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sábado, 15 de agosto de 2015

A REVOLTA DOS NAZARENOS

Por Sálvio Siqueira
Cidade de Nazaré

Após a 'Revolução' de 1930, com a vitória dos revolucionários, as coisas começaram a andar, de um modo geral, para trás em relação aos bravos nazarenos que tantos serviços prestaram ao Estado pernambucano.

O governador Estácio Coimbra é deposto e se exila no exterior, juntamente com seu chefe de gabinete Gilberto Freyre. O tenente, na ocasião, Manoel de Souza Neto, os acompanha ao Rio de Janeiro, Capital do País, e não seguindo seu superior, é preso, nas imediações da Praça da República, pelos revolucionários e quase é enforcado pelos mesmos.

Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com

O novo Governador de Pernambuco era Carlos de Lima Cavalcanti, o qual nomeou Muniz Farias o novo Comandante da Polícia Militar, com isso, o quadro político do Estado, teve uma mudança radical. Os nazarenos tinham o novo comandante como "um homem rancoroso e desumano".

Os nazarenos que se encontravam na Bahia, na ocasião, em plena campanha contra Lampião, recebem ordens para pararem com tudo, são excluídos das tropas e são ordenados para deixarem o Estado baiano o mais rápido possível.

Manoel Neto, já excluído da Briosa pernambucana, sentiu-se punido muito severamente por ter sido um militar tão servidor ao Estado. Chega a sentir-se humilhado pois tinha sido Ajudante de Ordem, no Palácio das Princesas, no governo anterior. Decidido, retorna ao sertão, trazendo a ideia de organizar um grupo sertanejo e partir para o enfrentamento do novo Governo.

Foto de Manoel Neto - lampiãoaceso.blogspot.com

Nazaré torna-se uma fortaleza. Seus 'filhos' em xeque, estão dispostos a defenderem e resistirem até o fim contra as novas autoridades, pois, nos meses que se seguiram, foram com a intervenção, perseguidos, presos e humilhados, tendo os mesmos que agirem rápido, para não serem dizimados político e militarmente.

Força volante comandada por Manoel Flor - Cariricangaço.blogspot.com

Com a atitude do novo governo de Pernambuco, leva a massa dos nazarenos a tomarem esse tipo de ação, cogitando um movimento até chegarem a passarem para ilegalidade e usarem as táticas que os cangaceiros usavam nas brenhas das caatingas dos estados vizinhos ao de Pernambuco. O símbolo maior, na ocasião, foi o Mané Fumaça. Manoel Neto diz em alto e bom som que "Nazaré não se dobraria jamais", escutando esse juramento, os nazarenos passam a tê-lo como líder. Com o passar do tempo, o novo Governo pernambucano, aperta mais a rosca, e os nazarenos decidem em dividirem a população apta à batalha em grupos de cem pessoas e adentram nos rincões dos tabuleiros da Paraíba, Alagoas, Ceará, Bahia e Sergipe. Isso tudo por que em princípios do ano de 1931, o novo governo manda que se desarme toda a população. O líder, Manoel Neto, sendo porta voz do povo de Nazaré, diz que jamais os nazarenos entregariam suas armas, "deveriam mesmo enfrentar o governo até o último homem, deixando na história o nome de Nazaré com seus filhos que tantos serviços haviam prestado na campanha contra o banditismo"(LIRA, João Gomes de. Memórias de um soldado de volante, 1ª edição, pág. 478).
Foto com quatro nazarenos - cariricangaço.blogspot.com

Os conselheiros do novo Governo, vendo a coisa engrossar, orienta o Governador a repensar o caso. Não seria nada proveitoso ter centenas de nazarenos, armados e em um habitat que conheciam como ninguém, como adversários. Contemporizando o Governo, as negociações são iniciadas. Os de Nazaré impuseram suas condições. Tinham que reincorporar Manoel Neto na Força Pública, assim como toda sua família também seria reincorporada e quem mais desejasse servir. Proposta feita e, como não poderia ser diferente, aceita.

Depois de amargarem as perseguições, ameaças e ostracismo, voltam os nazarenos a serem os fiéis guardiões, com a vantagem de serem, dessa vez, a partir de então, funcionários públicos estaduais.

OFÍCIO DAS ESPINGARDAS MEMORIAL CANGAÇO

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HOJE É O ANIVERSÁRIO DA PRYCYLLA MINHA FILHA MAIS NOVA

Por José Mendes Pereira

Hoje, 15 de agosto de 2015, é o aniversário da minha filha mais nova Maria Prycylla Paiva Pereira. 

Que Deus multiplique os seus anos de vida já vividos. Que as bênçãos de Deus sejam derramadas como um dilúvio sobre sua vida! Que Deus permaneça com você o anjo da harmonia, da esperança, da paz, da prosperidade, das realizações, dos divertimentos em família, do sossego, da amizade com nossos familiares e amigos, do perdoar ao próximo quando feste te ferir, da luta cotidiana com sempre vitória, do acordar sem dores e sem angústias! É o que eu te desejo, filha, para sempre! 

Feliz aniversário!

Do seu pai José Mendes Pereira

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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

PARA TIRAR RAÇA..

Por: Leonardo Motta

Sempre que o coração cruel de Lampião se abrandava num gesto compassivo, Sabino Gomes, seu lugar-tenente, resmungava, contrariado.

Quando foi, por exemplo, da ocupação da cidade cearense Limoeiro do Norte, Lampião rendeu-se às súplicas do vigário local para não saquear as casas de comércio. Sabino, visivelmente irritado, mandava o padre rezar e cuidar da sua igreja, não se metendo em coisas que não são da conta de quem veste batina.

Sabino foi morto pelo próprio Lampião, que sempre o temeu, se arreceou do seu crescente prestígio no bando e se tornou cobiçado dos cinquenta e tantos pacotes que Sabino trazia sob a cartucheira.

- Antes que ele me queira jantar, eu o almoço! Decidiu Lampião, suspeitoso de que Sabino, mais hoje, mais amanhã, o abatesse com um tiro, para se apoderar da centena de contos de réis que também ele, Virgulino, acarinhava de encontro à cinta.

Uma das preocupações de Sabino na vida de crimes a que se entregou era vingar a morte dum seu irmão, o Gregório, rapaz pacato e benquisto, eliminado numa emboscada pelo Zé Favela. Nunca se pôde saber a causa desse assassínio.

Um dia, casualmente chegando a uma fazenda, Sabino e seus cabras encontraram o Zé Favela, desarmado. Reconhecê-lo e arrastá-lo para o terreiro, a fim de ser sangrado, foram coisas simultâneas. Antes, porém, que a vingança se consumasse, a dona da casa, com um crucifixo à mão, implorou do sicário, aos gritos:

- Seu Sabino, lhe peço por esta image: não mate o home! É o premêro pedido que lhe faço e se alembre que o sinhô nunca chegou nesta casa que não tivesse comidoria e arrancho e a gente não lhe botasse no piso da poliça! Me faça isso, seu Sabino, não mate o home!

Sabino quedou um instante e falou pro Zé Favela:

- Cabra, tu vai me dizer uma coisa: por que foi que tu matou meu irmão?

Zé Favela, sobranceiro como um nobre condenado, que altivamente aguardasse a morte, redarguiu, sem pestanejar:

- Seu Sabino, eu matei seu irmão, enganado.

- Enganado como, cabra mentiroso?

- Cabra mentiroso, não seu Sabino! Eu matei seu irmão enganado! Matei ele, enganado, porque eu ia matar era o senhor!

A confissão era verdadeira, mas brutal! Os companheiros de Sabino sentiram que o Favela não seria poupado. Mas o interrogatório prosseguia:

- Me matar por quê, cabra, se eu nunca te fiz mal?

- Eu ia matar o sinhô pra ganhar 50$000 do Joaquim Manduca, da “Boa Esperança”.

- Bem! deliberou Sabino. Você agora vai nos mostrar o caminho daqui pra “Boa Esperança”.

De novo, a mulher choramingou:

- Seu Sabino, lhe vem uma raiva no caminho e o sinhô acaba é matando este home numa volta da estrada! Seu Sabino, me atenda! Seu Sabino…

- Ora, larguemo de mamãezada! Aborreceu-se o próprio Zé Favela, em favor de quem eram os rogos da dona da casa. O home só morre quando a hora é chegada! Quem morre na véspera é porco ou piru. Vambora, seu Sabino!

E saiu, resoluto, a guiar o grupo de cangaceiros. Quando avistaram a “Boa Esperança”, Zé Favela pediu:

- Seu Sabino, me dê um rife que o “serviço” no Joaquim Manduca quem faz sou eu. Se o sinhô me aceita, eu caio na vida da espingarda, debaixo de suas orde. Lhe prometo não lhe fazer vergonha, porque eu cá sou um cabra ditriminado e tanto me faz morrer hoje como na sumana que vem!

Sabino esteve a refletir e, logo com firmeza:

- Não! eu não posso me esquecer nunca de que foi você que matou meu irmão… Agora, puxe por ali! Depressa, se não quer que eu faça com você o que você fez com o Gregório…

Zé Favela rodou nos calcanhares.

Aos seus cabras, estupefatos ante aquele gesto de clemência, Sabino explicou, acendendo um cigarro:

- Eu não perdoei este peste, devido a diabo de rogativa de mulher, não! Perdoei porque ele teve a coragem de me dizer a verdade. Cabra macho de todos os seiscentos: tudo quanto era de faca fora das bainha, ele me disse, de cara e sem tremer o beiço, que matou meu irmão enganado: – ia matar era a mim! Numa apertada hora daquelas, pra um home me dizer o que este cabra me disse, precisa não saber o que diabo é medo!

Fez uma pausa e, depois, soltando com força uma baforada de cigarro:

- Um cabra destes não se mata! Deixa isso viver pra tirar raça!

Fonte: Livro “No Tempo de Lampião”, de Leonardo Motta.
Transcrição: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)


Os comentários do pesquisador Chagas Nascimento no facebook, página Geraldo Júnior, sobre o cangaceiro Sabino das Abóboras:

Sobre o primeiro parágrafo, tem um fundo de verdade. No ataque a Mossoró-RN, Sabino quase é baleado, e o tiro, provavelmente, partiu do campanário da Igreja São Vicente. No dia seguinte, em passagem pela fazenda Veneza, já na fronteira do RN. Com o CE. Ele comentou com o Sr. Childérico, encarregado da fazenda: "O PRIMEIRO PADRE QUE EU PEGAR, VOU DAR-LHE UMA BOA SURRA". Taí a explicação do mau humor com o padre de Limoeiro do Norte-CE.

Outro fato que mostra o prestígio de Sabino junto a Lampião, também aconteceu na Fazenda Veneza. Lampião pede ao Sr. Childérico, que lhe armasse três redes para o descanso. Uma rede, o próprio ocupou. As outras duas, foram ocupadas pelo refém coronel Antonio Gurgel e Sabino. Portanto, ficaram sem essa regalia o seu irmão Ezequiel e seu cunhado Virgínio.

Acredito que o Lampião fazia de propósito. Sabino era o homem da vanguarda, era quem chegava causando o terror. Lampião, como sempre, chegava depois da desgraça feita.


Este mesmo Mergulhão, é um dos que atravessaram o velho Chico. Também foi o primeiro, dos seis que atravessaram o rio, a morrer em combate. No início de 1929 é baleado, carregado ferido pelos companheiros, não resiste e morre no mato.

Fonte: Facebook
Página: Geraldo Júnior‎ O Cangaço

Nota: Alguns escritores afirmam que quem matou Sabino foi o cangaceiro Mergulhão.

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O CANGACEIRO DAS ÁGUAS

Por Sálvio Siqueira

No dia 26 de julho do ano de 2015, num dia de domingo pela manhã, tempo fechado, de quando em vez uma chuviscada para refrescar, na capela da fazenda Maranduba, no município da cidade de Poço Redondo, no Estado sergipano, tive o prazer de conhecer o ilustre pesquisador Aderbal Nogueira. Quis o destino que nos conhecêssemos as margens do local onde aconteceu uma das maiores batalhas entre volantes e cangaceiros.

Aderbal Nogueira

As matérias com termos polêmicos, são uma marca registrada do amigo pesquisador. Não que queira aparecer, mas, com intuito de fazer-nos refletir e pesquisar mais aprofundadamente sobre o assunto. Vemos que após uma boa análise em debate, ficamos com maiores conhecimentos, pois, são relatados fatos que não diríamos num bate papo normal, e sim, num acalorado explanatório. O ser humano tem por natureza, o costume de quando se encontra acuado, partir para o contra-ataque, e esta, ainda é, a melhor defesa. Sabendo disso, o pesquisador explora nesse sentido.

Aderbal Nogueira

Nós, que estudamos o Fenômeno Cangaço, por várias e várias vezes imaginamos como seria o perfil corporal de determinada personagem do tema. Aderbal, com sua câmera, nos traz as imagens reais, daqueles que por lá vivenciaram. Daqueles que por desventuras quaisquer ou por ilusões criadas, entraram no negro mundo sombrio do cangaço, e talvez por uma ironia ou destreza do destino não tenham perecido por alguma bolota quente de chumbo de uma arma de fogo ou mesma pela lâmina dura, fria e, ao mesmo tempo quente, quando adentra estraçalhando nossa carne, d'uma faca peixeira ou de um punhal três quinas.

O DESCANSO DO GUERREIRO


Tenho um grande respeito por esse cabra da terra de Iracema. Venho, através desse nosso blog, agradecer-lhe em nome de Edinaldo Leite e em meu nome, pelo seu trabalho. Com ele, tivemos o privilégio de ver e ouvir um Candeeiro, um Panta de Godoy, uma Adília, uma Cila, um Neco de Pautília, um Zé de Cazuza e vários e vários outros personagens remanescentes das fileiras sangrentas do Cangaço.

Mostraremos, abaixo, como o pesquisador joga para fora o estresse das longas caminhadas pelas veredas dos tabuleiros, chapadas, serrotes, planícies, serras e morros da caatinga sertaneja, entre xiquexiques, mandacarus, juremais, rasga-beiços, urtigas...  Rastejando as trilhas dos fatos históricos do cangaço. Ele busca, na aventura, fazer com que a adrenalina chegue as alturas, deixando sua mente e corpo, prontos para buscarem outras matérias. Se 'amussega' num caiaque, tendo a companhia dos amigos e seguem nas 'veredas' aquáticas balançando os remos.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=CCaAn16tSnI
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GUSTAVO BARROSO - ESCRITOR SE MANIFESTOU A FAVOR DO SEPULTAMENTO DAS CABEÇAS

Por Raimundo Gomes

Após ser morto em julho de 1938, Lampião e demais cangaceiros foram decapitados e tiveram as cabeças levadas pela polícia. As mesmas foram exibidas em vários locais, foram parar no instituto Nina Rodrigues em Salvador, onde após serem mumificadas, ficaram expostas à visitação pública por mais de três décadas.


Depois de algum tempo, familiares do cangaceiro, inclusive um primo advogado, entraram na justiça requerendo o direito ao sepultamento da cabeça do bandoleiro.

O que eu não sabia é que, já em 1959, Gustavo Barroso fora a favor de que a exibição pública desses restos mortais acabasse e que a cabeça de Lampião fosse entregue aos parentes para o sepultamento.

Leia abaixo a matéria publicada pelo Jornal do Brasil edição de 13 de maio de 1959.


http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2015/08/gustavo-barroso.html

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MICRO-ÔNIBUS PARA SÃO RAIMUNDO NONATO-PI

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Paulo Gastão está recebendo os 400,00 do micro-ônibus para São Raimundo Nonato-PI. A hospedagem ele ainda não sabe o preço. Sairemos de Mossoró no dia 26 de outubro ás 5 horas e voltaremos no dia 1 de novembro. 

A conta do Paulo Gastão para transferir o dinheiro correspondente às passagens é: 
Paulo M. Gastão 
BB-C/C: 737-4
Agência: 3526-2.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A SAGA DO CANGACEIRO ROMÂNTICO

Por Sálvio Siqueira
Sálvio Siqueira e Edinaldo Leite

Como sempre, a política faz as suas vezes e revezes na vida de muitos nordestinos. Quando uma família segue determinado partido político, e este ganha as eleições, tudo torna-se favorável para ela, a família. No entanto, quando os adversários ganham a coisa muda de figura. 


São trocados, mudados, juízes, delegados, representantes de todas as camadas sociais... e, para quem perdeu, a sina é viver sob o jugo dos vencedores. Eles que ditam as regras e, quem perdeu, que as cumpram...


O agricultor e criador de animais,  Jesuíno Alves de Melo Calado, contava com 25 anos de idade quando um fato, vindo de um clã, família, adversária, mudou totalmente sua vida.


Nasceu aos 2 dias de janeiro de 1844, num local denominado Tuiuiú. Propriedade rural do município de Patu, no Estado do Rio Grande do Norte. Filho do casal Sr. João Alves de Melo Calado e de dona Alexandrina Brilhante de Alencar. Tinha a pele clara, era robusto, de uma estatura de mediana para baixa, tinha os olhos azuis, tinha os cabelos ruivos, falava manso e, segundo o padre Antônio Brilhante, era tato e ambidestro. Possuidor de boa pontaria.

O 'Brilhante', inserido no sobrenome da mãe, vem de parentes cangaceiros, que viveram no sul do Estado cearense. Principalmente do seu tio materno, o cangaceiro Cabé Brilhante, José Brilhante de Alencar e Souza. Era  também parente do escritor José de Alencar.

Na mesma região em que morava, vivia e cuidava dos afazeres diários, residiam componentes de um outro clã, família, de sobrenome Limão. Pois bem, partiu daí, depois de uma surra que os Limões deram em um irmão de Jesuíno, a saga daquele que ficou conhecido na história do cangaço como "O Cangaceiro Romântico".

Por volta de 1866, tem início os problemas entre os dois clãs,  os Limão e os Alves de Melo Calado. Exatamente por razões políticas. A família de Jesuíno era seguidora do Partido Liberal e, em contra partida, os Limões seguiam o Partido Conservador.


Lucas, irmão de Jesuíno Brilhante, em uma discussão acalorada, no meio da  rua, com Honorato Limão, terminam por saírem na porrada. Honorato desce o cacete em Lucas. Esse fato deu-se por volta  do dia de natal de 1871 na cidade de Patu - RN. Ao saber do ocorrido, Jesuíno vai tomar satisfações e acaba por matar Honorato a facadas. Após esse acontecimento, o agricultor, criador, pacato cidadão, casado com a prima Maria Carolina C. de Mello, com quem teve cinco filhos, torna-se um proscrito, caçado pela polícia do local.

Junta-se, mais tarde, a dois irmãos, Lúcio e João, e ao cunhado Joaquim Monteiro. Apesar de ser procurado pela polícia, Jesuíno diferencia-se dos bandidos comuns. Não causa danos a inocentes sertanejos, não abusa de indefesas mulheres, pelo contrário, as defende e protege. Faz seu QG numa gruta de pedra. Fica denominada, desde então, como " A Gruta do Cangaceiro".
                                         

No ano de 1877, uma grande seca assola o Nordeste, sem dó nem piedade. O sol segue calcinando a vegetação e de vida, o que se escuta é o estridente cantar da cigarra na caatinga sertaneja. o Império manda para a população carente, em comboios, víveres alimentícios. Os coronéis, como sempre, seguram a mercadoria, estocam em seus depósitos e as vende as pessoas. Sabendo disso, Jesuíno e seu grupo, intercedem os tropeiros que levam as cargas de mercadorias para os armazéns dos coronéis, e as distribui para os necessitados.

Segundo o pesquisador Ângelo Osmiro, em matéria no blog Cariri Cangaço, Jesuíno Brilhante era: "Um verdadeiro “Robin Hood” do sertão, roubava dos ricos para distribuir aos pobres(...), aquele que protegia as donzelas ultrajadas, fazendo casamentos, principalmente de filhos de poderosos que abusavam das filhas dos sertanejos humildes, achando que não seriam punidos ou obrigados a casar."

No ano de 1874, em uma ação audaciosa, Jesuíno Brilhante, invade a Cadeia Pública da Cidade de Pombal, na Paraíba, e resgata seu irmão, Lucas Alves.


José Limão, conhecido como 'Preto Limão', fazia parte de uma força policial, a qual, emboscou e atirou em Jesuíno Brilhante em dezembro do ano de 1879. O destino quis que um dos maiores inimigos do 'Cangaceiro Romântico', não só estivesse presente, mas comandasse essa tropa. Ferido no braço e no tórax, é  socorrido e levado pelos companheiros para um sítio chamado Palha. Sem ter condições de um atendimento digno, vai a óbito e é enterrado ali mesmo, no meio do mato.


PS// Imagens da armas usadas pelo cangaceiro Jesuíno Brilhante/ imagem da antiga cadeia publica de Pombal - PB/Provável local onde ficaram os emboscadores para atirarem em Jesuíno Brilhante

Fotos produto.mercadolivre.com.br
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Acervo do pesquisador Volta Seca
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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS


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NO TEMPO DE LAMPIÃO A COISA ERA DIFERENTE

Por José Manoel
Imagem de cinena

Vilas e cidades sitiadas!
Coronéis reunidos em segredo!
Policiais correndo com medo!
Igrejas de portas fechadas!
Bandoleiros pelas estradas,
atirando em bicho e gente...
Soldado, capitão e tenente,
tropas inteiras em rendição
No tempo de Lampião
a coisa era diferente.

Cangaceiros eram temidos
em todos os cantos do país!
Mesmo assim, o povo era feliz...
apesar das atrocidades e perigos.
Pobres, andarilhos e mendigos,
ricos, gente poderosa e influente...
eram todos tratados igualmente
desde que não fizessem traição
No tempo de Lampião
a coisa era diferente.

Ladrões de paletó e gravata
era na pistola e no punhal
e se fosse do governo federal,
aplicava-se, antes a chibata,
não havia toda essa mamata
de partido, amigo ou confidente...
Ladrão, salafrário e delinquente,
ganhava uma bala e um caixão
No tempo de Lampião
a coisa era diferente.

José Manoel dos Santos.
Juazeirinho - PB.

Fonte: facebook

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Piranhas em uma Viagem Fotográfica pelo Cangaço

Por Manoel Severo

O IFAL , Instituto Federal de Alagoas, em sua sede de Piranhas, recebeu a Caravana Cariri Cangaço dentro da Semana do Cangaço de Piranhas 2015 realizando a apresentação da Conferência "Uma Viagem Fotográfica pelo Cangaço", sob a responsabilidade do pesquisador e colecionador do cangaço, Ivanildo Silveira com a colaboração dos também pesquisadores, Kiko Monteiro de Lagarto e Rostand Medeiros de Natal.

Ivanildo Silveira
 José Tavares, José Bezerra Lima Irmão, Ingrid Rebouças, Juliana Pereira e Ana Lúcia
família de Paulo Britto, Narciso Dias e Aderbal Nogueira
Dona Cláudia e José Cícero Silva

Durante mais de uma hora e meia o pesquisador Ivanildo Silveira, provocou e esclareceu um conjunto de polêmicas envolvendo algumas das mais célebres imagens do ciclo do cangaço de Virgulino Ferreira, desde as primeiras fotografias ainda como "cabra" de Sinhô Pereira, passando pelas imagens imortais de Juazeiro do Norte em 1926, pela chegada em Ribeira do Pombal em 1929, navegando pelo espetacular trabalho de Benjamim Abraão até as "cabeças cortadas" e a volante de João Bezerra em fotos de 1938.
 Imagens de 1922
 
Um recorte com o documentário de Louro Teles sobre Serra Grande
Caravana de São Paulo, Dr José Mario , Carlo Araujo e Antonio Amaury 
Patrícia Brasil, anfitriã do Cariri Cangaço em Piranhas

Para um auditório totalmente lotado, o pesquisador Ivanildo Silveira, a partir de um minucioso trabalho técnico de observação e comparação, e ainda técnicas de analise de fotografias; além de destacar os verdadeiros locais das referidas imagens e desvendar personagens até então anônimos e ou eventualmente identificados de forma equivocada , também ressaltou o trabalho desenvolvido por outros destacados pesquisadores, dentre esses, o trabalho do pesquisador sergipano de Itabaiana, Robério Santos.

 Trabalho do pesquisador Robério Santos
 Oleone Coelho Fontes, Sonia Jaqueline...
Leila, João de Sousa Lima, Reginaldo e Petrúcio Rodrigues
Ingrid Rebouças, Juliana Pereira, Ana Lúcia, Elane Marques e Cláudia Silva
Tomaz Cisne, Jorge Remigio, Ivanildo Silveira, Kiko Monteiro, Rostand Medeiros e Sousa Neto

Ao final, os participantes de forma unânime , destacaram a primorosa apresentação do pesquisador Ivanildo Silveira; para Afrânio Gomes de Fortaleza "sem dúvidas foi um dos momentos mais edificantes desta edição do Cariri Cangaço, o professor Ivanildo com muita maestria conseguiu nos esclarecer pontos nebulosos ha muito tempo discutidos, como o caso da clássica foto de Benjamim Abraão em que o cangaceiro Vinte e Cinco afirma ser ele um dos componentes da imagem e hoje estamos convencidos que ele cometeu um equivoco, ou seja, ele não estava naquela foto, e isso graças ao trabalho sério e dedicado do pesquisador Ivanildo Silveira". 

Cariri Cangaço Piranhas 2015
IFAL - 27 de Julho
Piranhas, Alagoas

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