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sábado, 29 de novembro de 2025

A MORTE DO SARGENTO DELUZ - PARTE I

  Por José Mendes Pereira


Segundo o escritor Alcino Alves Costa, escreveu em seu Livro, “O Sertão de Lampião”, que o verdadeiro assassino do cangaceiro Juriti, o seu nome de batismo, era Amâncio Ferreira da Silva, famoso caçador de cangaceiros que se têm informações, e era da polícia sergipana. Esta figura era pernambucana, com naturalidade duvidosa, porque, uns afirmavam que ele era lá de São Bento do Una, enquanto outros diziam que o famoso e carrasco policial era da cidade de Gravatá. 

Ele nasceu no dia 11 de agosto de 1905. Mas o seu nome de batismo sempre ficou esquecido, porque desde criança, era conhecido por Deluz, nome que o fez pessoa importante na região, que sempre esteve prestando os seus serviços à polícia militar e ingressou na força logo muito jovem.

Com o banditismo tomando de conta dos sertões nordestinos, matando, roubando, destruindo tudo que via pela frente, Deluz recebeu ordem para ir destacar no último porto navegável do baixo São Francisco, o minúsculo lugarejo da família Britto, lá no Canindé do São Francisco.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_Natural_do_Rio_S%C3%A3o_Francisco

Ali, naquele tempo, o sertão no abandono, a coroa que reinava por lá, era do velho guerreiro, destemido e sanguinário rei do cangaço o Lampião; e o jovem militar seguindo a missão de tantos outros do seu tempo, foi também incumbido para caçar cangaceiros, e iria enfrentar o poder do famoso e perverso Lampião.

Desde muito cedo que o Deluz demonstrava ser destemido, e com isso, seu nome caiu na boca do povo, como sendo um homem de muita coragem, e que nunca conheceu o significado da palavra medo, mas talvez carregasse consigo a pesada cruz, que era perseguir cangaceiros, homens que não tinham medo de ninguém e nem o que perderem. 

https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/fim-do-bando-de-lampiao-o-rei-do-cangaco/

Após a chacina de Angico, um dos seus divertimentos era procurar por todos os lugares ex-cangaceiros que sobraram da “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia”, para matar, assim aconteceu com o ex-facínora Juriti, que soube que ele estava na fazenda Pedra D’água, na casa do seu amigo Rosalvo Marinho, e assim que tomou conhecimento, Deluz e seus capangas foram até lá para engaiolá-lo. Assim que o prenderam, levaram-no para as matas, e lá, ele foi morto dentro de uma língua de fogo.

O cangaceiro Juriti

Uma das crueldades e gostosa que achava o Deluz, era tirar ladrão da cadeia de Propriá, e levar o infeliz para o Rio São Francisco e lá, amarrava-o a uma pedra, e o jogava dentro das águas. O tempo foi passando e a sua fama de homem valente foi se espalhando por toda região do São Francisco. As mocinhas quando o via desfilando pelas ruazinhas do arruado ribeirinho, se derretiam em dengos e desejos.

Diz o escritor Alcino Alves que um descendente dos Garra, e que foi uma das primeiras famílias de Poço Redondo, deixou de morar no arruado de Cupira e China, para fazer companhia a um tio paterno de nome João Grande, morador da pequena povoação de Curituba, sendo esta de um senhor chamado João dos Santos, lugar localizado nas terras do Canindé do São Francisco. O rapaz chamava-se João, e era filho de Hipólito José dos Santos e dona Marinha Cardoso dos Santos, que era chamada carinhosamente de Vevéia. Seus filhos eram: Germiniano, Joaquim, Chiquinho, José (Zé Hipólito), Antonio (Touca), Miguel, Manuel (Naninga), além de João, o João Marinho; tinha ainda as irmãs Isabel (Iaiá), Maria, Antônia Rosa, Júlia Filomena e Francelina, num total de quatorze irmãos descendentes daquela família lá das areias brancas de Poço Redondo.

O João Marinho dedica a sua vida nas terras de Canindé e parte para um compromisso sério com Maria, uma mocinha da conceituada família dos Gomes daquele pedaço de sertão sofrido. Noivam e se casam. O João Marinho resolveu ir trabalhar em uma das propriedades do coronel Chico Porfírio, na fazenda Brejo. O casal segue as tradições e os costumes da época, filhos e mais filhos foram nascendo. Hortêncio, Jonas, Zé Marinho, Angelina, Maria (Mariinha) Dalva e Santa.

João Marinho é um homem trabalhador, além dos filhos fazia planos para o futuro. Trabalhava com afinco e com dignidade, e viu os seus planos serem realizados, porque findou comprando a propriedade que morava., e com trabalhos, dedicação e coragem conseguiu fazer no Brejo uma das mais consideradas propriedade no imenso mundão de Canindé do São Francisco. O seu nome ficou respeitado no meio daquela gente como um vitorioso. Com as facilidades que a vida lhe deu dois dos seus irmãos (Chiquinho e Zé Hipólito) muda-se para Canindé, ali se casam. As sorteadas foram duas irmãs a Delfina e Anália.

O Chiquinho foi trabalhar como vaqueiro na Fazenda Rancho do Vale, de um conceituado Monteiro Santos, e o Zé Hipólito após vender a sua propriedade de nome Pindoba ao tenente João Maria da Serra Negra e faz nova moradia dando o nome de Vertente.

O João Marinho de Poço Redondo, se tornou o patriarca daquela região. Seus filhos estão crescidos, e tanto os rapazes como as moças são desejados. Namorá-los é o desejo daquela juventude.

O Deluz começou a paquerar a Dalva e logo ficou apaixonado. O pai da Dalva o João Marinho ao saber do relacionamento da filha com ele não ficou satisfeito. O João era um homem tranquilo, e não desejava aquele homem misturado na sua família, porque ele queria o melhor para sua filha. E geralmente, namoro termina em noivado, e com a continuação, será realizado casamento. E sem muita demora a Dalva casou-se com o temido sargento. Mas Deluz não estava muito satisfeito com o seu cônjuge, e três dias depois, Deluz pôs a Dalva na frente e foi devolvê-la aos pais.

Uma grande desgraça! O que aconteceu que o sargento Deluz levou a esposa e a entregou aos pais?

Você saberá amanhã, porque continuarei!

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SEU GALDINO CONTA A SEU LEODORO QUE FOI CONVIDADO PELO REI DO BAIÃO PARA SER SEU PANDEIRISTA.

Por José Mendes Pereira

Seu Leodoro

Assim que seu Leodoro Gusmão terminou as suas obrigações do iniciar do dia, foi até à casa do seu Galdino, ver se ele tinha um pouco de creolina para curar uma bicheira em uma das suas vacas. Bem perto da casa do compadre, viu que ele fazia algo, e aproximando-se, percebeu que estava consertando os loros da sela do seu cavalo. 

Seu Galdino

Como seu Galdino estava de costas e entretido no ofício de reparar os loros, mesmo não brincando com ele, seu Leodoro Gusmão resolveu fazer-lhe um pequeno medo. E ao chegar mais próximo dele, disse com voz firme e com espécie de autoridade:

- Cuidado a onça, compadre Galdino!

Seu Galdino deu um enorme pulo para frente. E ao ver o seu Leodoro, reclamou da desastrosa atitude contra à sua pessoa, dizendo-lhe:

- Mas por que me fez isto, compadre?

- Fiz apenas uma brincadeirinha com o senhor, compadre Galdino. Não a fiz por maldade...

- É, mas se eu caio desaprumado? Poderia ter quebrado uma perna, um braço...

Mas sem muita demora esqueceram-se do ocorrido e seu Galdino puxou um assunto que ainda não tinha conversado com o seu Leodoro Gusmão. E iniciou explicando-lhe de forma clara:

- Às vezes, a gente perde as oportunidades porque quer. Ontem à noite eu fiquei imaginando, que na minha juventude eu sempre gostei de açoitar “pandeiro” eu possuía um. E se eu tivesse aceitado uma proposta que me fizeram, eu hoje seria famoso no Brasil, e quem sabe, no mundo inteiro.

- Eu não sabia que o senhor tinha sido músico, compadre! - Atalhou seu Leodoro.

- Não fui músico, mas eu divertia as pessoas com o meu “pandeiro”..., pois sim, aos domingos, juntamente com os meus amigos, nós fazíamos festas no meio de pingas, paneladas, churrascos..., e certo dia, ouvi dizer que o rei do baião, seu Luiz Gonzaga, iria fazer um show na Praça Vigário Antônio Joaquim - em Mossoró, quase em frente à 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Catedral_de_Santa_Luzia.JPG

Catedral de Santa Luzia, festa preparada pela Rádio Rural de Mossoró, antigo Programa "A MAIS BELA VOZ". Ao anoitecer, eu me arrumei e partir pra lá. Fiquei lá aguardando o início do show.

- O show foi pago, compadre Galdino?

- Compadre Leodoro, se o show era na praça como poderia ser pago?

- Verdade compadre, eu me enganei, talvez não prestei bem a atenção no que o senhor disse...

- Deixa pra lá..., vamos continuar a minha história..., e no local em que eu permanecia aguardando o show, os instrumentos musicais do rei estavam bem coladinhos a mim. E eu observava o “pandeiro”. Foi aí que vi o seu Luiz Gonzaga chegando, ele já tinha observado os meus olhos em direção ao instrumento. E logo ele me fez uma pergunta:

- Oxente! por que tanto namoro com este “pandeiro”? Pois desde lá de dentro que vejo você de olho nele? Mas por obséquio, não faz besteira não...

- Eu gosto muito de açoitar “pandeiro”, seu Luiz Gonzaga!

- E tu sabes tocar “pandeiro” mesmo, "minino"!?

- Eu não sou dos melhores, seu Luiz Gonzaga, mas também não sou dos piores.

Seu Leodoro Gusmão chega dormia com a conversa do seu Galdino. Mas permanecia caladão. Nada a contrariar o compadre.

- Seu Luiz Gonzaga querendo ver se eu sabia mesmo bater “pandeiro”, pegou-o e me entregou, dizendo:

- Provas que tu sabes mesmo tocar "pandeiro...!"

https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/08/30/pandeiristas-relembram-jackson-do-pandeiro-e-exaltam-legado-do-artista-na-pb.ghtml

- Primeiro toquei. Depois eu iniciei fazendo o "pandeiro" rodopiar sobre o meu dedo indicador. Passava-o entre as minhas pernas. Eu o jogava para cima e o aparava na ponta do dedo. Colocava-o sobre o meu queixo, isto com ele em pé. O rei do baião, Luiz Gonzaga ali, só olhando o meu malabarismo com o “pandeiro”. Vendo o que eu fazia com o instrumento, me disse:

- Oxente! Tu és bom mesmo no “pandeiro”, menino! O meu pandeireiro chegou aqui em Mossoró meio adoentado, com uma disenteria horrível, e tenho certeza que ele não irá aguentar tocar. Tu quer tocar no lugar dele hoje a noite, no momento do show, "minino"?

- E o senhor acha que um convite deste eu vou rejeitar, seu Luiz Gonzaga?

- O senhor ficou morto de feliz, em compadre Galdino? - Enfatizou-o seu Leodoro.

- E com uma proposta desta compadre, quem não fica? Fiquei mais do que feliz! Um convite deste, não é qualquer um que é merecedor, e nem todo dia há esta oportunidade para artista. 

Festa da Rádio Rural de Mossoró, que contou com show do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, ao lado de Nilton Santana, das Lojas Olindas e uma vencedora de uma bicicleta. https://www.facebook.com/photo/?fbid=324689799632069&set=gm.4736550479761678

- Passei quase a noite toda tocando pandeiro no show de seu Luiz Gonzaga, na Praça Vigário Antônio Joaquim em Mossoró. Mas não ficou por aí. Quando terminou o show ele me fez a proposta de acompanhá-lo por este Brasil afora. 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Est%C3%A1tua_de_Dix-Sept_Rosado_na_Pra%C3%A7a_Vig%C3%A1rio_Ant%C3%B4nio_Joaquim,_Mossor%C3%B3_%28RN%29.jpg

Mas eu o disse que não podia (continuava se Galdino), porque os meus pais já eram velhos, e eu precisava estar sempre presente. Seu Luiz Gonzaga até elogiou por eu não abandonar os velhos meus pais, com as seguintes palavras: -"Filho que sabe bem o que significam pais, jamais os abandonará". 

- Sabe o que é que quer dizer isto, compadre Galdino? Não responda. Eu mesmo respondo. É talento e mais nada. - Dizia seu Leodoro Gusmão dando-lhe um pouco de corda.

- Para mim foi uma honra tocar "Pandeiro" para  o rei do baião. E eu brinco?! 

- Que compadre mentiroso! fez seu Leodoro consigo mesmo...

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer. 

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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

MINHAS INQUIETAÇÕES, ASSIM DIZIA O ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO ALCINO ALVES COSTA.

 Por José Mendes Pereira - (Crônica 49)

Resultado de imagem para FOTOS DE CANDEEIRO CANGACEIRO

Em um material que eu li ou em um vídeo, não tenho muita lembrança, e que no momento não disponho da fonte, mas que eu não estou criando este fato, e não tenho segurança em afirmar que foi em um documento (Vídeo ou escrito) do cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira, Manoel Dantas Loyola o ex-cangaceiro Candeeiro afirma que Maria Bonita chegou a ter ciúmes da amizade dele com Lampião. Mas o Candeeiro não explica o motivo dos ciúmes.

Colorizada pelo saudoso pesquisador do cangaço Rubens Antônio

Aí ficam as perguntas:

- Qual teria sido o motivo que despertou ciúmes de Maria Bonita sobre a amizade dos citados?

- Será que o facínora Candeeiro sabia envolvimento amoroso de Lampião com alguma mulher, durante o tempo em que ele esteve nas terras sergipanas, e o cangaceiro achou melhor esconder de Maria Bonita, para não causar desavença entre o casal de cangaceiros? É possível que tenha sido isso.

- Ou apenas a rainha do cangaço Maria Bonita, suspeitava traição do rei com alguma de suas comandadas, assim como a Maria do cangaceiro Pancada, que segundo o cangaceiro Balão, tinha fogo para dar e vender. Lembre-se que o Balão não usou estas palavras, mas tem sentido como eu estou dizendo.

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas. Desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão.
 
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

Guarda na mente este lembrete quando estiver no trânsito. Não se exalte. Calma! Calma!

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O DECEPADOR DE CABEÇA HUMANA.

 Por José Mendes Pereira - (Crônica 56)

Cabeça do capitão Lampião morto no dia 28 de Julho de 1938 - no Estado de Sergipe, só para efeito de ilustração neste trabalho

Chegou à cidadezinha  montado num velho e desnutrido jumentinho. E logo os curiosos rodearam o homem de barba grande, com botas alongadas, chapéu  de palhas, e uma enorme sacola sobre a pequena sela de montaria. Todos estavam ali, rindo do infeliz mendigo, que ao ver tanta humilhação contra si, saiu em busca de um bar, e lá, pediu, por favor, uma urgente e  caprichada pinga.

O dono do boteco nem sabia a quem estava atendendo. Mas resolveu colocar no copo uma caprichada pinga. Os curiosos acompanharam-no até a venda.  O mendigo bebeu a primeira, e em seguida, pediu bis.

O dono do bar fez gesto de que não estava gostando, imaginando que iria dançar na hora em que fosse cobrado o acerto de contas. E assim que o mendigo ingeriu a segunda dose, de imediato, pediu a terceira.

O sangue nas veias do velho comerciante esquentou de vez. E foi obrigado a  dizer ao mendigo, que só colocaria a terceira dose, se ele pagasse logo as duas primeiras.

Os curiosos estavam todos em risos, e até um deles ameaçou o barba grande, dizendo que se ele não pagasse as doses de cachaça ao comerciante, não iria sair dali com vida. 

 www.youtube.com

O mendigo concordou pagar logo as duas chamadas. Foi até ao seu jumentinho, retirou uma enorme sacola que estava sobre ele, e era nela que ele guardava o seu dinheiro. Em seguida, retornou para fazer o pagamento das chamadas ao comerciante. E pôs-se a procurar o dinheiro no meio de tantas bugigangas. Enfiou a mão na sacola, e ficou tirando algumas peças. Em seguida, retirou uma cabeça  humana cheia de sangue, colocando-a em cima do balcão.

O comerciante ao ver a cabeça coberta com sangue e com os olhos fechados, admirou-se, dizendo em tom de susto e tremendo:

- Meu Deus!!! Que coisa triste, hein!!!

- Eu faço este trabalho muito bem e com perfeição. - Dizia o mendigo. - E adoro fazê-lo. Durante a semana são duas, três, até mais cabeças. Mas melhor do que eu, quem faz é um parceiro meu, o "Negrão das Cavernas". Ele desceu aqui em busca do mercado central, e me disse que iria procurar vítimas, para ver se negocia umas duas ou três cabeças.

O comerciante de tanto tremer, não resistiu mais em pé, saiu desmaiando por cima de uma porção de mercadorias que estava sobre o chão. Os curiosos desapareceram em disparada carreira, e aos gritos, pelas ruas, pedindo clemência. A partir daí, a fama do homem barbudo e do "Negrão das Cavernas" aumentou no lugarejo.

Um velho que no momento entrou no bar, ao ver aquela terrível cena, isto é, a cabeça de um corpo humano sobre o balcão, ajoelhou-se diante do mendigo, pedindo-lhe que pelo o amor de Deus não o matasse. E o mendigo ficou sem saber o porquê daquela imploração do velho, pedindo-lhe  que não o matasse.

Os moradores da cidade ao tomarem conhecimento do perigoso mendigo e do "Negrão das Cavernas" que haviam entrado na comunidade, entraram em choque, procurando por todos os lugares os seus filhos e parentes, temendo que eles fossem degolados pelos facínoras.

Logo que as mulheres ficaram sabendo da presença de dois delinquentes na cidade, corriam pelas as avenidas do lugarejo, em lastimosos choros, procurando por todas as entradas os seus filhos pequenos.


O prefeito quando recebeu a informação que na cidade tinha entrado dois perigosos marginais, recolheu-se à prefeitura, ligando para tudo que era de autoridade, que cuidasse de prender com urgência os assassinos.

Além do contingente da cidade o prefeito solicitou dos administradores das cidades vizinhas, que liberassem os seus policiais para tentarem prender os dois bandidos.

- Os homens são perigosíssimos, amigos! - Dizia ele pelo telefone aos prefeitos das cidades adjacentes. Andam com cabeças humanas degoladas dentro das suas sacolas! Uns homens desse tipo estão com o capeta nas costas, e poderão bagunçar a minha cidade, e depois invadirem as suas! Com a ajuda de vocês, prenderemos estes delinquentes"

O dono do açougue (o Ludugero), ao ser informado da entrada destes criminosos no lugarejo, foi curto e grosso. "-A culpa é do prefeito que não põe mais policiais nas ruas.  Ele só pensa em si. Aos domingos, se manda com a família para as praias, como se fosse o governador do Estado".

A cidade já imaginava a quantidade de defuntos que iria ficar estirada nas ruas, depois que o mendigo e o "Negrão das Cavernas" saíssem do lugar.


Os coveiros do cemitério já haviam recebidos ordens para cavarem covas em quantidades. Os dois homens eram perigosíssimos, e com certeza, muitos moradores iriam perder as suas vidas sobre as miras das suas armas, ou nas pontas dos seus afiados facões. 

Chegaram praças de todos os lugares. E obedecendo a exigência do prefeito, de imediato, morrendo de medo, os policias ocuparam os fundos e a frente do bar.  E aos poucos, com muito cuidado, vendo a hora surgirem balas disparadas pelo barba grande, que naquele momento, ali, só se encontrava ele, todos foram fechando o cerco, e ao se aproximarem do infeliz, deram ordens de prisão. Assim que o algemaram,  acusaram-no de decepador de cabeça humana.

O mendigo tentava explicar quem ele era, mas a polícia não quis conversa, obrigando-o colocar a cabeça dentro da sacola, e que ele iria ser conduzido até à delegacia para as devidas explicações ao delegado.

Ao entrar na delegacia, de imediato ele recebeu um pescoção, aplicado pelo delegado. E um tenente que nem estava de serviços, não demorou muito para bofeteá-lo diante do delegado.

Exigido a comprovação do crime, o mendigo retirou a cabeça humana de dentro da sacola. O delegado ficou rodeando-a, e observou que ela nem sangrava, apenas ainda permanecia como se tivesse sido decepada recentemente. E como inteligente e um pouco de psicologia, o delegado percebeu que não tinha nada a ver com cabeça humana.

Os dois homens não eram mendigos e nem marginais.  Devido viverem andando pelas ruas, as roupas eram como de mendigos. Eram apenas  dois escultores em madeiras que faziam as suas peças e saíam à procura de compradores. Ambos eram grandes talhadores com muita perfeição e enganava qualquer especialista. Até a pintura, tinha aparência de sangue vivo.

"Antes de julgarmos uma pessoa devemos esmiuçar a sua vida com cautela, para que ela não venha ser castigada injustamente  e  moralmente ofendida".

Minhas Simples Histórias

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MAS QUEM NÃO É? - PERGUNTAVA CHICO ANYZIO

Por José Mendes Pereira - (Crônica 69)

Em todas as cidades brasileiras anualmente são construídas milhares e milhares de casas populares, programa do Governo Federal para solucionar muitos problemas de pessoas que são inteiramente pobres, sem condições de possuírem um teto, e não dispõem de empregos para sustentarem as suas famílias.

Logo que as residências são entregues aos inscritos do programa, de imediato, o conjunto habitacional é nomeado com um apelido ou vários, como por exemplo: Inferno colorido, Favela do Veio, Rochedo, Onde o cão perdeu as esporas, Malvinas, Iraque, Tranquilim..., e um deles, será escolhido pelos moradores como identificação onde moram.

Mas estes apelidos são dados aos conjuntos sem nenhuma maldade, e geralmente, são originados das constantes brigas que acontecem entre os moradores que ficam fazendo fuxico na vizinhança.

Aluízio Alves - Fonte Blog Tok de História - https://tokdehistoria.com.br/

Na década de 60, o governo do Estado do Rio Grande do Norte, o afamado cigano feiticeiro, Aluízio Alves, construiu o primeiro conjunto residencial em Mossoró, denominado “COHAB”, no chamado grande alto de “São Manoel”.

Posteriormente, assumiu o governo deste Estado, o monsenhor Walfredo Gurgel, este também colaborou com mais residências, e em seguida, outros e outros fizeram casas populares para os sem tetos de Mossoró.

https://www.assessorn.com/2014/08/monsenhor-walfredo-gurgel-precursor-da.html

Com o falecimento do monsenhor Walfredo Gurgel que havia sido governador do Rio Grande do Norte, apoiado pelo ex-governador Aluízio Alves, este conjunto habitacional deixou de ser (COHAB), recebendo o nome do governador falecido, e passou a ser (Conjunto Habitacional Walfredo Gurgel).

Logo que foi entregue aos moradores inscritos, foi apelidado de CORNAP (Corneado Às Pressas), nomeado pelos próprios moradores daquela época, que afirmavam que casa sim, casa não, tinha um homem traído, e ao retornar pela mesma rua, todos eles eram traídos.

Mas isso não precisa ninguém ficar chateado, porque já se foram mais de 5 décadas, e sempre as brincadeiras acontecem em conjuntos quando são fundados, e todos nós sabemos que ali viviam e ainda vivem mulheres honradas, e que jamais imaginaram tal coisa.

Eu fazendo o papel de memorialista, coisa que apenas faço, mas na verdade não sou, tenho que registrar o que aconteceu, acontece e acontecerá no futuro em Mossoró, independente deste fato.

Mas o mais interessante é que, nesse conjunto habitacional moravam dois senhores da alta sociedade de Mossoró (não coloquei os seus verdadeiros nomes, porque preservar a identidade de quem já partiu, é uma obrigação nossa).

Um deles era o Dr. Paulo que na época já beirava os 50 anos de idade. Médico, formado em odontologia, e que havia sido traído pela sua primeira esposa. Após a traição, foi morar na COHAB, maritalmente com uma jovem aparentemente formosa. Mas a dona Candinha que tem uma família numerosa, com 21 filhos, que enquanto 7 dormem, 7 estão ouvindo e os outros 7 estão falando, os 7 filhos da Candinha que falavam, já comentavam que a nova esposa do dentista andava o traindo.

O outro era o militar Pedro, que na época já se aproximava dos 60 anos. Este havia sido delegado de um dos bairros de Mossoró, e durante à sua administração como xerife, foi um dos mais cruéis delegados de bairro da nossa cidade, usando todos os tipos de torturas com as suas vítimas.

Jamais havia sido traído pela sua esposa, porque, ela era uma senhora honrada e que conservava as tradições familiares, e ainda achava que o adulterismo é coisa do diabo.

Mas como o nosso delegado não gostava de deixar quieto o que as mulheres do seu tempo guardavam debaixo das saias, fora traído por várias delas, quando resolvia colocá-las em uma casa, para serem suas (outras).

Os dois moravam na COHAB, apenas um muro dividia as suas residências, e certa noite, sentados sobre a calçada, ali, eles conversavam sobre isto ou sobre aquilo, e de imediato, o militar Pedro disse para o Dr. Paulo.

- Paulo, nesta COHAB só tem duas casas que não têm homens traídos.

- Eu já sei Pedro, uma  é a minha, e a outra, e a sua. - Disse Paulo querendo fugir da cornagem. (Amigo leitor, cornagem tem outro sentido, mas vamos aceitar assim mesmo do jeito que eu penso).

Pedro olhou para um lado e para o outro, e em seguida, virando-se para o Paulo, disse:

- Não, Paulo! Você está totalmente enganado. Aqui na COHAB, as casas que não têm homens traídos são aquelas duas que estão fechadas defronte às nossas casas. Mas só não têm homens traídos, porque nelas não mora ninguém!

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Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas. Desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão.
 
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

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 Por José Mendes Pereira

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LIVRO "LAMPIÃO NA PARAÍBA - NOTAS PARA A HISTÓRIA".

 

Comprar livros tendo como pano de fundo o cangaço é para mim sempre uma enorme satisfação e ganhar devidamente autografados... são duas.

“Lampião na Paraíba – Notas para a história” a mais recente e aguardada obra do confrade escritor e pesquisador do cangaço, Sérgio Augusto de Souza Dantas, finalmente chega em minhas mãos e ao iniciar a leitura já pude constatar que se trata de um trabalho, que a exemplo dos anteriores que foram escritos pelo autor, sério e criterioso, nesse caso, ao que diz respeito aos fatos e acontecimentos históricos envolvendo a passagem de Lampião e bando por terras paraibanas.

A verdade é que muitos fatos e histórias envolvendo o cangaceirismo na Paraíba se perderam com o decorrer dos anos, mas aquilo que foi possível resgatar certamente iremos nos deparar ao folhear as páginas desse livro, que trás entre outros assuntos:

- A invasão a Jericó

- Fazendas Dois Riachos e Curralinho.

- O Fogo da fazenda Tabuleiro.

- Os primeiros ferimentos sofridos por Lampião

- As lutas com Clementino Furtado “Quelé”.

- Combate na Lagoa do Vieira.

- O ataque cangaceiro a cidade de Sousa.

- A expulsão dos cangaceiros do município de Princesa/PB.

Combates em:

- Pau Ferrado

- Areias de Pelo Sinal.

- Cachoeira de Minas.

- Tataíra.

- Os ataques às fazendas do coronel José Pereira Lima

- Morte de Luiz Leão e seus comparsas em Piancó/PB.

- Confronto em Serrote Preto.

- Suassuna e Costa Rego (A criação do segundo batalhão de polícia).

- Sítio Tenório e a morte de Levino Ferreira.

- O ataque a Santa Inês.

- Combates nos sítios Gavião e São Bento.

- Chacina nos sítios Caboré e Alagoa do Serrote.

- Lagoa do Cruz.

- Assassinatos de João Cirino Nunes e Aristides Ramalho.

- Mortes no sítio Cipó.

- Fuga de paraibanos da fronteira para o Ceará.

- Confronto em Barreiros.

- Invasão ao povoado Monte Horebe.

- Combates em Conceição.

- Sequestro do coronel Zuza Lacerda.

- O assalto de Sabino a Triunfo/PE e Cajazeiras/PB.

- Mortes dos soldados contratados Raimundo e Chiquito em Princesa.

- Luiz do Triângulo.

- Ataques a Belém do Rio do Peixe e Barra do Juá.

- Pilões.

- Canto do Feijão e os assassinatos de Raimundo Luiz e Eliziário.

- Sítios Vaquejador e Caiçara.

- Quelé e João Costa no Rio Grande do Norte.

- Combates com a polícia da Paraíba em solo cearense.

- O caso Chico Pereira sob uma nova ótica.

- Virgínio Fortunato na Paraíba.

- São Sebastião do Umbuzeiro e sítios Balança, Angico e Riacho Fundo.

- Sítio Rejeitado.

- As nuances sobre a morte do cangaceiro Virgínio.

Esses e tantos outros assuntos sobre as peripécias, mortes e depredações promovidas por Lampião e seu bando em solo paraibano, vocês terão conhecimento ao adquirir o livro “Lampião na Paraíba – Notas para a história” e dar início a leitura.

Para encerrar eu quero aproveitar o espaço para agradecer ao amigo dr. Sérgio Augusto de Souza Dantas, por mais esse fabuloso presente que para mim possui um valor inestimável por se tratar de um trabalho extraordinário escrito por um incansável e reconhecido resgatador da história cangaceira e consecutivamente do Nordeste brasileiro.

Quem desejar adquirir essa e outras obras sobre os temas cangaço e Nordeste, basta entrar em contato com o conceituado vendedor de livros Professor Pereira (Francisco Pereira Lima) através dos contatos abaixo relacionados:

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Boa leitura.

Geraldo Antônio de Souza Júnior



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