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sábado, 29 de junho de 2013

O Encontro de Padre Cícero com Lampião

Padre Cícero e Floro Bartolomeu - a união entre religião e política no sertão do Ceará

Um dos fatos mais pitorescos da passagem da Coluna Prestes pelo Ceará deu-se com o inusitado convite feito por Floro Bartolomeu ao cangaceiro Lampião – para combater os rebeldes e defender a legalidade. 
Ainda sediado em Campos Sales, com seus batalhões de jagunços, Floro teria enviado um mensageiro portando uma carta para o “rei do cangaço” – carta referendada e assinada também por Padre Cícero – pedindo a presença do cangaceiro em Juazeiro.  

Lampião que, por ser devoto de Padre Cícero, evitava atacar o Ceará, ao receber o convite do padre apressou-se a atendê-lo, chegando a Juazeiro com cerca de 50 homens, no inicio de março de 1926, quando a Coluna já havia deixado o Estado.

Naquela cidade, num único e marcante encontro, Lampião, após ser aconselhado por Padre Cícero a deixar aquela vida de bandidagem, comprometeu-se a combater a Coluna Prestes, recebendo armas, fardamentos e uma patente de capitão do Exército.

Capitão Virgulino Ferreira

A presença de Lampião em Juazeiro provocou alvoroço. Uma multidão se formou para ver o famoso cangaceiro e seu bando. Lampião concedeu entrevistas, bateu fotos, ofertou esmolas à igreja local, recebeu visitas e foi agraciado com presentes, sem ser incomodado pela polícia.

O bando deixou Juazeiro satisfeito, sobretudo porque o documento que dava ao chefe a “patente” de capitão – o que correspondia ao perdão de seus crimes e a não ocorrência de mais perseguições por parte da polícia – havia sido assinado a pedido de Padre Cícero pela única autoridade federal em Juazeiro, um agrônomo do Ministério da Agricultura, Pedro Albuquerque Uchoa.

Conta-se que chamado mais tarde a Recife, para explicar tamanho absurdo, o agrônomo teria dito aos seus superiores que, naquelas circunstâncias, e com o medo que tinha de Lampião, ele teria assinado até a demissão do presidente Arthur Bernardes.

Lampião, contudo, não foi combater a Coluna Prestes. O cangaceiro, agora definitivamente nomeado Capitão Virgulino Ferreira, talvez tenha temido a fama de guerreiros dos tenentes, talvez tenha ficado irritado ao descobrir que a “patente” não tinha valor legal, portanto não valia nada. 
Virgulino ainda tentou falar com Padre Cícero, mas este se recusou a recebê-lo novamente.

O patriarca de Juazeiro foi duramente criticado pela imprensa de Fortaleza, a qual usou o episódio como prova da proteção que o padre fazia a criminosos.

Apesar do acontecido, Lampião nunca perdeu o respeito nem a admiração que tinha por Padre Cícero.

Padre Cícero Romão Batista

Em junho de 1927, Lampião voltou ao Ceará, após uma fracassada tentativa de saquear Mossoró, no Rio Grande do Norte. O bando ocupou Limoeiro do Norte, exigindo uma quantia em dinheiro como “resgate”.

Dias após deixar Limoeiro, Lampião sofreu uma emboscada feita por 500 policiais, perdendo grande parte das provisões, munições e montarias.

Com poucas armas, a pé na caatinga, os cangaceiros travaram em seguida outro tiroteio com a polícia, desta vez na Serra da Macambira, em Pernambuco. Apesar da escassez de armamentos, os bandidos derrotaram centenas de policiais, fazendo aumentar nos sertões a lenda do “rei do cangaço”.

Ajudados por coiteiros, os cangaceiros escaparam para os sertões de Pernambuco.    

A Outra Versão para o Encontro

Os fiéis juazeirenses até hoje reagem com indignação a esse relato do encontro entre Padre Cícero e Lampião. Segundo uma versão que veio a público em data recente,

Lampião teria “ouvido falar” que Padre Cícero precisava de ajuda para combater os “revoltosos”, e compareceu espontaneamente a Juazeiro.

O padre, pego de surpresa com a presença dos cangaceiros, e sem outras opções, viu-se obrigado a hospedar Lampião, por temê-lo e para evitar um confronto do bando com a população.

Padre Cícero encontrou-se então, duas vezes com o rei do cangaço e não lhe teria dado nem as armas nem a “patente”, porque como prefeito, não tinha poderes para tanto.

O secretário de padre Cícero Benjamim Abraão em fotos dos anos 1930 ao lado do bando de Lampião. O libanês registrou as únicas imagens fotográficas do cangaço.

Segundo ainda essa versão, foi o secretário de Padre Cícero, o libanês Benjamin Abraão, que teria sugerido, em tom de brincadeira, que a “patente” poderia ser dada pelo agrônomo. Vendo o interesse do cangaceiro, Abraão viu-se obrigado a convencer Pedro Uchoa a redigir o documento.

Benjamim Abraão ao lado de Maria Bonita e Lampião

Também teria sido sua a ideia de confeccionar e dar fardamentos dos ”batalhões patrióticos” aos cangaceiros.

Essa versão exime totalmente tanto o Padre Cícero quanto Floro Bartolomeu de qualquer responsabilidade na contratação dos serviços do bando de Lampião. 

fonte: História do Ceará de Airton Farias

http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/01/o-encontro-de-padre-cicero-com-lampiao.html

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Comentário sobre os cangaceiros Chico Pereira e Jararaca

Por Kydelmir Dantas(*)

Caros pesquisadores Volney Liberato e José Mendes.

É por demais interessante quanto o tema cangaço é apaixonante. Conheci o autor do livro "Vingança, Não!" o ex-padre e filho do Chico Pereira, seu homônimo.

O cangaceiro Chico Pereira 

Havia muito mais a conversar do que a se ler, nas palavras e escritos daquele filho que ficou órfão tão cedo. Para vocês terem uma ideia, a mãe dele (d. Jardelina) noivou, casou, pariu e ficou viúva no espaço de 5 anos.


Quando da implantação do Museu de Acari, levamos o material que o Volney Liberato menciona, para fazer parte da história da antiga cadeia pública, e foi colocado na cela onde Chico Pereira ficou detido, quando foi transferido de Cajazeiras para Natal. 

Volney Liberato

Para nossa surpresa, foi motivo de controvérsias e, até de artigo 'inflamado' num jornal de Natal, pois algumas pessoas acharam ser indigna 'aquela história' na casa da memória. Hoje se encontra na parte do 'arquivo morto' do Museu. Uma lástima.

Quanto ao episódio do 13 de junho de 1927, mestre José Mendes, Mossoró deve, sim, se vangloriar de ter 'botado pra correr' o Rei do Cangaço. 

Bando de Lampião em Limoeiro

Nunca os mossoroenses se vangloriaram da execução do preso de justiça José Leite de Santana, que foi morto na madrugada do dia 19 de Junho.

O cangaceiro Jararaca que foi covardemente executado em Mossoró

Mesmo que a sua Certidão de Óbito esteja assinada com a data de 18, pelo dr. Marcelino. Um atestado de morte para um homem vivo. Mais um dos mistérios da morte de Jararaca... Terá sido queima de arquivo? Quem houvera de saber!

(*) É poeta, escritor, sócio da SBEC e pesquisador do cangaço.

Publicado no blog do pesquisador Honório de Medeiros no dia 14 de Maio de 2012

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/2012/05/morte-do-cangaceiro-chico-pereira.html

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Manifesto Restauro da Casa de Chico Pereira

Por: Wescley Rodrigues
Wescley Rodrigues e a professora Ana Lúcia

 Nobres amigos e amigas,

Bom dia!

Por ocasião do Seminário Parahyba Cangaço, foi lido no dia 16 de junho de 2013, na cidade de Nazarezinho, o manifesto que pede o tombamento da casa do sítio Jacú, antiga residência do cangaceiro Chico Pereira, e a criação de um museu no referido local.
Em anexo encaminho o manifesto lido.

Atenciosamente

Prof. Wescley Rodrigues

MANIFESTO EM PROL DO RESTAURO DA CASA DO SÍTIO JACÚ

Exmº. Sr. Prefeito do Município de Nazarezinho, autoridades municipais constituídas, cidadãos e cidadãs do estado da Paraíba e demais estados da Federação, família Pereira, o cangaço foi um movimento que marcou a história do sertão nordestino, sendo um movimento que, devido as suas peculiaridades e características não encontramos em outro lugar do mundo, sendo algo eminentemente nosso, um dos elementos caracterizadores da região Nordeste.

Alguns registros históricos pontuam a existência de cangaceiros já no século XVIII, no momento das entradas de gado e de desbravamento dos sertões. No entanto, o apogeu do cangaço deu-se na primeira metade do século XX. Sabemos perfeitamente que a figura do cangaceiro liga-se ao banditismo, a violência, a assassinatos, roubos, estupros e depredações do patrimônio público e privado, mas devemos salientar que esses homens e mulheres chamados por muitos de bandidos, foram fruto da sociedade de sua época. Essa sociedade marcada pela má distribuição de terra, latifúndios, trabalho escravo ou servil, analfabetismo, descaso por parte da justiça e das autoridades políticas, falta de políticas públicas e trabalho.


Todos esses fatores acabaram levando muitos sujeitos a enxergarem no banditismo uma solução imediatista para a resolução dos seus problemas, pois quando bate a fome, como bem disse o médico Josué de Castro no seu livro “Geografia da Fome”, o homem perde todo o seu código ético e moral e deixa a sua fera interna romper as barreiras da conversão social para poder alimentar-se. Essa é a busca desenfreada pela sobrevivência.

Outro fator que carece de uma atenção mais amiúde foi à falta de justiça, haja vista ser a justiça no século XIX e início do XX totalmente parcial, estando à disposição apenas da elite que a manipulava acabando por marginalizar inúmeros sujeitos por meio de ações que levavam a injustiça, plantando no homem um sentimento de revolta. Vitimados muitos viam nas armas a solução para os seus problemas, o meio para alcançar a tão almejada vingança; um refúgio protetor contra uma elite e um sistema coronelístico desumanizador; e um meio de vida para sobreviver apesar de todas as intempéries da vida nômade na caatinga.

O final do século XIX e início do XX surgiram cangaceiros famosos, os quais, por meio das suas ações, se imortalizaram na memória e trova popular. A história dos seus atos foram gradativamente passando de geração a geração. Essas narrativas construíram um espaço memorialístico para a figura do cangaceiro, os quais tinham seus feitos reproduzidos por meio das falas populares, das histórias mirabolantes salientadas pelos caixeiros viajantes ou por meio da deliciosa construção discursiva do cordel. Tivemos nomes que até hoje são lembrados: Jesuíno Brilhante no Rio Grande do Norte, Lucas da Feira na Bahia, Antônio Silvino na Paraíba e Pernambuco, Sinhô Pereira no Pernambuco, Virgolino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, grande ícone do “ser” cangaceiro e que “reinou” nas suas andanças por sete estados do Nordeste brasileiro; e Chico Pereira no sertão paraibano. Poderíamos citar inúmeros outros, mas nos detemos de forma ilustrativa no nome desses.

Nesse contexto apresentado, falar do Nordeste sertanejo é falar do cangaço, não temos como apagar da história esse movimento que mazelou por muito tempo o povo nordestino, muitos pobres que viviam isolados na caatinga. Lembrar do cangaceiro não é um ato de revesti-lo com armaduras de heroísmo, de fazermos apologia a violência e ao banditismo, mas sim, voltar o nosso olhar para um momento crítico da nossa história, buscando entendê-lo, esmiuçá-lo para não cometermos no presente os mesmos erros do passado. Falar do cangaço é analisar antropologicamente o homem sertanejo tão estigmatizado e martirizado com as intempéries climáticas e com a desvalorização política. Falar do cangaço é discutir o papel da justiça como um meio responsável por lutar pela dignidade da pessoa humana e pelo princípio da equidade. Como coloca Francisco Pereira Nóbrega no livro “Vingança, não”: “Cangaceiro não era apenas o perverso, o tarado. Havia-os também honestos, incapazes da menor crueldade gratuita, de armas em punho só para tentar justiça”.

Em uma sociedade que abria poucas possibilidades para o pleno desenvolvimento dos sujeitos, assumir a vida das armas era uma forma de buscar se fazer ouvir, lutar por seus direitos, haja vista a justiça da época só valorizar a elite.

Estando encravada no Nordeste, a Paraíba não esteve imune à atuação dos cangaceiros, como também era caracterizada por todos esses fatores conjecturais expostos há pouco, que promoviam a segregação social. Ao palmilharmos essa história nos deparamos com a figura do cangaceiro Chico Pereira, um dos maiores ícones do cangaço paraibano, homem de fibra que se fez personagem da história do Brasil e que precisa ter a sua memória preservada.

O que percebemos é que essa história tão rica que temos na cidade de Nazarezinho não é valorizada, estudada, acabando por, gradativamente se perder no tempo, acarretando perdas irreparáveis para a história do Brasil e do cangaço no Nordeste. As futuras gerações tem direito a memória, a história, sendo a história de Chico Pereira não só um patrimônio de Nazarezinho, mas de todo o Brasil e de todos os brasileiros e brasileiras. É preciso preservar para os nossos filhos terem direito de conhecer as raízes da nossa constituição histórica e identitária nacional, pois “a história, por vezes, ironiza os homens” (Nóbrega, 2002, p. 65). Um dos maiores medos dos gregos não era o do julgamento dos deuses, mas sim o julgamento da História, de serem lembrados como covardes ou não serem lembrados pela posteridade.

A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 23 é muito clara quando determina:

É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: [...]

III – proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV – Impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e a ciência.

A belíssima casa do Sítio Jacú, que pertence a família Pereira, é de um enorme valor histórico, tendo grande importância como patrimônio material para a história do Brasil. Percebemos está a casa ameaçando ruir devido a ação do tempo, necessitando urgentemente reparos e restauro.

Assim, nós pesquisadores(as) pedimos encarecidamente a Prefeitura Municipal de Nazarezinho, ao Governo do Estado da Paraíba e a família Pereira, o restauro imediato, o tombamento da casa citada e a criação de um museu destinado ao movimento social do cangaço, essa seria uma homenagem a memória de Chico Pereira. Pois, como foi dito, hoje Chico Pereira é um patrimônio para todo o povo brasileiro. Gostaríamos que o Exmº. Sr. Prefeito tome uma atitude imediata, antes que a história passe a conhecer Nazarezinho como uma cidade sem cultura e sem memória, que não guarda a sua herança histórica.

Nazarezinho – PB, 16 de junho de 2013.
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC)
Cariri Cangaço

Comitê em prol da Reforma e Tombamento da Casa de Chico Pereira

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

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Cariri Cangaço Baixo São Francisco ...


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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Feliz Aniversário!

Por: Antonia Aruza

Feliz Aniversário! Hoje é o aniversário da mulher da minha vida. Obrigada meu Deus, por dar vida longa a esta que uma grande mulher, pelas virtudes de ser: 


uma mãe maravilhosa, para nós seus filhos perfeita!;  Vencedora, amiga, religiosa, grande companheira e esposa para meu pai (in memorian - saudades meu amor). 


Obrigada sempre meu Deus por todas as tuas maravilhas em nossas vidas. Abençoa minha MÃE  hoje e sempre, dê a ela: saúde e paz em sua velhice. Feliz Aniversário e Parabéns minha amada. Amor da minha vida! 

Mensagem da sua filha Antonia Aruza

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TRIBUTO A VIRGOLINO - A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO


A cultura e a história que pulsa nas veias do sertão já tem data marcada para sua comemoração: O “TRIBUTO A VIRGOLINO – A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO”, será nos dias 24, 25, 26, 27 e 28 de julho/2013, na Estação do Forró e no Museu do Cangaço, em Serra Talhada/PE – Terra de Lampião e Capital do Xaxado, reunindo grupos musicais, grupos folclóricos, pontos de cultura, feira de artesanatos, violeiros repentistas, cantores, poetas, ex-cangaceiros, ex-volantes e todo público geral, numa festa em homenagem aos 75 anos de morte de Lampião.

O “TRIBUTO A VIRGOLINO – A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO” é um projeto que congrega diversos grupos e artistas, produtores culturais e artesãos celebrando a cultura de raiz, integrando as seguintes linguagens:

1.   Música; 2.   Teatro; 3.   Dança; 4.   Fotografia; 5.   Cultura Popular; 6.   Literatura; 7.   Artesanato; 8.   Gastronomia.

Durante a programação do evento, será apresentado o espetáculo O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO, uma encenação teatral ao ar livre, contando a história do cangaceiro pernambucano, apresentações musicais com Trios e Grupos de Forró Pé-de-Serra, apresentações de Grupos de Danças Populares, Feira de Artesanatos, Área de Alimentação com comidas típicas da região, além da realização da CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO, um momento em que todos os grupos e artistas convidados se reúnem para afirmarem a importância do Cangaço na identidade cultural do povo sertanejo.

Todas as atividades serão realizadas na ESTAÇÃO DO FORRÓ e no MUSEU DO CANGAÇO, utilizando diversos espaços/palcos paralelos um do outro.

O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO consiste na encenação de um espetáculo teatral ao ar livre, em Serra Talhada/PE, berço de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, contando sua história, mesclando acontecimentos reais com o imaginário popular e o folclore, com vistas ao fomento nas artes cênicas na região do sertão nordestino, bem como a geração de emprego e renda para as cidades circunvizinhas e incentivando o turismo e a cultura local, estimulando o conhecimento da história, promovendo a auto-estima, valorizando profissionais do teatro, envolvendo artistas e técnicos da região e do estado. O espetáculo será em ESPAÇO ABERTO, SEM VENDA DE INGRESSOS
(See attached file: O MASSACRE DO ANGICO.dot)


Realização:
Fundação Cultural Cabras de Lampião

Patrocínio:
Funcultura / Fundarpe / Secretaria de Educação / Governo de Pernambuco

Apoio:
Ministério da Cultura
SEBRAE/PE
SESC/PE.
Secretaria de Cultura / Prefeitura de Serra Talhada.
Comércio local.

MUSEU DO CANGAÇO
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170

Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Em 05.01.1934 o Jornal A tarde publicou esta reportagem


Chefiado pelo cangaceiro “Corisco” apareceu no interior um grupo de oito bandidos e duas mulheres, que atacaram o povoado da “Ilha Grande” na fronteira de Pernambuco: saquearam varias casas levando joias e dinheiro. Corisco, após o saque deu cem palmatoradas, além, de uma surra de chicote, no vaqueiro Clementino. 

Fonte: (A TARDE, Salvador. p. 01.05 Jan. 1934).

Poderá gostar de:

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Lampião em Alagoas

Autor: Clerisvaldo B. Chagas

São 467 páginas.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Paulo Gastão - Nazarezinho

Por: Wescley Rodrigues

Meus nobres amigos e amigas

Saudações cangaceiras!

Em anexo encaminho a conferência proferida pelo 


amigo Paulo Gastão, no dia 16 de junho de 2013, por ocasião do Seminário Parahyba Cangaço, na cidade de Nazarezinho - PB.

Boa leitura!
Abraços,
Prof. Wescley Rodrigues
Nazarezinho

Pela primeira vez estamos a nos debruçar sobre momento delicado e significativo ocorrido nesta região. Retornarmos no tempo significa interesse nas nossas origens. A história que estamos a abraçar é singular. A primeira pergunta que muitas pessoas fazem trata-se de uma interpelação ou curiosidade.

Que dimensão se pode dar a família Pereira?

Ela no Nordeste se fixou e tem se ampliado das margens do rio São Francisco, onde mencionamos Piranhas; seguimos em direção ao Norte e abrigados os encontramos às margens do rio Pajeú em Serra Talhada e na ribeira do Piancó, representada por Nazarezinho. Como trazer os Pereira para com a presença dos cristãos novos entre nós?

Necessário se faz de estudo genealógico contundente, específico e esclarecedor para que possamos nos aperceber da representatividade desta ilustre família.

Alguns aspectos são determinantes para com o processo evolutivo desta região. A presença dos dirigentes da Casa da Torre é determinante, no sentido da implantação de novos currais. Com a caminhada dos vaqueiros até o Sul do estado do Piauí em determinado momento verificamos o caminho de volta pelo gado gordo, que transitava na chamada Estrada Real, que determina a espinha dorsal deste estado, servindo até os dias atuais, para seu grande fluxo de riquezas e materiais de vários matizes. Esta estrada é fundamental para levar a proteína até as populações do litoral, que se dedicavam a glicose pela cana-de-açúcar e seus derivados.  Para que estes conceitos sejam ampliados recomendamos a leitura da obra de Rosilda Cartaxo – Estrada das Boiadas (roteiro para São João do Rio do Peixe).

A geografia nos mostra de uma situação deveras interessante. Sendo Nazarezinho considerado nosso centro, para o Norte temos o Rio Grande do Norte; para o Sul Pernambuco e para oeste o Ceará. Conclui-se que o elemento – divisa – encontra-se bem próximo. Se constitui erro designar como fronteira, pois, é entre países que a denominação é correta. Que os futuros pesquisadores não cometam este erro. Os deslocamentos para outros estados eram frequentes, desde que não era permitida a presença de militares atuando fora do seu estado de origem. Depois de algum tempo as divisas deixaram de ser problema para o trânsito das volantes.

O mando regional era estabelecido pelo coronel. Desde o século XIX que as patentes eram compradas. O imenso país, sem vias de acesso, buscou o governo na figura do coronel o processo administrativo, de mando, das diretrizes políticas e do conteúdo social. Era, portanto, o coronel, um potentado por excelência. Para seu comando corria a riqueza da região, concentrando inclusive as peças de ouro e deixando as localidades pobres ou de pouca representatividade. Dai a grande concentração dos movimentos bélicos terem ocorrido na área do campo e de pouca atuação nas comunidades que buscavam a todo custo se tornarem núcleos denominados de cidade. Nos afirma Horácio de Almeida, na sua História da Paraíba, que no Nordeste o aparecimento das  cidades ocorre a partir de 1850.

A região recebe a Coluna Prestes oriunda do Norte, que tinha alcançado Flores, hoje Timon, estado do Maranhão. O caso do padre Manoel Otaviano, que resolveu defender seu rebanho tendo trágico fim, representa o mais significativo episódio em terras paraibanas. Quando anos após eclode a Revolta de Princesa, sob o comando do coronel Zé Pereira, chefe político e filho de tradicional família da região oestana.  Mais uma vez temos o registro dos Pereira, fazendo história no seu torrão natal. Não confundir este episódio isolado com a Revolução de 30, que atingiu a nação.

A implantação de novos segmentos na região determinou a chegada do barracão. Este por sua vez era controlado e mantido pelo coronel e servia como fonte de abastecimento aos residentes na construção de açudes, estradas e outros segmentos. Desta feita vamos nos deparar com grave situação, desde que, ocorre um assassinato vitimando pessoa de representatividade na comunidade local. O barracão funciona em São Gonçalo. É morto o sr. João Pereira e outros. O moribundo pediu por várias vezes que não existisse vingança.

Acreditamos que caso único no planeta, onde fica estabelecida a conduta em não haver vingança. Gesto heroico e que deve ter sensibilizado a todos que tomaram conhecimento da decisão. Com o passar do tempo aparece no caminho a saga histórica de Chico Pereira.

Como nos posicionarmos frente a epopeia vivida por este paraibano? No inicio do ano de 1959 de férias na minha cidade, Trinfo estado de Pernambuco, recebemos a visita de um senhor que procurava pelo meu genitor. O nome do meu pai é Manoel Gastão Cardoso que morou vários anos em Princesa e dela se afastando por recomendação da própria família quando estourou a Revolta de Princesa. Foi ele ao chegar a Triunfo funcionário da firma do coronel Carolino de Arruda Campos, também conhecido pelo apelido de – Duduzinho. Tornou-se almocreve e consequentemente conhecedor da região e seus habitantes. O período das suas andanças está compreendido entre 1930 e 1940. Porém, o meu pai não se encontrava na cidade naquele momento. Fizemos ver ao nobre pesquisador que desconhecíamos documentos referentes ao assunto em questão, mas, na vizinha Princesa ao chegar ao cartório, procurasse o senhor Zacarias Sitônio, meu padrinho de batismo. Com ele tudo seria resolvido. E assim segue Pereira da Nóbrega em busca de informes.  Vez primeira que estivemos com a ilustre figura do naquele tempo reverendo.   Não nos vimos nunca mais. Raras vezes trocávamos informações pelo telefone. A última vez que tentamos trazer Chico Pereira foi para encenação da peça Vingança, Não em teatro na cidade de Mossoró.  Proposta a ser analisada, mas infelizmente não se confirmou. Com algum tempo tomávamos conhecimento que Chico teria de nós se despedido para ficar ao lado do pai.

Outro momento que gostaríamos de aqui registrar ocorreu no nosso tempo de universitário na cidade do Recife. Para bem caracterizar no bairro do Espinheiro.  Em plena manhã de domingo encetamos visita a nossa amiga Lília, por nós chamada de Lila, era ela nossa vizinha em Triunfo na Rua da Caridade, hoje homenageada com o nome do homem que implantou as Casas de Caridade, Rua Padre Ibiapina. Deveriam ter colocado - Rua Mestre Padre Ibiapina. Pois bem, traquino e irrequieto sempre estávamos em cima do muro e quando descíamos era para o lado da casa dela, recebendo bolo ou doces. Ela não tinha filhos menores, e acreditamos ter a nós se dedicado pela nossa tenra idade. Era seu marido o guarda-livros Sigismundo Pinto, oriundo do Vale do Piancó e proprietário do Jornal ‘A Voz do Sertão’, que circulou por muito tempo na cidade. Seus filhos Miranda, Vanice, Geraldo, Vanilda e Vanessa todos com sobrenome Campos. A Vanessa é jornalista, trabalha como editora de assuntos do sertão na empresa Jornal do Commércio em Recife e acaba de lançar livro sobre o cangaço. Naquele domingo conhecemos uma grande figura, grande mulher. Seu nome Jardelina que para a família era Jarda. Estatura mediana, magra, não esboçava nenhum sorriso, pouco se comunicava, porém, demonstrava viver algum problema de ordem familiar, pois, a roupa usada naquele momento era de cor preta, significando o chamado luto fechado. Não procuramos saber em detalhes de quem se tratava, nem por que aquele traje. Dias depois, tomamos conhecimento de quem se tratava e por não termos ainda nos ligado a história por ela vivida houve total desligamento e nunca mais nos vimos. Perdemos uma grande oportunidade em nos aproximarmos daquela que se casou ainda de menor, com o homem que amava e a ele continuou ligada até seu último suspiro e que trouxe ao mundo três crianças que se tornaram o orgulho dela, da família e de nós outros que deles nos aproximamos. Precisamos registrar com carinho seus nomes – Raimundo, Francisco e Dagmar. Todos receberam o melhor que ela poderia dar – a educação. Raimundo torna-se engenheiro; Francisco segue o caminho da religião sendo padre e Dagmar, agora como Albano, se fixa na Ordem dos Franciscanos Menores.
Em busca de ampliar nossos conhecimentos nos deparamos com Rosilda Cartaxo, a mulher que ganhou título de baronesa de São João do Rio do Peixe que nasceu em Cajazeiras e foi sua cabeça lavada na mesma pia onde o padre Rolim foi batizado. Para nosso estudo recomenda-se a leitura de ‘Estradas das Boiadas’ e em particular ‘Mulheres do Oeste’. Dentre importantes e representativos nomes de mulheres da região nos deparamos com Jardelina Pereira Nóbrega – Jarda. Relata a escritora: “Se hoje eu falo de Mulheres do Oeste, o espaço devia ser todo seu – Jarda – a medida do amor. Certa vez encontrei-a na igreja, ajoelhada, terço na mão, soletrando mágoas e rimando solidão. As rosas deixadas no beiral da Casa Grande de Nazarezinho se despetalaram. Só a saudade de Chico Pereira não passava. Registramos que Dom Adelino Dantas dirige carta a escritora logo que recebe seu livro. Mais adiante temos – Jarda não guardava mágoas pelo título de cangaceiro dado a Chico Pereira. Aceitou. Feliz teria ficado se esta carta fazendo-o Mártir tivesse lhe chegado às mãos. Se um dia Chico fora chamado de bandido, um Bispo da Bahia Dom Adelino Dantas, chamou-o de Mártir, perdoado foi quando a família criou a frase “VINGANÇA, NÃO”, maior atestado de humanismo.  A  autora finaliza sua homenagem a esta grande mulher assim relatando: Jarda tem neste espaço todo o carinho dos Dantas lá do Serrote, em São João do Rio do Peixe, que fez a pousada de Chico!

Em determinado momento as famílias de Sigismundo e Pereira se cruzam quando seus filhos Raimundo e Vanice se casam e vão residir em Brasília nos seus primeiros anos de existência, já tendo se tornado a jovem Capital Federal. Não sabemos as causas durante passadas festas do Natal, Raimundo desapareceu e até hoje nenhuma notícia do seu paradeiro. Chico foi para Roma, tornou-se escritor, professor e jornalista. Consegue no final da vida transformar sua grande obra em peça de teatro. E assim Vingança, Não teve inicio a sua grandiosa caminhada. Pelos caminhos do radioamadorismo nos aproximamos de um colega que operava na cidade de Aracaju. Era ele frei Lauro, frade da mesma ordem de Albano e que por nossa solicitação, sem saber do que se tratava, quando nós queríamos conhecer mais um filho de Chico Pereira. O tempo se passa e frei Lauro de descendência alemã, passa a residir em Campina Grande, onde viemos a conhece-lo. Naquela oportunidade para nós rara, lhe fizemos completo relato do por que da nossa solicitação. Mas, frei Albano já havia sido transferido e não sabíamos do seu paradeiro. Durante longo período não conseguimos saber do paradeiro do frei Albano. Mais uma vez quem nos salva é frei Lauro, confirmando a presença desejada no Santuário do Canindé no Ceará. Surge que recebemos convite do amigo de caminhadas nas caatingas atrás de depoimentos do tempo de cangaço, Aderbal Nogueira, que nos estende convite para colhermos algumas imagens na Serra Grande ou Serra da Ibiapaba e assim chegamos até a gruta de Ubajara. Seguimos em busca de Sete Cidades já em território piauiense e fina neblina nos roubou a grande oportunidade de filmarmos as belezas construídas pela natureza.  Seguindo viagem nos deparamos com Guaraciaba do Norte e procuramos pelo bisneto de Antônio Conselheiro, porém, não se encontrava na cidade naquele momento. Então nos dirigimos até a cidade de Ipú, fotografamos e filmamos a bela cachoeira e procuramos nos aperceber da brilhante figura de Leonardo Mota, também identificado de Leota, magistral pesquisador, memorialista e folclorista cearense. Estará chegando uma grande data, ou seja, o sesquicentenário do coronel Delmiro Gouveia o maior empreendedor do Nordeste brasileiro e como a memória do homem de hoje é pequenina por demais, não deveremos comemorar absolutamente nada. Uma vergonha para o Nordeste e para o Brasil. E chegamos ao começo da noite, a cidade de Canindé em festa, a igreja não cabia mais ninguém e teria sido momento de abraçar frei Albano. Nunca pensamos que a cidade estivesse em festa e terminamos indo dormir em Fortaleza.

Afinal Jarda viu seus filhos encaminhados na vida do bem, a enaltecer a memória do pai.

Afinal o pai, o homem, o cangaceiro, o cabra macho, ganha espaço no nosso relato. Com a morte do seu genitor o que se tinha em casa era a não violência, era o perdão, o afastamento da vingança que não lavaria a lugar algum. Do outro lado, o mundo via as posições inversas, ou seja, deveria existir a vingança, que a família não poderia ser desmoralizada e assim num crescendo difícil de mudança de comportamento. Conselhos e pedidos foram feitos a Francisco Pereira, o Chico Pereira para não estabelecer a vindita. Mas, o bicho homem depois de decidir o que deseja torna-se impenetrável nas suas decisões, e assim, o filho que perdera o pai vendo que a justiça nada resolvia, tomou do mosquetão e ganhou a caatinga em busca do seu desafeto. Consegue trazê-lo e coloca-o na prisão. Algum tempo depois está o criminoso na rua. Chico Pereira resolve ampliar sua capacidade de luta e percorre terras vizinhas no próprio estado e viver muito além, percorrendo trilhas nos estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Localidades que fizeram parte do universo de Chico Pereira. Na Paraíba temos: a partir de Nazarézinho, Sousa, São Gonçalo, Lastro, Antenor Navarro, Fazenda Jacú, Cajazeiras, Condado, Malta, Sítio Pau Ferrado, Coremas, Patos, Santa Luzia, Campina Grande, Guarabira. No Rio Grande do Norte anotamos Acarí, Serra da Rajada, Currais Novos. Esta nomenclatura está estabelecida no livro Vingança, Não, página 18, da Livraria Freitas Bastos, 1960.

Porém as andanças de Chico Pereira se estenderam por um território bem mais amplo. Nas suas andanças Chico Pereira passa a conhecer nomes pouco conhecidos até hoje, como seja: Estrêla do Norte, Jandaia, Serra Negra, Maçarico, Caboré, Jordão, Estrêla Dalva, Corró, Moitinha, Curió, Perigo e muitos outros. Sua mãe pedia para acabar com aquelas andanças perigosas e Chico dizia que queria primeiro casar. Casamento ocorrido por procuração no dia 25 de maio de 1925 na matriz de Pombal. A noiva de 14 anos apenas de nome Jardelina Nóbrega. Depois tomaria o rumo de Goiás para onde já teriam ido Luís Padre, Sinhô Pereira e Zé Inácio do Barro. Era ele bem informado dos acontecimentos que ocorriam no atribulado mundo. Permaneceu no seu torrão natal.

Patos de Princesa, hoje Irerê, recebeu a visita de Chico Pereira sob os auspícios do coronel Marcolino Diniz, seu amigo pessoal. Fora da vila residia na casa grande, o major Floro, proprietário de terras, gado. Homem que implantou energia elétrica em fins do século XIX, mesmo antes de Triunfo.

Quanto a sua prisão a literatura oral menciona que os Presidentes (hoje governadores) dos estados da Paraíba João Suassuna e do Rio Grande do Norte Juvenal Lamartine de Faria entraram em acordo no sentido de exterminar a chaga do cangaço nos seus territórios. Juvenal esteve a frente do governo potiguar desde 01 de janeiro de 1928 até 05 de outubro de 1930. Correu mundo a seguinte afirmativa: Juvenal Lamartine caçava a cabeça de Chico Pereira em toda região nordestina desde o dia que tomou conhecimento de que um sua parenta, moça bonita e prendada, estava apaixonado por Chico Pereira e com ele queria casar. Juvenal encetou caçada até que consegui prender Chico Pereira que numa trágica viagem os policiais que o transportavam viraram o carro por cima do preso e para encobrir o crime simularam o acidente. Seu mausoléu está fincado às margens da BR-427, quilometro 177 e está a 18 km de Currais Novos do lado esquerdo de quem vem de Natal para Acarí. Na noite tenebrosa da covardia, Chico Pereira encontrou a morte.

Resumindo, Chico Pereira passou a conhecer mundos dos estados de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, onde praticou assaltos, crimes, sozinho ou com seu pequeno bando e foi na cidade de Acarí no estado do Rio Grande do Norte instaurado o Processo Crime contra o paraibano, amor de Jarda.
                
Vejamos a força do relato oferecido por P. Pereira Nóbrega, a pag. 126.
27 de julho de 1924.

As quatro da madrugada, Sousa estava cercada. Os 84 homens formavam quatro pelotões sob a chefia de Chico Pereira, Levino, Antônio Ferreira, Chico Lopes. Três grupos algum tempo ficaram piquetando as principais entradas da cidade, para impedir qualquer socorro de fora.

Chico Pereira foi bater à porta da delegacia, acordando as autoridades.

- Tenente Salgado, me desculpe. Não esperava que o senhor estivesse aqui.  Se soubesse, não teria vindo, por atenção à sua pessoa. Mas já é tarde para voltar a trás. Comunico à polícia que Sousa está cercada. Vamos abrir fogo contra Otávio Mariz. Se quiserem podem reagir. Se quiserem podem sair em paz.

O Tenente Salgado sabia que estava só. Reagir era suicídio. Às sete horas da manhã batia retirada. O resto da polícia cumpriu o que dissera às vésperas: passividade absoluta ante os cangaceiros.

Êles também foram gratos. A polícia não fizeram mal...

Arrolado num processo de mais de 800 páginas está um memorandum do juiz de direito, dirigido ao Presidente do Estado, em que depõe sobre militares:

É de lamentar que a fôrça da polícia, composta de 10 a 12 praças, sob o comando do sargento Apolônio, não tinha se movido a menor diligência de rebate aos assaltantes, pois não disparara uma só arma, conservando-se indiferente no seu cômodo aquartelamento na cadeia, de onde observava o trânsito constante e desassombrado dos cangaceiros, ostensivamente senhores de tudo e de todos.

“O Tenente Salgado que ali viera pronto e solícito a reunir-se ao destacamento local no dia anterior à negregada tragédia, não encontrou infelizmente apoio e solidariedade daquela fôrça para a resistência ao ataque que se pressentia, tendo declarado o sargento que os soldados não atirariam se fosse realizado o assalto à cidade pelos referidos bandidos.

A história de Chico Pereira nos chega pelas mãos da querida escritora Raquel de Queirós, que no seu prefácio intitulado ÊSTE LIVRO, diz: ”Êste livro, é um livro de padre, mas é também um livro duro, que conta uma história imensamente dramática. Nêle não se poupa ninguém – embora não se acuse ninguém. É um depoimento que impressiona pela honestidade – e se às vezes como obra de arte que é, alça às puras alturas da beleza, nunca perde a severa imparcialidade que representa a marca principal”...

Procura Raquel concluir sua apresentação com o brilhante depoimento: “Conheci este ano a moça Jarda. A esposa-menina de Chico Pereira. Digo moça, porque realmente ainda está muito jovem, embora marcada por tantas tragédias. É uma mulher bonita, de fala mansa e gestos tranqüilos. Vive para os netos que lhe deu o filho engenheiro e pelo amor dos dois outros filhos – um frade e um padre. Conversamos feito amigas de muito tempo – e, curiosamente, Jarda não me deu a impressão da viúva esmagada por um acúmulo de dramas; pareceu-me antes uma pessoa que lutou muito e acabou triunfando. E os dois filhos, ministros de Deus, são a evidente razão dêsse triunfo. Pois, ao encaminhá-los para o sacerdócio, ela não o fazia como uma reparação, como um sacrifício propiciatório pelos pecados do pai. Parece ao contrário que ela queria provar – e provou – que se o sangue de Chico Pereira lhe deu tais filhos – quem tinha razão era ela em o amar quando vivo e lhe venerar a memoria depois de morto. São os filhos de um guerreiro, que serviu uma causa errada sim, mas a serviu com bravura e desprendimento e, por ela morrendo, pagou todos os erros de que se culpara”.

Paulo Gastão

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

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Nossa gratidão a toda família Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira

Por: Manoel Severo

Sempre dissemos que o Cariri Cangaço é uma grande e fantástica construção coletiva. Todo o pensamento, a formatação, as ideias, os desafios, as dificuldades e principalmente todas as conquistas precisam ser e são, compartilhadas por todos aqueles que se dedicaram na realização deste sonho.


Não poderíamos deixar de ressaltar e parabenizar a toda equipe do município de Lavras da Mangabeira, palco de nossa primeira Avant-Premiére do ano; sob o comando da competente secretária de cultura, Cristina Couto, que com o espírito de Fideralina se dedicou por dias a fio na realização do Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira, nos proporcionando o inicio vitorioso de um novo ciclo que já tomam conta do nordeste.

Muitos trabalharam dia e noite, muitos vieram ao palco, muitos ficaram nos bastidores e muitos permaneceram anônimos até o final. A todos vocês, o nosso profundo e sincero abraço de gratidão. Parabéns agora também podemos dizer que a família Cariri Cangaço  é também Lavras da Mangabeira...


Gustavo Augusto Bisneto, Cristina Couto, Dimas Macedo, Cícera Queiroz, Milene Sá, Aline Lima, Ruy Gabriel, Paula Queiroz, Assis Veloso, Luiz Gerson, Cianinha, Rogério Caldas, Ivaneida, Willame Leite, Lúcia, Mazinha, Quitéria, Terezinha, Zé de Pedro, Rosangela, Aparecida Granjeiro, Leonice, Neta, Aparecida, Dona Zefinha, Cláudia, Irismar, Vinícius, Edileuza, Stephany, Franklin, Edileudo e o querido Raul Sá...

Muito, muito, muito obrigado e até 2014 !!!

Manoel Severo

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Reedição do livro "Memórias de um Soldado de Volante", por Ten. João Gomes de Lira.


Tenho o prazer de divulgar a reedição do livro "Memórias de um Soldado de Volante", do nosso querido Tenente João Gomes de Lira.

O lançamento da nova edição acontecerá no dia 13 de julho de 2013, no distrito de Nazaré do Pico / Floresta - PE. Neste dia também estaremos comemorando o Centenário de nascimento do mesmo.

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Lampião em Sergipe - Notícia do jornal A Tarde - em 17 de Abril de 1929


Em 17 de Abril de 1929, o Jornal A Tarde publicou uma reportagem comunicando que o afamado Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião e seu bando estavam nas terras sergipanas.

Para amedrontar mais ainda a população o facínora graceja da polícia, avisando que havia chegado naquelas terras. Esta notícia foi comunicada na Agência Brasileira em Aracaju. Aproveitando a sua passagem pelas terras sergipanas Lampião ainda deu entrevista ao juiz municipal  da  cidade de Carira. Alexandre Barreto.

Segue a reportagem abaixo:

“Mais ou menos 5 horas da tarde, de hontem, dava entrada no povoado, Lampião e sua cabroeira. Antes de entrar, no cemmiterio, ele escreveu um bilhete ao delegado Felismino Dionysio, pedindo licença para entrar. Antes, porém, que o delegado desse qualquer resposta, ele entrou desmontando-se com os companheiros na casa do referido delegado, onde se hospedaram.


A Tarde, Salvador, p. 03, 17 Abril 1929.

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Próximo encontro - Avant premier para sergipanos, alagoanos e circunvizinhança


Falando nisso...

Cariri Cangaço 2013. Das telas do Ceará para o Mundo!

A FGF, Faculdade Integrada da Grande Fortaleza, mantém a FGF TV, um canal universitário que exibe entre outros o programa UNIVERSIDADE VIVA com apresentação do diretor de comunicação da FGF Jonas Luis DA SILVA, de Icapuí.

No último dia 12 de maio ele recebeu e conversou com nossos confrades Manoel Severo Gurgel Barbosa e Aderbal Simões Nogueira


Pescado no Canal da GGTV no YouTube

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