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domingo, 18 de setembro de 2016

UM CABRA INCAPAZ DE ABANDONAR UM AMIGO - A MORTE DE MARIANO NOS ERMOS DO CANGALEIXO

Por José Bezerra Lima Irmão

A volante do sargento Zé Rufino era sediada na Serra Negra, na divisa da Bahia com Sergipe. Quando não estavam nos matos caçando cangaceiros, os soldados matavam o tempo perambulando pelo povoado, jogando baralho e sinuca, fumando e bebendo.

 Tenente Zé Rufino

No dia 25 de outubro de 1936, Zé Rufino encontrava-se na Serra Negra quando foi informado de que a cidade sergipana de Porto da Folha estava prestes a ser invadida por cangaceiros de Lampião. Sem perda de tempo, o comandante pôs a tropa na estrada. Não seguiu, contudo, o roteiro natural, que seria por Monte Alegre — viajou no sentido de Carira, a fim de iludir a vigilância dos coiteiros, pois se fosse por Monte Alegre com certeza alguém correria na frente a fim de avisar aos bandidos. 

A viagem foi feita a pé. Na fazenda Venturosa, antes do povoado Cipó-de-Leite, os soldados mudaram de rumo e entraram em Sergipe, rompendo pelas Aningas, Cumbuqueiro, Serrinha e Baixa Limpa, e à noite, estropiados e famintos, chegaram à Boca da Mata, como era conhecida a atual cidade de Nossa Senhora da Glória. Era um domingo. A maioria dos moradores já estava dormindo. Quando se ouviu o rebuliço da tropa, pensou-se que era Lampião. Começou a correria. Zé Rufino tranquilizou todos: era uma força da Bahia, não tivessem receio. 

A pretexto de colher informações, Zé Rufino passou dois dias na Boca da Mata, sem, contudo, dar pistas do seu destino. Na quarta-feira, dia 28, a volante pegou o caminho de Feira Nova, mas, antes da fazenda Quixaba, dobrou à esquerda, pela estrada de São Mateus, indo pernoitar na fazenda Malhadas, onde recebeu uma noticia desalentadora: acabara de passar por ali a volante sergipana de Zé Luís. Para Zé Rufmo isso significava o fim da surpresa por ele planejada, pois os cangaceiros com certeza já estavam sabendo que havia polícia na área. Mas, por outro lado, como os cangaceiros não tinham medo da polícia de Sergipe, era até bom que eles pensassem que por ali só havia aquela força sergipana. 

No dia 29, os homens da volante passaram por um riacho seco, em cujo leito se encontravam a intervalos pequenos poços de água, onde nadavam piabas e outros peixes pequenos. João Doutor foi ver se pegava umas piabas. Zé Rufino caçoou dele: 

— Dexa de bestera, Doutô, sordado foi feito foi pra pescá cangacero! 

João Doutor e Bentevi seguiam na frente e terminaram distanciando-se dos outros. Depois de subirem uma ladeira, pararam à sombra de uma quixabeira, a fim de esperar pelos companheiros, já que o sol começava a esquentar. Numa vereda que passava pela quixabeira, notaram que havia rastros de pessoas. Quando o rastejador chegou, mostraram a ele. 

— Os rasto é de hoje, desta madrugada — assegurou o experiente Gervásio. 

Deixaram então a estrada e seguiram pela vereda, Gervásio na frente. Logo adiante, chegaram a um tanque e, misteriosamente, os rastros sumiram. Era como se as pessoas que chegaram até ali simplesmente tivessem se encantado. O soldado Capão, não se sabe se por brincadeira ou a sério, opinou: 

— Eu acho qui os cangacero tão é dento desse tanque... 

Gervásio, João Doutor e Capão destacaram-se do grupo e foram ver se no outro lado do tanque havia rastros. Avistaram então um garoto de uns 12 anos de idade que carregava alguma coisa enrolada num pano. Perguntaram o que é que ele ia levando, e o garoto, meio nervoso, respondeu que era comida para uns trabalhadores na roça. 

Desconfiando, Capão desembainhou o punhal e segurou o menino, ameaçando: — Oi aqui, seu pestinha, eu vou lhe matá se você nun conta a verdade... O garoto manteve-se filme, dizendo que a comida era para uns trabalhadores de seu pai. Gervásio, sabendo que Capão era meio doido, puxou o garoto para si e falou: 

— Nóis sabe qui o seu pai é amigo dos bandido. Seu pai tá cum eles agora, nun tá? É pur isso qui você nun qué falá? 

— Eu já diche qui nun sei nada de bandido, tô levano cumida é pra uns trabaiadô. 

João Doutor perdeu a paciência: 

— Se qué falá, fale, e seu pai nun morre, mais se nun qué fala, seu pai vai morrê junto cum os bandido! 

— Nun sei nada de bandido — repetiu o garoto. 

Nesse instante, viram Bentevi e Alípio no paredão do tanque fazendo gestos para que todos se reunissem. Pelo jeito, tinham descoberto alguma coisa. Gervásio levou o garoto a Zé Rufino e expôs as suspeitas de que ele estava levando comida para os cangaceiros. Zé Rufino não mostrou interesse imediato pelo menino, pois Bentevi e Alípio tinham encontrado os rastros. Apenas perguntou ao menino como era o nome daquele lugar. 

— Cangalexo — respondeu o garoto. 

— Cangalexo? Municipo de onde? 

— Sei não sinhô... 

— E de quem é esta fazenda? 

— Do meu pai. 

— Eu proguntei o nome! — agastou-se o comandante. 

— Chamam ele de João do Pão... 

Zé Rufino pensou um pouco e disse: 

— Vamo vê os rasto. Isso aqui ou é Gararu ou é Porto da Foia. E tragam esse muleque. 

Os rastros partiam de umas pedras atrás do paredão do tanque. As pegadas eram nítidas, recentes, e encaminhavam-se para uma zona de vegetação densa, com muita macambira e xiquexique. Os homens seguiam atentos. Zé Rufino tinha certeza de que os rastros eram mesmo de bandidos, pois trabalhadores andam em caminhos que levam a roças, só quem procura mata cerrada é bandido e caçador, mas caçador não caminha tentando esconder os rastros. 

O comandante dividiu a volante em três grupos. Mandou que Valdemar, Jovino, Juazeiro, Capão e Paulo de Tavinha seguissem pelo lado direito. Pelo outro lado foram Zé Monteiro, Hercílio, João Venâncio e João Redondo. Pelo centro seguiu o restante da volante, inclusive Zé Rufino, o rastejador e o cabo Miguel. Zé Rufino mandou que Doutor, João Pereira, Zé Martins e Bentevi fossem na frente. Os homens movimentavam-se em silêncio, pisando de leve na folhagem, cautelosamente, certos de que estavam próximos do coito dos bandidos. E não se enganaram. Logo, ouviram ruídos. 

Os soldados aproximaram-se, agachados por trás das macambiras, comunicando-se por gestos. Adiante, sob uma árvore, avistaram quatro cangaceiros que estavam jogando baralho, sentados num lajedo. Os soldados pararam um pouco, esperando Zé Rufino, que tinha ficado para trás. O comandante é quem deveria ordenar o ataque.(1589)

Mariano escolhera aquele local com todo cuidado, pois sua mulher, Rosinha, estava em avançado estado de gravidez. Naquele momento, ele e Rosinha estavam descansando numa barraca à sombra de um umbuzeiro, enquanto ouviam, a certa distância, as discussões e xingamentos dos companheiros com seus trapacentos jogos de cartas. Instantes atrás, Zabelê exaltara-se, pois estava perdendo todas as partidas, queria até rasgar o baralho, mas os outros não deixaram. Porém agora os cabras estavam mais calmos. 

Os que estavam jogando eram Pai Véio, Lavandeira, Zabelê e o coiteiro João do Pão. O cangaceiro Criança estava peruando o jogo, de pé, filmando. Depois chegou Quixabeira, que estivera andando pelos matos. Reclamando do calor, Quixabeira tirou o chapéu de couro e ficou abanando-se com ele. Criança jogou o toco do cigarro fora e dirigiu-se à tenda de Mariano. Não sabiam eles que se encontravam sob a mira dos fuzis de quatro soldados da volante do tenente Zé Rufino, postados atrás de umas touceiras de macambira, tão próximos que podiam ouvir as suas conversas. 

O soldado Bentevi encarregou-se de matar Criança e Quixabeira, os que estavam de pé, enquanto que Doutor, João Pereira e Zé Martins se concentraram nos que estavam jogando. Quando fizeram sinal para Zé Rufino, apontando para além das macambiras, o comandante levantou o polegar, autorizando o ataque. Os soldados atiraram a um só tempo, abatendo logo dois cabras, mas os outros, de forma inexplicável, saltaram como se fossem impulsionados por molas e embrenharam-se no mato, sem sequer esquecer as armas, pois no mesmo instante já estavam respondendo aos tiros da volante, gritando, xingando, ameaçando. 

Os outros soldados, ao ouvirem os disparos, correram na direção dos tiros. Zé Rufino e Miguel gritavam ordens, orientando-os para o cerco aos bandidos. Rosinha estava grávida, não podia correr, e Mariano não a abandonaria naquela situação extrema. Era um cabra incapaz de abandonar um amigo, quanto mais a sua companheira. Que todos fugissem, menos ele. Mandou que ela se entocasse atrás de uma touceira de macambiras, enquanto ele, protegido por um pé de imburana, sustentava o fogo a fim de conter o avanço da volante. 

Em instantes, toda a área ao redor da imburana ficou ofuscada com a fumaça do seu fuzil. Miguel e Artur rodearam pelo mato. orientando-se pela fumaça que envolvia o pé de imburana, e foram postar-se do outro lado. Mariano percebeu a manobra e compreendeu que ia ser cercado. Ainda dava para fugir. Não sabia se os companheiros estavam mortos ou se tinham fugido. 

Mas Rosinha estava ali, não podia abandoná-la — um cabra do Pajeú é homem até à morte. Prosseguiu atirando, ora na direção do grosso da volante, ora nos soldados que se postaram à suas costas. Sem poder enxergar direito, devido ao fumaceiro, Miguel e Artur atiravam na direção do tronco da imburana. Se havia alguém ali, não tinha como escapar. Como estava muito próxima, Rosinha viu quando o corpo de Mariano foi sacudido por um balaço que lhe espatifou a coxa esquerda. 

Então ela, desesperada, saiu correndo no meio da fumaça, gritando pelos companheiros, e por sorte encontrou-os. — Pelo amô de Deus, socorram Mariano! Ele tá findo! Ele tá atrais daquele pé de imburana! Os cangaceiros foram rastejando até o local onde Mariano se encontrava, acharam o corpo, estava vivo, tossindo, sufocado pela fumaça, mas consciente, mandando que fugissem: — Me larguem, fujam, levem Rosinha, ela pricisa sarvá meu fio!... 

Dois cangaceiros agarraram o corpo e saíram correndo com ele pelo mato, enquanto os outros davam cobertura. Porém os soldados perceberam o que estava acontecendo e se puseram em seu encalço. Mariano ordenava aos companheiros: 

— Me larga! Me larga! Me largal... Fujam!... Levem Rosinha, ela pricisa sarvá meu fio!... Me larga! Me largal... 

Como os companheiros não o obedeciam, ele puxou a pistola e ameaçou: 

— Ou me larga, ou eu mato voceis! 

Os companheiros fugiram, levando Rosinha, ora correndo, ora praticamente arrastada. Sozinho, sem nenhuma esperança de salvação, mas sem perder a bravura, Mariano aguardou a aproximação da volante atirando com a pistola até acabar a munição. Os soldados, percebendo que o cangaceiro não tinha mais balas, cercaram-no e esperaram a chegada de Zé Rufino. O comandante chegou ofegante, pisou no corpo do cangaceiro e perguntou: — Cuma é o seu nome, cabra? 

1589 Coordenadas do local do ataque, onde há uns lajedos, a 300 metros do tanque do Carifi: 10° 01' 40.80" S, 37° 19' 31.10" W. João do Pão era um fazendeiro de posses consideráveis — sal fazenda, na margem direita do Rio Capivara, no município de Gararu, a uma légua do povoado São Mateus, tinha mais de 2.000 tarefas. Entrevista do autor com José dos Santos (Zeck de Salu) no Cangaleixo, no dia 3.1.2010. 

Mariano não respondeu. Apenas mordia os lábios, de dor ou de raiva. Zé Rufino deu um chute nas costelas do cangaceiro, e insistiu: 

— Eu tou proguntano cuma é o seu nome, seu disgraçado! 

Bentevi considerou: — Eu acho que esse aí ou é Mariano ou é Anjo Roque... 

Então Zé Rufino se lembrou de que num combate em 1934 Mariano tinha recebido um ferimento na perna. Mandou que rasgassem a calça do bandido. Quando rasgaram o tecido, lá estava o ferimento, acima do joelho — ferimento recebido na fazenda Nica, quando a polícia prendeu sua primeira mulher, Otília. A alegria de Zé Rufino e seus comandados foi demais.

— E Mariano! — exclamou Zé Rufino. 

E ordenou: — Paulo de Tavinha, mate o cabra! Mais tenha coidado cum a cabeça, qui eu priciso dela! 

Paulo de Tavinha sacou o parabelo, aproximou-se do ferido e descarregou a arma: 8 tiros. Mariano arfou, estrebuchou-se, mas continuava vivo. Paulo de Tavinha recarregou o parabelo e despejou de novo no corpo do cabra todas as 8 balas... mas não conseguia matar o homem, que fixava o algoz com olhar desafiador. 

Bentevi perdeu a paciência — desembainhou o facão, agarrou a cabeça do bandido pelos cabelos e com dois golpes separou-a do corpo. Zé Rufino acocorou-se, a fim de recolher os pertences do defunto. Primeiro pegou a pistola. Os bolsos e os bornais continham dinheiro, peças de ouro, inclusive muitos anéis e alianças. Num dos bolsos da calça, encontrou um relógio. O comandante olhou a hora. Comentou: 

— Curioso isso... é 10 hora e 10 minuto, e nóis tamo im outubro, qui é o meis 10... O ano é 1936. Dexe vê: 1 mais 9 é iguá a 10... 10, nove fora, 1; 1 mais 3 é iguá a 4; e 4 mais 6 é iguá a 10... E tudo 10... Qui dia é hoje do meis? 

— Hoje é 29 — informou o cabo Miguel Bezerra. 
— E 29, nove fora, 2! 

O comandante reagiu: 

— Cala essa boca, seu burro! Qué atrapaiá mias conta? 

Satisfeito com a agudeza de sua inteligência, Zé Rufino enfiou o relógio na algibeira e ordenou: — Vamo procurá os outo morto! Voltando ao ponto do início do combate, onde os cangaceiros estavam jogando cartas, encontraram dois corpos. Saberiam depois que um era o cangaceiro Pavão e o outro era o coiteiro João do Pão — o pai do garoto que encontraram no caminho. 

Zé Rufmo aproximou-se e, ao notar que os bolsos dos mortos estavam revirados para fora, berrou, furioso: 

— Tem ladrão aqui! Eu só quiria sabê quem foi o cachorro qui já feis a limpal... Peguem as arma e as cartuchera do cabra! 

Enquanto os soldados vasculhavam a área à procura de outros mortos, ouviram-se uns tiros. Todos correram para ver o que estava acontecendo, e avistaram Alípio e Miguel deitados no chão, atirando em direção a uma moita, de onde também vinham tiros. Os soldados cercaram o atirador solitário. 

Encontraram um cangaceiro já baleado, e então Alípio deu o tiro de misericórdia, acertando um balaço em sua cabeça. Acabava de ser morto o cangaceiro Pai Véio. Zé Rufino fez uma verificação superficial nos bolsos e bornais do morto, e foi condescendente: 

— Pra nun dizê qui eu sou fominha, desse aí podem pegá o qui quisere... 

Os soldados voaram em cima do morto, cada um arrancando para si o que interessava ou era possível. Geralmente os cangaceiros levavam consigo tudo o que possuíam — dinheiro, joias, relógios. O momento mais esperado pelos homens das volantes era aquele — a hora do saque. Zé Rufino presenciava tudo, para evitar brigas, e também por interesse, pois se fosse encontrado algo especial ele faria prevalecer a sua autoridade, reivindicando-o para si. Na confusão, o garoto fugiu. (1590)

No início da tarde, a volante de Zé Rufino entrou triunfante em Porto da Folha, exibindo as cabeças dos cangaceiros. O comandante mandou reunir o povo na frente da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e ordenou que fizessem uma festa. As cabeças ficaram expostas na prefeitura. O mais aliviado era o comerciante Zé Brechinha, que tinha recebido um bilhete de Mariano solicitando cinco contos de réis. 

Zé Rufino resolveu levar as cabeças para Jeremoabo. Ao passar por Pão de Açúcar, elas foram fotografadas por João Damasceno Lisboa. Até então, aquele era o maior feito de Zé Rufno. Mariano não era um cangaceiro qualquer. Ele acabava de pegar um dos maiorais da história do cangaço. 

1590 Os autores não se entendem quanto à data da morte de Mariano. Frederico Bezerra Maciel diz que teria sido em 27.10.1936: ob. cit., v. IV, p. 216. Felipe de Castro, em Derrocada do Cangaço no Nordeste, indica duas datas: 29.10.1936 (p. 65, no município de "Caruaru") e 10.9.1936 (p. 221). Frederico Pernambucano de Mello, cm Guerreiros do Sol, diz que teria sido no dia 10.10.1936 (p. 240-241), porém na legenda das fotos das cabeças ele registra 29.10.1936 (p. 3921393). Iaperi Araújo aponta o dia 25.10.1936: A Cabeça do Rei, p. 201-202. Já segundo Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, teria sido no dia 26.10.1937 (um ano depois): ob. cit., p. 141/143. Alcino Alves Costa dá a entender que teria sido em 10.10.1937: Lampião Além da Versão, p. 321/328. José Anderson Nascimento situa o fato no início de outubro de 1937 (por volta do dia 2): ob. cit., p. 262/268. Também Antonio Amaury Corrêa de Araújo registrou a morte de Mariano em 1937: Gente de Lampião — Sila e Zé Sereno, p. 140. Joaquim Góis não cita a data: ob. cit., p. 1911200.A data correta é 29.10.1936, conforme telegrama passado pelo sargento José Rufino para o capitão João Facó, chefe de polícia da Bahia, transmitido de Porto da Folha, no dia 29, às 15 horas, no qual afirma: "... consegui hoje 10 horas tirotear com grupo de bandidos de Mariano. Foram mortos os seguintes bandidos: Mariano, Pai Velho e Zepelim." A íntegra do telegrama foi publicada nos jornais Diário de Noticias (Salvador), de 31.10.1936, p. 1, e O Imparcial (Salvador), de 31.10.1936, p. 8. O jornal O Estado de Sergipe (Aracaju), de 30.10.1936, p. 1, informa que as cabeças chegaram a Porto da Folha "às 10h de ontem". Esse mesmo jornal, na edição do dia 1°.11.1936, p. 1, cita o dia 20, porém mais adiante corrige: dia 29. O fato é mencionado ainda na edição do dia 10.11.1936, p. 1. O fato foi noticiado também no Correio de Aracaju, de 27 e 30.10.1936. Pensou-se inicialmente que os mortos seriam Mariano, Pai Véio e Zepelim, porém depois se descobriu que em vez de Zepelim quem morreu foi Pavão (Zepelim viria a morrer a 22.4.1937 na fazenda Arara, na região de Poço Redondo, então município de Porto da Folha). Quanto a Pai Véio (Moitintia), cumpre não confundi-lo com outros homônimos, a exemplo daquele também conhecido como Velho Faustino (pai de Arvoredo), que já havia morrido — morreu na Casa de Detenção de Salvador. Nertan Mgccdo afirma erroneamente que um dos mortos se chamava Devoção: Lampião — Capitão Virgulino Ferreira da Silva, p. 199. O erro foi repetido por Joaquim Góis (Lampião — o Ultimo Cangaceiro, p. 199) e Rodrigues de Carvalho (Lampião e a Sociologia do Cangaço, p. 215). 

Mariano Laurindo Granja estava com Lampião havia 12 anos, desde fugira para a Bahia, em 1928. Descendia de família de certo destaque, mas poucos o chamavam assim, só os íntimos, pois ele não gostava do apelido. Era um cangaceiro comunicativo, sereno, bem-humorado, onde estava inesgotável de piadas. Tocava sanfona. E era sobretudo leal aos amigos. (1591)

Viera com ele de Pernambuco, quando o bando de Afogados da Ingazeira. Seu apelido era Cabeção. Fazia todo mundo dar gargalhadas com o seu repertório inesgotável de piadas. Tocava sanfona e era sobretudo leal aos amigos.


As cabeças de Mariano, Pai Veio e Pavão (de início, Pavão foi identificado erroneamente como Zepelim) 
1591 Rodrigues de Carvalho, ob. cit., p. 211-212. Hilário Lucetti e 1v1agérbio de Lucena, ob. cit., p. 137/139. Frederico Pernambucano de Mello, Guerreiros do Sol, p. 240.:241. 


FONTE: Livro LAMPIÃO: RAPOSA DAS CAATINGAS pag. 513 sob o tema A morte de Mariano nos ermos do Cangaleixo 


1591 Rodrigues de Carvalho, ob. cit., p. 211-212. Hilário Lucetti e 1v1agérbio de Lucena, ob. cit., p. 137/139. Frederico Pernambucano de Mello, Guerreiros do Sol, p. 240.:241.

FONTE: Livro LAMPIÃO: RAPOSA DAS CAATINGAS pag. 513 sob o tema A morte de Mariano nos ermos do Cangaleixo

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INJUSTIÇA... ESSE DEVERIA TER SIDO O TÍTULO DA MATÉRIA (ABAIXO) DO JORNAL “CORREIO DA MANHÔ DE 26 DE JULHO DE 1927.


A matéria do Jornal apresenta a prisão de João Ferreira da Silva, irmão de Lampião, e o apresenta como bandido atuante no Estado de Alagoas.


Quem estuda mais a fundo o cangaço lampiônico sabe perfeitamente que João Ferreira da Silva não acompanhou os irmãos no cangaço e tão pouco teve qualquer envolvimento com o banditismo. Portanto, uma matéria jornalística sem nenhum fundamento e tão pouco credibilidade.

Fonte: Geraldo JúniorO Cangaço - https://www.facebook.com/profile.php?id=100011331848533

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O VILÃO DE VELHO CHICO

Por: Domingos Eugênio de Melo

O VILÃO DE VELHO CHICO

Óh! meu Rio são Francisco,
Que mata a sede e a fome,
Por que mataste este homem?
Um pai de família ativo.
Andava por tuas margens,
Mas, ele e sua personagem ,
Teriam que ficar vivos.

Mas você, com seus encantos,
O convidou para um banho,
Nem falou do seu tamanho,
Nem da sua correnteza.
As tuas águas, queridas,
Tirou seu, sopro de vida,
E deu ao mundo, tristeza.

Rio tu tinhas ciência,
Que havia sido escalado,
Pra ser homenageado,
E mostrar sua trajetória.
Mas, você não teve pena,
Roubou pra si, toda a cena,
Pra ser vilão desta historia.

Matou um bom personagem,
E também o seu intérprete,
E agora tu, se diverte,
Por ter mudado um roteiro.
Rio, tu foste egoísta,
Tirou da gente um artista,
E agora o tens, por inteiro.

Ele tinha outras histórias,
Para contar para a gente,
Mas, você, todo envolvente,
Não o liberou de sua trama.
Preferiu, nos dá, a mágoa,
De vê-lo, morrer em tuas águas,
No auge de sua fama.

Você deve ter gostado,
Da atuação deste ator,
Por isso que o contratou,
Para te deixar mais rico.
Domingos, é teu e exclusivo,
E pra sempre, estará, vivo,
Nas águas do VELHO CHICO.

De Domingos Eugenio de Melo
Em 15 de setembro de 2016

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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Dr. AUGUSTO SANTA CRUZ - O BACHAREL CANGACEIRO!


Do livro: Guerreiro Togado
De: Pedro Nunes Filho

No dia 6 de maio de 1911, Alagoa de Monteiro (atual cidade de Monteiro/PB) amanheceu gemendo debaixo de bala.

A obra relata uma história judiciária inacreditável sobre parte da vida de Augusto Santa Cruz, ex-promotor que entrou para o cangaço no início do séc. XX e depois torna-se juiz de direito!

O livro passa no efervescente ambiente político no sertão paraibano do início do século passado – 1910

RESUMO DA HISTÓRIA:

1. Formado em Recife, Santa Cruz vem a sua cidade Alagoa de Monteiro com ideais revolucionários; torna-se um jovem promotor eloqüente. Isso no início dos anos 1900. Deixa o Ministério Público. Indignado com acontecimentos políticos, forma um grupo de justiceiros. Invade o município natal, onde permanece por vários dias, fazendo autoridades reféns.

2. Depois, sai de Alagoa do Monteiro/PB e vai a Juazeiro do Padre Cícero, levando consigo várias autoridades, inclusive um promotor de justiça. São muitos dias de viagem; é perseguido sem sucesso. Vai deixando as autoridades ao longo do caminho. Em Juazeiro, recebe a “proteção" de padre Cícero, com quem permanece por 6 meses; o padre era um revolucionário como Santa Cruz.

3. Junta-se então a outros cangaceiros, formando um grupo de muito mais de uma centena de homens justiceiros!

4. Resolvem invadir Campina Grande na Paraíba. De Juazeiro a Campina a viagem é muito longa; antes, outras cidades são invadidas.

5. Para chegar a Campina, tinha que enfrentar o destacamento de São João do Cariri; alguns militares contra muitos cangaceiros

6. Em São João do Cariri, a batalha começa; os Cangaceiros pensam erradamente que o exército estava dando apoio ao delegado.

7. Cangaceiros batem em retirada; formam vários grupos; Campina Grande não é invadida; começa a perseguição aos fugitivos; vários morrem.

8. Levado a julgamento por seus crimes (políticos?), Santa Cruz é absolvido de todos; deixa o cangaço (ou a revolução que pretendia?).

9. Passado o tempo, Santa Cruz torna-se juiz de direito; mas já era conhecido como o bacharel cangaceiro. Certo dia, já juiz, chega a se deparar com uma emboscada de Lampião, que apenas queria conhecer o bacharel cangaceiro, homem valente ... Lampião não teve o apoio de Santa Cruz e deixou as terras de sua Comarca.

10. Santa Cruz ficou conhecido como juiz justo e independente.

No ano de 1926, ocorreu a batalha da Serra Grande, considerado o maior combate da história do cangaço. Por ironia do destino, o Dr. Augusto Santa Cruz era o Juiz Direito da Comarca de Vila Bela e, foi até a Serra Grande verificar os fatos de perto.

Postagem original: Fábio Ataíde - Juiz de Direito


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"MOÇA".... A CANGACEIRA QUE DAVA AZAR ...! ... FOTO INÉDITA...!

Acima, foto inédita da cangaceira MOÇA, por ocasião de sua entrega à polícia de Mata Grande - AL.
Foto: Cortesia Silvio Bulhões... Acervo: Volta Seca.

A cangaceira de alcunha "Moça" tinha o nome próprio de Joana Gomes. Era amante de Cirilo de Engrácia, vindo esse a falecer em combate com o Subdelegado Agripino Feitosa e alguns civis da cidade de Mata Grande-AL.


Viúva pela 1ª vez, MOÇA passou a conviver com o cangaceiro "JACARÉ", do Grupo de Corisco que, também, foi morto pela polícia no sertão de Pernambuco. Desse modo, MOÇA ficou viúva pela 2ª vez...

Desesperada, e, chorando muito, não aceitou se juntar ao cangaceiro NEVOEIRO. Resolveu se entregar à polícia da cidade de Mata Grande - AL... Antes, "DADÁ", costurou um vestido escuro para a mesma e, na bainha da roupa, colocou um bom dinheiro que foi arrecadado com os cangaceiros do grupo.

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sábado, 17 de setembro de 2016

O CANGACEIRO MORMAÇO II (FRANCISCO RAMOS DE ALMEIDA)

Por Geraldo Júnior

Era natural do Sítio Baixio dos Ramos. Participou do bando de Lampião em meados da década de vinte.

Estava presente entre os cangaceiros que Lampião levou ao Juazeiro do Norte/CE em 04 de março de 1926.

- Participou do ataque à Fazenda Serra Vermelha, município de Vila Bela (Atual cidade de Serra Talhada/PE) em 01 de agosto de 1926. O seu nome consta no rol dos denunciados, no processo que foi instaurado no Cartório de Vila Bela, para apurar os crimes ali cometidos.

- Participou do ataque à Fazenda Tapera, município de Floresta (PE), quando foram massacradas onze pessoas da família Gilo em 28 de agosto de 1926.

- Participou do ataque à Vila São Francisco (PE), em 23 de novembro de 1926.

- Participou do combate da Serra Grande, próxima a cidade de Serra Talhada/PE em 26 de novembro de 1926.

Participou de todas as ações que precederam a invasão ao Rio Grande do Norte e do ataque a cidade de Mossoró/RN em 13 de junho de 1927.

Esteve em Limoeiro do Norte/CE em 15 de junho de 1927. Desertou do bando quando estavam no Ceará em 10 de julho (1927), próximo ao município de Missão Velha (CE), sendo preso poucos dias depois na cidade do Crato/CE, quando tentava passar despercebido. Depois transferido para Martins/RN, onde, no dia 12 de março de 1928, foi fuzilado pela polícia, que justificou que ele havia tentado fugir da prisão, juntamente com outros cangaceiros: Bronzeado e Casca Grossa e mais dois presos da justiça.

Foto e Texto: Livro “CANGACEIROS DE LAMPIÃO DE A A Z de Bismarck Martins de Oliveira.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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LANÇAMENTO DO LIVRO, HISTÓRIA DA MINHA VIDA PROFISSIONAL - BENEDITO VASCONCELOS MENDES

Por José Romero de Araújo Cardoso

ESCRITOR BENEDITO VASCONCELOS MENDES, IDEALIZADOR DO MUSEU DO SERTÃO DE MOSSORÓ


P R O F E S S O R   B E N E D I T O LANÇA  LIVRO SOBRE  SUA VIDA- O Professor Benedito Vasconcelos Mendes lançará no próximo dia 22, quinta-feira ( 22-09-2016 ), às 18 horas, em Natal, na Academia Norte-rio-grandense de Letras seu novo livro " História da Minha Vida Profissional ".O Professor  Benedito Vasconcelos Mendes é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agronomia, Conferencista, Escritor, Cientista e  grande conhecedor do Semiárido nordestino, tendo publicado 22 livros, sobre os mais variados temas ligados ao homem e ao ambiente físico da área seca do Nordeste do Brasil e agora brinda os seus leitores com um livro sobre sua vida profissional. Exerceu o magistério universitário na ESAM e na UERN. Dirigiu importantes instituições de ensino e pesquisa, como ESAM (hoje UFERSA), CEMAD (antigo centro de pesquisa da UERN), EMPARN, EMBRAPA MEIO-NORTE (com atuação no Piauí e Maranhão) e Delegacia do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Norte. É o atual Presidente do Instituto Cultural do Oeste Potiguar-ICOP, Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço-SBEC e Curador do Museu do Sertão de Mossoró. Pertence a muitas Academias de Letras de vários Estados, inclusive a Academia Norte-rio-grandense de Letras. É Sócio dos Institutos Históricos e Geográficos do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Foi um dos fundadores da Academia Mossoroense de Letras-AMOL e da Academia Norte-rio-grandense de Ciência-ANOCI. Em nível nacional, ocupou, também, a Presidência da Sociedade Brasileira de Fitopatologia e da Sociedade Brasileira de Nematologia, quando se revelou exímio palestrante e se tornou conhecido no meio Agronômico brasileiro, por suas cativantes palestras. É um dos mais importantes estudiosos do homem e da terra nordestina, tendo escrito inúmeros e importantes livros sobre o clima, os solos, os recursos hídricos, a fauna, a vegetação e sobre o homem sertanejo.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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INSCRIÇÕES EXISTENTES NO PÚLPITO DA IGREJA DO ROSÁRIO DE POMBAL/PB

Por Verneck Abrantes


Perguntaram-me sobre as inscrições existentes no Púlbito da Igreja do Rosário. Uma sequência em latim, veja a tradução da mensagem. 

Spiritus Sancti Gratia=Que a Graça do Espírito Santo.

Iluminei Sensus Et Corda Nostra= Ilumine a Nossa Mente e Nossos Corações. 

Pratica Verbum Inflaopprtuné Importunée=Inflama-nos para Praticá-mos o que Pregamos.

Inomini Pratientia Et Doctriana=Em Nome da Paciência e da Doutrina.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

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VELHO CHICO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 16 de setembro de 2016 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.575 

Penetrando em Alagoas pelo município de Delmiro Gouveia, o rio São Francisco banha pela ordem, as cidades de Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Traipu, São Brás, Porto Real de Colégio, Penedo e Piaçabuçu. Podemos encontrar três formas básicas de margens, também pela ordem montante/jusante. A primeira faixa é representada pelos enormes paredões abruptos denominados canyons, em Geografia. Esse tipo de formação surge desde a fronteira com a Bahia até, aproximadamente, o município de Piranhas, cujo relevo foi aproveitado para a Hidrelétrica de Xingó. A segunda faixa de margem é composta de morros e escarpas que, ora se aproximam do rio, ora se afastam, formando terraços mais largos ou mais estreitos. 


Nesses terraços, estão algumas cidades como Piranhas (terraço estreito) e Pão de Açúcar (terraço amplo). Essa formação vai até mais ou menos, o município de São Brás. A terceira faixa marginal dispensa canyons, escarpas e morros, formando muitas vezes planícies inundáveis. Vai desde o município de Igreja Nova, mais ou menos, até a foz do São Francisco em Piaçabuçu. Apesar de se dizer que o rio está quase seco por causa das hidrelétricas ao longo do seu leito, o Velho Chico nunca deixou de ser perigoso, principalmente para turistas de perto e de longe. Perigos de profundidade, de pedras, da correnteza e de correntes submersas. É uma armadilha belíssima esperando vítimas. O ator Domingos teve a vida ceifada na segunda faixa de tipos de margem, justamente as das imediações de filmagens da novela. As notícias de afogamentos no Velho Chico parecem ser da mesma proporção das praias. Aqui, acolá uma notícia, cuja maioria dos acontecimentos é de pessoas em excursões, notadamente, jovens. Infelizmente, as belas arapucas também funcionaram contra essa pessoa tão famosa e querida do público brasileiro.


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VELHO CANDEEIRO, LUZ DO SERTÃO

*Rangel Alves da Costa

Ontem mesmo eu fiz a postagem de um texto intitulado “A chama do velho candeeiro”. Era, porém, uma escrita curta, de poucas linhas, sem o fôlego necessário para falar muito mais sobre essa luminária cabocla de tão grande importância na história interiorana, principalmente a sertaneja. Pela aceitação e necessidade de me alongar um pouco mais, então resolvi rabiscar os entendimentos e as memórias que se seguem.

Quando cito entendimentos e memórias é no sentido da percepção da importância do candeeiro no dia a dia de antigamente, bem como trazendo ao lume de agora as relembranças que guardo comigo daquele passado de noites de casas e casebres iluminados pela chama no pavio. Tenho pouco mais de cinquenta anos, mas muito me recordo daquelas noites escuras no sertão onde nasci e das casinhas distantes onde a única visão que se tinha era da porta aberta e iluminada pelo amarelado dançando ao vento.

Hoje em dia, candeeiro é quase uma raridade no mundo sertanejo. Depois do advento da luz elétrica, nem mesmo por recordação as pessoas mantiveram guardadas suas luminárias antigas. Somente nas regiões mais distantes e aonde a posteação elétrica ainda não chegou, é que não se tem alternativa a não ser utilizar lamparinas. E tais lamparinas geralmente são modernas, a botijão de gás ou mesmo outras luminárias a combustível. E o candeeiro, daquele autêntico, envelhecido e escurecido pelo uso e pelo fumo ao redor, somente naquelas casinholas mais empobrecidas, mais distantes, quase nos escondidos do mato.

Estas casinholas distantes, bem distantes de tudo, são avistadas na noite, e ao longe, como vaga-lumes que não saem do lugar. No meio do breu, em meio à escuridão sertaneja, avistar uma luzinha amarelada ao longe é sinal de que ali há moradia. Acaso a porta esteja aberta, possível será sentir o fraco amarelado da luz como um balançar que ora aumenta ora diminui. É a chama no pavio dançando e se balançando ao sabor do vento, que em momentos faz com que pareça que vá apagar. Mas com portas e janelas fechadas, somente se aproximando mais para que as frestas digam das vidas ainda acordadas.


Verdade é que depois da lua cheia, do vaga-lume e do olho atento, o candeeiro foi a luz que mais iluminou os sertões de antigamente. Não havia vela disponível, lampião a gás, lamparina de camisa, nada que facilitasse a vida do sertanejo e o tirasse do breu noturno. Ao surgir o candeeiro, que nada mais é que um vasilhame que vai afunilando para cima até forma um bico, e neste desponta o pavio de algodão, então a vida ficou muito mais segura e animada.

Ora, os casebres se animavam com a chama acesa, a mulher costurava e remendava seus panos, a mocinha debulhava o feijão de corda, o menino reinava de canto a outro. O velho vaqueiro ajeitava seus couros para a labuta do dia seguinte, o homem da terra separava o grão, ajeitava a enxada, a foice, remexia no aió e no embornal. Tudo nascido de uma coisa tão simples. Bastava colocar querosene dentro do vasilhame e logo o pavio se umedecia pronto pra chamejar.

Quanto mais umedecido o pavio mais a chama se aviva, crescia, dançava, iluminava, fumaçava. Mas quando o querosene ia diminuindo no bojo, então logo o pavio escurecia, a luz enfraquecia, a fumaça enegrecia. Era hora de despejar mais querosene, trocar o pavio e deixar que a luz novamente dançasse sua valsa. Naquelas paredes de barro enegrecidas em muitos lugares, principalmente nas partes mais altas, a prova de que ali o candeeiro quase beijou sua face. A fumaça escurecida ia dando aquela cor envelhecida e triste.

Mesmo o vento açoitando, a luz balançava e não apagava. Nem todo sopro de gente conseguia apagar a vibrante chama. Por isso que quando já tarde da noite e todos tinham de se recolher, o dono ou a dona da casa se dirigia até o candeeiro, geralmente atrepado num dos cantos, e com dois dedos apertava o pavio. E não se queimava, pois saber passado de geração a geração, e que envolvia passar os dois na boca antes de levá-los ao pavio aceso. Tudo escurecia novamente. Somente a lua lá fora, somente o vaga-lume lá fora e por todo lugar.
Assim naquelas noites antigas, naquelas noites tão sertanejas.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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DOMINGOS MONTAGNER

 Por: Juciana Miguel

Domingos Montagner

Primeiro eu peço a Deus
Que me dê inspiração
Para falar de um homem
Da nossa televisão
Que partiu deixando luto
Pra toda população.

Seus filhos perderam o chão
Sua esposa um bom marido
A globo um grande ator
Pelo o Brasil assistido
Pois saiu de velho chico
E pra o céu foi transferido.

Em novelas foi inserido
Porque trabalhava bem
Fez papel em sete vidas
Em salve jorge também
E em cordel encantado
Fez um papel nota cem.

Não perdia pra ninguém
Trabalhando em seriados
Força tarefa e a cura
Para os fãs estão guardados
Morre deixando ao Brasil
Saudade e grandes legados.

Três filhos desamparados
De um carinho tão imenso
Luiz Fernando podia
Com a globo fazer consenso
E o assassino de Domingos
Deveria ser suspenso.

Juciana Miguel

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO, MARIA BONITA (CENTRO) E CRISTINA (DIREITA) COMPANHEIRA DO CANGACEIRO PORTUGUÊS.

Por Geraldo Júnior

Possivelmente essas fotografias que foram registradas por Benjamin Abrahão no ano de 1936, tenham sido as últimas de Cristina ainda com vida. Cristina foi acusada por seu companheiro de traição e assassinada por membros do bando no dia 21 de julho de 1938, ou seja, uma semana antes do ataque da Força Policial Volante ao coito de Angico.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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AOS AMANTES E SIMPATIZANTES DO TEMA CANGAÇO.

Por Geraldo Júnior

Nessa próxima quarta-Feira, dia 21 de setembro de 2016, o Escritor e Pesquisador João de João De Sousa Lima estará fazendo na cidade de Feira de Santana/BA o lançamento de seu mais recente trabalho, estou falando do Livro LAMPIÃO - O CANGACEIRO (SUA LIGAÇÃO COM CORONÉIS BAIANOS, RASO DA CATARINA E OUTRAS HISTÓRIAS).

Para maiores informações acessem o link abaixo.

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DONA DULCE MENEZES


Muitos não sabem, mas esta que está ao lado esquerdo é dona Dulce Menezes, a última ex-cangaceira que ainda está viva. E esperamos que ela irá viver muitos anos ainda. A que está ao seu lado é Martha Menezes, sua filha. No cangaço, dona Dulce Menezes foi companheira do ex-cangaceiro Criança. 

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LANÇAMENTO DO SEGUNDO LIVRO DE AUTORIA DO PROF. DR. JIONALDO PEREIRA DE OLIVEIRA

Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira e discente Dália Morais

Local: Auditório Reitor Elder Heronildes - Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Evento: Lançamento do segundo livro de autoria do Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira: Mossoró: Política urbana e habitação.

Data: 14/09/2016


Parte do corpo docente do Curso de Geografia do Campus Central da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Da esquerda para a direita:

1. Prof. Ms. José Romero Araújo Cardoso
2. Prof. Esp. Eng. Agrônomo Francisco das Chagas Silva
3. Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira
4. Prof. Doutorando Robson Fernandes Filgueira
5. Profa. Doutoranda Maria José Costa Fernandes
6. Prof. Doutorando Otoniel Fernandes da Silva Júnior
7. Prof. Ms. Tarcísio da Silveira Barra

Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira e discente Dália Morais
Discente Anderson Mikael e o prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira
Discente Ícaro Fernando e o Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira
Discente Lídia Morais e o Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira 
Prof. Dr. Jionaldo Pereira de Oliveira e Robson Rodrigues

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DESCULPEM-ME, GRANDES LEITORES DESTE BLOG!

Por José Mendes Pereira

Desde ontem que eu estava nos Estados Sumidos, fui conhecer a Estátua da Liberalidade. Brincadeira! Desde ontem a tarde que eu estava sem Internet. Agora vamos continuar os nossos trabalhos.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA LANÇA SEUS LIVROS QUARTA FEIRA EM FEIRA DE SANTANA-BA - www.joaodesousalima.blogspot.com


SITUAÇÃO JAMAIS VISTA: AÇUDE DE COREMAS ESTÁ COM APENAS 3,9% DA SUA CAPACIDADE

Por Marcelino Neto

A população de Pombal poderá enfrentar nos próximos dias uma situação jamais vista, resultado da pior seca dos últimos 30 anos.

A realidade atípica compromete ainda mais o manancial hídrico de Coremas responsável pelo abastecimento de Pombal e outros tantos municípios da região semiárida.


Segundo dados oficiais repassados a redação do site pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), o reservatório de Coremas está com apenas 3,9% de sua capacidade.

O quadro poderá ficar pior e antes mesmo do final do ano, além de Pombal cidades como Cajazeirinhas, São Bentinho, Paulista e São Bento, terão seus abastecimentos cortados.

A realidade mostra hoje os dois reservatórios, responsáveis por abastecer tais cidades já no quadro crítico, tentando segurar o que lhe resta pelo menos para chegar a janeiro do ano que vem com a esperança de que até maio possa recuperar parte do seu volume, sem isso a situação ficará gravíssima.


Vivendo com restrição de uso da água para evitar um colapso hídrico e a incerteza quanto ao que virá a população teme a falta do precioso liquido até para o consumo humano.

Sem alternativa para o problema por parte das autoridades o cenário tem mostrado, nessa tragédia anunciada, um agravamento que só poderá ser modificado com a imposição divina.

De um lado o aumento do consumo que também passa pela evaporação, desvio de água ainda de forma clandestina até o desperdício e falta de sensibilidade por parte de alguns diante do problema.

A mazela persiste desde 2011, com chuvas abaixo da média ou quase inexistentes.

Para os técnicos ainda é cedo para dizer se a região terá mais chuvas em 2017, o que se tem como realidade atualmente são os principais açudes perdendo sua capacidade apontando para uma futura falta de água na região.

Marcelino Neto 



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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


O autor é aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 
Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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