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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

FESTA DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE NA COMUNIDADE RURAL DE SÃO GERALDO - CARAÚBAS/RN: 75 ANOS DE TRADIÇÃO


Interior da Capelinha dedicada a Nossa Senhora da Saúde - Comunidade Rural de São Geraldo - Caraúbas/RN

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO, O LENDÁRIO 'REI DO CANGAÇO' NORDESTINOELE ESCREVEU SEU NOME NA HISTÓRIA COMO UM BANDIDO CRUEL, PARA UNS, MAS PARA OUTROS FOI UM PRODUTO DAS INJUSTIÇAS SOCIAIS

Paulo Santos de Oliveira

O temido cangaceiro Lampião teve seu momento de glória em Juazeiro do Norte, Ceará, no ano de 1926. Ele foi festejado, tirou fotos, deu entrevistas e autógrafos, e havia um bom motivo para isso. Quem até então era pintado pelos jornais de todo o País como um monstro, um bandoleiro perverso que aterrorizava os sertões, tornara-se do dia para a noite um precioso aliado do governo federal.

O fato é que a 1ª Divisão Revolucionária — depois chamada de Coluna Prestes —, que percorria o Brasil tentando levantar o povo contra o presidente Artur Bernardes, chegara ao Nordeste. E Lampião fora convocado para combatê-la por ninguém menos que o padre Cícero Romão Batista, pelo qual, como bom sertanejo, tinha muito respeito e devoção.

Na verdade, quem intermediara o negócio com o governo federal, por muitos contos de réis, fora o deputado Floro Bartolomeu, o chefe político local. Dele, Lampião recebeu fardas, armamento e a patente de capitão. E, aconselhado pelo Padim Ciço, prometeu largar o cangaço ao fim daquela empreitada.

Mas não chegou a enfrentar a Coluna. Quando votou a Pernambuco, foi atacado pela polícia e retomou a vida bandida até seu trágico final, doze anos depois...

SEM ESCOLHA

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 1897, em Vila Bela, atual Serra Talhada, no sertão pernambucano. E sua saga principiou, como outros tantos dramas sertanejos, com uma mera disputa entre vizinhos.

Em 1916, o fazendeiro José Saturnino acusou os jovens irmãos Antônio, Levino e Virgulino Ferreira de roubo de cabras. Se ele tinha razão, não se sabe; mas sabe-se que, tentando evitar um conflito maior, o pai dos três, José Ferreira, um pequeno criador de gado calmo e pacífico, vendeu o que tinha e mudou-se para o povoado de Nazaré do Pico, no município de Floresta.

Saturnino, porém, quebrou o acordo de não ir até Nazaré, sendo lá recebido à bala por Virgulino. E a guerra começou, com ataques de parte a parte, até José Ferreira ser morto pelo tenente José Lucena, aliado de Saturnino, em 1920. Aí, os rapazes entraram de vez no cangaço, no bando de Sinhô Pereira.

Cangaceiros havia no Nordeste desde o século XVIII, quando surgiu a lendária figura do Cabeleira, enforcado em 1776. O século XIX foi marcado por Jesuíno Brilhante, e no século XX surgiu Antônio Silvino, morto em 1914. Mas esse fenômeno social ganhou uma grande projeção no Brasil através da imprensa, com Lampião, dos anos 20 aos 40.

O cangaço tinha “pai” e “mãe”. O pai era o “coronelismo” vigente desde sempre no interior do país, onde os grandes proprietários agiam como senhores feudais, sem nenhum respeito à lei, mantendo cada qual sua milícia de jagunços e em luta uns com os outros por mais terras e poder. E a mãe era a secular cultura sertaneja da violência, na qual a “honra” era o maior de todos os valores e matava-se por qualquer pequena desavença.

Vivendo naquele mundo, os irmãos Ferreira não tiveram muita escolha.

VIDA BANDIDA

Com Sinhô, Virgulino ganhou seu nome de guerra por ser capaz de atirar repetidamente até o cano do seu fuzil encandecer e brilhar, à noite. Também aprendeu as artes do sequestro, da extorsão, da agiotagem e das negociatas com políticos e policiais corruptos. E quando Sinhô largou o banditismo e mudou-se para Goiás em 1922, ele herdou a chefia do bando.

Nos anos seguintes ele percorreu o Nordeste — exceto o Piauí e o Maranhão — a pé e a cavalo, atacando fazendas, vilas e cidades, ou sendo nelas “acoitado”, segundo as circunstâncias locais.

Lampião foi responsável pela morte de mais de mil pessoas, pelo roubo de mais de cinco mil cabeças de gado, pelo estupro mais de duzentas mulheres e travou centenas de combates com os "macacos" — os soldados que o perseguiam.

Em 1924, por exemplo, ele entrou na cidade de Sousa, na Paraíba, e a saqueou inteira. Outras vezes, porém, foi repelido; como em 1927, quando atacou Mossoró, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, e lá perdeu seu tenente Jararaca, baleado e enterrado ainda vivo.

Aqui acolá, como um Robin Hood brasileiro, ele tomava dos ricos para dar aos pobres. Em 1929, após invadir Quijingue, na Bahia, deu um baile público e distribuiu dinheiro para o povo. E tinha seus momentos de brandura.

Em 1923, Lampião chegou de surpresa em Nazaré do Pico para impedir o casamento da sua prima e amor de infância, Maria Licor Ferreira, com um rapaz chamado Enoque Menezes. Mas deixou-se convencer pelo padre e foi embora em paz, com uma única ressalva: ninguém poderia dançar depois do casório!

Completando

O bandido social
O renomado historiador inglês Eric Hobsbawn criou uma famosa definição de “banditismo social”. Para ele, trata-se de uma forma primitiva de reação à opressão, que ocorre quando os oprimidos não têm consciência política. Esses bandidos seriam homens orgulhosos que, ao serem injustiçados, se recusariam a baixar a cabeça; que contariam com apoio de parte da população e por vezes assumiriam o papel de seu vingador ou defensor; e que lutariam contra os excessos do sistema, não contra o próprio sistema. Eles, enfim, não seriam revolucionários, mas reformistas que tentavam estabelecer limites para a ação dos poderosos. Um modelo que assenta muito bem em Lampião.

Olê, mulher rendeira
Esse antigo tema musical, bem conhecido nos sertões nordestinos, teve a sua versão mais popular composta por Lampião, segundo um dos seus biógrafos, o padre Frederico Bezerra Maciel. E Luís da Câmara Cascudo acrescenta que a letra homenageia Maria Jocosa Lopes, avó do cangaceiro, que fazia rendas, tornando-se o hino de guerra do bando. O assalto à cidade de Mossoró, por exemplo, teria acontecido com os atacantes cantando essa canção. Há também uma gravação feita por Volta Seca, um sobrevivente do grupo. E, incluída no premiado filme O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, tornou-se conhecida no Brasil e no exterior

As modernidades apressaram o fim do cangaço

Outro amor, porém, surgiu em 1930 quando o cangaceiro conheceu Maria Déia, casada com o sapateiro Zé de Neném, que fugiu com ele e, dois anos depois, lhe deu uma filha, Expedita Ferreira. Apelidada Maria Bonita, ela foi a primeira mulher a juntar-se ao bando, logo seguida por Inacinha, Lili, Sila, Adília e várias outras.

Numa época e numa região nas quais o gênero feminino era extremamente discriminado, no cangaço elas se relacionavam de igual para igual com os homens e participavam de tudo. Ana do Bonfim, por exemplo, era famosa pelo uso da faca peixeira e Dadá, companheira de Corisco, pariu um filho em meio a um tiroteio, em 1931.

A chegada, aos poucos, de modernidades como o rádio, que melhorou as comunicações, e a abertura de estradas, que permitiam o rápido transporte de tropas em caminhões, contudo, anunciavam que o tempo do cangaço estava acabando.

Na noite de 27 de julho de 1938, Lampião acampou com seu bando em Angicos, Sergipe, num esconderijo tido como bastante seguro. Mas foi traído, até hoje não se sabe por quem; e como chovia muito os cães não perceberam a aproximação da “volante” do tenente João Bezerra. Na madrugada do dia seguinte, quando os cangaceiros saíam das barracas para rezar o ofício, antes de tomar café — um ritual estabelecido pelo chefe, que era muito religioso — as metralhadoras começaram a cuspir fogo, sem lhes dar chance de defesa. Apenas Corisco e alguns outros conseguiram escapar.

As cabeças de Lampião, Maria Bonita e de uma dúzia de “cabras” foram então decepadas, salgadas e guardadas em latas com aguardente e cal. E João Bezerra percorreu vários estados nordestinos exibindo-as, atraindo multidões por onde passava.

Após esse tour macabro, elas seguiram para Aracaju e depois para Salvador, onde foram examinadas e constatou-se que eram normais, contrariando a teoria do cientista italiano Lombroso, então em voga, segundo a qual os crânios dos criminosos apresentariam anomalias patológicas. Mas ficaram expostas num museu até 1969, quando foram exumadas, após muita luta das famílias dos mortos. A memória do Rei do Cangaço, porém, permanece viva até hoje, sendo ele objeto de inúmeros estudos, filmes, livros, exposições, debates etc.

Na próxima semana, Carlos de Lima Cavalcanti.

Paulo Santos de Oliveira
psoliveira@hotmail.com
Publicação: 05/12/2016 

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A LAMINA DA DISCRIMINAÇÃO COM O NORDESTE É AFIADA (SEU ESCROTO PRECONCEITO COVARDE A DESFERIR, CONTRA UMA GENTE LUTADORA E TÃO HONRADA)

 Por: Cícero Aguiar Ferreira

Nordestinos sejam firmes, tenham orgulho 
Não façam média com quem nos trata mal
Com esses que querem baixar nossa moral
Que nos xingam nos tratando como entulho
Temos valor, nós não somos um bagulho
Pra vivermos tendo a nossa honra atacada
Em geral por quem não vale quase nada
Que só procuram nos culpar e denegrir
SEU ESCROTO PRECONCEITO COVARDE A DESFERIR
CONTRA UMA GENTE LUTADORA E TÃO HONRADA

Nos culpar de tudo ruim que hoje acontece
É de uma covardia e uma grande malandragem
Como se a gente tenha inventado a bandidagem
E essa fama com certeza a gente não merece
É moda nos culpar por tudo de ruim que acontece 
E a artilharia pra o nordeste está sempre apontada
Para esta terra que sempre esteve desprezada
Só os desmandos do Brasil para a nós a transferir
SEU ESCROTO PRECONCEITO COVARDE A DESFERIR
CONTRA UMA GENTE LUTADORA E TÃO HONRADA.

Somos um só povo desse Brasil machucado
Dessa gente que cultua a alegria e esperança
Que sempre enxerga seu país com confiança
Não queiram deixar nosso Nordeste escanteado
Agradeça se na sua região o povo é afortunado
Que pelos poderosos sempre foi agraciada
A lamina da descriminação muito afiada
Faz seu corte sem piedade a nos ferir
SEU ESCROTO PRECONCEITO COVARDE A DESFERIR
CONTRA UMA GENTE LUTADORA E TÃO HONRADA.

Cicero Aguiar Ferreira.

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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GUERRA DE CANUDOS


A Guerra de Canudos foi o maior movimento de resistência à opressão dos grandes proprietários rurais, que ocorreu entre 1893 e 1897, no arraial de Canudos, uma comunidade do Sertão da Bahia. Um movimento que refletia a extrema miséria em que viviam as populações marginalizadas do Sertão Nordestino.

Causas da Guerra de Canudos

A estrutura econômica do Brasil funcionava com base no latifúndio, onde predominava a monocultura, com a exploração da mão de obra de trabalhadores que viviam na miséria.

Foi no Sertão do Nordeste seco, abandonado e esfomeado que durante a República Velha, milhares de sertanejos formaram grupos de cangaceiros e jagunços ou se juntavam em torno de líderes religiosos (beatos).

Os jagunços estavam a serviço do coronel para defender sua propriedade, matar seus adversários políticos e garantir a vitória dos seus candidatos nas eleições.

Os cangaceiros atacavam as fazendas dos coronéis e espalhavam o terror entre os latifundiários. O cangaço era uma forma de o sertanejo combater a miséria e extravasar sua revolta. Os beatos ou conselheiros caminhavam pelo sertão, pregando uma religião salvadora e eram seguidos por dezenas de fiéis.

A Comunidade de Canudos

Por volta de 1893, reuniu-se no arraial de Canudos, às margens do rio Vaza-Barris, na Bahia, um grupo de fiéis, seguidores de Antônio Conselheiro, um beato, nascido no Ceará, que pregava a salvação da alma para quem o seguisse.

Depois de longa peregrinação pelos sertões de Pernambuco e Sergipe, penetrou pelo interior da Bahia e, se instalou em Canudos. Aí, Conselheiro e seus fiéis ergueram a “cidade santa” de Belo Monte, que se transformou num refúgio de desprotegidos e perseguidos.

Canudos era uma comunidade onde inexistiam diferenças sociais e onde os rebanhos e as lavouras pertenciam a todos. Esse modelo sócio econômico era uma atração constante para milhares de sertanejos.

Em 1896, ano em que começou a guerra, Belo Monte tinha mais de 5 mil casas e aproximadamente 30 mil habitantes. A segurança do reduto era mantida por ex-jagunços e ex-cangaceiros. A religião rústica de Antônio Conselheiro os mantinha esperançosos de dias melhores.

A Luta e a Destruição de Canudos

Para os sertanejos, o arraial era a “terra prometida”. Para os padres que perdiam seus fiéis, e para os grandes proprietários de terra que perdiam seus trabalhadores, era um “reduto de fanáticos” que devia ser destruído.

Padres e coronéis pressionaram o governador do estado da Bahia, que enviou duas expedições militares. Os soldados foram vencidos pelos homens de Conselheiro que empregavam as táticas da emboscada e da luta corpo a corpo.

O vice-presidente Manuel Vitorino, que ocupava naquele momento a presidência como substituto de Prudente de Morais, enviou a terceira expedição, comandada pelo coronel Moreira César. Para o governo era uma questão de honra militar e nacional combater os “fanáticos”. Contudo essa expedição foi derrotada e o comandante morto em combate.

As sucessivas derrotas militares se explicavam pelo fato da grande maioria dos soldados desconhecerem a região da caatinga, tão familiar ao povo de Canudos. Além disso, os homens do Conselheiro lutavam pela sobrevivência e pela salvação da alma, acreditando que aquela era uma guerra santa.

No Rio de Janeiro a oposição acusava o presidente de fraqueza na repressão ao movimento, considerado por muitos como monarquista. Prudente de Morais ordenou ao ministro da Guerra, marechal Bittencout, que embarcasse para a Bahia e assumisse o controle direto das operações. Foi então organizada nova expedição, com mais de 5000 homens sob o comando do general Artur Oscar, com a ordem de destruir Canudos.

Após intenso bombardeio de canhão, a missão foi cumprida. Canudos foi totalmente destruído em 5 de outubro de 1897. As tropas oficiais não fizeram prisioneiros. Milhares de camponeses e soldados morreram no conflito.

A Guerra de Canudos foi descrita por Euclides da Cunha, que testemunhou as operações do exército, no livro “Os Sertões”, publicado em 1902.

https://www.todamateria.com.br/guerra-de-canudos/

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13 ANOS DO TEATRO MUNICIPAL DIX-HUIT ROSADO


Mossoró, 10 de agosto de 2017. 

Convido Vossa Sa. a participar da das festividades em comemoração aos 13 anos de inauguração do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, a ser realizado hoje no dia 10 de agosto de 2017, às 18 horas, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, localizado na Praça Cícero Dias S/N - centro - Mossoró.

Atenciosamente,
  
Nelson de Medeiros Chaves Filho
Diretor  Geral do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado 


Praça Cícero Dias S/N - centro - Mossoró

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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TENENTE JOÃO BEZERRA - COMANDANTE DA FORÇA VOLANTE ALAGOANA QUE DEU CABO DE LAMPIÃO E PARTE DE SEU BANDO NA GROTA DO ANGICO, EM 28 DE JULHO DE 1938.


A bordo do Vapor (navio) Itapagé seguindo em direção ao estado do Rio de Janeiro, o Tenente João Bezerra (Esquerda), ao lado de seu ordenança (Centro), mostra ao repórter (Direita) do Jornal Diário da Noite, equipamentos, acessórios e vestimentas que pertenceram à Maria Bonita e ao cangaceiro Luiz Pedro.

Matéria compartilhada da Página CANGAÇOLOGIA

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=812309462266285&set=a.703792683117964.1073741835.100004617153542&type=3&theater

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DECRETO QUE TORNOU PRINCESA ISABEL LIVRE COMPLETA 87 ANOS HOJE

*) José Romero Araújo Cardoso

A vingança de Lampião contra o “Coronel” Zé Pereira – Entrevistas com Hermosa Góes Sitônio (João Pessoa – PB) e Zacarias Sitônio (João Pessoa – PB)

O mais comentado combate entre cangaceiros comandados por Lampião e soldados sob as ordens do Major pernambucano Teófanes Ferraz Torres, famoso por ter capturado Antônio Silvino em 1914, ocorreu no ano de 1923, entre os municípios de Conceição do Piancó (PB) e São José do Belmonte (PE), na serra das panelas.

Essa feroz prova de fogo ficou famosa por que àquele que se tornava o “rei dos cangaceiros” foi ferido no tornozelo, além de perder importantes membros do bando, como Lavandeira e Cícero Costa, o farmacêutico do grupo.

Zacarias Sitônio e Hermosa Góes Sitônio rememoraram àqueles acontecimentos, narrando que Lampião ficou abandonado durante doze dias, no mato, agonizando. Quando o descobriram, o seu estado era desesperador, coberto de parasitas e com o pé preso à perna apenas por tendões.

A guarda pessoal de Marcolino Pereira Diniz o escoltou até os Patos de Irerê, localizado a 18 quilômetros de Princesa, reduto do poderoso “Coronel” José Pereira. Marcolino, imortalizado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira em famoso baião intitulado “Xanduzinha”, era sobrinho e cunhado do “Coronel” Zé Pereira, chefe político princesense de grande expressão na década de vinte do século passado.

Na malha impecavelmente protomafiosa montada por Lampião, Marcolino e o seu pai, o “Coronel” Marçal Florentino Diniz, compunham importantes agentes a serviço da proteção ao cangaço. Foram eles os principais responsáveis pela continuidade da carreira de bandido de Lampião. Convocaram médicos e serviçais para tratar do calcanhar que fora seriamente afetado, atingido no tiroteio da serra das panelas.

Em Nazarezinho (PB), outra questão da família Pereira era reclamada por um sertanejo de nome Francisco Pereira Dantas. Na ênfase ao rosário de ódio que começou a ser tecido quando da morte do patriarca deste ramo familiar espalhado pelo nordeste, houve convite de um pequeno comerciante desta localidade, de nome Chico Lopes, para raid dos bandoleiros à cidade de Sousa (PB), saqueada em 27 de julho de 1924. Foram comandantes do assalto os irmãos de Lampião, Antônio e Levino, Chico Pereira, Chico Lopes, Sabino Gório e um cangaceiro de nome Paizinho, responsável pela ação violenta de domínio da residência do magistrado local, Dr. Archimedes Souto Maior.

A rede de informantes de Lampião era precisa. Conforme Zacarias Sitônio e Hermosa Góes Sitônio, o chefe cangaceiro entrou em profunda angústia quando as notícias sobre a violência do ataque lhes chegaram. O bando havia se excedido em Sousa, responsabilizando-se pelas mais vexatórias e vergonhosas ofensas ao representante máximo da lei na cidade.

Astuto e sagaz, Virgulino sabia que sua estadia pacata e tranquila na região de Princesa estava definitivamente inviabilizada. Zé Pereira iria tomar providências drásticas no sentido de efetivar perseguição ao seu grupo. Era dever incontestável e indiscutível do político princesense levar avante campanha perseguitória ao cangaço sob o domínio de Lampião. E assim o fez.

Foi instalado Batalhão da Polícia Militar na cidade de Patos das Espinharas (PB). Os combates entre cangaceiros e volantes se intensificaram de forma impressionante, resultando na tragédia de Serrote Preto, na região de Água Branca (AL). Atraídos para uma armadilha, muitos soldados e oficiais paraibanos foram eliminados, diversos de maneira cruel.

Em seguida, continuando a haver refregas entre os dois lados, houve o assassinato de Levino Ferreira, primeiro irmão do “rei do cangaço” a perecer em luta. O confronto se deu, conforme os entrevistados, no ano de 1925 em uma localidade conhecida por Tenório, localizada na região de Flores do Pajeú (PE). Lampião culpou Zé Pereira pela perda do parente, jurando vingança.

O cangaceiro passou a atacar o gado pertencente ao “Coronel” Zé Pereira, bem como aos que pertenciam aos seus agregados e familiares. Iniciava-se a vingança implacável e perversa de Lampião.

As ações mais violentas foram registradas em dois lugarejos perdidos nas quebradas daquele sertão. Em propriedades conhecidas por “Caboré” e “Lagoa do Serrote”, os bandoleiros assassinaram diversas pessoas, incluindo entre estas um ancião que contava com mais de noventa anos e uma criança de apenas doze anos.

Amaldiçoando o solo paraibano pela perda do parente, Lampião deslocou sua área de atuação par o seu estado natal, onde a malha de coiteiros lhe serviu satisfatoriamente, articulada com o esquema criminosos estruturado em conluio com a rede de proteção ao banditismo rural que vicejava no sul do Ceará.

Entrevistas Pessoais:
SITÔNIO, Hermosa Góes. João Pessoa (PB), 10 de agosto de 1991.
SITÔNIO, Zacarias. João Pessoa (PB), 10 de agosto de 1991.
(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor da UERN.

http://www.estadopb.com/s/noticias/13761/


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PUNIÇÃO: EIS A QUESTÃO

Por Medeiros Braga

Já não há como esconder a sujeira causada pela classe política e que se alastrou por todo país. Já não há como acomodá-la em tapete. Não vou falar de nome, mas peço àqueles que têm algum líder como responsável pela roubalheira, que tenham, no mínimo a dignidade de romper com ele. O padre Antonio Vieira já dizia que a justiça e a razão nem ao demônio se há de negar. E eu diria também que não se deve negar o nome daqueles que surrupiaram os cofres públicos em seu benefício ou de outrem.

E como afirmei de início que não iria citar nomes, abro uma exceção porque acho que deve ser citado: o senhor presidente da república porque, como outros anteriores, praticaram malfeitos como governantes. O sr. Temer , já de alguns anos anteriores vinha, através de empreiteiras, assaltando os cofres da própria nação que ele como vice-presidente tinha a obrigação de protegê-la dos malfeitores.

As defesas que são apresentadas sobre a sua gestão, no que concernem à inflação, geração de emprego, queda dos juros, não têm surtido efeito, até porque o povo o está condenando por corrupção, o que mais pesa. Em sendo provado, a desonestidade obscurece esse feito. A verdade é que ele com a sua ficha suja já não tem como continuar governando a nação. Não há como uma sociedade envolta em indignação e em revolta ser governada por alguém que perdeu a moral perante o povo.

Que caia o Sr. Temer, e aquele que o substitua que seja tratado nas mesmas condições. Isso porque a impunidade estimula a desonestidade e contamina o solo político, dificultando a reprodução de boas sementes.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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PATATIVA DO ASSARÉ


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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MÊS QUE VEM TEM NOVO TRABALHO SOBRE O CANGAÇO CHEGANDO NA PRAÇA.

Por Geraldo Junior

O incansável pesquisador e escritor Luiz Ruben de A. Bonfim já preparou e está dando o “acabamento” final no Livro LAMPIÃO EM 1926 que será lançado no próximo mês de setembro de 2017.

O livro apresenta os principais acontecimentos envolvendo Lampião e seus comandados durante o ano de 1926.

Leiam abaixo a introdução do livro para terem uma noção do que vem pela frente.

INTRODUÇÃO

Virgulino Ferreira da Silva, de alcunha Lampião, foi o cangaceiro mais conhecido do Brasil, sendo a partir de 1926, oficialmente, capitão do batalhão patriótico, e ainda, segundo a imprensa “uma revivescência cabocla de Átila”, ou “Lampeão o Átila sertanejo”, ou ainda, “O Imperador dos Sertões. Esse ano foi sem dúvida muito especial para consolidação de sua fama. Era o seu sétimo ano de banditismo sendo o quinto como chefe de bando.

Apresento neste trabalho a transcrição de matérias dos jornais publicadas no ano de 1926, em que Lampião, com seus companheiros de armas, foi protagonista das notícias ligadas a sua atuação nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Não faço afirmações nem análise, apenas coloco à disposição dos pesquisadores e estudiosos, os fatos como eles foram divulgados na época em que aconteceram. Faço somente a atualização dos nomes das cidades na época relacionada ao ano de 1926: Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE, Paulo Afonso, atual Mata Grande-AL, Meirim, atual Ibimirim-PE, Leopoldina, atual Parnamirim-PE, povoado Nazaré ou Carqueja, atual Nazaré do Pico, Floresta-PE, Alagoa de Baixo, atual Sertania-PE.

A iconografia deste trabalho está restrita ao ano de 1926, com algumas exceções para enriquecer as transcrições que seguem em ordem cronológica, mas, os jornais não cumprem nenhuma prioridade geográfica, sendo o critério utilizado na pesquisa, o tratamento jornalístico por cada órgão noticioso, mês a mês. Observem que a imprensa apresenta o nome Lampeão sempre grafado com “e”, mas, em novembro de 1926 o Jornal Pequeno grafou com “i”, foi um fato isolado e mesmo depois vemos sempre a palavra escrita com “e”, Lampeão.

As matérias mostram a efervescência política do momento, com discussões e opiniões, cartas de leitores, com denúncias que retratam a genuína preocupação dos habitantes daquelas paragens, para que os jornais divulguem os tormentos passados, nas diversas localidades de ação dos cangaceiros, instigando o poder público, cobrando uma ação mais efetiva. Fica claro também a preocupação do estado na luta contra o banditismo, apresentando os telegramas trocados pelas autoridades, as justificativas pela demora em conter o bando de Lampeão ...

A imprensa oposicionista denuncia o governador de Pernambuco que proíbe a divulgação dos telegramas informando a atuação dos cangaceiros no interior do Estado.

As primeiras medidas tomadas pelo governador Estácio Coimbra ao assumir o governo de Pernambuco, conjuntamente com o governador de Alagoas, senhor Costa Rego, foi ordenar a prisão dos proprietários sertanejos que protegiam o bando de Lampião, isto em dezembro de 1926.

Um ano em que o próprio congresso nacional sediado na época, no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil, através de seu representante se dedicou nas sessões legislativas para tratar do legalismo em que Lampião foi levado, através das articulações do padre Cícero, prefeito de Juazeiro do Norte, e Floro Bartolomeu deputado federal pelo Ceará, na luta do governo de Artur Bernardes contra o movimento tenentista e sua coluna denominada de Prestes e Miguel Costa.

A imprensa fala sempre das correrias do bando de Lampião e que ele não enfrenta a polícia. Veja o que o Dr. Atualpa Barbosa Lima, então um conhecido político cearense, que esteve na região do Cariri responde ao redator do Correio do Ceará, sobre essa questão. Segundo o Dr. o irmão de Lampeão teria lhe dito “primeiro porque não tem interesse em matar soldados, pois o governo tem muitos para substituir os que morrem, segundo porque gastam inutilmente a sua munição, terceiro porque se desviam dos seus fins, que é para matar e roubar a quem tem dinheiro e joias, quarto porque arrisca a pele sem proveito. Brigamos, em último caso, quando não há meio de escapulir, aliás, o segredo de nossa vitória está em que sabemos brigar e fugir na ocasião precisa. Achamos sempre melhor correr, do que brigar, e quem sabe correr raramente morre”. Nessa entrevista o Dr Atualpa faz declarações de fatos que ainda não foram confirmados.

Para aqueles que duvidam da liderança de Lampião com seus cabras, leiam neste trabalho o trecho do jornal quando o caixeiro da Standard Oil Company fez o pedido para que o cabra de Lampião devolvesse a sua aliança de casamento.

Em outubro de 1926 aparece a notícia de “Lampeão, o Bonelli Brasileiro”, talvez a primeira tentativa de publicação de um livro sobre Lampião. Ao que parece não foi publicado.

Interessante também a entrevista do professor Lourenço Filho, importante figura nacional, sobre o lançamento de seu livro “Juazeiro do Padre Cícero”, onde ele aborda as relações do padre com o cangaço.
Acrescentei uma matéria de setembro de 1933, para enriquecer um fato relevante acontecido em 1926. Trata-se da entrevista feita com Pedro de Albuquerque Uchoa, “ajudante de inspetor agrícola no Juazeiro”, sobre sua participação no episódio da lavratura da patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro a Lampião e de tenente ao seu irmão Antônio Ferreira.

Estive na capital de São Paulo cerca de 10 vezes, tendo sido hóspede do mestre Antonio Amaury. Nas nossas longas conversas sobre o cangaço, fiz-lhe inúmeras perguntas e ele me respondeu todas. Certa vez perguntei ao mestre quem estava com o padre Cícero e Lampião quando este recebeu a patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro do Norte. Eis a resposta: - eu entrevistei João Ferreira, irmão de Lampião testemunha ocular do fato, que estava acompanhado de sua esposa Joaninha, ele já um homem feito, com 22 anos de idade. Sobre os presentes no local ele me falou que recordava que estavam presentes no recinto no momento em que Pedro de Albuquerque Uchoa escrevia as patentes: ‘além de Lampião e Padre Cícero, Benjamim Abrahão, meu irmão Antônio Ferreira, Sabino, Luiz Pedro’, e lembrou-se que João Ferreira pouco depois cita Zabelê, além de uma quantidade não contada de outros cangaceiros no recinto.

A data da morte de Antônio Ferreira, sempre me causou dúvidas, pois pesquisadores escreviam que foi em janeiro de 1927, mas, nas minhas pesquisas a imprensa informava que o fato ocorreu entre 10 e 15 de dezembro de 1926. Vejam na matéria do Jornal do Recife de quinta-feira, 16 de dezembro de 1926: “Corre com insistência, aliás, com algum fundamento, pelo sertão, que o célebre bandoleiro Antônio Ferreira, irmão e ‘lugar tenente’ do bando chefiado por Lampião foi morto em dia da semana passada, nas imediações do lugar Poço do Ferro, do município de Tacaratú.” Esse jornal publicou com detalhes, inclusive o acidente com Luiz Pedro. Já o Diário de Pernambuco do dia 18 de dezembro publica que foi uma luta travada com a polícia no município de Floresta, dias depois, essa mesmo jornal repete a versão do Jornal de Recife.

Nesses anos todos de pesquisa em jornais e outros documentos, observei que nunca foi consenso a quantidade de cangaceiros divulgada pela imprensa ao longo do ano de1926, que variava entre 49 e 200 homens.

Surpreendeu-me a diferença dada a fatos como a batalha de Serra Grande, e o sequestro praticado por Lampião, do representante da Souza Cruz e Standard Oil Company, ocorridos na mesma semana. A batalha foi pouco explorada e divulgada, no entanto, o sequestro foi muito bem documentado, com entrevistas e matérias de vários jornais.
Alguns fatos que foram publicados no período proposto por esse trabalho não foram destacados, embora tenham a mesma importância dos que foram aqui lembrados.

Boa leitura
Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo - Pesquisador de Cangaço e Ferrovia.
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O OLHO BRANCO DE LAMPIÃO SERIA CAUSADO POR: UM ESPINHO? UM GLAUCOMA? OU UM LEUCOMA?

Por Robério Santos

O escritor e pesquisador do cangaço Robério Santos fez as seguintes perguntas: O olho branco de Lampião seria causado por: um espinho? Um glaucoma? Ou um Leucoma?

E o escritor e pesquisador do cangaço Paulo George Pereira respondeu o seguinte:

Espinho de quipá no ano de 1924, num tiroteio, deitado próximo à planta, o bravo Davi Jurubeba, da força de Nazaré do Pico, atirou, e a bala foi ao encontro do pé de planta, e um espinho foi para o olho de Lampião. 


Isso não só está nas pesquisas da neta dele a "Vera Ferreira", como também outros grandes nomes defendem essa tese. 

É bom frisar que Lampião não usava óculos de grau. Ele usou três óculos em sua vida. 

Um está no Museu de Triunfo-PE, outro no Museu de Serra Talhada-PE, e o terceiro que estava com ele no dia de sua morte, hoje está no Instituto Histórico Geográfico de Maceió-AL, banhado de 16 quilates de ouro. 

Na verdade, os óculos que Lampião usou eram escuros para cobrir o olho cego, e posteriormente evitar a claridade do sol, a qual a incomodava.

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SÃO JOÃO DA ESCOLA PALAS ATENA, LOCALIZADA NO CONJUNTO VINGT ROSADO - MOSSORÓ/RN.

Por: Asclepius Saraiva Cordeiro

São João da Escola PALAS ATENA, localizada no Conjunto Vingt Rosado - Mossoró/RN,  foi Fantástico!! Parabéns aos Diretores, Alderi, Sueli, Filhos e Todos que Colaboraram para esse Lindo ARRAIA, que aconteceu no ASTRA 21, ontem 08/07/2017. E Vamos que Vamos....Valorizar os Empreendedores do Nosso Conjunto.













Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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A CACHACINHA DE CADA DIA

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.710

Ainda continua no Brasil a demora pelo registro de patentes. Você inventa algo e enfrenta o “tempo do urubu” para registrar o seu invento. Isso faz com que cientistas brasileiros vendam suas ideias a outros países que muitas vezes as aperfeiçoam e vão ganhar dinheiro à custa do inventor. Quem não se lembra de algum cientista em sua cidade que não teve como progredir pela falta de apoio consciente ou pela ignorância dos grandes. Nós pelo menos nos lembramos de dois: José Gomes (Sapo) e Agenor da Empresa. O primeiro lutando para construir um barco com experimento no açude do Bode. O outro realizando inúmeras obras como o elefante em tamanho natural que desfilou em um dos carnavais de Santana do Ipanema.


Mas a falta de apoio já vem de muito distante. O escritor Oscar Silva lamentava na década de vinte esse apoio ao colega escritor Valdemar Cavalcanti, ao tentar um projeto na Agricultura. E da Agricultura brota a cana-de-açúcar e da cana surge o engenho que produz a cachaça; a “moça branca” que é nossa e que moveu o País desde os tempos de D. João VI. E como a bebida é brasileira, volta-se ao assunto da patente, do reconhecimento e outras coisas mais da perene burocracia mundial.
É assim que “Brasil e México assinam acordo para proteger propriedade da cachaça e da tequila”. Veja: “Ligada diretamente às culturas do Brasil e do México, a cachaça e a tequila agora terão proteção plena de propriedade e qualidade na comercialização nos dois países”. Isso quer dizer que toda cachaça que aparecer no México, tem que constar que foi fabricada no Brasil, assim como a tequila no Brasil terá que constar a origem mexicana.
Ah! Por fala nisso, quando eu pedia a meu pai para ir ao Cine Glória de meu padrinho Tibúrcio Soares, a prima que ajudou a me criar dizia: “Deixe não, Manezinho que hoje é filme mexicano”. E quem disse que ele deixava! A “beijoada” dos filmes mexicanos já era considerada putaria. Mas eu gostava muito bem das canções apresentadas e dos pistoleiros pedindo tequila pelos bares.
Mas entre o diabo da tequila e a bebida dos escravos brasileiros, prefira carimbar a patente da cachacinha de cada dia.


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