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sábado, 10 de agosto de 2013

O Trupé Cultural de Jadilson Ferraz !

Por: João de Sousa Lima
 Jadilson Ferraz comandou o Trupé Cultural

O evento Trupé Cultural, acontecido em Petrolândia, Pernambuco, foi um sucesso. O idealizador do evento, o músico e empresário Jadilson Ferraz, conseguiu reunir os diversos seguimentos da arte e reunir uma grande multidão que lotou a orla da cidade e o Museu Restaurante Trupé cultural. O Museu foi também palco de várias apresentações. O grande poeta Chico Pedrosa e as palestras de João de Sousa Lima lotaram o espaço do Museu.Várias bandas regionais, grupos de bacamarteiros, xaxados e danças abrilhantaram o palco principal. Destaque para o grupo Art Cênics de Paulo Afonso.

 

Jadilson Ferraz e João de Sousa Lima na grande Festa que foi o Trupé Cultura 2013 !

 


O empresário e músico Jadilson Ferraz promoveu em Petrolândia, Pernambuco, o grande evento Trupé Cultural.Durante os dias 03 e 04 de agosto a cidade foi palco de grandes apresentações artísticas e culturais, com destaque para as peças de teatro, bandas de músicas, grupos de danças e xaxados, concursos de poesias, mostras culturais e lançamentos de livros . Na oportunidade o escritor e historiador João de Sousa Lima fez palestras e realizou duas mostras sobre o Cangaço e Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, ao tempo que aconteceram as exposições foram também lançados os livros do escritor.

João de Sousa Lima
www.joaodesousalima.com

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CAUSAS, PERCURSO E CONSEQUÊNCIAS DO CANGAÇO

 Por: Antonio José de Oliveira

O cangaço foi sem sombra de dúvida um fenômeno nordestino que teve as diversas motivações para sua origem, sendo, portanto, um conjunto de fatores que conduziram os nossos jovens sertanejos às perigosas aventuras.
        
E, por certo é um fenômeno ocorrido, praticamente em uma única região do nosso vasto país: o Nordeste. Procurei pesquisar nas outras quatro regiões, se encontrava vestígios do cangaço e, apenas encontrei um episódio – que o tenho por isolado -, de um cidadão de nome 

www.em.com.br

Januário Garcia Leal, de uma família renomada, que, revoltado com o assassinato trágico de seu irmão, por sete indivíduos, que o ataram a uma árvore e lhe arrancaram a pele até a morte, ingressou na vida do crime, juntamente a outros familiares, e não deu trégua até matar todos os assassinos de seu irmão.
        
Informa a Wikipédia em data de 21.03.2013, que Januário, antes do crime havia sido nomeado Capitão de Ordenança do Distrito de São José de Nossa Senhora das Dores, hoje Alfenas-MG. Portanto, cidadão de uma família de posição social elevada.

orgedesiqueira.blogspot.com

“A Justiça colonial não tomou providências, deixando impunes os sete irmãos que havia perpetrado a revoltante barbárie” – informação da supramencionada fonte.
      
As centenas de cangaceiros dos relatos da história do cangaço são filhos dos sofridos sertões nordestinos, especialmente nos idos anos VINTE e TRINTA do século passado.

Vídeo com Lampião

Mesmo assim, há mais de cento e quarenta  anos antes do ingresso de Virgolino na  senda do cangaço, morria na forca em Recife, o 

oglobo.globo.com

Cangaceiro José Gomes  - O Cabeleira, que tinha como companheiros de infortúnio, seu próprio pai Joaquim Gomes (que o ensinou a ser cruel) e Teodósio. Informa o escritor Franklin Távora em seu romance O CABELIRA.

Lucas da Feira - blogdomendesemendes.blogspot.com

“Em 25 de setembro de 1849, Lucas da Feira, o mais célebre bandido de seu tempo, foi enforcado num patíbulo erguido no Campo do Gado de Feira de Santana” – Informa o escritor Nelson Cadena em Memórias da Bahia.
       
Assim entendemos que, setenta anos, antes de Virgolino entrar no cangaço, morria na forca, um indivíduo que era tratado como cangaceiro. Lucas era tão perverso que a tradição relata que o 

Dom Pedro II - www.diariodorio.com

Imperador D. Pedro II, solicitou que o mesmo fosse conduzido a sua presença para que ele conhecesse a fisionomia de alguém que era tão cruel.
     
Antes de Virgolino virar Lampião, existia o cangaceiro romântico, Jesuíno Alves de Melo Calado, ou simplesmente Jesuíno Brilhante.

Mais tarde, comandou um grupo de cangaceiros, Manoel Batista de Morais, que passou a se chamar Antonio Silvino, apelidado de O Rifle de Ouro.

     
cgretalhos.blogspot.com

Silvino foi preso em 1914 quando Virgolino ainda era um adolescente de 16 anos  e, pensava apenas no trabalho de almocreve junto ao pai. Informa Semira  Adler Vainsencher da Fundação Joaquim Nabuco.

Sinhô Pereira -blogdomendesemendes.blogspot.com

Sebastião Pereira da Silva – o Sinhô Pereira, foi o chefe de cangaço que, em 1922, abandonou o cangaço e entregou  o grupo a um dos seus componentes – Virgolino Ferreira da Silva, vindo a falecer em 1972.
      
Muitos foram os fatores que levaram os jovens nordestinos a ingressarem no cangaço, começando pela própria aridez de um sertão que, se com os recursos de hoje não propicia melhores dias para seus habitantes, diga você, há oitenta e cem anos passados!
      
Porém, conforme os escritos que acompanhamos, a maioria entrou no cangaço por algum tipo de vingança, principalmente vingança contra aqueles que praticaram atos violentos contra seus familiares, como foi o caso de Januário Garcia Leal, que viu seu irmão João Garcia ser assassinado sem que houvesse providência. Antonio Silvino, que teve o pai assassinado e nada aconteceu com quem cometeu o assassinato. Sinhô Pereira, que passou pela mesma situação quando assassinaram seu irmão Né Pereira. E, Virgolino, que embora já tivesse as suas desavenças com a família vizinha, mas poderia ter sido evitado o pior, que foi a morte do velho pai – José Ferreira.
     
Um renomado pesquisador do cangaço, cujo nome não me recordo, afirmou que “entre os sertanejos, o filho que soubesse quem assassinou o pai e nada fizesse como vingança, seria desprezado pela sociedade do seu tempo. Era tido como um covarde”.
     
Tantos outros cangaceiros têm a sua história de vingança.
     
E com essa coragem tão extremada dos nossos jovens sertanejos, as conseqüências foram as mais desastrosas possíveis. Foram mortes, sequestros, furtos para a sobrevivência de uma vida errante por entre as caatingas, sem falar na grande quantidade de jovens que deixaram seus familiares e ingressaram na Polícia e saíram a caçar, muitas vezes os próprios conterrâneos, como aconteceu com o 


Tenente Zé Rufino, que conhecia Virgolino, e ingressou na Força Policial, chegando a matar mais de vinte jovens-cangaceiros, conforme ele mesmo relatou em entrevista.

Assim foi o cangaço! Repleto de lutas, vinganças e sofrimento. Só uma coisa eu digo: “Ninguém nasce cangaceiro”!

Enviado pelo pesquisador
Antonio José de Oliveira
Povoado Bela Vista
Serrinha-Ba.

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Casa de Menores Mário Negócio - uma instituição extinta - Parte IV

Por: José Mendes Pereira
Foto: Que coisa, hein!

Nos anos sessenta - Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira
 Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano: 

Ah, se os tempos voltassem para vivermos novamente aquelas façanhas, que de vez por outra nós as aprontávamos! Principalmente você, que não deixava ninguém quieto.

Sentirmos o cheiro do leite que  bebíamos todas as manhãs fornecido pelo programa do governo “Aliança para o Progresso”.  Comermos aquele queijo de cor alaranjada; não tenho plena certeza, mas me parece que o seu nome era queijo do reino.

 
arranjodecraviola.blogspot.com

Almoçarmos belas comidas feitas pela cozinheira Beatriz Melo, que em matéria de cozinhar, era a melhor daquela instituição. Mas em contra partida, tínhamos um jantar muito fraco, sopa feita de caldo de feijão, sem nenhum gosto de carne, que até hoje, quando eu vejo sopa, não me sai da lembrança daqueles tempos.

À noite, ao chegarmos das nossas escolas, cada um recebia um pão com um taco de rapadura. Alguns deles não queriam, porque já haviam merendado fora. Mas aquele que merendava fora, era patrocinado pelos pais ou pelos parentes.

 
www.facebook.com

Fugirmos da presença da vice-diretora, em busca de um lugar seguro para fumarmos. Vício que ela mesma era dependente, e até hoje, tenho notícias que ainda fuma. Mesmo ela sendo fumante, combatia fortemente aos internos que também eram viciados.

 
sindicacau.blogspot.com

Permanecermos nas calçadas da escola, após o jantar, vendo as lindas meninas passeando pelas ruas dos antigos igapós, nas imediações dos Pereiros. Também para recebermos ligações de várias mocinhas que viviam nos rodeando, como se nós fôssemos artistas. Coisas de meninas novas.

Lembro que duas vezes por semana, nós dois, saíamos em uma bicicleta cargueira, até a  Ilha de Santa Luzia, à Rua General Péricles, na Mercearia do Zé Maia (cunhado da vice-diretora), para apanharmos uma porção de bananas para a escola,  e ao retornarmos, em vez de seguirmos para a instituição, ficávamos sobre 

telescope.blog.uol.com.br

a barragens Jerônimo Rosado, e ali, nós comíamos bananas em abundância, e jogávamos as cascas sobre a água, só para vermos elas passando de um lado para outro através do deslizar das águas.

 
www.comereaprender.info

O nosso medo era que ao chegarmos à escola, as bananas fossem contadas pelas empregadas ou pela vice-diretora. Mas felizmente isto nunca foi feito, apenas nós temíamos. E os assaltos às bananas continuavam. Mas tudo que nós fazíamos jamais nos ridicularizou, apenas praticávamos coisas de adolescentes.

Nos dias de hoje, tudo é diferente. Ninguém confia em ninguém. São poucos que praticam certas desordens, e abandonam ao se tornarem adultos. 

Aquela escola era nossa, e que todos os internos de qualquer instituição educacional praticam as mesmas desordens. Mas o bom é que não as leve para sua vida adulta.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
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PAULO AFONSO E PIRANHAS: ROTEIROS INTEGRADOS DO CANGAÇO (Uma visão sobre histórica)

Por: João de Sousa Lima

Paulo Afonso e Piranhas desenvolveram Os Roteiros Integrados do Cangaço e estão realizando seminários e palestras, consolidando as rotas e incentivando o turismo, despertando pesquisadores, escritores, estudantes e curiosos para os fatos históricos acontecidos nas duas cidades.

Em julho houve um grande encontro cultural em Piranhas e contou com a participação de estudiosos do cangaço de várias partes do país.

Em Paulo Afonso as visitações ao Museu casa de Maria Bonita tem crescido a cada dia.


Paulo Afonso tem muitas histórias do cangaço
Vários lugares e pessoas preservam memória












Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço 
João de Sousa Lima

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Confira a matéria sobre o escritor Rubervânio Lima na edição de julho do Jornal Folha Sertaneja

Rubinhoo Lima

Clique no link abaixo:

http://www.conversasdosertao.com/2013/08/confira-materia-sobre-o-escritor.html

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O coiteiro Pedro de Cândido

Por: Antonio José de Oliveira
Antonio José de Oliveira
Mendes amigo: 

Estive falando com o nobre pesquisador RANGEL COSTA, através o BLOG-RANGEL, que o coiteiro Pedro de Cândido não merece ser chamado de traidor como às vezes alguns pesquisadores (creio que poucos), o chamam.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQoOhOXoBg6A99SuJbkuDelE9RdAdNDZMFMf-eja5aHlOxPwDoCrUqE57uGyiDVvswl2pioem4iidLAevBJ1GH9OwPkgIcWy34gEyZJJkjyeukGo4W3wFdyQuk74oQgiPBUW7EgEtRPf0/s400/DSC00915.JPG
Segundo o escritor João de Sousa Lima o Pedro é o da esquerda

Isto porque as circunstâncias devem tê-lo conduzido a tal situação - a indicação do coito de Angico. Estive gravando uma entrevista com um cidadão de Serra Talhada que conhece familiares do povo de José Ferreira, e afirma que o coiteiro Pedro de Cândido era homem de confiança de Lampião, e que foi forçado a levar a polícia até o coito. 

Lampião

Segundo meu entrevistado, "de boa vontade ele não o faria". Não sei qual é sua opinião e do Professor RANGEL quanto ao assunto. 


Mas, creio que seja a mesma coisa que eu penso. 

Antonio José de Oliveira
Serrinha-Ba. em COITEIRO

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Um livro na matriz da Historiografia Brasileira

Por  José Octavio.PDF
José Octávio de Arruda Mello

Um livro na matriz da Historiografia Brasileira - José Octavio.PDF

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço 
Kydelmir Dantas

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Curta Cinema dia 14/08, no Centro Cultural da Câmara, com o documentário Feminino Cangaço


Prezados,

O Centro Cultural da Câmara exibirá, no próximo dia 14/08, o documentário Feminino Cangaço, conforme informações no release abaixo.

Peço a gentileza de divulgar entre os seus contatos. Quando tivermos o flyer eletrônico encaminhamos para reforçar a divulgação.

Grata,
Ana Paula

Curta Cinema


Olê mulher rendeira
Olê mulher rendá...
Mulher rendeira
(Lampião e Volta Seca)

Em comemoração ao mês da Cultura Popular, o Projeto Curta Cinema, do Centro Cultural Vereador Manuel Querino, da Câmara Municipal de Salvador, exibirá no dia 14/08, às 15h e 17h30, o documentário Feminino Cangaço, dos diretores Lucas Viana e Manoel Neto.

Este documentário propõe uma reflexão sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, crenças e dramas pessoais. Busca compreender e ressaltar a importância destas mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e ajudaram na construção do “fenômeno do cangaço”, destacando-as como sujeitos ativos desta história, cuja força surpreende ainda nos dias atuais.

São entrevistados no filme especialistas na temática do cangaço, a exemplo do sócio fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais (Unehs), Antonio Amaury, e os pesquisadores Frederico Pernambucano de Melo, Luiz Ruben, Rosa Bezerra e Germana Gonçalves. Também estão presentes os depoimentos da filha e neta de Lampião e Maria Bonita, Dona Expedita e Vera Ferreira.

O filme é uma produção do CEEC - Centro de Estudos Euclides da Cunha, órgão suplementar da UNEB, e da WebTV UNEB, em coprodução com a Épuras - Laboratório Audiovisual.

Após o primeiro horário de exibição, às 15h, será realizado um bate-papo com os diretores do filme. A entrada é franca.

Serviço
O quê: Curta Cinema com exibição do documentário “Feminino Cangaço”
Quando: 15h e 17h30*
Onde: Centro Cultural Vereador Manuel Querino (Câmara Municipal de Salvador)
Endereço: Praça Municipal, s/n, subsolo da Prefeitura.
Contato: 3320-0396/0324 (Ana Paula)

* No horário das 17h30 só haverá a exibição do documentário, sem o bate-papo com os convidados.

Ana Sampaio
Analista Legislativa - Cultura
Centro Cultural Vereador Manuel Querino l CMS
(71) 3320-0396/0324

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço Kydelmir Dantas

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Documentário radiofônico - Amor e renuncia: A presença da mulher no cangaço

Por Juliana Almeida

Este documentário foi o meu projeto de conclusão de curso em Jornalismo na Universidade Tiradentes. Explico logo abaixo como ele foi produzido:

Inicialmente foi realizado um levantamento de dados sobre a participação da mulher no cangaço, através de sites especializados, monografias e livros consultados na biblioteca da Universidade Federal de Sergipe e na biblioteca da Universidade Tiradentes. Após essa análise inicial do material disponível, foi possível reunir informações para aprofundar a discussão com pesquisadores sobre e cangaço e jornalistas, durante a realização da I Semana do Cangaço, realizada de 4 a 6 de junho de 2008, no Centro de Criatividade, em Aracaju.



Durante a Semana do Cangaço, foi possível fazer as entrevistas que compõe esse trabalho e ampliar as referências para a consulta de mais dados e depoimentos sobre a participação da mulher no cangaço, como a aquisição de documentários de vídeo e bibliografia específica sobre o tema proposto.

Com acesso a todo o material, a fase seguinte foi decupar as entrevistas gravadas e reunir as informações presentes neste memorial descritivo nos capítulos que tratam do fenômeno do cangaço no nordeste e a mulher no cangaço. É importante ressaltar que a qualidade de algumas entrevistas não está tão boa, mas elas foram imprescindíveis para a composição do documentário.


O documentário radiofônico foi elaborado a partir do roteiro estruturado para mostrar a influência e participação da mulher no cangaço sob diversos aspectos, sempre primando pela objetividade jornalística e coesão entre os fatos. O documentário traz elementos da literatura de cordel, trilha sonora específica, narração em off e entrevistas. O tempo de duração do documentário ficou em 17 minutos e 58 segundos e será veiculado em emissoras educativas que tenham interesse no resgate da memória de elementos da cultura nordestina


O documentário “Amor e renúncia: a presença da mulher no cangaço” traz as seguintes entrevistas:


·         Ariano Suassuna (Escritor)
·         Maria do Rosário Caetano (Jornalista e escritora)
·         Luiz Antônio Barreto (jornalista, escritor e pesquisador)
·         Jovenildo Pinheiro de Souza (professor da UFPE e pesquisador do cangaço)
·         Vera Ferreira (Jornalista neta de Lampião e Maria Bonita)
·         Expedita Ferreira (Filha de Lampião e Maria Bonita)


O documentário ainda traz os seguintes depoimentos extraídos do vídeo-documentário ’Mulheres Cangaceiras’ produzido e exibido pela TV SENAC, 1997:


·         Antônio Amaury Corrêa de Araújo (pesquisador do cangaço e escritor)
·         Ilda Ribeiro de Souza (Sila) – ex-cangaceira e mulher de Zé Sereno.


A estrutura do documentário traz versos da literatura de cordel, de autoria de Franka e do jornalista Márcio Santana no formato de Martelo Agalopado, que são utilizados na abertura e encerramento e como ‘cortinas’ na separação dos assuntos abordados.


A trilha sonora contempla músicas típicas do nordeste, como o xaxado, na interpretação de Luiz Gonzaga e do ex-cangaceiro Volta Seca, além do grupo Anima.


Ouça o documentário Clique Aqui

Pescado em Audiografia


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COITEIRO

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

COITEIRO

Nem no coiteiro, aquele que era recebido com atenção, o Capitão Lampião pôde confiar, alguém escreveu um dia. Prova maior que o até o mais destemido fraqueja, acaso tenha acontecido mesmo a propalada traição.

Mas ninguém pode negar a valentia, coragem e fidelidade da maioria desses homens de garranchos, estradas e espinhos. Homens fiéis e destemidos. Ninguém pode negar o valor que o coiteiro possui na história nordestina. Os livros se fazem de esquecidos, mas toda a saga cangaceira perpassa pelo coiteiro.

Pra quem não sabe digo logo o que é coiteiro. Mas espere aí, pois antes disso quero dizer uma coisa: certa feita um preferiu morrer sob tortura, pinicado e sangrado pela violência da volante, a dizer onde o bando de Lampião estava amoitado. Mostrou fidelidade e preferiu morrer a fazer o jogo da volante.

Outra vez, um correu no meio da noite, se lascando todo por cima de pedra e ponta de pau, vencendo morros e armadilhas sertanejas, só para avisar ao Capitão sobre um boato repentinamente surgido. A volante estava naquela redondeza e se dirigindo para as bandas do coito. Aviso providencial que permitia virar as alpercatas de frente pra trás e seguir adiante, ou mesmo preparar-se para o embate. Mais um.

Coito, coiteiro. Coiteiro e coito. Duas palavras num só destino. Coiteiro cria do coito; coito o grande segredo do coiteiro. Um não vivia sem o outro. Do coito saía o coiteiro para cumprir ordens, para os perigosos afazeres; para o coito voltava o coiteiro com o espelho do mundo lá fora. Coito e coiteiro representavam o repouso e a movimentação cangaceira.

Agora sim. Chegou o momento de dizer o que é coiteiro, o que fez na vida, a quem serviu, como e onde agiu, como tantas vezes foi acusado de traição. E também como ficou registrado na história com o extermínio da saga cangaceira, principalmente a lampiônica.


Coiteiro era o sertanejo que, mesmo não fazendo parte do bando cangaceiro propriamente dito, compartilhava do seu mundo e de sua existência. Exteriorizava os desejos e as ordens cangaceiras. Servia de elo entre a vida na caatinga e os seus arredores, incluindo pessoas e povoações. Sem o coiteiro, o cangaço não compartilhava do mundo exterior e ficava totalmente vulnerável aos ataques.

Coiteiro era o matuto chamado a colaborar com o cangaço. Nunca forçado, mas sempre disposto a cooperar. Era, a um só tempo, mensageiro, transportador de mantimentos, confidente, conhecedor e guardião de segredos de vida e de morte. Boca sempre fechada e ouvido sempre aberto, talvez fosse o seu lema. Mas nem todos, segundo dizem, cuidaram de seguir os ditames.

Coiteiro era aquele que, conhecedor de cada linha e cada canto da região catingueira, auxiliava nas estratégias de proteção cangaceira. Era o olho pelo arredor, era o cão farejando o inimigo. Logo dizia sobre a segurança do local escolhido para repouso ou alertava acerca dos perigos que estavam correndo.

Coiteiro era o bom amigo do bando que levava a carne fresca de bode, a linha e agulha para costura, o remédio e a porção, as armas e a munição, o dinheiro e outros objetos enviados ao bando; aquele que se esforçava ao máximo, e correndo todos os perigos, para que nada faltasse naquela estadia dos cangaceiros. E eram bem recompensados pelas providências tomadas. De vez em quando um anel dourado era colocado no dedo.

Coiteiro era aquele que servia o abrigo cangaceiro, o local de descanso e repouso, a moradia temporária do bando, o coito. Desse modo, tem-se então que coito era o local onde a cangaceirada se amoitava vindo de longe viagem e desejosa de algumas horas ou dias de descaso.

Assim, coito era o lugar escolhido pelo líder do bando para o merecido descanso, até que a necessidade fizesse levantar acampamento e seguir adiante. Tantas vezes numa correria no meio da noite ou a qualquer hora do dia que o vento inimigo soprasse pelos arredores.

Por fim, tem-se que coito era a ponto de parada entre a mataria de trás e a mataria da frente. Escolhido cuidadosamente por possibilitar ligeireza na fuga, por está em local desconhecido e de difícil acesso, ou ainda porque em região onde se podia contar com amigos de confiança.

A Gruta do Angico, nas beiradas do Velho Chico, em Poço Redondo, foi o mais famoso dos coitos. Ali Lampião pensava estar protegido, mas se enganou. As serras ao lado, os descampados da beira do rio e as próprias águas como veredas, facilitavam o ataque inimigo. E o ataque mortal veio singrando as águas.

Naquele coito, situado nas terras da família de um coiteiro famoso, um rapazote chamado Pedro de Cândido, a saga cangaceira declinou de vez. O ano era 38, madrugada sertaneja de 28 de julho, e a volante de João Bezerra fuzilou Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. A saga cangaceira terminava ali, ainda que Corisco continuasse nas caatingas até 40.

Dizem que o coiteiro Pedro de Cândido traiu Lampião. Mas nem precisava ser assim. O próprio Capitão, alquebrado e cansado da vida catingueira difícil, parecia não mais atentar para os perigos que o rondava. Do contrário, não ficaria assim tão exposto ao fogo inimigo. E de modo tão previsível.

A culpa não pode recair, pois, apenas no coiteiro, ainda que o mesmo, bêbado e torturado, tivesse apontado o exato local onde estavam Lampião e seu bando. Dizem até que o próprio comandante da volante, o Tenente João Bezerra, na gruta já havia comparecido para um carteado com o amigo rei do cangaço.

Vilela, Alcino e Rubinho

Como dizia Alcino Alves Costa, são mentiras e mistérios de Angico. Mas em todo o percurso cangaceiro a importância do coiteiro. A história sempre prefere cuidar daquele Calabar sertanejo, do suposto traidor. Mas todos os outros deveriam ser lembrados como importantes personagens nessa trama de sol e sangue.

Conheci um desses velhos coiteiros pelas ruas de minha Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo. Homem calmo, de poucas palavras, mas amigueiro se conhecesse a procedência do interlocutor. Assim era Mané Félix, em cujos olhos tantas vezes eu consegui enxergar o outro lado da história: um recorte da vida cangaceira sem emenda nem ponto.

Poeta e cronista
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