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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

“O GLOBO”- 17/11/1958 - PARTE XI

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

COMO SE FORJA UM CANGACEIRO

VENDETA DIABÓLICA

Excitação de Corisco ao Sentir Aproximar-se a Hora da Vingança – Cerco e Emboscada Para Apanhar o Ex-Delegado – O Esfolamento – Alívio do Celerado Com a Morte do Desafeto

FOI depois da morte de Lampião, alguns anos mais tarde, numa época em que a repressão ao cangaço era forte, que Corisco se deparou frente a frente com Herculano. Ele fora informado de que o ex-delegado estava no arraial de Santa Rosa, no interior da Bahia. Ao receber a notícia, Corisco exultou, e todo o ódio antigo renasceu. Pôs-se a arquitetar um plano para afastar Herculano do povoado. Se quisesse, teria entrado no arraial, pois tinha homens suficientes para a empreitada, mas seu desejo era pegar o desafeto longe de todos. Queria ficar só com ele! Herculano Borges, depois que deixou de ser delegado, comprou uma fazenda e dedicava-se ao comércio de tecidos e quinquilharias. Era um próspero e feliz negociante, nem de leve pensando em Corisco. Sabia, porém, que ele se havia tornado cangaceiro e seu nome era conhecido e temido em todo o Nordeste. Mas ignorava que o ódio daquele menino que ele prendera fosse tão grande, que, passados tantos anos, ainda exigisse vingança. Corisco sabia que Herculano tinha que deixar o arraial e ir para a sua fazenda, que, por sinal, não era muito distante dali. Herculano tinha mulher e filhas à espera, e não poderia demorar-se muito. Era homem do lar e fora ao arraial apenas a negócio. Alguém, porém, talvez insinuado pelo próprio Corisco, foi ao arraial. E contou a Herculano que Corisco sabia estar ele naquele local e cercara todos os caminhos para apanhá-lo e desforrar-se. O homem, ao receber a notícia, apavorou-se, e não sabia o que fazer. Aquelas paragens eram pouco protegidas pelos soldados e ele não poderia contar com auxílio. Desesperado, resolveu apelar para o dinheiro que possuía e mandou que propusessem a Corisco receber dez contos de réis, com a condição de ter passagem livre. A proposta veio até Corisco, que mostrou grande interesse pelo dinheiro e mandou dizer que aceitava. Herculano mandou os dez contos e ele os guardou, mandando dizer que “podia passar”, pois iria embora. O ex-delegado, apesar dos pesares, preferiu ficar no arraial mais dez dias e, já mais tranquilo quanto à partida de Corisco, mandou preparar seus burros com as mercadorias e pôs-se a caminho de casa.

O ENCONTRO

NEM bem meia hora andou, quando se defrontou com Corisco e seu bando. Desnecessário será falar do horror que se lhe estampou nos olhos. Corisco olhou-o seriamente e, na sua cama sádica, disse: “Você está mais velho, Herculano”. O ex-delegado não falava, apenas sorria, atemorizado, e concordava com tudo, isso sem desmontar do burro, que estava seguro por Corisco. O máximo que Herculano conseguia fazer era balbuciar uns monossílabos como “Não..., Sim...” tal como procede um homem acovardado. Mas Corisco se fartou daquilo e em dado momento falou, agressivo: “Desça do burro, Herculano!” O homem obedeceu-o prontamente. E , frente a frente, Corisco perguntou: “Cadê tua coragem, Herculano?” Cadê tua valentia?” E, zangando-se por não obter resposta, deu-lhe uma bofetada que fez Herculano rolar pelo chão: “Tu vais morrer, Herculano!” E mandou que seus “cabras” lhe tirassem a roupa, deixando-o inteiramente despido. Em seguida ordenou que o pendurassem de pernas para o ar, mas com as pernas separadas, em forma de “V”. Cumprida a ordem, Herculano começou a gritar, pedir, implorar por todos e por tudo para que Corisco o libertasse. Sem dar ouvidos, Corisco mandou que lhe amarrassem as mãos chão. A posição das árvores facilitou a tarefa, e tenho para mim que Corisco preparou tudo com antecedência, escolhendo até o local onde agarraria Herculano.

O homem, desespera, berrava sem cessar, pedindo que Corisco não lhe fizesse nada. Ignorava o infeliz que ninguém naquele instante poderia afastar Corisco da ideia de vingança. Ele esperava por aquela ocasião quase vinte anos! Dia e noite Corisco sonhava com aquele momento; portanto, os rogos de Herculano não o poderiam afetar, pelo contrário, davam-lhe mais sabor à desforra.

A VINGANÇA

ERA chegado o grande momento. Corisco sacou de uma faca bem afiada, tipo navalha, preparada com antecedência. Aproximando-se de Herculano, falou: “Para de gritar, Herculano!” E calmamente iniciou sua vingança, que consistia em tirar a pele do homem vivo. Os que assistiram a essa cena disseram que Corisco estava pavoroso, a esfolar o seu desafeto. Todo sujo de sangue, olhar fixo e atento no que fazia, parecia alucinado! Herculano gritava e estrebuchava como louco, e Corisco não parava. Só dizia de quando em vez frases como estas: “Herculano, desgraçado, é por tua causa que eu vivo nesta vida miserável pelo mato, que nem bicho. Foi você que me jogou nesta desgraça, Herculano! Tudo por causa de quinhentos réis que eu já tinha dado ao fiscal, Herculano! E você ainda me deu um pontapé, Herculano! Daqui por diante, Herculano, nunca mais você vai dar pontapé em ninguém! Nunca mais, Herculano! Eu tenho sofrido o diabo por essas caatingas. Herculano, longe dos meus filhos e sofrendo que nem cão leproso. E você é o culpado de tudo! Você não vai dar pontapé em ninguém, Herculano, porque um homem não é cachorro e só se dá com o pé em cão sem dono, Herculano!”

Toda a carnagem de Herculano foi acompanhada de lamentações dessa ordem, e aquele pontapé era a todo instante recordado por Corisco. O suplício durou quase uma hora, e Corisco tomava sempre cuidado para não atingir as partes vitais do corpo de Herculano. Mas quando a resistência do desgraçado se findou e ele morreu, Corisco resolveu esquarteja-lo!

ALIVIADO...

TERMINADA a tarefa, o local ficou semelhante a um matadouro, e Corisco andou pendurando os membros e órgãos de Herculano pelas árvores vizinhas, e a pele, ou grande parte dela, pregou-a no tronco de uma árvore. Quando o bando prosseguiu viagem, ele estava satisfeito, aliviado de uma coisa que lhe pesava barbaramente na consciência anormal: o ódio! Dera caba de seu inimigo, conforme ele queria, fazendo-o sofrer ao máximo. Se houve pecado em Herculano fazer Corisco um cangaceiro e assassino de mais de uma centena de seres humanos, seu castigo foi à altura. Herculano, a meu ver, deveria ter tido uma vida cheia de crueldades, pois o suplício porque passou nas mãos de Corisco foi desses que um indivíduo passa para pagar todos os pecados de uma geração!

Conforme disse anteriormente, Corisco morreu pouco tempo depois, mas os “cabras” que o acompanharam, e mesmo gente da volante, declararam que ele morreu como sempre viveu: matando! Sua coragem jamais arrefeceu e abateu vários soldados antes de tombar morto.

O nome de Corisco, no Nordeste, era odiadíssimo, e todos sabiam de suas crueldades. Uma de suas filhas, infeliz menina de menos de dez anos de idade foi barbaramente torturada por uma família de malvados que a criava e julgava correto vingar os crimes do pai na criança. A pobrezinha ficou pele e ossos, tuberculosa e monstruosa. Há um ditado na minha terra que diz: “Depois da onça morta, todo o mundo bate nela”. Grande verdade...

CONTINUA...

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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O CANGACEIRO BRONZEADO


O cangaceiro Bronzeado foi morto no ano de 1927, no Estado do Rio Grande do Norte. A fonte não diz em qual cidade deste Estado que o cangaceiro Bronzeado foi assassinado. Ele foi...

Fonte: facebook
Página: Cap Cangaceiro

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CRIME NA SERRA DO ARARIPE

 Por Iderval Tenório

Era noite do dia 23 de junho de 1928, o estrategista desconhecido chegou sorrateiramente e sem nenhuma dúvida ou remorso metralhou toda uma família de dezoito componentes, do mais velho ao mais novo dos Pereiras e alguns serviçais, vasculhou todos os aposentos, conferiu cada um dos corpos, montou no seu alazão, arrumou a sua geringonça noutro animal e sumiu estrada afora...

No nascer do sol os caseiros da fazenda, que moravam nos recantos mais distantes da sede, jamais imaginariam , que aqueles estrondos de bombas de artifícios juninos fossem balas da mais afamada metralhadora nordestina, apelidada de costureira, dizimando toda a família patronal, o autor não deixou pistas, não deixou um único rastro da autoria do crime , em nada mexeu, a mesa continuo posta, cadeiras caídas no chão, sangue salpicados nas paredes, alguns corpos debruçados sobre a mesa, animais domésticos circulando pelo ambiente à procura de restos, panelas no fogão a lenha, algumas com os alimentos esturricados, todos os potes e barricas aos cacos, água ensopando os corpos e estes com vários orifícios transpassando os tórax na altura dos peitos, todos, todos sem vida.

Na Serra do Araripe, não ficou um só cristão que não tomasse conhecimento da fatídica tragédia, quem era aquele forasteiro, porque aniquilou toda uma família que até aqueles dias se mostrava pacata, trabalhadora e honesta, não se conheciam inimigos num raio de 50 quilômetros, os Pereiras eram respeitados naquela redondeza, era o ano de 1928 , Lampião e o seu bando, já se encontravam pelos lados da Bahia, naquele arrebol já reinava a paz, muitos núcleos familiares se expandiam com os casamentos consanguíneos e moravam em casas equidistantes desde quando uma avistasse a frente ,a lateral e a saída da outra, era uma maneira de um proteger o outro. A dúvida tomou conta da pequena população, quem foi o forasteiro que cometeu tão sanguinário crime.

Os familiares distantes apareceram, os corpos foram contados, muitos não possuíam documentos, os serviçais só tinham apelidos, todos foram sepultados em covas rasas enfileiradas nos aceiros da velha estrada, fincado uma cruz na cabeceira de cada monte de terra, primeiro o chefe, depois os outros por ordem de importância. A polícia foi informada, compareceu timidamente e pelo pequeno contingente três soldados, dois cabos, um sargento , pouca munição e seis mulas esquálidas foi a primeira a fugir com receio de ser atacada de surpresa pelo o assassino ou os assassinos dos Pereiras, nunca mais apareceu ou tomou conhecimento dos fatos.

A sede da Fazenda ficou abandonada por pouco tempo, os moradores mais antigos aos poucos foram se acostumando com o acontecido, os parentes mais distantes voltaram para os seus distritos, ficando apenas as indagações sobre o horrendo crime, quem teria motivos para tal desventura, roubo não foi, só poderia ter sido vingança, a melhor maneira de cobrar dos desafetos os males cometidos em datas anteriores, só poderia ser vingança, não haveria outra explicação, só poderia ser vingança.


O PASSADO...

Conta o velho Malaquias dos altos dos seus 90 anos, que tempos atrás, lá pelos meados de 1871, quando um jovem padre de 27 anos de idade assumiu a capela do povoado Tabuleiro Grande no Sul do Ceará, hoje Juazeiro do Norte, duas famílias de Alagoanos foram morar nesta região para ajudar este jovem missionário. Com as duas famílias completas, o jovem Padre aconselhou os amiguinhos que fossem morar na Serra do Araripe plantar feijão de pau, conhecido como o serial ANDÚ muito apreciado naquele mundo. As famílias se deslocaram e começaram a habitar a mesma gleba de terra por manterem parentesco , viviam em paz até o dia em que, o governo de Pernambuco resolveu legalizar a posse e criar uma escritura, houve desentendimento entre os líderes de cada família e numa noite escura do dia 23 de junho de 1897, ano em nasceu Virgulino Ferreira Lampião , uma das famílias aniquilou todos os componentes adultos da outra família, todavia, cometeu um grande pecado, não vistoriou todos os aposentos da pequena casa e lá deixou vivo um criança de 09 meses que engatinhava por debaixo da cama do infeliz casal aniquilado.

A criança sem pais , sem parentes foi assumida por tropeiros, que cruzavam a velha serra Pernambucana com destino à mais nova vila Nordestina no sul do Ceará, a famosa vila do Juazeiro que crescia com muitos fanáticos religiosos devido o milagre da Beata Maria de Araújo em 1889, quando na comunhão, a hóstia saída das mãos do Padre Cícero se transformava em sangue e derramava-se pelos cantos da boca da jovem negra e beata de 28 anos de idade. A criança foi criada no mais diferente mundo que deveria ser criado, não tinha paradeiros, não tinha endereço fixo e à proporção que crescia tomava conhecimento da grande chacina que aniquilou uma determinada família, no topo da Serra do Araripe no idos de 1897, a criança cresceu, virou homem. Naquela redondeza não se conhecia o seu destino ou paradeiro. A família que cometera a esquecida e distante chacina se encontrava bem instalada e próspera no cume daquela abençoada Serra, o cangaço que reinava na região estava em baixa devido acordos feitos pelos governadores da época dando total poderes à polícia a entrar no território do outro à caça de qualquer desordeiro. Grassava no arrebol o sentimento de congraçamento e descontração devido o grande número de parentes casados entre si, existia calmaria.


A VINGANÇA...

O Jovem morava num pequeno sítio distrito da então e próspera cidade de Juazeiro do Norte , conhecia muito bem a grande Chapada do Araripe , divisa do Ceará com Pernambuco, celeiro fóssil das Américas , hoje fazendo parte do Geoparque do Araripe.

O jovem procurou se familiarizar com os moradores do distrito, aos poucos foi mapeando o fatídico acontecimento de 1897 e localizando os familiares que junto com os seus pais se mudaram para a velha serra a pedido do jovem padre em 1871, ficou claro e ciente de cada componente, colheu a história da época, como mercante compareceu à sede da fazenda e conheceu cada membro. Voltou aos seus afazeres de almocreve e numa noite de são João, quando os fogos de artifícios pipocavam nos ares da silenciosa serra, o jovem estrategista, na sorrelfa executou o seu vingativo e mirabolante plano, eliminando de uma só vez todos os descendentes dos criminosos da noite de São João do século passado, tomando o cuidado de vistoriar exaustivamente todos os aposentos, todos os ambientes e arredores para não cometer os mesmos erros dos autores da chacina de 1897, com esta atitude fechou o ciclo do grande ditado do povo nordestino: quem comete um mal um dia será vingado pela vítima, pelo filho da vítima, pelo neto ou bisneto da vítima, um dia o crime será vingado.

E foi assim que se desenrolou a grande chacina de 1897.
Vingança, pura vingança.

Iderval Reginaldo Tenório
E em Março...

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HISTÓRIAS DO CANGAÇO – RUMO AO MASSACRE DE ANGICO - PARTE II

Por Anildomá Willans de Souza

(Extraído do livro LAMPIÃO. NEM HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA, de Anildomá Willans de Souza)

Noutra ocasião, desapareceram uns dois ou três bodes do criatório da família Ferreira. E tudo levou a crer que  o autor da estripulia foi um morador da Pedreira,  chamado João Caboclo.

O velho Saturnino foi informado do acontecido mas nenhuma providência convincente foi nesta ocasião devidamente tomada. De tal forma que a situação andava colocando todo mundo a se olharem atravessado, com desconfiança.

Em outro momento, Virgolino em suas viagens como almocreve, comprou em Piranhas, Alagoas, dois chocalhos novos e pôs em seus animais. Zé Saturnino, numa brincadeira de mau gosto, provocou, dizendo que foram roubados. No bate boca que tiveram, o acusador acabou ganhando um apelido nada agradável: Zé Chocaio.

E o pior, o apelido pegou!
Começou mode um chocalho
Essa questão tão antiga
Com José Saturnino
Iniciou-se a intriga
Um debochava de cá
Outro xingava de lá
Assim começou a briga.
(Gilvan Santos)

A partir de futricas como estas os dois clãs começaram a andar na corda bamba.

E aí começaram a aparecer bodes com chifres quebrados, com orelhas cortadas, cavalos castrados, quando as miunças de um entravam na roça do outro, eram mortas.

Um torvelinho tomava conta de tudo.

Entretanto, os dois pais de família sempre conversavam tentando conter o ímpeto dos filhos, que eram quem mais demonstravam rancor.

Certo dia, no apagar das luzes do ano de 1916, num extremo de tarde, os três irmãos mais velhos dos Ferreiras, Antonio, Livino e Virgolino estavam juntando umas reses numa manga, para levar pro curral. Quando passaram dentro da fazenda Maniçoba, também pertencente a Saturnino, escutaram gritos e gargalhadas. Ao olharem, perceberam que era José Saturnino com um grupo de amigos, entre eles, Zé Caboclo, Dionizio Vaqueiro e Paizinho derrubando a mata pra construírem uma casa e quando viram os Ferreiras passando começaram a soltar galhofas.

Não disseram nada.

Foram pra casa e relataram tudo ao pai e não foram mais juntar o gado.

Foi motivo de mais um encontro dos dois chefes de famílias com o intuito de ponderar a situação.

No dia seguinte, do meio pro fim da tarde, os três irmãos, Antonio Rosa e um tal de Luís Gameleira, saíram nas montarias para fazer o serviço que deixara de fazer no dia anterior.

Ao retornarem pra casa, conduzindo o criatório, ao passarem próximo a duas gigantescas pedras, uma sobre a outra, uma bela obra da natureza, nas imediações da fazenda Pedreira, uma emboscada estava pronta, montada por Zé Saturnino e seus homens, Zé Caboclo, Zé Guedes, Tibúrcio, Chico Moraes, Batoque, Olímpio Benedito e seus dois irmãos, Manoel e José.

A reação dos emboscados foi fugir levando Antonio Ferreira com um ferimento não muito grave na região do abdômen.

Depois do caso chocalho
Bastava qualquer asneira
Para haver desavença
Com a família Nogueira
Chegando a brigar armado
Quando saiu baleado
Um da família Ferreira.

Com Antonio baleado
Zé Ferreira disse então
Vamos embora daqui
Antes que aumente a questão
Isso não vai findar bem
Conheço os filhos que tem
Aqui não vai prestar não.
(Gilvan Santos)

Também morreu sua burra de montaria.
Foi o primeiro confronto envolvendo armas.
O desespero tomou conta do Sítio Passagem das Pedras.
No dia seguinte amanheceram em Vila Bella.

O velho José Ferreira, os três filhos e dois amigos, Venâncio e Roberto do Cipó foram direto procurar as autoridades, o coronel Cornélio Soares, Antonio Timóteo e o delegado segundo-tenente Pedro Malta. Nada resolveram. Apenas disseram não quererem se meter em questões de ninguém.

Foram então ao fórum. Deporam ao juiz e este, todo desavexado da vida, após ouvir todo relato, cheio de má vontade, apenas disse:

“- É. Quem tem medo de besouros não assanha o mangangá. Arranje um advogado!”

Procuraram os advogados e rábulas que tinham na cidade, mas nenhum teve disposição de entrar em confronto com a família Saturnino e Nogueira, que eram desdobramentos dos poderosos Carvalhos.

Aqui quero esclarecer aos leitores que por este tempo Zé Saturnino já estava casado com uma moça dos Nogueiras, chamada Maria, filha do fazendeiro João Alves Nogueira, da Serra Vermelha.

Pois bem, então Virgolino foi bem enfático e disse ao pai que agora ia resolver do seu jeito.

Foi então na casa comercial do senhor Pedro Martins e comprou dois rifles e dois mil cartuchos e mandou avisar ao então juiz de direito do 2º ofício de Vila Bella, Dr. Augusto Santa Cruz, que tinha dois advogados de primeira qualidade pra resolver suas causas.

A partir deste momento, a antiga amizade que vinha se deteriorando, passou a ter cheiro de pólvora.

Com a intervenção das autoridades e amigos, é feito um acordo muito estranho, que implicava num certo prejuízo para os Ferreiras, mas, como pensava Zé Ferreira, tudo valia em nome da paz. O acordo era que eles não mais frequentariam a cidade de Vila Bella, e Zé Saturnino deixaria de ir a Nazaré.

Por alguns dias tem-se impressão de sossego entre as famílias. Até que, certo dia de feira Zé Saturnino entra em Nazaré montado em seu cavalo, ladeado pelo cunhado e um cabra, num tom de desafio e rompimento do trato.

Na saída da Vila os  Ferreiras montam uma emboscada, mas Saturnino escapa correndo a pé.

Mais uma vez a família é obrigada a fugir. Agora para o longínquo estado de Alagoas. Vão morar no Sítio Olhos D'água, mais ou menos duas léguas de Água Branca, sertão brabo da Terra dos Marechais.

Alguns dias depois os problemas reaparecem. Através de cartas Zé Saturnino incita o Tenente Zé Lucena, da polícia alagoana, a perseguir e fazer pirraças com aquela família forasteira. Inclusive, segundo Seu Luiz Andrelino Nogueira – antigo escrivão de Vila Bella - estas missivas eram, na verdade, precatórias, redigidas por Antonio Timóteo  - escrivão que fazia as vezes de delegado - acusando os Ferreira de ladrão.

Em meio a tantas preocupações, desgostos e depressões, em consequência dos acontecimentos, morre, de vertigem, Dona Maria, a mãe dos Ferreiras.

Duas semanas depois, Virgolino, Antônio e Livino estavam viajando, tentando retornar seus trabalhos na almocrevia, quando sua casa foi invadida pela volante de Zé Lucena, assassinando friamente o velho  Zé Ferreira.

Os irmãos foram avisados e ao regressarem de viagem, reuniram-se ao redor do túmulo dos pais, no cemitério da paupérrima cidade de Santa Cruz do Deserto e da boca de Virgolino sairam as palavras que nortearia sua vida:

 “- A terra que foi molhada com o sangue de um inocente, a partir de agora vai ser ensopada pelo sangue dos assassinos. Pois vou matar até morrer!”

Procurou matar Zé Lucena, mas teve sua vontade frustrada. Então voltou para sua terra pra matar Saturnino.

Já estava estigmatizado: agora a vida seria uma perpétua luta de morte contra os donos do poder e da lei, contra os “macacos”.

Para os Ferreiras não existia mas lei nem ordem escrita por homens de paletó e gravata, e um eventual código de honra estava previsto para ser adaptado às circunstâncias. Empunhou seu rifle e partiu para a vingança, com vinte e três anos, e, no bando de Sinhô Pereira, demonstrou ser um grande líder.

Seus irmãos também tiveram a mesma sina, sendo que Antônio passou a ser Esperança; Livino foi batizado de Vassoura; Ezequiel, Ponto Fino; e João Ferreira se encarregou de cuidar das irmãs. Maria casou-se com Pedro Raimundo; Angélica contraiu matrimônio com Virgínio, que, infelizmente, com menos de um ano de casamento, enviuvou. Aí entrou no cangaço ganhando o nome de Moderno; Virtuosa casou-se com Luiz Marinho e era quem mais mantinha contato com o irmão; e, enfim, Anália casou-se com Eliseu Norberto.

E assim, durante duas décadas peregrinando, desbravava as caatingas, percorrendo todo o nordeste, saqueando vilas e cidades, invadindo fazendas, dançando xaxado, roubando dos ricos fazendeiros e coronéis e distribuindo com os mais necessitados; cantando a “Mulher Rendeira”; matando quem não obedecesse; sangrando friamente o delator; castrando o traidor… Para uns, o herói; para outros, o bandido; para todos, um cabra macho, honrava cada letra que dizia.

CONTINUA...

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

MARIA BONITA É INSPIRAÇÃO DE MODA PARA ESTILISTAS CONTEMPORÂNEOS


Maria Bonita, companheira do Lampião e umas das primeiras mulheres a participar de um grupo de cangaceiros, era muito valente, até mesmo violenta, e encarava seu temido parceiro sem medo. Ela e outras mulheres foram responsáveis por quebrar barreiras no cangaço e acabaram ocupando espaço e gerando mudanças no mundo tão bruto e masculino. Levaram conforto para os homens. Mantiveram-se femininas, companheiras e, ao mesmo tempo, ajudavam naquela vida nômade do cangaço.



As cangaceiras quebraram regras da época ao usarem vestidos acima do joelho, coisa impensável. Maria Bonita, em especial, caracterizava-se pelo uso exagerado de fivelas  coloridas no cabelo, adornos em ouro e o lenço de seda amarrado no pescoço. Ela influenciou e ainda influencia na moda brasileira.





Estilistas brasileiros como Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Zuzu Angel e Arnaldo Ventura fazem uso de influências da moda do cangaço de Lampião e Maria Bonita em suas produções. O emprego de cores terrosas e fibras sertanejas é o que mais aparece em suas coleções, além de utilizarem chapéus, joias, artigos de couro, signos etc. inspirados na cultura da época. Ronaldo Fraga, também, recentemente criou uma coleção inspirada no cangaço.

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O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca

Por Marcílio Lima Falcão

Sinopse - Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Jararaca: Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró historiciza a construção das memórias sobre a santificação do cangaceiro Jararaca, morto na noite de 19 de junho de 1927, no cemitério São Sebastião, em Mossoró, pela força policial que o escoltava para Natal, capital do Rio Grande do Norte. A interpretação é realizada por meio da análise da documentação dos jornais O Mossoroense, O Nordeste e O Correio do Povo, da análise de obras com narrativas a respeito da morte de Jararaca, da importância dos lugares de memória como espaços de conflito e das falas dos devotos que visitavam o túmulo de Jararaca no dia de finados. Procura-se compreender as formas de circulação, apreensão e ressignificação das memórias sobre a santificação de Jararaca.

Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Autor: Marcílio Lima Falcão
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CC – 
5929-3
Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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UM DESABAFO DO CAPITÃO VIRGULINO FERREIRA


"No ano passado, Isaías Arruda, meu grande amigo, político cearense, surpreendeu-me numa localidade deste Estado com um cerco policial terrível, de que me livrei não sei como." (Virgulino Ferreira).

Palavras de Lampião ao Jornalista José Alves "Feitosa" do Jornal “A NOITE”, de Recife-PE. Essa entrevista foi publicada pelo Jornal Cearense “O POVO”, no dia 04 de junho de 1928.

O pesquisador Chagas Nascimento disse o seguinte:


O ataque à Mossoró, tirou o Estado do Ceará da neutralidade, em relação a Lampião e seu bando. Quando Lampião chega à fazenda Ipueiras do Coronel Isaías Arruda, o bando é cercado por mais de 400 homens das forças do Estado do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Coronel Isaías tenta envenenar Lampião através da alimentação. Depois é incendiado a manga onde estavam alojados os cangaceiros. Lampião consegue furar o cerco; depois que escapa, manda um bilhete desaforado para o Coronel Isaías Arruda, onde dizia:

 _"...não sou preá pra morrê queimado!..."

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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LAMPIÃO NA SERRA GRANDE

João Paulo Bernardo - Fonte do vídeo Youtube

"Foi nesse canto aqui, em cima da serra, que Lampião escreveu a carta para o governador de Pernambuco..."


Louro Teles na Serra Grande - Fonte do vídeo Youtube

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“O GLOBO”- 15/11/1958 - Capítulo X

Material do acervo do pesquisador Antonio Correa Sobrinho

COMO SE FORJA UM CANGACEIRO

O DIABO LOURO

Corisco chamava atenção pelo cabelo alourado e os olhos azuis – porque se Interno no mato – crueldades sem limites – O Ódio Crescia com o Tempo.

FISICAMENTE, Corisco era o mais interessante e curioso do bando, pois chamava a atenção. Entre tantos mamelucos, mulatos e até pretos, a figura de Corisco destacava-se, pois era forte, de boa estatura, corpulento, mesmo, louro e de olhos azuis. Era o único com aspecto europeu, mas, apesar disso, era um sertanejo, como qualquer de nós. Fortíssimo, valente, de uma resistência fora do comum e, mais do que tudo, mau e perverso ao máximo que pode atingir a espécie humana.

Quando eu entrei no bando, ele devia ter uns 26 anos de idade e já era veterano, pois ingressara no cangaço muito jovem. Era homem alegre e, conversando, não demonstrava do que era capaz, sendo mesmo possível, a quem não o conhecesse, passar por bom moço. Mas tudo aquilo era fingido, pois tenho quase a convicção de ter Corisco nascido criminoso, tal a sua disposição para matar. Era, porém, como Lampião, cínico nestas horas, pois, como seu chefe, formava entre os que são maus com calma, e o deboche aflorava sempre que a oportunidade de maltratar se apresentava.

Corisco tinha um predicado, que era o de saber chefiar. Aprendeu bem as lições de Lampião e, após a chacina de Angicos, em que Virgulino perdeu a vida, ele prosseguiu com outro bando, só parando quando bem quis. Para seu azar, porém, no dia em que deixou de ser cangaceiro, foi morto pelas balas da volante.

ARBITRARIEDADE PERIGOSA

EU nunca soube todo o nome de Corisco, mas o primeiro sei que era Cristino. Era baiano, e sua história é das mais curiosas, pois pertencia ao grupo dos “socialmente desajustados”. Não sei também por que o chamavam de Corisco, mas sua vida sempre foi na miséria. Trabalhava desde menino na sua cidade natal como camelô de feira, negociando com carne. Assim viveu até os dezoito anos, mais ou menos, e, apesar das necessidades, o que ganhava dava pra viver e ajudar os pais. Já devia, porém, ser homem violento, muito embora o negasse. É que a “grande oportunidade” não se apresentara ainda...

Essa oportunidade surgiu com a mudança de um delegado em sua cidade natal, que era Vila Nova da Rainha. O delegado chamava-se Herculano Borges e era um homem mau e pouco habilidoso, metido a valente, mas cuja valentia só se apresentava quando estava bem acompanhado. Esse homem resolveu modificar muitas coisas na cidade, mas como essas modificações sempre cambam para o lado dos mais fracos, acabou perseguindo os que negociavam na feira.

Um dos fiscais do delegado Herculano Borges foi cobrar certa vez o imposto a Corisco, que não se negou a pagar. É bom frisar que os impostos, nesse lugar e nesse tempo, não tinham recibo e não custavam mais do que quinhentos réis, uma quantia razoável para a época. O fato é que no dia seguinte passou outro fiscal e quis receber novamente o dinheiro do imposto. Corisco dessa vez negou-se a pagar, e o fiscal foi até a delegacia comunicar ao delegado, que, zangado, fez-se acompanhar de dois soldados e mandou prender Corisco, ofendendo-o com todas as palavras que lhe vieram à mente. Na entrada do xadrez, enquanto Corisco, seguro pelos dois soldados, protestava inocência, alegando já ter pago o imposto, o delegado deu-lhe um pontapé, empurrando-o assim porta adentro. Fecharam as grades e Corisco ali ficou, chorando de raiva, pois havia apanhado umas bordoadas da feira até a cadeia. Mas o pontapé do delegado foi o que mais o enfureceu. Chorando de ódio, disse: “Quando eu sair daqui, o senhor me pagará! Nem que eu tenha de viver cem anos, o senhor me pagará, seu Herculano!” O delegado não deu ouvidos ao que Corisco disse, e fez mal, conforme veremos adiante...

NÃO CONSEGUIA ESQUECER

DOIS dias Corisco ficou detido, alimentando-se mal e sendo maltratado. Naquelas dezoito horas, entretanto, seu cérebro não parava de funcionar e, segundo ele mesmo disse, não conseguiu dormir um minuto sequer.

Posto em liberdade, vendeu o que tinha, comprou um rifle e internou-se no mato, acabando por se tornar cangaceiro e “cabra” de Lampião. Tentou sempre encontrar o delegado Herculano, mas a oportunidade não se apresentava, pois nessa cidade Lampião não entrava, visto ser bem protegida por soldados.

Corisco foi um “cabra” conforme Lampião apreciava, pois era valente e gostava de matar. Era amigo de todos, mas quando se tratava de tirar a vida a alguém, ele não pestanejava. Era calmo, porém, e só se enfurecia quando se lembrava do delegado Herculano.

Quando entrei no bando, a lembrança da injustiça do Herculano ainda estava bem viva em sua mente, e ele sempre dizia: “Um dia eu acerto as contas com ele...”

Corisco gostava de usar faca para dar cabo de um desafeto. Era mesmo dos poucos que não deixava nunca de lado o seu longo punhal, que mais parecia uma espada e que trazia às costas, preso ao cinto. Quando queria desembainhá-lo, era só erguer a mão até o ombro.

SE O NEGÓCIO É DE CABEÇAS...

TINHA mulher, que chamavam Dadá e que o acompanhou até a morte, e ela ainda vive, se não estou enganado. Ele gostava muito de Lampião, e creio que essa amizade era recíproca, mas houve uma desinteligência entre ambos, depois que eu fui preso, e pouco tempo antes de matarem Virgulino. É que Corisco, na sua sede de dar cabo dos outros, acabou matando um dia um fazendeiro amigo e coiteiro do bando. Virgulino não gostou e reclamou a Corisco, que, vendo suas relações estremecidas com o chefe, resolveu abandoná-lo e formar um bando próprio. Mas parece não ter ficado com raiva de Lampião, pois seguidamente aparecia e esteve presente na chacina de Angicos. Depois da morte de Lampião pela tropa do tenente Bezerra, enfureceu-se e, com o seu bando, passou a caçar quem tivesse Bezerra no nome ou qualquer relação com o matador de Virgulino. Houve uma ocasião em que mandou ao prefeito da cidade de Piranhas (Alagoas), um embrulho grande. Quando a autoridade o abriu, deu com quatro cabeças decepadas e um bilhete, dizendo: “Se o negócio é de cabeças, vou mandar em quantidade...” Queria aludir ao “carnaval” que fizeram na Bahia com as cabeças de Lampião e seus “cabras”. Corisco ainda viveu como cangaceiro, chefiando sua própria gente, durante alguns anos, até que se cansou daquela vida e resolveu abandoná-la, indo com a mulher para outras paragens. A volante, porém, o surpreendeu e, em meio a forte tiroteio, matou-o e feriu gravemente sua mulher numa perna, que teve de ser amputada. Os soldados cortaram a mão de Corisco e a levaram para a cidade de Salvador, como prova de que ele havia sido exterminado. de qualquer forma, segundo me contaram, aquele homem mau morreu satisfeito, pois estava vingado! Sim, Corisco vingou-se de Herculano, e vou narrar agora a mais cruel e horrível vingança de que já tive notícia.

CONTINUA...

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

Minhas inquietações:
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O cangaceiro Volta Seca conversou um pouco mais do que devia. Ele fala que o cangaceiro Corisco era baiano, quando na verdade era alagoano, lá de Matinha de Água Branca. E outras mais que ele deveria ter ficado calado, já que ele foi preso no início dos anos 30, a partir daí, ele perdeu todo contato com os cangaceiros, por isso, não devia ter falado tanto. Mas mesmo que ele tenha falado muito, continuo sendo o seu admirador. Não pelo que ele praticou, mas pela coragem que ele tinha de enfrentar volantes. 

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Memória do Carnaval - 08 de Fevereiro de 2015

Por Cristina dos Pimpões

Fevereiro é mês de carnaval. E apesar da cidade viver um momentos de apatia com relação ao carnaval, os festejos de momo ainda sobrevivem graças à teimosia de alguns foliões que não se deixam vencer pela falta de apoio público. Mesmo sem estrutura oficial, botam seus blocos nas ruas e fazem seus próprios carnavais. Mas nem sempre foi assim. Os nossos carnavais tiveram momentos áureos e esses momentos imortalizaram alguns foliões, cujas memórias pretendemos resgatar. E começamos esse resgate por uma das foliãs mais conhecidas da cidade que foi Cristina dos Pimpões. 
               
Cristina dos Pimpões

Cristina Gomes Paulista, a Cristina dos Pimpões, nasceu em Mossoró em 11 de junho de 1914, sendo filha de Bonifácio Gomes de Melo e de Sabina Raquel do Amorim. Casou com Omarque Manuel Paulista, com quem teve cinco filhos, que lhe deram netos e bisnetos.
               
Era uma pessoa simples que amava o carnaval. E fazia dessa paixão a razão de sua vida. Lavava roupa, como profissão. Até se orgulhava desse trabalho, por que foi com o dinheiro ganho nas lavagens que pode criar e educar os seus filhos. Simples era também a casa onde ela morava, na rua Juvenal Lamartine, 872. Simples, mas cercada de grandeza espiritual.
               
Desde criança amava o carnaval. A alegria, o colorido das fantasias, as marchinhas carnavalescas, tudo lhe dava grande contentamento. Viu o bloco “Pimpões” ser fundado em 1924, sendo os seus idealizadores e também primeiros dirigentes Pedro Pequeno, Durval e Rafael. E apesar de ainda ser criança, com 10 anos de idade, desejava participar. Ficava deslumbrada com os preparativos, não tardando a ensaiar os primeiros passos de frevo. A primeira participação de Cristina nos desfiles dos Pimpões aconteceu dois anos depois da fundação do bloco, ocasião em que a foliã contava com apenas 12 anos de idade. Saiu como passista em uma ala de moças. Foi uma das maiores alegrias de sua vida. Passou a desfilar todos os anos e era uma das mais esforçadas na preparação da agremiação. Por volta de 1930 assumiu a direção do bloco, para só deixa-la com sua morte. E esse sempre foi o seu desejo. Dizia ela: “Vou brincar carnaval até morrer. E quando as minhas pernas velhas não mais aguentarem, compro uma cadeira de rodas e saio desfilando na frente do bloco totalmente fantasiada”.
               
Tornou-se ícone do carnaval de Mossoró. Sempre a frente do seu bloco, terminou associando o seu nome ao nome da agremiação, não mais sendo conhecida como Cristina Gomes, e sim como Cristina dos Pimpões. Por essa paixão, não conhecia fronteiras e com o próprio esforço sempre comprou as suas fantasias. Confessou que o carnaval só lhe deu alegria, apesar do trabalho e dos gastos para botar o bloco na rua. Sempre se manteve fiel às tradições dos Pimpões, não permitindo outras cores além do verde, amarelo e branco.
               
Consta que por várias vezes Cristina foi procurada por carnavalescos desejosos de transformar os Pimpões em Escola de Samba. Conservadora que era, em todas às vezes respondia: “Enquanto eu for viva, meu bloco é do povo, das ruas e do frevo”.
               
Em 1995 os Pimpões foi à única agremiação na categoria blocos que desfilou no carnaval. E como havia uma premiação para os primeiros colocados, acabou recebendo o troféu de 1º lugar da categoria. Foi receber a premiação, mas expressou a sua insatisfação com aquela situação. Gostava de competir. Receber o troféu sem concorrência era até vergonhoso. Custava-lhe muito preparar o bloco e a recompensa era exatamente o reconhecimento dos jurados. Não importava para ela a classificação que recebia, desde que fosse concorrendo com outros blocos. Mas já naquela época, o carnaval de Mossoró estava decadente e aquele foi o último carnaval de Cristina dos Pimpões.
               
Faleceu no dia 09 de dezembro de 1996, aos 82 anos de idade, vitimada por uma infecção generalizada. Estava preste a completar o seu 70º carnaval. Mossoró reconheceu o seu esforço emprestando o seu nome a uma rua da cidade. Não Cristina Gomes Paulista, mas Cristina dos Pimpões.
Geraldo Maia do Nascimento

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ESTE SENHOR É O ABEL IRMÃO DO CANGACEIRO PANCADA





Fonte: facebook


PRISÃO DO CANGACEIRO "PANCADA"

DATA DA FOTO: 1939
FOTÓGRAFO: Desconhecido.
LOCAL: Alagoas, AL, Brasil.

Depois do cerco estar fechado, o cangaceiro Lino José de Souza (Pancada), entrega-se em Maceió em 1939. Pancada era chefe de sub-grupo de Lampião.

http://fotonahistoria.blogspot.com.br/2012/11/prisao-do-cangaceiro-pancada.html

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