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sexta-feira, 28 de março de 2025

DEUSES DE MANDACARU

 Samuel Fernando – Cineasta


Acabei de terminar DEUSES DE MANDACARU.

É um romance completo.

Em alguns momentos encontrei a verdadeira identidade do sertão bravo, sem o estereótipo cansado do sertanejo. Cada personagem bem construído. Apesar do grande número de personagens que pode, às vezes causar confusão para o leitor desatento.

É uma leitura que pega pela emoção e prende a atenção a cada nova página.

Tentei separar durante a leitura arcos para ver como poderia caber uma adaptação. Uma minissérie de 5 capítulos foi o que ficou mais próximo da ideia.

Mas, enfim, no final realmente o tesouro era amaldiçoado, mas Levino e Maria Pilar conseguiram uma riqueza maior. Ticinho arranjou um ganha-pão para deixar o cabo da enxada e ganhou dignidade. João Paulista, o negócio dele era jogo mesmo. E o professor ganhou um cunhado, mas não sei se ainda perdera no fundo a curiosidade (Eita que isso daria continuação).

Gostei muito de como traz o contexto histórico no começo – É muito lindo. E de cara vem a emoção daqueles filmes de faroeste, Invasores X Índios, mas sem a riqueza da história da nossa região. Depois desemboca no elemento cangaço e sua brutalidade que vou contar, é comparativo a Game Off Trones. Não sei se conhece, mas foi uma série de livros que fez muito sucesso de um escritor inglês e virou série na década passada. Destacava-se por ser uma fantasia repleta de violência e sexualidade, mas não me pegou muito por achar tudo gratuito. Melhor comparação mesmo com esse livro é SENHOR DOS ANÉIS, que gosto. Mas aqui em DEUSES DE MANDACARU, acho mais rico e pegou mais por sabe que era da “realidade” mesmo ficcional. É tudo muito real. Nada gratuito. Inclusive a busca pela arca no frenesi final, é algo épico que grandes filmes em que exércitos se encontram. Inclusive os desfechos e plots da história antes de chegar lá e no final.

E lembrou os filmes de Tarantino. Que sou muito fã. É uma crescente de expectativas muito bem construídas que pegou do início ao fim. Ainda no meio do enredo me diverti com a história e personagens com o mesmo sentimento de ler Suassuna.

É um romance completo! Parabéns pelo livro e muito obrigado por ter escrito algo assim. Jamais imaginaria encontrar algo que me identificasse tanto na escrita e na inspiração

 


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AS ENCOSTAS DO RIO IPANEMA

 Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.216

Há quarenta anos, o engenheiro apelidado Cutia e o contador Hamilton Melo, resolveram construir um conjunto residencial numa baixada às margens do rio Ipanema. O empreendimento financiado pela Caixa, constava de 18 casas divididas em duas ruas perpendiculares ao rio. O conjunto residencial recebeu o título oficial de Conjunto São João, mas logo um dos moradores colocou o apelido de Baixada Fluminense e que assim ficou mais conhecido. Escolhi a segunda rua e a casa de número 18, com frente para o Nascente. Lutas e lutas à parte, o lugar que era Bairro Camoxinga, foi desmembrado e hoje faz parte do Bairro São José. Como o terreno é baixo, não temos muito como estirar a vista e apreciar belíssimas paisagens de Santana do Ipanema. A única opção é olharmos para o lugar altos de encostas do outro lado do rio e que flui para o Hospital Regional ou para a serra da Remetedeira.

As encostas se iniciam na parte baixa do Bairro Paulo Ferreira e vai subindo numa ladeira longa, onde quase no topo se encontra o Hospital Regional e continua subindo em direção à serra da Remetedeira. Vista de cima das barreiras, surgem cenários belíssimos. Mas quem está no Conjunto São João, na parte mais baixa, não avista o grande movimento de veículos por cima das barreiras até o hospital e mais. Porém, avistamos uma bela floresta natural nas encostas, em tempo de chuvas. O mato se fecha e o verde toma conta de todo o espaço que vai do rio às primeiras casas lá de cima. Agradecemos à Natureza esse pulmão verde e aos homens que ainda não resolveram desmatar tudo.

Na estiagem, o verde vai embora, essa vegetação fica rala, transparente, mostrando detalhes dos terrenos. Às vezes fica seca, crestada e, serve para medir a intensidade dos estragos pelas zonas rurais. É ali em trecho das encostas que chegam anualmente as garças pantaneiras fazendo seus ninhais e base de caçadas pelos arredores. É dali que incursionam em nossa rua aves como rolinhas, bem-te-vis e anuns, principalmente. Pois assim, se não temos um privilégio, temos outro diferente, mas temos.  No restante, o Conjunto São João parece urbano, parece rural. Na proximidade, escritor, cantor e artista plástico.

Ô beira de Panema!!!

SEGUNDA RUA DO CONJUNTO SÃO JOÃO (FOTO B. CHAGAS).


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CAPITÃO LAMPIÃO

 Por Guilherme Velame Wenzinger

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A RUA EM HOMENAGEM A DR. FLORO BARTOLOMEU - CANAL CANGAÇO EM FOCO.

Por Cangaço em Foco
https://www.youtube.com/watch?v=SQqfn1swShA

Denominação em homenagem a Dr. Floro Bartolomeu. #mariabonita #cariri #cangaceiro #lampião #historia #nordeste #ceará #cangaço #shorts #sertão

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SILA NO PROGRAMA JÔ SOARES.

Por Helton Araújo

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Na década de 90, no programa "JÔ SOARES ONZE E MEIA", do SBT, o saudoso apresentador recebeu em seu popular programa a ex-cangaceira Sila.

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PEDRO NÉL PEREIRA, MEU PAI.

  Por José Mendes Pereira

Meu pai foi ex-combatente da guerra de 44.

Pedro Nél Pereira era meu pai e nasceu no dia 1º de abril de 1922, e se criou na Fazenda Duarte, denominada Barrinha, propriedade de Francisco Duarte Ferreira o Chico Duarte), pai do senador Duarte Filho, tendo sido educado por Francisca Rodrigues Duarte, carinhosamente dona Chiquinha Duarte, esposa do fazendeiro. 

Era filho de Manoel Francisco Pereira e de Herculana Maria da Conceição, sendo sua mãe Xaxá da gema. Após o seu casamento, continuou sendo morador do fazendeiro, só saindo de lá, quando conseguiu comprar uma pequena propriedade aos herdeiros do fazendeiro. 

Foi agricultor, suplente de vereador de Mossoró, membro efetivo de dois Conselhos Comunitários de Mossoró, membro efetivo do Sindicado dos Trabalhadores na Lavoura de Mossoró, durante 40 anos, fundador da Capela de São Francisco de Assis, em seu Sitio São Francisco, e soldado do exército brasileiro, tendo  servido em Natal e  ex-combatente da guerra de 1944. Estaria com 103 anos.

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quinta-feira, 27 de março de 2025

LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO (1937) - FILME COMPLETO

Por Histórias do Cangaço 

https://www.youtube.com/watch?v=lmqd-ijH2cQ

Único registro fílmico de "Lampião", realizado por Benjamin Abrahão. O cineasta solicitou e obteve do "Rei do Cangaço" a permissão para acompanhar o bando na caatinga e realizar as imagens que o imortalizaram. Para tanto teve a parceria do cearense Ademar Bezerra de Albuquerque, dono da ABAFILM que, além de emprestar os equipamentos, ensinou o fotógrafo seu uso. Por ao menos duas ocasiões esteve junto ao bando de Lampião, realizando seu mister. Para a realização do filme Abrahão contou com verdadeiro trabalho de aproximação junto ao bando, que fugia da perseguição cada vez mais feroz do governo. O encontro veio finalmente a ocorrer em um lugar chamado Bom Nome, onde o cangaceiro, desconfiado, primeiro realizou ele mesmo a filmagem do ex-mascate (em trecho que se perdeu) e só então consentiu fosse filmado. Abrahão retorna a Fortaleza, onde este primeiro sucesso permite-lhe obter mais rolos de filmes, e voltar para registrar o bandoleiro e sua caterva, sendo que o resultado dessa segunda incursão também se perdeu. Abrahão passou a ser considerado suspeito, pois além das filmagens, enviava matérias aos jornais, relatando suas aventuras - o seu conhecimento do paradeiro do bando era indício por demais forte de seu envolvimento com este. ======================= Dê um "Like" ("joinha") aqui deste Trailer e depois no "Siga" do nosso Canal Oficial aqui no Youtube e nas redes sociais e fique por dentro de tudo que acontece na História do Cinema Brasileiro! ======================= Maiores informações acesse: http://www.historiadocinemabrasileiro...

FALECEU ONTEM O CANTOR RICARDO BRAGA

Por José Mendes Pereira

Faleceu ontem em São Paulo o cantor Ricardo Braga, e a causa foi um derrame cerebral. Seu grande sucesso foi um mega pouporri com músicas de Roberto Carlos. O Grande cantor que tinha o mesmo timbre de voz do cantor Roberto Carlos. Ele era filho de Mogi das Cruzes-São Paulo.

https://www.youtube.com/watch?v=DB4zWDR7Jog

https://www.letras.com.br/ricardo-braga/biografia

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EM MEMÓRIA DE ANTÔNIO AMAURY CORREA DE ARAÚJO - UM MARCO REFERENCIAL NOS ESTUDOS DO CANGAÇO

 Por Leandro Cardoso - Publicado em 2021 no blog Cariri Cangaço.

Luiz Ruben, Leandro Cardoso, Antônio Amaury, João Souto 
e Napoleão Tavares Neves em dia de Cariri Cangaço


Apresentação do acadêmico Leandro Cardoso Fernandes por ocasião de Sessão Solene da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, em homenagem póstuma ao pesquisador e escritor paulista, Antônio Amaury Correa de Araújo, acontecida de maneira virtual, no último sábado, 27de março de 2021.

"Boa noite a todos. Me chamo Leandro Cardoso Fernandes, ocupo a cadeira de número 13, cujo patrono é o escritor e magistrado William Palha Dias.

O motivo de hoje estarmos reunidos, mesmo que virtualmente, é para celebrarmos a memória de Antonio Amaury Correa de Araújo, nosso amigo e membro da ABLAC, cuja transição para outro plano de existência se deu recentemente. Para os que se debruçam sobre o tema Cangaço, Antonio Amaury é unanimidade incontestável como referência de qualidade pelas suas pesquisas e livros. Ninguém pode acercar-se seriamente desse tema, sem beber nas fontes de sua extensa produção bibliográfica.

Minhas senhoras e meus senhores.

No dia 26 de fevereiro do corrente ano, recebi a infausta notícia da partida de meu amigo Antonio Amaury. Passou-me rapidamente pela memória muitos dos momentos agradáveis que compartilhamos, seja no convívio mútuo com nossos familiares, seja com os amigos pesquisadores, no Cariri Cangaço, nas viagens Brasil-afora, nas inúmeras tardes nos sebos em São Paulo, enfim... meu coração foi tomado por uma nostalgia que veio de mãos dadas com uma sensação de tristeza e perda. Compartilhei a notícia com minha esposa, e as lágrimas vieram-nos aos olhos. Isolei-me por um momento, meditei e ocorreu-me um lampejo reflexivo que, imediatamente, empurrou para longe esse sentimento negativo pela partida do amigo Amaury.

Lembrei-me do verso de Fernando Pessoa: “A morte é só a curva da estrada/Morrer é não ser visto”. A construção da nossa eternidade começa aqui e agora, e só sucumbe à morte os que se dão ao esquecimento. Morrer é ser esquecido. Disse em versos Francisco Otaviano: “quem passou pela vida em branca nuvem/e em plácido repouso adormeceu/(...) foi espectro de homem, não foi homem/ só passou pela vida e não viveu”. E nesse ponto, meus amigos, confrades e confreiras, Antonio Amaury foi exemplar. Viveu plenamente um sonho profícuo, com extensa frutificação, cujas sementes foram espalhadas pelos bons ventos da arte, da beleza e do conhecimento.

Dito isto, esta solene reunião da ABLAC, nesta tarde de sábado não é um necrológio, não é um elogio fúnebre. Muito longe disso. O motivo de estarmos aqui é celebrar a VIDA; é cantar a linda apologia do bem viver, do cultivar em plenitude o amor e o sonho; é louvar e agradecer a VIDA de Antonio Amaury Correa de Araújo, Membro Honorário de nossa Academia.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Deus pelo dom da VIDA, pois é esse, como já disse, o motivo primeiro de estarmos aqui.

Mas, o que é a VIDA?

Convido-os, agora, a refletir sobre esta que, em apenas quatro letras, encerra uma multiplicidade de conceitos biológicos, metafísicos e filosóficos. Seria simplesmente o espaço de tempo entre a concepção e a morte de um organismo? Seria um processo metafísico contínuo de relacionamentos?

Eu poderia, para responder a essa indagação, citar o eminente e folclórico professor de Patologia da Faculdade de Medicina do Derby, em Recife, Aluísio Bezerra Coutinho. Ele disse no seu livro “Da Natureza da Vida” que VIDA seria de maneira taxativa “a reprodução auto catalítica de polímeros macromoleculares”. Mas seria a VIDA somente um fenômeno biológico autolimitado? É ela apenas fruto do acaso, ou foi a VIDA deliberadamente criada? Reconheço a dificuldade em defini-la, sem pisar em terreno movediço, onde duelam criacionistas e evolucionistas, às voltas com evidências positivas e negativas para cada lado.

No entanto, armando-se somente com a luz bruxuleante dos candeeiros da Biologia, como explicar satisfatoriamente, por exemplo, o pensamento, esse momento da nossa consciência? Ou a explosão de sentimentos, às vezes contraditórios, que experimentamos ininterruptamente? Seria tudo isso produto exclusivo do ballet químico dos neurotransmissores?

Antônio Amaury e Leandro Cardoso em São Paulo

O Professor Adauto Lourenço, PhD em Física e pesquisador pela UNICAMP diz que “a função da Ciência não é provar como o Universo e a Vida surgiram espontaneamente, mas como teriam surgido. Espontaneamente é apenas uma das hipóteses”. E vai mais longe, quando sugere que “átomos e energia não criam as leis da Natureza; eles obedecem a essas leis”.

Pelas lentes de Isaac Newton, e com olhos da fé, Deus está por trás destas leis. A Ele, portanto, minha gratidão por estarmos hoje aqui reunidos, mesmo que fisicamente distantes.

Voltemos, entretanto, ao nosso raciocínio: saiamos da Teologia e dos embates entre as teorias científicas e deixemos que a poesia pungente do pernambucano de Parnamirim, Antonio Marchet Callou defina a VIDA:

“Vida – é amargura doce,/ Vida – uma doçura amarga./ A vida é como se fosse/ Via, ora estreita, ora larga”.

Trilhamos todos nós esta estrada sinuosa, onde sobram nas curvas amarguras, frustrações, paixões, abnegação, gratidão, beneficência, o que levou o grande Guimarães Rosa a afirmar que: “no viver tudo cabe”. E é Gandhi quem dá o arremate, quando diz que “a arte da vida é fazer da vida uma obra de arte”.

Eu os convido, então, a celebrar comigo uma verdadeira obra rara da arte do viver. Uma Vida cujos alicerces foram feitos com a argamassa do amor; as paredes levantadas com os tijolos da generosidade, e revestidas com o brilho do serviço e da disponibilidade. Se “a Geografia prefigura a História”, como disse Euclides da Cunha, as boas obras precedem os homens de bem.

A infausta notícia da ausência física de Antonio Amaury entre nós, não pode extinguir sua VIDA, posto que, além do físico, ele vive nas nossas melhores recordações e na indiscutível perenidade que permeia a substância de sua obra. No universo do estudo do Cangaço, dentro e fora da ABLAC, Antonio Amaury é imortal. Cabe aqui, entretanto, duas palavras sobre o que seja a Imortalidade Acadêmica, antes de nos ocuparmos de uma breve exposição da biografia e da obra do nosso querido homenageado de hoje.

O termo Academia derivou de Academus, o herói grego que revelou aos gêmeos Cástor e Pólux onde Helena havia sido escondida por Teseu. Em homenagem a este herói, foi preservado o jardim onde ele vivia: o “jardim de Academus”. E foi exatamente neste lugar onde o filósofo, Platão reuniu seus discípulos e fundou sua escola filosófica, a Academia.

Mas foi somente na Europa do século XV que se utilizou o termo Academia para designar grupos de estudo e preservação de cultura clássica. Assim, as Academias dos mais diversos segmentos do conhecimento e das artes congregam indivíduos que reconhecidamente trazem uma bagagem relevante de contribuição em área específica, ou até além dela.

A nossa Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço (ABLAC) foi fundada em 25 de julho de 2019 e é capitaneada de magistralmente pelo nosso presidente Archimedes Marques e sua diretoria. A ABLAC hoje é um farol a iluminar, para curiosos e estudiosos dos temas afeitos à história e à cultura nordestina, os caminhos que levem à pesquisa científica séria, ao respeito, à ética, e ao diálogo, como condições indispensáveis para um estudo em alto nível do cangaceirismo, suas adjacências e desdobramentos. E, ao cruzar os umbrais da Academia, chega-se, então, à imortalidade. Minhas senhoras e meus senhores, confrade e confreiras.

Antônio Amaury, Leandro Cardoso e Luiz Ruben

Agora, passo a ocupar-me do imortal, Antonio Amaury Correa de Araújo, que nasceu em Boa Esperança do Sul, São Paulo, em 22 de novembro de 1934, e que vive eternamente na memória e nos corações dos seus familiares, dos seus leitores e dos seus amigos. “A Amizade é o vinho da vida”, disse Edward Young, poeta inglês; e celebrar uma amizade eterna é deliciar-se com o doce néctar da melhor das safras.

Amaury era filho de Elydio Correa de Araújo e Benedita Abdala de Araújo. E foi aos oito anos de idade, por intermédio de sua avó materna, que caiu em suas mãos um folheto em prosa sobre Cristino Gomes da Silva Cleto, o Capitão Corisco, despertanto-o para o tema Cangaço. Mal podia imaginar o pequeno Amaury ao debruçar-se sobre as páginas daquele folheto que algumas décadas adiante ele mesmo hospedaria em sua casa Dadá, a viúva do perfilado. Vejam só.

Depois de completar seus estudos iniciais no Colégio São Bento em Araraquara (SP), Amaury ingressou na Faculdade de Odontologia na UNESP, e a graduou-se também na Escola de Belas Artes, também em Araraquara.

Já na capital paulista, trabalhando como odontólogo em alguns sindicatos como o da Congás, da Construção Civil, dos Condutores de Veículos e também na lida do seu consultório privado, Amaury estabeleceu contato com pessoas ligadas ao fenômeno Cangaço, como ex-cangaceiros, ex-volantes, vítimas, parentes das personagens, etc... Afinal, como disse certa vez o cantor e compositor Belchior: “o nordestino ou sobe pra São Pedro ou desce pra São Paulo”, sendo esta a maior capital nordestina do mundo. Juntando todo esse material humano e a disponibilidade do seu consultório de Odontologia, Amaury viu-se diante de um interessante laboratório improvisado de Antropologia e História, moldado pelos atendimentos do dia a dia. Logo, logo, tornou-se amigo e compadre de Cila, Zé Sereno, Criança, Balão, Dadá... e, de registro em registro, materializava-se o maior banco de dados do Brasil sobre o Cangaço:  milhares de fotos, cartas, documentos e gravações que, sem medo de errar, deve ultrapassar as 7000 entrevistas.... Entre elas Sebastião Pereira, Cajueiro, o Coronel João Bezerra, Mané Velho, Antonio da Piçarra, dentre outros...

Em pouco tempo, Amaury já era conhecedor do assunto, apesar de muito jovem. Prova disso é que Rodrigues de Carvalho pediu opinião a ele sobre os originais de “Lampião e a Sociologia do Cangaço” para que ele fizesse correções, as quais incorporou na publicação. Era esse o começo de uma notável carreira como escritor e pesquisador.

Ainda no final dos anos 60 contribuiu para o roteiro do filme “Corisco, o Diabo Loiro” de Carlos Coimbra, grande sucesso do ciclo do Cangaço no nosso cinema. A seu convite, Dadá confeccionou toda a indumentária dos cangaceiros utilizadas no filme, que tinha como atores principais Leila Diniz e Maurício do Vale.

Nos anos 70, aceitou o desafio de responder sobre Lampião no programa de perguntas e respostas, da Rede Globo, “8 ou 800”, apresentado pelo ator Paulo Gracindo, e dele saiu premiado. Sua expertise no assunto passou a ser reconhecida em todo o Brasil. A partir daí, multiplicaram-se convites para assessorar novelas e programas de televisão, destacando-se aqui o episódio piloto do “Globo Repórter”, “O Último Dia de Lampião”, dirigido por Maurice Capovilla. Vale ressaltar que este programa fora baseado em um livro seu “Assim Morreu Lampião”, um grande sucesso e ainda hoje imbatível como obra referencial sobre o epílogo do Rei do Cangaço. Neste trabalho clássico, pela primeira vez, foram enfeixados os depoimentos dos que sobreviveram ao Combate do Angico, fossem volantes, cangaceiros ou coiteiros. Este livro antológico sedimentou um novo modo de se “escrever” sobre o cangaço, dando voz a uma literatura que tem como esteio metodológico os registros de memória oral de sobreviventes dos episódios da crônica histórica cangaceira.

A partir daí, vieram outros clássicos como o excepcional “Lampião: As Mulheres e o Cangaço”, que de maneira pioneira aborda o universo feminino na crônica cangaceira. A obra é até hoje um dos melhores trabalhos escritos sobre o tema, que de maneira corajosa e inusitada, mostra o lado sofrido e guerreiro das mulheres corajosas, bem como das vítimas daqueles tempos brabos.

Dos seus mais de 10 livros sobre o assunto, gostaria de elencar os parceiros, que, sob sua impecável orientação, publicaram trabalhos que se tornaram referenciais, na já extensa bibliografia sobre o assunto: cito aqui Vera Ferreira Nunes (“O Espinho do Quipá” e “De Virgolino a Lampião”); Luiz Ruben Bonfim (“Lampião e a Maria Fumaça” e “Lampião e as Cabeças Cortadas”, Carlos Elydio (“Lampião: Herói ou Bandido?” e Leandro Fernandes (“Lampião: A Medicina e o Cangaço”).

 Amaury teve importante e vasta participação em documentários: cito de maneira especial aqui sua contribuição ao trabalho de Aderbal Nogueira, nosso Benjamim Abrahão da contemporaneidade, que viabilizou notáveis entrevistas com o mestre Amaury. Cito também aqui o excepcional “Os Últimos Cangaceiros”, de Wolney Oliveira, filme premiado pelo mundo afora, figurando hoje entre os 100 melhores filmes latino-americanos da década, que contou com a consultoria histórica do mestre.

Dona Rene e Antônio Amaury

Antes de finalizarmos, não poderia deixar de falar aqui da maravilhosa família formada pelo casal Antonio Amaury Correa de Araújo e René Maria Tavares de Araújo. Deste feliz matrimônio, ocorrido em 31 de dezembro de 1961, vieram 3 filhos: Antonio Amaury Junior, Carlos Elydio e Sérgia Renée, cujo nome foi homenagem à Sergia Ribeiro Chagas, a Dadá, comadre de Antonio Amaury e Dona René; o genro Nelson Romano, os netos Marcelo e Henrique, e agora uma linda bisnetinha, recém-chegada. Aqui, mando meu abraço carinhoso de admiração e agradecimento à Dona René pelo acolhimento dispensado a mim e minha família; seu exemplo de esposa, mãe, companheira, avó, sogra, que sem dúvida, permitiu que Antonio Amaury pudesse estender para as lonjuras o alcance do seu trabalho. Eu, minha esposa Raissa e minhas filhas Cristina e Laura temos muitas saudades do convívio com todos vocês, que perfumaram as nossas vidas.

Para terminar, gostaria de mais uma vez recitar o soneto que fiz no dia em que meu amigo Antonio Amaury despertou para a eternidade. Deixemos sangrar o açude do peito com lágrimas de alegria por termos convivido com um homem bom, íntegro, que, passando à larga da mediocridade, contribuiu para que nos uníssemos em torno de um tema que, outrora ponteado pela violência, hoje é o palco de harmonias, congraçamento, amizades e o carro chefe da melhor cultura do mundo. 

SONETO EM PRECE

Ao amigo Antonio Amaury Correa de Araújo

Dos cangaceiros ele ouviu depoimentos

E dos Volantes colheu muitas entrevistas;

Investigando sempre rastejava as pistas

Para entender do sertanejo os sofrimentos.

 

Escuto o choro, entre soluços e lamentos,

De iniciantes aos grandes conferencistas,

Na despedida deste grande entre os paulistas,

Que nos brindava com tantos conhecimentos.

 

Agradecendo a sua ajuda, afinal,

Na mão sincera que estendeste a quem quisesse

Aprofundar-se nos estudos do Sertão...

 

Eu mando, amigo, pra Mansão Celestial

Um abraço forte que eu envio nesta prece

Banhado em lágrimas, saudade e gratidão.

 

Muito obrigado."

Leandro Cardoso Fernandes, médico, pesquisador e escritor. Conselheiro do Cariri Cangaço. Acadêmico da ABLAC , Membro da SBEC.

http://cariricangaco.blogspot.com/2021/03/em-memoria-de-antonio-amaury-correa-de.html

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quarta-feira, 26 de março de 2025

RUA TERTULIANO

 Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.215

Continuando sua vocação para comércio desde os remotos tempos de vila, essa atividade se expande, engolindo rua e ruas tradicionalmente residenciais. Qualquer cidadã, qualquer cidadão pode notar transformações na terra em que nasceu e vive, porém, vejo isso com um olhar da vocação geográfica. Foi assim que aproveitando a procura por um objeto de construção, terminei numa inspeção pela Rua Tertuliano Nepomuceno, a primeira rua dos antigos cabarés de Santana. Rua que se inicia no Beco do Mercado de Carnes e se estende até a Ponte do Colégio Estadual Prof. Mileno Ferreira, passando pelo viaduto do Aterro na BR-316. Aos sábados, esta rua faz parte extensiva da feira livre. A princípio foi afastando os cabarés para os lados do Bairro que se iniciava, Artur Moraes sempre tangendo as casas de prostituição definitivamente para o Aterro.

E essa rua de cabarés, de bares, de boêmios, foi aos poucos cedendo lugar ao pequeno comércio, engolindo as residências e as transformando em barbearia, casas de construção, artigos de couro, mercadinhos, casas de móveis, artesanato, lanches, quitandas e muito mais. Era também no início desta rua onde se compravam chapéus de palha, abanos, esteiras, panelas de barro, porcos e galináceos e que até já foi chamada Rua dos Porcos. Já no Aterro, os cabarés após décadas de apogeu, entraram em decadência, dizem que pelo sistema de namoro avançado da modernidade. Tem também residências normais, casas de comércio e feira complementar como a chamada Feira do Rolo.

Mas, conversando com antigo morador da Rua Benedito Melo, Rua Nova, também tenho a mesma notícia: a antiga rua de residências da classe média e impensável para negócios mais profundos, vai no mesmo processo da Rua Tertuliano Nepomuceno. Casas antigas sendo vendidas e comércio pequeno e médio e até grande, vão apagando a Rua Nova em que você viveu e conheceu. Esses fenômenos sociais urbanos me fizeram classificar -  há cerca de dois anos – três áreas comerciais em Santana do Ipanema   e que

estão se interligando com o Centro através de corredores. Quem vai saindo dessas ruas, vai agora procurar conjuntos, loteamentos, condomínios nas periferias onde estão sendo formados novos bairros.

Só não entendi ainda porque a cidade não passa de 49.000 habitantes nas contagens oficiais?



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CIGARRO ASTÓRIA

 Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.214

CIGARRO ASTÓRIA

Conheci muitos fumantes. Conheci muitos pedintes de cigarros. Os pedintes não compravam cigarros. Ou para não gastar dinheiro ou não disparar no vício, pediam cigarro esporádico a fumantes. Nunca vi nenhum fumante negar um cigarro a quem pedia, fosse quem fosse. Era como uma compreensão tácita do vício. Sim, os pedintes constantes se não irritavam o fumante, pelo menos deixava-o a se prevenir fazendo manobras. Nos anos sessenta, setenta, o cigarro mais cobiçado era o de marca Continental. Havia a marca hollywood, mais cara e, a marca Astória, mais barata. As cores, pela ordem acima eram azul-mortiço, vermelha e amarela. Mas também surgiram outras marcas que não tiveram tanto êxito com a concorrência: Urca, Iolanda, Fio de Ouro, Minister... E o próprio fumo de rolo que se sofisticava e passava a ser vendido em pequenas embalagens plásticas, já picotado.

Meu bom amigo, saudoso Francisco de Assis, vendia quadros feitos na vidraçaria do também saudoso Gileno Carvalho. (A memória de Francisco, dediquei meu primeiro romance, Ribeira do Panema). Chico era fumante e usava o cigarro Continental.  Mas como não se pode negar um cigarro, ele me disse que meu maço de cigarros Continental, carrego escondido no bolso da bunda; o maço de cigarros Astória, vai à mostra no bolso da camisa; para o pidão, digo: só tenho Astória, quer? O pidão não recusava o cigarro mais forte e mais barato.  De graça, fala o povo: até injeção na testa. Estar entendendo, não é?

A vida é muito engraçada. Tem aqueles que nós os consideramos amigos bons, verdadeiros. A estes se tivéssemos condições, com seus pedidos só o serviríamos com cigarros Continental, um cigarro, uma carteira, um maço e até a fábrica toda porque em nossa análise íntima ele nos merece. Ah! E aquele “troncho”, “serrão”, invejoso e aproveitador? O que faríamos com ele? Uma lição de moral não resolveria nada. Seguindo a filosofia de Francisco de Assim, em ocasiões de outros carnavais, os falsos, os traidores, os invejosos, os inimigos disfarçados...Talvez não valessem nem mesmo um simples gesto de cortesia com o cigarro Astória.



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CABEÇAS DOS CANGACEIROS MORTOS EM ANGICO.

Por Robério Santos

Uma das fotos mais impactantes do cangaço. Ela foi feita em Piranhas-AL, no mesmo dia que a foto da escadaria com os objetos. Já conheciam esta imagem?

https://www.facebook.com/photo/?fbid=10162457573602840&set=a.486697157839

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ALCINO - MENTIRAS E MISTÉRIOS DE ANGICO

 Por Cangaço - Aderbal Nogueira


Alcino Costa, o Caipira e Poço Redondo. Um homem simples e querido por todos, um homem que conheceu e foi parente de muitos remanescentes do cangaço, aquele a quem todos os pesquisadores procuravam para obter informações preciosas. Aqui em uma palestra polemica, mas o que seria do cangaço sem as polemicas?

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LIVRO - PARAHIBA NOS TEMPO DO CANGAÇO

 Por Antonio Corrêa Sobrinho


O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!

Adendo: José Mendes Pereira

Eu também recomendo aos leitores do nosso blog para lerem esta excelente obra, e veja se alguns dos leitores  possam ser parentes de alguns cangaceiros registrados no livro do Ruberval Souza.

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LIVRO - LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS.

 

Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão
Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:

Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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O MENINO QUE QUERIA SER LAMPIÃO – A HISTÓRIA INCRÍVEL DO CANGACEIRO.

 Por A História do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=W1dCalAI2is

Nem todo cangaceiro nasceu bandido. Alguns foram moldados pelo abandono, pela fome… e por uma promessa. Essa é a história de Severino. Um menino alegre que teve a vida destruída pela traição da mãe e a tristeza do pai. Que cavou a cova do próprio pai com as mãos. E partiu sozinho pelo sertão atrás de Lampião. O que ele encontrou? Dor, guerra, sangue… Mas também um caminho. Um destino. Assista até o fim essa história arrebatadora — baseada na alma do sertão — e descubra como o menino que queria ser cangaceiro virou homem… e, enfim, encontrou paz.

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