https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1826585200883749¬if_id=1643239062982060¬if_t=feedback_reaction_generic&ref=notif
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1826585200883749¬if_id=1643239062982060¬if_t=feedback_reaction_generic&ref=notif
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Helton Araújo
Pessoal não
estou tendo tempo devido a problemas aqui no trabalho para produzir vídeos.
Sendo assim no
vídeo de hoje contei com o apoio do amigo @Anderson
Fatos Na História do Canal Fatos na História para
produzir.
Quem poder pfv
assistam.
Depois do
combate da Serra da Forquilha, em Vila Bela, Sinhô Pereira foi com o seu bando
para casa de Neco Alves, na fazenda Taboleiro, fronteira do Estado da Paraiba,
onde logo na chegada da propriedade, Lampião que ia com Levino e Antônio
Ferreira na frente do grupo, para se livrar de uma saraivada de balas dos
soldados, perdeu o chapéu.
A maior
desmoralização, talvez, para um cangaceiro, era depois de um tiroteio, não
importa porque motivo, aparecer com a cabeça descoberta.
Lampião,
naquele dia, na chegada da casa de Neco Alves, com os " macacos"
metendo-lhe bala, voltou para procurar o chapéu, sendo ferido, gravemente, por
um balaço na virilha e outro no peito.
- Na hora ele
saiu andando, mas não aguentou e caíu logo depois. Livino e Meia Noite o
arrastaram para um lugar seguro, dentro do mato. Fizemos, então, um rancho, na
fazenda dos Cosmos (gente humilde, mas minha amiga) e mandei chamar um médico
conhecido da família, o Dr. Mota. Só viajamos 20 dias depois, quando foi
possível Lampião andar.
Da série de
entrevistas concedidas por Sinhô Pereira a Osvaldo Amorim e publicadas no
Caderno B do Jornal do Brasil, a partir de 25/02/1969.
Fonte: VILA
BELA, OS PEREIRAS E OUTRAS HISTÓRIAS.
De: Luís
Wilson
https://www.facebook.com/groups/179428208932798
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
A Netflix
anuncia nesta quinta-feira (24) mais uma produção nacional: a série de comédia
O Cangaceiro do Futuro. Inspirada na história de Lampião (1898-1938), a
produção vai mostrar ainda mais a diversidade brasileira nas telas. As
gravações ocorreram no município de Quixadá, no Ceará, e terminaram em São
Paulo. A trama tem previsão de estreia para o segundo semestre deste ano.
Protagonizada
por Edmilson Filho, a série conta também com Chandelly Braz, Dudu Azevedo,
Frank Menezes, Fábio Lago, Evaldo Macarrão, Haroldo Guimarães, Max Petterson,
Valéria Vitoriano, Solange Teixeira e Carri Costa no elenco. A produção terá
sete episódios de aproximadamente 30 minutos cada.
https://www.facebook.com/groups/179428208932798
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
O cangaceiro
Antônio Ferreira (irmão de Lampião) foi baleado duas vezes na época que esteve
no bando de Sinhô Pereira. A primeira foi na fazenda Abóboras, do cel. Marçal
Diniz, onde o cap. Zé Caetano e, entre outros, o tenente Ibraim, cercaram a
casa da propriedade. Brigaram 5 horas e ali Antônio Ferreira foi ferido no
braço e na coxa.
- Mas eles não
aguentaram o tiroteio e deram o fora, conta Sinhô Pereira.
A segunda vez
ocorreu em um combate no estado do Ceará, onde o major José Inácio do Barro,
aparentado da família de Sinhô Pereira, havia arranjado uma encrenca com o
Padre Lacerda, do Arraial do Coite, e o mandara chamar.
- Cercamos os
cabras do Padre com 70 homens. Eles eram 50. O tiroteio começou cedo e durou
até a tardinha. Ali eu perdi 4 homens, sendo 3 do major e um meu. Antônio
Ferreira saiu outra vez ferido no braço. Antes de entrar para o meu grupo já
havia sido ferido numa perna e na mão direita, onde tinha dois dedos que não
mexiam. Depois que chegaram mais 15 ou 16 homens para o grupo deles, comandados
pelo sargento Romão, nós demos o fora, pois não estávamos levando vantagem.
Isso foi no dia 20 de janeiro de 1921.
Da série de
entrevistas concedidas por Sinhô Pereira a Osvaldo Amorim e publicadas no
Caderno B do Jornal do Brasil, a partir de 25/02/1969.
Fonte: VILA
BELA, OS PEREIRAS E OUTRAS HISTÓRIAS.
De: Luís
Wilson
Facebook página do José João Souza.
https://www.facebook.com/groups/179428208932798
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por José Mendes Pereira
Por Rostand Medeiros
O pesquisador Rostand Medeiros fala sobre Sinhô Pereira, um dos pioneiros do Cangaço e seu ciclo de vinganças familiares, traçando um paralelo com outros chefes de bando, como Lampião.
Referências: "Sinhô Pereira: o Cangaço e o ciclo de vinganças familiares" Créditos: EBC na Rede Imagens da Vinheta: Benjamin Abrahão Botto
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Nordeste Fantástico
https://www.youtube.com/watch?v=U6GGlOKk-hU&ab_channel=NordesteFant%C3%A1sticoO vídeo
trata-se de um resumo da história do Amâncio Ferreira da Silva, conhecido no
mundo do cangaço por sargento Deluz. Nascido no dia 11 de agosto de 1905, este
pernambucano ainda muito jovem foi para o Estado de Sergipe, indo prestar os
seus serviços na polícia militar sergipana. Ficou muito conhecido por sua
crueldade e por ser algoz do cangaceiro Juriti.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Clerisvaldo B. Chagas, 1 de março de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.667
A proibição de Carnaval este ano, pareceu uma justa homenagem às vítimas de Covid no Brasil e às vítimas da invasão na Ucrânia. Mas, independentemente disso, o que encontramos em Santana do Ipanema nestes dias de folia foram ruas desertas e pequenos grupos de pessoas, esporadicamente bebendo defronte às suas residências. Um silêncio absoluto nas avenidas semelhante aos antigos dias de finados. Para quem gosta de Carnaval em Santana, deve haver ainda a recordação de um homem que brincava o Carnaval sozinho. Chamava atenção porque além de ter sido interventor, era comerciante e fazendeiro. Nunca participava de bloco algum. Com apenas uma dessas máscaras finas e simples compradas em lojas, perambulava rua acima, rua abaixo, sem nenhum outro aparato, fora a máscara fina, que pudesse disfarçá-lo.
Firmino Falcão Filho, o seu Nouzinho, na época, proprietário da Sorveteria Pinguim, parecia antecipar o presente Carnaval da COVID 19. Um Carnaval solitário, pessoal, intimamente ligado as entranhas do eterno brincante. Se o prezado leitor quer saber sobre aquelas turmas de santanenses que deixavam Santana em direção a Pão de Açúcar ou Piranhas, não sabemos responder. O Carnaval está proibido em Alagoas confirmado por vários municípios. Seria um correr sem graça para outros lugares. Assim os que não pulam no reinado de Momo, repetem a mesma cena de outros tampos, sentam na esquina do antigo Hotel Central, em pleno Comércio, para apreciarem bandos e blocos que não passam mais. Restam apenas as fofocas que não são exclusividade das mulheres.
Saudade dos homens:
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água, não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão.
Paródia das mulheres:
Você pensa que babado é bico
Babado não é bico, não
Babado se bota em vestido
E bico em combinação...
Tempos de incertezas e melancolia.
Só Deus na causa.
CARNAVAL EM SANTANA DO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS).
Por Yuno Silva - Repórter
A imagem de Maria Bonita combatendo de igual para igual ao lado de Lampião pode
não passar de ficção. Coisa de cinema. “Nos filmes vemos as mulheres do cangaço
pegando em armas e guerreando, quando, na realidade, desempenhavam o papel de
amantes. Eram a elite do bando: ficavam nos acampamentos e não tinham que se
preocupar em fazer a comida ou lavar roupa. Passavam o tempo bordando a
estética do cangaço”, defende Geraldo Maia do Nascimento, economista de
formação, escritor e pesquisador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
sediada em Mossoró.
A tese de Geraldo, exposta no livro “Amantes Guerreiras” (Sebo Vermelho
Edições, R$ 30), busca embasamento em relatos reais de ex-cangaceiras,
depoimentos somados a muita pesquisa e testemunhos de parentes e pessoas que
viveram o período.
“Estou envolvido nesses estudos há mais de 15 anos, gravando entrevistas,
consultando outros livros e cruzando informações. Conversei com a ex-cangaceira
Sila (1919-2005), quando ela esteve aqui em Mossoró. Ela foi esposa de Zé
Sereno, era confidente de Maria Bonita, e confirmou tudo o que está no livro”,
garante o pesquisador, que também coletou depoimentos de senhoras, com idade
entre 98 e 105 anos, em Paulo Afonso (BA).
“Amantes Guerreiras” será um dos três lançamentos que o Sebo Vermelho promove
durante a programação do Festival Literário da Pipa – Flipipa, que acontece
entre 6 e 8 de agosto na famosa praia do litoral Sul.
Os outros dois títulos são o inédito “A Ressuscitada”, de Francisco Galvão, que
trata da presença holandesa no litoral sul do RN e das atividades da família
Albuquerque Maranhão em Canguaretama; e uma reedição de “Memória Viva de Chico
Antônio”, do professor Carlos Lira, que chegou a ser lançado em 2003 pela
EDUFRN mas está esgotado. O livro sobre o coquista foi ampliado com fotos mais
texto de apresentação assinado por Mário de Andrade, originalmente publicado em
1929 no jornal A República.
Passado desconhecido
“Amantes Guerreiras” é dividida em duas partes: na primeira metade Geraldo traz
toda a história sobre o papel da mulher no cangaço, enquanto na segunda
apresenta perfis (muitos com fotos) de 95 mulheres que se envolveram com o
cangaço entre 1930 e 1940. “O livro está mais focado no período de Lampião, com
a entrada de Maria Bonita”.
A publicação é desdobramento de uma palestra sobre o papel da mulher no
cangaço, e teve uma primeira edição resumida, já esgotada, que saiu em 2001
pela Coleção Mossoroense (Fundação Vingt-Un Rosado), com 25 perfis.
Obviamente as cangaceiras não eram dondocas, fazer parte do bando e viver de
forma nômade no meio de constantes conflitos não era para qualquer uma. Tinham
que ser guerreiras, apesar de poupadas na hora de encarar a frente de batalha.
Sem falar que não havia lugar para solteiras nem viúvas: se o companheiro
morresse em batalha, não tinham tempo de chorar a perda. “Tinham logo que
escolher um outro marido para permanecer no grupo”, disse Maia.
O pesquisador ressalta que as ex-cangaceiras passaram muitos anos, décadas,
escondendo essas histórias. “Nem a família conhecia o passado dessas mulheres,
muitos filhos e netos ficaram sabendo no leito de morte delas. Demorou muito
até perderem o medo de serem presas, apesar do Governo ter anistiado todos do
cangaço na época, por isso muita coisa se perdeu e há muito o que se descobrir
ainda”.
Pesquisa permanente
Geraldo Maia do Nascimento contou que os membros da Sociedade Brasileira de
Estudos do Cangaço estão sempre viajando, em busca de alguém ainda vivo: “Um
policial que participou de alguma volante, um coronel, um ex-cangaceiro”. Ele
disse que muitos cangaceiros que escaparam foram morar no Sul e Sudeste,
principalmente em São Paulo, onde o dentista, escritor e pesquisador Antônio
Amaury Corrêa de Araújo fez o primeiro levantamento sobre o papel das mulheres
no cangaço.
“Amaury foi pioneiro no tema, publicou ‘Lampião - As mulheres e o cangaço’
(Traço Editora, 2012), teve contato com uma ex-cangaceira e conseguiu chegar a
outras. Foi uma das minhas fontes, e fiz questão de incluir todas as
referências no livro para não deixar dúvidas”, finaliza Maia.
http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/as-amantes-do-cangaa-o/319989
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por: Elisonaldo Câmara
Por: Elisonaldo Câmara
A Princesa Imperial Regente do Brasil, Dona Isabel de Bragança, insistia com o
Presidente do Conselho de Ministros, Barão de Cotegipe, para que o Governo
assumisse uma posição mais decidida na questão da Abolição, sem o que sua força
moral cada vez mais se perdia.
Cotegipe aconselhou Dona Isabel a manter-se neutra, “como a Rainha Vitória”, em
uma disputa que dividia tão profundamente o Partido Conservador e o Partido
Liberal.
A Princesa,
entretanto, retorquiu:
– Mas eu tenho o direito de manifestar-me, e a Rainha Vitória é justamente
acusada por sua neutralidade, prejudicial aos interesses da Inglaterra.
(*) Publicado originalmente no Facebook da Pró Monarquia. Fonte:Leopoldo
Bibiano Xavier no livro "Revivendo o Brasil-Império". 1º edição. São
Paulo: Artpress, 1991, p. 165.
http://blogdocrato.blogspot.com/2022/02/a-perspicacia-e-sinceridade-da-princesa.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Benedito Vasconcelos Mendes
Engenheiro
Agrônomo, Mestre e Doutor. Professor Aposentado da UFERSA e da UERN. Membro
Efetivo da Academia Norte-rio-grandense de Letras.
Zé Bento com
sua mulher Raimunda e seus 8 filhos viviam em uma casinha de taipa, coberta com
palhas de carnaúba, construída em uma nesga de terra que tinha sido
desapropriada para a construção do Açude Forquilha, localizada na extrema da
montante do referido açude. O Açude Forquilha situa-se ao lado da cidade de
Forquilha, na Zona Norte do Ceará. Este trabalhador sustentava sua família
exercendo as três profissões que todo sertanejo possui: agricultor, pescador e
caçador. Ele, sua mulher e todos os filhos eram analfabetos, porém
trabalhadores e sem vícios. O casal vivia para trabalhar para dar comida a sua
numerosa prole. Não bebia, não fumava e não jogava baralho nem bozó. Seu
trabalho árduo, de sol a sol, só dava mesmo para comprar a comida, pois viviam
maltrapilhos e descalços. Sua casinha, muito simples, nem mesa tinha, pois, a
família comia sobre uma esteira de palha de carnaúba estendida no chão da
cozinha. Apesar da pobreza da família, Zé Bento e sua mulher Raimunda viviam
felizes, conformados com sua miséria material, que segundo ele era a vontade de
Deus. O peixe (curimatã, piau, traíra, cangati, piranha vermelha e mais alguns
peixes nativos do sertão semiárido), a carne de caça (preá, mocó, tejo,
tatu-peba, tatu- galinha, avoante, marreca-viuvinha, marreca-verdadeira, pato
selvagem, veado-catingueiro, tamanduá e outros animais da caatinga) e o feijão
de corda, batata-doce e jerimum, cultivados na vazante do açude Forquilha, não
faltavam na alimentação da família, pois Zé Bento era muito trabalhador e
sempre estava caçando, pescando e cuidando da sua pequena plantação de vazante.
Os filhos não estudavam por falta de escola na redondeza do local onde morava.
A família ia levando a vida como Deus queria, conforme suas próprias palavras.
Eles não possuíam móveis nem roupas, mas o pouco que vendia do que excedia da
sua agricultura de subsistência dava para comprar redes de dormir e uma peça de
roupa para cada membro da família, por ocasião do Natal, que eles passavam na
casa de parentes na cidade de Sobral. A família só se ausentava de sua casa uma
vez por ano para ir à Sobral na véspera do Natal, para assistir à Missa do Galo
na Igreja da Sé de Sobral, oportunidade em que comprava redes e roupas para
usar durante o ano seguinte.
O casal era
dotado de fé religiosa extremada e de muito misticismo. Tinha um pequeno
oratório com imagens de gesso do Padre Cícero, Frei Damião, Beato Antônio
Conselheiro e de São José, garantidor das chuvas anuais. Aos trancos e
barrancos, a família ia levando a vida, até a vinda da terrível seca de 1958,
que impediu que Zé Bento encontrasse peixe e caça para matar e que tivesse
condições de fazer cultura de vazante no Açude Forquilha, quase seco.
Quando o DNOCS
- Departamento Nacional de Obras Contra as Secas abriu uma frente de trabalho
na Fazenda Aracati, para construir, em parceria com meu avô, um açude,
fornecendo 74 cassacos pagos pelo DNOCS, durante 8 meses, o agricultor Zé Bento
alistou-se na referida frente de serviço. Uma cena inesperada, grotesca, foi a
chegada daquela família desvalida, no pico do meio dia, descendo da caçamba de
ferro de um caminhão de carregar terra. A família, viajando sob um sol
escaldante numa estrada carroçal poeirenta e sobre a chapa de ferro quente da
caçamba, ficou aliviada quando o caminhão chegou na Fazenda Aracati e eles
puderam pular, um a um, de cima da carroceria. Nem animais são transportados
assim, no sol, levando poeira quente, em cima de uma caçamba de ferro
escaldante. A presença de Zé Bento naquela frente de serviço, aberta para dar
trabalho e renda aos flagelados da grande seca de 1958, chamou a atenção de
todos, pois foi o único trabalhador que chegou com toda a família e se
arranchou debaixo de um pé de oiticica, na beira do Rio Aracatiaçu. Geralmente,
os cassacos não levavam a família para o local de trabalho.
Dava pena se
ver a tristeza e o aspecto físico daquela família. Caquéticos, pálidos,
empoeirados, sem forças e exibindo uma profunda tristeza e intensa fome
convenciam pelo fenótipo qualquer pessoa da necessidade de ajudá-los. Zé Bento,
sua mulher Raimunda e os 8 filhos famintos, desnutridos, de cabelos ruivos de
tanta poeira da piçarra da estrada carroçal e maltrapilhos sensibilizaram o meu
avô, que passou a fornecer alimentos, não somente para o cassaco Zé Bento,
alistado na Frente de Serviço, mas para toda a sua família. Meu avô chorou ao
assistir a cena animalesca de alegria das crianças ao receber o primeiro prato
de comida. Avançaram todos, de uma só vez, sobre a comida, derramando-a sobre o
chão da sombra da oiticica. Para impor ordem, meu avô foi enérgico e improvisou
uma fila para receber o prato de feijão chumbinho (Feijão Preto), com farinha
de mandioca, jabá e rapadura, que foi engolido sofregamente, quase sem
mastigar, pelas crianças e adolescentes. Minha avó mandou desocupar uma parte
de um galpão, que servia de armazém de ração para o gado, e transferiu a família
da sombra da oiticica para o armazém de alvenaria, coberto de telhas. Logo, a
família passou a morar com mais dignidade, com latrina a céu aberto, local para
banho, potes com água de beber, local para armar as redes nos caibros da
coberta, cuias, cuités, gamelas, cochos, bancos de estirpe de carnaubeira, mesa
de pau-branco e cadeiras com tampo de couro cru de boi. Sendo homem
trabalhador, honesto e de boa índole, com pouco tempo, Zé Bento conquistou a
simpatia do meu avô e foi ser vaqueiro da Fazenda Aracati e de lá nunca mais
saiu. As secas catastróficas que se abatem sobre o sertão nordestino são
realidades cruéis, que transformam homens fortes, determinados e trabalhadores
em miseráveis. A fome, a sede e as doenças, especialmente a varíola, a catapora
e o cólera, definhavam e matavam o corajoso, destemido e forte sertanejo.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com