Por José Mendes Pereira
- Um inferno surgiu em minha cabana assim que o meu filho “Piatã” engrossou a voz, o pescoço e braços! - Dizia o velho “Kauê”.
- Sim senhora, estou!
Por José Mendes Pereira
Por Rubens Antonio
Raimundo Batista Pinto
1929
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Em 1929, Lampião chegou na Fazenda Desterro... que fica em Monte Santo... Não
sei de onde e por onde veio... Então, mandou a carta ao coronel Aristides,
pedindo três contos de réis, pelo vaqueiro Zezinho, de Licuri Torto...
Aristides, não mandando os três contos de réis. E o Lampião não escreveu na carta, mas disse ao vaqueiro que ia, se não recebesse o dinheiro, invadir Itiúba... Foi a hora que Aristides botou as trincheiras... Ele botou quarenta homens no trecho da Calçada de Pedra,,, e quarenta homens na Cambeca, que eram as entradas da cidade... Sustentou esses oitenta homens por três meses, com cachaça, rapadura e comida...
Teve ajuda de muitas pessoas que chegavam vindos de Chorrochó, especialmente a família Rodrigues de Souza...
Inclusive, teve a participação, com clavinote, de Cipriano e Bertolino
Rodrigues de Souza... Um irmão também deles, por nome Carrinho, que chegou aqui
na terra com fama de matador... E este esteve na frente das trincheiras da
Cambeca... Esse era mesmo pistoleiro matador... Aquela coisa de Lampeão acender
vela para saber se entrava em Itiúba é invenção... Disseram, na época, que ele
mandou um jagunço disfarçado, que sondou e viu as duas entradas com defesa
muito boa... e resolveu não entrar...
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1931
Em 1931, Lampião estava vindo da região da Canoa, em Bonfim. Seguia pela
estrada de ferro, acompanhando. Passou perto de Quicé e a chegada foi pela
Fazenda Vasa da Água... Foi a primeira que ele penetrou, quando veio de Quicé.
Pegou como primeiro guia um vaqueiro que dava água ao gado. Era o Antônio Gama.
Pediu que mostrasse uma vereda que desviasse de Itiúba. O vaqueiro disse que tinha que seguir para a direção da Várzea da Roça e daí chegar até a Fazenda Umbuzeiro.
Mais um pouco e ali ele despachou o guia... e pegou outro chamado Galdino de Leotério... Era filho de Leotério... que era fazendeiro. Seguiram então para a Fazenda Varzinha, a cinco quilômetros de Itiúba. Nisto, encontraram com um casamento, no topo da serra... O homem do casamento chamava-se Barão.
Continuaram, então, para a Fazenda Varzinha da Olaria.
A primeira casa que encontraram na Varzinha foi a de Totonho do Cori... Coriolando Coelho Goes... Eram seis e meia da tarde, e Lampião perguntou ao guia Galdino de Leotério se Totonho era valente. O Galdino, então, respondeu que ele era muito valente.
Então o capitão bateu na porta do Totonho, gritando que era Lampião, e que ele se preparasse para morrer.
Totonho pediu que esperasse, que ia abrir a porta, e mexeu, fazendo barulho, como quem está tentando usar a chave. Então, correu para a porta de trás. Antes de abrir, olhou por um buraco e viu dois canos de arma longa. Ele voltou para a porta da frente, quado Lampião bateu de novo, com força, gritando:
- Totonho do Cori! Abra a porta pra morrer!
E ele voltou a fingir que estava abrindo o ferrolho, e que tinha enganchado. E disse alto:
- Pronto, capitão! Vou abrir agora! Estou abrindo!
Na casa tinha ele e cinco mulheres, uma sendo a esposa dele que tinha 12 anos de idade, a Santinha, que estava grávida já no nono mês.
A porta de Totonho era daquela que tem duas partes, uma em cima e uma embaixo. Então, ele destrancou mesmo a parte de baixo e empurrou com tal força e velocidade que arrancou as bizagra. Na hora, bateu a pancada num cangaceiro e Lampião atirou no susto e a bala pegou na parede de frente. Foi na hora que Totonho do Cori avançou, correndo de quatro pés, e se atirou por baixo entre as pernas de Lampião, que pulou tentando atirar. Mas ele avançou correndo abaixado, ainda de quatro pés, passando entre as pernas dos cangaceiros.
Lampião gritou, na hora:
- Eta, homem liso!
É que ele estava todo suado, pois estava fazendo uma mesa... Ele era marceneiro... E eles tentavam acertar ele, mas ele foi muito rápido.
O primeiro alívio foi quando ele, tendo passado o grupo, se jogou por baixo dos burros e cavalos deles... Então, ele conseguiu correr pra mata, mesmo levando muito tiros, mas não foi baleado...
Lampião então entrou na casa de Totonho do Cori e perguntou quem era a mulher
dele.
Ela disse:
- Sou eu!
Ele então falou:
- Me dê um copo de água a bem da morte do seu marido!
E ela deu a água.
Nisto, a sogra de Totonho, dona Mariinha, começou a xingar o grupo.
Eles pegaram a velha e entregaram o mocotó na mão do Volta-Seca, que arrastou a velha umas sessenta braças toda descomposta.
Jogou ela numa moita de xique-xique e disse:
- Eita, velha ruim danada!
Seguiram para a Fazenda Maté, com uns quinze homens mais o guia, somando dezesseis.
Aquela conversa de que acendeu uma vela para ver se entrava em Itiúba é mentira...
Não acendeu vela nenhuma... Ele queria mesmo era contornar a cidade...
Chegaram na casa de Pedro de Souza Góes. Não buliram com nada nem ninguém., por ter uma mulher doente com febre.
Da Fazenda Maté seguiram para a Fazenda Poço do Cachorro... Encontraram um senhor por nome Isidoro Cardoso, que vinha cortado de machado... Perguntaram como ele se cortou e não fizeram nada com ele...
Amanheceram o dia já na Fazenda Desterro, que pertencia ao coronel Aristides... Lá dormiram... Comeram um bode... E mandaram o guia Galdino embora com um burro selado e um facão...
Pegaram um terceiro guia... o Delfino, da Tapera do Rocha... Seguiram em direção a Cansanção e Monte Santo, deixando em paz o terceiro guia...
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Por José Mendes Pereira
Quando o assunto é simbologia e cultura futebolística dentro das torcidas organizadas duas torcidas pernambucanas se destacam.
Por Adriano de Carvalho Duarte
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*Rangel Alves da Costa
Em vinte anos
de estrada, entrecortando o sertão, lutando de palmo a palmo contra inimigo e
valentão, assim se fez a história do Capitão Lampião, um rei reinando no sol
até tombar em Angico por força de traição.
Vida de
emboscada, de tocaia e supetão, e quanto mais vencia guerra mais guerra pelo
seu chão, quando pensava em descansar logo a bala zunindo em clarão. Assim a
vida no cangaço e o mundo de Lampião, a lenda de uma verdade acontecida no
sertão.
Dentre todas
as guerras, as maiores são marcadas com cor de sangue em folheto: Serra Grande,
Maranduba e Serrote Preto. E nada de encenação, coisa criada em panfleto, mas
guerra de fim de mundo que deixou muito esqueleto, mortes de lado a lado,
sertão tornado em graveto.
Nas terras da
Maranduba, no ano de 32, janeiro no calendário, o que não se esqueceu nem
depois. Aí um fogo tão grande que antes da hora o sol se pôs, perante o
fumaceiro da refrega que se impôs, com tanta bala zunindo que dividiu o mundo
em dois.
De um lado
Lampião e seu bando bem armado, do outro duas volantes divididas lado a lado, o
grupo de Liberato para o combate chamado, e outro de Mané Neto para o embate
chegado. Mas foi o bando cangaceiro que escorraçou o soldado.
A trilha da
Maranduba começou em Canindé, após a perversidade do ferro em brasa em mulher.
A volante foi chamada pra começar um rapapé, dizimar a cangaceirama que já tava
um banzé, espalhando a violência aonde existia fé.
Violência
tamanha que todo o sertão noticiou, e aos ouvidos da polícia a aberração se
espalhou. A volante pernambucana em ira se despertou e o comandante Mané Neto
para Sergipe arribou. Também a volante baiana do ódio se apoderou, e combater a
atrocidade o comandante Liberato jurou.
Lampião era
esperto e ali não ficava não, conduzindo o seu bando para outro ermo do sertão,
na direção da Serra Negra aonde tinha proteção, daquele Coronel João Maria que
de Liberato era irmão. Este caçava cangaceiro e aquele não deixava na mão.
Emaranhado de um mundo que não é fácil explicar não.
Foi na
retirada do bando que Lampião se apressou, já em Poço Redondo o seu grupo
dormitou, e nos arredores da Fazenda Queimada Grande, na vizinha Santo Antônio,
aquela noite passou. Não sabia o Capitão que a poucos metros dali um tenente
descansou, era o baiano Liberato que ao seu encalço se encarregou.
Até a Queimada
Grande, as duas volantes tracejando um só destino, mas as intrigas entre os
comandos impõem graves desatinos. Os ânimos são acirrados e vão se tornando em
inimigos genuínos. Tudo favorece a Lampião, que mais tarde dará o tom àquele
impensado desafino.
Então vejam a
situação: de um lado dois comandos em intrigas sem solução, e de outro sempre
unido o bando de Lampião. Enquanto o bando se unia para o que surgisse então, a
volante dividida em capricho e exaltação, cada um querendo ser mais que o outro
perante a situação.
Não dando o
braço a torcer, Mané Neto chama os seus e os leva a padecer. Cansados e
estropiados, mas têm de obedecer. Seguem adiante em pleno escurecer e vão
dormir no Poço do Mulungu, para seguir cedinho, ao sinal do alvorecer. Não
sabiam, contudo, que ali pertinho, coisa de o dia deixar ver, a cangaceirama
passa a noite também sem nada perceber.
Quando
Liberato acordou e seu comando juntou, ainda no Poço do Mulungu a volante de
Mané Neto encontrou. Mesmo ainda em hostilidade, um fato lhes despertou: não
demoraria a guerra, pois mataria assobiou, o tempo chamava à luta, pois nenhum
passarinho piou. Lampião tava por perto, logo a expectativa aumentou. O tempo
era de vingança, foi o sertão que falou, só não disse de qual lado, como mais
tarde mostrou.
A passagem de
Lampião já não se escondia na mata. Mesmo no mato fechado, a marca da
alpercata. Seguindo aquela trilha, a volante se desata, vai seguindo no encalço
em busca do mata-mata. O destino é a Maranduba, a avidez se ressalta. Vai ser
bicho derrubado, diz Mané Neto em voz alta.
A essa altura,
o coito da Maranduba já é de Lampião. E ao chegar, o rei cangaceiro foi logo
dando explicação: Não quero o bando juntado não. Aqui tem sete umbuzeiros e
cada um na melhor posição. Quero tudo dividido, cada grupo em seu quadrão, com
cada homem armado de arma e de atenção. Aqui é muito perigoso e não quero
judiação.
Mané Neto
também já havia chegado. Sabia que o coito do Capitão já havia encontrado.
Liberato não estava, pois havia se atrasado. Mas logo o nazareno, querendo ser
o mais afamado, resolveu ir ao ataque e ter o bando encurralado. Mas não pensou
em tudo e o que pensou foi errado. Pensou que era um só coito, e disso saiu
ferrado.
Duas horas da
tarde, hora do mundo acabar. Lampião e os nazarenos de novo vão se enfrentar.
Velhas mágoas do passado agora a rememorar. O bando está cercado, mas não por
todo lugar, o Lampião estrategista começa o seu jogo jogar. Mané Neto grita
para a força atacar, Liberato vem atrás e afoito pra lutar.
A vitória como
certa começa a mudar de lado. O bando de Lampião parece multiplicado, e de
repente é o atacante que se vê encurralado. Sem mais saber o que fazer, ocorre
o inusitado, atirando sem direção soldado mata soldado. Rio de sangue
escorrendo, o fim que não foi pensado, ao invés do cangaceiro foi o soldado
massacrado.
Assim o fogo
maior no sergipano sertão, o Fogo da Maranduba vencido por Lampião, e em Mané
Neto e Liberato a dor da humilhação. Dois comandantes e suas forças não
venceram um Capitão. Foi a vitória de uma estrela perante uma constelação.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
Acervo do Beto Klöckner Rueda
Força pública volante comandada pelo tenente Caçula. Águas Belas, Pernambuco, 1925.
Por José Mendes Pereira
Por Luiz F. de A. Bonfin
INTRODUÇÃO
Virgulino Ferreira da Silva, de alcunha Lampião, foi o cangaceiro mais conhecido do Brasil, sendo a partir de 1926, oficialmente, capitão do batalhão patriótico, e ainda, segundo a imprensa “uma revivescência cabocla de Átila”, ou “Lampeão o Átila sertanejo”, ou ainda, “O Imperador dos Sertões. Esse ano foi sem dúvida muito especial para consolidação de sua fama. Era o seu sétimo ano de banditismo sendo o quinto como chefe de bando.
Apresento neste trabalho a transcrição de matérias dos jornais publicadas no ano de 1926, em que Lampião, com seus companheiros de armas, foi protagonista das notícias ligadas a sua atuação nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará.
Não faço afirmações nem análise, apenas coloco à disposição dos pesquisadores e estudiosos, os fatos como eles foram divulgados na época em que aconteceram. Faço somente a atualização dos nomes das cidades na época relacionada ao ano de 1926: Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE, Paulo Afonso, atual Mata Grande-AL, Meirim, atual Ibimirim-PE, Leopoldina, atual Parnamirim-PE, povoado Nazaré ou Carqueja, atual Nazaré do Pico, Floresta-PE, Alagoa de Baixo, atual Sertania-PE.
A iconografia deste trabalho está restrita ao ano de 1926, com algumas exceções para enriquecer as transcrições que seguem em ordem cronológica, mas, os jornais não cumprem nenhuma prioridade geográfica, sendo o critério utilizado na pesquisa, o tratamento jornalístico por cada órgão noticioso, mês a mês. Observem que a imprensa apresenta o nome Lampeão sempre grafado com “e”, mas, em novembro de 1926 o Jornal Pequeno grafou com “i”, foi um fato isolado e mesmo depois vemos sempre a palavra escrita com “e”, Lampeão.
As matérias mostram a efervescência política do momento, com discussões e opiniões, cartas de leitores, com denúncias que retratam a genuína preocupação dos habitantes daquelas paragens, para que os jornais divulguem os tormentos passados, nas diversas localidades de ação dos cangaceiros, instigando o poder público, cobrando uma ação mais efetiva. Fica claro também a preocupação do estado na luta contra o banditismo, apresentando os telegramas trocados pelas autoridades, as justificativas pela demora em conter o bando de Lampeão ....
A imprensa oposicionista denuncia o governador de Pernambuco que proíbe a divulgação dos telegramas informando a atuação dos cangaceiros no interior do estado.
As primeiras medidas tomadas pelo governador Estácio Coimbra ao assumir o governo de Pernambuco, conjuntamente com o governador de Alagoas, senhor Costa Rego, foi ordenar a prisão dos proprietários sertanejos que protegiam o bando de Lampião, isto em dezembro de 1926.
Um ano em que o próprio congresso nacional sediado na época, no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil, através de seu representante se dedicou nas sessões legislativas para tratar do legalismo em que Lampião foi levado, através das articulações do padre Cícero, prefeito de Juazeiro do Norte, e Floro Bartolomeu deputado federal pelo Ceará, na luta do governo de Artur Bernardes contra o movimento tenentista e sua coluna denominada de Prestes e Miguel Costa.
A imprensa fala sempre das correrias do bando de Lampião e que ele não enfrenta a polícia.
Veja o que o Dr. Atualpa Barbosa Lima, então um conhecido político cearense, que esteve na região do Cariri responde ao redator do Correio do Ceará, sobre essa questão. Segundo o Dr. o irmão de Lampeão teria lhe dito “primeiro porque não tem interesse em matar soldados, pois o governo tem muitos para substituir os que morrem, segundo porque gastam inutilmente a sua munição, terceiro porque se desviam dos seus fins, que é para matar e roubar a quem tem dinheiro e joias, quarto porque arrisca a pele sem proveito. Brigamos, em último caso, quando não há meio de escapulir, aliás, o segredo de nossa vitória está em que sabemos brigar e fugir na ocasião precisa.
Achamos sempre melhor correr, do que brigar, e quem sabe correr raramente morre”. Nessa entrevista o Dr Atualpa faz declarações de fatos que ainda não foram confirmados.
Para aqueles que duvidam da liderança de Lampião com seus cabras, leiam neste trabalho o trecho do jornal quando o caixeiro da Standard Oil Company fez o pedido para que o cabra de Lampião devolvesse a sua aliança de casamento.
Em outubro de 1926 aparece a notícia de “Lampeão, o Bonelli Brasileiro”, talvez a primeira tentativa de publicação de um livro sobre Lampião. Ao que parece não foi publicado.
Interessante também a entrevista do professor Lourenço Filho, importante figura nacional, sobre o lançamento de seu livro “Juazeiro do Padre Cícero”, onde ele aborda as relações do padre com o cangaço.
Acrescentei uma matéria de setembro de 1933, para enriquecer um fato relevante acontecido em 1926. Trata-se da entrevista feita com Pedro de Albuquerque Uchoa, “ajudante de inspetor agrícola no Juazeiro”, sobre sua participação no episódio da lavratura da patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro a Lampião e de tenente ao seu irmão Antônio Ferreira.
Estive na capital de São Paulo cerca de 10 vezes, tendo sido hóspede do mestre Antonio Amaury. Nas nossas longas conversas sobre o cangaço, fiz-lhe inúmeras perguntas e ele me respondeu todas. Certa vez perguntei ao mestre quem estava com o padre Cícero e Lampião quando este recebeu a patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro do Norte. Eis a resposta: - eu entrevistei João Ferreira, irmão de Lampião testemunha ocular do fato, que estava acompanhado de sua esposa Joaninha, ele já um homem feito, com 22 anos de idade. Sobre os presentes no local ele me falou que recordava que estavam presentes no recinto no momento em que Pedro de Albuquerque Uchoa escrevia as patentes: ‘além de Lampião e Padre Cícero, Benjamim Abrahão, meu irmão Antônio Ferreira, Sabino, Luiz Pedro’, e lembrou-se que João Ferreira pouco depois cita Zabelê, além de uma quantidade não contada de outros cangaceiros no recinto.
A data da morte de Antônio Ferreira, sempre me causou dúvidas, pois pesquisadores escreviam que foi em janeiro de 1927, mas, nas minhas pesquisas a imprensa informava que o fato ocorreu entre 10 e 15 de dezembro de 1926. Vejam na matéria do Jornal do Recife de quinta-feira, 16 de dezembro de 1926: “Corre com insistência, aliás, com algum fundamento, pelo sertão, que o célebre bandoleiro Antônio Ferreira, irmão e ‘lugar tenente’ do bando chefiado por Lampião foi morto em dia da semana passada, nas imediações do lugar Poço do Ferro, do município de Tacaratú.” Esse jornal publicou com detalhes, inclusive o acidente com Luiz Pedro. Já o Diário de Pernambuco do dia 18 de dezembro publica que foi uma luta travada com a polícia no município de Floresta, dias depois, essa mesmo jornal repete a versão do Jornal de Recife.
Nesses anos todos de pesquisa em jornais e outros documentos, observei que nunca foi consenso a quantidade de cangaceiros divulgada pela imprensa ao longo do ano de1926, que variava entre 49 e 200 homens.
Surpreendeu-me a diferença dada a fatos como a batalha de Serra Grande, e o sequestro praticado por Lampião, do representante da Souza Cruz e Standard Oil Company, ocorridos na mesma semana. A batalha foi pouco explorada e divulgada, no entanto, o sequestro foi muito bem documentado, com entrevistas e matérias de vários jornais.
Alguns fatos que foram publicados no período proposto por esse trabalho não foram destacados, embora tenham a mesma importância dos que foram aqui lembrados.
Boa leitura
Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo - Pesquisador de Cangaço e Ferrovia
http://blogdomendesemendes.blogspot.com