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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

DE ONDE VEM A LÁGRIMA (OU A NASCENTE DE NOSSOS OLHOS)

*Rangel Alves da Costa

Quem chora sente os olhos encharcados, os transbordamentos descendo na face, aquela gelidez do entristecimento, mas nem sempre sabe de onde vem a lágrima.
Quem pranteia sente a turbidez na visão, o enevoamento na íris, tudo com se uma vidraça encharcada estivesse diante de si, mas nem sempre conhece a nascente do lacrimejar.
Quem lacrimeja, apenas sente um rio se abrindo, um mar querendo transbordar, um oceano além dos limites molhados, mas nem sempre sabe de onde vem a dolorosa enxurrada.
Quem se entrega a dor do pranto, e pranteando se dissolve como geleira que se dispersa, apenas se deixa escoar sem sequer imaginar de lhe veio aquele turbilhão.
A verdade é que as pessoas choram, pranteiam, lacrimejam, deixam-se transbordar em sentimentos molhados. As lágrimas, contudo, nem sempre chegam pelos motivos que costumeiramente conhecemos.
Sim, a perda de alguém faz chorar. O adeus inesperado faz chorar. A saudade de um amor distante faz chorar. O reencontro com o outro através de imagens de relembranças também faz chorar.
Então a lágrima vem. Primeiro a pulsão sentida, depois os olhos sendo despertados ao acolhimento e transbordamento daquela vazão interior. O olhar vai apenas recebendo mensagens, sentindo que logo virá um rio, um oceano, um mar.
Quando as comportas da alma são abertas, quando as ribanceiras interiores são quebradas, quando nada mais pode segurar a angústia, a dor ou a aflição, então os olhos abrem passagem às torrentes.
E como é triste o choro sofrido, de agonia, de entristecimento. A pessoa em si já não se doma, já não comanda seus sentimentos. Tudo parece querer explodir, irromper da alma e buscar um alento qualquer exterior. Não pode, contudo.


Por não poder bater asas e voar, deixar fluir pelos ares os sentimentos agonizantes, então tudo faz junção no olhar. E ao invés de olhos gritarem, ao invés de olhos urrarem a dor, então simplesmente passam a transbordar o que já não pode mais suportar.
E lágrimas existem que são desmedidas, incontroláveis, indo além de qualquer querer. Escorrem, jorram, extravasam. E assim acontece porque ali, ali nos olhos, a saída única para que o motivo da dor encontre sua fuga.
Impossível e insuportável seria que além da dor interior, do íntimo sofrimento, o corpo também tivesse que tudo represar, trancando em si mesmo todos os males do mundo, ou apenas daquele instante que se perdura.
A lágrima serve, assim, como uma vazão necessária, como um modo de que o corpo não fique ainda mais sufocado pelo sofrimento. Há de se chorar sim. Chorar muito, intensamente. E chorando deixar que o mal vá se dissipando.
Mas as lágrimas não se derramam apenas com os dolorosos sofrimentos. Elas chegam também numa simples saudade, numa nostalgia, numa relembrança de algum momento marcante na vida. Até pela intensa alegria ela pode chegar.
A solidão e a tristeza, e ainda que esta não tenha motivo aparente, também chamam lágrimas. De repente, e até sem perceber, a pessoa se vê lacrimejando. O que foi, se pergunta. O que está acontecendo comigo, indaga. A resposta: o sentimento se expressando através da lágrima.
Então vem o lenço. O lenço encharcado, depois é lavado e colocado em varal. Mas que não se imagine que ele já está enxuto e pronto para ser guardado. Eis que o lenço continua molhado de lágrimas.
Somente o lenço sabe o quanto ele já foi estendido em adeus, levado aos olhos como amigo, silenciosamente compartilhado dos noturnos sofrimentos. Por isso que todo lenço é tão triste. E sempre chora pelas lágrimas daquele olhar.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com


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SAIBA A HISTÓRIA COMO OCORREU!


TV MARIA BONITA
LAMPIÃO: A MORTE DE ANTONIO FERREIRA - A CABEÇA



"Sucesso" no linguajar sertanejo significa acidente. Foi o que aconteceu com Antonio Ferreira, vulgo Esperança, irmão de Lampião.


Acompanhamos em visita guiada, os historiadores, pesquisadores e amantes da saga sertaneja do cangaço e fomos ao local desse famoso acidente que tirou a vida de Antonio Ferreira, conhecido como um cabra valente e que agia no bando de Lampião como estrategista de retaguarda, garantindo os ataques e retiradas dos cangaceiros nos cenários de refrega.

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LAMPIÃO: A MORTE DE ANTONIO FERREIRA - O CORPO

TV MARIA BONITA
VENHA OUVIR E CONHECER O LOCAL EM QUE O IRMÃO DE LAMPIÃO ANTONIO FERREIRA ESTÁ ENTERRADO.

Em continuação ao episódio A Morte de Antonio Ferreira - A Cabeça, passaremos agora a tecer comentários e a postar o pequeno documentário feito por nós, quando fizemos o percurso da cidade de Floresta até à Fazenda Poço do Ferro do Coronel Ângelo da Jia, ou Anjo da Gia, como era e é conhecido pelos sertanejos dessa região, para visitarmos o local do "sucesso*" de Antonio Ferreira, irmão mais velho de Lampião.

Existia um boato naquela época, dezembro de 1926, que o cangaceiro tinha sido baleado no grande fogo, ou batalha, da Serra Grande. Mas a estória verdadeira é que tinha sido morto por acidente (sucesso) como dissemos no artigo anterior.

Como vimos e ouvimos do bisneto do coronel, o Sr. Washington Lima, Lampião estava fora da fazenda quando ocorreu o acidente.

Segundo alguns escritores do cangaço, Lampião estava na Fazenda Vassoura, na cidade de Betanha, cidadezinha da região, com o propósito de assistir uma missa, provavelmente a Missa do Galo, pois gostava de lembrar da infância, quando ia com seus pais e irmãos para a bonita festa de Natal em Vila Bela.

Mandou então seu irmão Antonio Ferreira, à fazenda Poço do Ferro para buscar umas encomendas que fizera ao amigo "Anjo da Gia" - provavelmente munição, pois estava quase sem, devido ao combate de Serra Grande.

Mas deixemos de lado as palavras e entremos no mundo mágico das imagens, registradas por ocasião dessa visita feita ao cenário dos acontecimentos;

A Morte de Antonio Ferreira - O Corpo


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O CANGACEIRO ZÉ SERENO USANDO MOLETA

Do acervo do pesquisador do cangaço Geraldo Junior

Da esquerda para a direita no primeiro plano da fotografia estão: 

Uma amiga da família, Ubiratan (Bira) neto do casal Sila e Zé Sereno e filho do casal Tercília T. de Souza e Ivo Ribeiro de Souza, Tercilia Teco de Souza, Sr. Arthur Rodrigues esposo de Gilaene “Gila” de Souza Rodrigues filha do casal Sila e Zé Sereno, Ivo Ribeiro de Souza filho do casal cangaceiro e o Cabra Zé Sereno que dispensa maiores apresentações. 

Essa fotografia, segundo a amiga Tercilia T. de Souza foi registrada na cidade de Aparecida do Norte/SP entre os anos de 1974 e 1976. 

Fica o registro para a alegria dos curiosos e amantes da história.


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PELA PRIMEIRA VEZ...


Por Geraldo Antônio De Souza Júnior

Mostraremos a cova rasa onde foi enterrado o cangaceiro Sabiá III. Morto por Lampião após estuprar a jovem Rita Maria de Jesus, filha de um coiteiro.

Local exato onde está enterrado o cangaceiro Sabiá III.

Local exato onde está enterrado o cangaceiro Sabiá III.

Maria Rosa irmã de Rita Maria de Jesus estuprada por Sabiá

O nosso amigo Sandro Lee, incansável pesquisador, conseguiu localizar e filmar o local exato onde foi enterrado o cangaceiro Sabiá III e em breve estaremos publicando o vídeo no canal CANGAÇOLOGIA (YouTube).
Aguardem.
Fotos: Sandro Lee


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ANTÔNIA DE GATO


Por João de Sousa Lima

Foi uma das minhas descobertas. Grande depoimento.

Um fato curioso sobre ela era que ela tinha um filho capitão da polícia e ele estando de férias veio para a tribo Pankararé, e uns primos o mataram para roubar. Então todos da comunidade ficaram sabendo quem tinha sido e Antônia foi até Salvador e falou com o comandante geral e pediu três policiais para vir com ela e fazer vingança. O comandante mandou e ela junto com os três policiais mataram os três assassinos.

Ela depois passou a ser pensionista do filho e recebia a pensão como capitã da polícia.

Uma cangaceira recebendo o soldo de capitã.


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ENTREVISTA COM D. ANTONIA QUE FOI MULHER O SANGUINÁRIO CANGACEIRO GATO! ACERVO ADERBAL NOGUEIRA



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PARABÉNS, FREI ENOQUE!


Por Manoel Belarmino

Hoje é dia 4 de dezembro. Celebra-se, neste dia, mais um aniversário do Frei Enoque, o missionário do Evangelho e das sandálias da simplicidade. O Francisco do Sertão.

Quantos anos vividos neste sertão! Quantos gritos! Quantas vezes a sua voz foi e continua sendo a voz dos mais sofridos do campo e da cidade neste sertão.

Muita saúde e muita paz!
Parabéns, Frei Enoque!


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A HISTÓRIA FASCINANTE DO CANGAÇO E SEUS FAMILIARES QUE GRAÇAS A DEUS, AINDA RESIDEM EM NOSSOS POVOADOS.


Por Sandro Lee

No último domingo dia 1-12-2019, voltando de uma grande pesquisa no povoado Lagoa do Rancho, eu tive a honra de presentear meu trabalho a duas grandes lendas de familiares de cangaceiras: 

Dona Petronila Mocinha

A dona Petronila Mocinha e Terto Sr. Tertuliano Pereira de Souza. Mocinha é sobrinha da cangaceira  Inacinha do cangaceiro Gato, e Terto é sobrinho de Lídia do terrível Zé Baiano. 

Tertuliano Pereira de Souza

Ele é filho de Manú que matou junto com Lino de Zezé o cangaceiro Pancada. O soldado nos pés da Serra do padre, personagens. A quem eu tenho muito respeito e admiração.

Sandro Lee na Rota do Cangaço.


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RECORDAR É VIVER!

Por José Mario Chaves Peixoto
Casa onde morou Pedro de Albuquerque Uchôa homem que de bom gosto ou não patenteou Lampião a capitão.

Camutanga-PE, casa onde morou Pedro de Albuquerque Uchôa hoje Casa Paroquial pertencente a Igreja Católica de nossa cidade, os que não tem conhecimento Pedro de Albuquerque Uchôa foi um alto funcionário do Ministério da Agricultura do Governo Militar, na época o Presidente Artur Bernardes, nos meados de 1927, ele atuava no Juazeiro do Norte-Ceará, muito amigo do Padre Cícero Romão Batista, foi intimado para conceder e assinar a patente de Capitão ao Rei do Cangaço Virgulino Ferreira (Lampião), com o objetivo de combater a Coluna Revolucionária de Carlos Prestes que ameaçava derrubar governos que apoiava a ditadura militar.




José Mario Chaves Peixoto é secretário municipal de serviços públicos na empresa Prefeitura Municipal De Camutanga


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VÍDEO..CANGAÇO CAMPINA GRANDE ( 22 A 24/11/19)


Por Volta Seca

Vera Ferreira (neta de Lampião e Maria Bonita), Paulo Brito (filho do coronel João Bezerra, integrante da volante que combateu e matou Lampião) e a Eliza Dantas (filha do cangaceiro Candeeiro) fizeram a palestra de abertura do Cangaço Campina, que reuniu estudiosos e pesquisadores do assunto em Campina Grande, nos dias 22, 23 e 24 de novembro, na Vila Sítio São João.


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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:   

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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POÇO REDONDO - UM OLHAR SOBRE SUA REALIDADE ATUAL

*Rangel Alves da Costa

O que a seguir está escrito é tão real quando o olhar de cada poço-redondense possa enxergar e quanto seu poder de compreensão de realidade permitir. Portanto, que não se entenda como texto de viés político ou de crítica administrativa, bem como invencionices e inverdades.
Pois bem. Poço Redondo, cidade interiorana no sertão sergipano, cresceu muito, mas muito mesmo, e muito mais do que possa imaginar aquele que se contenta em estar andejando somente pela região central da cidade. O Bairro São José, por exemplo, é uma cidade dentro de uma cidade, é um mundo dentro do mundo Poço Redondo.
O Conjunto Lídia Souza, ainda que em extensão bem menor e com menor número de moradores, igualmente possui uma vida distanciada daquela realidade mais urbana, mais centralizada. Mas existem algumas diferenças visíveis entre o São João e o Lídia Souza. Este, por assim dizer, não possui camadas sociais tão diferenciadas quanto o São José. Se no Lídia não há nem muito ricos nem muito pobres, assim não acontece com o bairro mais populoso da cidade.
O São José possui moradias de alto luxo para os padrões locais, possui moradores de bom poder aquisitivo e até endinheirados, mas também uma situação de miserabilidade que afronta o senso comum. Quem vê fachada de casa não conhece sua realidade interior, mas no São José é como se a percepção fosse logo tirando a conclusão sobre a triste realidade que há.
Casebres empobrecidos, famílias passando todos os tipos de necessidades, desesperanças e desalentos pontuando em cada olhar. Pelo que se observa hoje, mas também devido à migração de muitas famílias e o grande número de assentamentos que foram surgindo na região, Poço Redondo possui uma feição de pobreza jamais existente no passado.
Ora, nunca foi uma cidade rica, bem desenvolvida, mas também nunca foi empobrecida demais nem de entranhas ossudas. E hoje é perceptível a situação de miséria que vai pontuando por todo lugar, e sem falar nos novos conjuntos que vão surgindo ao longo das estradas e que já nascem com a cara do padecimento.


Por outro lado, e agora rememorado uma exemplificação de como era e como vive agora Poço Redondo, há que se dizer que a segurança da população já alcançou um patamar insustentável. Nos tempos idos - e não faz muito tempo -, em tempos de calor como faz agora, grande parte da população dormia com portas abertas, em esteiras na calçada ou em redes nas varandas, sem temer qualquer situação de perigo.
Hoje em dia, os muros altos, os cadeados nas portas e portões, todos os meios de proteção que se busque, não significam quase nada ante a escalada criminosa que está havendo. Ninguém pode sentar em sua calçada com um celular à mão, tornou-se perigoso demais sair às ruas com o celular, pois logo aparece uma moto com um bandido em cima e toma de assalto na cara de pau, quando não comete violência. E isso até mesmo na região central da cidade, à luz do dia, como se a impunidade movesse esse tipo de delinquência.
Os bandidos estão tão ousados que até entram nas residências a qualquer hora do dia para praticar assaltos. A polícia? Sim, onde está a polícia? Esta parece estar preocupada somente com os sons nas malas de carros. Parou o carro, abriu a mala, ligou o som, logo a polícia chega para “enquadrar” o abusado. Mas de vez em quando fazem festas de paredões, com som na maior altura do mundo, importunado o sossego noturno da cidade inteira, e não vai nenhuma viatura policial até para dizer que ao menos baixe um pouco aquela pouca vergonha, aquele desrespeito à população.
Mas nem tudo são espinhos, como já dizia o poeta Zé Veinho. A vida noturna de Poço Redondo, no que diz respeito às suas atrações, está se encaminhando positivamente e com boas opções para os jovens e as famílias. Os bares surgidos são aconchegantes e convidativos, com bom atendimento e opções diversificadas. E Poço Redondo merece isso, merece também ter espaços onde os bate-papos noturnos tenham seus espaços garantidos, até para um lanche, um açaí, um petisco diferenciado.
E não há uma população mais festiva e animada que a de Poço Redondo. Não sei onde encontram tanta botija, mas a verdade é que a juventude e a rapaziada sempre estão reunidas nos bares, calçadas e meios-fios, curtindo um bate papo regado a cerveja, e também desejosa de ouvir - e até ouvindo enquanto a polícia não chega -, um sonzinho do momento: “Não fala não pra mim, bebê, senão eu morro de beber. Nessa fossa que eu tô, não dá, e é só você pra me salvar. Não fala não pra mim, bebê, senão eu morro de beber...”.

Escritor
Orgulhoso filho de Poço Redondo

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AINDA HOJE...



... tem documentário chegando no canal "Cangaçologia".

AS SEPULTURAS E AS HISTÓRIAS DOS GRANDES INIMIGOS DE LAMPIÃO.

Luiz Ferraz Filho (Historiador) e Mabel Cristine Nogueira Sousa, membro das famílias Nogueira e Jurubeba, inimigas de Lampião, fizeram uma visita ao cemitério da Fazenda Ema, localizado no município de Serra Talhada no estado de Pernambuco e ao lado das sepulturas dos antigos combatentes de Nazaré, contam um pouco da história de cada um desses personagens da história cangaceira.

Um documentário muito bem produzido e rico em informações que merecem serem conhecidas e analisadas.




JULIE CALDAS E LORENA BARROS


Por Snides Caldas

Julie Caldas e Lorena Barros acompanhadas pelo poeta e artesão Roosevelt Fernandes e a ativista cultural Célia Maria Bonita, interpretaram a música ‘Ave Maria Sertaneja’, diante de estudiosos, escritores e pesquisadores da cultura do cangaço, parentes de Lampião e de integrantes das volantes que perseguiram o bando de Lampião e Maria Bonita até a morte. Entre os presentes, João Dantas (historiador e curador do evento), Vera Ferreira (escritora e neta de Lampião e Maria Bonita), Eliza Dantas (escritora e filha do cangaceiro Manoel Dantas ‘Candeeiro’), Paulo Brito (filho do Coronel João Bezerra), Maristela Sena Dias (prefeita da cidade de Piranhas).

O evento ‘Cangaço Campina 2019’ fez uma viagem no tempo até os idos da era lampiônica e revisou fatos e personagens do tempo em que o Nordeste era ‘governado’ por Lampião e seus Cabras. O encontro ocorreu entre os dias 22 a 24 de Novembro, na Vila Sítio São João, em Campina Grande.

Veja a apresentação no canal do Festar Muito: 


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É ASSASSINADO EM BELMONTE, POR CANGACEIROS, O CORONEL LUIZ GONZAGA – AS DECLARAÇÕES QUE NOS FEZ O SEU FILHO, JOSÉ GONZAGA GOMES FERRAZ

Acervo do Antonio Correa Sobrinho

Assim registrou o "Jornal de Recife", na edição de 21 de outubro de 1922, o assassinato do coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz:

É ASSASSINADO EM BELMONTE, POR CANGACEIROS, O CORONEL LUIZ GONZAGA – AS DECLARAÇÕES QUE NOS FEZ O SEU FILHO, JOSÉ GONZAGA GOMES FERRAZ

Infelizmente não foram tomadas ainda, medidas eficazes, pelas quais se afastassem do interior do Estado esses elementos de desordem que tanto nos infelicitam e envergonham as instituições.

O cangaço continua a ser nos longínquos sertões o veredito das pendências pessoais e às vezes até das questões judiciárias.

Agora mesmo o município de Belmonte acaba de sofrer uma incursão dos bandoleiros, perdendo a vida, ingloriamente, o abastado fazendeiro e negociante, ali residente, coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz.

Segundo o que ouvimos ontem, do seu filho que se acha nesta capital, o senhor José Gonzaga Gomes Ferraz, o crime prende-se a uma velha inimizade que havia entre o seu pai e Sebastião Pereira.


No decorrer do ano passado o coronel Luiz Gonzaga foi vítima de um roubo, na importância de 6 a 8 contos de réis.

Atribuiu a Sebastião Pereira, que acompanhado de cangaceiros invadiu as fazendas, praticando toda sorte de crimes.

Desde então o coronel Gonzaga começou a sofrer tenaz perseguição dos Pereiras, a ponto de ir ali um oficial de polícia cearense, cometer arbitrariedades sem nome, dando-lhe a paternidade das mesmas, a fim de o indispor com a população.

Esse ódio de um ano irrompeu agora, feroz, vingador, resolvendo pelo trabuco, uma questão que deveria ter a decisão da justiça.

Pela madrugada de ontem, um grupo armado invadiu a cidade de Belmonte, praticando toda sorte de misérias.

O grupo do indivíduo Tiburtino Ignácio Lampião, obedecendo as ordens dos Pereiras, representados por Ioiô Maroto, atacou a residência do coronel Luiz Gonzaga que opôs resistência aos seus rancorosos inimigos.

Maiores em número, os bandidos conseguiram entrar na casa da vítima, donde roubaram os bens e destruíram as cousas que, na ocasião, não podiam conduzir.

Num requinte de perversidade, assassinaram fria e barbaramente o referido coronel, dando assim, expansão ao instinto de hediondez que os caracteriza.

É fácil imaginar a impressão que esses fatos deixaram no espírito dos habitantes de Belmonte.

O coronel Luiz Gonzaga era casado com a exma. Senhora dona Martina Ferraz, de cujo consórcio deixou 10 filhos, 6 homens e 4 mulheres.

Proprietário e negociante há muitos anos, em Belmonte, o seu bárbaro assassinato consternou extraordinariamente a população local.

- Sabemos que o desembargador Silva Rego, chefe de polícia, ciente dos acontecimentos de Belmonte, conferenciou com o governador do Estado e remeteu forças para ali, procurando evitar novos fatos e punir os culpados.

Recebemos ontem, de Belmonte, o seguinte despacho telegráfico sobre os fatos ocorridos:

“Cidade hoje madrugada foi atacada grupo Tiburtino Ignácio Lampião, ordem, com certeza, família Pereira, com maior responsabilidade Ioiô Maroto, residente este município, inimigo coronel Luiz Gonzaga.

Opôs grande resistência o referido coronel. Parte grupo entrou casa, roubaram destruíram tudo e assassinaram com barbaridade coronel Luiz Gonzaga. Reina grande pesar perda tão estimado cidadão” – Martina Ferraz, viúva Luiz Gonzaga”.

Imagens do coronel Luiz Gonzaga (esquerda) e Ioiô Maroto, ambas extraídas do blog http://lampiaoaceso.blogspot.com, onde se lê a história completa do trágico episódio do tempo do cangaço.


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ANTÔNIO SILVINO E O DELATOR



O jornalista Mauro Mota registrou um episódio vivenciado por Antônio Silvino. Ao invadir uma cidade na Paraíba, o famoso cangaceiro se dirigiu à casa de um delator e disse, em público, que ia matá-lo. A esposa da vítima, desesperada, pediu-lhe, então: "Capitão, não mate o meu marido. Tenha pena de uma pobre mulher e de crianças que vão ficar órfãs."

Ao que o cangaceiro lhe respondeu: "[...] Antônio Silvino não sabe negar nada a uma mulher aflita." [...] "Perdôo-lhe a vida, mas, para não ficar sem castigo, vou mandar dar-lhe uma pisa."

Ao que a mulher voltou a lhe solicitar: "Capitão, se é para humilhar meu marido, o senhor me desculpe: em um homem não se dá! Mande logo matá-lo, que é melhor!

Naquele momento, vendo esvair-se a oportunidade de escapar da morte, o marido delator interrompeu o diálogo dos dois e exclamou: "Não se meta, mulher, que o capitão sabe o que faz!"

Por: Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

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