze minutos para à passagem do trem no local. Os motores das máquinas vinham fumegando já depois da estação de Ingazeiras.

Não fosse a iniciativa de dona Mariinha o choque teria sido realmente inevitável. A mesma ainda tentou remover alguns blocos de pedras junto com seu filho José Lopes, porém eram pesadas demais as rochas. Correu para casa e em seguida retornou com um vestido vermelho da sua filha. Pos o numa vara e sobre o barranco, à margem da linha começou a acenar. O maquinista parou a locomotiva e logo foi informado da situação. Todos os passageiros e a tripulação lhe agradeceram pela grandeza da sua ação.

Indagada sobre sua iniciativa ela sempre dizia ter tido uma intuição por conta do padre Cícero da qual era devota.

Ainda, a seu pedido a superintendência da Rffsa empregou seu filho na linha de ferro, onde hoje é aposentado.

Mais uma boa história que ouvi contar.

Prof. José Cícero

foto: arquivo jornal O Povo.

 https://www.facebook.com/josecicero.silva.33/posts/10220608563865704?notif_id=1642708672606455&notif_t=feedback_reaction_generic_tagged&ref=notif

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A "CAÇADA" E O ENCONTRO DOS EX-CANGACEIROS DO BANDO DE LAMPIÃO. PARTE I.

 Por Cangaçologia.

https://www.youtube.com/watch?v=tJELQbzc23E&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Como o próprio título já diz, nesse documentário falaremos a respeito do grande encontro de ex-cangaceiros que ocorreu no final da década de 1960 na cidade de São Paulo e que foi promovido pela historiadora Maria Christina Russi da Matta Machado com o apoio do jornalista e escritor Humberto Mesquita e sobre todo os esforços empreendidos para tirar da "toca" vários antigos companheiros de Lampião.

Um encontro de remanescentes da época do cangaço que foi um divisor de águas ao que se refere aos estudos e pesquisas a respeito do fenômeno cangaço e que contou a presença de vários ex-cangaceiros (as)a exemplo de Zé Sereno (José Ribeiro Filho), Balão II (Guilherme Alves dos Santos), Criança III (João Alves da Silva / Vitor Rodrigues Lima), Marinheiro, Ângelo Roque o Labareda e das ex-cangaceiras Sila (Hermecília Brás São Mateus / Ilda Ribeiro de Souza) e Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva), além da presença de Expedita Ferreira, filha do casal Lampião e Maria Bonita) e de um suposto cangaceiro Pitombeira que causou desconfiança entre os demais presentes no evento.

Sem mais delongas... vamos ao vídeo. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaçologia Shorts e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios:

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O FIM DO CANGACEIRO ANTONIO ROSA TRAÍDO PELO PROPRIO IRMÃO

 Por Na Rota do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=afmB_kp41W4&ab_channel=NaRotaDoCanga%C3%A7o

O FIM DO CANGACEIRO ANTONIO ROSA TRAÍDO PELO PROPRIO IRMÃO

No início do ano de 1924 Antonio Rosa Ventura entrou no povoado de “São João do Barro Vermelho”, e através de conversa com um cidadão que tinha como nome "Constantino", este que era dono de uma bela arma, que para sua infelicidade, o Antonio Rosa Ventura desejou possuí-la. Mas o Constantino não tinha interesse de desfazer daquela arma, e mais tarde, com interesse de ficar com ela, Antonio Rosa assassinou o Constantino. Ciente da morte que fizera Antonio Rosa deu no pé em busca de abrigo no Estado da Paraíba, e lá, novamente como antes, juntou-se aos irmãos Livino Ferreira e Lampião.

O certo é que, corria um boato em boca miúda que a população de “São João do Barro Vermelho” bem armada, aguardava um dia o rei do cangaço entrar na localidade em visitas a amigos do vilarejo, inclusive sua comadre dona Especiosa, seria atacado pelos parentes do morto. Mas o rei Lampião que sabia muito bem conquistar amigos, tomou logo conhecimento, que a família do Constantino estava querendo se vingar de Antonio Rosa Ventura, pela morte do seu parente.

À noite vinha chegando, e o cangaceiro Antonio Rosa Ventura foi em busca de um lugar para se deitar. E ali mesmo, na varanda da casa, levou o punho da rede para colocar no armador. Livino Ferreira da Silva e um dos cabras chamado Enéas, por uma janela que dava acesso à varanda da casa, apertaram os gatilhos das suas armas, banhando de munições as costas do velho parceiro e irmão de criação dos Ferreiras, porque fora criado pelos pais de Lampião. Antonio Rosa Ventura caiu sobre o chão sem soltar um só gemido.

No dia seguinte, pela manhã, o valente cangaceiro Antonio Rosa Ventura foi sepultado pela vizinhança, a umas vinte braças de distância da casa em que morrera.

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SEGREDOS INÉDITOS DO CHAPÉU DE LAMPIÃO | CNL | 933

Por O Cangaço na Literatura 

https://www.youtube.com/watch?v=s3o4Q6pmgjI&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

VEJAM ESTE PROGRAMA https://youtu.be/yol94U3fAPg

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ÚNICA ENTREVISTA COM O TENENTE ARLINDO ROCHA COMBATENDO LAMPIÃO

 Por História da Vida Real

https://www.youtube.com/watch?v=yRT9EIxKRdQ&ab_channel=Hist%C3%B3riasdaVidaReal

Única Entrevista com o Tenente Arlindo Rocha Combatendo Lampião, Tenente conta seus enfrentamentos com Lampião o rei do cangaço, fala do seu crescimento na polícia volante, dos combates com os cangaceiros, do perigos, da fome. Conta como sobreviveu depois que foi atingido com uma bala na boca, que dizem ter saído do rifle de Lampião, e que fez uma cicatriz eterna pra o sargento Arlindo Rocha... e dificuldades na mastigação. SEJA MEMBRO, AJUDE O CANAL: APENAS 5 REAIS POR MÊS: https://www.youtube.com/channel/UCD8q... #historiasdavidareal #historiasdelampião Contato: artehoraciomoura@gmail.com

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LAMPIÃO ENFRENTA PEDRO XAVIER NO COMBATE DA FAZENDA IPUEIRAS EM SERRITA-PE

 Por Nordeste Fantástico

https://www.youtube.com/watch?v=E-mMW7jcSCg&ab_channel=NordesteFant%C3%A1stico

O vídeo conta a história do épico encontro de Lampião e bando com Pedro Xavier e Família na Fazenda Ipueiras, Serrita-PE. #história #cangaço #serrita #pernambuco #Lampião O canal trás para os inscritos, histórias de um passado cheio de batalhas no sertão nordestino e casos e causos de personalidades nordestinas que marcaram o imaginário popular. - Conteúdo histórico Nordestino - Conteúdo educativo para aulas de História - Conteúdo pode ser usado no Enem - Conteúdo pode ser usado no Encceja - Material com conteúdo de resgate da história do Nordeste - Conteúdo de Literatura Nordestina

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COITO NA BEIRA DO VELHO CHICO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=zoWqKWVCKjo&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com Visita que fizemos à Fazenda Borda da Mata, local que Lampião e seus homens visitaram muitas vezes. Link desse vídeo: https://youtu.be/zoWqKWVCKjo

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TIROTEIO NA FAZENDA ALGODÃOZINHO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=SKCQCPhFBpo&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

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Alagadiço - Frei Paulo (SE) - Dezembro-2021 - Rio Salgado e o banho das cangaceiras - Local da morte de Neném - Arame farpado na Fazenda Algodãozinho Link desse vídeo:

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A MISSÃO DE LUIZ PEDRO EM ALAGADIÇO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=cx0ZOhCmpNE&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com Alagadiço - Frei Paulo (SE) - Dezembro-2021 - Toca da Onça, coito dos cangaceiros - Missão de Luiz Pedro em Alagadiço - Sila, novata no bando Link desse vídeo: https://youtu.be/cx0ZOhCmpNE

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IRMÃO DE LAMPIÃO EM PROPIÁ

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=WtH8x10DD-8&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com - Os casarões de Propriá que tem ligação com a história do Brasil e a história do cangaço - Algumas curiosidades sobre João Ferreira, irmão de Lampião, que morou em Propriá Link desse vídeo: https://youtu.be/WtH8x10DD-8

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CANGACEIROS CORTAM A ORELHA DE ZÉ DO PAPEL

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=GbD6VL3RgBk&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com - Vera Lúcia, filha de Zé do Papel, que teve a orelha cortada pelos cangaceiros, diz como esse fato aconteceu, pois ouviu direto do seu pai. - Na época Aquidabã pertencia a Propriá Link desse vídeo: https://youtu.be/GbD6VL3RgBk

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LAMPIÃO NO CEARÁ - CASA EM QUE LAMPIÃO PERNOITOU ANTES DA CHEGADA AO JUAZEIRO.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=Bwzea0mhEj0&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Localizada no Sítio Baião no município cearense de Jati a antiga casa que no passado pertenceu ao coronel Né Pereira (Manoel Pereira da Silva) foi onde Lampião e seus comandados pernoitaram na noite de 01 de março de 1926, quando se dirigiam à cidade de Juazeiro do Norte/CE, onde se incorporariam nos Batalhões patrióticos que foram formados para combater a Coluna Prestes-Miguel Costa. Lampião e seu bando adentram em Juazeiro no dia 04 de março de 1926 e no dia 12 seguinte o cangaceiro-mor recebe a polêmica patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, uniformes, dinheiro e munições e logo partem em busca dos revoltosos. Chegando em Pernambuco Lampião é recebido à bala pelos antigos inimigos e diante do não reconhecimento de sua "patente", resolve voltar à velha vida criminosa de outrora. Dessa vez com potente armamento (Fuzis), dinheiro e vasta munição. A partir de então o sertão nordestino jamais seria o mesmo. Conheceriam uma onda de mortes e terror jamais presenciada na história cangaceira. Mas... essa já é uma outra história que abordaremos em outros vídeos do nosso canal. Grande abraço, Cabroeira! Geraldo Antônio de Souza Júnior.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DO ESCONDERIJO DA CAVERNA DA CARRAPATEIRA

Por Rostand Medeiros - IHGRN.

A zona rural do município de Felipe Guerra impressiona tanto os espeleólogos como os habitantes locais. No tocante a quantidade e a qualidade das cavernas. Há tempos que esse município se mostra como uma das mais promissoras áreas no estado do Rio Grande do Norte e com ótimas possibilidades para o desenvolvimento do turismo espeleológico.

Entrda da caverna da Carrapateira, zona rural de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte – Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Mas além do seu conjunto de belas cavidades naturais, a região de Felipe Guerra mantém, mesmo passados quase 95 anos, as memórias e as lembranças das agruras sofridas com a passagem do bando do cangaceiro Lampião, em seu ataque a cidade de Mossoró.

Dessas lembranças ficou o registro do medo e as mudanças que os mais antigos sofreram em suas vidas, com os acontecimentos ocorridos em junho de 1927. Uma época em que o trabuco falava mais alto que a força da justiça. Até hoje a tradição oral é transmitida dos que ouviram dos seus familiares, trazendo para os mais jovens os acontecimentos de um momento triste da história do sertão potiguar e o interessante em Felipe Guerra é que muitos possuem uma ou mais história sobre esses acontecimentos.

E a maioria da sua população sabe da existência destas cavernas através dos acontecimentos da época do cangaço, pois foi em uma destas cavidades que alguns habitantes conseguiram um abrigo prático para os terríveis eventos que ocorriam nas proximidades das suas casas e deixou na lembrança das pessoas do lugar um respeito muito grande por este tipo de ambientes natural.

Lampião em seu aparato de guerra | Crédito: Reprodução – Fonte – http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/brutal-lampiao.phtml#.WWwJ3ojyvXP

Esta é a história daqueles dias incertos e da caverna que ajudou os moradores do lugar.

A Pedra de Abelha

Em 1927 Felipe Guerra era um pequeno arruado conhecido como Pedra de Abelha, fincado às margens do Rio Apodi, onde a vida seguia tranquila, para seus pouco menos de 1.000 habitantes. Eles sobreviviam da cera de carnaúba, da pequena agricultura e da pecuária. Na época dos invernos mais fortes, a pequena vila sofria as enchentes provocadas pelo Rio Apodi, como foi o caso das cheias de 1912, 1917 e a de 1924.

Por esta época Pedra de Abelha era um ponto de passagem de viajantes, tropas de burros, vendedores, vaqueiros e outros andarilhos que seguiam a estrada entre a pulsante e rica cidade de Mossoró e a progressista Apodi.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Havia uma pequena feira que crescia a cada ano, sempre em ordem e em paz, pronunciando uma tendência de progresso para o pequeno lugar. Outra lembrança de boas perspectivas foi a passagem de alguns homens, de língua enrolada, que se diziam engenheiros, faziam medições e coletavam pedras no lajedo do Rosário, na região da Passagem Funda, um lugarejo a oito quilômetros de Pedra de Abelha. Logo se espalhou a notícia que o lugar seria transformado em uma grande barragem, que haveria muitos empregos, que seria maior que a barragem de Pau dos Ferros e que a vida em Pedra de Abelha iria mudar para melhor. Mas a barragem não veio e a vida seguiu tranquila.

Junto com os primeiros dias de maio de 1927 chegaram notícias de que a região oeste do estado do Rio Grande do Norte iria conhecer e sofrer.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

No dia 10, pela madrugada, o cangaceiro paraibano Massilon Leite e mais vinte bandidos atacaram Apodi, depois seguiram para Gavião (atual Umarizal) e na sequência, pilharam a pequena vila de Itaú. Os relatos comentavam que apenas um cangaceiro foi preso próximo à cidade serrana de Martins.

Para a ordeira população de Pedra de Abelha, ficou o pensamento de que, se os cangaceiros haviam atacado Itaú, uma vila praticamente do mesmo tamanho do seu lugar, por que não atacariam o pequeno povoado à beira do Rio Apodi?

Passou então a existir no seio da população uma forte intranquilidade.

Não que os moradores de Pedra de Abelha não soubessem o que era violência. Já haviam ocorrido casos de criminosos assaltando viajantes, pistoleiros contratados por coronéis para impor suas ordens, a realização de tocaias e o flagelo da vingança. Um dever sagrado entre os sertanejos. Um dever que filhos de qualquer pai assassinado herdaram. E seria vergonhoso, seria desonra inominável em uma família enlutada pelo homicídio, se não aparecesse um vingador um “cabra macho” para cumprir a sina.

Realmente violência não era novidade naquele recanto perdido do sertão, mas um grande grupo de cangaceiros era um problema novo por aqueles lados.

Lampião – Fonte – lounge.obviousmag.org

No Cangaço

Os nomes de cangaceiros antigos como Lucas da Feira e Jesuíno Brilhante, e de facínoras mais novos (para 1927) como Antônio Silvino, Sinhô Pereira e Luís Padre, eram muito comentados pelos habitantes mais idosos e pelos viajantes que procediam da Paraíba, Ceará e Pernambuco. Mas nos últimos tempos o nome mais comentado, temido e respeitado era o do famoso Lampião.

O Pernambucano natural de Vila Bela, atual Serra Talhada, com pouco menos de 30 anos em 1927, já era uma lenda e o seu nome impunha respeito e terror em grande parte do Nordeste.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Nascido em 4 de junho de 1898, Virgulino Ferreira da Silva vinha de uma família humilde, mais proprietária de uma pequena fazenda. Seu pai, José Ferreira, trabalhava como condutor de tropas de burros que transportavam mercadorias pelos sertões de Pernambuco e Alagoas. Nessas viagens, Virgulino e seus irmãos passaram a conhecer aqueles caminhos e mantiveram contatos que seriam preciosos no futuro.

Em 1915, inicia-se um problema com o vizinho José Saturnino, envolvendo o desaparecimento de animais de criação. Estas desavenças dariam início à metamorfose de Virgulino em Lampião.

Devido a perseguições, em um prazo de três anos, a família Ferreira vê-se na contingência de realizar várias mudanças, sendo obrigados a vender as suas terras e a viver como empregados pelas pressões sofridas. Devido aos fatos, a mãe de Virgulino acabou falecendo, aparentemente de um ataque cardíaco. Já seu pai foi assassinado por uma tropa da polícia alagoana que perseguia os irmãos Ferreira.

Lampião

É impossível não observar que uma das razões da entrada dos irmãos Ferreira no cangaço, foi à falta de justiça pelas contínuas perseguições sofridas, criando uma reação armada que abalou o Nordeste do Brasil ao longo de vinte anos.

No início, a atuação de Lampião foi em outros bandos, finalmente assumiu o comando de seus “cabras” em 1922, nesse mesmo ano assaltaram o casarão da Baronesa de Água Branca, em Alagoas, fazendo aumentar a sua terrível fama. Em 1924, seus cangaceiros, em conjunto com o paraibano Francisco Pereira Dantas, o conhecido Chico Pereira, atacam a progressista cidade de Sousa, no oeste da Paraíba. Em 25 de maio de 1925 Lampião e seu bando

Lampião

Lampião era um guerrilheiro nato, produto de um meio quase selvagem e atrasado. Possuía a capacidade de articular ataques, fugas mirabolantes, alianças escusas e uma perícia na manivela e no gatilho do rifle que parecia “alumiar” à noite, daí o seu famoso apelido.

Em 1926 uma coluna de homens que percorriam o país com a intenção de derrubar o governo do presidente Arthur Bernardes, comandados por Miguel Costa e Luís Carlos Prestes, se aproximou e entrou em território cearense, Para fazer frente a essa situação foi criada uma frente de defesa contra os chamados Revoltosos na cidade de Juazeiro do Norte, onde o principal líder político e religioso do lugar, o Padre Cícero, mandou convocar o chefe cangaceiro que aterrorizava o sertão nordestino para combater aquele grupo, que entraria para a História do Brasil conhecido como Coluna Prestes.

Foto dos líderes do grupo insurgente conhecido como Coluna Prestes. Esse grupo foi liderado pelo coronel da Polícia do Estado de São Paulo Miguel Costa e pelo capitão do Exército brasileiro Luís Carlos Prestes, que lutou contra a estrutura de governo que existia no Brasil na segunda metade da década de 1920 – Fonte – http://rotadosolce.blogspot.com.br

No dia 5 de março, Lampião, à frente de 50 cangaceiros, entra em Juazeiro. Ele se encontra com o Padre Cícero, recebe uniformes, armamentos modernos e a sua propalada patente de capitão dos Batalhões Patrióticos. Ao sair de Juazeiro e seguir para Pernambuco, Lampião é perseguido pela polícia local. Desapontado, aparentemente decide voltar para Juazeiro para falar com o Padre Cícero, mas este não o recebe e Lampião encerra a sua breve carreira de defensor público.

Passagem dos Cangaceiros

Voltando à pacata Pedra de Abelha na metade de 1927.

Os habitantes do singelo lugar ficaram bem apavorados quando chega a notícia que em 10 de junho, incentivado por Massilon Leite, Lampião cruzou a fronteira da Paraíba e entrou no estado Potiguar com cerca de 60 cangaceiros (número que gera muita polêmica até hoje) montados em cavalos e burros, todos seguindo em direção a Mossoró.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Avançando para o norte, promoveram um verdadeiro bacanal de destruição, rapinagem e terror. Roubaram, tocaram fogo em diversas fazendas, assassinaram os que reagiam, entraram em confronto com a polícia e fizeram alguns prisioneiros, do qual só libertaram mediante resgate. Lampião e seus cangaceiros realizam os primeiros sequestros conhecidos no Rio Grande do Norte. A passagem de Lampião e seu bando durou apenas cinco dias, mas a região oeste potiguar nunca esqueceu este episódio.

O bando passou ao lado da povoação de Gavião (atual Umarizal) e continuou depredando as propriedades como Campos, Arção, Xique-Xique e Apanha Peixe e nesta última propriedade, para a sorte da população de Pedra de Abelha, o bando foi dividido.

Às sete da noite de 12 de junho de 1927 seguiu o cangaceiro Massilon Leite para assaltar pela segunda vez a cidade de Apodi, enquanto Lampião seguia para Mossoró. Em Apodi houve resistência da população, obrigando Massilon a fugir. Devido a esta divisão, Lampião seguiu adiante por outra estrada, passando paralelo ao povoado de Pedra de Abelha. Realmente foi por pouco que a pequena comunidade não foi invadida. 

Na zona rural do município de Umarizal visitamos uma das mais belas e bem preservadas propriedades rurais existentes no trajeto da passagem do bando de Lampião no Rio Grande do Norte, a Fazenda Campos, que foi invadida na manhã de 12 de junho de 1927 – Foto – Rostand Medeiros.

Mas se não foi invadida, esse caminho fez o bando cruzar com o comerciante e fazendeiro Antônio Gurgel do Amaral, proprietário de uma moderna fazenda em Pedra de Abelha, às margens do Rio Apodi, no atual Distrito do Brejo. Nesta propriedade foram empregadas muitas pessoas.

Até recentemente o local possuía uma estrutura muito moderna para a época, inclusive com eletricidade e mecanização. Antônio Gurgel havia acabado de chegar de uma viagem da Europa, onde buscava trazer matrizes de novas raças bovinas para desenvolverem-se na sua região.

Assim que soube do avanço dos cangaceiros, seguiu de Mossoró para a sua fazenda e proteger seus familiares e seus bens. No meio do caminho, na localidade chamada Santana, foi preso por membros do bando. Era o dia 12 de junho e somente no dia 25, Gurgel seria libertado no Ceará, juntamente com outra refém. Por ser Gurgel um homem inteligente, de boa conversa, índole calma e que sempre procurou a tranquilidade junto aos bandidos, ele nada sofreu.

Durante sua convivência forçada, escreveu um diário que é tido como o mais completo documento sobre a vida e o dia a dia entre estes cangaceiros. Lampião lhe deu duas moedas de ouro para serem presenteadas a sua neta e, como pagamento de uma promessa feita pela sua liberdade, sua mulher construiu uma capela na Fazenda Santana, que infelizmente foi demolida, bem como a sede de sua fazenda em Felipe Guerra.

Antônio Gurgel do Amaral – Fonte – http://www.blogdogemaia.com/detalhes.php?not=1032

A Caverna da Carrapateira 

Antes até da prisão do coronel Gurgel, com a chegada das notícias cada vez mais assustadoras, a população de Pedra de Abelha tratou de procurar refúgio onde houvesse condições. Muitos seguiram para a fronteira do Ceará, outros foram para propriedades de parentes mais distantes e outros que conheciam melhor a região, buscaram o abrigo das cavernas.

É bem verdade que a população do sertão possui um medo respeitoso em relação às cavernas, mais naquele momento, este medo foi deixado de lado e a escuridão da caverna passou a ser um abrigo mais acolhedor do que a incerteza da luz do dia e a presença de cangaceiros na região.

A caverna da Carrapateira fica localizada no Lajedo do Rosário, próximo ao atual distrito de Passagem Funda e a pouco mais de mil metros da margem esquerda do Rio Apodi. Entre as várias cavernas deste lajedo, essa é a que apresenta a maior facilidade de penetração.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Sua entrada tem formato oval, com quatro metros de altura e possui desenvolvimento horizontal, no seu início encontram-se alguns blocos caídos e deslocados, também presentes localmente no interior da caverna.

Chama a atenção a forma como a natureza moldou o túnel principal, sendo muito largo e alto para os padrões das cavernas nas proximidades. Sua sinuosidade apresenta contornos de fluxo d’água, marcados nas paredes bastante lisas, lavradas, de rocha calcária limpa e de cor amarelada, com níveis de sedimentação à mostra. Os espeleotemas, as famosas formações rochosas que ocorrem tipicamente no interior de cavernas como resultado da sedimentação e cristalização de minerais dissolvidos na água, criando muitas vezes materiais de rara beleza, são encontrados nessa cavidade. São escorrimentos de calcita, cortinas, algumas estalactites e estalagmites. Na parte posterior do corredor principal, aparecem outros tipos de espeleotema muito comum nas cavidades da região: o couve-flor.

Conforme adentramos a caverna da Carrapateira, o chão vai apresentando uma menor continuidade, mostrando reentrâncias, blocos rolados, até desembocar em uma bifurcação, de onde a caverna segue para salões mais apertados, seguindo por condutos menores. Neste setor, tem-se uma clarabóia de poucos metros de altura, aproximadamente três metros. Por ela pode-se sair do interior com facilidade.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Pelas dimensões do seu interior, pela proximidade com o rio e como na região encontram-se diversas provas da passagem de grupos de caçadores e de coletores, entre 5.000 e 2.000 anos atrás, essa caverna é a que melhor poderia sugerir a possibilidade de algum indício arqueológico. Contudo, não foram vistos pinturas ou evidências nesse sentido. Sua litologia é o calcário e até anos recentes não apresenta nenhuma depredação.

Durante nossas visitas à caverna da Carrapateira não foram encontrados vestígios da ocupação dos habitantes de Pedra de Abelha na caverna.

Quando das nossas visitas à região, ouvimos repetidas vezes relatos de pessoas cujos avós e outros familiares buscaram abrigo nesse local. Entretanto o tempo, o Senhor de tudo e de todos, chegou à nossa frente, pois aqueles que buscaram esse local como abrigo já não estavam mais nesse plano. Mas percebi que o número de pessoas que buscaram esse abrigo foi pequeno. Além disso, foi possível observar que, diferentemente de outras pessoas que guardam na memória relatos daqueles que tiveram experiências com cangaceiros na região, os poucos parentes daqueles que buscaram abrigo na caverna da Carrapateira, pouco tem a comentar. 

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Como, para a sorte dos refugiados escondidos na caverna da Carrapateira, não houve nenhum tipo de contato com os cangaceiros e quase certamente os que buscaram esse abrigo em 1927 foram poucos, ao longo do tempo esse tema caiu no esquecimento. Pois no final das contas, sobreviver naquela região é parte da rotina diária.

Fim Do Ato

Lampião seguiu seu caminho.

Foto – Solón Rodrigues Almeida Netto.

Na Segunda-feira, 13 de junho de 1927, dia de São Francisco, às 16:30 da tarde, com o céu nublado, os cangaceiros, divididos em três colunas, atacaram a maior cidade do interior do Rio Grande do Norte. O seu Prefeito, Rodolfo Fernandes, sem ajuda do governo do estado, conseguiu reunir desde advogados, dentistas, comerciantes, padres e pessoas comuns, entrincheirando-os em vários locais.

Os cangaceiros foram derrotados depois de uma hora de combate, não mataram ninguém e perderam um cangaceiro na hora e outro, o temível Jararaca, foi ferido e capturado no outro dia. Acabou assassinado pela polícia local no dia 20 de junho e o mais incrível é que seu túmulo se tornou um local de peregrinação religiosa popular.

Lampião sofreu a sua mais terrível derrota, comentou que “Cidade com mais de quatro torres de igreja não é para cangaceiro”. Sem conhecer o seu tamanho e a sua capacidade de defesa, acabou enganado pela promessa de Massilon de pouca resistência e muito dinheiro.

O seu ataque a Mossoró causou repercussão em todo país, sendo noticiado em muitos jornais. Foi um verdadeiro choque, que impulsionou ainda mais a sua fama. Foi a partir deste episódio que o seu nome ficou muito conhecido no sul do país.

Após fugir do Rio Grande do Norte, para onde nunca mais voltou, o bando seguiu para o Ceará, onde pensavam que estariam protegidos e foram implacavelmente perseguidos. O mesmo ocorreu na Paraíba e em Pernambuco. Em 1928 cruzou o Rio São Francisco e conseguiu uma sobrevida de mais dez anos, praticando atrocidades na Bahia, Alagoas e Sergipe, onde foi morto, com a sua companheira Maria Bonita, na Grota do Angico.

Para a população de Pedra de Abelha, sempre que as notícias sobre Lampião surgiam, voltava as lembranças dos medos e aflições de junho de 1927. Com a sua morte (1938) e o desbaratamento do cangaço (1940), passa a existir um alívio. Com o passar dos anos, ocorre o natural desaparecimento das vítimas sobreviventes dos atos cruéis dos cangaceiros e muitos dos descendentes destas vítimas deixam a região, emigrando para grandes centros. Falar sobre os fatos da época do cangaço deixou de ser um tabu.

A partir dos anos 1960, o mito deste cangaceiro o torna um dos personagens históricos mais famosos da cultura popular brasileira, onde em muitos lugares do país a figura de Lampião é encarada como símbolo de nacionalidade e o Cangaço como um expoente da luta da cultura e do povo nordestino.

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Bibliografia:

FERNANDES, Raul, A MARCHA DE LAMPIÃO, ASSALTO A MOSSORÓ. 3 ed. Natal, Editora Universitária, 1985.

NONATO, Raimundo, LAMPIÃO EM MOSSORÓ. 5 ed. Mossoró, Coleção Mossoroense, Fundação Vingt-Un-Rosado, 1998.

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira, HISTÓRIA DO CANGAÇO, 4 ed. São Paulo, Global Editora, 1991.

CHANDLER, Billy Jaynes, LAMPIÃO, O REI DOS CANGACEIROS, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1980.

FACÓ Rui, CANGACEIROS E FANÁTICOS, GÊNESE E LUTAS, 7 Ed. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1983.

PERNAMBUCANO DE MELLO, Frederico, QUEM FOI LAMPIÃO, Recife, Editora Stahli, 1993.

DELLA CAVA, Ralph, MILAGRE EM JUAZEIRO, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1976. 

https://tokdehistoria.com.br/2022/01/19/lampiao-no-rio-grande-do-norte-a-historia-do-esconderijo-da-caverna-da-carrapateira/

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