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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

JAGUNÇOS SERTÃO ADENTRO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

JAGUNÇOS SERTÃO ADENTRO

Coronel Eleotério Pantoja subiu no garboso alazão, animal sem igual em toda a região do Mundaréu, ajeitou seu corpo envelhecido e balofo sobre a sela macia, chamou seu faz-de-tudo aos pés do estribo e segredou-lhe que ficasse de olho bem aberto por ali enquanto ia mais adiante e voltava já.
Como fazia uma vez por semana, esse ir adiante e voltar já significavam uma visitinha à casa da rapariga, moça novinha e quase tirada à força das mãos da família, devidamente colocada numa casa mais afastada, porém ali mesmo dentro das terras de sua propriedade. Morava sozinha com uma velha escolhida a dedo pelo patrão. Ainda assim ninguém era besta nem de passar perto da alcova sertaneja.


Seguindo no trote costumeiro, o coronel dobrou a direita e depois à esquerda, e logo tomou o rumo da estrada que o levaria, uns dois quilômetros arriba, diante do aroma moreno da quase escravizada flor do campo. Estrada estreita, de terra batida, num misto de massapê e terra roxa, recoberta de espinhos e pedras, cheia de curvas e ladeada por tufos de matos e verdadeiros labirintos.

A menos de um quilômetro da moradia da amante, assim que dobrou mais uma das curvas e galopou cerca de cinquenta metros, recebeu um balaço bem no meio da testa, tiro tão certeiro que fez o chapéu espantar para um lado e o corpo cair quase por cima. Bastou um tiro e o famoso Coronel Eleotério Pantoja ficou estrebuchado no chão. O linho branco e surrado da vestimenta coronelista começou a vermelhar.

Ainda respirando, ouviu passos se aproximando e ao lado do seu rosto uma bota envelhecida, de muita estrada perigosa e fivela carcomida, suja e malcheirosa de estrume. Bota de jagunço, calçado de matador. Ainda que pudesse nem precisava olhar mais acima para saber ter sido alvejado por um pistoleiro de mando, um jagunço igual a tantos que possuía para fazer o mesmo tipo de serviço. Só que com os outros.

Tanto tinha mandado matar que agora acabou acertado. O outro lado da moeda, ou o vice-versa do latifúndio, do coronelismo e da pistolagem jaguncista. Agora cobra velha engolindo o próprio veneno. E nenhum dos seus homens por ali para revidar, para tentar salvar sua vida. Jamais imaginou que jagunço fedesse tanto quanto aquele terrível capanga em pé diante do seu corpo. Ou seria o fedor do sangue bandido, de covarde valentia, impregnando o nariz banhado de seu dono?

Nunca pensou que a morte chegasse assim e fosse tão feia, com tamanha queimação, sufocante, tornando um senhor de bicho, terra e gente num reles desvalido que sangrava por todo lugar. Também nunca pensou que jagunço algum tencionasse tocaiar, emboscar e fuzilar um poderoso de sua estirpe, um coronel de muitos sertões. Mas como sentia agora tudo diferente, como doía morrer, como fazia sofrer a entranha varada de chumbo quente, de bala pontiaguda.
   
Recebeu um chute no rosto apertado de lancinante dor e por fim a voz que sabia que viria: “Presente do Coronel Titó, sua cobra ruim. E tome pra calar seu chocalho, sua jararaca!”. E o último disparo. A boca abriu como se quisesse gritar, os olhos se viram crispados, um tormentoso espanto no rosto enrugado, a agonia, o último suspiro querendo levantar pra fugir, e a morte. E que coisa mais feia é a morte sob encomendada, empreendida daquele jeito, voraz, feroz, repugnante...

Mas não haveria de ser espanto algum. Nos sertões não há estrada ou vereda onde não haja cruz na beira da estrada e capelinha de defunto construída. Não há um só dia que as moitas de beira de passagem não recebam visitantes armados até os dentes, chegando ali furtivamente, rastejando igual bicho matreiro. Chegam e se entocam, se escondem, mal respirando para não levantar suspeitas. Parece não haver ninguém por ali.


Mas há a fera, o bandido, o matador, o assassino de aluguel ou de mando, o fiel cumpridor das ordens coronelistas. Ali entocado, mudo, solenemente fúnebre, está o tenebroso jagunço, o temido pistoleiro, o cabra que veio esperar o momento certo de tirar a vida do desafeto de seu patrão. Mas nem sempre inimigo mortal, adversário de igual poder, coronel de disputado domínio. Muitas vezes um zé-ninguém, um pobre coitado marcado pra morrer porque não quis entregar seu pedacinho de chão a preço vergonhoso ao coronel, ou mesmo porque deixou de lhe dever obediência para se submeter a outro senhor.

Por isso mesmo que os caminhos e as matarias sertanejas cheiram tanto a pólvora, a fumaça, a zinco, a ferro queimado, a carvão dos ossos esturricados. E igualmente fede a sangue, a podridão, a covardia, a restos ossudos esquecidos nas brenhas. Ainda que no silêncio, é como se a todo instante surgisse um estampido, uma rajada lancinante, um trotar de tiro. E na maioria das vezes não é imaginação.

Os urubus souberam do acontecido com o Coronel Eleotério Pantoja antes que qualquer pessoa. Como o cadáver de morte recente ainda não era hora de atacar, mas somente lá pelo entardecer do dia seguinte, quando a flacidez da pele de cor indefinida já se desprendia com qualquer bicada, ficavam apenas rondando de cima o corpo estirado, pousando de catingueira em catingueira, se aproximando e recuando. Por enquanto somente os carnicentos velavam o que restava do tão poderoso.

Mas não esquecido por muito tempo. Somente o fato de o coronel não haver retornado no horário costumeiro, já havia deixado o seu jagunço-mor de alerta. Quanto mais o tempo passava mais a preocupação aumentava. E a situação ficou realmente insustentável quando este começou a avistar pelo alto a urubuzada fazendo círculos, e certamente rondando alguma coisa morta. Mas não pode ser. Pensou o jagunço. Dum grito chamou mais três, mandou que se guarnecessem de armas e farta munição, e riscaram cortando estrada.

Guiados pelos abutres das caatingas, após a curva da estrada o afamado pistoleiro levantou o braço num sinal que parassem e descessem dos animais. Havia avistado um vulto estendido no meio da estrada. Logo em seguida reconheceu o alazão que saiu do mato e não teve mais dúvida. Ali por cima da terra estava o corpo do coronel seu patrão. Chamou os dois cabras, segredou baixinho e todos se dispersaram por dentro da mata.

Nesse momento se esperaria que seguissem o mais rapidamente possível na direção do corpo do patrão. Mas não. A estratégia jaguncista é bem outra, é muito diferente. Ainda que enxergue um corpo caído e com aparência de morte, a prudência pistoleira ensina que se deve evitar rápida aproximação. Muito cabra já havia morrido assim, numa tocaia de fingimento, na astúcia perpetrada se fazendo de morto para matar. Ademais, aquele corpo bem poderia não ser do coronel, ainda que aquele fosse o seu cavalo.

Dois jagunços por um lado e dois pelo outro, ora cuidadosa e silenciosamente mais próximo à estrada ora se afastando um pouco mais. Venciam os garranchos e esticavam o olho por todo lugar, tentando enxergar algum vulto se mexendo por trás de tufo de mato, e do mesmo modo olhando pra baixo a ver se avistavam pisadas recentes. De repente, um fez o sinal para o outro e apontou: uma cartucheira no chão, talvez descuidadamente esquecida ali.

E quase um grito cortou o silêncio: “Achei. Cartucheira ferrada, marca do inimigo maior do coroné. E se aquele defunto é do Coroné Pantoja, entonce o seuviço foi obra de cabra do Coroné Titó”. Ao ouvir sobre a descoberta e não poder mais duvidar que seu patrãozinho estivesse ali estrebuchado no chão, o jagunço maior baixou a cabeça por uns dois minutos, mordeu um pedaço de fumo, deu uma cusparada negra de mais de metro e disse:

“Quiró, bote o corpo do coroné pru riba do alazão e leve lá pra casa-grande. Vocês dois venha comigo. Vamo fazer uma visitinha aos pistoleiro do Coroné Titó. Quero ver agora se são cabra macho mermo, se enfrenta homem a num ser de tocaia. Rumbora cambada...”. Montaram nos animais e galoparam numa velocidade desesperada e estonteante.


Como que completamente cegos, sem medo algum, sem se importarem com nada, já chegaram atirando nos arredores do casarão do coronel. Mas não demorou nem um minuto e as balas já zuniam em sentido contrário, numa defesa que também era ataque. E daí em diante travou-se a feroz batalha entre jagunços, tão medonha e violenta que nunca se viu outra igual. Tiro pra não acabar mais, gritos, correria, tufos vermelhos jorrando pra todo lado, jagunço rastejante, jagunço morto, um sertão empoçado de sangue.

Outro dia dois viajantes passaram pelo lugar, diante da fazendeirama agora totalmente abandonada, e um perguntou ao outro se ali era também cemitério. E este respondeu que não. Mas que gostaria que fosse e naquele local estivesse enterrada de vez toda a violência jaguncista de um dia. Mas as sombras violentas do passado sempre levantam dos túmulos e tomam assento nos caminhos de todo sempre.

E contou ao outro toda a história. E ouvi tudo sem querer acreditar.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 22 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 21 de agosto de 1872 dava-se a instalação da Estação Telegráfica de Mossoró.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

CULTURA TOBIENSE EXALTA O LIVRO “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”

Por: Archimedes Marques

O rio sempre corre em direção ao mar para alegremente ganhar a sua liberdade. É a força da natureza exercendo o seu papel. Entretanto, durante o seu percurso, ele vai ganhando velocidade, até o momento em que se defronta com algumas curvas, com alguns obstáculos que fazem diminuir o seu ímpeto de encontrar o grande oceano. Quando passa por esses óbices proporcionados pela mãe natureza, encontra grandes pedras em seu leito, que lhe rasgam a superfície e lhe modifica o curso e o ritmo natural das suas águas.


A vida de todos nós também se assemelha ao curso de um rio. Estamos constantemente traçando planos, buscando um oceano de sonhos e realizações, seja no âmbito pessoal ou profissional. Inúmeras vezes deparamo-nos com obstáculos que nos impedem de seguir adiante da forma inicialmente planejada.


Assim, alegremente, dentro da minha programação o dia 18/08/2012 estava destinado ao Estado da Paraíba. Faria este humilde arremedo de escritor, parte do Conselho de Jurados do V FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas, uma das festas mais tradicionais do sertão paraibano, realizado na Comunidade São Francisco (Fazenda Cidade), município de São João do Rio do Peixe. E foi dentro desse contexto que passei a traçar planos para no leito do meu rio também colecionar essa nova experiência para um dia chegar ao oceano dos meus sonhos, vez que esse evento para o meu currículo de vida seria altamente positivo e grandioso, além da minha satisfação pessoal de estar entre amigos fazendo aquilo que tanto gosto relacionado à cultura nordestina.


Contudo, apareceu uma grande pedra em uma das curvas no curso do meu rio que me fez arrefecer para não ter como transpor e participar de tão grandioso evento. A grande pedra, de tão grande que era, dividiu o meu rio de forma tão diversa que teria eu de escolher somente um dos leitos a seguir viagem em busca do grande oceano. Fui convidado de forma irrecusável para fazer o lançamento do meu livro


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE nas festividades destinadas a Nossa Senhora Imperatriz dos Campos na cidade de Tobias Barreto aqui no nosso querido Estado de Sergipe.

Matriz de N.S.Imperatriz dos Campos

Só me restou expressar as minhas tristes escusas de forma antecipada ao amigo Francisco Alves Cardoso por não poder estar ao mesmo tempo na sua festa em São João do Rio do Peixe e em Tobias Barreto, em decisão que me deixou de coração partido. Quisera eu na minha humilde condição humana ser Onipotente e Onipresente para estar nesses dois lugares tão distantes um do outro no mesmo momento.


O meu imaginário rio agora estava em rota totalmente adversa, ao invés do sertão central paraibano, cursava o sertão sul sergipano. Seria Deus escrevendo certo por linhas tortas?... Ou teria eu escolhido o leito do rio errado?... De uma coisa tenho absoluta certeza: A minha alegria em Tobias Barreto foi uma alegria triste, pois o meu pensamento também estava em São João do Rio do Peixe. A grande vendagem dos meus livros que superou todas as expectativas nem tanto me alegrou, entretanto o que mais me fez feliz e gratificado foi a acolhida do povo tobiense, um povo que de uma forma contundente tem fortes raízes culturais, mais de perto, profundas raízes do seu ancestral maior, o grande poeta, jurista e filósofo, Tobias Barreto de Menezes.

Tobias Barreto de Menezes

O maior de todos os filhos daquela terra que outrora era chamada de Campos do Rio Real, personalidade que tanto enobrece o honra todos os sergipanos, nasceu a 07 de junho de 1839 e faleceu a 26 de junho de 1889, ou seja, no auge dos seus 50 anos de idade.


Tobias Barreto de Menezes estudou as primeiras letras na sua cidade natal, partindo para Estância no ano de 1850 – então das cidades mais evoluídas do Estado de Sergipe – onde estudou música e latim. Logo depois foi estudar na  Bahia e em 1861 quase ingressou na carreira eclesiástica, mas foi em Pernambuco que se fez maior, chegando em Recife no ano de 1862. Fez a Faculdade de Direito e conclui o curso em 1869. Morou na pequena cidade Escada de 1871 a 1881, onde editou um jornal em língua alemã intitulado DEUSTCHER KAMPFER (O Lutador Alemão), época do mais importante movimento intelectual da segunda metade do século XIX.


Foi nesse período da vida desse ilustre sergipano que ele se aproximou da filosofia, da cultura e melhor se aprimorou na língua alemã, tendo sido autodidata nesse idioma, como na maioria dos outros oito idiomas que também falava fluentemente. De Escada, Tobias Barreto foi embora para o Recife após ter tido sua casa cercada pelos capangas dos herdeiros de seu sogro ameaçando-o de morte em virtude desse grande homem – também humanitário e humanista – ter alforriado todos os escravos que correspondiam à sua parcela da herança, como representante de sua esposa.


Em 1882, o "mestiço de Sergipe", como ele mesmo se declarava prestou o concurso para professor da Faculdade de Direito do Recife, classificando-se em primeiro lugar, entretanto, por ser de raça mestiça, somente adentrou à Academia por pressão dos alunos, que apaixonados pela sua retórica assim exigiram a sua colocação.


Na Faculdade, o irreverente Tobias Barreto foi o mais popular e polêmico dos mestres. O seu diferente método de ensino fez com que ele se transformasse no mais amado professor dentre todos os alunos, destarte para o seu espírito dado a polêmicas e discussões com a palavra franqueada para aqueles que bem queriam expressar os seus pensamentos. Com a sua cor morena parda tornou-se também o mais questionado e discriminado dentre aqueles que já tinham ensinado naquela instituição, em especial, os tantos professores conservadores. Declamador, polemista, repentista, também trocou desafios poéticos com Casto Alves.


Antonio Frederico de Castro Alves

Tobias Barreto faleceu na pobreza, às vésperas da proclamação da República, deixando seu nome marcado na filosofia e romantismo dos grandes poetas brasileiros.

Fotografia de Elane Marques.

O "mulato desgracioso", como assim, carinhosamente o descreveu Graça Aranha, que também fora aluno do grande Tobias Barreto, em seu livro intitulado “Meu próprio Romance” em poucas palavras disse tudo que achava e realmente vinha a ser o seu mestre dos mestres: VOLTAR A TOBIAS BARRETO É PROGREDIR.

Monumento do grande Tobias Barreto

Assim sendo, mesmo com essa máxima de voltarmos ao mestre Tobias Barreto para progredirmos, ainda hoje esse grande sergipano não é amplamente reconhecido na linha de frente entre os mais notáveis da cultura brasileira, entretanto, não há como negar a imensa e profunda influência do seu pensamento em muitos espíritos brilhantes daquele tempo. Foram inúmeras personalidades culturais que não esconderam a origem comum e o núcleo fundamental da mesma inspiração. Entre eles, é fácil citar Fausto Cardoso, Silvio Romero, Graça Aranha e Clóvis Beviláqua.


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De volta à realidade do meu imaginário, assim como as pedras modificam o curso e a velocidade dos rios, modificou o meu e então, pode ser que os percalços nessa navegação escolhida me deixem feridas e cicatrizes que me façam esperar mais tempo para alcançar os meus mais profundos sonhos de alcançar o grande oceano, assim sendo, peço desculpas a São João do Rio do Peixe pela minha escolha e louvo a cultura do povo de Tobias Barreto que bem soube exaltar o meu livro “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE” e em nome dos amigos Jose Edson Trindade e Isabel Cristina Rodrigues Andrade saúdo os demais tobienses.

Archimedes Marques (Escritor e Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Enviado pelo autor: 
Dr. Archimedes Marques

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Luiz Gonzaga: Seu Centenário pela Ótica do Site baladas da Ilha.

Por: João de Sousa Lima

Luiz Gonzaga teve seu centenário comemorado na cidade de Paulo Afonso e no momento foram lançados um livro e um vídeo-documentário sobre a vida e a obra desse grandioso artista. O Site baladas da Ilha realizou a cobertura do evento com a maestria de Rogerinho e Edno.
Em todo Brasil está sendo comemorado os 100 anos do Rei do Baião. Luiz é tema único nos espaços culturais e artisticos.



O artista retratado pela visão do artista plástico Falcão.


Outra tela do artista Falcão e que hoje faz parte do acervo de João de Sousa Lima


Todas as idades em apreciação a obra de Luiz Gonzaga.


Bosco e Domingos no Centenário de Luiz Gonzaga.


Os escritores Gilmar Teixeira e João de Sousa Lima


A missa para Gonzagão.


Glória Lira exibe a camisa em homenagem ao Rei do Baião.


Dr. Luis Alberto e o poeta Jotalunas, presenças sempre marcantes nos eventos culturais

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

http://www.joaodesousalima.com/2012/08/luiz-gonzaga-seu-centenario-pela-otica.html

LANÇAMENTO MINISSÉRIE

Por: Aderbal Nogueira

Amanhã, dia 22/agosto, às 19 horas, no Auditório Deputado João Frederico Ferreira Gomes, Anexo II da Assembleia Legislativa do Ceará, estão todos convidados para a Avant-Première da minissérie Sedição de Juazeiro.

SEDIÇÃO DE JUAZEIRO - Trailer Oficial


Uma produção da Laser Vídeo
Enviado pelo cineasta e pesquisador do cangaço:  
Aderbal Nogueira

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Personagens Terciários

Cosme de Farias

Ele foi Major sem nunca ter servido as Forças Armadas e Advogado sem diploma de Bacharel. O último rábula da Bahia ficou conhecido pela astúcia ao defender os mais pobres nos tribunais. Cosme de Farias foi mais que um profissional do Direito preocupado com as causas sociais. Mesmo sem ter concluído o curso primário, foi pioneiro na luta contra o analfabetismo na Bahia. Deputado e Vereador, levou às últimas consequências seu ideal franciscano: morreu pobre, na tapera onde vivia na Quinta das Beatas, hoje bairro denominado:

Certo dia, o juiz Vicente Tourinho perguntou à platéia quem poderia defender um ladrão abandonado pelo advogado à beira do júri.

Um rapazola mulato, traços grosseiros e cara de menino ergueu-se e respondeu: "Eu". O voluntário não conhecia o processo e nunca encontrara o réu - negro e pobre, acusado de roubo de 500 réis - mas não concordava em vê-lo sem dar a sua explicação sobre os fatos

O rábula classificava como uma das suas causas mais difíceis a concessão do habeas-corpus para 36 grevistas, funcionários da Leste Brasileiro. Entre as mais famosas está a defesa de 

Dadá assistindo a retirada dos ossos do companheiro Corisco

Sérgia Ribeiro da Silva, apelidada de "Dadá" e única mulher do cangaço a manipular armas.

Em 1942, Cosme impetrou recurso pela soltura da viúva do alagoano Corisco, o Diabo Louro. 


Corisco e o cangaceiro Vinte e Cinco - Este último ainda está vivo e segundo o escritor João de Sousa Lima, reside em Alagoas 

Dadá foi ferida na perna direita (mais tarde, amputada) e aprisionada pelas Forças Volantes, em 1940, numa ação encerrada com a morte do seu marido.



Fontes: Blog Luiz Nassif
http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sob a proteção do Cel. Santana - Antônio Silvino em Missão Velha, CE

Por: João Bosco André
Bosco André

O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos. Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904 e tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, 


Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e jantar, Silvino atendeu ao convite, se sentado para jantar, mais com o seu rifle nas pernas. Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse:


“Sim senhor Antônio Silvino, mandei lhe chamar aqui, para lhe dizer que você não tem mais a minha proteção em missão velha”; “O lugar do seu rifle aqui na minha casa, era ali no canto daquela parede, hoje você jantou na minha mesa com o rifle nas pernas”.

Imediatamente Antônio Silvino se levantou e convidado pelo cel. Santana, para tomar o café, Antônio Silvino respondeu-lhe: “na sua casa eu não tomo mais, nem água” e de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal amarrado e pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda do alpendre e desceu para missão velha, isso já tudo escuro, pois já era noite e chovia muito, só via a estrada quando o relâmpago abria.

Chegando em Missão Velha, já noite velha, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana. O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos, tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça, foi quando  Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal. Perguntaram o que ele iria fazer, ao que ele respondeu-lhes:

“- Vocês acerem o que é de vocês, porque eu vou queimar o que é meu”; “não vou deixar nada de graça prá ninguém”.

Neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino, más o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.
História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino ficava localizado na Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles.

http://lampiaoaceso.blogspot.com

CORISCO, O DIABO LOURO

Publicado por Luiz Berto em BAÚ DE ESTÓRIAS - Paulo Moura


Cristino Gomes da Silva Cleto. Este é foi o nome de uma das figuras mais legendárias do cangaço, o terrível Corisco. Ou, Diabo Louro.

Figura atormentada pelo destino nasceu em 10/08/1907, num dia de sábado, na Serra da Jurema, no município de Matinha de Água Branca, em Alagoas. Filho de Manoel Gomes da Silva e de Firmina Cleto, teve seis irmãos: Vicente, Francisco, Maria, Jovita, Teodora e Rosinha.

Seu pai morreu muito jovem deixando a viúva com a obrigação de criar sozinha, os filhos ainda pequenos. Dona Firmina, austera e moralista tratava os filhos com pulsos de ferro, surrando-os freqüentemente por motivos nem sempre justificáveis. Cristino, de temperamento rebelde desde cedo, fugiu de casa ainda aos 14 anos de idade após uma destas memoráveis surras. Naquele tempo a família já morava na vila de Pedra de Delmiro/Alagoas.

Foi parar em laranjeiras, Sergipe, onde passou cerca de três anos trabalhando como entregador de leite. Em fins de 1923, volta para casa muito doente e é recebido pela mãe, saudosa e muito arrependida.

Em 1924 é convocado para o serviço militar, indo destacar em Aracajú/Sergipe. Alto, olhos azuis, loiro, bem parecido, inteligente e disposto, destaca-se entre os demais recrutas, atraindo para si a admiração dos superiores. Afeiçoa-se às armas, que aprende a manejar com precisão.

Em julho daquele ano o tenente Maynard participa de uma revolta contra o governo, ao qual mostra-se infrutífera devido à reação do presidente, apoiado pelos “coronéis” do interior com suas milícias de jagunços. Tendo sido um dos mais exaltados no momento da sublevação, Cristino é também um dos mais perseguidos. Foge então para Pedra de Delmiro para esconder-se ao lado da família, mas em pouco tempo chega uma precatória solicitando sua prisão. Foge então para mais longe, Paraíba. Até então não imaginaria que passaria, a partir dali, a viver fugindo até o fim dos seus dias.

Na Paraíba, homiziou-se em Lagoa do Monteiro, terra do célebre bacharel-cangaceiro Santa Cruz, habitat dos valentões. Naquele tempo o sertão fervilhava de cangaceiros. A mudança não lhe foi benéfica.

Cristino por algum tempo foi trabalhar na roça e no trato com o gado, mas como nem sempre de trabalho vive o homem tornou-se freqüentador assíduo dos forrós de fim de semana. Certa feita tira uma moça para dançar e recebe um “não”. Insiste, e é esbofeteado por um parente da moça. Apanhar na cara é uma desmoralização que o sertanejo não perdoa. Vai à casa do patrão, arma-se e despeja toda a carga de um rifle sobre o agressor, matando-o. Consegue fugir, indo ocultar-se em uma das fazendas do patrão. Estávamos nos fins de 1925.

É orientado pelo patrão a entregar-se às autoridades. Ele providenciaria que a pena lhe fosse branda. Confiante, Cristino se entrega e é levado a júri. O tiro lhe sai pela culatra e Pega 15 anos de prisão. O Estado naquela época, não tinha condições de manter prisioneiros encarcerados por tão longo período e normalmente resolvia o problema da maneira mais simples.

Escoltava-se um grupo de prisioneiros com penas iguais ou superiores a 15 anos, até um local deserto na caatinga, mandava que os infelizes cavassem suas próprias covas e fuzilava-os à queima roupa. Às vezes, para economizar munição ou não fazer barulho, optava-se pelo processo da sangria lenta: “Ferro na taba do queixo… feito bode”.

Por sorte, Cristino ficou numa cela com oito companheiros, e um deles era protegido pelo prefeito do lugar. Poucos dias depois recebe uma sacola com alimentos, contendo ainda ferramentas para a fuga e um bilhete avisando que no dia seguinte todos seriam fuzilados e que por isso tratassem de fugir enquanto era tempo. No dia seguinte, quando o sol nascia na Paraíba, Cristino era novamente um homem livre.

Vai parar em Villa Bela (atual Serra Talhada), refugiando-se na fazenda Carnaúba, reduto da família Pereira, celebres no Pajeú devido aos aguerridos combates contra as famílias Nogueiras e Carvalhos. Né da Carnaúba precisava de homens valentes na sua terra para utilizá-los quando necessário, colocando-o entre seus moradores. Novamente Cristino volta pra a vida normal de cuidar do gado e da roça. Estávamos no inverno de 1926. Certo dia, o filho do prefeito de Villa Bela, em visita à fazenda Carnaúba, reconhece Cristino e avisa a seu Né que seu pai recebera uma precatória para sua prisão, e que se fosse levado para a Paraíba seria certamente executado no caminho.

O conhecido fazendeiro explica a situação para Cristino e o aconselha que a única solução seria ingressar no bando de Virgulino Ferreira, Lampião, celebre cangaceiro que à época já chefiava cerca de 100 homens em armas, travando uma guerra de vinditas contra a família Nogueira, esta, ligada aos Carvalhos, inimiga dos Pereiras. Lampião, nesta época já ostentava a patente de Capitão das forças legalistas, dada meio à força pelo Padre Cícero do Juazeiro do Norte, após um convite firmado para que o cangaceiro combatesse a coluna prestes que, em formação de caravana, invadia o sertão.

Lampião, ao ouvir as razões que o fizeram virar um foragido da justiça, resolve admiti-lo no bando, colocando-o sob a chefia de Jararaca, um valente cangaceiro natural de Buique/PE. Jararaca, ao conhecer o alagoano Cristino, vai logo dizendo que o mesmo tem que mudar de nome, pois cangaceiro tinha que ter um vulgo que impusesse medo. Seu primeiro tiroteio foi logo no dia seguinte na fazenda Tapera, quando fora chacinada a família Gilo (este, um assunto guardado para páginas seguintes, devido à gravidade dos fatos e a um grande mal que assolava o sertão na época. O Boato). A partir daquele dia, diante da bravura, agilidade e intrepidez do louro Cristino, este ganhou o apelido de Corisco.
Corisco ficou no bando até maio de 1927. Tanto isso é verdade que não se vê a sua presença no grande ataque à cidade de Mossoró/RN em 13/06/1927. O mesmo tentara deixar o cangaço e mostrara a Lampião que queria começar vida nova. Viver sem ser perseguido. Tinha muita vontade de ir para a Bahia, terra dos seus pais e onde ainda tinha muitos parentes. Queria montar um comercio ou entrar na polícia. Queria levar uma vida sossegada, pacata. Lampião ouviu suas razões e disse que não tinha problema, poderia ir quando quisesse, mas que tivesse cuidado, pois se descobrissem que ele havia participado do bando de Lampião seria morte certa. Disse-lhe ainda que no dia em que quisesse voltar seria bem recebido.

Corisco, agora com o nome de Cristino de novo, vai para Salgado do Melão e fica no meio dos parentes. Era cidadão comum de novo e nova vida iria recomeçar. Um homem valente não passa despercebido e em pouco tempo Cristino foi convidado para ser guarda costas do Coronel Alfredo Barboza, em Vila Nova da Rainha. O serviço não exigia tempo integral e o ex cangaceiro, agora regenerado, dedicava-se também ao comercio de pequenos animais, abatendo-os e vendendo a carne nas feiras semanais. Data desta época o desentendimento do jovem feirante com o delegado Herculano Borges, quando Cristino reclama da cobrança abusiva de um imposto na feira, é brutalmente agredido pelo delegado e seus ajudantes. Com mais esta desmoralização Cristino opta por não se vingar imediatamente, pois caíra nas graças do coronel e até noivo estava de uma sobrinha sua, a Marieta, e já tinha também a promessa de montar uma mercearia quando desposasse a donzela.

Novamente o destino lhe é cruel. Cristino tinha uns primos envolvidos em questões, coisa comum naquele sertão sem lei, e ele termina arrastado naquele desmantelo de desavenças e intrigas. São emitidas precatórias para a prisão dele e dos primos. Este, com o sonho do casamento desfeito, passa a viver escondido no mato, enquanto seus parentes passam a sofrer todo tipo de perseguição.

Herculano Borges, antes indisposto com ele, agora não lhe dá sossego. Vários de seus parentes são torturados, castrados, violentados, assassinados pelas volantes e, acreditem, alguns até enterrados vivos.

Cristino perde tudo. Comercio, noiva, emprego, família, e volta novamente para a clandestinidade. Agora, com o coração ardendo em ódio, une-se a Ferrugem, Hortencio, vulgo Arvoredo, Emilio Ribeiro, vulgo Beija Flor e Manoel Cirilo, vulgo Jurema, quase todos primos seu. E ele… De novo, e agora para sempre: Corisco, o Diabo Louro!

É nesta época que Corisco se apaixona por uma jovem de 12 a 13 anos de idade, seqüestrando-a, leva a donzela para casa de parentes seus. Não sem antes violentá-la e fazê-la, mesmo à força, sua mulher.


A moça se chamava Sérgia, e quando Corisco consegue enfim trazê-la para perto de si, passa a tratá-la com desvelo e delicadeza tamanha que a mesma se apaixona pelo facínora. Sérgia seria futuramente a Dadá, mulher valente, perversa e considerada a princesa do Cangaço. Corisco passa a atuar com grupo próprio nos meados de Agosto de 1928. Já em Dezembro do mesmo ano vamos vê-lo incorporado ao bando de Lampião quando este viajava em rota batida, fugindo dos desafetos de Pernambuco, indo se homiziar em terras baianas. No dia 17/12/1928, o grupo do cangaceiro Lampião é fotografado na vila de Pombal (ver foto abaixo), com um contingente reduzidíssimo, devido as perseguições, mortes, prisões e debandadas de alguns cangaceiros.

Ao lado do Capitão Lampião está o que restou dos seus melhores homens: Ponto fino (Ezequiel, seu irmão), Moderno (Virgínio, seu cunhado), Luiz Pedro (seu lugar tenente), Antonio de Engracia, Jurema, Mergulhão e por ultimo, Corisco.

A partir deste ano de 1928 até maio de 1940 muitos crimes foram perpetrados pela horda assassina. A maioria era crime de vingança, como o assassinato do Delegado Herculano Borges, assunto que brevemente iremos postar. Contudo, no dia 03 de Maio de 1940, Corisco já considerado o novo Rei do Cangaço, devido à morte do seu Chefe e amigo Lampião em 28 de junho de 1938, – dois anos antes da sua – resolve fugir com a mulher Dadá e apenas uma criança de 10 anos que os acompanhava. Corisco planejava fugir para Mato Grosso ou Goiás, pois tinha muito ouro guardado e negava-se se entregar à volante, pois sabia que com certeza seria morto, pois ali a única coisa que interessava à polícia era o seu dinheiro.

E foi no que se deu. O tenente Zé Rufino, policial pernambucano que prestava serviço à Bahia, estava no seu encalço. Corisco, devido às diversas escaramuças e fugas da volante, estava debilitado e seus dois braços ficaram inutilizados por força de ferimentos à bala em tiroteio recente. Dadá, sua mulher, passara a usar o fuzil no seu lugar. A volante alcança-o em Barra do Mendes, município de Brotas de Macaúbas, na fazenda Pulgas, onde se escondia.

A volante toma posição, cercando a tapera em que o cangaceiro se escondia. O tenente Rufino grita:

- Aqui é o Tenente Zé Rufino! Se entreguem que eu agaranto a vida de voceis!

Na saída do casal de dentro da casa o que se ouve é uma fuzilaria infernal. Era Dadá, que atirava com o fuzil por sobre o ombro do marido aleijado e impotente. A resposta é imediata. Corisco, metralhado na barriga, tomba desfalecido, com as vísceras expostas. Dadá, ao seu lado urra de dor com um dos pés dependurado nos tendões.

A volante se aproxima. Um soldado coloca para dentro os intestinos do velho cangaceiro, dizendo:

- Tenente, esse aqui já era! Tá fedendo a merda, e fedeu a merda é morte certa, não é?

Zé Rufino se apresenta para Corisco e pergunta:

- Pru quê num si intregô, Rapaiz?

- Tô sastifeito. Sô homi pra morrê, não pra sê preso! Respondeu Corisco.

Corisco, após este episódio, veio a falecer algumas horas depois. Dadá, levada presa, teve a perna amputada. O tenente Zé Rufino, se transformou num herói, por ter sido o responsável pelo fim do cangaço no sertão nordestino, fechando assim um ciclo terrível que lavou o sertão de sangue e desgraça. Ciclo este só comparado às entradas dos Bandeirantes, que chacinavam índios indefesos dentro de suas próprias terras, em nome do processo de colonização. Mas esta já é outra estória!


Quem matou Delmiro Gouveia?

Autor: Gilmar Teixeira

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Os cangaceiros Volta Seca e Passarinho

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Isto principalmente pela grande propaganda que se fizera em torno das alegadas características de “demência e denegeração racial” dos cangaceiros.

Daí, tanto “Bananeira” quanto “Volta Seca” foram imediatamente encaminhados para exames de craniometria, que buscavam enquadramento de ambos nas “características lombrosianas”. Estas apontariam as “evidências claras que indicavam tendendência ao crime”.
Para constrangimento dos "estudiosos" da época, o crânio dos cangaceiros era normal. Isto é, não apresentando quaisquer dos "indicadores de criminalidade latente", mostravam-se geralmente tranquilos, cordatos nas respostas e sem criar confusões com quem quer que fosse.

Para quem esperava encontrar um monstro... foi uma decepção para os frenologistas e fisiognomistas da "escola lombrosiana", relacionada a Nina Rodrigues... e uma vitória do grupo de Estácio de Lima...

Extraído do blog "Cangaço na Bahia", do professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2011/10/o-cangaceiro-bananeira.html

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Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Crédito para o confrade Augusto da comunidade do Orkut Lampião, grande Rei do cangaço.