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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"UM LAMENTO NOS SERTÕES DO SERIDÓ

Por: Jair Eloi de Souza
Jair Eloi de Souza

 "UM LAMENTO NOS SERTÕES DO SERIDÓ
 
Vi!, terno nascer do dia, em tela de nevoeiro,
Manhã de domingo, ainda é plena primavera,
Chora nua a mata, sem lágrimas, desespero,
Em súplicas, um velho Sertão a rezar por ela.

Branca barba, empoeirada, em tom vermelho,
pensativo, amargoso, num barranco, o Seridó!
Profecia, esperança, a brotarem o ano inteiro,
Mas, a chuva velhaca, fez um trato com o sol."

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço, lá da cidade de Jardim de Piranhas Francisco Borges de Araújo

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VOLTA SECA, O MAIS JOVEM E O MAIS TEMIDO CANGACEIRO


Antonio dos Santos, vulgo Volta Seca, sergipano de Itabaiana, ingressou no bando de Lampião quase menino para escapar às surras diárias que sua madrasta lhe aplicava. Pode se dizer que pulou da frigideira e caiu no braseiro, porque começou a ser surrado por Lampião e pelos demais por causa de suas peraltices, próprias da idade. 


Suas funções se limitavam a dar banho nos cavalos, lavar louça e roupa suja e também espionar nas cidades se havia muitos policiais em ronda. Tanto apanhou que acabou se tornando um dos cangaceiros mais violentos de todo o bando. Astuto, corajoso e agressivo, em contraste com uma grande sensibilidade artística. Apesar de semi alfabetizado, escrevia com grande facilidade versos e também compunha músicas que o bando inteiro conhecia e entoava com entusiasmo quando estava acampado em alguma fazenda sob proteção do próprio dono. Ouçam, clicando abaixo, Volta Seca cantando dele próprio uma das músicas que os cangaceiros mais gostavam, chamada Acorda Maria Bonita:


Volta Seca foi preso 3 vezes, tendo fugido nas duas primeiras. Foi sentenciado a 145 anos, mais tarde a pena foi reduzida para 30 e finalmente para 20, não a tendo cumprido integralmente porque o presidente Getúlio Vargas lhe concedeu o perdão, em 1954.


O cangaceiro Volta Seca morreu em 1997 em Leopoldina, Minas Gerais, onde estava morando. Ele é um dos personagens do programa Memória onde está sendo apresentada uma série especial sobre o cangaço no Brasil. Memória vai ao ar pela rádio Bandeirantes em 840 AM, e em FM 90,9, aos sábados as 23hs00 com reprise aos domingos as 05hs00. 

http://blogs.band.com.br/miltonparron/volta-seca-o-mais-jovem-e-o-mais-temido-cangaceiro

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Mossoró e suas Bandas de Músicas III - 20 de Outubro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 1918, a Sociedade \"União Caixeiral\" resolveu fundar uma entidade que apoiasse uma nova Banda de Música, totalmente independente das que já haviam existido em Mossoró. Assim nasceu a \"União Musical\", que pleiteou junto à Intendência (Prefeitura), uma subvenção para ajudar na manutenção da Banda, o que foi concedido pelo então Presidente da Intendência (Prefeito) Jerônimo Rosado, cujo montante era de 75$000. Essa banda estreou a 13 de dezembro do mesmo ano, em plena festa da Padroeira, dirigida pelo Professor Irineu Wanderley dos Santos. Dois dias depois, a 15 de dezembro, dava a tradicional e clássica retreta no pátio do Democrata Club, para a qual afluiu grande número de ouvintes. Essa Banda, porém, teve curta duração: problemas políticos fizeram com que o Professor Irineu desistisse da Banda eem 7 de setembro de 1919 era anunciado o fim da agremiação. Depois disso houve mais um período de silêncio musical na cidade.
               
Camilo Porto da Silva Figueiredo assumiu a Presidência da Intendência de Mossoró em 1920. Interessado pelos problemas da terra, comprou em Aracati/CE, o instrumental da antiga \"Filantrópica Figueiredo\", recebendo-o festivamente no bairro Paredões, onde fez reunir os elementos que compunham as antigas corporações musicais do lugar. Foi o próprio Camilo que fez a distribuição dos instrumentos entre os músicos presentes, vindo os mesmos para a cidade, tocando, no meio da mais completa alegria, seguido pelo povo, que, mais uma vez, aplaudia a iniciativa. Entretanto a Banda não durou muito tempo. Mais uma vez as dissidências entre artistas fizeram com que o sonho não fosse avante.
               
Em 1921 organizou-se o Grêmio Musical, ficando a diretoria do mesmo entregue a Vicente Gomes Bezerra (Vicente Canuto), os quatro irmãos Paraguai, Manuel Chaves, mais conhecido por Sêo Né de Zuza, Estevam Cruz, Maciel Pereira e os cearenses Napoleão e José Afonso Coelho.
               
Por volta de 1922 surge o Capitão Trigueiro, influente e entendido no assunto. Encabeçando um movimento pró-arte, sai em comissão pelo comércio, em companhia do Monsenhor Manuel de Almeida Barreto, dos senhores José Alves Tavares, Cunha da Mota e Dr. Eliseu Viana. Arrecadaram a quantia de 5.000$000, que foi destinado a uma orquestra, que foi assim constituída:
               
.Violinos: Dona Alcinda Carvalho, Dona Apolonia Bezerra de Albuquerque e seu irmão, Vicente Gomes Bezerra;

               .Violoncelos: Pedro Ciarlini e Artur Paraguai;
               .Basso de Cordas: Pedro Paraguai;
               .Flautas: Dr. Eliseu Viana e Silvério Gilgueira (Filgueirinha);
               .Oboe: Cícero Adeoliveira (Cícero Padeiro);
               .Clarinetes: Geraldo Paraguai e Cícero Fernandes;
               .Piano: Mimosa Almeida;
               .Bandolino: Albaniza Montes.
               
Era o próprio Capitão Trigueiro que ensaiava e regia essa orquestra, cujo repertório continha belas músicas. Mas as atividades dessa agremiação não foram constantes, fazendo apenas algumas raras apresentações.
               
Em 9 de abril de 1927 Joaquim Ribeiro chega a Mossoró, acompanhado do seu filho menor, José Nogueira Freire, vindos da cidade Jaguaribana de União, hoje Jaguaruana. Atendendo ao convite do Coronel Rodolfo Fernandes, Presidente da Intendência, comparece a uma reunião juntamente com outros membros da Intendência, os músicos da terra, jornalistas José Martins de Vasconcelos e Joaquim Carvalho e outros. O motivo da reunião era exatamente o de reativar o \"Grêmio Musical\". A direção da agremiação ficou a cargo de Joaquim Ribeiro. Esse, depois de vários ajustes, mudou o nome da banda para\"Grêmio Musical Santa Luzia\". Essa Banda sobreviveu até 1942. Com o fim da Banda, os seus instrumentos foram doados a Diocese de Mossoró.
               
De posse desses instrumentos o Bispo passou os mesmos ao Colégio Diocesano Santa Luzia, na época dirigido pelo Cônego JorgeO\'Grady, que organizaou uma agremiação musical no Colégio, tendo a frente o Professor Pedro de Castro.
              
               Continua...


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Fonte: http://www.blogdogemaia.com/index.php?arq=09/2011


Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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CONVITE

 


Poeta e cronista
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domingo, 27 de outubro de 2013

BARAÚNA SERTANEJA

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Tipicamente nordestina, com moradia e chão pelos esturricados caboclos, a baraúna simboliza a grandiosidade da natureza sertaneja. Mas não somente isso, pois seu tronco, sua raiz, suas galhagens e seu sombreado, representam o convívio cordial entre o homem e o meio mais inóspito.

Imponente, grandiosa e robusta, a baraúna é uma das mais belas filhas da caatinga. Certamente vaidosa, faceira demais, solene, porém solitária. Sozinha no meio do tempo, mas dizem que prefere que assim aconteça. Sozinha na imensidão catingueira, assim amanhece e anoitece com a certeza que será visitada pelo viajante e por qualquer um que passe pelos arredores.

Conhece histórias de arrepiar, mas também de alegria e encantamento. Já avistou o impossível de ser avistado, já foi soprada pelo vento mais feroz que podia existir. Presenciou instantes de paz e de guerra, foi cama e alento da luta cansada; foi berço e quietude depois da refrega. Foi respingada de sangue de incontáveis emboscadas; ouviu o jagunço chorar por não poder fugir de sua sina sanguinária.



É filha de outro tempo, de um tempo onde o sertão ainda era só mataria, vereda, espinho e bicho por todo lugar. Viu quando os primeiros aventureiros chegaram de facão na mão, cortando tudo, derrubando tudo, abrindo caminhos e tirando de vez a paz do lugar. Sentiu a lâmina na sua pele, sangrou, mas era forte demais para ser derrubada por qualquer um. E lá permaneceu para viver e fazer parte da própria história do sertão.

Entristeceu de chorar ao sentir as grandes transformações que a cada dia iam surgindo. Amiga do frescor do vento, dos animais, dos seres encantados, foi percebendo tudo ficar mais escasso e diferente. Crescida e vivendo ao lado de aroeiras, angicos, cedros, craibeiras, jatobás, bonomes, além de infinidade de catingueiras e gameleiras, aos poucos viu a mataria fechada sendo descoberta, mostrando uma triste e desoladora nudez. E o sumiço angustiante de suas irmãs de mataria.

O tempo passou, quase tudo foi sendo arrancado, derrubado, destruído, e somente ela permaneceu em pé na sua moradia. Hoje já se sente envelhecida, com marcas profundas na sua alma, quase apenas uma sombra do muito que já foi um dia. Diferentemente do que ocorria antes, quando os caminhantes a procuravam aflitos para o descanso, hoje é ela que tanto precisa ser visitada, se sentir ainda capaz de dar conforto e servir de repouso.

Por isso sorri quando avista alguém ao longe e chora demais em cada despedida. A cada um dá um adeus como se não fosse mais avistá-lo; a cada um acena o lenço na folhagem e silenciosamente grita que tenha sorte na estrada. E estrada sertaneja que ficará mais triste e desolada quando não mais restar nenhuma grande árvore no seu percurso. E tudo pela mão da sanha cruel e devoradora do progresso.

Após cada partida, depois de enxugar as lágrimas que escorrem pelo tronco, se põe a pensar no seu percurso de vida, na sua história. E recorda que não só dava sombra e cama aos viajantes cansados como servia de quarto de repouso também para os animais. Os bichos ficavam tão contentes debaixo dela que nem precisavam ser amarrados para não fugir. Os viajantes deitavam ali cansados, mas sempre com tempo de sonhar sonhos bons e todos eles como se a baraúna estivesse falando com eles. Siga adiante, mas faça isso e não faça aquilo se quiser me ver novamente. Era o que a danada dizia a todo mundo.

 

Mas não era só isso não, pois o seu tronco passou a servir também como espécie de oratório, como uma igrejinha a céu aberto aonde todo viajante se ajoelhava para rezar, fazer suas promessas ou simplesmente conversar com Deus, com os anjos e os santos. Um dia quiseram cavar sepultura ao seu redor, mas não deixaram, afirmando ser árvore da vida e não da morte. Porém mais de vez velaram pessoas debaixo dela, choraram a dor da partida e da saudade. E sem esquecer que muitos tombaram sem vida diante do seu olhar.

Eis que a baraúna conheceu Lampião e seu bando, mas também a volante raivosa e desregrada. Gostava quando o Capitão do sertão chegava por ali porque ele sempre guardava um tempinho para um segredo ao pé do seu ouvido. E quase sempre dizia que haveria um tempo que até os mais destemidos, como ele e a baraúna, se dobrariam ao destino. Pois tudo haveria de ser assim. Porque tudo assim naquele imenso sertão.

Poeta e cronista
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