Seguidores

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O FAMOSO DEBATE ENTRE O ESCRITOR JAMES BALDWIN E O INTELECTUAL WILLIAM F. BUCKLEY NA UNIVERSIDADE CAMBRIDGE

 Em breve completará 60 anos do dia que dois grandes intelectuais norte-americanos se enfrentaram em um debate histórico, sobre a tensa situação das divisões raciais dos Estados Unidos. Passadas tantas décadas, o evento não perdeu sua relevância e a fala do escritor negro James Baldwin continua marcante.

Fonte – Baseado no texto de Gabrielle Bello, em The American – Fonte – https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2019/12/james-baldwin-william-f-buckley-debate/602695/

Existe na Inglaterra uma sociedade de debate e liberdade de expressão chamada Cambridge Union Society, também conhecida como Cambridge Union, sendo essa a maior sociedade de alunos da Universidade de Cambridge, Inglaterra.

Brasão da Cambridge Union – Fonte – Wikipédia

Fundada em 1815, a Cambridge Union é a mais antiga sociedade de debates em funcionamento contínuo no mundo. É legalmente uma instituição de caridade autofinanciada, que possui e tem controle total sobre sua propriedade privada e edifícios no centro da cidade de Cambridge. Essa sociedade igualmente arrecada fundos para despesas de eventos e manutenção de seus edifícios por meio de taxas de associação e patrocínio, além de gozar de fortes relações com a famosa universidade, uma instituição acadêmica cuja fundação remonta ao ano de 1209.

Depois de mais de 200 anos, a Cambridge Union é mais conhecida por seus debates, que recebem atenção da mídia nacional e internacional. Em 18 de fevereiro de 1965, no seu principal auditório, completamente lotado na ocasião, houve um desses debates. E o que ali foi dito reverbera até hoje!

James Baldwin (esquerda) e William F. Buckley (direita) – Fonte – Dave Pickoff / AP / Bettmann / Getty / The Atlantic – Via – https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2019/12/james-baldwin-william-f-buckley-debate/602695/

Choque de Titãs

“O sonho americano está às custas do negro americano”, declarou James Arthur Baldwin (Nova Iorque, 2 de agosto de 1924 — Saint-Paul de Vence, 1 de dezembro de 1987)[1] em seu debate com William Frank Buckley Junior (Nova Iorque, 24 de novembro de 1925 – Stamford, 27 de fevereiro de 2008)[2]. Baldwin estava ecoando a moção do debate – que o sonho americano estava às custas dos negros americanos, com Baldwin a favor, Buckley contra.

A ênfase na palavra de Baldwin deixa seu ponto de vista claro. “Eu colhi o algodão e o levei para o mercado, e construí as ferrovias sob o chicote de outra pessoa para nada”, disse ele, sua voz subindo com a cadência do púlpito. “Por nada.” O auditório lotado ficou em silêncio. 

Prédio da Cambridge Union – Fonte – Wikipédia.

Aqui estava um choque de titãs diametralmente opostos: em um canto estava Baldwin, baixo, esguio, quase andrógino com seu rosto ainda jovem, a voz carregando as inflexões levemente cosmopolitas que ele tinha há anos. Ele era o radical do debate, um escritor estimado sem medo de condenar vulcanicamente a supremacia branca e o racismo antinegro de norte-americanos conservadores e liberais. No outro canto estava Buckley, alto, de pele clara, cabelo bem penteado e mandíbula rígida, suas palavras esculpidas com seu sotaque transatlântico característico, quase britânico. 

Se Baldwin – o virtuoso verbal que escreveu retratos comoventes da América negra e sobre a vida como um expatriado na Europa – defendeu a necessidade de mudança dos Estados Unidos, Buckley se posicionou como o moderado razoável que resistiu às transformações sociais que os líderes dos direitos civis pediam. principalmente o fim da segregação racial. Alguns dos alunos na plateia o conheciam como nada menos que o pai do conservadorismo americano moderno.

Um recente debate na Cambridge Union, com a presença do ator inglês Stephen Fry. Nesse mesmo local debateram Baldwin e Buckley em 1965 – Fonte – Wikipédia.

O apoio de Buckley ao direito do Sul à segregação e as condenações de Baldwin à América branca ocorreram contra o pano de fundo onde os Estados Unidos se encontrava profundamente dividido em 1965, tal como em 2022.

Mundos Diferentes

Uma pedra fundamental para o entendimento desse debate está nas diferenças marcantes em como Baldwin e Buckley foram criados. 

Enquanto Baldwin cresceu pobre no bairro do Harlem, Nova York, com predominância de residentes negros e pobres, Buckley foi cercado por privilégios. Sua mãe, Alöise Steiner Buckley, encheu sua casa com criados e tutores para seus dez filhos. Ela era profundamente católica, a semente das rígidas visões religiosas maniqueístas que seu filho adotaria. Ao longo de sua vida, Buckley se tornaria conhecido pela estrita divisão de “bem” e “mal” em sua visão de mundo, segundo a qual o catolicismo e o capitalismo eram bons, e o ateísmo e o socialismo exemplificavam o mal.

Também ficou claro para a descendência de Alöise o que ela pensava sobre quem deveria servir a quem na sociedade americana. Ela era “racista”, segundo lembrou o irmão de Buckley, o escritor e educador Fergus Reid Buckley, porque “assumia que os brancos eram intelectualmente superiores aos negros”. Mas ele acrescentou que “ela realmente amava os negros e se sentia seguramente confortável com eles desde a suposição de sua superioridade em intelecto, caráter e posição.”

Essa dinâmica peculiar e paternalista pressagiava a própria ideologia de William, em que mãe e filho acreditavam em manter as barreiras entre negros e brancos americanos como parte da cultura sulista. Quando adulto, Buckley costumava escrever que a segregação era uma necessidade, porque os americanos negros “ainda não” eram avançados o suficiente para serem iguais aos brancos, o que implica, com uma condescendência que ele talvez considerasse edificante, que eles poderiam um dia estar no mesmo nível.

Baldwin no debate de 18 de fevereiro de 1965.

Baldwin, ao contrário de Buckley, sofreu muito antes de alcançar a fama como autor. Ele deixou Nova York em 1948, quase sem um tostão, para a França, depois de decidir que não poderia mais sobreviver ao traumatizante racismo dos Estados Unidos — tanto nos estados do norte quanto do sul. Embora tenha encontrado algum descanso em Paris, ele ainda quase cometeu suicídio lá depois de ser preso pela polícia por suspeita de ter roubado o lençol de um hotel (o que não aconteceu). E ele continuou voltando para a seu país, tanto em seus livros quanto em suas viagens. Baldwin nunca se escondeu; em vez disso se colocou na linha de frente de uma batalha pelos direitos civis por nada menos que a alma dos Estados Unidos.

Pedra de Torque

Se não fosse o debate de 1965, Baldwin poderia nunca ter conhecido Buckley. Na verdade, Baldwin quase teve outro oponente. Antes de a Cambridge Union convidar Buckley, ela havia procurado políticos firmemente segregacionistas, que recusaram. Buckley parecia uma alternativa ideal: um crítico sociopolítico articulado e proeminente que evitava os epítetos racistas dos supremacistas brancos mais vocais do conservadorismo, mas que, no entanto, apoiava a segregação. Buckley viu o debate como uma chance de derrotar um de seus arqui-inimigos ideológicos em um palco público.

William F. Buckley no debate.

Para irritação de Buckley, embora não totalmente para sua surpresa, Baldwin fez uma performance empolgante. 

Baldwin declarou durante o debate que era “um grande choque por volta dos 5, 6 ou 7 anos de idade, descobrir que a bandeira à qual você jurou lealdade, junto com todos os outros, não prometeu lealdade a você.” Baldwin argumentou que os males da escravidão dificilmente haviam sido exorcizados após a abolição, mas que, em vez disso, o país ainda era essencialmente o mesmo para os negros americanos como era durante os dias da escravidão legal. 

Depois que Baldwin encerrou, ele foi aplaudido de pé, em uma rara manifestação da Cambridge Union. Nas imagens desse debate no YouTube, é nítido como James Baldwin fica até mesmo desconcertado diante da plateia.

Apresentação dos debatedores.

Quando chegou a sua vez, Buckley argumentou que Baldwin estava sendo tratado com luvas de pelica, por assim dizer, porque alegava ser uma vítima. “O fato de sua pele ser negra”, ele asseverou, “é totalmente irrelevante para os argumentos que você levanta”. Baldwin, disse ele lentamente e cheio de uma raiva silenciosa, era um inimigo violento do modo de vida sulista que proferiu “flagelações de nossa civilização” e da América como um todo. Forçar o sul americano a abandonar seu modo de vida e aceitar a integração imposta pelo governo, insistiu, seria imoral. 

Em última análise, o público discordou e Baldwin venceu o debate por 540 a 160 votos.

É difícil falar sobre Baldwin ou Buckley sem fazer referência a este encontro; tornou-se uma pedra de toque na vida de ambos os homens.

Segue a transcrição da fala de James Baldwin.

Auditório lotado.

Boa noite,

Encontro-me, não pela primeira vez, na posição de uma espécie de Jeremias. Por exemplo, não discordo do Sr. Burford de que a desigualdade sofrida pela população negra americana dos Estados Unidos atrapalhou o sonho americano. Na verdade, tem. 

Discordo com algumas outras coisas que ele tem a dizer. O outro elemento, mais profundo, de uma certa estranheza que sinto tem a ver com o ponto de vista de alguém. Tenho que colocar dessa maneira – o sentido, o sistema de realidade de alguém. Parece-me que a proposição perante a Câmara, e eu colocaria dessa forma, é o sonho americano às custas do negro americano, ou o sonho americano * é* às custas do negro americano. 

A questão está terrivelmente carregada, e então a resposta de alguém a essa questão – a reação de alguém a essa questão – tem que depender do efeito e, com efeito, de onde você se encontra no mundo, qual é o seu senso de realidade, qual é o seu sistema de realidade é. Isto é, depende de suposições que sustentamos tão profundamente que mal temos consciência delas.

Sejam brancos sul-africanos ou meeiros do Mississippi, ou xerifes do Mississippi, ou um francês expulso da Argélia, todos têm, no fundo, um sistema de realidade que os obriga a, por exemplo, no caso do exílio francês da Argélia, ofender razões francesas para ter governado a Argélia. 

O xerife do Mississippi ou do Alabama, que realmente acredita, quando se depara com um menino ou uma menina negra, que essa mulher, esse homem, essa criança devem ser loucos para atacar o sistema ao qual ele deve toda a sua identidade. Claro, para tal pessoa, a proposição que estamos tentando discutir aqui esta noite não existe. 

E, por outro lado, devo falar como uma das pessoas mais atacadas pelo que agora devemos chamar de sistema de realidade ocidental ou europeu. Que pessoas brancas no mundo, o que chamamos de supremacia branca – odeio dizer isso aqui – vem da Europa. Foi assim que chegou à América. Abaixo, então, qualquer que seja a reação de alguém a esta proposição, tem que ser a questão de se as civilizações podem ou não ser consideradas, como tais, iguais, ou se a civilização de alguém tem o direito de dominar e subjugar, e, de fato, de destruir outra. 

John F. Kennedy e sua esposa Jackie desfilando na Broadway em carro aberto em Nova York. Quando foi Presidente dos Estados Unidos e até a sua morte em 1963, John Kennedy desejava que a pauta dos direitos civis e do direito ao voto livre se tornasse realidade.

Agora, o que acontece quando isso acontece. Deixando de lado todos os fatos físicos que se podem citar. Deixando de lado estupro ou assassinato. Deixando de lado o catálogo sangrento da opressão, com o qual de certa forma já estamos familiarizados, o que isso faz ao subjugado, o mais privado, a coisa mais séria que isso faz ao subjugado, é destruir seu senso de realidade. Isso destrói, por exemplo, a autoridade de seu pai sobre ele. Seu pai não pode mais dizer nada a ele, porque o passado desapareceu, e seu pai não tem poder no mundo. Isso significa, no caso de um negro americano, nascido naquela república resplandecente, e no momento em que você nasce, já que não conhece nada melhor, todo pau e pedra e todo rosto são brancos.

E como você ainda não viu um espelho, supõe que também o é. É um grande choque, por volta dos 5, 6 ou 7 anos de idade, descobrir que a bandeira à qual você jurou fidelidade, junto com todas as outras pessoas, não jurou fidelidade a você. É um grande choque descobrir que Gary Cooper matou os índios, quando você estava torcendo por Gary Cooper, que os índios eram você. É um grande choque descobrir que o país que é o seu lugar de nascimento e ao qual você deve sua vida e sua identidade, não evoluiu, em todo o seu sistema de realidade, nenhum lugar para você. 

O descontentamento, a desmoralização e a distância entre uma pessoa e outra apenas com base na cor de sua pele, começa aí e acelera – acelera ao longo de uma vida inteira – até o presente quando você percebe que tem trinta anos e está passando por maus bocados para confiar em seus conterrâneos. Quando você tem trinta anos, já passou por um certo tipo de moinho. E o efeito mais sério do moinho pelo qual você passou é, de novo, não o catálogo do desastre, os policiais, os motoristas de táxi, os garçons, a senhoria, o senhorio, os bancos, as seguradoras, os milhões de detalhes, vinte e quatro horas por dia, o que significa que você é um ser humano sem valor. Não é isso. 

É nessa época que você começa a ver isso acontecendo, em sua filha ou em seu filho, ou em sua sobrinha ou sobrinho. E o efeito mais sério do moinho pelo qual você passou é, de novo, não o catálogo do desastre, os policiais, os motoristas de táxi, os garçons, a senhoria, o senhorio, os bancos, as seguradoras, os milhões de detalhes, vinte e quatro horas por dia, o que significa que você é um ser humano sem valor. 

Você já tem trinta anos e nada do que fez ajudou a escapar da armadilha. Mas o que é pior do que isso, é que nada do que você fez e, pelo que você pode dizer, nada do que você pode fazer, salvará seu filho ou sua filha de enfrentar o mesmo desastre e não impossivelmente chegar ao mesmo fim. 

Agora, estamos falando sobre despesas. Suponho que haja várias maneiras de nos dirigirmos a alguma tentativa de descobrir o que essa palavra significa aqui. Deixe-me colocar desta forma, que de um ponto de vista muito literal, os portos e os portos e as ferrovias do país – a economia, especialmente dos estados do Sul – não poderiam ser o que se tornou, se tivessem não teve, e ainda não tem, na verdade por muito tempo, por muitas gerações, mão de obra barata. Estou afirmando muito a sério, e isso não é um exagero: * Eu* colhi o algodão, * eu * levei-o para o mercado e * eu * construí as ferrovias sob o chicote de outra pessoa por nada. Por nada.

A oligarquia do Sul, que ainda hoje tem tanto poder em Washington, e, portanto, algum poder no mundo, foi criada pelo meu trabalho e meu suor, e pela violação de minhas mulheres e o assassinato de meus filhos. Isso, na terra dos livres e na casa dos bravos. E ninguém pode contestar essa afirmação. É uma questão de registro histórico.

De outra forma, esse sonho, e vamos chegar ao sonho em um momento, está às custas do negro americano. Você assistiu a isso no Deep South[3] com grande alívio. Mas não apenas no Deep South. No Deep South, você está lidando com um xerife ou um senhorio, ou uma senhoria ou uma garota do balcão da Western Union, e ela não sabe exatamente com quem está lidando, com isso quero dizer, se você não uma parte da cidade, e se você é um negro do norte, isso se mostra de milhões de maneiras. Então ela simplesmente sabe que é uma quantidade desconhecida, e ela não quer ter nada a ver com isso porque ela não quer falar com você, você tem que esperar um pouco para receber o seu telegrama. OK, todos nós sabemos disso. Todos nós já passamos por isso e, quando você se torna um homem, é muito fácil de lidar. Mas o que está acontecendo com a pobre mulher, a mente do pobre é o seguinte:

Bem, sugiro que, de todas as coisas terríveis que podem acontecer a um ser humano, essa é uma das piores. Eu sugiro que o que aconteceu com os sulistas brancos é, de certa forma, afinal, muito pior do que o que aconteceu com os negros lá porque o xerife Clark em Selma, Alabama, não pode ser considerado – você sabe, ninguém pode ser considerado um monstro total[4]. Tenho certeza que ele ama sua esposa, seus filhos. Tenho certeza, você sabe, ele gosta de ficar bêbado. Afinal, é preciso presumir que ele é visivelmente um homem como eu. 

Xerife Jim Clark – Fonte – Wikipédia.

Mas ele não sabe o que o leva a usar o porrete, a ameaçar com a arma e a usar o aguilhão. Algo terrível deve ter acontecido a um ser humano para poder colocar um aguilhão no peito de uma mulher, por exemplo. O que acontece com a mulher é horrível. O que acontece ao homem que o faz é, de certa forma, muito pior. Afinal, isso está sendo feito não há cem anos, mas em 1965, em um país que é abençoado com o que chamamos de prosperidade, uma palavra que não examinaremos muito de perto; com um certo tipo de coerência social, que se autodenomina uma nação civilizada e que defende a noção da liberdade do mundo. E é perfeitamente verdade do ponto de vista agora simplesmente de um negro americano. 

Qualquer negro americano que assista a isso, não importa onde esteja, do ponto de vista do Harlem, que é outro lugar terrível, tem que dizer a si mesmo, apesar do que o governo diz – o governo diz que não podemos fazer nada a respeito – mas se aquelas pessoas fossem brancas sendo assassinadas nas fazendas de trabalho do Mississippi, sendo levadas para a prisão, se aquelas fossem crianças brancas correndo para cima e para baixo nas ruas, o governo encontraria alguma maneira de fazer algo a respeito. 

Temos um projeto de lei de direitos civis agora em que uma emenda, a décima quinta emenda, quase cem anos atrás – odeio soar novamente como um profeta do Velho Testamento – mas se a emenda não fosse honrada então, eu teria qualquer razão para acreditar no projeto de lei de direitos civis será honrado agora. E depois de todos estarem lá, desde antes, sabe, muitas outras pessoas chegaram lá. Se é preciso provar o título de propriedade da terra, quatrocentos anos não bastam? Quatrocentos anos? Pelo menos três guerras? O solo americano está cheio de cadáveres de meus ancestrais. Por que é minha liberdade ou minha cidadania, ou meu direito de viver lá, como isso é concebivelmente uma questão agora? E eu sugiro ainda, e da mesma forma, a vida moral dos xerifes do Alabama e das pobres senhoras do Alabama – senhoras brancas – suas vidas morais foram destruídas pela praga chamada cor.

Correndo o risco de soar excessivo, o que sempre senti, quando finalmente deixei o país, e me encontrei no exterior, em outros lugares, e observei os americanos no exterior – e esses são meus compatriotas – e me preocupo com eles, e até mesmo se eu não fiz, há algo entre nós. Temos a mesma abreviatura, eu sei, se eu olhar para um menino ou uma menina do Tennessee, de onde eles vieram no Tennessee e o que isso significa. 

Nenhum inglês sabe disso. Nenhum francês, ninguém no mundo sabe disso, exceto outro homem negro que vem do mesmo lugar. Observamos essas pessoas solitárias negando o único parente que possuem. Falamos sobre integração na América como se fosse um grande enigma novo. 

O problema na América é que estamos integrados há muito tempo. Coloque-me ao lado de qualquer africano e você verá o que quero dizer. Minha avó não era uma estupradora. O que não enfrentamos é o resultado do que fizemos. O que se leva o povo americano a fazer por todos nós é simplesmente aceitar nossa história. Eu estava lá não apenas como escrava, mas também como concubina. Afinal, conhece-se o poder que pode ser usado contra outra pessoa se você tiver poder absoluto sobre essa pessoa.

Ao observar os americanos na Europa, pareceu-me que o que eles não sabiam sobre os europeus era o que não sabiam sobre mim. Eles não estavam tentando, por exemplo, ser desagradáveis ​​com a garota francesa ou rudes com o garçom francês. Eles não sabiam que feriam seus sentimentos. Eles não tinham nenhum senso de que essa mulher em particular, este homem em particular, embora falassem outra língua e tivessem maneiras e maneiras diferentes, era um ser humano. 

E eles andaram por cima deles, o mesmo tipo de ignorância branda, condescendência, charme e alegria com que sempre me deram tapinhas na cabeça e me chamaram de Shine e ficavam chateados quando eu ficava chateado. O que é relevante nisso é que enquanto há quarenta anos, quando nasci, a questão de ter que lidar com o que não é dito pelo subjugado, o que nunca é dito ao mestre, de ter que lidar com essa realidade era uma possibilidade muito remota. Não estava na mente de ninguém. 

Quando eu era criança, aprendi nos livros de história americanos que a África não tinha história, nem eu. Que eu era um selvagem de quem quanto menos falava melhor, que fora salvo pela Europa e trazido para a América. E, claro, eu acreditei. Eu não tive muita escolha. Esses eram os únicos livros que existiam. Todos os outros pareciam concordar.

Se você sair do Harlem, sair do Harlem, no centro da cidade, o mundo concorda que o que você vê é muito maior, mais limpo, mais branco, mais rico e mais seguro do que onde você está. Eles recolhem o lixo. Obviamente, as pessoas podem pagar seu seguro de vida. Seus filhos parecem felizes e seguros. Você não é. E você volta para casa, e parece que, é claro, que é um ato de Deus que isso seja verdade! Que você pertence ao lugar onde os brancos o colocaram.

Somente a partir da Segunda Guerra Mundial que existe uma contra imagem no mundo. E essa imagem não surgiu por meio de qualquer legislação ou parte de qualquer governo americano, mas pelo fato de que a África de repente estava no palco do mundo, e os africanos tinham que ser tratados de uma forma que nunca haviam sido tratados antes. Isso deu a um negro americano, pela primeira vez, uma sensação de si mesmo além do selvagem ou do palhaço. Ele criou e criará muitos enigmas. 

Uma das grandes coisas que o mundo branco não sabe, mas acho que sei, é que os negros são como todo mundo. Utilizou-se o mito do negro e o mito da cor para fingir e supor que se tratava, essencialmente, de algo exótico, bizarro e praticamente, segundo as leis humanas, desconhecido. Infelizmente, isso não é verdade. Também somos mercenários, ditadores, assassinos, mentirosos. Nós também somos humanos.

O que é crucial aqui é que, a menos que consigamos aceitar, estabelecer algum tipo de diálogo entre aquelas pessoas que eu finjo que pagaram pelo sonho americano e aquelas outras pessoas que não o realizaram, estaremos em apuros terríveis. 

Quero dizer, enfim, o último, é isso que mais me preocupa. Estamos sentados nesta sala, e todos nós somos, pelo menos eu gostaria de pensar que somos relativamente civilizados, e podemos conversar uns com os outros. Pelo menos em certos níveis para que possamos sair daqui presumindo que a medida de nossa iluminação, ou pelo menos, nossa polidez, tem algum efeito no mundo. Pode não ser.

Foto da visita de Bobby Kennedy a Natal, junto a com a sua esposa Ethel, em 1965.

Lembro-me, por exemplo, quando o ex-procurador-geral, senhor Robert Kennedy, disse que era concebível que em quarenta anos, na América, pudéssemos ter um presidente negro. Isso soou como uma declaração muito emancipada, suponho, para os brancos. Eles não estavam no Harlem quando essa declaração foi ouvida pela primeira vez. E eles não estão aqui, e possivelmente nunca ouvirão as risadas e a amargura e o desprezo com que esta declaração foi saudada. 

Do ponto de vista do homem da barbearia do Harlem, Bobby Kennedy[5] só chegou aqui ontem e já está a caminho da presidência. Estamos aqui há quatrocentos anos e agora ele nos diz que talvez daqui a quarenta anos, se você for bom, podemos deixá-lo se tornar presidente.

O que é perigoso aqui é se afastar de – se afastar de – qualquer coisa que qualquer americano branco diga. O motivo da hesitação política, apesar do deslizamento de terra de Johnson, é que um foi traído por políticos americanos por muito tempo. E eu sou um homem adulto e talvez eu possa argumentar com isso. Eu certamente espero que possa ser. 

Martin Luther King em Washington – Fonte – Wikipédia.

Mas eu não sei, e nem Martin Luther King[6], nenhum de nós sabe como lidar com aquelas outras pessoas que o mundo branco ignorou por tanto tempo, que não acreditam em nada que o mundo branco diz e não acreditam inteiramente qualquer coisa que eu ou Martin estivermos dizendo. E não se pode culpá-los. Você observa o que aconteceu com eles em menos de vinte anos.

Parece-me que a cidade de Nova York, por exemplo – este é o meu último ponto – há muito tempo tem negros nela. Se a cidade de Nova York foi capaz, como de fato tem sido capaz, nos últimos quinze anos de se reconstruir, demolir prédios e levantar outros novos, no centro da cidade e por dinheiro, e não fez nada exceto construir conjuntos habitacionais no gueto para os negros. E, claro, os negros odeiam. 

Atualmente, a propriedade realmente se deteriora porque as crianças não podem suportá-la. Eles querem sair do gueto. Se as pretensões americanas estivessem baseadas em uma avaliação mais sólida e honesta da vida e de si mesmos, não significaria para os negros quando alguém disser “renovação urbana” que os negros podem simplesmente ser jogados na rua. Isso é exatamente o que significa agora. Este não é um ato de Deus. 

Estamos lidando com uma sociedade feita e governada por homens. Se o negro americano não estivesse presente na América, estou convencido de que a história do movimento operário americano seria muito mais edificante do que é. É uma coisa terrível para um povo inteiro se render à noção de que um nono de sua população está abaixo deles. 

E até aquele momento, até que chegue o momento em que nós, os americanos, nós, o povo americano, possamos aceitar o fato, que eu tenho que aceitar, por exemplo, que meus ancestrais são brancos e negros. Que naquele continente estamos tentando forjar uma nova identidade para a qual precisamos uns dos outros e que não estou sob a tutela da América. 

Não sou objeto de caridade missionária. Eu sou uma das pessoas que construiu o país – até o momento, quase não há esperança para o sonho americano, porque as pessoas a quem é negada a participação nele, por sua própria presença, irão destruí-lo. E se isso acontecer, é um momento muito grave para o Ocidente.

Obrigado.

NOTAS

——————————————————————————————————————–


[1] Escritor e dramaturgo, é considerado um dos maiores escritores nascido nos Estados Unidos no século XX, Baldwin abriu novos caminhos literários com a exploração de questões raciais e sociais em suas muitas obras. Ele era especialmente conhecido por seus ensaios sobre a experiência negra na América.

[2] Escritor, intelectual e comentarista político americano. Fundou a revista National Review em 1955, tendo grande impacto no estímulo ao pensamento conservador nos Estados Unidos. Ele apresentou 1.429 edições do programa de televisão “Firing Line” entre 1966 e 1999, onde ficou conhecido por seu sotaque distinto e amplo vocabulário. Ele escreveu colunas para vários jornais e vários romances de espionagem. Seu estilo de escrita era conhecido pela eloquência e sagacidade.

[3] O Deep South é uma sub-região cultural e geográfica no sul dos Estados Unidos. O termo foi usado pela primeira vez para descrever os estados daquele país mais dependentes de plantações e escravidão durante o período inicial da história dos Estados Unidos. A região sofreu dificuldades econômicas após a Guerra Civil Americana e foi (e ainda é) um importante local de tensão racial. O Movimento dos Direitos Civis nas décadas de 1950 e 1960 ajudou a inaugurar uma nova era, às vezes chamada de Novo Sul.

[4] Baldwin se refere ao xerife Jim Clark, da cidade de Selma, Alabama, que entre 7 e 25 de março de 1965 usou de extrema violência contra os participantes de três marchas pacíficas, organizadas pelos manifestantes pelos direitos civis, na Estrada 54, que liga a cidade de Selma a Montgomery, capital do Alabama. Após as cenas das ações por ele comandada terem sido divulgadas em cadeia nacional de TV, Lyndon B. Johnson, o então presidente dos Estados Unidos, emitiu uma declaração imediata “deplorando a brutalidade com que vários cidadãos negros do Alabama foram tratados”.

[5] Robert Francis Kennedy, apelidado de Bobby e também RFK, foi procurador-geral dos Estados Unidos de 1961 até 1964 tendo sido um dos primeiros a combater a Máfia, e Senador por Nova Iorque de 1965 até seu assassinato em junho de 1968. Ele foi um dos dois irmãos mais novos do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.

[6] Martin Luther King Jr. foi um pastor batista e ativista político estadunidense que se tornou a figura mais proeminente e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos de 1955 até seu assassinato em 1968.

https://tokdehistoria.com.br/2022/01/18/o-famoso-debate-entre-o-escritor-james-baldwin-e-o-intelectual-william-f-buckley-na-universidade-cambridge/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

DUAS REFERÊNCIAS DO CANGAÇO NA BAHIA

 Por Rubens Antonio

Coronel Petronillo Reis, de Santo Antônio da Glória

Adendo: João de Sousa Lima.

Santo Antônio da Glória era uma cidade de referência na Bahia nas décadas de 10, 20 e 30. Seu chefe político o coronel Petronilo de Alcântara Reis foi um homem de expressão para seu tempo. Chegou a ser amigo do cangaceiro Lampião e depois se desentenderam e Lampião tocou fogo em suas fazendas. 

Santo Antonio da Glória, uma cidade submersa pelas águas do Rio São Francisco

A cidade encontra-se embaixo das águas do Rio São francisco, depois que construíram a barragem de Itaparica Usina Luiz Gonzaga. - http://joaodesousalima.blogspot.com

Coronel Antonio Souza Benta, de Morro do Chapéu

Coronel Antônio de Souza Benta, nascido em 1868, chefiou a preparação, em Morro do Chapéu, para resistir a Lampeão, que chegou a 21 km da cidade, em 1929.


Acima, o coronel Antonio de Souza Benta Ao seu lado, o coronel Francisco G. Mattos, o Chico Mattos, comerciante, comprador e revendedor de diamantes, primo do coronel Horácio de Mattos.


Benta, um coronel da Guarda Nacional.

Coronel Benta , à época em que bloqueou a passagem de Lampeão. - retrato a óleo, O coronel Benta faleceu em 1946.

Exéquias de Benta. No centro da foto, ao fundo e ao lado direito do esquife, com veste quadriculada, a viúva, Honestina Virgilia Benta.

Imagens gentilmente cedidas por Antônio José Dourado Rocha.

http://cangaconabahia.blogspot.com/2016/08/duas-referencias-do-cangaco-na-bahia.html

http://cangaconabahia.blogspot.com/2017/05/coronel-antonio-de-souza-benta.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

IMAGENS DE CABEÇAS - ESTÁCIO DE LIMA

Por Rubens Antonio

Fotografias do acervo Estácio de Lima. Virgulino Ferreira da Silva - Lampeão e Maria Gomes de Oliveira - a Maria Bonita


http://cangaconabahia.blogspot.com/2016/10/imagens-de-cabecas-estacio-de-lima.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CORONEL HORÁCIO DE MATTOS - A SEPULTURA

 Por Rubens Antonio.


No cemitério do Campo Santo, em Salvador, Bahia, a sepultura do coronel Horácio de Mattos.



http://cangaconabahia.blogspot.com/2016/10/coronel-horacio-de-mattos-sepultura.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com



PADRE FICA IMPRESSIONADO COM CANGACEIROS.

 Por Gazeta do Povo

Um padre, conversando com os cangaceiros em 1929, chegou a ficar impressionado com a mobilidade deles: após uma espécie de acrobacia, não derrubaram nenhum dos objetos que carregavam. "Os bornais tinham dentro carne seca, farinha, rapadura e, para não caírem facilmente, ficavam presos. Uma alça de couro passava a três dedos abaixo do mamilo e prendia as alças laterais dos bornais. Era uma estrutura funcional que permitia aos cangaceiros combater e se embolar pelo chão durante um tiroteio ou briga sem que nenhuma das peças se desprendesse"

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/.../a-moda-de-lampiao.../

Copyright © 2020, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

https://www.facebook.com/191881161218813/photos/a.278137735926488/876832319390357/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

OTÍLIA DE MARIANO.

 Por Lampião, Rei do Cangaço

Otília Maria de Jesus era a companheira do cangaceiro Mariano. Baiana, morena clara, estatura média, entrou no Cangaço aos 21 anos e permaneceu por quatro. Contam que casou novamente e estava viva até 1965.

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/posts/4483557165088766?notif_id=1642605945812435&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"MATAR A PERFESSORA DE TRACUPÁ!"

 Por Rubens Antonio.

Professora Mariana Borges Cabral

"No vilarejo de Tracupá lecionava a professora Mariana, um dos alvos de Lampião. Momentos sofridos vivenciou ali a dedicada professora Mariana Borges Cabral...

Encontrava-se a professora no oitavo mês de gestação, quando foi avisada pelo então prefeito doutor Theotônio Martins que Lampião se aproximava de Tucano... E, dentre os objetivos do cangaceiro, um deles era matar a professora responsável pela escola de Tracupá... Imaginemos o medo, o pavor sentido pela professora! Na ausência de seguranças, fez dos alunos seus protetores e, como a escola estava localizada no alto, os alunos ficavam observando quem entrava no lugarejo... Como o grupo dos cangaceiros tinha características próprias, foi fácil a identificação e o aviso imediato à professora, que, ao narrar este dia, costumava dizer:

- Que dia de agonia! Eu grávida, quase na hora de dar à luz, tendo que correr e me esconder em uma caatinga tão castigada pela seca, com poucas folhagens... Como ficar escondida? Onde me abrigar? Andei mais rápida que podia e caí junto aos paus-de-rato... Fiquei ali. Rezei muito. Pedi a Deus que eles não me enxergassem. Momentos depois, todo o bando chegava ao local que eu estava. As patas dos animais estavam em minha frente e eles não me enxergavam... Agradeci a Deus. Minha oração foi forte. Ao retornar à escola, com todo o mobiliário destruído, encontrei o recado que o rei do Cangaço havia escrito na parede, usando como caneta o dedo sujo de sangue:

"PERFESSORA FOI QUE VIU QUE CORREU! NÃO FOI DESTA VEZ, MAS VAI SER DE OUTRA".

Escolinha de Tercupá, construída em 1926, conservada como era à época do ataque de Lampião.

Dias depois, meu bebê nasceu, mas nasceu morto, em consequência de tudo que passei. Fiquei com uma perna inchada, arroxeada, durante toda minha vida... O tempo passou. Pensei que estava livre do ódio de Lampião. Grande engano! Voltei a enfrentar a mesma situação pavorosa. Tudo se repetiu. Recebo novamente aviso de doutor Theotônio. Meus alunos voltam a ser meus seguranças e Lampião invade Tracupá pela segunda e última vez... Deixo a escola em disparada. Corro muito, pois, desta vez, não estava grávida.... Tinha mais forças... Encontrei um casebre com uma senhora bem idosa, vestida de preto, sentada nos degraus... Pedi ajuda e falei

- Estou perseguida por Lampião! Não tenho onde me esconder! Preciso me disfarçar! Ela me ajudou. Vesti um vestido preto. Enrolei um pano preto na cabeça. Peguei o cachimbo e esperei Lampião chegar sentada no degrau da casinha, em companhia da outra senhora.

Aparentemente, éramos duas viúvas na casinha de caatinga, fumando seus cachimbos e pensando na vida.

Ele chegou e perguntou:

- Minhas véia, viu o diabo da perfessora passar por aqui?

- Não, senhor... Não vimo...

... E, assim, enganei Lampião..."

Estes fatos sobre a perseguição de Lampião à professora Mariana me foram narrados por sua neta, Maria Miriam de Miranda Prado... Ela jamais esquece..."

Contado por Rubens Rocha, de Tucano, em seu livro "Caminhos de Lampião", de 2009.

Professor Rubens Rocha mostrando o lugar em que caiu morto o tenente Geminiano, em Tucano. 

PS - Tracupá deve seu nome, segundo a tradição popular local, à existência de uma tribo antiga, dos "tracupã", no local.

Esta localidade já foi também conhecida pejorativamente por "Brejo".

http://cangaconabahia.blogspot.com/2016/11/matar-perfessora-de-tracupa.html

"blogdomendesemendes - Eu acredito que alguém sabe o motivo da perseguição à professora feita por Lampião. Mas isso deve ficar para um futuro livro de algum autor". 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

QUAL A LIGAÇÃO DESSA EDIFICAÇÃO COM O CANGAÇO?

Edifício Joseph Gire - Praça Mauá - Centro, Rio de Janeiro - RJ, Brasil.

Marco arquitetônico da cidade e antiga sede da Rádio Nacional, o edifício utiliza a tecnologia do concreto armado. Com 102 metros de altura e 22 andares, foi influenciado pla Art Déco, especialmente na fachada.

O edifício foi levantado em uma das extremidades da Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco), na Praça Mauá, próximo ao Porto do Rio de Janeiro. O local havia sido ocupado anteriormente pelo Liceu Literário Português, que se mudou para o Largo da Carioca, onde ainda se encontra.

Os responsáveis pelo estudo arquitetônico foram o arquiteto francês Joseph Gire responsável por projetos icônicos como o do Copacabana Palace, do edifício do Palácio Laranjeiras, e que deixou um número enorme de marcos urbanos no Rio de Janeiro, contribuindo para dar forma à estética moderna do início do século XX com suas obras requintadas e monumentais. Integrado à poderosa fantasia de “progresso” aparentemente definitivo que o país vivia durante a Belle Époque, Gire projetou edifícios que traduziam o frenesi do trânsito internacional, dos incipientes meios de comunicação e do gosto de sofisticação das abastadas famílias locais. Um homem essencial para a constituição da identidade da nossa arquitetura, e o arquiteto brasileiro Elisário Bahiana.

Foi construído entre 1927 e 1929 utilizando a nova tecnologia do concreto armado, dando grande impulso à engenharia praticada no Brasil de então. Os cálculos estruturais foram realizados pelo engenheiro Emílio Henrique Baumgart, mais tarde responsável pelo Ministério da Educação e Saúde. Com 22 andares e uma altura de 102 metros, foi o mais alto da América Latina até a década de 1930, ultrapassado pelo Edifício Martinelli em São Paulo, inaugurado em 1934.

FONTE:

COHEN, Jean-Louis; CABOT, Roberto; GIRE, Jean. Joseph Gire: a construção do Rio de Janeiro moderno. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1969.

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/user/100000026208933/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PRIMEIRA EDIÇÃO RARA, UM ACHADO PARA O MEU ACERVO.

Por Francisco Pereira Lima. 


https://www.facebook.com/photo?fbid=5166424490035040&set=gm.2116802355150536

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

JARARACA E ASA BRANCA NESTES DOIS TÚMULOS.

 Por José Mendes Pereira


Esta foto pertence ao acervo do pesquisador Paulo Queiroz.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=1383966351990839&set=pcb.1383966405324167

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com


LEIAM!

Do acervo do Paulo Queiroz 

Dona Francisca da Silva Tavares, viúva do ex-cangaceiro Asa Branca e o pesquisador Paulo Queiroz.


https://www.facebook.com/groups/414354543685373/user/100011324637165

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CHRISTINO GOMES DA SILVA CLETO

 Por Rubens Antonio


O cangaceiro Corisco ou, como ele assinava, Curisco chamava-se Christino Gomes da Silva. Assinava, além deste, uma denominação de família, "Cleto".

Atualmente, na onda de modismos de modificações de nomes referenciais do Cangaço, como Lagoa do Lino, deturpada para Lagoa do Limo, a denominação familiar de Corisco também foi afetada.
Alguns passaram a chamá-lo  "Quileto".


Um documento assinado por Corisco, de propriedade do seu filho, Sylvio Bulhões, mostra claramente que ele assinava "Cleto".

http://cangaconabahia.blogspot.com/2016/11/christino-gomes-da-silva-cleto.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MARACANÃ

 Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.643

O Largo do Maracanã, apesar de ter perdido o símbolo que originou o seu nome – Churrascaria Maracanã – continua aceso e forte com suas sete bocas. É o centro do grande Bairro Camoxinga e o lugar mais pronunciado da cidade. É centro conversor e dispersor de sete ruas, aqui chamadas de bocas. Rua Maria Gaia, Pedro Gaia, Santa Sofia, Pedro Brandão, Pancrácio Rocha 1, Pancrácio Rocha 2 (BR-316) e a pequena via murada que acompanha a BR. Possui apenas um semáforo e mais nada e que às vezes quebra e da dor de cabeça até em cabeça de prego. Ali é caso de qualquer coisa da engenharia moderna que pudesse resolver definitivamente o problema. Uma obra federal. Entre 18 e 19 horas aquilo vira uma loucura de veículos e gente a pé para caminhadas, compras nas padarias, farmácias e posto de gasolina.

LARGO DO MARACANÃ EM DIA FERIADO: (FOTO: B. CHAGAS).

Clima Bom, Barragem, Lajeiro Grande, Baraúna, São José e Camoxinga, são bairros que convergem e divergem do Largo do Maracanã. A antiga Churrascaria transformou-se em clínica médica, mas o lugar não deixa de ser Maracanã, pequena ave parente do papagaio. Ali na esquina da Rua Santa Sofia, na BR-316, bem defronte a uma farmácia, naturalmente as pessoas aguardam transporte para o Oeste do Sertão: Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco e até mesmo para o Canapi e o extremo do estado. Todas às tardinhas têm caminhadas dali ao DENIT ou até a Barragem, caminhadas estas, arriscadíssimas porque acontecem no leito da pista em disputa com os variados tipos de veículos. O lusco-fusco aumenta o perigo, porém os caminhantes não se dão conta de uma tragédia anunciada.

O Largo do Maracanã é sempre um protagonista de Santana do Ipanema. Vez em quando, uma pequena feira improvisada no terreno onde era o antigo posto de gasolina, faz a alegria das donas de casa com a venda de macaxeira, milho, tapioca, banana e outros produtos frescos vindos da roça. O Largo é ponto predileto para comício de políticos em épocas de eleição. Dizia um antigo delegado de polícia: “De dez ocorrência em Santana, nove são relativas ao Maracanã”. O local está para sempre marcado na terrinha, mas é bom que se diga, com seu grande movimento e pequeno comércio popular o Largo nunca foi elite no Bairro Camoxinga, possui os seus próprios personagens e faz circular dinheiro todos os santos Dias.

Maracanã, um logotipo imorredouro.

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2022/01/maracana-clerisvaldo-b.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

COMISSÃO ORGANIZADORA DO CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022 JÁ TRABALHA NA PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Por Manoel Severo
Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022 
é recebido na CHESF por Mario Jorge

Passo a passo se consolida o grande Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022. O evento que já contava com a parceria vital da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, da Câmara dos Vereadores, do IGH-Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, da Casa de Cultura, da  Academia de Letras de Paulo Afonso e da Associação de Guias Turísticos fechou no inicio da ultima semana a parceria com o Memorial da CHESFpara a realização do esperado encontro que acontecerá entre os dias 24 e 27 de março do corrente ano.

D.Ceiça, administradora do Memorial da CHESF, recebe o Cariri Cangaço Paulo Afonso

João de Sousa Lima, presidente da Comissão Organizadora do evento, realizou as visitas ao Memorial da CHEFS ao lado do integrantes da Comissão; Luma Holanda e Flávio Motta. Na oportunidade foram recebidos pelo Dr Mario Jorge, administrador da CHESF e pela responsável pelo Memorial , dona Ceiça. A ambos foi apresentado o projeto do Cariri Cangaço Paulo Afonso, sua capilaridade e a grande representatividade de todo o Brasil que estará presente ao Cariri Cangaço por ocasiçao do encontro. "Sem dúvidas estaremos recebendo mais de 250 pesquisadores e convidados aqui em Paulo Afonso, durante o Cariri Cangaço, um público absolutamente qualificado e que nos mostra o tamanho da importância de nossa cidade diante do tema cangaço e isso aumenta em muito nossa responsabilidade, mas se tudo der certo, e dará, com a situação das condições sanitárias da COVID, teremos um Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, inesquecível" revela João de Sousa Lima.

Secretário de Cultura e Esporte de Paulo Afonso, Val Oliveira recebe a Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

Dentro do trabalho de desenvolvimento do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, a Comissão Organizadora liderada pelo pesquisador João de Sousa Lima, esteve reunida com o Secretário de Cultura e Esportes de Paulo Afonso, Val Oliveira. Na oportunidade João de Sousa ao lado de Luma Holanda e Flávio Motta apresentaram ao Secretário Val Oliveira, as premissas do grande Cariri Cangaço de Paulo Afonso que acontece em março. "Só temos que agradecer ao Secretário Val Oliveira por nos receber em sua residência a nossa equipe do Cariri Cangaço para uma reunião informal, sobre o grande evento em março-2022. Reunião muito proveitosa para o momento! Gratidão sempre!" ressalta a pesquisadora Luma Holanda. 

João de Sousa Lima, Luma Holanda e Flávio Motta: Programação no forno...

Estabelecidas as principais parcerias e o apoio institucional necessário para o grande encontro, a Comissão Organizadora já se debruça sobre as principais linhas da programação; temáticas, conferencistas e debatedores; além de lançamento de livros, homenagens, das principais visitas e claro, a infraestrutura necessária. "Dentro de poucos dias acredito que estaremos divulgando a programação, especialmente pensada para proporcionar um grande Cariri Cangaço a todos os que nos visitam, quem ainda não se programou, não deixe para a última hora e já marque no calendário, dias 24 a 27 de março de 2022 Paulo Afonso recebe o Brasil de Alma Nordestina em nosso Cariri Cangaço" confirma João de Sousa Lima.

CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022
24 a 27 de Março de 2022
Paulo Afonso
BAHIA-BRASIL

Redação Cariri Cangaço

Paulo Afonso; 30 de Dezembro de 2021 

POR ONDE ANDA O ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO CICINATO FERREIRA NETO?

 Por José Mendes Pereira

Cicinato Ferreira Neto e Manoel Severo - Cariri Cangaço

Eu sou obrigado a fazer esta pergunta aos amigos que estudam "Cangaço": 

Por favor, por onde anda o escritor e pesquisador do cangaço Cicinato Ferreira Neto, que nunca mais o vi nas redes sociais?

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

EU ERA DOIDO PRA SABER: POR ONDE ANDAVA BILLY JAYNES CHANDLER...

Por Honório de Medeiros 

Em uma quinta-feira do mês de setembro de 2015, publiquei um artigo em meu blog, cujo título é o seguinte: "WHERE IS BILLY JAYNES CHANDLER?"clique aqui para ler.

Nele, eu e minha filha, Bárbara de Medeiros, contávamos o resultado de uma procura intensa por notícias acerca do grande escritor americano que viveu no Brasil e nele escreveu alguns dos clássicos da literatura sertaneja nordestina.

Billy Jaynes Chandler é um dos mais importantes escritores acerca do cangaço e coronelismo, fenômenos ligados entre si e característicos de uma certa época da história recente do Brasil. Suas obras Lampião, o Rei dos Cangaceiros, e Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, são canônicas, seminais, inigualáveis. Recentemente meu filho, que mora no Canadá, por lá adquiriu o Lampião traduzido para o inglês.

Passaram-se os anos, e nada. Nenhuma notícia...

No início deste agosto, quase três anos depois, mais precisamente dia 8, postaram o seguinte texto no espaço reservado aos comentários ao blog (as traduções a seguir são de Bárbara de Medeiros):

 “Ginny disse...

I was googling my uncle and found this blog from back in 2015. I am Billy Jaynes Chandler's niece”.

 “Estava pesquisando o meu tio no Google e encontrei esse blog de 2015. Eu sou a sobrinha de Billy Jaynes Chandler”.

Eu não li essa postagem. Ocupado com outros interesses, havia deixado o blog um pouco de lado.

Por sorte nossa, Ginny também escrevera para meu email:

“I read uncle bill your blog, translated in English, and it put a smile on his face. He is now 87 and has lost his Portuguese language and has some memory issues. He told me it was ok to reach out to you.
Ginny Petersen”.

“Eu li o seu blog para o tio Bill, traduzido para o inglês, e isso colocou um sorriso em sua face. Ele tem agora 87 anos e perdeu seu conhecimento da língua portuguesa e tem alguns problemas de memória. Ele me disse que era ok eu entrar em contato com você.”

Eu e Bárbara não conseguíamos acreditar. Ficamos muito felizes. Bárbara ficara contagiada com minha admiração por Chandler. No domingo, dia 11, mesmo mês, tratamos de responder:

“I am very happy to know that he’s alive! I hope he is well, despite the memory problems. He is a true icon for us Brazilians, who study cangaço and the local culture. Do you know if he has written anything else? I’m sending you a picture of myself with my copy of his book, now a rarety over here. If possible (and I completely understand if any of you don’t feel comfortable) could you send me a picture of him? My daughter helped me a lot in my researches and would love to see it. Thank you for reaching out!”

“Eu estou muito feliz em saber que ele está vivo! Eu espero que ele esteja bem, apesar dos problemas de memória. Ele é um verdadeiro ícone para nós brasileiros que estudamos cangaço e a cultura local. Você sabe se ele escreveu mais alguma coisa? Estou enviando uma foto minha com a minha cópia de um de seus livros, que se tornou uma raridade por aqui. Se possível (e eu entendo completamente se vocês não se sentirem confortáveis) você poderia enviar uma foto dele? Minha filha me ajudou muito nas pesquisas e adoraria vê-lo. Obrigada por nos contactar!”

Ginny voltou a fazer contato:

“He did not write any more books, 4 books altogether. I recall while I was growing up, his visits to Brazil. Here is a picture of him last year just after his 86 birthday”.

“Ele não escreveu mais livros, foram quatro ao todo. Eu lembro quando estava crescendo, das suas visitas ao Brasil. Aqui está uma foto dele do ano passado, logo após seu 86º aniversário.”

Nós: “Thank you so much! He looks great! Do you think I could write a follow-up to my article, now that you have given me the great news that he’s alive? I’d simply mention you have reached out! Maybe I could use the picture? Only if you allow me, of course. Once again, thank you so much for this exchange of messages, you have no idea how much it meant to me and my daughter”.

“Muito obrigada! Ele parece ótimo! Você acha que eu poderia escrever uma continuação do meu artigo, agora que você me deu a ótima notícia que ele está vivo? Apenas se você me permitir, claro. Mais uma vez, muito obrigada por essas mensagens, você não tem ideia do quanto significa para mim e para minha filha!”

Ginny:“You are more than welcome to do a follow-up. Your question to “where is Billy Jaynes Chandler” has been answered. He lives in Miami, Florida with his sister. :) I wish you could talk with him, he just doesn’t remember much, but has strong memories, although unclear, of his time in Brazil.
Take care to you and your daughter”.

“Sinta-se à vontade para fazer uma continuação! Sua pergunta ‘Onde está Billy Jaynes Chandler’ foi respondida. Ele mora em Miami, Flórida, com sua irmã. :) Eu gostaria que você pudesse falar com ele, ele apenas não se lembra de muita coisa, mas tem fortes memórias, apesar de incertas, do seu tempo no Brasil. Lembranças a você e sua filha!”.

Olha o homi ai!


Chandler. Hoje, com mais de 86 anos. 

Imagem gentilmente cedida por Ginny Petersen, sobrinha sua.

Muito obrigada Ginny. Estamos enviando esse artigo para você e fazendo a postagem no blog, para que quem puder tenha conhecimento dessa notícia.

Ficamos maravilhados em saber que Chandler está vivo. Torcemos por ele, desejamos que fique muito bem, e lhe enviamos um grande abraço aqui do Nordeste do Brasil, do Sertão que ele conheceu.

Uma pescaria muito feliz no Blog do confrade Honório

Já eu fiz a pescaria no blog do Kiko Monteiro. 

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Billy%20Jaynes%20Chandler

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

MINHAS INQUIETAÇÕES ASSIM DIZIA O ESCRITOR ALCINO ALVES COSTA

Por José Mendes Pereira

Este link não tem nada a ver com o que escrevi. Apenas postei a foto com Candeeiro e Aderbal Nogueira. - http://cariricangaco.blogspot.com/2014/02/a-visita-de-candeeiro-fortaleza.html

Em um material que eu li ou em um vídeo, não tenho muita lembrança, e que no momento, eu não disponho da fonte, que o bom mesmo é apresentar ao leitor a origem do fato registrado, mas que eu não estou criando isto, e não tenho segurança em afirmar que, foi em um documento (Vídeo ou escrito) do cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira, que o Manoel Dantas Loyola o ex-cangaceiro Candeeiro, afirma que Maria Bonita chegou a ter ciúmes da amizade dele com o capitão Lampião. Mas o facínora Candeeiro não explicou o motivo dos ciúmes.

Foto colorida por Rubens Antonio.

Aí surgem somente as minhas perguntas:

1 - Qual teria sido o motivo que despertou ciúmes de Maria Bonita sobre a amizade do cangaceiro Candeeiro com o perverso e sanguinário capitão Lampião?

2 - Será que Candeeiro sabia da vida amorosa do rei do cangaço com alguma mulher por este sertão sofrido, e Maria Bonita imaginava isto? 

3 - Ou teria Maria Bonita colocada em sua mente que aquela amizade de Lampião com Candeeiro, nada mais era do que, trazendo e levando bilhetes de futuras amantes do seu companheiro?

Mas Maria Bonita podia ficar quietinha, porque, não tinha nenhum problema que Candeeiro e Lampião mantivessem as suas boas amizades, porque, durante um ano e poucos meses que o cangaceiro fez parte do cangaço do velho guerreiro, era ele quem levava as solicitações de dinheiro às vítimas escolhidas pelo capitão Lampião, e também trazia os recados dos fazendeiros, informando que no momento não tinham condições de servirem ao facínora ou vice-versa. 

http://josemendeshistoriador.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com