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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Para não esquecer - Quem é esta cangaceira?


A revista Fatos & Fotos de dezembro de 1962, apresentou algumas fotos relativas ao cangaço e seus personagens. A foto acima, sinceramente me intriga, estou com dificuldade de identificar a “cangaceira que posa com Luis Pedro”.

Em sua opinião como estudioso do cangaço, quem seria essa cangaceira? Ajude, comente.

Um abraço a todos, e, obrigado.
Ivanildo Silveira
Colecionador do cangaço
Respondeu o escritor João de Sousa Lima
Na íntegra:
Essa cangaceira é a Maria, de Pancada, no momento dessa foto estavam
Durvinha,
 
Maria de Pancada
e Nenê de Luiz Pedro.
As outras duas são bastantes conhecidas e essa imagem faz parte do filme do Benjamin, momento onde aparece os cangaceiros dançando.

Fontes: Orkut
Lampião Aceso

Lembranças de Vingt-un - 21 de Dezembro de 2011

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Hoje, 21 de dezembro de 2011, está completando seis anos do falecimento do mestre Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.
Para mim é um dia de recordações tristes, pois o meu relacionamento com Vingt-un era como se fosse de pai e filho. Foi através dele que cheguei ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte como sócio correspondente, tomando posse juntamente com sua esposa, a
professora América, de saudosa memória, e do companheiro Rubens Coelho. Foi por sugestão sua que meu nome foi escolhido para nomear a Biblioteca do hotel Sabino Palace, de Mossoró. Guardo com carinho a cópia do discurso que ele fez na noite de inauguração da Biblioteca, cheio de palavras carinhosas e incentivadoras. Mesmo se passando seis anos da sua morte, sua imagem permanece nítida no coração dos que tiveram a graça da sua amizade. 
Em 25 de setembro de 1920, num dia de sábado, nascia em Mossoró, num velho casarão da Rua 30 de Setembro, Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, sendo filho do patriarca Jerônimo Rosado e dona Isaura Rosado Maia.
Era o vigésimo primeiro filho de uma família numerosa e numerada, como ele mesmo gostava de dizer, já que seu nome vem exatamente da seqüência à ordem numérica francesa dos nomes que Jerônimo Rosado dava aos filhos. 
Teve uma infância normal, de brincadeiras telúricas, embora dando a impressão de ser um pouco contemplativo. Desde cedo se dedicou aos empreendimentos intelectuais, preferindo acompanhar a atividade do irmão mais velho,
Tércio, filho do primeiro matrimônio do seu pai, que era um homem culto, poeta, amante dos livros e pioneiro do cooperativismo no Estado. E foi ainda na juventude que começou a cultivar o gosto pelos livros e pela pesquisa histórica. Na adolescência atuou como bibliotecário no Colégio Santa Luzia. E esse gosto pelos livros o acompanharia durante toda a sua vida. 
Em 1940 parte para Lavras/MG para estudar agronomia. Lá chegando, o seu envolvimento com os livros, as letras e a pesquisa tornaram-se mais intensa. Concluindo o curso em novembro de 1944, voltou para Mossoró para desenvolver atividades junto à empresa familiar que atuava na área de exploração de gesso e paralelamente começou a desenvolver um trabalho no campo cultural, que culminou com a criação da Coleção Mossoroense. 
Apesar de pertencer à tradicional família de políticos que comanda Mossoró por gerações, preferiu enveredar mesmo pelo caminho da cultura. Na verdade, chegou mesmo a disputar dois cargos eletivos. A primeira vez candidatou-se a Prefeito de Mossoró, perdendo por uma margem de 0,4% em 1968. Em 1972 elegeu-se vereador com a maior votação proporcional da história de Mossoró. Mas foi mesmo na área cultural que se destacou, tornando-se ícone da cultura local. Em 1940, com apenas 20 anos, publicou o seu primeiro livro, que recebeu o título de “Mossoró”. A esse, seguiram mais de duzentos, que foram da antropologia ao estudo das secas. 
Como convocado de guerra em 1945, sofreu uma punição por transgressão disciplinar, ficando detido na cadeia da Companhia Escola de Engenharia de Ouro Fino/MG, por 15 dias. O motivo da pena foi ter fugido para encontra-se com sua namorada,
América Fernandes Rosado, que seria sua companheira por toda a vida. Segundo um depoimento do próprio Vingt-un, ao terminar a carreira militar, o seu comportamento foi considerado insuficiente. 
Vingt-un esteve sempre presente em várias frentes de atividade cultural, tanto no município como no Estado. Foi professor fundador de três faculdades e idealizador da URRN, hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Foi fundador e duas vezes diretor da ESAM, hoje Universidade Federal Rural do Semi-Árido e professor Honoris Causa da UERN. Integrou o Conselho Estadual de Cultura, foi membro de quatro Academias em dois Estados da Federação, tendo sido criador e ex-presidente de duas delas, a Academia Norte-rio-grandense de Ciências e a Academia Cearense de Farmácia. 
Jerônimo Vingt-un Rosado morreu no dia 21 de dezembro de 2005, aos 85 anos de idade. Morreu não; encantou-se. Continua vivo na memória do povo da terra que tanto amou, ao ponto de idealizar nela um país, o País de Mossoró. Nesta sua Pasárgada, ele era amigo do rei, mas era amigo também de qualquer homem do povo. Fez-se General da Cultura e nessa área abraçou várias causas, venceu várias batalhas: a batalha da cultura, a batalha da água, a batalha do petróleo e tantas outras batalhas que estão documentadas na sua grande obra. É nessa obra que deixou como legado que Vingt-un vive, pois esse é o segredo da imortalidade: ressurgir sempre que um livro seu é aberto, que uma frase sua é repetida e que um gesto seu é lembrado. Lembrando Celso Carvalho, “é triste passar pela vida como a sombra pela estrada. Quando passa é percebida... passou não resta mais nada”. Por isso Vingt-un fez-se luz. E assim criou o País de Mossoró.

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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

CAROS AMIGOS PESQUISADORES E ESTUDIOSOS DO CANGAÇO

Por: Archimedes Marques

CAROS AMIGOS PESQUISADORES E ESTUDIOSOS DO CANGAÇO:

 
Indignado com o livro LAMPIÃO, O MATA SETE, pretendia eu apenas escrever um artigo criticando a "obra", entretanto, agora que comecei a ler o livro e devido as tantas aberrações que estou encontrando pela frente, então resolvi ESCREVER UM LIVRO CONTESTAÇÃO. Tal livro não visa ganho financeiro algum, pois se eu resgatar o que vou gastar já me dou por satisfeito... Assim, o meu objetivo, o objetivo do livro é apenas contestar todas as alegações absurdas do autor Pedro de Morais e mostrar para o crivo público o quanto ele está errado nas suas alegações que pretendem sobrepor as pesquisas de centenas de escritores, que pretendem superar mais de mil livros escritos como se ele FOSSE O DONO DA VERDADE (e o pior é que muitos acreditam nele mesmo com suas provas subjetivas e inócuas), mas para tanto, também preciso da ajuda de todos vocês. Uma ajuda que consiste em me encaminhar um ou dois parágrafos de crítica ou entendimento sobre toda a problemática que vem causando o referido livro, que obviamente serão publicados com os devidos créditos no meu livro. Tal pedido é de suma importância que seja aderido pela maioria dos componentes do CARIRI CANGAÇO E ADJACENCIAS, pois além de engrandecer o livro, pois vocês são estudiosos e grandes pesquisadores do tema há muitos anos, os VERDADEIROS VAQUEIROS DA HISTÓRIA, como bem definiu os amigos
Alcino Alves Costa e João de Sousa Lima e eu somente um estudante do cangaço.
Visa também e principalmente mostrar que HISTÓRIA SE FAZ SEMPRE BASEADA EM FATOS REAIS, OU PELO MENOS PRÓXIMA AO REAL, não em fatos imaginativos e difamatórios aos seus personagens, embora entenda eu que se FOSSE VERDADE QUE LAMPIÃO ERA HOMOSSEUXUAL DE NADA MUDARIA A SUA HISTÓRIA, entretanto, por não haver possibilidade alguma de tal alegação ser verdade, pois ninguém conseguiria enganar tanta gente durante tanto tempo, muito menos ainda haver um suposto TRIÂNGULO AMOROSO ENTRE
ELE COM SUA AMADA MARIA BONITA E SEU COMANDADO CANGACEIRO
LUIZ PEDRO, então, em busca da justiça e em busca da VERDADE ABSOLUTA é que pretendo com a ajuda de vocês, ESCREVER UM BOM LIVRO CONTESTAÇÃO.

Aceito sugestão também quanto ao título do livro pretendido.
Aguardo resposta.

Archimedes Marques

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, Dr. Archimedes Marques

Professor antropólogo e historiador baiano Edson Argôlo em sua tournée nordestina passa uma manhã inteirinha no "Portal do Cangaço da Bahia".

Por: Guilherme Machado


O historiador Edson Argôlo, em sua Tournee Nordestina faz ima longa e demorada visita ao Portal do Cangaço de Serrinha. Anônimo, Edson me contou que perambulou quase todo o centro da cidade a procura de informação do Acervo, e não obteve sequer uma só Informação. Salvo conduta de uma Lan house, que o informou que o procurasse, a Eletrônica Videotran do meu amigo Zelito. O teimoso e bom Papai Noel, Edson, saiu em busca da Videotran e a encontrou. E assim conseguiu chegar ao Museu. Já chegou se queixando do descaso do Poder Público pela falta de Informe Turístico. O professor me falou que em Recife, Maceió, Aracaju de onde ele veio para Serrinha, às pessoas confirmava a existência do Acervo de Serrinha. Levou um susto pela desinformação do povo da cidade.
De uma cidade de quase oitenta mil habitantes... Depois do almoço e da varredura, que fizemos nas vidas de Luiz Gonzaga, Lampião e Padre Roberto Landell de Moura, o Padre Brasileiro Inventor do Rádio Comunicador, fomos conhecer, a bela e maltratada Serrinha. Passamos no Piemonte da Santa, Nossa Senhora Santana, passamos na antiga Estação da Leste Brasileira, Passamos pelo Mercado de Arte, e por fim nas maltratadas Praças do centro de Serrinha. Acima se vê Guilherme Machado, Luiz Carlos Argôlo, irmão do professor Edson, de cabelos e barba branca.

Fonte: Portal do Cangaço de Serrinha-BA.

Ilustre visita de Vera Ferreira, Neta de Lampião e Maria Bonita, ao Portal do Cangaço de Serrinha, onde Vera me contou quem foram os seus avós, Lampião e Maria Bonita, afirma Vera, Neta, com muito orgulho e muito amor.

Por: Guilherme Machado
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Vera Ferreira - Neta de Lampião e Maria Bonita
Vera Ferreira construiu sua própria história, independente de ser neta de Lampião e Maria Bonita. Foi a primeira cinegrafista mulher a empunhar uma câmera no Brasil, criou reboliço no Senado Nacional e hoje leva, no
peito e na raça, o projeto de manter vivo esse momento tão importante da história do Brasil que foi o cangaço. Mas também o que se poderia esperar dessa que é da "raça de Lampião" e tem como avó uma mulher que é exemplo da força feminina...
RAÇA DE LAMPIÃO!
Quando éramos crianças, ninguém chegava perto da gente. Só brincavamos com os nossos primos... Para as pessoas nós éramos "raça de Lampião" e vivíamos assim. Minha mãe teve quatro filhos, Dejair, Vera, Gleuse Meire e Iza Cristina, além de três bisnetas que são karla que faz faculdade em São Paulo, Cleudi que faz Arquitetura na Unit e Luana que é campeã brasileira de natação. Muita gente acreditava, ou acredita, que descendente de cangaceiro viria a ser bandido; e não se tem nenhuma informação que algum descendente de pessoas que estiveram no cangaço tenham tido problema com a justiça.
EXPEDITA AOS 21 DIAS
 Minha mãe, aos 21 dias de nascida, foi dada para ser criada por um casal, porque todas as crianças que nasciam no cangaço eram dadas, visto que não se tinha a menor condição de se ter crianças no bando. E foi assim que, até os oito anos de idade, minha mãe foi criada por Severo, que era vaqueiro, e sua esposa, Aurora. Depois ela foi para Propriá, para ser criada por João Ferreira, que foi o único irmão do meu avô que, por determinação dele, não entrou para o cangaço para tomar conta das irmãs e do irmão mais novo, que era Ezequiel. Aos dezesseis anos, minha mãe veio trabalhar em Aracaju e aos dezoito anos se casou.
VERA AOS TREZE ANOS
Aos treze anos de idade eu fui para São Paulo, junto com minha mãe, pela primeira vez, para um encontro de cangaceiros. Até então, eu não sabia nada da vida de meu avô, só sabia que éramos "raça de Lampião", e que as pessoas não gostavam disso.
Nesse encontro, em São Paulo, organizado pela autora do livro "Táticas de Guerra de um Cangaceiro", Cristina da Mata Machado, que conheci Dadá, Balão, Criança, Sila, Zé Sereno, Labareda e outros; eu fiquei impressionada como tratavam com respeito minha mãe e eu. Era como se meu avô estivesse presente. Foi então que eu prometi, pra mim mesma, que iria pesquisar e cuidar da memória dos meus avós.
DADÁ, MULHER DE CURISCO
Era uma mulher fantástica! Foi quem me esclareceu muita coisa sobre meus avós e o cangaço, ela tinha uma memória fantástica e muito detalhista, além de contar realmente os fatos, sem fantasiar, porque hoje em dia, ainda existem cangaceiros que fantasiam.
MULHER CINEGRAFISTA
Aos dezenove anos, casei e fui morar em São Paulo. Separei, fui para Brasília e comecei a fotografar. Daí para câmera foi um pulo, fui a primeira mulher, no Brasil, a empunhar uma câmera. Trabalhei na Rede Globo, Manchete, Bandeirantes, TV Sergipe e depois em produções independentes. Tenho muito orgulho de ter sido a primeira jornalista cinegrafista.
SAIAS, CALÇAS E SENADO
Eu fui designada pela Globo para trabalhar como repórter cinegrafista no Senado e lá mulher só podia entrar de saia. E como eu, com uma câmera de quase dez quilos no ombro, tendo que subir em mesa, nos ombros do meu assistente, poderia usar uma saia? Muitas vezes peguei o paletó do meu assistente, outra vez tranquei uma fotógrafa enorme dentro do banheiro para pegar a saia dela e fazer as imagens que eu não podia perder, até que o Moacir Dala me liberou para entrar no Plenário de calça.
MUSEU DO CANGAÇO...
Em 88 foi comemorado os cinqüenta anos de morte de Lampião e Maria Bonita, além de outros cangaceiros que estavam no momento da tocaia no coito. Então resolvemos criar um museu que seria uma homenagem aos meus avós e ao cangaço em geral. Montamos ele onde fica o Centro de Turismo de Sergipe, e esse museu tinha tudo para dar certo, porque em agosto daquele ano, que não é um mês forte para o turismo, tivemos 3.327 visitantes, que é mais do que tiveram os três museus daqui em três anos. Recebemos a visita de jornalistas da Bélgica, da Romênia e de outros lugares do mundo... Pena que o museu só funcionou 4 meses, em novembro caiu uma chuva forte e choveu através do teto e perdemos muitas coisas. Perdemos documentos históricos, fotos, armas...
O NOVO MUSEU!
Nós temos propostas de alguns lugares para fazer o museu, Alagoas, Bahia, o Shopping Rio Mar... Aqui a Emsetur nos ofereceu um lugar na Orla, mas já nos tirou, inclusive o Arquiteto Eduardo Carlos Magno, que projetou a planta do museu, disse que se o museu não for na orla, quem sairá perdendo é a própria Orla e, claro, Sergipe... Enfim eu sei que eu vou montar esse museu não sei aonde, gostaria muito que fosse aqui, mas acredito que seja preciso que as pessoas que estão a frente do governo percebam o quanto é preciso valorizar os acontecimentos históricos da sua terra.
ENQUANTO ISSO...
Uma parte do acervo está no Memorial da UNIT que fica na Av. 13 de julho, e pode ser visitado...
MAS NÃO DURA MUITO TEMPO!
Nós queremos muito montar esse museu aqui, mas não vou ficar muito tempo esperando que políticos percebam o quanto isso seria importante para o nosso estado. A minha familia não ganha nada com isso, muito pelo contrário, perde, porque temos que botar do próprio bolso para viajar, pesquisar e manter essa passagem histórica do Brasil que foi o cangaço... paciência tem limite.
AS QUATROS OPÇÕES DE LAMPIÃO!
Ele poderia calar, virar jagunço de um coronel rico, volante (polícia) ou cangaceiro... ele optou pela última, mas só quando o pai foi morto, que era um homem muito pacato e que se mudou quatro vezes para não brigar e foi morto assim mesmo.
MARIA BONITA!
A revista Desfile Internacional colocou as cem mulheres do século, minha avó estava presente, um encarte da Folha de São Paulo colocou as maiores mulheres brasileiras, minha avó estava presente, saiu agora na revista Cláudia as mulheres mais importantes, minha avó estava presente. Então acho que só isso basta para dizer qual a importância dessa mulher como referencial para as mulheres brasileiras e do resto do mundo.
DE VIRGOLINO A LAMPIÃO...
Quem escreveu o livro foi eu e Antônio Amaury, que é o maior pesquisador sobre cangaço que existe atualmente, com um trabalho de cinquenta anos dedicado a esse tema. A Dana Corporation foi quem patrocinou o nosso livro juntamente com o Ministério da Cultura, Através da Fundação Augusto Franco. e o que me deixou muito feliz foi que, durante dois meses, ele foi o mais vendido na Livraria Escariz e a saída continua muito boa. Lançamos agora em Porto Alegre, e estaremos fazendo outros lançamentos durante o ano todo...
O FILME?
Nós já fomos procurados por alguns diretores para comprar os direitos de filmagem do " Virgolino a Lampião" e estamos estudando a melhor proposta, porque chega de filme mentiroso sobre o cangaço... o único trabalho que é um pouco fiel foi um Globo Repórter Especial que se chamou " O último dia de Lampião’’...
LAMPIÃO, MENTIRAS E VERDADES...
Eu e o Antônio Amaury já estamos trabalhando em outro livro que vai revelar as mentiras que se falam sobre o cangaço... existem coisas absurdas do tipo que meu avô só usava perfume francês e que só escrevia os bilhetes em máquina de escrever, imagina em pleno sertão fazendo bilhetes em máquina de escrever, a pessoa que escreve um négocio desse é um irresponsável.


Fonte: Portal do Cangaço de Serrinha-BA.

Um homem de bem...

Por: Carlos Eduardo

Carlos Eduardo Gomes

Recentemente comentei aqui no blog Cariri Cangaço um artigo onde Alcino Costa disse que apesar de cangaceiro,


Luis Pedro era um homem de bem. Eu não podia concordar com essa afirmação, apesar de estar de acordo com a linha de pensamento do autor, que no meu entender queria dizer que o cangaceiro de Triunfo, apesar de fazer parte do bando criminoso, conservava dentro de si alguns princípios morais que faziam parte do código de valores do sertanejo naquela época.
Refletindo um pouco mais sobre essa classificação de “homem de bem”, gostaria de reafirmar meu ponto de vista, pois um homem de bem é exatamente Alcino Alves Costa.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoFjOMPyuw6SVbBQ68WJh9bI7rk_ByEupLaXaJ3Y0JSeuVxRWTIRcJSu4EKTYPzWjPs3dxkIhRTXKr9NfmLSgSUcMoe5enehPzBuOsjNCfsp4LdyoAsCbzYOEqEQIOKM08nQdCBaR04ac/s400/DSC01189.JPG

Conheci esse bom amigo no ano de 2000, em Piranhas. Desde essa época assisti várias apresentações do Caipira, como ele mesmo gosta de ser chamado, bem como inúmeras intervenções em outras palestras, conversas informais sobre o cangaço, todas, sempre muito respeitosas, democráticas, sem nunca tentar impor sua verdade. Apesar de Alcino, nascido em Poço Redondo, trazer no seu sangue traços de cangaceiro e das vitimas dos bandoleiros, sempre ouviu o contra ponto, ponderou, sem considerar que por ter crescido entre os que fizeram a história, isso fizesse com que sua versão fosse única e verdadeira. Alcino não se nega a ler e ouvir opiniões divergentes, apesar da critica firme, mas educada. Não discrimina, não é preconceituoso, nunca será autoritário. Não usa antolhos.

No seu livro Lampião Além da Versão, Alcino homenageia seus 34 filhos naturais. Em outro comentário meu aqui no blog, disse que toda família Cariri Cangaço adotou Alcino como pai e hoje além dos  filhos de sangue, o Caipira tem mais uma centena de novos filhos que o adotaram.

Alcino é um homem de bem e jamais seria um cangaceiro, assim como nenhum cangaceiro pode ser chamado de homem de bem.


Carlos Eduardo Gomes
RIO DE JANEIRO

Ângelo Osmiro...

...e as controvérsias de Sila


Durante a noite Cariri Cangaço - GECC, ocorrida em Fortaleza no dia 6 de dezembro tendo como personagem principal a ex-cangaceira Sila; o pesquisador e escritor Ângelo Osmiro, (Foto) um dos expoentes do debate; trouxe-nos um apanhado de registros que se encontram nos diversos livros que contaram com a colaboração da mesma; Na oportunidade do debate o trabalho apresentado por Ângelo acabaria sendo um dos pontos referenciais e que agora transcrevemos abaixo:
 

A primeira obra em questão é: 
Pág. 25: Sila diz que Zé Baiano a procurou, entretanto foi morto, e em seu lugar apareceu Zé Sereno. (motivo: Morte de Zé Baiano).
Pág. 26: Diz que não foi à festa (organizada pelos cangaceiros); Em outros livros diz que dançou a noite toda com Luiz Pedro. Em “Sila uma cangaceira de Lampião” diz que Zé Sereno foi seu “par inseparável” durante o baile.
Pág. 27: Conta episódio do encontro, onde caiu no riacho, ficou toda molhada. O encontro seria com Zé Sereno. Em “Sila no divã” conta o mesmo episódio sendo o personagem Zé Baiano (primeiro encontro).
Pág. 28: “[...] Respondi-lhe que só possuía vestidos na bagagem”; Sila em vários depoimentos, diz que foi (para o cangaço) somente com a roupa do corpo.

Pág. 29: “Sentia-me como em outro mundo. Triste, isolada de minha família, desiludida e amedrontada, por não conhecer toda aquela gente estranha...”
Pág. 30: “[...] Mulheres, apenas duas: Nenen e eu. Novo Tempo, Mergulhão, Marinheiro eram os três novos cangaceiros”. (Nenen morreu logo nos primeiros dias, seus irmãos só entrariam depois).
Pág. 38: Repete a informação acima (Desta vez em um encontro na casa de um coiteiro).
Pág.53: “[...] No meio dos cangaceiros passaram a me chamar Maria Bonita”. Palavras de Maria Bonita para Sila, segundo ela.
Pág. 54: Diz que o grupo estava constituído de cinco pessoas.
Pág. 60: Ainda contando a mesma história diz que o grupo era constituído de 10 pessoas.
2ª Obra
Pág. 50: Amaury narra encontro de Sila com os cangaceiros: “Ocorreu o encontro com Zé Baiano, ele ficou de voltar para pegá-la, nesse ínterim foi morto em Alagadiço e Sereno voltou e pegou Sila” continua Amaury: “Poucos meses depois em fins de 1936 ou em janeiro de 1937 os irmãos de Sila resolveram entrar no grupo de cangaceiros”.
Pág. 107: “A escuridão da noite envolvia as duas; [...] Somente se avistava pontos vermelhos de cigarro que as duas fumavam”. “Já seriam mais de 21h00min horas quando foram dormir”

Pág. 108: “[...] Sila corria junto com Candeeiro”. “[...] a mulher de Cajazeira, Enedina, juntou-se ao grupo que fugia”


3ª Obra
Pág. 13: A própria Sila, segundo Daniel, fala uma vez que nasceu em 1919 e outra em 1924.
Pág. 16: Surge uma terceira data dita por Sila, em entrevista: “em 1927, aos seis anos”. Então aí teria nascido em 1921?

Pág. 23: Diz ter apenas dez anos quando o pai morreu.

Pág. 35: “[...] aos treze anos, Sila conhece as primeiras emoções”; Diz Sila: “Era bastante desenvolvida para minha idade; mas o olho de meu pai estava presente em todos os lugares”. (O pai não teria morrido quando ela tinha dez anos?)

Pág. 36: “[...] Aos doze anos de idade ouvi falar do cangaço. meu pai temia os cangaceiros, uma vez informado que o bando estava próximo de Poço Redondo, escondeu todos os filhos, protegendo-nos contra qualquer perigo”.

Pág. 93: “Ninguém roubava, pedia. Ninguém entrava na casa dos outros para roubar”. “Eu pessoalmente ajudei muitos pobres”.

Pág. 97: “Candeeiro pedia-me para não deixá-lo ali. baleado na perna o cangaceiro implorava ajuda”.
4ª Obra
Pág. 19: Sila diz que não aceitou as jóias que Zé Baiano a presenteou. (Em outros livros disse que recebeu).
Pág. 20: diz que Zé Sereno voltou no dia seguinte. (em outros livros diz cerca de um mês) revela o motivo de Zé Baiano não levá-la e sim Zé Sereno; foi um desentendimento entre os dois. (Em outros livros diz que nunca soube o motivo).

Pág. 24: Deixa evidente que os irmãos não a acompanharam de imediato.

Pág. 29: “Eu não tinha nenhuma notícia dos meus familiares” (em outros livros também diz que os irmãos estavam com ela?) “[...] Íamos para Poço Redondo e encontramos meus irmãos. Eles disseram a José que estavam sendo perseguidos pelos soldados desde que eu entrara no bando” José respondeu: “Se vocês quiserem entrar para o cangaço, entrem”.

Pág. 30: “Lampião dirigiu-se a eles e disse: Du fica sendo chamado de Novo Tempo, Gumercindo de Mergulhão e Antônio de Marinheiro”. “Fiquei muito satisfeita de agora em diante ter meus irmãos junto de mim”.

Pág. 33: “Zé Rufino da polícia sergipana”.

Pág. 50: "Sila diz que Zé Sereno acabara de conhecer Pedro de Candido e na mesma página diz que Zé Sereno “não gostava daquele coiteiro”.

Pág. 51: "Pedro de Candido voltou ao coito dia 16 de julho (deve ser erro de impressão)"

Pág. 52: Repete a história da luz

Pág. 57: “Foi lido um ofício do presidente Getulio Vargas declarando anistia a todos os cangaceiros que se entregassem (na cidade de Jeremoabo)”.

Pág. 59: Repete hist. Ofício de anistia.

Pág. 89: “Fomos lançar no Juazeiro do padre Cícero, lugar que Lampião tantas vezes andou”.
5ª Obra


Pág. 21: “Aos nove anos perdi meu pai” (também diz que perdeu aos10, aos 9 e aos 13 ainda estava vivo)

Pág. 27: “Zé Sereno meu par inseparável” (no baile de despedida). Em outras obras diz ser Luiz Pedro).

Pág. 28: Diz que seus irmãos a acompanharam desde o primeiro dia. (Em outras obras: dias depois ou meses depois)

Pág. 36: Tenente Zé Rufino da polícia de “Sergipe”.

Pag. 42: Em conversa com Maria Bonita ela teria dito se chamar Maria Déa; Quando entrou no grupo passou a ser chamada Maria Bonita. Reunião com chefes de grupo com a presença de Zé Sereno e Zé Baiano em novembro de 1936, Zé Baiano foi assassinado no dia 07 de julho de 1936.

Pág. 43: O coronel Nogueira queria se apossar das terras de Zé Ferreira, daí Virgolino entrou no cangaço.

Pág. 57: “Lampião invade Nazaré e queima as casas dos Nogueira”

Pág. 59: “[...] A polícia cercou a casa do pai (Zé Ferreira) juntamente com Zé Saturnino a mãe de Virgolino não suporta e morre do coração”.

Pág. 64: “Após a morte de Lampião os companheiros sobreviventes escolheram Zé Sereno para comandante”

Pág. 70: “[...] Botei o fuzil no ombro, cartucheira entupida de balas e toquei...” (arma grande)

Pág. 73: “[...] Descansei o fuzil no meu colo...”

Pág. 75: “[...] Dei um salto e arrebentei a coronha do mosquetão na cabeça do soldado”.

Pág. 76: “costumeiramente passavam alguns dias conosco, Luiz Pedro, Nenen e Zé Baiano”. (Neném não morreu nos primeiros dias?) Morto Lampião, Zé Sereno assume o comando de "200 homens", inclusive Corisco e Dadá, “apesar de estarem afastados de Lampião por divergências”.???

Pág. 77: Sila Identifica amiga Adília como Enedina.

Pág. 80: Confessa ter presenciado a execução

Pág. 96: “[...] O sol desbancava no horizonte quando Maria Bonita me chamou para trocarmos dois dedos de prosa...”

Pág. 98: “[...] Caminhei em direção a tolda, vi novamente a mesma luz...” “[...] Se eu lhe houvesse falado sobre aquela luzinha, tudo teria sido diferente”.
“Um primeiro tiro ecoou matando um companheiro”.
 “Segurei na mão de Enedina e arrastei para o meu lado”.
 “[...] Candeeiro baleado na perna, pedir-me que não o deixasse ali, o cangaceiro implorava ajuda”.

Pág. 102: Entregas: Dulce, Adília e eu permanecemos em Jeremoabo. (Adília dizia ter se entregado em Propriá-se).

Pág. 118: Em entrevista perguntou ao irmão João Paulo: “Você ficou triste quando Marinheiro, Novo Tempo e Mergulhão saíram para nossa companhia.


Ângelo Osmiro
Presidente do GECC, Sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço

A PARÁBOLA DAS CEM OVELHAS

NÃO DEVEMOS ESQUECER JEUS CRISTO


E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para ouvi-lo.
E os fariseus e os escribas murmuravam dizendo: "Este recebe pecadores, e come com eles".
E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:
- Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
Lc 15: 1- 10
Lições bíblicas

Crueldades varrem o Sertão


Para ler o artigo completo clique no link abaixo:
O texto não apresenta o autor

Não dá para enumerar as atrocidades cometidas por Lampião . Sob o escudo da vingança, ele tornou-se um "expert" em "sangrar" pessoas, enfiando-lhes longos punhais corpo adentro entre a clavícula e o pescoço. E consentiu que marcassem rostos de mulheres com ferro quente, Arrancou olhos, cortou orelhas e línguas. Castrou um homem dizendo que ele precisava engordar.

Não há nada que justifique práticas assim. Mas muitos pesquisadores tentam explicá-las. " Lampião é um produto do seu meio", arrisca


Paulo Medeiros Gastão, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, com sede em Mossoró (RN). "Ele foi levado por fatores ligados à vida no sertão, como ignorância, secas, ausência de governo e de Justiça", diz Gastão. Mas argumentos assim, alegados por muitos estudiosos, não são suficientes para entender Lampião. É o que garante o historiador americano Billy Jaynes Chandler, especialista do assunto: "Sua história, com todas as suas excentricidades, é toda dele".

O ambiente em que o bandido cresceu, porém, tem seu peso. De acordo com Vera Lúcia F. C. Rocha, da Universidade Estadual do Ceará, "o código de honra do sertão não culpabiliza os homens que matam por vingança, mas enaltece sua coragem". Vera, que acaba de lançar o livro Cangaço: Um Certo Modo de Ver, lembra que aquela sociedade repete para os meninos: "Seja homem". Será que era a essa expectativa que Virgulino Ferreira tentava atender?

Ele não tinha compromisso com classes sociais, embora tenha surgido num ambiente de injustiça. Era amigo de qualquer um que o apoiasse e inimigo dos que o contrariavam. Fossem coronéis ou miseráveis.

Nada a ver com Robin Hood

Não são poucos os que vêem em Lampião um Robin Hood nordestino. "Ele foi bandido, mas também teve atitudes de distribuir o que tomava", diz o


pesquisador Antônio Amaury C. de Araújo, de São Paulo, que escreveu seis livros sobre o cangaço. É, houve passagens assim. Em 1927, o bando entrou em Limoeiro do Norte (CE) jogando moedas para as crianças. Cena semelhante acontecera em Juazeiro, quando, num dos mais absurdos episódios da história brasileira, o bandido foi convocado para combater a Coluna Prestes (veja o infográfico).

"Mas Lampião nunca escolheu aliados em função da classe social", diz o antropólogo Villela. "Pobres e ricos, oprimidos e opressores, todos eram bons desde que satisfizessem suas exigências. Todos eram inimigos desde que se opusessem a seus propósitos."

O historiador inglês Eric Hobsbawm chegou a classificá-lo como um "bandido social" - não exatamente um Robin Hood, mas um tipo vingador. "Sua justiça social consiste na destruição", disse Hobsbawm, que foi criticado pela avaliação. Billy Chandler, por exemplo, acha que Lampião só poderia ser considerado um bandido social por ter raízes em um ambiente injusto, nunca por se preocupar com a justiça social.

Villela concorda. Para ele, Lampião resistiu a um tipo de migração vergonhosa, a migração do medo, que empurrava para longe gente ameaçada por inimigos ou pela policia. Para não passar por covarde, assumiu o nomadismo e a violência. As boas ações seriam um "escudo ético", na opinião de


Frederico Pernambucano de Mello, superintendente de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife. Lampião, apesar de perverso, queria ser visto como um homem bom.

Fonte: www.geocities.com

Extraído do blog: "Portal São Francisco"

Literatura Sobre Lampião e o Cangaço:

Por: Guilherme Machado
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Acervo Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

Livro Maria Bonita: Autor.  Doutor Amaury Corrêa de Araújo. Lançado pela Assembléia Legislativa da Bahia. Esta obra foi um presente do maravilhoso casal de amigos Incentivador culturais, Dona Célia Regina Braúna e o seu espôso, o médico músico Doutor Augusto Agripino Braúna. Uma doação para o Portal do Cangaço de Serrinha Bahia. (Grato pela colaboração) 
Fonte: Portal do Cangaço de Serrinha-BA.

Literatura Sobre Lampião e o Cangaço:

Por: Guilherme Machado
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Acervo do Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.



Livro Gente de Lampião "Dadá e Corisco. Autor.   Dr. Amaury Corrêa de Araujo. Obra revista e revisada e reeditada pela Assembléia Legislativa da Bahia: Uma doação do casal Incentivador culturais.   Dona Célia Regina Braúna e o seu estimado esposo, o Doutor Augusto Agripino Braúna, o médico músico. Uma  doação para o Portal do Cangaço de Serrinha BA. (Grato pela doação).

Oferendas (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Oferendas


Água benta e perfumada
nas pedras da sua rua
incenso de chama eterna
purificando sua passagem
o vento lhe acompanhando
e derramando folha de trevo
laços de fitas e patuás
uma vela acesa no barco
enfeitado e deitando ao mar
um canto de negra voz
o santo que reconhece a filha
igrejas de portas abertas
um silêncio que reza esperança
o desejo chamado força
uma força religiosa na paixão
uma oração e muita fé
para proteger meu amor
porque ele vai chegar amanhã
e amanhã estarei muito ocupado
colocando um tapete de flores
catando rosas e girassóis
para quando a porta se abrir
porque a porta vai se abrir
que se abra porta e a vida
a vida na sua imagem e feição
depois dê-me as chaves
desse templo coração.


Rangel Alves da Costa* 

O RIO QUE PASSA PELA MINHA ALDEIA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

O RIO QUE PASSA PELA MINHA ALDEIA
Tenho um rio, um rio na minha veia, o mesmo leito dos tempos, percurso que tristeza semeia e que passa pela minha aldeia.
Quem sou eu senão uma aldeia distante de tudo e tão próxima e dentro de mim, cuja aridez desalentada no chão do olhar se molha apenas desse rio que passa e corre sinuoso pela minha aldeia?
Deixei o barco distante, atrás dos montes, porque na minha aldeia só se navega com o passo, com o pensamento, com o sentimento. E ao navegar num leito azul de sangue e de cor, de pele e idade, de herança e saudade, nunca vou além do passo que caminha dentro de mim em busca da minha aldeia.
Tudo é tão perto e fácil de encontrar, e nunca fui além com medo do mar, bastando esse rio que sei navegar, porque sou seu leito, sou seu barco e vela, margem e porto, saudade demais e abraço apertado. E é sempre noite quando o barco chega e traz seu navegante à luz do luar.
Qualquer dia desses irei adiante do norte do coração em busca da nascente do rio que passa pela minha aldeia. Sei que dói navegar assim. Um remo no olhar, uma bússola na lembrança, um sol a me queimar o ontem, qualquer dia desses alcanço a foz que minha sede quer tanto beber.
Descendo pelas montanhas desconstruídas, rompendo os penhascos de tudo que se desaba, rolando em meio às pedras que haverão de retornar ao pó, talvez encontre a nascente do rio que passa pela minha aldeia. E quando a noite chegar estarei onde começa o veio que corta o meu corpo/leito e vai inundando, naufragando tudo.
Minha aldeia é morena, é quase desabitada, é tão longe e tão perto, é rica e carente, é alegre e triste, é solitária e solidão, é aldeia e pessoa. Por ser humanamente aldeia, é corpo que se descontenta com a tristeza, o abandono, a esperança que só vive esperando. E após o entardecer, quando as águas das relembranças vão subindo e as ondas de saudades começam afluir mais fortes, então minha aldeia se inunda completamente.
Quando as águas vão emergindo o construído e as mãos acenam para que o barco chegue sozinho, ouço minha voz dizendo que há um porto seguro sem sair do lugar, uma montanha onde posso encontrar abrigo. Fecho os olhos para encontrar a luz, para pensar melhor, para o encorajamento, e só assim descubro onde nasce o rio da minha aldeia.
 Não sei bem qual seja mais esse mistério da vida, essa estranheza em mim, mas se fecho o olhar as águas começam a baixar e só assim encontro a nascente do rio que nasce, que passa, que vive na minha aldeia. Se meus olhos continuam fechados então meu corpo já não estará submerso, já poderá tatear até a porta e gritar seu nome.
E eis que descobri esse mistério da vida, esse destino da minha aldeia. Se dos meus olhos fluem as águas e as enchentes que se derramam, que inundam e faz brotar tanta aflição, então sou eu o dono desse rio, desse olhar nascente, dessa minha aldeia encharcada de ondas tormentosas.
Se sou dono de tudo, e ainda por cima sou dono de mim, farei da nascente que tenho no olhar um meio de encharcar de esperança a minha aldeia, porém sem ter mais que chorar ou derramar o mundo pensando que é salvação.
Enquanto ela não vem, porque um dia ela virá, caminharei saltando as pedras do meu leito seco lendo e relendo Pessoa, um canto sobre outra aldeia, sobre outro lugar:
“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia/ (...) Toda a gente sabe isso/ Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia/ E para onde ele vai/ E donde ele vem/ E por isso porque pertence a menos gente/ É mais livre e maior o rio da minha aldeia/ (...) Ninguém nunca pensou no que há para além/ Do rio da minha aldeia/ O rio da minha aldeia não faz pensar em nada/ Quem está ao pé dele está só ao pé dele”.
De leito vazio, o barco não pode singrar, ela não vai chegar. E só por um instante chorarei para inundar o rio de minha aldeia. Depois tentarei acenar, abrir os braços em sorriso.

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com