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terça-feira, 22 de novembro de 2011

TV São Francisco (Rede Bahia) realiza reportagens sobre o turismo em Paulo Afonso.

Por: João de Sousa Lima


A TV São Francisco realiza uma série de reportagens sobre o turismo em Paulo Afonso, assim também como entrevistas com pioneiros da história da cidade, já tendo sido entrevistados Antonio Galdino, Claudio Xavier e Abel Barbosa.

Um dos pontos visitados foi o Museu Casa de Maria Bonita. O Jornalista Pablo com João Lima e o cinegrafista Ailton.


A equipe da TV São Francisco no Museu Casa de Maria Bonita.
Abel Barbosa, o principal nome da emancipação política de Paulo Afonso, recebeu  a equipe da TV São Francisco em sua residência.
Pablo, João e Ailton

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

MEU MARIDO MATOU " LAMPIÃO "

Reportagem de Laércio de Vasconcelos
 Cyra e João Bezerra
A saga de Lampião marcou a história nordestina. Sua trajetória violenta, seu desafio a lei o transformaram em figura mítica. Por outro lado, o homem que o perseguiu e matou jamais foi reconhecido como herói, sem nome quase caiu na obscuridade. O Capitão João Bezerra morreu na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, em 1969, sem exigir recompensa de suas campanhas no comando de volantes, caatinga adentro, atrás de perigosos cangaceiros. No Recife, vive ainda sua viúva. Cyra Bezerra Britto, 61 anos, alimentada pelas lembranças do tempo em que seu marido enfrentava o Rei do Cangaço. Em sua casa, D. Cyra guarda ainda o facão que degolou um outro capitão honorário: Virgulino Ferreira. Bezerra o chamava de “O Cego”, pois Lampião não enxergava de um olho.
Em contrapartida, o cangaceiro apelidara Bezerra de Cão Coxo, pois o capitão, mancava de uma perna, devido a um antigo ferimento à bala. Lampião tinha especial ódio a Bezerra, mas também o temia. Mandava-lhe bilhetes desafiando-o, mas sempre fugia de uma luta frente a frente.
D. Cyra recorda que sua vida de casada esteve sempre ligada ao problema dos cangaceiros e das volantes de seu marido. Diz: “Quando me casei com Bezerra eu tinha 15 anos e ele 35. Temível contra os bandidos, meu marido era bom chefe de família. Seus soldados gostavam dele e o obedeciam cegamente. Depois de travar luta e acabar com vários bandos de cangaceiros, entre os quais
O cangaceiro Gato
Gato e Corisco, Bezerra se dedicava especialmente a guerrilha contra Lampião.
O cangaceiro Corisco
Os fatos se passaram há muito e D. Cyra não se lembra com certeza das datas certas, mas tem excelente memória para detalhes e os recorda com alegria ou lágrimas nos olhos. Principalmente quando ela fala naquele dia, quando seu marido se embrenhou no sertão, mais uma vez em busca de Lampião.
Tudo começou assim: “Eu nunca tive medo de nada, pois quando criança estava acostumada a me esconder no mato, fugindo dos cangaceiros que ameaçavam meu pai. Até que veio aquele dia em que meu marido, ajudado pelo tenente Ferreira e o sargento Aniceto, encontrou Lampião na serra de Angico e o abateu inclusive Maria Bonita.
Isso foi em 1938. Nós sabíamos que a família de Pedro de Cândida acoitava Lampião. Pedro ia sempre lá em casa, para colher informações e passá-las ao bandido. Certa vez, ele chegou, dizendo que Lampião estava para os lados Moxotó, em Pernambuco. Era mentira e Bezerra logo percebeu isso. Para despistar, meu marido
TROPA DO Cel. JOÃO BEZERRA, que combateu Lampião.

Foi com a tropa para cidade de Pedra. O sargento Aniceto ficou em Delmiro Gouveia, à espera de notícias. Depois de Bezerra partir, chegou um caboclo amigo nosso, contando que Lampião tinha sido visto perto de Angico. Imediatamente passei um telegrama para o meu marido e outro para Aniceto, em Delmiro Gouveia. Eles, imediatamente, dirigiram suas volantes para Piranha, onde embarcaram em canoas pequenas, amarradas umas às outras com a finalidade de levar mais soldados. Quando Bezerra saiu à caça de Lampião, a noite estava enluarada e bonita. Senti muito medo, mas confiava em meu marido e na sua vitória. Fiquei ao lado de um soldado doente, até as quatro da madrugada. Ele acordou esperou  e me disse: Dona Cyra, o Capitão Bezerra entrou em combate. Estou ouvindo o tiroteio. A cidade entrou em polvorosa. Quando amanheceu, todo mundo assustou-se com o estampido de um tiro. Será que o bando de Lampião estava tão perto assim? Corri para fora de casa e soube então que um homem ao carregar uma arma disparou-a acidentalmente, ferindo a mulher. Fui à casa deles e encontrei a coitada quase morrendo, suplicando que não prendessem o marido. Depois, ela apagou. No meio daquela agonia, chegou um rapaz dizendo que vinha rio abaixo uma canoa cheia de homens. Pedi para ele ir até a margem do Rio São Francisco, para ver se Lampião havia fugido. Nesse caso, ele deveria voltar e avisar a gente na cidade. Se desse tempo, nós fugíamos. Fui para casa e fiquei esperando os acontecimentos. Já ouvia barulhos estranhos por toda cidade. Eram tiros e gritos. Eu não entendia nada daquilo. Mas pensava: “Se o rapaz não voltou, talvez Lampião o tivesse pegado e agora o bandido está entrando na cidade.”. Fui para a calçada da casa, à espera do pior. Um grupo de homens surgiu no fim da rua. Na frente deles, eu vi Bezerra, caminhando todo ensangüentado. Atrás vinham os seus soldados, trazendo cabeças seguras pelos cabelos. Foi o quadro mais horrível que presenciei na vida. Corri para dentro, apavorada,, e me debrucei no berço da minha filha. Não conseguia tirar as mãos do rosto. Foi quando senti entrar gente no meu quarto. Era Bezerra. Ele disse: “Minha filha, venci. O Cego está morto. Venha ver”. Mas eu não tinha coragem de tirar as mãos do rosto. Bezerra insistia: “Você não quer ver? Olhe, eu estou ferido”.
BEZERRA BOTOU SEU FEITO EM LIVRO
Quando me levantei, os soldados já estavam no quarto, muito alegres, jogando uns nos outros, perfumes encontrado com os cangaceiros. Dançavam e cantavam “Mulher Rendeira”. Eu tinha uma sensação estranha, um arrepio me passava pelo corpo todo. Minha filha no berço e os soldados dançando e cantando em volta dela.  Tudo cheirava a suor e a perfume. Aquilo me sufocava. Peguei a minha filha e corri para a sala. Lá, uma tia minha, vendo o meu sofrimento, agarrou a menina e a levou para a sua casa. Foi então que me acalmei e passei a tratar dos ferimentos do meu marido e dos seus comandados. Lá fora, a cidade inteira dava tiros para o ar, cantava e comemorava a morte de Lampião. Nossa casa foi invadida. Todo mundo queria ver as cabeças decepadas. Bezerra, mesmo ferido, gritava e dava ordens pedindo que passassem um telegrama para seus chefes, contando que o Cego estava morto. Depois, olhou para mim e disse: Quero ver se você se lembra da cara de Lampião. Quando menina, você o conheceu, não é verdade?

O cheiro de sangue agora dominava o ambiente. Espalhados pelo chão se achavam os apetrechos dos cangaceiros. Onze cabeças decepadas se apoiavam ao chão contra a parede. Uma delas era a de Maria Bonita. A seu lado estava a de Lampião, com uma expressão de desespero. Naquele momento, me lembrei de seu rosto. Quando o vi pela primeira vez, eu tinha 11 anos. Então em estava na Fazenda Lagoa dos Patos, de meu pai, o Coronel Antonio Menino, o homem mais importante da região. Eu gostava muito de montar a cavalo e de visitar as fazendas próximas. Num desses passeios, fui parar na Fazenda do Poço. Aí percebi que havia festa na casa grande. Parei no pátio e vi homens rindo e conversando, sentados num banco. Não me interessei por eles. Fiquei olhando pela janela o pessoal que dançava dentro de casa. Era muito bonito o arrastar de pés daqueles homens, acompanhando o ritmo de um xaxado. De repente, um dos quatro que estava no banco pegou as rédeas do meu cavalo, me olhou e disse asperamente: “Saia daqui e não volte menina!”. Não gostei daquela maneira de me tratarem e olhei-o bem nos olhos. Ele, vendo que eu não o obedecia, chicoteou o animal com violência. O cavalo disparou e só parou quando chegamos em casa. Agora eu via novamente a cabeça daquele homem, Lampião. Disse comigo: “Nunca mais vai haver Lampião” Sentia um grande alivio.
Depois, seguimos para Maceió, onde as cabeças decepadas pelos soldados foram entregues ao comandante da Polícia Militar. Finalmente, começamos a viver com mais tranqüilidade. Bezerra foi nomeado delegado regional em São José da Lage, onde ficamos durante vinte anos. Enquanto ele foi vivo, procurei sempre apagar aqueles fatos da minha mente. Nunca falávamos dos tempos do cangaço. Sua recompensa foi uma viagem ao Rio de Janeiro, onde Bezerra se encontrou com o Presidente Getúlio Vargas. Depois, caiu no esquecimento. Tudo o que disseram sobre ele se baseia em mentiras, em acontecimentos deturpados. Até o filme sobre o cangaço foi feito de inverdades, mostrando os soldados como se fossem bandidos. Não “perdoo esta injustiça feita ao meu marido, que sofreu tanto para acabar com o cangaço no Nordeste”.
O Capitão João Bezerra, em seu livro: “Como Dei Cabo de Lampião”, editado em 1940, nega ter pessoalmente cortado as cabeças dos cangaceiros. Em certo trecho ele conta que após os soldados trocarem tiros com os cangaceiros ele ouviu a voz de um deles: “Capitão! O Cego morreu e Maria Bonita também!”

O local onde estávamos oferecia grandes dificuldades para sairmos e transportar o soldado morto e o ferido. Embora com sacrifício, devíamos levar o morto e não enterrá-lo ali.

Quanto aos bandidos, o problema se apresentou mais difícil. Se fosse apenas um, poderíamos conduzi-lo, mas se tratava de onze. O único meio de transportar para esses corpos seria as costas dos soldados. E eles não comiam há três dias, a não ser rapadura com farinha. O sol já estava alteando e as dores me chegaram mais e mais. (Bezerra tinha sido ferido na mão e na perna).

Resolvi seguir na frente e deixei o resto a critério do meu auxiliar direito. Atingi a beira do rio, conduzido por dois soldados. Momento depois chegava o aspirante, com o resto da tropa e com as cabeças decepadas. No começo eu quis reclamar, mas ele se justificou dizendo que o soldado morto e o ferido já pesavam muito e mais pesavam ainda os cangaceiros. Todos os soldados vinham carregados com os apetrechos dos bandidos.

Assim, a condução dos corpos seria impraticável. Para transpor uma das barreiras, único lugar de acesso à beira do rio, fora preciso botar no chão, por duas vezes, os corpos dos soldados... Fazer isso com os bandidos seria impossível. Por isso, dei razão ao tenente que trazia a cabeça dos vencidos. Mesmo porque precisávamos dar ao público uma prova de que os cangaceiros realmente haviam morrido. “É necessário lembrar que a degola foi feita em corpos mortos”.
Um abraço a todos, e façam uma boa leitura. Após, postem seus comentários.

IVANILDO ALVES DA SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

A Polícia, a ordem ferida e o crime organizado.

Por: Archimedes Marques
A extrema ousadia do tráfico dos morros do Rio de Janeiro ao abater um helicóptero da força policial, trouxe à tona mais uma vez a problemática antiga, a ferida crônica de difícil extirpação, que é sem sombras de dúvidas, a questão do crime organizado, raiz do tráfico de armas, do tráfico de drogas, de todos os outros crimes subseqüentes, do descrédito do povo na sua Polícia, no Ministério Público, no Judiciário, nas autoridades dos poderes constituídos, nas leis do Brasil que se mostram ineficazes para debelar este violento e preocupante problema.
Objetivando buscar as origens da dura e triste real problemática, necessário se faz voltarmos um pouco no túnel do tempo e relembrarmos fatos que apesar de terem ficado para trás fazem essa deprimente e vergonhosa história de violência e descaso estatal para com o povo na sua trajetória de sofrimento.
O crime organizado subiu os morros e instalou-se nas favelas das cidades metrópoles do Brasil, em especial, no Rio de Janeiro, com a ascensão do tráfico de drogas no início dos anos 80 e, na contramão, o Estado desceu. Desceu e abandonou o seu povo à própria sorte. Desceu e deixou que o tráfico fizesse as suas vezes de comando e administração das comunidades, que o tráfico fizesse as suas leis, que o tráfico se proliferasse feito epidemia, com isso foram nascendo e crescendo os poderes paralelos através do aparecimento e surgimento das diversas facções criminosas.  
O trafico foi se fortalecendo cada vez mais e arregimentando sempre um maior número de adeptos para as suas facções criminosas. O grande traficante através do seu poderio financeiro e repressivo passou a ser conhecido e respeitado por todos como sendo o rei do morro. O tráfico passou a funcionar nas diversas comunidades como se fosse uma espécie de governo ditatorial paralelo ao nosso Regime Democrático do Direito, ou seja, um poder paralelo.
A ferida crônica, o câncer verdadeiro chamado crime organizado que corroe a ordem constitucional, cresceu de forma vertiginosa se espalhando por todo lugar e atingiu de maneira infame a cidadania e a paz interna do nosso país.
Essa doença crônica que hospitaliza a esperança pela paz, pela dignidade do povo brasileiro, esse vulcão em constante erupção vomitando lavas incandescentes de tráficos, seqüestros, latrocínios, roubos, homicídios, crimes de todos os tipos e corrupções em todas as áreas, urge de soluções imediatas, constantes, concretas e efetivas para o seu saneamento, sob pena da nossa geração futura sofrer conseqüências ainda piores do que estamos a viver.
Assistimos há poucos anos atrás, mais de perto, nos anos 1994/95, o Governo Federal auxiliar ao Governo do Rio de Janeiro enviando as tropas do Exército brasileiro para tentar resolver a problemática do tráfico de drogas nos morros e favelas daquela cidade, usando somente da força, usando da violência legítima do Estado contra os recalcitrantes, contudo, muitas e muitas injustiças e mortes foram praticadas contra pessoas inocentes. As faltas do tato policial, da experiência policial, do manejo policial aliados às ausências de boas informações e dos próprios setores de inteligência fizeram com que os bem intencionados soldados do Exército brasileiro não cumprissem as suas missões a contento e assim os projetos restaram inócuos.
É preciso que se repensem os atos e fatos antecedentes e subseqüentes a tais ações, é preciso também que se repensem as nossas Leis. Precisamos de Leis mais rígidas contra o tráfico, contra o crime organizado. Precisamos de procedimentos Judiciais mais rápidos, ágeis, menos burocráticos e desprovidos de tantos recursos. Precisamos de igual modo extirpar de vez do Poder público todos os funcionários comprovadamente corruptos e que dão suporte com as suas parcelas de contribuição para o fortalecimento do crime organizado.
Conclui-se assim que houve na realidade a privatização da soberania, um poder paralelo, porque o Estado perdeu o controle da situação, mas, tudo isso pode perfeitamente mudar, basta haver a verdadeira vontade política com bons projetos, com mudanças de leis, com as mãos dadas entre os três poderes, com a limpeza e saneamento no funcionalismo público efetivamente e comprovadamente corrupto, com o resgate da dignidade policial principalmente no que tange ao seu salário, com o fortalecimento dos setores de Inteligência dos órgãos de combate ao tráfico, ao crime organizado, com o envolvimento real da sociedade nesta luta. Com toda esta somatória podemos recuperar a soberania do Estado para que a ordem pública ferida seja restabelecida e sempre respeitada por todos.

Autor:
Archimedes Marques (delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br

http:blogdomendesemendes.blogspot.com 

Quão lindas e fraternas são suas palavras... Parabéns!

Por: Juliana Ischiara
Comentário de Juliana Pereira Ischiara sobre o artigo: "Acredito nas pessoas... sempre vai valer a pena", escrito por Manoel Severo, do "blog Cariri Cangaço"
http://cariricangaco.blogspot.com/2011/11/acredito-nas-pessoassempre-vai-valer.html
Amigo e irmão Severo,


Quão lindas e fraternas são suas palavras... Parabéns!
Eu também acredito nas pessoas, acredito na amizade, no amor ao próximo, no poder e amor de Deus. Acredito que o perdoar e o estender a mão, faz bem a quem concede e a quem recebe. Fazer o bem, abraçar, beijar, dizer: estou com saudade; sinto sua falta; eu te amo; você é meu amigo; conte comigo; eu confio em você; eu estou aqui; somos mais que irmãos, somos amigos, estou torcendo por você..., são frases que sempre valerão a pena serem ditas, sempre!
Severo, todos nós que fazemos parte deste grupo que hoje o denominamos de a grande família cariri cangaço, sabe e reconhece seu esforço, sua luta e dedicação para que este espaço seja cada vez melhor, mais qualificado e acolhedor. O propósito desde o começo foi defender nossa cultura, a história e a memória de nosso povo, sem nos esquecermos, porém, de promovermos a paz, o amor e a fraternidade entre nossos amigos e irmãos.
Nossos debates nunca tiveram como intento desrespeitar a quem quer que seja, tendo o respeito, prioridade máxima em nossas discussões.
Estamos aqui, para somar, compartilhando com todos, o resultado de nossos estudos e pesquisas, imprimindo neste espaço, nossas impressões, sentimentos, discordando, concordando, elogiando, incentivando, pedindo desculpas e desculpando, agradecendo e principalmente torcendo pelo outro.
Fazemos o bem e nos protegemos das coisas negativas, apenas com um sorriso, uma palavra, um beijo, um abraço, uma oração… Somos pessoas que erram e acertam, aprendem mais do que ensinam, compartilham seus sonhos…
Pessoas que estão aprendendo a ser melhor enquanto ser humano, indivíduos desprovidos de preconceitos. Somos de todos os tipos, cores, credo e religiões, somos homens, mulheres, ricos de amor, pobres de arrogância e prepotência..., simplesmente humanos, nem sempre temos certeza de tudo, mas acreditamos no que fazemos. Pessoas comuns e especiais umas para as outras, somos transparentes, amigos, espontâneos, sérios, malucos, cantores, artistas, escritores, tagarelas, calados, sabido, ingênuos, sinceros, brincalhões, arengueiros, zangados, engraçados, cangaceiros, coiteiros, volantes, temos até um Bin Laden, só não temos ANÔNIMOS...

Por isso, caros anônimos que nos visitam, saiam do anonimato, venha fazer parte deste grupo de amigos que carinhosamente chamamos de família cariri cangaço.

Saudações a cangaceiras e caatingueiras

Juliana Ischiara
Conselheira do Cariri Cangaço
Diretora do GECC
Sócia da SBEC



O Amigo Severo é um ponto de Luz nesse mundo de trevas.

Por: Capitão Alfredo Bonessi
Caro Amigo Severo:
 
Importante são tuas colocações sobre a Comunicação. Um tema profundo e para   sérias reflexões. A comunicação na natureza extrapola os nossos sentidos. Todos os seres se comunicam.
O leão, considerado  a fera mais perigosa,  ruge de amor.  Todos os animais se comunicam de uma maneira ou de outra. Saber, entender e decodificar os sinais de comunicação  transmitidos entre os seres  é algo espetacular.  
Os seres humanos desde a pré-história  deixaram  desenhados em cavernas  alguma forma de comunicação para serem interpretadas  pelas futuras  gerações.
O surgimento das diversas línguas deu-se, segundo a Bíblia, na construção da Torre de Babel, uma alegoria referente a prepotência do homem mortal em alcançar a Deus.
O trinado dos pássaros, gorjeios  e arrulhos são manifestações de alegrias e de amor.
O barulho das ondas do mar, os ruídos  das águas que despencam das cascatas, os trovões das nuvens carregadas,
os estrondos das lavas de um vulcão que sobem as alturas – tudo isso podem ser interpretados como uma forma de comunicação.
Se os seres humanos não sabem se comunicar como deviam, não se entendem, como fazer para que o progresso da humanidade  não sofra com os diferentes tipos de comportamentos humanos?
Para isso Deus é perfeito em tudo e nos deu a consciência  como tribunal mundano, e um coração, e um pensamento para nos comunicarmos com Deus.  O coração e o pensamento não só servem para nos comunicar com Deus, mas também com todas as coisas que nos rodeiam, principalmente com outras  pessoas, daí a importância de  enviarmos  a todos os nossos  amigos e amigas pensamentos bons e de amor, de paz e de prosperidade e de amizade.
Nada se perde na natureza e tudo fica registrado no grande livro do destino e da vida, até mesmo os nossos pensamentos- livro esse que após a nossa morte será  aberto, lido e contabilizado entre bem e mal, e cujo conteúdo se bom ou ruim  selará nosso destino para sempre.
Temos vistos pessoas rotuladas como místicas, videntes, religiosas, poderosas - que adivinham a vida  e o destino das outras  pessoas, mas não adivinham o seu -  a subirem montanhas para se harmonizarem, para entrarem em contado com Deus-  eu simplesmente dou risadas para isso.
Ora, se  Deus se comunica conosco pelo pensamento e mora no interior do nosso coração, para que sair do lugar onde estou? – Onde eu estiver, seja qual seja a minha condição e situação, a Felicidade, a Alegria e a Paz estarão sempre ao meu alcance – e Deus estará sempre presente.
Se Deus está no interior de cada coração, então somos todos iguais perante Deus; se todos os corações estão harmonizados  com Deus infinito, então somos um com criador.
Deus é amor, e portanto,   somos amor - todos devemos praticar o amor e deixar de lado as vaidades, as antipatias, as ganâncias, os maus pensamentos,  e distribuir  o amor, a alegria e a felicidade porque:
 “o amor é a única coisa que se multiplica, quando se divide” (Bonessi)
Então meus amigos, quando vires alguém orgulhoso, vaidoso, prepotente porque detém algum cargo público mundano, ou é abastado de riquezas materiais, ou porque escreveu vários livros, se julga sábio,  e pensa que está acima de todos – tenha pena dele – porque com certeza essa pessoa está afastada de Deus.  “ mestre é aquele que aprende e não o que ensina” -  “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece” -  Quem tem Deus no coração é amigo sincero, divide conhecimento com o único objetivo de engrandecer a cultura das pessoas, reparte  de bom agrado aquilo que sabe, esclarece as mentes que estão duvidosas direcionando-as  ao caminho certo, estende a mão amiga a quem precisa e socorre com atenção quando se é procurado – exemplo de Jesus – sabendo pela virtude que “cada alma que se eleva, eleva o mundo”.     
Saber se comunicar é uma  arte, e assim como o artista busca exprimir em seu trabalho a perfeição, o escritor em seus escritos,  o poeta em seus versos, os amigos em suas amizades, o Cariri Cangaço procura nos unir ao redor de um ponto de luz nesse mundo de trevas  e aflição: esse ponto de Luz chama-se Manoel Severo e sua brilhante obra.
Assim Seja
Alfredo Bonessi – SBEC - GECC
Enviado pelo autro: Capitão Alfredo Bonessi

Acredito nas pessoas...sempre vai valer a pena


Quando estamos dispostos a fazer, mesmo que uma simples reflexão a cerca do que representa a comunicação, vamos nos deparar sem dúvida nenhuma com uma das mais concretas constatações: Que maravilha! Na verdade a comunicação é um grande presente de Deus; para quem acredita em Deus; eu, não só acredito, como respeito e amo. Pois sim; voltando à comunicação; esse instrumento maravilhoso que é o presente da comunicação, concede sentido à vida, torna tudo mais prazeroso, compartilha idéias, conhecimentos, impressões, aproxima sentimentos, pessoas, vidas, almas.

...sempre vai valer a pena!

A internet entrou de vez na vida de todos, em menor ou maior grau, acabamos todos fazendo parte de uma grande e universal família, onde as distâncias e as limitações geográficas foram deixadas para traz e essa tão cantada "comunicação" agora não conhece fronteiras. Os emails, as redes sociais, os sites, blogs, portais, enfim; acabaram no colocando em um mesmo caldeirão.

Nosso humilde espaço cariricangaco.com  nessa fantástica globosfera digital, também nasceu com esse sentimento: congraçamento, encontro, celebração. Congraçamento, encontro e celebração de uma grande família, a família Cariri Cangaço de todo o planeta. Por aqui passam e se abancam todos, grandes e  anônimos pesquisadores, escritores de uma, duas ou mil palavras, curiosos, atentos, desatentos, amantes e amados, tanta gente, que passaria o dia tentando adjetivar.


Aqui, nosso objetivo principal não é trazer apenas a informação, mas, e sobretudo, é traduzir sentimentos. Muitos não compreendem isso e até se aborrecem. Lamento. Não vamos abrir mão de dizer que adoramos e torcemos por nossos amigos, não vamos abrir mão de dizer a todo instante que vale a pena acreditar nas pessoas, em suas qualidades, em seus talentos e acima de tudo em seus sonhos... E que aqui, é e sempre será um lugar onde todos podem, e devem sentir-se em casa.
Apreciar ou não um estilo literário, concordar ou não com um texto, assimilar ou não uma idéia, acreditar ou não em um relato, são próprios da condição e da dinâmica de nossa racionalidade, intelectualidade, convicções, é o que faz a vida ter sabor; as diferentes cores do arcoiris é que fazem no céu o espetáculo. Infelizmente ainda temos companheiros que não conseguem perceber que não há mais espaço...nem tempo, para o terrível desperdício da vida!


Aqui temos grandes textos, matérias e artigos sensacionais, mas quando postamos um pequeno recado, um simples comentário que seja, uma fotografia de um ou de muitos, juntos e misturados, solitários ou sorridentes, na verdade queremos dizer: Que saudade! Saibam que estão e estarão sempre em nosso coração e que essa nossa caminhada em defesa da história, memória e tradições de nosso chão, das nossas raízes, vale a pena.

Por favor, compreendam que esse espaço foi construído; apesar de nossas inúmeras e enormes insuficiências; com o sentimento de harmonia e união, amamos nossos amigos e estamos aqui apenas por eles: E  são muitos; uma média de 1.100 visitas por dia; assim, em respeito a esses mesmos amigos, esse blog permanecerá sempre com a mesma linha de quando foi criado: Despretensiosamente leve, responsável e respeitoso, abrangente e acima de tudo, apaixonado por seus leitores.

Manoel Severo 
Curador do Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com/
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Doutor Amaury, pesquisador, escritor e gentleman

Antônio Amaury e Sousa Neto

Desde muito tempo recebi do amigo Leandro Cardoso um convite a ir a São Paulo visitar o mestre Antonio Amaury, em minha opinião, o maior expoente nacional no estudo da temática cangaço. A receptividade do ilustre casal Amaury e Renê já era propalada por todos como irreparável e sem igual.Procurei nessa ultima edição do Cariri Cangaço me aproximar mais dessa figura tão inspiradora e gentil e beber um pouco dessa fonte sublime. Foi ai que recebi do próprio o convite para fazer uma visita a sua casa e conhecer o seu vasto acervo.
Aproveitando-me de uma viagem do amigo Leandro e família a São Paulo fiz as malas e parti. Não pude suportar a ansiedade e antes mesmo da chegada do amigo Leandro lá estava eu a bater a porta daquele homem manso e Cortez.  Foi para mim um privilegio indescritível ouvir daquele que tanto me inspirou dizer: “Sousa Neto quanta honra recebê-lo em minha casa”. Parecia não está acreditando.Durante alguns dias em São Paulo a tarde era sagrada, lá estava-mos na casa do Dr. Amaury que abriu além do seu coração, a sua série de mais de sete mil entrevistas feitas durante cinco décadas. Entre tantas, Leandro e eu pedimos para ouvir Sinhô Pereira e Cajueiro (Seu Francisco e Quinzão) foi arrebatador! Jamais pensei ouvir a voz desses dois personagens tão estudados por mim.

Sousa Neto, Antônio Amaury e Sousa Neto

Buscamos ver ainda algumas obras raras, objetos da coleção do grande pesquisador. Tudo estava a nossa disposição como afirmava esse gentleman, esse paulista mais nordestino que conheci. Foi realmente inesquecível! Agradáveis tardes em São Paulo ao lado de dois formidáveis escritores.Quero aproveitar e fazer aqui um agradecimento ao Dr. Leandro Cardoso, pessoa extremamente carismática e em especial ao nosso anfitrião Dr. Antonio Amaury por nos dar esse prazer inolvidável.  

Caro Severo e amigos do Cariri Cangaço; desse encontro algo vai nascer. Preparem-se para conhecer ainda mais a Saga de Sinhô Pereira por Dr. Antonio Amaury, Dr. Leandro Cardoso, Dr. Napoleão Tavares e Sousa Neto.


Um abraço a todos!
Sousa Neto

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A cor do meu sangue (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

A cor do meu sangue


Que medo é esse?
mas ora não se espante
com o meu sangue
com a cor da cor meu sangue
assim tão vermelho sol
assim tão fogo e brasa
assim tão rio e vulcão
assim taõ apenas sangue
sangue de cor sertaneja
por isso vermelho retinto
como nascido do instinto
saciado e tão faminto
pela paz e pelo lutar
para viver e não morrer
por isso não tenha medo
que na veia não há segredo
apenas um sangue
riacho e rio correndo
que vai mudando de cor
se na curva do leito
espera o amigo ou inimigo
acenando ou de tocaia
abraçando ou mirando
para saber da cor
do sangue que sempre será
da cor que o outro
queira sem medo encontrar.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

CANTIGA PARA CHOVER (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

CANTIGA PARA CHOVER

Hoje o dia inteiro foi de chuvisco e chuva. Em alguns momentos chegou a cair um verdadeiro toró, ocasiões que me deixava muito contente mesmo, pois talvez eu seja a pessoa que mais goste de ver e sentir a chuvarada cair, bater na vidraça, tocar no telhado, lavar as ruas tão sujas de tudo.
Agora que já é noite e desde o finalzinho do entardecer que não há nenhum sinal de que a chuva voltará com sua esperada força noturna, mas de vez em quando levanto do meu cantinho e vou até a porta olhar o tempo lá fora, observar as nuvens, verificar se a lua está totalmente brilhante ou se esconde febril, com medo da molhação que virá.
Verdade é que ainda estou esperançoso de que o tempo mude, de que o horizonte fique ainda mais enegrecido e as nuvens carregadas comecem a tomar conta de tudo lá em cima. Na minha vida, bastaria ouvir os sons das chuvas caindo e pronto, já me sentiria realizado porque esses toques cadentes cortando o silêncio me povoam de tal forma que de repente me sinto também enxurrada de sentimentos e relembranças.
Talvez pensem diferente, é verdade. Nem sempre gostam de chuva, odeiam quando o tempo começa a mudar, principalmente num final de semana com tantas opções para sair por aí e curtir a noite, como dizem. Há o passeio na orla, os bares nos espaços abertos, as festanças nas calçadas e tantas outras festas em outros lugares. A chuva só iria complicar a vida dessas pessoas, fato que não ocorre comigo simplesmente porque sou de casa, caseiro, pessoa da porta pra dentro.
Por favor não me vejam enclausurado, afastado do mundo lá fora, fechado nas quatro paredes do meu pensamento e cujas chaves pra qualquer porta estão todas guardadas nas pontas dos meus dedos, diante de cada letra do teclado. Mas não posso negar que não gosto de sair por aí sem um grande motivo, não arredo o pé do meu barraco a não ser para os compromissos profissionais e caminhadas descompromissadas.
Para outra coisa não, pois prefiro sempre ficar em casa. Ademais, não gosto de festas, não danço, já há tempo que não bebo nem vinho, não gosto de estar em meio de multidões, me sinto mal quando tenho de estar ladeado por pessoas cheias de brilho e pobres de espírito. Por isso mesmo só freqüento as igrejas quando elas estão calmas, silenciosas, somente com o barulho das asas dos anjos ou o murmurejar de alguma pecadora sendo repreendida lá no confessionário.
Por tudo isso gosto sempre de estar em casa, e ser for à noite e estiver chovendo melhor ainda. Como afirmado, não há mais coisa mais sublime e cativante do que ouvir o barulho da chuva, cortando o silêncio, se derramando solenemente ou voraz em meios às sequidões das noites e da vida. Se levanto e vou estender a mão e sentir os pingos que caem, encontro o maravilhoso espetáculos das águas se derramando pelas paredes, correndo pelas ruas, encharcando um monte de coisas.
A chuva é tão cativante, tão essencial e tão reveladora dos sentimentos que muitas vejo pessoas saindo pelas ruas de braços abertos, se molhando cheias de alegria, tomando banho de chuva como se fossem crianças, numa felicidade tamanha que as fazem pular, cantar, ensaiar passos de danço, rodopiar de prazer.
E as chuvas que lavam as ruas, refrescam as noites, tornam mais românticos os enamorados, também têm o dom de provocar verdadeiras revoluções no espírito, no coração, nos sentimentos. Eis que vem uma tristeza imensa, uma saudade boa, uma vontade danada de ter o amor ali ao lado para mentir que sente frio e ser abraçado e amado. E talvez levante e vá até a janela desenhar um nome e o coração, abrir um pouquinho e deixar as gotas se confundirem com as lágrimas nos olhos.
Estou indo novamente lá fora. Só que dessa vez vou lá à porta do fundo, onde a noite é mais escura e é mais fácil cantar a cantiga da chuva que minha avó me ensinou. Mas canta-se em silêncio, apenas olhando pra cima de braços abertos, já sabendo que vai se molhar quando a chuva cair. E depois que cai o primeiro pingo a pessoa canta a cantiga da meninice, pois já é criança, tomando banho nu ali no quintal.
Poeta e cronista
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