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terça-feira, 5 de maio de 2020
LUCAS DA FEIRA - UM PRECURSOR DE LAMPIÃO.
ANNA DE ASSIS
Do acervo do Kydelmir Dantas
História de um trágico amor: Euclides da Cunha - Anna - Dilermando de Assis
(2009)
Há cartas e depoimentos de pessoas ligadas ao trio. Muito da difamação
ao Dilermando foi feita pela impressa da época, por motivos óbvios... Um deles
é que o agressor era simplesmente o autor de OS SERTÕES, já considerado um
clássico da literatura brasileira, e pertencente aos quadros da Academia
Brasileira de Letras. O outro: A formação machista de então não admitia que uma
Mulher se separasse do marido, quanto mais ir viver com outro mais jovem que
ela.
Ainda teve um viés político para o momento, quando se avizinhava uma
eleição presidencial onde se tinha, de um lado Rui Barbosa (civilista e
anti-armamentista) do outro o Marechal Hermes da Fonseca (militar e
representante do governo de então)...
Vale a pena conhecer este livro/documento
histórico.
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Informação: Não sei se o professor tem ele. Mas é impotante tentar acessando este e-mail:
franpelima@bol.com.br
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COMBATES E FAZENDA PATOS
Por Aderbal Nogueira
(Fazenda Patos foi aonde o chefe cangaceiro Corisco
assassinou seis pessoas de uma só família).
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QUEM JÁ SONHOU COM LAMPIÃO?
Por Antonio Corrêa Sobrinho
Ed Wanderley Andrade e Antônio Corrêa Sobrinho
Não é de hoje
que leio, releio, reflito, medito, penso, pondero, sobre o cangaço e assuntos
afins, compartilho ideias com amigos do Face, até um livrinho sobre o tema
eu já fiz, uma compilação de textos jornalísticos, que chamei de “O Fim de
Virgulino Lampião – O Que Disseram os Jornais Sergipanos”; sem dizer que, de
uns tempos pra cá, tenho reunido, em relativa profusão, em PDF, artigos
publicados na imprensa sobre o tema. E não foram poucas às vezes que, no sertão
sergipano, andei, como ainda hoje faço, embora sempre a trabalho, por estradas,
fazendas, povoados, cidades, em lugares como Canindé do São Francisco, Poço
Redondo, Porto da Folha, Glória, Aquidabã, Pinhão, Frei Paulo, Ribeirópolis,
Capela, Dores, etc.; para mim, caminhos e lugares fartos de simbolismos,
significados, visto que visitados pelo mais famoso dos cangaceiros, um dos
personagens civis mais destacados da história mundial, Virgulino Ferreira da
Silva, o Lampião, e sua plêiade de célebres bandoleiros, um Zé Baiano, Zé
Sereno, Volta Seca, Luis Pedro, Corisco e outros.
Pois, apesar
disso tudo, de todo este meu envolvimento com o cangaço, o banditismo fenomenal
que imperou e marcou o sertão nordestino até a metade do século passado, e que,
ainda hoje, muito fascina, pelas imagens e representações que dele emanaram,
nunca sonhei com Lampião, nem com Maria Bonita, nem com qualquer outro
cangaceiro.
Eu até
gostaria de travar, em sonho, conversa com essa gente pobre e desvalida, seca e
faminta, de preferência juntamente com policiais volantes, como um Lucena, João
Bezerra, um Manuel Neto, Zé Rufino, e suas tropas. Para dizê-los da guerra
fratricida que travaram, enquanto os verdadeiros facínoras sorriam, de longe,
fartos de bens e prazeres, em salas, salões, gabinetes, das suas grandes
mansões, distantes dos adustos sertões.
E não é que
meu colega, o pernambucano, Ed Wanderley Andrade, comigo na foto, meu prezado
amigo, apreciador também da história e da cultura nordestinas, ele mais ainda,
porque traz consigo a genética cangaceira dos Cacheados - sonhou com Lampião.
Me disse ele,
ontem, quando incursionávamos numa diligência fiscal, pelas estradas da velha
Itabaiana, terra-berço dos meus amigos Antônio Samarone e Robério Santos, e
depois descendo pelos caminhos da valorosa Lagarto, do também amigo Kiko
Monteiro, que um dia sonhou com Lampião.
Contou-me que,
no sonho, eu e ele estávamos inspecionando a zona rural sertaneja, ali, pelas
bandas de Poço Redondo, quando fomos abordados pelos cangaceiros; no exato
momento em que, lentamente, percorríamos uma esburacada estrada de acesso para
uma das fazendas a serem fiscalizadas, bem no coração da terra querida do meu
outro amigo Rangel Alves da Costa. De pronto, perguntei ao colega - agora, fora
do sonho -, quem eram os cangaceiros que estavam com Lampião, e ele me disse
não recordar dos outros asseclas, que só lembra que esteve em sonho com
Lampião.
Disse Ed que,
mesmo estando em sonho, o que lhe poderia fazê-lo afoito e corajoso, diante de
tantos homens de cara e feições endurecidas, de aspecto rude, ferozes,
fortemente armados e em situação clara de ataque, paramos imediatamente a
viatura do Órgão, que logo foi cercada pelos asseclas, com armas apontadas em
nossa direção. Um porém urge que se diga, eles ficaram extremamente admirados
com o carro que nos conduzia - uma Amarok do ano, plotada com o emblema da
República e do Serviço Público Federal, coisa que eles nunca tinham visto, um carro
tão contrastante com as fobicas Ford do seu tempo. O bom do sonho é que nele
cabe tudo, até mesmo a conjugação de tempos.
Determinaram
que descêssemos imediatamente.
Diz Ed que
saímos da viatura calmamente, e que não fomos molestados pelos cangaceiros, que
nos levaram à presença de Lampião, que já se aproximava de nós. Cumprimentamos
o rei do cangaço com um enfático: "pois não, capitão!". Lampião, bem
equipado de armas e todo paramentado, como os demais companheiros, antes de
dizer coisa, olhou vagarosamente para os nossos coletes, que, cheios de
penduricalhos de metal, brilhava com a ajuda do sol; tocou-os, puxou-os de
leve, perguntando se era de prata, em razão do cinza da cor; depois subiu o
olhar, observou que não usávamos chapéu; ainda perplexo, admirou outra vez a
caminhonete; fez um hum, passou a mão no queixo. Depois voltou-se pra nós dois
e indagou quem éramos e o que fazíamos na região. Respondemos ser
auditores-fiscais do trabalho, e que estávamos ali verificando, nas
propriedades rurais, a situação trabalhista dos empregados, fazendo-as cumprir
as leis trabalhistas de proteção, saúde e segurança no trabalho. Afirmou Ed que
Lampião fez um gesto afirmativo, quando dissemos que estávamos ali protegendo
vaqueiros, profissão que ele um dia na tenra idade exerceu. Mas nada admirou
tanto Lampião do que a caminhonete do Ministério do Trabalho.
"Vocês
vão com a gente", asseverou Lampião.
Meu colega Ed
Wanderley tem alma de cangaceiro; eu não.
Num momento da
sua narrativa do sonho, perguntei-lhe: Camarada Ed, como estávamos diante de
tão grave e iminente perigo? "Tranquilo, confiantes, sem temores",
disse ele. "Era um sonho, Antônio, não um pesadelo", completou,
sorrindo.
Voltemos ao
sonho.
Não demorou
muito, estávamos trocando tiros com uma força volante. Disse Ed que já se achou
no sonho portando um fuzil, e que a cada tiro que dava, olhava pra Lampião, ele
que combatia ao seu lado, e lhe sorria com um sorriso leve, de aprovação, de
confiança. E mais, que, num certo instante, quando acertou mortalmente um da
volante, voltou-se novamente para o famanaz bandoleiro, como que pra dizê-lo:
"tá vendo, Capitão, somos dos seus, conte e confie na gente!".
Foi quando,
nesta parte da narrativa, perguntei a Ed sobre mim. Se na hora da refrega, do
pega pra capar, de bala pra lá, de bala pra cá, eu também tiroteava, olhava pra
Lampião? E o filho da mãe, sorrindo, disse que só lembra de mim no sonho,
escondido atrás de umas pedras.
É verdade,
mesmo nos sonhos dos outros, não sou valente, mas precavido.
Que sonho bom
Ed teve!
Antonio Corrêa
Sobrinho
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segunda-feira, 4 de maio de 2020
MAIS LIVROS COM SOBRE CANGAÇO
Por Francisco Pereira Lima
Indicação Bibliográfica. Aqui estão alguns livros importantes para o estudo e a pesquisa do Cangaço. Durante essa semana, cada dia, irei divulgando essa rica bibliografia Cangaceiro e nordestina, que são centenas de ótimos livros. Pela grande quantidade será impossível divulgar todos. Amanhã vem mais.
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LIVROS FRANCISCO PEREIRA LIMA
Novos inquilinos a disposição dos amigos. Excelentes livros. Quem desejar adquirir este e outros livros:
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LIVROS.
Por Francisco Pereira Lima
Convoquei 23 livros (gostaria de convocar 50), mas a regra da FIFA não permite. Vamos, BRASIL.
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ANTIGA FAZENDA DO CORONEL VEREMUNDO SOARES.
Fazenda do Cel. Veremundo Soares, próxima à Salgueiro-PE. Vista da antiga Casa Grande; do Engenho de Rapadura, etc. Outrora, a fazenda chegou a empregar em torno de 600 pessoas entre as décadas
de 20 a 40 do século passado. Hoje, está tudo abandonado e virou acampamento dos "sem terra",
onde nada se produz.
Vídeo do canal do Youtube, "Sertão Mamoeiro".
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EU E ADÍLIA, A EX-CANGACEIRA
Por Rangel Alves da Costa
Quando cangaceira
Quando Maria Adília de Jesus (a ex-cangaceira Adília e
companheira de Canário no bando de Lampião) faleceu em 2002, aos 82 anos de
idade, eu contava com 39 anos. O falecimento ocorreu 64 anos após sua saída do
cangaço em 38. A mulata trigueira da família Mulatinho do Alto de João de
Paulo, nos arredores da cidade de Poço Redondo, também era irmã do cangaceiro
Delicado (João Mulatinho). Mas minhas recordações com Adília remontam a anos
anteriores, quando a ex-cangaceira tecia profundos laços de amizade com minha
família, principalmente minha mãe Dona Peta e meu pai Alcino. Todos os dias
Adília atravessava o riachinho de pouca água que separa a cidade de sua
comunidade e adentrava pela Rua de Baixo, local de moradia de meus pais. Por
ali ficava horas e mais horas, em proseados e relembrando causos sertanejos.
Suas memórias cangaceiras não tinham lugar de destaque, principalmente pelo
fato de que minha mãe não gostava de fazê-la relembrar um tempo tão difícil em
sua vida. Mas com meu pai era diferente, pois sempre que podia ia puxando os
fios da teia da memória da amiga ex-cangaceira e anotando tudo para depois
contextualizar em seus escritos. E eu, meninote por ali, sequer imaginava estar
cotidianamente convivendo com pessoa tão marcante na história nordestina. Não
sabendo nada de seu passado, não conhecendo sua luta, não imaginando que aquela
mulher já havia se vestido em véu de sol e de sangue, já havia vivido o drama
da incerteza do instante seguinte e sentido na pele o queimor lancinante da
bala faminta. Um tiro na perna ainda era visível no osso afundado. Mas eu não
estava – e até porque não sabia das causas e consequências no seu passado -
diante da cangaceira, mas sim da amiga. E uma grande amiga, como uma figura
materna doce e cativante. E de repente eu já estava seguindo os seus passos em direção
à sua moradia no Alto de João Paulo, e tantas e tantas vezes assim. Ao lado
dela, era algo totalmente inusitado o que o meninote Rangel mais gostava de
fazer. Pedir que a ex-cangaceira sentasse no chão batido, depois estirasse as
pernas, para despejar água naquela pequena fundura onde a bala havia deixado
sua marca. E depois simplesmente beber. Um tiquinho de água na ponta da língua.
E, sem imaginar a dimensão daquele gesto, também experimentando o sabor da
história e de um passado de eterna, aflitiva e dolorosa memória.
Rangel Alves
da Costa
Publicado no facebook por Volta Seca
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CANGAÇO - ARISTEIA E SUA ENTREGA
Por Aderbal Nogueira
Cangaço -
Aristeia e sua entrega - Aristeia fala de um tiroteio onde ela fugiu levando o
filho de Moreno e Durvinha nos braços. - O tiro que Moreno dava para o grupo se
encontrar. - O medo após a morte de Catingueira e a sua prisão. - Explicações
de Amaury e João de Sousa.
Link do vídeo: https://youtu.be/5rH0WpkRnFk
Categoria
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THERMAS - O FECHAMENTO DE UMA ESCOLA
Por Caio César Muniz
É de grande tristeza ler sobre o fechamento do Hotel Thermas de Mossoró e a demissão dos seus mais de 200 funcionários. Mesmo que seja por um tempo determinado, conforme acreditam seus os proprietários, é um momento tristemente histórico para a história da hotelaria e do turismo local.
Trabalhei no
Thermas no início dos anos 90. Nesta época gerido pelos irmãos Barbosa
(Fernando, Alvamar, Raimundo e Alexandre) e tinha como gerente Valdir Castilho.
Adentrei àquela casa como mensageiro, e desde o primeiro momento ela me pareceu
um centro de formação, não só profissionalmente, mas para a vida.
Quem me
orientou os primeiros passos foi Pedro Gomes, mostrou-me cada canto do hotel e
como deveria me comportar perante os hóspedes: ¬- Nunca “ok”, sempre “sim,
senhor”, sim, senhora”! Quase como aquelas lições que nossos pais nos ensinam
em casa e com o tempo desaprendemos. Depois fui promovido à recepção e cheguei
até à função de “auditor noturno”, sendo que o sistema de auditorias em hotéis
é diário (ou noturno).
Hotel Thermas de Mossoró
Quando ali
cheguei já haviam pessoas que ainda hoje permanecem (ou permaneciam) por lá. Ou
seja, têm toda as suas vidas dedicadas aquele hotel. Talvez nem conheçam tão
bem o mundo “aqui fora”, mas ninguém conhece o Thermas como eles: Clerton Gomes, Eider Elias, Marcos Roberto, Cláudia Santos e o próprio
Pedro Gomes.
Conheci gente
da melhor espécie no Hotel Thermas: Cleide, Max (hoje no Garbos), Yara Moura, Carol, Neide, Silvério, Jânio Robson e os saudosos Paulo César, João
Simão e Áurea (Aurinha). Nomes que minha memória já falha me trazem agora mais
nitidamente, mas muitos outros merecem registro.
O Thermas faz
parte da minha formação, como profissional e como cidadão. Muitos dos meus
primeiros poemas, escrevi nas noites vividas em sua recepção.
De lá, carrego
todos os melhores ensinamentos e daqui, estou torcendo para que tudo isto passe
logo e que voltemos a ter esta referência internacional da hotelaria novamente
de portas abertas e as pessoas que construíram a sua história, novamente
escrevendo novos capítulos. O Thermas não fechou, está descansando a sua beleza
para voltar mais belo e mais fortalecido.
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FATO ÚNICO UMA CRIANÇA AO RELENTO EM PLENO SERTÃO
Uma das maiores dificuldades da mulher cangaceira ao parir era sem dúvida decidir como e com quem ficaria o 'rebento'.
Não era permitido que o recém-nascido ficasse com o grupo de cangaceiros e, ao ser exposta às intempéries da natureza (sol, chuva, falta de abrigo, alimentação, água etc..), falecia. Para evitar isso, logo que o bebê nascia com poucos dias era doado, a um vaqueiro, padre, coronel ou alguma pessoa de confiança.
Às vezes, acontecia de uma cangaceira parir e, sem tempo, ainda, de doar a criança a uma pessoa com as referências supracitadas, Acontecia um tiroteio e, o recém nascido ficava no meio da caatinga, entregue a sua própria sorte e a Deus.
Acima, temos uma foto rara mostrando uma situação dessa do filho do cangaceiro Ângelo Roque, em que a criança foi recolhida da caatinga através do Tenente Noblat e, posteriormente, foi criada pela família do sargento Edgar.
Fonte da Foto: Lampeão, Ranulfo Prata.
Créditos: Ivanildo Silveira (Grupo Lampião Grande Rei do Cangaço - Facebook)
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domingo, 3 de maio de 2020
LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA
Sobre o escritor
Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.
O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
Peça: franpelima@bol.com.br
Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.
Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.
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A PRISÃO DE ANTÔNIO SILVINO O "RIFLE DE OURO".
Por Geraldo Júnior
VÍDEO.
A
prisão do cangaceiro ANTÔNIO SILVINO (o rifle de ouro). Página do youtube. Cangaçologia (Geraldo Antônio De Souza Júnior).
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A MODA E A CRIATIVIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 1 de maio de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Muitas cidades mineiras orgulham-se dos seus ciclos históricos e conservam entre outras coisas, o calçamento bruto dos tempos de vila. Algumas nem permitem mais circulação de veículos por esses patrimônios compostos por edifícios e pedras antigas. Em Santana do Ipanema, Alagoas, a vila também ganhou calçamento bruto em toda a área do comércio, inclusive a Avenida principal Coronel Lucena. Era sim um orgulho santanense para uma vila que agia como cidade e ganhara pavimento moderno para a época. Mais alguém de fora sempre comparava a ignorância de “A” ou de “B” com o calçamento bruto de Santana do Ipanema. No governo municipal do senhor Ulisses Silva, foram demolidos os prédios antigos do comércio e arrancado o calçamento bruto da cidade. As pedras foram substituídas por paralelepípedos, pedras quadriculadas de granito apontadas como mais modernas.
Daí em diante as centenas de carros de boi de roda com aro de ferro, ficaram proibidos de circularem no calçamento novo. As cargas que o carro de boi pegava no próprio armazém e levava para a zona rural, ficaram então sendo transportadas de outra maneira dos armazéns para as areias do rio Ipanema, ponto de estacionamento dos carros de pau. O transporte de areia do rio em carro de boi também teve que ser adaptado. (toda Santana foi construída com areia do Panema). Diante disso, surgiu a nova moda para o carro de boi urbano. As rodas de madeira com aro de ferro, foram trocadas por pneus e seus acessórios no eixo. Assim o carreiro pode continuar seu trabalho rua acima, rua abaixo sobre o calçamento novo do prefeito Ulisses.
Aproveitando a transformação, os carroceiros passaram a imitar os carreiros. As carroças puxadas por burras, também foram adaptadas e as rodas que eram de outra modalidade, passaram a se apresentar com pneus de automóveis. Com pneus ou sem pneus não parou a extração mineral no rio Ipanema. Mesmo agora em 2020 o seu leito é tremendamente explorado sem nenhuma restrição. Teve gente até que já se apoderou da imensa fatia do rio, extrai e vende o que é de todos os santanenses.
Vergonha!
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PATRIMÔNIOS CULTURAIS DE POÇO REDONDO
*Rangel Alves da Costa
Poço Redondo, município sergipano e sertanejo, talvez não compreenda bem o quanto possui de riqueza histórica, cultural, geográfica e turística. Para uma odeia da grandiosidade, a Gruta do Angico, onde foram mortos Lampião e parte de seu bando em 28 de julho de 38, está fincada em seu território.
E ainda a Estrada Histórica Antônio Conselheiro, onde em 1874 o missionário andante cruzou os sertões sergipanos em direção a Bahia, mas não sem antes reformar a igrejinha de Nossa Senhora da Conceição, na povoação ribeirinha de Curralinho.
Também a Serra da Guia, a Comunidade Quilombola Serra da Guia, a Maranduba (onde ocorreu a segunda maior batalha do bando de Lampião contra as volantes no ano de 32), o Morro da Letra, a Pedrata. E muito mais. Sem falar nos vinte e seis quilômetros de exuberante beira de rio. O São Francisco ladeia o município.
Desse modo, imenso é o patrimônio de Poço Redondo, e que não é devidamente explorado como fonte de emprego e renda para a população, por falta de políticas que priorizem a sua potencialidade. Os órgãos municipais que cuidam do turismo e da cultura talvez não se atenham ao próprio conceito de patrimônio, principalmente cultural.
Ser patrimônio cultural significa ser um bem preservado e passado de geração a geração. Significa uma riqueza gestada no saber ou no fazer de um povo e que vai tendo continuidade ao longo dos anos. Mais forte ainda é o patrimônio cultural que surge sem a intencionalidade de assim, mais tarde, ser reconhecido.
E assim acontece com a festança cangaceira do xaxado e a lida vaqueira de antigamente que se transformou em esporte apaixonante. O xaxado foi assimilado dos passos dançantes dos cangaceiros e se tornou em verdadeira arte sertaneja. Principalmente a beleza e a perfeição do Grupo de Xaxado na Pisada de Lampião, mas também diversos grupos preservam as pisadas, as marcações, os cantos e os adornos daquele repouso cangaceiro depois da luta. Grupos adultos e grupos mirins, e todos tornando Poço Redondo em verdadeiro celeiro dos festejos xaxadeanos.
Se o xaxado de hoje veio de imitação cangaceira, a vaqueirama remonta aos tempos bem mais distantes, desde que o sertanejo montou em cavalo para desbravar os sertões. O vaqueiro sempre existiu no mundo-sertão, desde os primeiros currais à necessidade de juntada de gado.
O que se tem hoje pelo nome de vaquejada é a consequência festiva, e muitas vezes como disputa, daquele amor antigo do vaqueiro pelo seu cavalo e pelo boi valente. E Poço Redondo possui profundo amor tanto pelo xaxado como pela vaquejada. São festejos e manifestações que correm nas veias, que fazem suar de paixão, que fazem mais contentes e alegres os dias de luta.
E que tornaram Poço Redondo como fraterno berço e palco maior destas duas paixões de um povo.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
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