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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

EM BUSCA DA VERDADE, SEMPRE. UM BRAVO SEM ESTRATEGIA GUERRILHEIRA

 Por Sálvio Siqueira

Reza a historiografia caganceira que o bravo nazareno Manuel de Souza Neto, o “Mané Neto”, ou ainda “Mané Fumaça” como refere algumas obras literárias que assim ‘o apelidava os cangaceiros’, foi um dos maiores combatentes ao banditismo rural na época do cangaço imposto por Virgolino Ferreira, 1918/1938, o cangaceiro Lampião.

O historiador/escritor Leonardo Ferraz Gominho refere que Arconso de Souza Ferraz, irmão ‘encostado’ ao caçula, Manoel de Souza Ferraz, era uma família composta por oito filhos, destes, eram três mulheres: “Auta(ou Altina), Amerina e Filomena”; e cinco homens: “Alonso, Afonso, Ancilon, Arconso e Manuel de Souza Neto”; deixou o emprego de vendedor em uma loja para alistar-se na Polícia Militar de Pernambuco, em 1921, na capital do Estado. (http://xn--lampioaceso-d8a.com/)

No ano seguinte, 1922, seguindo o exemplo do irmão, Manuel de Souza Neto, aproveitando uma viagem que fez a cidade de Rio Branco, hoje Arcoverde – PE segue para a Capital e também se alista na Briosa pernambucana. “Manuel de Souza Neto partiu da casa do seu tio João Flor, ao lado do comerciante Adão Feitosa, para Rio Branco, a fim de comercializar peles de bode. A viagem foi extenuante, feita a pé e parte a cavalo, mas, ainda assim, por iniciativa própria, prolongou seu itinerário até a capital para efetuar alistamento, seguindo o exemplo do seu irmão Arconso.” (“O Canto do Acauã”, Marilourdes Ferraz, p. 141)

Neto, desde muito jovem, recheado de uma coragem que, ao estudarmos a mesma notamos grande aproximação da loucura, foi um daqueles que mais combateu o chefe cangaceiro Lampião. Porém, para combater coragem, inteligência e astúcia, é necessário usar coragem, inteligência e astúcia, juntas, antes e depois dos conflitos no campo de batalha e, infelizmente, nota-se a falta da segunda e terceira potência necessária nos confrontos que teve com os bandoleiros.

Tinha um cangaceiro, Clementino Quelé, que deixou o bando de Lampião em uma situação crítica por discordância com outro cangaceiro chamado “Meia Noite”, e, com essa atitude, tornou-se um inimigo ferrenho do chefe bandoleiro. Pelo palavreado proferido por Quelé ao deixar o bando, ficou uma rixa entre os dois, Quelé e Virgolino, que ambos só achavam ter fim com a morte de algum deles. Pois bem, em janeiro de 1924, Lampião resolveu fazer uma ‘visita’ ao antigo chefiado no Distrito de Santa Cruz no município de Triunfo - PE, hoje cidade de Santa Cruz da Baixa Verde - PE, aonde morava e, armando uma grande emboscada, encurralou Quelé e familiares dentro de casa aonde alguns vieram a tombar sem vida. Nessa ocasião, Virgolino estava com um grupo contendo vários cangaceiros, porém, ao saber do que estava acontecendo, Manuel Neto apanha seu fuzil, o bisaco com balas e desce a serra numa desabalada carreira rumo ao povoado, pois destacava na sede do município. Sem nem pensar por um instante que enfrentaria o astucioso e traiçoeiro futuro ‘rei dos cangaceiros’. Demonstração de grande valentia, no entanto, nenhum um níquel de astúcia, inteligência para com sua vida. Em outras palavras, uma verdadeira loucura.

Em fevereiro de 1925, Mané Neto já perambulava pelas terras íngremes, desfavoráveis, secas e cheias de empecilhos naturais da caatinga no Vale do Pajeú das Flores, na região de Betânia – PE, em busca do chefe cangaceiro mor. Acompanhado por civis, saí em busca de saber o paradeiro dos cangaceiros e, quando se encontra com a Força Volante comandada pelo sargento José Leal, agrupa-se a essa, formando um contingente de pouco mais de vinte homens, e segue para a localidade chamada Cachoeira dos Galdino, local indicado onde estaria o bando de cangaceiros. Realmente os bandoleiros, com mais de trinta cangaceiros, estavam acampados, acoitados, no local e deu-se um fogo tremendo entre eles e a pequena força combatente. No calor do tiroteio o sargento José Leal e um de seus comandados, o soldado João Preto, deixa o campo de batalha e vão embora. Desse momento em diante “Mané Fumaça” voluntariamente assume o comando e, junto aos demais, seguram o fogo até os bandoleiros desistirem de lutar, darem à costa, e irem embora. O que faltava em Manuel Neto, e em outros vários bravos chefes combatentes ao banditismo rural, era a perspicácia em analisar tais informações. Normalmente as mesmas eram ‘retiradas’, conseguidas, a base de torturas e, por vezes, foram dicas para que seguissem rumo a uma embosca preparada, articulada, anteriormente por Virgolino. Esse, segundo historiadores, foi o primeiro combate das tropas sob o comando do valente Manuel de Souza Neto contra o banditismo rural. Acreditamos que esse ato de bravura lhe deu a promoção de Anspençada, pois, foi promovido ainda no primeiro meado do mesmo ano.

No ano seguinte, em fevereiro de 1926, Virgolino, ao saber que duas volantes estaria em seu encalço, no seu rastro, uma comandada por Optato Gueiros e outra por Higino Belarmino, estrategicamente, prepara uma embosca ao longo do riacho que cruza a fazenda denominada de “Caraíbas”, mais precisamente ao longo da margem esquerda do riacho. Estivemos nessa fazenda, eu e os pesquisadores: Cristiano Ferraz, Richard Pereira e Louro Teles, nesse riacho e nos locais determinantes, inclusive colocamos um monumento, cruz, com os nomes dos soldados que tombaram no confronto naquele dia. Lampião, sabidamente, divide seus homens em três frentes de modo que quando a volante chegasse, estaria entre três fogos. Sem nem pestanejar o comandante da tropa, tenente Higino Belarmino, penetra com seus trinta e cinco comandados na arapuca. Estando a volante no local em que Lampião queria que estivesse, abre fogo e o mundo se fecha com a fumaça, os tiros e os gritos dos sodados feridos. Colhidos de surpresa e em três frentes distintas, a coisa ficou feia para a volante. Começaram as baixas e, Manoel Neto vendo que se permanecessem daquele modo, naquela posição, seriam abatidos um a um, inclusive seu comandante um dos já se encontrava ferido, resolve então sacrificar sua vida em prol dos companheiros. Procurando mostrar-se, tenta atrair para si a atenção dos adversários que não perdem tempo e o fazem de alvo. Tendo sorte, o bravo nazareno é ferido, porém, lhe acertam, dessa vez, no braço direito. Com a mesma valentia, porém, pensador e estratégico, analisando antes de agir, seu primo Euclides Flor, descobre que se deslocasse uma das frentes de combate adversária podia abrir uma fissura, brecha, na defesa deles e tentar salvar seus companheiros. Não deu outra. Lampião, notando que um de seus inimigos tinha conseguido furar sua defesa em um dos flancos, dá ordem de retirada. Mané Neto é transportado para Betânia a fim de ser medicado. Lá chegando foi atendido por um ‘curandeiro’, trabalha com remédios da mata, chamado Manoel Jerônimo. O ferimento não tem o tratamento adequado e infecciona chegando a criar miíase. Segundo o saudoso João Gomes de Lira, em seu “Lampião – Memórias de um Soldado de Volante”, Neto passa a arrancar as flepas, pedaços, de ossos destroçados pelo projétil. Dias depois o Anspençada é transferido para a cidade de Flores para ser tratado decentemente. Como resultado das baixas na volante, os cangaceiros também sofreram baixas, foram abatidos “os soldados Aristides Panta da Silva, Benedito Bezerra de Vasconcelos e Antônio Benedito Mendes. Foram feridos, além do Anspeçada Manuel Neto e tenente Higino, o rastejador Antônio Joaquim dos Santos (Batoque), com a perna fraturada, Altino Gomes de Sá (v. GS, Tn 196), João Pereira dos Santos, João Pinheiro Costa e João Cavalcanti”. (http://xn--lampioaceso-d8a.com/ - Leonardo Ferraz Gominho)

Em 28 de agosto do mesmo ano, 1926, Lampião, movido por uma trama arquitetada pelo bandido Horácio Cavalcanti de Albuquerque, o “Horácio Grande”, estrategicamente coloca piquetes com cangaceiros nas estradas que dão acesso a cidade de Floresta, era um sábado, dia da feira semanal da cidade, e com o grosso do bando desce para cercar e atacar Manoel de Gilo, patriarca da família “Gilo”, na sede da fazenda Tapera. Segundo autores, o grupo de cangaceiros era bastante elevado, em torno de cem ‘cabras’, então, mesmo deslocando alguns pequenos grupos para os piquetes, ainda ficaram muitos para o ataque a casa sede da fazenda. Manoel de Gilo havia, antecipadamente, previsto esse ataque e ido ao QG das volantes na cidade de Floresta - PE pedir ajuda. Ao chegar à cidade entra em contato o comandante capitão Antônio Muniz de Farias que diz ao senhor solicitante que juntasse toda a família armada para defender a fazenda, e a vida, e que, assim que escutassem o som dos disparos dos tiros no ataque, partiria com uma tropa para combater na retaguarda. Pois bem, o ataque tem início e o som dos tiros é escutado por várias pessoas na cidade, no entanto, o capitão, apesar de colocar a tropa em forma, mandar sair de forma e entrar novamente em formação, não autoriza, tão pouco vai em auxílio a família cercada pelos cangaceiros : o capitão “sem saber o que fazer, corria de um lado para o outro sem tomar nenhuma resolução”. “As famílias da cidade de Floresta, penalizadas e compadecidas com a situação, dirigiam-se ao capitão pedindo que fosse socorrer aquela gente”. “O capitão mandava tocar reunir e logo mandava tocar debandar”, diz João Gome Lira. Conta Malta Neto em “Memórias de um Cobrador de Impostos”, na p. 93, que “Lampião cercou a casa cuidadosamente, tomando os pontos aconselhados pela prudência e disparou alguns tiros para o ar, para despertar seus inimigos, pois, sabia todos presos numa armadilha mortal, inteiramente a sua mercê”. Na época, o Anspeçada Manoel Neto fazia parte do contingente comandado pelo capitão Muniz. Tendo seu membro superior direito na tipoia devido ao ferimento sofrido no Fogo das Caraíbas, não se contém e começa a implorar ao comandante que reúna e comande a tropa para salvarem a família cercada, ou mesmo lhe fornecesse um contingente para que pudesse ir ajudar os “Gilo”, no que não é atendido, pois, precavido ou medroso, o comandante alega que não poderia fornecer a tropa e deixar a cidade desguarnecida. Manuel Neto se aperreia e grita para que, quem quisesse que viesse para seu lado para irem combater os bandoleiros. Dez valentes soldados se apressam em ficarem ao lado do Anspeçada. Vendo que era pouca gente para ir socorrer a família cercada por tantos cangaceiros, “João Gominho Filho, amigo de Farias. Pediu-lhe que “o auxílio fosse melhorado suficientemente, de vez que tínhamos força bastante e não iria fazer falta à nossa cidade uma pequena tropa”, conta Siato (Memórias). Não foi atendido.” (Leonardo Ferraz Gominho)

A fazenda Tapera dista, mais ou menos, 12 km da sede do município, e essa distância, ou parte dela, é transposta a pé no menor tempo possível pelo Anspeçada e seus dez comandados. Só que, ainda dentro da caatinga, Mané Neto havia preferido ir pelo mato e não por alguma estrada, a tropa é colhida por um fogo terrível de balas. Segundo alguns escritores, o ataque dos cangaceiros sobre o pequeno contingente militar foi tão intenso que sobreviventes referiam parecer ‘pingos de chuva’ caindo sobre eles. De imediato, o soldado João Ferreira de Paula que estava junto a Mané Neto, tomba sem vida crivado de balas. Baixa fatal, o ferimento do braço voltando a sangrar e a munição quase acabando, não tendo outra saída, o Anspeçada dá a ordem de retirada para a tropa, retornando para o QG em Floresta e só vindo a fazenda Tapera no dia seguinte.

Em 10 de novembro de 1926, a volante comandada por Manoel Neto junto com a volante comandada por José Saturnino, acreditamos que eram duas volantes por o contingente ser descrito por autores como fazendo parte daquele ataque oitenta praças, seguem em direção a fazenda Favela por saberem que Lampião estava acoitado na mesma.

Sabedor da vinda das volantes, Virgolino, mais uma vez demonstrando ter astúcia, que é necessário usar a inteligência antes e acima da ação, prepara outra emboscada para a volante perseguidora. A fazenda tinha duas casas próximas, uma mais antiga, a casa Velha, sede da propriedade, e uma de construção recente. Além de distribuir seus homens nas duas casas, a nova tinha sótão e a velha tinha ‘torneiras’, Virgolino manda que o cangaceiro Sabino Goys leve para o mato alguns homens e que, depois de rompido o combate, ataque a volante pela retaguarda.

No dia 11 daquele mês, chegando próximo as casas, o sargento José Saturnino, depois de alguns confrontos com Lampião, José Saturnino vai pedir proteção ao Comandante Geral das Forças Volantes no que é atendido, o mesmo, após lhe tornar soldado, imeditamente o promove a cabo e, em seguida, o promoveu a 3º sargento, lhe fornecendo uma tropa armada, fica por um lado e conduz seus comandados. Mané Neto, talvez achando que Lampião estivesse na casa nova, vai diretamente até próximo à porta da mesma e tenta comunicar-se com quem dentro da casa estava. Algumas palavras são trocadas e o tiroteio tem início atingindo, de cara, alguns soldados dos quais dois deles tombam sem vida.

No acirrado combate, de início a força ver-se cercada entre dois fogos e, em seguida, entre três fogos inimigos, estando ela em campo aberto. No decorrer do conflito o saldo das baixas dos militares são grandes e avassaladoras, obrigando-os a baterem em retirada. Saldo das baixas militares no Fogo da Favela: mortos os soldados Antônio Freire Panta, Gaudêncio Pereira da Silva, Cícero Petronilo da Silva, Francisco Pereira, Agripe Lopes dos Santos e João Gregório Neto. Feridos: José Bernardes, Francisco Barbosa do Nascimento, Waldemar Barbosa da Silva e Cypriano Leite da Silva. Segundo alguns autores ocorreram duas baixas fatais entre os cangaceiros. Já outros, referem ter havido as duas mortes e alguns feridos.

Ainda em novembro de 1926, ocorreu o maior dos combates entre a Força Pública e o bando de cangaceiros chefiados por Lampião e a participação direta do comandante Manuel de Souza Neto. Virgolino, com a sua grande inteligência para guerra de movimentos preparou e executou a maior das emboscadas sobre a Briosa pernambucana. Lampião, tendo antecipadamente preparado o local para o combate, erguido defesas com pedras em vários locais ao longo da Serra Grande, começa a praticar determinados crimes em locais predeterminados próximo a serra para atrair o contingente da Força Pública.

Tendo em março daquele ano recebido de presente do Batalhão Patriótico de Juazeiro do Norte, CE, as mais modernas armas da época, fardamento, dinheiro e farta munição, arquiteta um plano para dar combate a Força Pública quase que num todo no que se refere ao contingente completo das volantes naqueles dias. Culminando sua esperta ‘isca’ com o sequestro de dois funcionários, um da Esso distribuidora de combustíveis, Pedro Paulo, e outro da Souza Cruz, Benício Vieira, sendo que o segundo tinha consigo o valor estipulado pelo resgate, encaminha o mesmo para que fosse a Vila Bela, hoje Serra Talhada, PE, a fim de arrecadar o valor para o resgate do outro trabalhador. Ora, naqueles dias, Virgolino era sabedor de que o Comandante Geral das Forças Contra o Banditismo Rural, major Theóffanes Ferraz Torres, ao saber dos sequestros, dos valores estipulados e da localidade em que ocorreram os mesmo, enviaria, sem perda de tempo, a maior quantidade possível de tropas para caçar o famigerado chefe cangaceiro. Ou seja, Lampião jogou a isca e o comandante engoliu-a com anzol e tudo.

Segundo o pesquisador/escritor Louro Teles, natural de Calumbi – PE, juntaram-se sete volantes com seus efetivos e comandantes e seguiram em direção a Serra Grande para caçar e abater os cangaceiros chefiados por Lampião. Foram os seguintes o nome dos comandantes de volantes que foram a Serra Grande: tenente Higino Belarmino, esse como comandante geral da missão, sargento Arlindo Rocha, sargento José Olinda de Siqueira Ramos, cabo Manuel de Souza Neto, cabo Domingos Gomes de Souza, cabo Euclydes de Souza Ferraz, soldado Manuel Antônio de Araújo, conhecido por ‘Ducarmo’ que, ao receber ordens do major Theófanes, através de um telegrama, partiu da cidade de Flores – PE, em direção a São Serafim, hoje cidade de Calumbi - PE, para encontrar-se com o tenente Higino.

Para essa empreitada, Lampião chefiava em torno de 116 cangaceiros. Destes, enviou 46 para o outro lado da Serra Grande para que, se algum dos comandantes das volantes resolvesse contorna-la, topar com essa barreira. Os 70 homens restantes, distribuiu ao longo da elevação, uns no canto, outros em outro e assim por diante. Mas, todos esses ficaram protegidos pelas trincheiras feitas com pedras amontoadas, umas sobre as outras, formando uma ótima defesa para as balas que viriam de baixo. Ele ficou no topo da serra com alguns e o refém Pedro Paulo.

O contingente completo militar, por volta de 300 praças, chega ao pé da serra e, havendo só um acesso para subir, o tenente Higino refere achar melhor acampar antes do boqueirão da serra e aguardar por ordens do comandante geral. Porém, Manoel Neto e Arlindo Rocha não concordam e dizem querer atacar os cangaceiros de imediato, pois sabiam estarem na serra. Depois de algum tempo debatendo, terminam por convencer o tenente. Arlindo Rocha e Manoel Neto posicionam-se, cada um, de cada lado da entrada do boqueirão, a qual dava acesso a subida da serra. Os dois adentram com seus comandados quase que imediatamente na fenda natural da serra tendo gritado Arlindo Rocha que queria almoçar bala naquele dia. Termina por levar um tiro que lhe quebrou à mandíbula o que lhe rendeu o apelido de “Queixo de Ferro”.

Mané Neto, como sempre, fica quase que sem se proteger. Próximo a ele estavam vários cangaceiros e logo o acertam quebrando-lhe as pernas. Vendo Mané Fumaça baleado, vários cangaceiros concentram o fogo sobre ele e outros começam a descer a serra em sua direção para mata-lo sangrado. Perto do cabo nazareno estava o soldado Luiz Borrego, que muito disposto, segurou o fogo para evitar que seu comandante fosse sangrado pelos cangaceiros. Segundo Louro Teles, “logo outros soldados avançaram para socorrer o comandante”. Enquanto uns carregavam Mané Neto para afastá-lo do raio de ação dos cangaceiros, outros seguraram o fogo para darem cobertura a retirado do comandante ferido e, ao mesmo tempo, tentar tomar parte do serrote.

O resultado final desse impensado combate por parte da Força Pública foi desastroso. Tornando-se a maior derrota sofrida pela Briosa de Pernambuco até os dias de hoje em sua luta contra o banditismo rural. Vários militares tombaram sem vida, outros foram seriamente feridos, outros medraram e desertaram no momento do tiroteio, e, por fim, os militares terminaram por se retirem do campo de batalha.

Por volta das seis horas da tarde o comandante geral, major Theófanes Torres, chega ao local onde estavam os feridos e moribundos com caminhões para resgatar os mesmo e leva-los para Vila Bela. “Percebendo o tamanho da tragédia, perguntou ao soldado Ducarmo que vinha chegando da serra Grande, do campo de luta:

- O que foi que houve soldado?

Ducarmo falou ao major:

- O senhor que saber de quem é a culpa ou de quem foi o erro?

O major respondeu:

- Os dois!

- O erro foi de Manuel Neto e Arlindo Rocha que são tão valentes que não viram que era uma armadilha, mas a culpa foi do tenente Higino não segurou os dois. (“A maior Batalha de Lampião – Serra Grande e a invasão de Calumbi”, Lourinaldo Teles Pereira Lima, pg. 149)

O grande guerreiro ainda continua mostrando sua valentia descomunal, junto a uma loucura m igual por vários anos, até que em princípios da década de 1930 é reformado.

“Combater de peito aberto” é, sem dúvida alguma, uma prova de coragem. No entanto, sendo um comandante de tropas mostra a falta de capacidade intelectual quanto aos movimentos empregados numa ‘guerra de movimentos’, em uma guerrilha, e isso levou o bravo nazareno a sofrer inúmeros ferimentos, ser baleado várias vezes, e, infelizmente, até induzir algum dentre seus comandados a ser ferido ou mesmo abatido no desenrolar dos confrontos.

Fonte:

Obras literárias citadas e blog referido

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O Canto do Acauã – Marilourdes Ferraz

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A SANTA E O CANGACEIRO.

 João Filho de Paula Pessoa

Santa Irmã Dulce, é a primeira santa brasileira, nascida em 1914 em Salvador/Ba, dedicou sua vida a assistência social, aos podres, aos necessitados e aos desprotegidos da sociedade, era conhecida como o “Anjo bom da Bahia”, faleceu em 1992 aos 77 anos de idade depois de uma vida inteira de bondades. Dos céus curou uma mulher em 2001, que padecia há 18 horas de uma hemorragia após dar a luz, cessando milagrosamente seu sangramento, em 2014 curou a cegueira de um músico na Bahia após 14 anos de escuridão, dentre inúmeros outros milagres pelo Nordeste e Brasil a fora, tendo estes dois milagres reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica que a canonizou em 2019 través do Papa Francisco, tornando-a a Santa Irmã Dulce dos Pobres. Em 1939, dentre suas muitas ações e obras de caridade, passou a visitar presídios para levar conforto espiritual, remédios, alimentos e a palavra de Deus aos detentos. Dentre seus muitos dons, ela tocava sanfona e usava o lúdico para evangelizar e confortar os corações através da música. No Presídio Engenho da Conceição/Ba que visitava, tocava sanfona para os presos e um detento em especial se aproximou dela, atraído pela música, tratava-se de Antônio dos Santos, o Volta Seca, cangaceiro de Lampião, que lá cumpria uma pena de mais cem anos de prisão, pelos crimes que cometera. Tendo o gosto musical em comum e o conforto espiritual que santa freira ofertava, Volta Seca e Irmã Dulce, no antagonismo de suas personalidades, conviveram por alguns anos, nas visitas da Santa Freira ao presídio, tendo ela, dentro de suas limitações intercedido por ele até sua soltura em 1952, por um indulto do Presidente Getúlio Vargas. Irmão Dulce foi proibida de visitar o presídio em 1954, por razões até então incompreensíveis e não claras. Certa Vez, em entrevista concedida ao Diário da Noite do Rio de Janeiro na cadeia, Volta Seca declarou: “Há uma figura nobre que tem olhado esse meu caso. É a Irmã Dulce, freira do Círculo dos Operários. É a santa criatura que constantemente intercede por nós aqui na penitenciária. Prometem a ela, mas nada cumprem. O senhor vê que nem a figura dos santos consegue ajeitar a boa vontade dos homens”. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce., 04/01/2021.

Assista ao filme deste Conto - https://youtu.be/Yp4_GlHVP44

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FAZENDA PATOS, PIRANHAS ALAGOAS, LOCAL DA CHACINA DA FAMÍLIA DO VAQUEIRO DOMINGOS VENTURA. MORTOS POR CORISCO, DIA 02 /08/1938

 


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"

 


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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A CAPELINHA DE SÃO CLEMENTE E AS COVAS DE TORQUATO DA PIA NOVA E FIRMINO

Por Manoel Belarmino

No tempo do Cangaço, duas tragédias de doer no fundo da alma dos sertanejos de Poço Redondo marcaram aquela região, onde hoje é o distrito de Santa Rosa do Ermírio. Uma foi a "Chacina do Couro" ou "A Chacina da Fazenda Pelada", em 13 de junho de 1932, onde foram mortos pelos cangaceiros 7 pessoas inocentes, e a outra foi a "Tragédia da Pia Nova", onde, no entardecer do dia 02 de maio de 1937, foram mortos pelos cangaceiros dos subgrupos de Zé Sereno e Mané Moreno dois homens inocentes, Torquato da Pia Nova e seu genro Firmino. Torquato e Firmino eram dois homens de bem, respeitados, trabalhadores e queridos por todos das redondezas daquelas terras sertanejas do sertão de Poço Redondo.

A morte do cangaceiro Zepelim, naqueles últimos dias do abril de 1937, na Fazenda Araras, deixou os cangaceiros umas feras. Os cangaceiros sabiam que houve traição de algum coiteiro. Queriam descobrir qual o coiteiro que havia fraquejado e traído os cangaceiros de Zé Sereno, indo à Serra Negra dizer o lugar do coito. E o traidor foi o coiteiro Chico Geraldo que pessoalmente havia ido a Serra Negra avisar o local do coito a Zé Rufino.

Os cangaceiros, depois daquela morte do Zepelim pelos volantes das "forças" de Zé Rufino, inconformados, vão "virados na gota serena" saber do coiteiro Chico Geraldo da Fazenda Salgadinho se foi ele que fez aquela traição ou se ele sabia quem o fez. Aí Chico Geraldo mente. Diz que quem foi à Serra Negra entregar o coito dos cangaceiros havia sido Torquato e seu genro Firmino. Foi a gota d'água no oceano da sede de vingança dos cangaceiros.

Zé Sereno e Mané Moreno estão babando de raiva. Áurea estava que parecia soprar fogo pelas ventas de raiva pois já tinha notícias que uns soldados da volante de nomes Badu (aquele mesmo Badu que, tempos depois, Áurea vai sangrá-lo com uma punhalada na Fazenda Travessado) e João Doutor tinham dado uma pisa, uma surra, no seu pai Tonho Nicácio na Fazenda Santo Antônio, antes do combate da Fazenda Araras. Os dois subgrupos de cangaceiros, liderados por Mané Moreno e Zé Sereno, com 34 cangaceiros homens e mais 4 mulheres, Adília, Dinda, Sila e a valente Áurea Soares, vão até a Fazenda de Torquato. Cegos de raiva, os cangaceiros conversam pouco, prendem Torquato e seu genro Firmino e matam os dois ali mesmo no telheiro da casa da Fazenda Pia Nova. Dois corpos de dois homens inocentes ficam ali estendido no chão, inertes, mortos. Uma tragédia na família dos Torquarto da Pia Nova. As mulheres e as crianças vêem enlouquecidas aquela cena de monstruosidade.

Um velório acontece ali, recheado de dor e medo. A notícia da tragédia se espalha. Os amigos e parentes de Torquato e Firmino decidem sepultar os dois corpos, ali, na frente da Capelinha de São Clemente, no entardecer do dia 03 de maio de 1937.

As duas covas dos inocentes sertanejos, Torquato e Firmino, estão ali ladeadas, marcadas por um pé de mandacaru e outras árvores da caatinga, na frente da Capelinha, na antiga Fazenda São Clemente, onde hoje é o Território Quilombola da Serra da Guia, Poço Redondo.

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A MORTE DE LAMPIÃO

Segundo o relato do policial Antonio Honorato da Silva, o cangaceiro estava acabando de acordar quando foi morto por ele. Lampião tinha ao lado a sua mulher, Maria Bonita, que também não foi poupada, mesmo após se render. O casal e mais nove integrantes do bando foram mortos naquela tocaia.

- Vi Lampeão erguer-se, tinha no rosto um pavor enorme. Levei o fuzil ao rosto e mirei bem. A mulher estendeu os braços, pedindo clemência. Nesse instante, fiz fogo. Ele baqueou e eu acompanhei a queda com outros dois tiros. Estou satisfeitíssimo e sou o homem mais feliz do mundo - descreveu Antonio Honorato da Silva, em depoimento enviado por telégrafo.

Fonte: O GLOBO

https://blogs.oglobo.globo.com/.../ele-tinha-no-rosto-um...

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RESPONSÁVEIS PELA MORTE DO CANGACEIRO JOSÉ ALEIXO RIBEIRO DA SILVA. VULGO ZÉ BAIANO.

Acabou-se o homi du Sergipe!!! Essa foi a última palavra do cangaceiro e agiota do Sertão Sergipano... Matou-me Ontonho!!! Foi sua ùltima palavra ao seu aliado e carrasco, Francisco Pereira da Conceição, o Antônio de Chiquinho, acompanhado de seus compassas, Pedro Sebastião de Olivera, o Pedro Guedes, Antônio de Souza Passos, o Antônio de Julia, José de Sousa Filho, o Biridin, José Francisco Pereira, o Dedé e Pedro Francisco de Sousa, o Pedro de Nica. 

Foram esses 6 homens que assassinaram a traição o minúscùlo bando do cangaceiro Zé Baiano. O quarteto era formado por ele (JB) Demundado, Chico Peste e o desconhecido aspirante a cangaceiro Arcelino. Essa armadilha se deu no dia 7 de junho de 1936, no povoado Alagadiço no município de Frei Paulo no Estado de Sergipe.

Fonte: Livro Zé Baiano autor: R. Santos Itabaiana SE.

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O CANGACEIRO PAU FERRO: O CORPO ENTERRADO NAS QUIRIBAS E A CABEÇA, NA PRAÇA DA IGREJA

Por Manoel Belarmino

Um grupo de cangaceiros, liderado por Curisco e Zé Sereno, estava acoitado nas terras da fazenda Quiribas, nas margens do Riacho Novo, próximo ao então povoado Poço Redondo, naquele ano de 1937. E foram ali avistados pelo soldado Miguel Feitosa que passava por ali, em uma de suas idas para a Fazenda Badia. Numa carreira só, o soldado fez meia volta e foi avisar ao comandante do destacamento, sargento Ernane, no quartel em Poço Redondo.

O comandante imediatamente mandou oito soldados atacarem o coito dos cangaceiros. Vendo que havia muitos cangaceiros ali, mais de quinze, ainda à distância, dois soldados disparam contra os cangaceiros. Um tiro acertou o cangaceiro Pau Ferro que foi a óbito no local. Os soldados deram dois tiros e uma carreira, pois os cangaceiros reagiram rapidamente botando os soldados do comandante Ernane pra correr. Os cangaceiros não conseguiram alcançá-los.

Antes de deixarem o coito das Quiribas, os cangaceiros enterraram, ali mesmo embaixo de uma quixabeira, o corpo do cangaceiro Pau Ferro.

Depois que os cangaceiros deixaram o coito das Quiribas, os soldados encontraram a cova de Pau Ferro. Desenterraram-no e obrigaram um rapaz de Poço Redondo, chamado Tonho Bioto, a cortar a cabeça do cangaceiro. O próprio Tonho Bioto colocou a cabeça de Pau Ferro, já em deformação, em uma lata de querosene e levou-a para o quartel em Poço Redondo.

O resto do corpo de Pau Ferro permaneceu enterrado ali na Fazenda Quiribas e a sua cabeça, no dia seguinte, foi enterrada pelos soldados nas proximidades do quartel, onde era o casarão de China, na Praça da Igreja, hoje Praça da Matriz, no centro de Poço Redondo.

Depois da morte de Pau Ferro, os cangaceiros prometeram invadir Poço Redondo e destruir o quartel. A população do Poço e os soldados tremiam de medo. O medo era tão grande que numa certa noite um barulho do trotar dos burros de Julião Nascimento na Praça da Igreja fez os soldados e toda a população correrem da cidade e se esconderem no mato.

Ainda como vingança à morte de Pau Ferro, o grupo de Corisco e Dadá matou os soldados Cici e Antônio Vicente numa emboscada na estrada do Curralinho.

Assim se deu mais um pedaço da história do cangaço em Poço Redondo. Poucos sabem que nas Quiribas, numa das margens do Riacho Novo, está enterrado o corpo do cangaceiro Pau Ferro e a sua cabeça, no centro da cidade, nas proximidades de onde era o quartel, na atual Praça da Matriz.

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas tocando instrumentos musicais e atividades ao ar livre

2 Você e Pedro Rodrigues.

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FACA E PUNHAL QUE FORAM DO CANGACEIRO FÉLIX CABOJE.

 

https://www.youtube.com/watch?v=CKgCFRbb074&feature=share&fbclid=IwAR1J3an0PAZ8zyIw2LPpdkMmXYbYoVGujl1MfJQkX0hw_Dt6JtsyG-4zS-M&ab_channel=Canga

Faca e Punhal que pertenceram ao famoso cangaceiro FELIX CABOGE..!

Observação:

Segundo a história oral, FELIX, por ter o pé muito grande, apagava os rastros dos outros. Confira..!

Fonte: cangaçologia/youtube

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O CARISMA DESPRECONCEITUOSO DE LAMPIÃO.

Por João Filho de Paula Pessoa

Embora Lampião refletisse o estereótipo da masculinidade sertaneja, do cabra macho e valente, da virilidade e força bruta, do chefe implacável e sanguinário, em sua liderança manteve uma conduta respeitosa e igualitária a todos seus comandados, sem distinção ou descriminação, manteve a mesma qualidade de tratamento a todos, do bruto e rústico ao medroso e afeminado. Lampião não menosprezava ou humilhava nenhum de seus cabras por qualquer característica pessoal, acolheu brancos, negros, caboclos e índios, homens e mulheres, tratou todos com respeito e consideração, não havendo registros ou relatos de preconceitos por ele emanados aos que lhe seguiam. Sob seu comando passaram valentes e destemidos, como Meia Noite, Labareda e Corisco, bem como, medrosos e molengas como Mané Moreno e Veado Branco e até afeminados como Baliza e Bem te Vi, a todos era respeitoso indistintamente, não desprendia tratamentos diferenciado a nenhum, pelo contrário aceitava-os e os adaptava aos seus dons, a estes últimos, por exemplo, destinou tarefas de cozinhar e tratar alimentos, tolerou suas ausências em combates, inibiu censuras no grupo alcovitando parceiras a estes, dentre outros esforços para melhor adaptá-los. Por estas e outras, Lampião exerceu uma respeitável liderança, carismática e despreconceituosa, foi seguido, respeitado, obedecido e admirado por seus cabras por todo seu reinado. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 30/12/2020.

Assista ao filme deste Conto - https://youtu.be/1zWJSahd5BI

 https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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O NOVO HERÓI NORDESTINO

 Clerisvaldo B. Chagas, 4 de janeiro de 2021.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.443

 Iguaracy é um município pernambucano da região de Pajeú. Com pouco mais de 12.000 habitantes, está famoso no Brasil inteiro, graças ao seu filho mais ilustre o boi Salgadinho. Pertencente ao Sr. José Carlos dos Correios, Salgadinho foi criado só nas grotas da caatinga da fazenda de José Carlos e hoje é considerado o novo herói do Nordeste. Já está na sua 41 carreira na pega-de-boi-no-mato ou vaquejada autêntica, desafiando vaqueiros e seus cavalos bom de gado. Mais de três mil pessoas se aglomeram na fazenda do seu dono para assistir a corrida do boi Salgadinho com os vaqueiros mais famigerados de todos os estados nordestinos. Vaqueiros do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia e do próprio Pernambuco, são enganados pelo boi Salgadinho.

As apostas vão aumentando e o novo desafio está na casa dos 50.000 para a próxima corrida com vaqueiros sergipanos mais uma vez. Milhares de pessoas se concentram em torno do curral de onde parte o boi para o mato e os vaqueiros aguardam a distância correta para a perseguição ao animal. Gritos, assovios e xingamentos tomam conta da multidão quando o boi dispara do curral e ganha o mato. Os vaqueiros embalam atrás do boi, pega aqui, pega acolá, mas Salgadinho, o Pelé das vaquejadas, dribla formidavelmente os homens encourados até que chegam as notícias: “o boi foi embora!”. Metade dos presentes torce pelo boi, metade pelos vaqueiros. Afora a aposta principal, muitas outras populares são realizadas entre os torcedores, antes de iniciar a corrida. Todos os vaqueiros mais afamados do Nordeste, estado por estado, vão sendo conhecidos e identificados pela multidão. O YouTube não fala sobre outra coisa, estamos aguardando a 42 carreira do boi Salgadinho contra os sergipanos.

Projeto de um vereador da cidade, pretende erguer uma estátua ao boi mais famoso do Brasil, em praça pública na cidade de Iguaracy. Foi ele, o Salgadinho que mostrou até para o estrangeiro que Iguaracy existe no mapa do País. Ao lado desses cenários de corridas, os vaqueiros de maior destaque em seus respectivos estados, tornam-se ainda mais conhecidos e as lendas correm mundo: Gil e Pedro Cachimbeiro, Zé Fernando, Jório de Ioyô, Pavão, Cueca, Buji, Adjaelson e outros mais. Por enquanto estamos aguardando a 42 corrida, a dos 50.000 reais e a merecida estátua ao ruminante Salgadinho.

Façam suas apostas que eu mesmo aposto no boi que deveria estar aposentado por merecimento e bravura.  

(FOTO DIVULGAÇÃO/YOU TUBE).



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A PERVERSIDADE DO CANGACEIRO GATO E A CABEÇA DO DOIDINHO DECEPADA NO BATENTE.

Por Rangel Alves da Costa

O batente era outro, pois de madeira, mas o local continua com a mesma feição daqueles terríveis idos de 1932. Ao passar dos anos, aquela terrível marca logo à entrada da casa principal da Fazenda São Clemente (então propriedade do afamado João Maria de Carvalho da Serra Negra, e hoje reconhecida como terra quilombola e parte do Quilombo Serra da Guia, em Poço Redondo, sertão sergipano), continua dolorosa demais na memória sertaneja, pois ali o testemunho sangrento de um dos episódios mais covardes e cruéis da história do cangaceiro, e tendo como vil e principal protagonista o cangaceiro Gato. 

Cangaceiro Gato

O batente de madeira foi trocado por um mais baixo de cimento, de cimento, mas a barbaridade cangaceira não pôde ser removida. Assim aconteceu. Depois de se afastar das terras baianas e adentrar em Sergipe, Lampião e seu bando desmontam dos animais e o chefe manda que as selas e os arreios sejam escondidos para despistar de possível incursão de volantes na região. Enterrados debaixo de folhagens tais apetrechos sertanejos, eis que um rapazinho chamado Temístocles, morador das redondezas (na Fazenda Couro, do outro lado do riacho que divide Sergipe e Bahia), conhecedor de cada passo e de cada segredo daquela mataria, estranhou quando avistou aquela suspeita arrumação de folhagens entremeadas de terra. O passo seguinte foi querer saber o que ali estava enterrado, e então encontrou os pertences cangaceiros. Não só encontrou como foi logo dar conhecimento a seu genitor do ocorrido. Seu pai, sem saber o que fazer, procurou ajuda perante a vizinhança, até que um último aconselhamento prevaleceu: o rapaz deveria desenterrar os objetos e imediatamente levá-los até a presença do delegado de Serra Negra, na Bahia. Entretanto, Totonho, um daqueles que haviam dito que o melhor a ser feito seria levar os objetos até a delegacia, depois acabou contanto tudo a Lampião. Quando o Capitão, já furioso, campeia a região em busca de informações sobre o paradeiro dos apetrechos, então fica sabendo que Temístocles e outro amigo os desenterraram e foram entregar ao delegado João Batista de Carvalho, que, aliás, era irmão do Coronel João Maria de Carvalho e do Comandante de Volante Liberato de Carvalho. Foi quando Lampião virou na gota serena, no raio da silibrina. Enfurecido, soltando fogo pelas ventas, no instante seguinte já estava ordenando o início de uma das maiores chacinas de inocentes da história sertaneja. O cangaceiro Gato foi o escolhido para comandar a sangria. Seus companheiros de atrocidades foram Azulão, Medalha, Cajueiro e Suspeita. Com as ordens recebidas, foram cortando vereda e dizimando vidas. Passam na Fazenda Monte Azul e torturam uma família inteira, levando seu proprietário como prisioneiro amarrado a um animal. Chegam à Fazenda Santo Antônio e, como não encontram moradores, então matam animais e destroem o que podem. Despontam na Fazenda Lagoa do Capim, recolhem dinheiro e levam também prisioneiros o dono da propriedade e seu filho. Adiante, decidem matar o primeiro prisioneiro que, exaurido pelo sofrimento, já implorava para ser logo morto. No mesmo instante matam também o menino a tiro. Os algozes seguem caminho levando prisioneiro o pai do garoto assassinado e chegam na Fazenda Pelada, já levando mais um prisioneiro: Zé Bonitinho, um demente encontrado na estrada. Na Pelada, todos da família são logo feitos prisioneiros. Clemente, o patriarca, foi o primeiro a ser morto. Em seguida, seu filho Doroteu é varado de balas. Aos dois mortos, juntou-se também Alfredo, o pai do garoto assasinado. Mas a sede de sangue de Gato e seus bestiais companheiros continua. Saem da Pelada em direção à Fazenda São Clemente. Com eles levam Zé Bonitinho e um filho do assassinado Clemente. Não encontram ninguém na sede da fazenda, pois todos haviam fugido. Desapontado e querendo mais sangue, então Gato decide que a hora do doidinho Zé Bonitinho havia chegado. Manda o demente deitar e colocar a cabeça no batente na porta e avança com o facão. Golpe certeiro, sangue espargindo por todo lugar. E, por último, o filho de Clemente recebeu sua sentença de morte. João de Clemente foi a sétima vítima daquele percurso onde a sanha cangaceiro mostrou o seu lado mais perverso e cruel. Nas foto abaixo, o local onde havia o batente de morte de Zé Bonitinho.

Obs:

- Foto de Rangel ( o próprio autor )

- Foto do cangaceiro Gato ( Abafilm/Família Ferreira)

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MEMÓRIA DE UM SONHO DE DELICADEZA. CENA DE "LUZES DA CIDADE" COLORIZADA POR MIM.

 Por Rubens Antonio


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domingo, 3 de janeiro de 2021

FAZENDA GUARDA MARCAS DA PASSAGEM DO BANDO DE LAMPIÃO PELO INTERIOR DO RN

Por Hugo Andrade, Inter TV Costa Branca

Fazenda guarda marcas da passagem do bando de Lampião pelo RN, em Marcelino Vieira — Foto: Hugo Andrade/Inter TV Costa Branca.

Passagem aconteceu em junho de 1927 e o bando percorreu 13 cidades potiguares. Fazenda fica no município de Marcelino Vieira.

A Fazenda Califórnia, no Sítio Lajes, zona rural do município de Marcelino Vieira, é uma daquelas propriedades onde a terra não para de ser produtiva. São cerca de 15 hectares que recebem diversos cultivos ao longo do ano. Agora, é tempo de esperar o ponto certo para colher o feijão verde. A área onde o grão foi plantado já recebeu a batata-doce, meses atrás. Em outra parte, os maracujás estão crescendo e sementes de melancias serão plantadas para fazer um cultivo em consórcio e aproveitar ainda mais a área.

A fartura da produção se deve a boa oferta de água. A fazenda é privilegiada com três cacimbões. Em mais de trinta anos que foram construídos, os reservatórios nunca secaram. Mas não é só pela produtividade que a Fazenda Califórnia é conhecida. Existe outra história que chama atenção: a passagem do bando de Lampião no Rio Grande do Norte, em junho de 1927.

É um capítulo da história conhecido por poucos. Naquele ano, antes de chegar em Mossoró, o bando de Lampião percorreu 13 cidades do estado, na região oeste. A casa grande da Fazenda Califórnia guarda um pedaço dessa passagem.

Enquanto passavam por Marcelino Vieira, na época chamada de Vila Vitória, os cangaceiros foram até a Fazenda Califórnia. As marcas da passagem do bando estão presentes até hoje nas três portas de madeiras que dão acesso ao interior da casa. Até hoje é possível ver o desgaste da madeira provocado pelos canos das armas dos cangaceiros. 

Iramar Oliveira, atual administrador da fazenda — Foto: Hugo Andrade/Inter TV Costa Branca

Segundo Iramar Oliveira, atual administrador da fazenda que foi herdada da família, a visita indesejada do bando de Lampião foi motivada por uma vingança. “A história que a gente conhece é que um homem estava levando seus animais para a cidade de Luiz Gomes e teria parado aqui na fazenda para descansar. A dona da casa, a senhora Liberalina, negou abrigo. Dias depois, o homem voltou com o bando de lampião para se vingar”, conta Iramar. Essa história é passada de geração em geração.

Por causa desse fato, a casa se tornou um espaço de visitação de curiosos e pesquisadores. A construção também é uma atração a parte. A casa tem mais de 150 anos e guarda aspectos da arquitetura bastante usados em casas daquela época. Paredes grossas, teto alto e até parte de um sótão de madeira, preservado até os dias de hoje.

“Muita gente vem aqui. De vez em quando, chega estudante, professor, todo mundo querendo saber como foi a passagem de Lampião”, fala dona Maria Rita, responsável pelos cuidados da casa. “Eu acho muito bom receber o pessoal. Tem gente que só acredita quando vê a marca das armas nas portas”, diz a dona de casa que já recebeu até parentes de Lampião na residência.

Dona Maria Rita, responsável pelos cuidados da casa da fazenda Califórnia — Foto: Hugo Andrade/Inter TV Costa Branca.

https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2021/01/03/fazenda-guarda-marcas-da-passagem-do-bando-de-lampiao-pelo-interior-do-rn.ghtml?fbclid=IwAR3sXbS4sX42DizJXMCAUGRExSdEMznvC48tVJaHSgsMqnd_iOLHjIux_Bw

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O RACISMO EXPLICITO EM UMA CANÇÃO DE 1940!

Por Guilherme Machado Historiador

Esta música é da década de 40 de David Nasser e Rubens Soares... Os autores. Branco ricos e bem sucedidos o David Nasser um dos criadores dos diàrios associados do corrupto mais amado do Brasil! Assis Chateaubriand. O outro compositor foi Rubens Soares Pugilista e musico arranjador. Hoje essa musica peconceituosa não seria gravada nem tão pouco tocada.


Nêga do cabelo duro

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

(Ô Nêga!)

Nêga do cabelo duro

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

Ondulado, permanente

Teu cabelo é de sereia

E a pergunta sai da gente

Qual é o pente que te penteia, ô nêga?

Nega do cabelo duro

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

(Ô Nêga!)

Nêga do cabelo duro

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

Qual é o pente que te penteia?

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CANGAÇO NA BAHIA

 Por Rubens Antonio

Nesta segunda-feira, deverão estar, finalmente, entrando em gráfica, os dois volumes de "Cangaço na Bahia". Esta primeira fornada serão somente 100 exemplares de cada volume.

volume Canção Agalopada - 1824 a 1929

volume Cavalos do Cão - 1930 a 1969-

Quem tiver interesse deverá contactar Bruna Mota Pamponet

brunamotagestao@gmail.com

https://www.facebook.com/rubensantoniodasilvafilho/posts/5114301818610071?comment_id=5125559560817630&notif_id=1609462194799313&notif_t=mentions_comment&ref=notif

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CORISCO ERA PRIMO DE DADÁ / SOBRE ZÉ BAIANO FERRAR MULHERES

 Por Histórias do Nordeste

https://www.youtube.com/watch?v=edeNNShBZLk&ab_channel=Hist%C3%B3riasDoNordeste

Olá Pessoal !!!! Este é o primeiro vídeo do ano. Esperamos que gostem. Curtam e inscrevam-se para nos ajudar a crescer. #FelizAnoNovo Ah, quase ia esquecendo... Em breve teremos um site. Agüardem!!!

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Sobre Dadá ter sido raptada pelo o cangaceiro Corisco eu mesmo não tendo muito conhecimento sobre o assunto, mas não acredito. No meu entender, ela foi com Corisco porque quis. 

Este senhor dizer que ela era prima de Corisco acho difícil, porque, outro dia eu perguntei a sua neta Indaiá Santos, e ela me disse que eles não eram primos. Sendo assim, dos dois,eu não sei quem está falando a verdade, mas eu acredito mais nas palavras da neta do casal. Quem sabe sobre a sua origem são os que compõem a família.

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POR RUBENS ANTONIO

"Usaram as águas do rio que nem arma do Medonho... pra destruir a morada... a terra santa... do Beato Santo Antônio." - "Ladainha de Canudos" - Gereba - retificação e colorização minhas sobre foto de Flavio de Barros.

https://www.facebook.com/oleonecoelhofontes.fontes

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VEM AÍ, COM O "CANGAÇO NA BAHIA", A VOLANTE MANOEL CAMPOS DE MENEZES, OS "CARCARÁS DE CHORROCHÓ". .

Por Rubens Antonio

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"Agora o bicho vai pegar!!!!!!!!!!!!!!!!

Tô chegando de bicho, tô chegando e é de bicho

Pode parar com essa história de se fazer de difícil

Que eu tô chegando, tô chegando e é de bicho

Pode parar com essa marra, pode parando tudo isso

Num dá bobeira não

Cê tá na minha mão, segunda feira é só história pra

Contar

Não vem cum idéia não

Não quero confusão

Mas vamo junto que hoje o bicho vai pegar

Chegou a tropa de elite, osso duro de roer

Pega um pega geral, e também vai pegar você

Tropa de elite, osso duro de roer

Pega um pega geral, e também vai pegar você"

Tihuana - "Tropa de Elite"

https://www.facebook.com/rubensantoniodasilvafilho/posts/5125503850823201?notif_id=1609693311131038&notif_t=close_friend_activity&ref=notif

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A MORTE DE LAMPIÃO

 Acervo do José João Souza

Segundo o relato do policial Antonio Honorato da Silva, o cangaceiro estava acabando de acordar quando foi morto por ele. Lampião tinha ao lado a sua mulher, Maria Bonita, que também não foi poupada, mesmo após se render. O casal e mais nove integrantes do bando foram mortos naquela tocaia.

- Vi Lampeão erguer-se, tinha no rosto um pavor enorme. Levei o fuzil ao rosto e mirei bem. A mulher estendeu os braços, pedindo clemência. Nesse instante, fiz fogo. Ele baqueou e eu acompanhei a queda com outros dois tiros. Estou satisfeitíssimo e sou o homem mais feliz do mundo - descreveu Antonio Honorato da Silva, em depoimento enviado por telégrafo.

Fonte: O GLOBO

https://blogs.oglobo.globo.com/.../ele-tinha-no-rosto-um...

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ZÉ BAIANO TINHA BONS MODOS DE SE COMPORTAR DIANTE DAS PESSOAS

 Por José Mendes Pereira

O escritor e pesquisador do cangaço José Bezerra Lima Irmão fala com clareza sobre o cangaceiro Zé Baiano. Vamos apreciar as palavras do escritor sobre o marginal?

"Entrevistei velhos coiteiros, e todos afirmam que Zé Baiano era um caboclo alto e forte, de rosto comprido cor de bronze, sobrancelhas escassas, maçãs do rosto salientes, nariz afilado, boca média, de lábios finos e bem ajustados, queixo fino, olhos vivos, penetrantes, cabelo liso, de índio. Apesar de ser um sujeito de poucas palavras, em situações normais falava de forma branda e cortês. Era um tipo simpático. 

Nas festas, comportava-se de forma comedida. Nunca dançava. Limitava-se a cantar, sentado, batendo palmas, o rifle atravessado no colo. Tinha uma voz grave, afinada, maravilhosa. Gostava de modinhas românticas. Metia-se a fazer trovas de improviso e tinha certo traquejo no fole de oito baixos. Ao contrário dos demais cangaceiros, ele não bebia, não fumava e não jogava baralho. 

Almoçava à mesa com os grandes fazendeiros da região de Alagadiço, Gameleiro e Pinhão, todos seus amigos – Laurindo Gomes, Pedro Gato, Zeca Ferreira, Etelvino Mendonça, Joãozinho de Donana Rego e seu irmão Costinha, Napoleão Emídio, Josias Tabaréu, José Melquíades e os irmãos Marcionílio e Gersílio do Gameleiro.

Zé Baiano era um rapaz comunicativo, mas não falador. Estava sempre tranquilo, alegre. Usava óculos de grau. Foi um dos cabras mais fiéis a seu chefe, obediente ao código do cangaço, tanto assim que quando os parentes romperam com Lampião Zé Baiano ficou com ele". (...).

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