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quarta-feira, 28 de junho de 2017

JÚRI DO JARARACA

Por Diógenes da Cunha Lima

AULA ESPETÁCULO

​Valendo cinco horas de aula aos alunos de Direito da UFERSA e aberta ao público, foi realizado, em Mossoró, um júri virtual. Tratou-se de julgar, como culpado ou vítima, José Leite de Santana, o Jararaca. 

José Leite de Santana o Jararaca

O insuspeito Câmara Cascudo registra: “Jararaca assaltava fazendas, incendiava, matava, depredava”. No frustrado ataque de Lampião à cidade referida, 90 anos atrás, foi baleado, preso e morto pela polícia. Entre o real e o imaginário, estão as versões de sua morte. Os policiais enganaram-no, dizendo que ele estaria sendo transportando para Natal e não para o cemitério. Também teria sido obrigado a cavar a cova onde foi enterrado vivo. Diz-se que teria se arrependido e pedido perdão a Deus.

​O julgamento foi realizado no Fórum. A aula espetáculo assemelhou-se às realizadas por Ariano Suassuna ou Antônio Nóbrega, mas com ensinamento de Direito e de civismo. O Juiz vestindo a toga, os advogados a beca e, também, os jurados com vestes talares. Admiravelmente, presidiu o julgamento o Dr. Breno Valério Fausto de Medeiros, que lecionou sobre o roteiro de um júri real, da instalação à sentença.

Dr. Breno Valério Fausto de Medeiros

​Cidadão honorário mossoroense, não poderia recusar o convite para fazer a acusação. No final, os jurados entenderam que Jararaca era vítima. Até então eu acreditava que as vítimas do bandido fossem outras, fossem os mutilados e mortos pelo bando cangaceiro. Mas foram o prefeito Rodolfo Fernandes e os seus valentes que defenderam Mossoró. Receava que Jararaca, tido como santo, recebendo flores, velas e preces de angustiados devotos, pudesse ser absolvido.


​A arte imita a vida. A vida costuma também imitar a arte. Comparei o sanguinário Lampião a Macbeth, tragédia de Shakespeare. Ambos foram reis. Do Sertão e da Escócia, respectivamente. Este portava coroa; aquele, um chapéu estrelado e pingentes de ouro. Ambos eram supersticiosos, acreditando terem o “corpo fechado”. Macbeth era capitão do exército e o outro se consagrou capitão na presença do Padre Cícero. 
Padre Cícero Romão Batista

Os dois criminosos impunham obediência pelo terror e nunca por simpatia ou por amor. As mulheres participavam das maldades, Lady Macbeth e Maria Bonita, a quem Lampião chamava de “Santinha”. 

Colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

O rei escocês queria ser sempre lembrado. Meu pai ouviu de um ex-cangaceiro que o Capitão sempre dizia: “O que eu quero é que nunca ninguém se esqueça de mim”. Lampião reinou sobre um território bem maior do que o da Escócia, os sete estados nordestinos.

Macbeth e Lady Macbeth 

​A defesa esteve a cargo do competente advogado Honório Medeiros, que levantou tese maravilhosa. Demonstrou que o seu “cliente” era uma vítima. 

Dr. Honório de Medeiros

E convenceu. Anotei algumas de suas frases candentes, como: “Era um homem embriagado de liberdade, uma explosão de liberdade”. A defesa exaltou os que não se rendem, os que recusam aceitar condições de vida injustas: “São os insubmissos que fazem a história”.

​São atribuídas duas cidadanias pernambucanas a Jararaca, Buíque e Pajeú das Flores. Perguntei: das flores? Ele deve ter nascido em Buíque, porque não era flor que se cheire. O seu nome de batismo, José Leite de Santana, também era absolutamente inadequado. José é o nome do marido de Nossa Senhora, um santo de bom. Já o leite de Santana, que amamentou Nossa Senhora, não se destinaria a alimentar um bandido.
​A comunidade mossoroense ministrou uma aula de civismo que tanto precisa o Brasil.
Artigo do escritor Diógenes da Cunha Lima, publicado domingo passado na Tribuna do Norte.

Informação importante: Não foi feito nenhuma modificação no texto, apenas criado alguns parágrafos para efeito de ilustração com imagens.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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AMÉLIA REGINALDO: NASCIDA PARA LUTAR

Por José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

Em 23 de junho de 1917 nascia em Mossoró, Amélia Gomes Reginaldo, a filha primogênita de Raimundo Reginaldo da Rocha e de Luzia Gomes da Rocha. Amélia tinha recebido inicialmente o nome de Rosa Luxemburgo em homenagem a militante comunista polonesa[1]. Além dela, o casal teve mais três filhos: Carlos Lenine Reginaldo, José Stalin Reginaldo e Jandi Reginaldo.

Amélia cresceu na efervescência e amadurecimento orgânico dos grupos comunistas no Brasil, das greves generalizadas e dos movimentos sociais. Conduzida pelo pai, 1º pessoa a divulgar ideias marxista-leninistas no interior do Rio Grande do Norte, concentrava-se na leitura de autores como Victor Hugo, Euclides da Cunha, Jorge Amado, Marx, Lênin, entre outros. A influência paterna parece ter estimulado a filha do Professor Raimundinho, como era carinhosamente conhecido o seu pai. Em razão disso, possivelmente, tornou-se líder estudantil na Escola Normal de Mossoró[2] (1930-1933), defendendo melhoria no ensino, igualdade e participação dos alunos e alunas.

A atividade de liderança de Amélia já era realizada por Raimundo Reginaldo, professor da Escola Paulo de Albuquerque, chegando a ocupar o cargo de diretor. Nessa época, participou ativamente da criação da Liga Operária em Mossoró, no dia 10 de abril de 1921, sociedade com fins beneficentes, que teve em Raimundo Reginaldo um dos seus principais expoentes.

A sua determinação, conhecimento e carisma, fizeram com que Amélia Reginaldo exercesse cargo de direção da União Feminina do Brasil, sendo a filiada mais atuante convocando amigas, esposas e filhas de militantes para se engajarem na “luta” do Partido Comunista. A União Feminina do Brasil ocupava-se de assuntos relativos à emancipação das mulheres, por isso era combatida pelos políticos conservadores, que atacavam as filiadas considerando-as como pessoas de comportamento imoral e espalhafatoso.

Aluizia do Nascimento Freire e Maria Francinete de Oliveira em “Amélia Reginaldo: Uma militante esquecida pela historiografia” conseguiram encontrar  em registros do acervo público do Rio Grande do Norte, a atuação destacada de Amélia na insurreição comunista. Todas as mulheres que foram interrogadas afirmaram que se filiaram a União Feminina do Brasil, órgão mantido pelo Socorro Vermelho Internacional, através de Amélia Gomes Reginaldo.

Também atuou como secretária do Comitê popular revolucionário e contribuiu na edição do Jornal “A Liberdade” (Órgão Oficial do Governo Popular Revolucionário – Natal, 27/11/1935), em única edição. Este jornal tinha o professor Raimundo Reginaldo da Rocha, como diretor. O exemplo paterno volta a se manifestar. Em 1º de maio de 1922, foi criada a Associação de Normalistas de Mossoró[3], que, entre outras atribuições, fundou uma revista ilustrada, de publicação mensal, denominada de ABC. Raimundo Reginaldo integrava a comissão de normalistas responsável pela elaboração do periódico. Outra publicação digna de registro foi a criação do jornal “O Trabalho” em 7 de setembro de 1922[4]. Esse periódico era um órgão dedicado aos interesses da Liga Operária de Mossoró, que tinha como diretor-responsável Raimundo Reginaldo da Rocha e redatores, Manoel Assis, Mário Cavalcanti e Lauro da Escóssia.

De todas as mulheres que participaram da insurreição comunista, na cidade de Natal, Amélia foi à única condenada, recebendo uma pena de cinco anos de reclusão. Sua prisão foi decretada em 04 de setembro de 1936. No entanto não chegou a ser presa, pois se tornou fugitiva da justiça. Já a sua mãe, Luzia Gomes da Rocha foi presa várias vezes não sendo respeitada sua condição de nutriz.

Na condição de fugitiva recebe a companhia inseparável de seu pai. Em carta enviada ao tio Lauro Reginaldo, Amélia relata os dissabores enfrentados no interior do nordeste. Escondendo da policia, passaram a vagar por cidades como São José de Mipibu, no Rio Grande do Norte e Juazeiro do Norte, no Ceará.

Na cidade potiguar, permaneceram pouco tempo. Amélia ficou na casa de um simpatizante do partido. O seu pai, ficou no mato, mas sempre mantendo contato com a filha. Rumaram novamente com destino a Natal. Lá chegando, Amélia se refugia na casa de outro simpatizante do partido. Raimundo Reginaldo conheceu alguns madeireiros e passou a trabalhar com eles, extraindo madeira. Com o dinheiro arrecadado conseguiu comprar uma casa de palha. Algum tempo depois, foi reconhecido e precisou mais uma vez fugir. Foi até a casa onde Amélia estava escondida e resolveram tomar novo rumo, a cidade de Juazeiro do Norte.

Antes de chegar à cidade cearense, aportaram em Mossoró. Foram logo reconhecidos. A polícia ficou sabendo. Prenderam os seus parentes que não tinham nada a ver com a história. Dentre os quais, Luzia, mãe e avó de Raimundo e Amélia, respectivamente. A polícia queria saber do paradeiro dos revolucionários mossoroenses, ameaçando-os de espancamento e torturas. Mesmo assim, seus familiares disseram que não sabia onde eles se encontravam.

Comovidos com o transtorno causado aos familiares, apressaram sua partida. Raimundo se disfarça de cego e mendigo e Amélia de guia com roupa cheia de pano, simulando mulher grávida. Dessa forma, eles chegaram sem sobressalto a Juazeiro do Norte, fixando residência na rua Padre Cícero. Por acaso, Raimundo Reginaldo encontrou o seu primo Zacarias Rocha, residente na cidade vizinha, Crato.

Raimundo Reginaldo montou uma bodega e Amélia foi morar na casa do referido primo. Com saudades da esposa, Raimundo viaja para Mossoró. Conseguiu ir e voltar aparentemente sem problemas, tomando as devidas precauções. Mesmo assim, a policia foi informada da sua presença na cidade. Pouco depois, um advogado amigo de Zacarias disse que tinha chegado uma precatória de Mossoró pedindo a prisão de ambos.

Por essa razão, a família refugia-se em Picos – PI. Foram morar numa fazenda pertencente aos familiares de Francisco Alves Feitosa (Chiquinho), futuro esposo de Amélia.

Nessa época, Raimundo Reginaldo estava com a saúde debilitada. Queixava-se de dor no peito, achava que não veria mais os filhos no Rio Grande do Norte onde viu seu pai falecer, no dia 31 de março de 1938. Em carta enviada ao seu tio Lauro Reginaldo, ela narrou seus últimos momentos:

“Depois ele pediu para eu cantar “A Internacional”, o hino de sua paixão. O hino relembrava as suas lutas passadas, os seus ideais de redenção do povo brasileiro. Notando que ele estava muito comovido, eu não quis cantar. Ele insistiu e eu não pude continuar me esquivando. Comecei a cantar. Aí as lágrimas começaram a cair dos seus olhos. Eu parei de cantar e procurei mais uma vez reanimá-lo”. [5]

Passado algum tempo ele começa a passar mal. Chiquinho, noivo de Amélia consegue chamar um médico, que aplica uma injeção na tentativa de salvá-lo. Não deu tempo. O coração do revolucionário educador Raimundo Reginaldo parou de pulsar, em 31 de março de 1938, na cidade de Picos.

Chiquinho e Amélia. Acervo de família, cedida pelo sobrinho Carlson Reginaldo.

No mês seguinte ela casou com Francisco Alves Feitosa (Chiquinho), nascido em 19 de maio de 1917, falecido em 25 de maio de 1989. Desse enlace, nasceram os filhos: Reginaldo Nogueira Feitosa nascido em 20 de fevereiro de 1939 e Agnaldo Nogueira Feitosa nascido em 22 de setembro de 1941.

Depois de casada, passa a se chamar Amélia Nogueira Feitosa. Mesmo não exercendo atividade política ideológica nesta cidade e vivendo como uma pessoa simples e recatada, não ficou invisível aos olhos do escritor Renato Duarte. Este, no livro intitulado “Picos: os verdes anos cinquenta”[6] em determinado trecho descreve:

“Dona Amélia era uma mulher culta para os padrões interioranos da época. Leitora ávida de livros e revistas possuía uma das poucas bibliotecas particulares da cidade: nesse aspecto era uma mulher diferente dos padrões de comportamento feminino de então”.

Conta sua nora Lili que a leitura era o grande vício de Amélia[7].

O sofrimento causado pela perseguição fez com que a família Reginaldo silenciasse boa parte de tudo o que aconteceu durante e após a insurreição comunista. Transformou Amélia em uma mulher centrada no papel de mãe e de avó, mas que não achava bonito não ter o que comer, por isso participava dos movimentos benevolentes, distribuindo alimentos às pessoas menos favorecidas, além de ser uma figura humana reputada como romântica[8].

Em decorrência de problemas de saúde, causados pela hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, Amélia faleceu aos 61 anos de idade, no dia 11 de novembro de 1978, em Picos.

Mossoró, 23 de junho de 2017.
Centenário de nascimento de Amélia Gomes Reginaldo.

Referências Bibliográficas:

ESCÓSSIA, L. As dez gerações da família Cambôa: estudo genealógico. 2ª edição. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2015. 173 p.
FERREIRA, B. C. O Sindicato do Garrancho. 2ª edição. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2000. 184 p.
FREIRE, A. N.; OLIVEIRA, M. F. Amélia Reginaldo: Uma militante esquecida pela historiografia. 7 p.
MOURA, W. B. A Tradicional Escola Normal de Mossoró. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2001. 145 p.
NONATO, R. Memórias de um Retirante. 3ª edição. Mossoró-RN: Coleção Mossoroense, 2001. 172 p.
OLIVEIRA, M. F. Amélia (Reginaldo) Nogueira Feitosa. Disponível em:http://www.dhnet.org.br/memoria/1935/a_pdf/francinete_oliveira_amelia_reginaldo.pdf Acesso em 22 de junho de 2017 as 09:00 h.
ROCHA, L. R. Bangu Memórias de um Militante. Organização: Brasília Carlos Ferreira. Natal-RN: UFRN, 1992.
Jornal O Nordeste, Mossoró 26 de setembro de 1922.
http://blog.esquerdaonline.com/?p=6013&print=pdf Acesso em 22 de junho de 2017 as 8 h.
http://rosaluxspba.org/rosa-luxemburgo/ Fundação Rosa Luxemburgo. Acesso em 22 de junho de 2017 as 07:00 h.

DADOS BIOGRÁFICOS

José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo (Mossoró-RN, 1976), filho de José Edilson de Albuquerque Guimarães e Deodina Silveira de Albuquerque Guimarães, graduado em Ciências Biológicas (UFRN) e Mestre em Geociências, pela mesma universidade, é servidor da Prefeitura Municipal de Mossoró. Iniciou suas atividades literárias, em 2012, na Revista Oeste, com a publicação do artigo Reminiscências: Alto da Conceição, um exemplo de fé cristã, em coautoria com Edimar Teixeira Diniz Filho. Em 2013, publicou, também, na Revista Oeste, outro artigo intitulado: Deoclides Vieira de Sá: um dos mais bem-sucedidos comerciantes mossoroenses. Em 2014, em parceria com o professor Doutor David de Medeiros Leite, publicou o livro: Mossoró e Tibau em versos: antologia poética (Ed. Sarau das Letras). No ano seguinte, publicou o livro: Nas trilhas de meu avô (Ed. Sarau das Letras). É sócio efetivo do Instituto Cultural do Oeste Potiguar-ICOP.

[1] Nascida em 5 de março de 1871 em Zamoṡc, pequena cidade polonesa então ocupada pela Rússia. Ganhou projeção neste meio marxista alemão em 1899, com a publicação de um ensaio contra o teórico socialista Eduardo Bernstein, amigo pessoal de Engels e executor do testamento de Marx, intitulado Reforma social ou revolução? Na virada de 1918 para 1919 participa da fundação do Partido Comunista Alemão (KPD) e em janeiro deste ano é presa junto com Karl Liebknecht no que foi conhecido como a “insurreição de janeiro”. Ambos são assassinados em 15 de janeiro de 1919 por tropas do governo. Rosa Luxemburgo tinha 48 anos. Extraído de http://rosaluxspba.org/rosa-luxemburgo/
[2] Fundada em março de 1922, foi uma das mais tradicionais instituições de ensino na cidade. A primeira turma formada em 1924 teve dentre os 11 diplomados, Raimundo Reginaldo.
[3] Era formada pelos alunos da Escola Normal de Mossoró.
[4] “O Nordeste” de 26 de setembro de 1922.
[5] ROCHA, L. R. BANGU – Memórias de um militante. Org. de Brasília Carlos Ferreira. 1992. Anexos, p. 113.
[6] OLIVEIRA, F. M. Amélia (Reginaldo) Nogueira Feitosa. 2008, p. 3.
[7] Ibid., p. 3.
[8] Ibid., p. 3.



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DIÁRIO DE UM REFÉM NAS GARRAS DE LAMPIÃO


Clique no link abaixo para você conhecer um belo cordel.

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com.br/2017/06/diario-de-um-refem-nas-garras-de-lampiao.html

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO E AS ARMAS DE JUAZEIRO.

Material do acervo do pesquisador do cangaço  José João Souza

Em março de 1926, Lampião recebeu do Batalhão Patriótico de Juazeiro do Norte a patente de capitão. Também trocou os rifles 44 dos cangaceiros por fuzis-máuser tipo 1908, e ainda recebeu 400 balas para cada cangaceiro. Na passagem por Jardim - CE, Lampião mandou o ferreiro Mestre Zuza encurtar o cano dos fuzis da tropa, transformando assim em mosquetões. Mesmo considerando que a patente não era legítima, o cangaceiro se tornou mais fortalecido e mais violento também. Nesse ano ocorreu uma séria de atentados no sertão nordestino, com mortes e sequestros. Quando Lampião soube que os Oficiais de Pernambuco não respeitariam sua patente, e que as volantes continuariam lhe perseguindo, exclamou:

- "As espingardas vão cantar a cantiga velha". E cantou mesmo!

Segue abaixo uma relação das ocorrências mais audaciosas praticadas pelo bando de Lampião no Estado de Pernambuco, no ano de 1926.

23 de fevereiro - Tocaia e mata o velho inimigo José Nogueira, na fazenda Serra Vermelha, município de Vila Bela, atual Serra Talhada.

16 de abril - Invade Algodões, dando-se espancamentos e estupros.

7 de maio - Invade Triunfo, estando o grupo sob o comando imediato de Sabino.

01 de agosto - Ataca novamente e incendeia a fazenda Serra Vermelha, matando duas pessoas exterminando gado e apiário.

14 de agosto - Interrompe as comunicações telegráficas, cortando fios e incendiando postes em Vila Bela.

19 de agosto - Invade a cidade de Tacaratu com 90 homens, pondo cerco à casa Manuel Vítor da Silva, que resiste heroicamente a doze horas de combate, findando por fugir com um irmão gravemente ferido.

26 de agosto - Ataca a fazenda Tapera, Floresta, matando 13 pessoas de uma mesma família, os Gilos, à frente de 120 cabras.

02 de setembro - Invade Cabrobó à frente de 105 bandoleiros, sob toque de corneta e em perfeita formação militar, hospedando-se em casa do chefe municipal, em cuja companhia, após o almoço, passa em revista os alunos da escola local, formados em sua honra.

06 de setembro - Invade Leopoldina (atual Parnamirim), fuzilando quatro residentes, saqueando o comércio, a mesa de renda (coletoria), e destruindo o telégrafo.

01 de outubro - À frente de 126 homens, põe em fuga a força pernambucana que se defronta com o grupo, próximo à Floresta.

11 de novembro - Tiroteia com força pernambucana na fazenda Favela, Floresta, resultando dez soldados mortos e sete feridos.

24 de novembro - Sequestra viajantes das empresas Souza Cruz e Standard Oil Company, exigindo dezesseis contos de réis de resgate, sob pena de morte.

25 de novembro - Incendeia a casa e mata Zé de Esperidião em Varzinha, município de Vila Bela.

26 de novembro - A famosa Batalha na Serra Grande, a maior da história do cangaço. Lampião enfrenta uma tropa de aproximadamente 300 policiais, com apenas noventa cabras. A tropa, ao final perde um total de 20 soldados, a intensa troca de tiros estendeu-se das 8:00h30 às 17:00h45, quando a polícia abandonou o campo de batalha.

12 de dezembro - Na localidade Juá, destrói a tiros cento e vinte e sete bois do fazendeiro Joaquim Jardim, estabelecido em Floresta.

Fontes:
Lampião, seu tempo e seu reinado, de Frederico Bezerra Maciel
Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano de Mello.


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CANGACEIROS INVADEM EXU

Por Junior Almeida

O próximo destino dos “vaqueiros da história” a partir do dia 21 do mês de Santa’Ana de 2017, é na terra da primeira presa política do Brasil, Bárbara de Alencar, heroína da Revolução de 1817, cidade mundialmente conhecida, por ser o berço do Luiz Gonzaga, o eterno “Rei do Baião”. Exu é fonte inesgotável de histórias, sejam elas as do Mestre Lua, sejam dos conflitos entre Alencar, Sampaio e Saraiva, iniciados em 1949 e até de conflitos mais antigos como o próximo Ipueira dos Xavier, em Serrita e de Juazeiro no Ceará, que também faz parte daquela região.

Desse último, sabemos que o coronel Marcos Franco Rabelo, tinha sido nomeado interventor do Ceará pelo governo nacional, e passou a perseguir sem tréguas o Padre Cícero, inclusive o destituindo de seus cargos e ordenando sua prisão. A medida foi imediatamente rejeitada por grupos oligárquicos do Estado, que, liderados por Floro Bartolomeu, homem de confiança do padre Cícero, organizaram um batalhão formado por jagunços, cangaceiros e romeiros em defesa do Patriarca do Juazeiro, o que fez eclodir em 1914 nas proximidades de Exu, distante apenas aproximadamente 12 léguas o conflito que ficou conhecido como a “Revolta do Juazeiro”.


Franco Rabelo com seus homens seguiu para Juazeiro a fim de prender padre Cícero, mas, ao chegar à localidade deu de cara com o enorme valado uma sólida muralha protegendo toda a cidade. A intransponível trincheira recebeu o sugestivo nome de "Círculo da Mãe de Deus" e foi construída em apenas sete dias por mais de 10 mil homens. Doutor Xavier de Oliveira nos conta em seu “Beatos e Cangaceiros”, livro publicado em 1920, que “um repórter de um jornal de Fortaleza que cobria o conflito, perguntou a um dos beatos que defendiam o círculo o que ele estava fazendo ali, tendo esse respondido não saber, mas que padre Cícero mandando, ele brigava com a ‘besta fera’, com a ‘mãe de pantanha’, e arrancava a batina do Papa.”

As tropas rabelistas além de não conseguir entrar em Juazeiro, sofrendo inúmeras baixas, foram motivo de chacota por parte dos milicianos do Padim, que conseguiram “capturar” um canhão que ia ser usado para transpor as defesas da Meca Sertaneja. Para piorar pros lados de Franco Rabelo, os romeiros/jagunços comandados por Floro Bartolomeu, marcharam para revanche. Primeiro até o Crato, depois para Fortaleza, onde depuseram Franco Rabelo.

Foi em meio a esse conflito que no dia 6 de janeiro de 1915, o promotor adjunto de Exu enviou ao chefe de polícia de Pernambuco, Dr. Maurício Vanderlei, desesperado telegrama, dando conta, segundo ele, das violências praticadas pelos romeiros do Padre Cícero Romão Batista, do Juazeiro. Dizia a mensagem (grafia da época):

“Comunico a V.Exia. Romeiros padre Cícero Joazeiro invadiram este município, matando gados criadores. Exuenses ameaçados autoridades. Bandido José Pinheiro chefe grupo fanáticos, acaba descer serra Araripe, praticando roubos, espancamentos, força seguiu capturá-lo, ignora-se resultado diligência. Joazeiro Ceará em pé de guerra. Espera-se nova solução. Saudações, promotor adjunto de Exu.”

Em fevereiro daquele mesmo ano, o “Patriarca do Juazeiro”, usaria as páginas do jornal mais antigo da América Latina, Diário de Pernambuco, para se defender das acusações que lhe faziam. Com o título da matéria POLÍCIA PERNAMBUCANA COMBATE ROMEIRO DO PADRE CÍCERO, o sacerdote alegava que “os adversários com fim de alarmar o povo, fazem circular boatos de que as forças pernambucana vêm massacrar os romeiros do Araripe. Tal notícia produziu a retirada de mais de dois mil agricultores, abandonando seus trabalhos, ficando nós ameaçados de crise.”

Nota-se, porém, que nos dois textos a tendência de ambos os lados ganharem para si a opinião pública. Enquanto o poder oficial tenta desqualificar o padre Cícero, inclusive usando a imprensa da época, para “jogar na mesma panela” o religioso com o beato Antônio Conselheiro, que não havia muito tempo sido morto em Canudos, como inimigo do Estado, e até mesmo com os cangaceiros Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino e Lula [Luiz] Padre, o Patriarca do Juazeiro contra ataca usando também os jornais, acusando a polícia de deixar os sertanejos em sacrifício, com a evacuação de seus Lares, por conta do medo da polícia.

*Foto do Diário de Pernambuco de 13 de novembro de 1966.

Fonte: facebook
Página: Júnior Almeida
Grupo: Historiografia do Cangaço
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MOSSORÓ CIDADE JUNINA 2017


AFLAM - Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense: Solenidade de elogio à patrona da cadeira 35 da AFLAM, Marinês, a eterna rainha do xaxado, por Maria Goretti Alves de Araújo. Mossoró, 24 de junho de 2017.

Da esquerda para a direita: Professora Conceição Maciel Filgueira, Professora Suzanna Goretti Lima Leite, Professor Benedito Vasconcelos Mendes e o Professor Antônio Marcos Oliveira

Da esquerda para a dirreita: Silva Neto, Presidente da Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM), Professora Conceição Maciel Filgueira, Professora Susanna Goretti Lima Leite e o Professor Benedito Vasconcelos Mendes

Maria Goretti Alves de Araújo





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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A JUSTIÇA DE LAMPIÃO E O SUPLÍCIO DE ZÉ CALU.

Material do acervo do pesquisador José João Souza

Na fazenda Melancia, situada na margem direita do Rio Pajeú, município de Flores PE, residia seu proprietário José Calu. Em 1925, era um homem de 57 anos, que ainda guardava o vigor da juventude. Em uma época em que o patriarcalismo imperava no Sertão, Zé Calu passou a ser acusado por certas pessoas, de haver cometido incesto com algumas de suas filhas. O boato, logo caiu na boca de seus inimigos, que o denunciaram a Lampião, o qual não deixou por menos e começou a pensar nas providências em defesa das sertanejas ofendidas. 

No dia 21 de gosto daquele ano, Lampião amanheceu na Fazenda Melancia, à frente de seu grupo, com o propósito de aplicar um corretivo em Zé Calu. Levava consigo o mais inusitado instrumento de tortura que se pudesse imaginar: era um arreador de bezerro, “aquela forte correia de sola tratada com que se ata o bezerro ao membro dianteiro da vaca, para ordenha-la.” 


Num interrogatório à sua moda, o algoz tentou arrancar de sua vítima a confissão do terrível crime de incesto. Se o conseguiu, ninguém sabe. Mas naquele momento, a existência ou não de prova, era totalmente irrelevante. 

Lampião deu uma laçada corrediça numa das extremidades da correia e mandou que o desgraçado tirasse as vestes. O infeliz, pressentido o projeto demoníaco, gritou apavorado, mas inutilmente, porque estava bem seguro nas garras dos cangaceiros. Passaram-lhe a laçada corrediça, envolvendo inteiramente seus órgãos genitais. Puxaram-no para junto de um dos armadores de rede chumbados à parede e fazendo dele uma roldana improvisada, nele foram suspendendo e arreando a vítima que urrava de dor. Mas o sicário negava a Zé Calu até mesmo o direito de gritar. Encostou-lhe o parabélum na cabeça e mandou que se calasse, sob pena de ter os miolos estourados. 

A vítima se calou e... desmaiou. Sobreviveu Zé Calu pouco mais de um mês. Faleceu durante uma viagem que fez ao Juazeiro do Norte, onde pretendia pedir um milagre ao Padre Cícero.

Do livro: Flores do Pajeú
De: Belarmino de Souza Neto

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INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ –"RETORNO AO SACO E A FUGA DOS CANGACEIROS"- PARTE VIII

Por José de Paiva Rebouças

Por volta das seis e meia da noite, o vando voltava para o acampamento pelo meio do mato. Semblante de derrota. Tiveram de derrubar uma cerca de varas para seguir caminho.

José Leite de Santana o Jararaca - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Em silêncio, demonstravam a frustração. Perderam dois homens valiosos. Colchete e Jararaca, e de igual forma, carregavam outros feridos. 

Há quem diga que o cangaceiro Virgínio era Potiguar da cidade de Alexandria, mais ainda não foi comprovado - https://www.pinterest.se/pin/184788390939970324/

Virgínio, cunhado de Lampião tinha sido atingido na coxa esquerda por uma bala. Outro homem apresentava ferimento grave na altura do abdômen. Gemia em desatino. Uma toalha foi usada para estancar o sangramento estava ensopada. Lampião decidiu parar para acudir o comparsa. No casebre de Maria Liberata pediu água e sal para lavar o ferimento.

Massilon - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"A chegada ao Saco foi melancólica. O olhar faiscante do rei vesgo refletia ódio e decepção pelo fracasso. Ralhava ferozmente contra Massilon - no seu entender, o único responsável pela desastrada empresa. Esmurrava cavalos. Gritava para a cabroeira", conta Sérgio Dantas. 

Da esquerda para a direita: Aderbal Nogueira, Múcio Procópio, Sérgio Dantas, Ivanildo Silveira e Manoel Severo. - http://cariricamgaco.blogspot.com

A escuridão da noite não impediu a retirada do bando. Uma lua esmaecimento era a única sombra de luz. Tomaram o rumo da Fazenda Jucuri e cortaram o fio do telégrafo. Pararam na casinhola de Antônio Gomes de Araújo o e o levaram, junto com seu filho, como guias.

Coronel Antônio Gurgel do Amaral - https://tokdehistoria.com.br/tag/coronel-gurgel/

Um pouco à frente Formiga que ainda os guiava, demonstrou sinais de cansaço. Solicitou liberdade a Lampião. Ele concedeu, mas pediu que fosse falar com Antônio Gurgel O coronel aproveitou a oportunidade e enviou outro bilhete, agora ao irmão Tibúrcio Gurgel, conhecido como Tiburcinho. 

Eta visível o cangaço também nos cangaceiros, mas eles disfarçavam e contavam vantagem na frente dos reféns. Pararam para descansar em lugar ermo e de madrugada acordaram de sobressalto com tiros vindos de Mossoró. 

Sabino Gomes - http://cajazeirasdeamor.blogspot.com.br/2013/02/o-ataque-de-sabino-gomes-francisco.html

"Olhem, estão atirando pensando que é em nós, mas é na força paraibana", sugeriu Sabino.

Continuaremos amanhã com o título:
"O DIA SEGUINTE E A PRISÃO DE JARARACA"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 36.
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
Ilustrado por: José Mendes Pereira

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ESTRADA DE FERRO MOSSORÓ - SOUSA: SITUAÇÃO DA ANTIGA ESTAÇÃO DE TREM DE DEMÉTRIO LEMOS (MUNICÍPIO DE ANTÔNIO MARTINS/RN)


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MOSSORÓ 90 ANOS DA RESISTÊNCIA


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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