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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

QUANDO CORISCO SE FOI...

 Por Yara Gabrile

Sargento Senna e Zé Rufino após o sepultamento, prestam homenagem a Corisco tirando suas coberturas...

Zé de Rufina ou Zé Rufino à direita... Pelo que percebi, nas fotos, nessa carreira do cangaço, quando ele já estava mais avançado perto de 1940, usava chapéu, não quepe. Quepe... parece que só usava em fotos mais "oficiais", ao lado de superior(es)... e o chapéu ficava para o trabalho de volante em campo.

Mas o que me impressionou e comoveu, de verdade, nesta foto, é o ponto do inimigo-bandido que pode ser também respeitado. Inclusive, conforme depoimento do próprio Zé Rufino, quando um soldado ofendeu a já derrubada Dadá, recebeu a devida bronca e foi afastado às proximidades da mesma.

É uma sepultura providenciada pelos próprios militares, logo após a morte do já então ex-cangaceiro, apenas um foragido. Observe-se o arranjo floral e a cruz...

Pena que os médicos de miguel Calmon BA estragaram esse evento, impondo aos militares a inumação do cangaceiro e a sua decaptação.. além da retirada de um braço.

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NOSSA GENTE DO CANGAÇO

 Por Júnior Almeida

Luiz Ruben, Ana Lúcia, Antonio Vilela, Junior Almeida e Marcos de Carmelita.

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ARISTEIA E AS LEMBRANÇAS DO CANGAÇO

Por Aderbal Nogueira
 https://www.youtube.com/watch?v=f4b0TF96vAo

Aderbal Nogueira - Cangaço

Aristéia fala da sede, da irmã Eleonora e seu filho, e das cabeças dos mortos em Angico.

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NA ANTIGA CADEIA DE POMBAL/PB.

Por Geraldo Júnior

No interior da cela onde o cangaceiro Chico Pereira permaneceu preso após ter sido preso pela polícia na cidade de Cajazeiras/PB. 

Passado algum tempo Chico Pereira foi recambeado para o Estado do Rio Grande do Norte, onde seria julgado por um crime que supostamente cometera. 

Ao ser conduzido para o julgamento os membros da escolta que o conduzia simularam um acidente, causando unicamente a morte de Chico Pereira, tendo saído ilesos todos os ocupantes do veículo.

E dessa forma teve fim a vida do vingador do Jacu.

Histórias que serão exibidas no canal YouTube... CANGAÇOLOGIA.

A todos um forte abraço!

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TIVE A HONRA DE PARTICIPAR DESTE LIVRO "LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE" A CONVITE DO AUTOR DR. ARCHIMEDES MARQUES.

 Por José Mendes Pereira

Sinto-me bastante honrado por ter sido convidado pelo escritor, pesquisador do cangaço e "Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe" o Dr. Archimedes Marques, colaborando com dois dos meus textos sobre cangaço. 

O livro é composto por um total de 552 páginas e foi impresso nas oficinas da Editora Infographics - Gráfica & Editora em Aracaju - Sergipe. 

Archimedes José Melo Marques nasceu na cidade de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais no dia 24 de novembro de 1956. É formado em Direito pela Universidade Tiradentes. É delegado de polícia civil no Estado de Sergipe há mais de trinta anos. 

É cursado em Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Segurança Pública, pela Universidade Federal de Sergipe. É escritor de artigos e contos diversos nas áreas policiais e afins, publicados em sites e jornais escritos, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e além fronteiras, com vários textos publicados em livros. “Lampião contra o Mata Sete” sendo a sua primeira obra literária, um livro que contesta ao seu opositor “Lampião, o Mata Sete”. 

O seu segundo trabalho, fruto de quase oito anos de pesquisa, é a coleção “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”, composta de cinco volumes (até o momento somente o primeiro volume lançado), uma obra riquíssima em todos os detalhes que traz boas novidades para os amantes do tema e para a própria história do cangaço. (Shirley M. Cavalcante). 

Clique neste link para você ler mais um pouco sobre ele.

https://www.divulgaescritor.com/products/archimedes-marques-entrevistado/

Se você quiser adquiri-lo entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail:

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SANTANA – CULTURA E MUSEUS

 Clerisvaldo B. Chagas, 29 de outubro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.408

Para preservar a nossa história, usos e costumes, foram criado os museus que contarão aos nossos filhos, netos e bisnetos como vivemos hoje e como as nossas bisavós, avós e pais viveram. Em algumas regiões é preciso usar os serviços de arqueologia, sendo muito mais fácil bem equipar, melhorar, evoluir e conservar os nossos museus para o aprendizado dos nossos alunos, povo em geral, pesquisadores diversos e turismo.  Assim, podemos dizer que após altos e baixos no museu único da nossa cidade, hoje ele se encontra nos melhores níveis de grandes cidades brasileiras, graças a dedicação da, então, prefeita Renilde Bulhões. Antes, muita gente recusava entregar suas peças aos cuidados públicos com medo dos constantes desaparecimentos de peças importantes, quando não roubadas, desviadas para museus de outras cidades.

Entre tantas peças importantes naquele casarão, destacamos o primeiro arado do sertão de Alagoas, que tem uma história belíssima e desconhecida até para quem cuida do museu. Uma pedra mó, (15 mil anos antes de Cristo) que nossos antepassados usavam para triturar o milho, fazer xerém e consumir com leite. Consiste em duas pedras grandes, esféricas e polidas uma sobe a outra, ligadas por um veio de madeira e orifício por onde se colocava o milho e acionava o veio manual para rodar a pedra da superfície e triturar o produto. É por isso que estamos (Clerisvaldo e Jorge Santana) querendo entregar ao Museu Darras Noya, duas peças históricas da nossa agricultura. A primeira, descoberta pelo Secretário, Jorge. Trata-se de uma grande peça de um engenho rapadureiro que existiu no sítio Serra dos Bois, município de Santana do Ipanema. Incrível! Um engenho de rapadura em plena caatinga sertaneja. A outra peça será doada pelo nosso amigo ex-bancário, fazendeiro Paulo Décio, do sítio Olho d’Água do Amaro: um vaso de zinco de guardar feijão.

Temos ainda uma peça que almejamos entregar à prefeita Christiane Bulhões, como sendo a PRIMEIRA doação ao futuro museu: MEMORIAL RIO IPANEMA, assegurado por ela. É o livro documentário CANOEIROS DO IPANEMA, episódio santanense resgatado por nós: 40 páginas ilustradas e com prefácio do escritor contista Fábio Campos. Muitas e muitas outras peças já estão em nossas ideias de auxílio ao MEMORIAL como uma canoa de Pão de Açúcar, semelhante às adquiridas ali pelos nossos heróis santanenses do remo. Deus no comando.

PEDRA MÓ E ARADO NO MUSEU (FOTO: B. CHAGAS).

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O ALEIJAMENTO DO DIABO.

 Por João Filho de Paula Pessoa

Em Outubro de 1939, com Lampião morto, Corisco, o Diabo Loiro, embora com um bando menor e com dificuldades, ainda resistia e estava a caminho da Fazenda Lagoa da Serra/Se para visitar sua filha com Dadá, que lhe seguia fielmente no bando. Ao chegarem próximo de seu destino foram surpreendidos por uma volante que abriu fogo contra os cangaceiros, Guerreiro foi atingido na nuca e caiu, Roxinho abriu fogo bravamente, mas também foi atingido e morreu.

Corisco e Dadá e os outros seguraram o fogo contra as volantes, Dadá guerreou ferozmente até ficar sem balas, continuando na luta jogando pedras nos soldados, Corisco ao tentar recarregar seu fuzil foi atingido por uma rajada de metralhadora que atingiu seus dois braços ao mesmo tempo, dilacerou o osso de seu braço direito que ficou pendurado por fiapos de carne e feriu gravemente seu braço esquerdo que ficou inutilizado, momento em que caiu e gritou por Dadá, mostrando a desgraça em seus braços. 

Os demais cangaceiros ao verem aquilo, fugiram, e Dadá correu para acudir seu companheiro, pegou seu fuzil, recarregou e seguiu lutando contra os soldados até eles debandarem e conseguir fugir resgatando Corisco, aleijado dos braços e fora de combate. 

Dadá reagrupou o bando mais na frente e assumiu a liderança em virtude da impossibilidade de Corisco, tomando as decisões necessárias, no entanto os demais cangaceiros não aceitaram ser liderados por uma mulher e os abandonaram, restando assim, somente Dadá, cuidando de Corisco em todos os sentidos, e em todas as necessidades, e seguindo em frente. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 18/12/2019.

Obs: Nossos Contos também são contados em vídeos no YouTube - Canal Contos do Cangaço.

Assista - https://www.youtube.com/channel/UCAAecwG7geznsIWODlDJBrA

https://www.facebook.com/groups/508711929732768

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CABACEIRAS NA ÉPOCA DO CANGAÇO. LINGUAJAR DO CANGAÇO

 Por NCastro

O uso da linguagem simbólica foi marcante na cultura do Cangaço Nordestino. Ainda mal compreendidas na imaginação de algumas pessoas da contemporaneidade, as palavras simbólicas eram compreensivas na imaginação dos sertanejos. Principalmente positiva para a comunicação entre os cangaceiros.

Com a linguagem das palavras simbólicas no cangaço, muitos personagens passaram do real para o imaginário. Face a esta imaginação compreensiva a cultura nordestina, pode-se assimilar a esta simbologia a própria imagem real de Virgulino Ferreira, a do LAMPIÃO. Mas o que de fato se pensava no cangaço essa troca de personagens reais por outros imaginários?

Foram muitos personagens que trocaram suas faces reais por outras imaginárias. Talvez tenha sido a maior tática do cangaço. Com essa forma de linguagem do cangaço, dificultava a identificação do personagem real do simbólico. CORISCO, AZULÃO, MEIA-NOITE, PAVIO, TEMPESTADE, SABIÁ, JARARACA, COCADA... Foram muitos na simbologia do cangaço.

De certa forma, a de se fazer uma reflexão sobre os personagens simbólicos, marcantes a sobrevivência do cangaço do Nordeste.

As palavras simbólicas mais usadas no dia a dia do linguajar do cangaço nordestinos para se comunicarem nos cenários das caatingas foram importantes para a cultura no Nordeste do Brasil.

NO LINGUAJAR DO CANGAÇO

Letra - A

Aperriado – Preocupado.

Alterado – Nervoso.

Água da vida – Leite.

Abalar a Moça – Desonrar.

Arrupiado – Aborrecido.

Acapanga – Bolso.

Andadas – Andanças.

Letra – B

Bogó – Saco pequeno de couro.

Bernada – Fase ruim (fome).

Botada – Traição.

Batida Seca – Emboscada Boa.

Breguesso – Coisa Estranha.

Brebote – Comida Ruim.

Letra – C

Caçote – Menino Magro.

Caído no Ferro – Caído Morto a Bala.

Cabra de Peia – Covarde.

Cunticido – Fato.

Chorão – Jumento.

Caí no Saco – Cair em Armadilha.

Letra – D

Da mesma Tampa – Da mesma Qualidade.

Dicumê – Comida.

Discaderá – Ficar Coxo

Desaprecatado – Sem Sossego.

Distambocô – Apressou-se.

Deu Jagunçada – Coronel que ajuda Polícia.

Letra – E

Escupeteiro – Rastejador.

Estrovenga – Coisa Difícil.

Embrenhar – entrar no Mato.

Estrupício – Fartura.

Letra – F

Fiança – Confiança.

Falação – Muita Conversa.

Fogança – Arrasta Pé.

Fuzuê – Barulho.

Fazer o Serviço – Matar o Inimigo.

Furar Caatinga – Andar no Mato.

Letra – G

Gargulina – Vertigem.

Geringonça – Máquina de Costura...

Garapa – Bebida Fraca.

Goga – Pabulagem.

Gumitô – Vomitou.

Letra – I

Incelença – Excelência.

Intrago – Depredação.

Imprasto – Atadura.

Imbuiado – Embrulhado.

Inzerço – Exército.

Letra – J

Judiação – Maus Tratos.

Jagunçada – Homens de Confiança de um Coronel.

Letra – L

Liforme – Roupa.

Lilio – Roubo.

Lugá Disprutigido – Lugar Desamparado da Polícia.

Letra – M

Maselha Velha – Crime Antigo.

Muié Muderna – Mulher Maquiada.

Marcha Batida – Apressado.

Moitinho – Arrodeio.

Macacos – Soldados de Polícia.

Letra – N

Nabaca – Caçula.

Nunca Faseô. Nunca Traiu.

Nói – Nós.

Letra – O

Óculo – Óculos.

Óio Abetô. Olho Aberto.

Letra – P

Patetice – Muita Conversa.

Peitudo – Corajoso.

Pressiga – Perseguição.

Pracata – Alpercata.

Letra – Q

Quebrá Mato – É de Paz.

Quebrá as Forças – Esmorecido.

Letra – R

Ruzaro – Rosário.

Rifugando – Assuntando.

Rompido – Furado.

Rossêio – Barulho de Pessoas Andando.

Letra – S

Sombra – Rastro Apagado.

Sai-te – Deixa Disso.

Subiá – assobiar.

Se sossegue – Se Acalme.

Letra – T

Tracação – Relação Sexual.

Trabaiá – Trabalhar.

Terém – Objetos.

Tropo – Volante da Polícia.

Letra – U

Umiá – Humilhar.

Urucubaca – Azar.

Uvido – Escutado.

Letra – V

Vortá a Caiga – Insistir.

Vóismicê – Vossa Excelência.

Vida Instragada – Vida do Cangaço.

Letra – X

Xodó – Namoro.

Letra – Z

Zum-Zum – Barulho.

Zarro – De Palavra.

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MAIS LIVROS SOBRE CANGAÇO

 Por Raquel Nogueira


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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CANGAÇO - A DUREZA DA CAATINGA

 Por Aderbal Nogueira - Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=Hi4Lt3VPmCQ&fbclid=IwAR2bkZhymvI4En_Jpa8z_qOdmmjX6Anbwl3W2I_cUc-ywcbcsWbWWCZI7tA

Cangaço - A dureza da caatinga O ex-volante Elias Marques fala sobre: - As duras caminhadas na caatinga, - O exército - As cabeças e as canoas OBS.: Essa terceira canoa é pouco comentado porque nos depoimentos sempre se referem às maiores. Link desse vídeo: https://youtu.be/Hi4Lt3VPmCQ

Enviado pelo cineasta Aderbal Nogueira

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NESTA SEXTA NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO!

 Por Manoel Severo

Seu “Antonio da Piçarra", proprietário e principal personagem desta verdadeira saga que coloca a Fazenda Piçarra dentre os principais cenários da historiografia cangaceira do ciclo lampiônico teve uma vida toda marcada pelo paradoxo de "ser ou não ser" ligado aos cangaceiros, seu Antonio , passou alguns anos de sua vida mantendo fortes ligações com cangaceiros; preponderantemente Lampião; em sua "Piçarra" o capitão era acolhido em segurança e por lá passaram algum tempo, Ezequiel e Virgínio; respectivamente, irmão mais novo e cunhado e Lampião; e antes deles os primos da família Paulo até que em Março de 1928, o destino reservaria uma encruzilhada fatal para Antônio da Piçarra.



SEXTA, DIA 30/10 AS 20HORAS...SENSACIONAL

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DONA DULCE MENEZES

Por André Nogueira

Dulce Menezes dos Santos foi uma das muitas mulheres que tiveram suas vidas interferidas pelo bando de Virgulino Ferreira, mais conhecido como Lampião. Hoje, vivendo na periferia de Campinas aos 96 anos, ela passou a integrar ao cangaço após ter sido retirada de sua família e violentada por um dos integrantes do grupo.

Essa fase da vida de Dulce sempre foi escondida pela família, o que fez com que a idosa passasse a evitar visitas. "Infelizmente isso aconteceu contra minha vontade. Não fui porque quis ir”, deixou claro em entrevista ao Estado de Minas.

O trágico encontro entre Dulce e os mais famosos bandidos do Brasil ocorreu quando ela vivia com a irmã em Alagoas. Antes, morava na fazenda de algodão da família em Porto da Folha, Sergipe, mas ambos os pais morreram quando ela era criança.

Acontece que o rancho alagoano em que passou a morar era recinto de descanso dos cangaceiros que adentravam ao sertão. Lá, Dulce se deparou com aqueles estranhos homens adornados em couro, quando um dos cangaceiros, João Alves da Silva, vulgo Criança, notou a presença menina e pediu para compra-la de seu tio João Felix, que a trocou por joias.

Em negociação, Criança falou a João que levaria Dulce a uma festa organizada por Zé Sereno numa fazenda vizinha. Ao cangaceiro foi permitido acompanhar a criança, enquanto João e a esposa Julia assistiam de longe. Dulce afirmou que desde cedo já se sentiu assustada com a situação.

Criança então pegou a menina pelo braço e a obrigou a sair do salão onde estavam. Gritando de medo, ela ouvia o cangaceiro berrar: "Cala a boca, se não te sangro agorinha mesmo." Foi jogada no chão, em meio às pedras e cactos, e lá foi estuprada, com o assustador silêncio dos outros convidados.

No resto da noite, Dulce foi observada pelo cangaceiro, que a tratava como mercadoria. João Felix se sentia arrependido, mas também acuado pelo bandido armado.

"Fui a pulso, arrastada, se não morria. O apelido dele era Criança. Deus queria que eu estivesse aqui agora, conversando com vocês", afirmou Menezes. "[ele estava] com parabélum na mão. E [eu] com medo de morrer, acompanhei." Na época com 13 anos, ela era apaixonada por Pedro Vaqueiro, um rapa de Piranhas que, ao descobrir a violência, saiu com um desespero aterrador e desapareceu no sertão.

Acontece que Criança pertencia a um dos subgrupos comandados pelo capitão Lampião que, em 1938, convocou seus homens para uma reunião na Gruta do Angico, Sergipe. Lá, Dulce conheceu Maria Bonita, a quem ela descreveu como “boa pessoa”.

Presenciou a cena por pouco tempo, afinal, aqueles grupos articulados por Virgulino agiam separadamente: “Se vivesse tudo junto, a polícia descobria pelo rastro. Agora, nesse dia estava todo mundo junto. Tinha de acontecer, graças a Deus”.

Naquela noite, conseguiu descontrair as tensões do sequestro ao encontrar Maria bonita e Sila numa conversa em que caminhavam pela escuridão da caatinga reconhecendo vagalumes. Pela primeira vez em muito tempo, conseguiu dormir tranquila.

Porém, a hora de acordar foi completamente conturbada. Não porque os cangaceiros voltariam a violentá-la, mas ao contrário: dessa vez era Criança que levava os tiros e corria desesperado, pois um grupo volante do Estado havia invadido a Gruta numa emboscada contra o bando de Lampião. Esse foi o famoso momento em que finalmente o Rei do cangaço fora capturado e executado.

Crédito: Domínio Público

Criança conseguiu escapar, mas Maria Bonita e Lampião morreram no local. Enedina também, e o tiro que abateu sua cabeça fez respingar miolos em cima de Dulce. "Era tiro demais. Gente caindo, entrando pelas pernas, passando em cima de cabeças. Escapou quem tinha de escapar, porque nunca vi tanto tiro na vida, meu filho."

Quando a noticia chegou a Piranhas, a família foi checar se a cabeça da moça estava entre os troféus da volante. O grupo então se embrenhou no mato e fugiu, mas decidiram se entregar à polícia em troca de uma anistia concedida pelo ditador Getúlio Vargas. Com dois filhos, Criança e Dulce passaram a trabalhar numa fazenda do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Para ajudar Dulce, o dono da fazenda tornou o ex-cangaceiro o novo tropeiro do lugar, obrigando-o a se afastar da garota.

Dulce se casou com Jacó, o dono da fazenda, e com ele teve 18 filhos. Ela relata que esse momento de sua vida foi muito melhor do que a época em que estava sequestrada pelo bando de Lampião: "Foi o tempo que fui feliz. [...] Agora essa turma do Lampião, meu Deus do céu, quando queria pegar mulher, se não fosse, eles matavam”.

Quando Jacó morreu Dulce decidiu mudar-se para o estado de São Paulo com a filha Martha, passando a residir em Campinas, onde não encontrou a maior felicidade: teve filhos e netos assassinados em meio à violência da cidade. 

+Saiba mais sobre a história do Cangaço e Lampião por meio das obras abaixo: 

1. Apagando o Lampião: Vida e Morte do rei do Cangaço, Frederico Pernambucano de Mello - https://amzn.to/2RUsU7d

2. Lampião, Senhor do Sertão. Vidas e Mortes de Um Cangaceiro, de Élise Grunspan Jasmin (2006) - https://amzn.to/2RWQq3r

3. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, de Frederico Pernambucano de Mello (2011) - https://amzn.to/2YQNZ3Y

4. Os cangaceiros: Ensaio de interpretação histórica, de Luiz Bernardo Pericás - https://amzn.to/2YROsms

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NOVA POLÍTICA

 Clerisvaldo B. Chagas, 28 de outubro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 2. 407

As pequenas cidades do Sertão de Alagoas, evoluíram bem no aspecto físico e em grande parte da estrutura básica. Os antigos líderes que já faleceram ou se afastaram da política, foram substituídos por uma nova geração de mentalidade progressista. Com isso, a arrogância, o sentimento de propriedade particular, violência e coronelismo, parecem em sucessivas quedas. Mesmo sendo vários administradores públicos filhos, filhas ou familiares dos coronéis, não se nega essa evolução na mentalidade política. É certo, porém, que ainda se encontra resquício à moda ainda recente do feudalismo, todavia, mais como exceção do que regra geral. Essa nova geração de políticos traz quase todos formados em diversas áreas como agronomia, direito, medicina, magistério, administração e outros. Portanto, a mentalidade é diferente além da pressão popular, da fiscalização e das comunicações por todos os meios. Não há mais espaço para coronéis.

Notamos ainda, muito claramente, os projetos em todas as áreas da administração pública, colocadas pelos candidatos à prefeito durante entrevistas nas rádios sertanejas. Ou projetos escritos por terceiros ou pelo próprio candidato, são aqueles que de fato as comunidades necessitam e aguardam aquelas realizações. A impressão é que todos estão empenhados em fazer evoluir o seu respectivo município. Pode ser que exista engodo, falsidade e manhas por trás das orelhas, mas pelo menos os pronunciamentos são excelentes vindos desse sangue novo que ingressa na política.

Todos sabemos que o progresso, geralmente, tem início histórico nas capitais e cidades beira-mar. Muitas vezes esse progresso demorava séculos para chegar a mais longínqua e pequenina cidade do interior. A hierarquia continua a mesma, mas a velocidade se consolidou com as excelentes redes de transporte e muita tecnologia do século XXI.

Hoje no Brasil existe muita prosperidade em vários interiores fazendo o caminho inverso da tradição, isto é, do interior para as capitais. Quando todas as mentes administrativas do Brasil, levarem à sério o papel do “administrador de mão cheia”, poderemos despontar no mundo como um país desenvolvido e igualitário pelo nível superior.

Não ser otimista demais, porém, nunca perder a fé.

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MAIS UM POETA SE FOI

 Por José Di Rosa Maria

Nos deixou hoje pela manhã aos 53 anos, no Hospital de Pau dos Ferros, RN, o poeta Gonzaga Abreu, um poeta que assim como eu não alcançou a visibilidade na cantoria, mas viveu ciente de que era um grande cidadão e que tinha uma bela voz, e que ninguém canta bem sem ter voz! Nasceu, viveu e morreu no Sítio PEJOABA, município de José da Penha, RN; deixou duas filhas e a esposa com quem vivia.

Sepultamento amanhã 29-10-2020, em José da Penha-RN.

Descane em paz, poeta!

(Foto conseguida pelo WatSapp dum amigo).

https://www.facebook.com/josedirosamaria

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É NESTA SEXTA !!!

Por Manoel Severo

Um dos episódios mais emblemáticos da passagem de Lampião no Ceará. Trazemos a vc a Saga de seu Antônio Leite Teixeira o conhecido “seu Toim da Piçarra”; personagem principal do nosso Grandes Encontros Cariri Cangaço com destaque para o famoso “Fogo da Piçarra” aonde viria a perder a vida o lugar-tenente do rei do cangaço, Sabino das Abóboras em 27 de março de 1928. 

Seu Antônio da Piçarra passou de anjo a demônio diante do rei vesgo de Vila Bela, simplesmente IMPERDIVEl com Manoel Severo Barbosa e Wilton Santana Filho, o Vilson da Piçarra, num dos mais eletrizantes Ao Vivo de nosso Canal. Vem com a gente: Nesta Sexta, dia 30/10 as 20horas.

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BRIGA DE FACAS DE HOMEM PARA HOMEM.

Por João Filho de Paula Pessoa

Em 1898, Antônio Silvino encontrou à beira de um rio, o Delegado de Ingazeira/Pe. Francisco Braz, a quem tinha como inimigo e decidiu resolver suas diferenças ali mesmo, naquela hora.

Embora estivesse acompanhado de seu bando, Antônio Silvino disse à sua cabroeira que ia lutar com seu inimigo de homem para homem e que seria uma luta de facas e que ninguém intervisse.

Assim, iniciou-se uma feroz e arrepiante luta de facas entre aqueles inimigos, movida à ódio e força sob os olhares apreensivos dos cabras do bando.

Ao final, restou o delegado esfaqueado, morto e estendido no chão, envolto à seu próprio sangue e Antônio Silvino vitorioso e vingado, que seguiu adiante com sua cabroeira admirada, reforçando sua liderança e iniciando sua fama. João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 22/10/2020.

Obs: Nossos Contos também são contados em vídeos no YouTube - Canal Contos do Cangaço. https://www.youtube.com/channel/UCAAecwG7geznsIWODlDJBrA

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BONS LIVROS PARA VOCÊ ADQUIRI-LOS.

Por Raquel Nogueira 


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MULHERES NO CANGAÇO

Por Raquel Nogueira

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FOI ASSIM

 Por Hélio Xaxá


Ah... Foi assim

Como um raio de luar...

Um novo brilho em meu olhar

Se eu quis sonhar

Você me deu motivos...


Ah... Foi assim

Uma brisa, um farfalhar...

Folhas caindo devagar...

Nuvem no meu olhar

Que molhou o meu sorriso...


Foi assim

Como um sol que brilha

Fazendo a vida despertar

Você entrou na minha fantasia

E me fez sonhar...


Foi assim

Como uma forte ventania

Jogando tudo pro ar

Você saiu da minha vida

E me fez acordar...

E chorar.


Hélio Xaxá

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BONS LIVROS

 Foto da Raquel Nogueira

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