Seguidores

sexta-feira, 9 de maio de 2025

CANGACEIRO CATINGUEIRA E O FOGO DA MARANDUBA, JANEIRO DE 1932:

 Por Histórias do Brasil

CATINGUEIRA ESTAVA PRESENTE NO ATAQUE Á CIDADE DE CANINDÉ DO SÃO FRANCISCO, EM 1932, QUANDO O PERVERSO CANGACEIRO ZÉ BAIANO FERROU AS FACES DE VARIAS MULHERES. O ATAQUE DESENCADEOU UMA IMPLACÁVEL PERSEGUIÇÃO AO BANDO DE LAMPIÃO. NO ENCALÇO DOS CANGACEIROS, VINHA O TENENTE PERNAMBUCANO MANÉ NETO E O CAPITÃO BAIANO LIBERATO DE CARVALHO, COMANDANDO APROXIMADAMENTE 80 SOLDADOS.

OS CANGACEIROS ACOITARAM-SE NA FAZENDA MARANDUBA, EM POÇO REDONDO, SERGIPE. OS PRIMEIROS SOLDADOS A CHEGAREM, FORAM OS PERNAMBUCANOS GUMERCINDO LIRA, JOÃO CAVALCANTI E HERCÍLIO. UM CANGACEIRO ESTAVA TOTALMENTE VULNERÁVEL, ERA BANANEIRA, QUE TOMBOU AO PRIMEIRO DISPARO, BALEADO NA PERNA. O FOGO DA MARANDUBA FOI CONSIDERADO COMO UM DOS MAIORES COMBATES DA CARREIRA DE LAMPIÃO. DURANTE QUATRO HORAS O TIROTEIO FOI INTENSO E APAVORANTE. OS POLICIAIS PERNAMBUCANOS TERMINARAM POR SE TORNAR VITIMAS DOS PRÓPRIOS COMPANHEIROS, QUANDO A VOLANTE DA BAHIA COMEÇOU A ATIRAR DA RETAGUARDA E COLOCARAM OS PERNAMBUCANOS NA LINHA DE FOGO. FOI NESSE TIROTEIO QUE MORREU VÁRIOS COMPONENTES DA FAMOSA VOLANTE DOS NAZARENOS, DESAFETOS E PERSEGUIDORES FERRENHOS DE LAMPIÃO.

OS CANGACEIROS TOTALMENTE EMBRIAGADOS LEVARAM VANTAGEM POR EXISTIR, NO LOCAL, SETE FRONDOSOS UMBUZEIROS QUE SERVIRAM DE PROTEÇÃO NATURAL. NA PARTE DOS CANGACEIROS MORREU, QUINA QUINA, SABONETE E O PAULOAFONSINO CATINGUEIRA. DO LADO DOS SOLDADOS AS BAIXAS FORAM MAIORES, MORRENDO DEZESSETE SOLDADOS. ENTRE OS MORTOS ESTAVAM ELIAS MARQUES, O SARGENTO JOÃO CAVALCANTI, HERCÍLIO NOGUEIRA, EDELGÍZIO E JOÃO TACANHÉM:

OBS: O combate aconteceu quase em campo aberto. Lampião, como grande estrategista que era, postou seus homens, entrincheirados em sete pés de umbuzeiros, de modo que os soldados ao entrarem no campo de fogo, ficaram cercados.

Ainda existem, remanescentes, 02 pés de umbuzeiro, no local onde aconteceu o combate.

(Fonte, "LAMPIÃO EM PAULO AFONSO", PAG. 80,pesquisador e historiador João de Souza )

@superfãs

Segue nossa página, curte e compartilhe

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO, UMA VIDA MARCADA POR MUITAS DECEPÇÕES, E GERALMENTE, VINGADAS.

 Por José Mendes Pereira - (Crônica 76)

No dia 28 de julho de 2025, completarão 87 anos que o homem mais procurado do Nordeste Brasileiro, e conhecido no mundo inteiro, o pernambucano lá da Villa Bella, atualmente denominada de Serra Talhada, o Virgolino Ferreira da Silva - alcunhado “Lampião”, deixou o nosso planeta, partindo para outra esfera (suponhamos) depois de tantas crueldades praticadas por ele e seus comparsas, viajaram juntos, num total de 11 delinquentes.   

Benjamin Abraão Botto, Maria Bonita e o capitão Lampião

Lampião repousava na Grota do Angico, nas terras de Porto da Folha, atualmente pertencem à cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, e lá, ele e a sua rainha Maria Bonita estavam protegidos pela sua malta, no seu coito, e se sentindo seguro, enfiado em sua famosa "Central Administrativa". 

Os calendários da humanidade indicavam o dia 28 de julho de 1938, e os relógios do mundo inteiro, marcavam mais ou menos  5:30 da madrugada desse dia, ele, Maria Bonita e sua cabroeira, foram atacados e abatidos; mais um policial de nome Adrião Pedro de Souza (total de 12 mortos na Grota do Angico), chacinados pelas volantes policiais, comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, da gloriosa Polícia Militar do Estado de Alagoas.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2024/10/um-soldado-chamado-adriao_9.html

Segundo alguns pesquisadores, naquele coito, o capitão Lampião se sentia seguro, achava muito difícil que uma suposta volante chegasse ali, e que somente eles, sabiam muito bem chegarem naquele lugar,  porque, habitualmente, eram conhecedores de todos os terrenos que ofereciam difíceis acessos nas caatingas do nordeste brasileiro.  

O cangaceiro Corisco

Mas o valente cangaceiro Corisco, duvidava que aquele coito tinha segurança, porque, ele chegou a dizer que ali era como uma ratoeira, caso fossem atacados, seriam pegos, só existia uma entrada, e que ela também seria a saída para que eles se livrassem de um possível ataques de policiais. E se caso as volantes descobrissem que a Grota só tinha uma saída, com certeza, todos os cangaceiros estariam ferrados.

Grota do Angico em Poço Redondo-SE.

Com exceção dos que ganhavam dinheiro do rei do cangaço, o nordeste brasileiro vibrou e bateu palmas com a sua morte, com o seu fim, porque, muitos que estavam marcados para morrerem, e outros que,  mesmo não estando na lista de morrer,  se livraram de passar pelas mãos vingativas do sanguinário, perverso Lampião e seus comandados.

Enquanto outros não gostaram nem um pouquinho do seu extermínio, porque viviam exclusivamente dos favores que faziam ao rei e a rainha do cangaço, como também prestavam os seus serviços à toda sua cabroeira, e a recompensa era valiosa, mesmo arriscando as suas vidas, valia muito mais prestarem serviços a um bando de feras humanas, do que ficarem do lado da polícia militar, porque, nada ganhavam, ao contrário, eram humilhados e maltratados pelas autoridade policiais, para que eles entregassem o rei Lampião, Maria Bonita e seus homens, indicando o lugar dos coitos feitos por eles na caatinga nordestina. 

EM ALGUM MOMENTO NA VIDA TERIA LAMPIÃO SE ARREPENDIDO DO QUE FEZ E CONTINUAVA FAZENDO?

Eu acho que sim. Lampião ainda continuava no cangaço, porque era constantemente perseguido pela polícia, e ele como rancoroso, vingativo, perverso e sanguinário, não iria se humilhar à autoridade nenhuma. Suponho eu que se as autoridades tivessem dado-lhe uma oportunidade, perdoando o que ele tinha feito antes, muitas vidas de sertanejos e de alguns pequenos fazendeiros teriam sido poupadas, porque, Lampião  se intercalaria à sociedade, e cuidaria de construir um lá com a sua companheira Maria Bonita.

Assim como os demais que foram cangaceiros e beneficiados com o indulto do presidente da república Getúlio Vargas, nenhum deles voltou ao antigo passado, e assim, o rei também mudaria de pensamentos, caso tivesse sido beneficiado.

O que passou, passou, e daquele dia em diante, Lampião gozaria de proteção, foi assim que aconteceu com os seus comandados, que mostraram que eram capazes de viverem em sociedade.

Somente Severino Garcia Santos, o ex-cangaceiro Relâmpago, que era funcionário da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", do afamado Lampião, apesar de sua idade, com 83 anos, o Relâmpago fora preso por esfaquear o agente de trânsito do Detran "Jorge de Oliveira Ribas", de 66 anos, após uma discussão sobre o preço de uma cabeça de peixe num bar na Praça Tiradentes. Na época, o ex-cangaceiro se vangloriava dizendo que, quando vivia no sertão, tivera 12 mulheres e matara mais de 20 pessoas com Lampião. (Confira esta informação clicando no link abaixo da foto do ex-cangaceiro Relâmpago).

Não sou analista sobre nada, mas acho que Lampião, quando se deitava um pouco, em sua "Central Administrativa", sozinho no seu “eu”, muitas vezes, pensou que um dia poderia ser um homem da sociedade, e não nômade criminoso e desordeiro como era. Mas o destino foi cruel com Lampião, não lhe deu uma oportunidade na vida. E penso eu, "nada de real", que sempre passou no seu “EU”. E quem sabe, tenha pensado isto ou semelhante o que segue:

“Eu não sei porque a vida preparou para mim um mundo tão triste, tão cheio de decepções e o ódio que carrego no meu "EU". Entregou-me uma agenda só com coisas ruins que eu terei que cumprir ou passar por elas. Matar os meus semelhantes, matar gado e criações de proprietários que não querem me aceitar nas suas terras, e procuram me eliminar do sertão; roubar, odiar, vingar, depredar, incendiar fazendas e cercados, só horrores terei que fazer. Mas será que eu não sou filho também de Deus? 

Às vezes me ponho a imaginar as grandes crueldades que fiz com várias pessoas sertanejas, e muitas delas, estavam pagando um preço caro, e nem mereciam passar pelas minhas mãos vingativas, ou de meus comandados. Lembro como foi assassinado o Briô, na mais triste morte. O cangaceiro Vulcão. Os que eu autorizei, que os meus cangaceiros os capassem, outros que ficaram sem orelhas, mulheres ferradas, Rosinha do meu amigo da velha guarda Mariano Laurindo Granja, ordenei que a matasse na mais covarde morte. Cristina do cangaceiro Português, só pelo fato dela tê-lo traído. Foi morto também o Sabiá que estuprou uma jovem, mas este era merecedor. Lá no Rio Grande do Norte, em São Sebastião, eu assassinei um jovem maluco, só porque ele não obedeceu as minhas ordens. E assim, tudo que eu tenho feito de ruim, eu culpo a natureza, que não teve um tico de dó de mim.

Lembro que o Santo da Fazenda Mandassaia, empregado do fazendeiro Manoel do Brejinho, foi morto pelo cangaceiro Corisco, e quem causou a sua morte, fui eu. O vaqueiro guardava em sua casa uma quantia em dinheiro que o Manoel do Brejinho tinha mandado para o Corisco, cuja, solicitada pelo mesmo. Ao chegar ao meu conhecimento, fui até a sua casa e pedi que me entregasse a quantia que eu acertaria com Corisco, eu estava precisando daquele valor. E assim ele fez, me entregando toda quantia em dinheiro do Corisco. Mandei pedir outra quantia ao Manoel do Brejinho, que seria para devolver ao Corisco, que eu havia pego aquela primeira, e foi honrado o meu pedido por ele. Se ele fez cara feia, eu não sei, mas enviou a quantia pelo Santo, e com esta em seu poder, aguardava a chegada do Corisco para entregá-la. Mas dois policiais patenteados, tomaram conhecimento da quantia em poder do Santo. Foram alta hora da noite, e um deles se fez ser o Corisco. Pediu que trouxesse o dinheiro, mas não precisava abrir a janela, bastava entregar por uma fresta, pois tinha pressa. Dias depois, Corisco vai à casa do Santo, pegar o dinheiro. Santo não tinha mais, porque a quantia já tinha sido entregue a ele, assim pensava o pobre vaqueiro que tinha sido ludibriado pelos policiais desonestos. Corisco enlouqueceu, dizendo que ele estava querendo enrolá-lo, e findou assassinando-o, sem merecer o pobre vaqueiro Santo da Fazenda Mandassaia.

Uma das coisas que mais me irrita, é ser excluído pelos meus irmãos (de modo geral), que nunca me viram com bons olhos. Eu faço parte da mesma comunidade humana, e por que quase todos os meus irmãos me odeiam? Enquanto eles riem de mim, pelo mundo que recebi da natureza, caladamente eu choro, choro e choro muito, choro, e choro muito forte, por não ter tido a mesma sorte  que tiveram todos os meus irmãos fraternos, e que fazem o bem. 

Se me dessem uma oportunidade, eu abandonaria o mundo do crime e me intercalava novamente à sociedade dos homens, e iria praticar só o bem. Mas os meus crimes foram maiores do que o coração da sociedade, e ninguém me ver com bons olhos. Por onde eu ando e tento um apoio, pelo menos para o meu cansado corpo repousar e descansar um pouco, mas todos viram as costas para mim, e com medo da minha pessoa, fogem para as matas como se eu fosse o maior animal feroz do mundo. Não tenho culpa, foi a natureza que errou quando me fez, e assim, sou um dos erros do mundo. 

Tenente Zé Lucena

Infelizmente, o sol não nasceu para mim. Será que eu sou filho de Deus ou do Diabo? Perseguiram tanto os meus pais que minha mãe não suportando as pressões dos poderosos, infartou e dias depois veio a óbito, e um mês depois, os policiais que eram comandados pelo tenente José Lucena, invadiram  a residência de José Ferreira dos Santos, o meu pai, e o assassinaram, que nada tinha a ver com as nossas brigas. E minhas irmãs sofreram o que o diabo rejeitou. Todo tipo de perseguição, elas foram vítimas. Quando você quiser desejar o mal a um inimigo seu, deseja o mundo que eu herdei da natureza, porque, não tem outro mundo pior do que o que eu ganhei".

Pais de Lampião

Há 87 anos findava a carreira criminosa de Virgolino Ferreira da Silva, o famoso capitão Lampião, onde foi localizado na Grota do Angico, no Estado de Sergipe e executado com mais dez cangaceiros, pela volante comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, da Polícia Militar do Estado de Alagoas, no dia 28/07/1938. 

Informação ao leitor:

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e não tem problema se você discordar. Lampião nunca disse isso.

Você leitor, poderá me perguntar: "E se não tem valor para a literatura lampiônica e por que você escreveu?" 

Eu escrevo o que penso sem atrapalhar o que já escreveram os escritores e pesquisadores. São apenas as minhas inquietações, assim dizia o saudoso escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa, o caipira de Poço Redondo.   

Eu escrevo para aqueles que gostam de ler, quando existem pessoas que leem até bula de remédios, e também para  me divertir com este tema tão polêmico que é “Cangaço”, principalmente quando se trata de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, e sua companheira Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita.

Eu sempre chamo a atenção do leitor para não usar os meus trabalhos na literatura lampiônica.  

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 8 de maio de 2025

CABROCHAS SERGIPANAS AS MOÇAS DA MARANDUBA.

 Por Sálvio Siqueira

Foto com as cangaceiras Àurea e Rosinha (Irmã de Adelaide).
                                                    
Na fazenda Maranduba, fincada no município de Poço Redondo, Estado sergipano, morava o casal Lé e Pureza. Lé, como tantos outros homens da época, era vaqueiro, assim como seus dois irmãos, Josias e Luiz. Pureza era filha do agricultor João Januário, que manipulava sua enxada nos barros da localidade Curralinho.
 
 Umbuzeiro da Fazenda Maranduba - grupo LCN
                     
O casal, cumprindo a “Lei’ escrita no livro Maior, fez com que crescesse e multiplicasse sua prole. Tiveram seis filhos amados. Criados como todos da região, com muita dificuldade e sacrifício. Segundo a obra literária do ilustre Alcino Alves Costa, “LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO – MENTIRAS E MISTÉRIOS DE ANGICO”, na página 137, ‘Ele’ nos relata que os nomes dos amados filhos do casal Lé e Pureza, eram Adelaide, Rosinha, Cidália, Arabela e seu único filho homem, Zequinha.

                                                   
Zequinha, como tantos, só via-se como adulto, quando 'lá' chegasse, um bom vaqueiro, imitando seu velho pai e tios, pois todos eram afamados vaqueiros em toda aquela região.


As meninas, também como tantas da época, tinham em seus sonhos seus ‘príncipes, encantados, seria querer de mais, mesmo, simplesmente um príncipe, já estava de bom tamanho. A vida era dura para os meninos que logo, logo, tinham que exercerem funções de adultos sem nem mesmo passarem, ou melhor, viverem suas adolescência. Para as meninas a coisa era mais dura ainda. Não podiam, muitas das vezes, nem se quer estudaram, para não ficarem sabidas, pois mulher ‘sabida’ era um perigo.

                                                               Cangaceira Rosinha

Naquele tempo, por aquelas bandas, começaram a circularem em volta da casa de Lé dois cangaceiros. Mariano e Criança. O Primeiro, após perder Otília, apaixona-se por Rosinha. O segundo, há muito estava loucamente apaixonado por Adelaide, irmã de Rosinha.

Sendo, na época quem dava as ‘cartas’ por aquelas terras, os dois cangaceiros não tiveram dificuldades de levarem para as tristes fileiras do cangaço as irmãs. Ficaram distantes por os dois atuarem em grupos e áreas diferentes. Mariano vivia e praticava seus crimes pras bandas de Porto da folha. Já Criança, atuava nas redondezas de Poço Redondo.


E o esperado acontece. Adelaide engravida. Sua gravidez, como de todas as outras mulheres que fizeram parte do cangaço, não foi moleza. Levanta daqui, corre pra lidebaixo de sol e chuva, durante o dia ou mesmo a noite, eram uma constante em suas vidas.
                                                                                   Cangaceiro Mariano
                                                     
Segundo a obra citada, Criança tem grande amor e carinho por Adelaide, resultando firmeza e lealdade para com a sua companheira.

Quando aproxima-se o momento da sua companheira parir, Criança, conversa com Mané Moreno, e vão para um coito, distante, conhecido e aconchegante, se podermos dizer que haviam coitos assim, para que Adelaide ‘ganhasse seu filho.
                                                                 Cangaceiro Criança
As horas passam, as contrações há muito iniciaram-se e, com o passar do tempo, seu retorno começa a ficar quase sem intervalos. Não tem jeito. A criança do Criança não vem ao mundo, e sua companheira já tem bastante tempo que sofre.

Mandam buscar uma parteira que morava nas imediações, e esta, já prevendo complicações, já trás outra para lhe ajudar. Tudo em vão. O sofrimento da cangaceira aumenta com o passar das horas e a criança resolveu não vir ao mundo.


Em uma rede, a transportam para uma localidade que tivesse algum recurso como ajuda, nada. Não tem como parir a companheira de Criança.

Valendo-se novamente da rede, os cangaceiros procuram outro lugar para que Adelaide desse a luz... Um local que tivesse uma pessoa para ajudar, terminando assim com tão longo sofrimento. No caminho, alguém verifica e diz que o feto já está morto... Adelaide, de tanto sofrer, talvez não tenha escutado que seu filho estava sem vida em seu ventre. 

Embaixo de uma frondosa árvore, Adelaide, dentro da rede começa a perder suas, já tão fracas, forças... Criança, percebendo que irá perder sua amada fica louco. Grita, chora, fala, urra palavrões na tentativa de amenizar a angústia que lhe invade... Seu ‘compadre’, Mané Moreno, vendo que o amigo estava em estado complexo, sem noção do que fazia, tenta evitar uma catástrofe maior, retirando o ferrolho do mosquetão do amigo, assim como retira também, o carregador da sua pistola.

 Sua amada dá seu último suspiro. Sem despedir-se do companheiro, parte para o outro ‘lado’, onde, talvez, seu filho a esperasse. Fazem seu enterro. A dor, ainda visível no semblante do cangaceiro, não quer ir-se. Naquela vida não havia tempo pra isso... Guardar dores e sentimentos por alguém que tenha morrido.
                                                         Cangaceiro Mané Moreno

Seu compadre, Mané Moreno, compra várias garrafas de aguardente e diz que ele precisa beber até embriagar-se, para esquecer o que aconteceu.


Assim faz Criança. Após o enterro de Adelaide, ele toma um dos maiores porres de sua vida e, de certo tempo pra frente, junto aos companheiros, começam a dançar e cantar até que o dia raiasse... Nas quebradas do Sertão.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/%C3%81urea

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PIAS DAS PANELAS

 Um dos cenários mais tristes da saga lampiônica

Texto e fotos Kiko Monteiro

Guiados pelo confrade Manoel Belarmino, No ultimo domingo, 22  de outubro de 2023, eu, junto com o companheiro de expedições Marcelo Rocha, pudemos finalmente conhecer as “Pias das Panelas”. Um pequeno lajedo às margens do Riacho do Quatarvo, antigo território da histórica Fazenda Paus Pretos de Antônio Caixeiro na zona rural de Poço Redondo, Alto Sertão Sergipano.
 

Nos anos 30 este local passou a ser um dos muitos coitos de Lampião 
e seus subgrupos naquela região. 
 
 
Como bem preveniu o saudoso mestre Alcino Costa, um lugar fúnebre, lúgubre, pois fora palco de tragédias e virou morada eterna de pelo menos 5 almas identificadas. Uma coincidência macabra entre as vítimas que jazem ali é que todas foram mortas pelos seus próprios “parceiros”.
 

Esta formação de pedras, embaixo de um velho umbuzeiro, marca a sepultura da cangaceira Lídia. Acusada de adultério, foi morta pelo seu marido, “Zé Baiano” em julho de 1934.
 
Após o veredito de Lampião, Zé deixou-a amarrada naquela mesma árvore durante toda a madrugada. Ao amanhecer, aquela que foi considerada a mais bela das cangaceiras, foi morta a pauladas.
 

O delator da traição, o cangaceiro “Coqueiro II”, pensou que teria a gratidão do bando, mas tombou sob a mira do colega “Gato” e por ali mesmo foi enterrado.
 
A história não esquece de Preta de Maria das Virgens. Nativa daquela mesma região que foi assassinada pelo seu namorado, Zé Paulo. Este, após descobrir que engravidara a moça, para não ser obrigado a casar com a pobre sertaneja, aplaca seu tormento com uma pedra, esmagando a sua cabeça e deixando-a ali. Localizada, é enterrada às margens do Riacho.
 
Também em um ponto atualmente impreciso, em 1937, foi morta e sepultada a cangaceira Rosinha, viúva do cangaceiro “Mariano”. Executada pelo seu colega “Pó-Corante” a mando de Lampião, só porque desejava voltar pra casa dos pais… Mas no cangaço, como em qualquer outra organização criminosa, aquilo era considerado uma deserção. Ela sabia demais e assim foi efetuada a queima de arquivo. 
 
 
E a sentença do vaqueiro e coiteiro “Zé dos Paus Pretos”
 
Aquele que em finais de 1937 acreditou ter matado o cangaceiro “Novo Tempo”, depois de encontrá-lo moribundo nas matas ao redor da Fazenda que devia ser rancho seguro dos cabras de Lampião. Mesmo baleado na cabeça “Novo Tempo” conseguiu fugir. Recuperado, relatou a traição do colaborador. Zé foi queimado vivo em uma coivara. Dias depois os vaqueiros da região encontram o corpo já em estado avançado de decomposição e o enterram-no ali mesmo nas proximidades das Pias das Panelas.
 
 
Gratidão pela atenção e companhia deste confrade que é grande conhecedor dos fatos que envolvem o Cangaço em Poço Redondo e em toda aquela região.
 
Manoel Belarmino, Marcelo Rocha e o autor.
 

ATENÇÃO: É expressamente proibida a reprodução deste conteúdo sem a autorização prévia.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/L%C3%ADdia

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A CELA DO CANGACEIRO JARARACA | CNL | 592

 Por O Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=M5g8Zc-LoNE&t=2s


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

RESUMO E ANÁLISE DO LIVRO "LAMPIÃO, HERÓI OU BANDIDO?" AUTORIA DE RANULFO PRATA.

 Acervo Zé do Telhado

Contexto e Autor:

Ranulfo Prata (1896-1979), escritor brasileiro vinculado ao regionalismo, explora em sua obra a figura controversa de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, líder do cangaço no Nordeste brasileiro (décadas de 1920-1930). O livro, provavelmente escrito em meados do século XX, reflete um período próximo aos eventos, oferecendo uma perspectiva influenciada por testemunhos e contextos sociais da época.
Temática Central:
O título questiona a dualidade de Lampião como herói (símbolo de resistência contra a opressão dos coronéis e a miséria) ou bandido (violento e mercenário). Prata investiga essa ambiguidade, inserindo-a no cenário socioeconômico do Nordeste, marcado por secas, desigualdades e estruturas de poder feudais.
Abordagem e Metodologia:
- Exploração Dialética: O título sugere uma análise equilibrada, apresentando argumentos de ambos os lados. Prata pode utilizar fontes como relatos orais, documentos oficiais e reportagens da época, ponderando entre a visão romantizada (folclore) e a criminalização institucional.
- Contextualização Histórica: Discute-se como as condições do sertão nordestino alimentaram o cangaço, posicionando Lampião como produto de seu tempo.
- Cultura e Mito: A obra provavelmente aborda a construção do mito Lampião, analisando sua representação na mídia, literatura de cordel e imaginário popular.
Estrutura e Estilo:

Embora não haja detalhes precisos, é plausível que o livro combine narrativa cronológica com análise temática, mesclando episódios biográficos (como batalhas emblemáticas e sua morte em 1938) com reflexões sobre justiça social, violência e resistência.
Recepção e Contribuições:

Como obra pioneira, pode ter influenciado estudos posteriores ao trazer uma visão menos maniqueísta de Lampião. No entanto, seu contexto temporal talvez limite a crítica a fontes oficiais (tendentes a criminalizá-lo) ou à idealização romântica. Comparado a obras contemporâneas, destaca-se pelo foco regionalista e estilo literário, diferenciando-se de abordagens acadêmicas recentes.
Conclusão:

Prata oferece uma reflexão multifacetada, convidando o leitor a compreender Lampião além de rótulos. O livro ressalta a complexidade de um ícone cuja história é indissociável das contradições do Brasil rural, questionando noções fixas de heroísmo e criminalidade. Sua relevância persiste como parte do debate sobre memória, poder e identidade cultural no Nordeste.

https://www.facebook.com/raul.meneleu.54

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A CAPELA QUE SANGRA E A DEGOLA DE ZÉ BONITINHO.

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=ru2W22KB97U&t=364s

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com
6º vídeo da série Rota do Cangaço - Poço Redondo, onde os pesquisadores Rangel Alves da Costa e Orlando Carvalho falam sobre outras três mortes da Chacina do Couro. Também um depoimento intrigante do Sr. João da Aruanda sobre a capela que sangra e fechando o vídeo, a degola de Zé Bonitinho.
Ilustrações: Matheus Almeida Cordeiro Violão: Beto Sousa Link desse vídeo:
   • A capela que sangra e a degola de Zé ...  

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MORTE DE CANÁRIO - (CANGACEIRO DE LAMPIÃO).

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=sbZZU3TKsPA&t=170s

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com
7º vídeo da série Rota do Cangaço - Poço Redondo, onde os pesquisadores Rangel Alves da Costa, Orlando Carvalho e Manoel Belarmino falam sobre a morte do cangaceiro Canário pelas mãos de seu companheiro de bando Penedinho.
Ilustrações: Matheus Almeida Cordeiro Violão: Beto Sousa Link desse vídeo:
   • Morte de Canário  

http://blogdomendesemendes.blogspot.com