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domingo, 29 de janeiro de 2012

Para Aristéia o nosso beijo de adeus!

Por: Manoel Severo
Pedro Barbosa e Manoelinha, ao lado de Aristéia
Existem momentos que as palavras se tornam desnecessárias ! Doce Aristéia, de onde estiver receba o grande beijo de toda a família Cariri Cangaço.
Manoel Severo
NOTA CARIRI CANGAÇO: Morreu neste sábado, dia 28 de janeiro de 2012, as 13:00hs, no hospital Nair Alves de Sousa, a ex-cangaceira Aristeia Soares de Lima, carinhosamente chamada por todos , de "Vó"; Aristéia estava internada desde segunda feira, dia 23. Seu corpo foi sepultado neste domingono Capiá da Igrejinha, Canapi, Alagoas. Nossos sentimentos e grande abraço em toda família, especialmente ao querido amigo Pedro Soares, seu filho e Damaris sua nora, considerada também uma filha muito amada.

Origem da fotografia que o Major Optato Gueiros afirma em seu livro que foi na Bahia em 1929.

De pé: Ezequiel, Calais, Fortaleza, Mourão e o menino Volta Seca. Sentados : Lampião, Moderno, Zé Baiano e Arvoredo.*Mariano foi omitido. Na original ele aparece esq. de Ezequiel. Até o momento não conseguimos scanear em boa resolução.

Errado.
A foto foi feita em Sergipe, na Fazenda Jaramataia, e a original pertence ao escritor

Ivanildo Silveira, João de Sousa Lima e Rubinho

João de Sousa Lima, que fez uma cópia para o Portal do Cangaço da Bahia.

Sede da antiga Fazenda Jaramataia em Canhoba - Sergipe



O governador Eronides Ferreira de Carvalho é um dos filhos mais ilustres de Canhoba. Nasceu na Borda da Mata em 25 de abril de 1897. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 20 de Dezembro de 1917.

Unica fotografia de Antonio Caixeiro: Pai do Governador de Sergipe, Eronildes de Ferreira de Carvalho, Propietarios da Fazenda Jaramatáia.

Mancomunados com o Rei do Cangaço
- Entre meu filho! – respondeu Dona Branca. E virando-se para o marido, que assomava a sala, explicou: Antonio é o capitão Virgulino que chega perseguido pelos soldados de Alagoas e pede pousada. Já mandei ele entrar.

É assim que o escritor Nertan Macedo que entrevistou Eronides descreve a chegada de Lampião na Borda da Mata numa madrugada escura de Agosto de 1929.
Não há registro de uma pousada anterior, o capitulo na obra “Lampião, Capitão Virgulino Ferreira” de Nertan é detalhado, descreve uma enorme hospitalidade para acomodar mais ou menos 20 cangaceiros que dormiam e se revezavam de sentinelas espalhados pela casa em companhia do casal.

Lampião conhecia “os Carvalho” desde a sua juventude. Quando percorreu a maioria dos caminhos que viria a fazer mais tarde como bandoleiro. Revendendo nas fronteiras de Alagoas e Sergipe, como simples almocreve conheceu a família. E agora já como poderoso chefe cangaceiro, aproveitou para visitar o Coronel.

Sabendo do poder do grande comerciante Lampião pediu abrigo e comida, sendo prontamente atendido, onde lhe foi autorizado o abate de rezes etc, mas que seus moradores e contratados não fossem molestados por seus homens.

Esta improvisada reportagem não pretende, e nem se quisesse iria conseguir elucidar esse grande mistério do cangaço. Se o chefe do executivo sergipano foi realmente o principal “Paiol do poderio bélico de Virgulino” é assunto secundário eu quero tratar da amizade e tolerância.
Os capitães se reconhecem.

Eronides foi apresentado a Lampião em agosto de 1929, durante os dias em que se restabelecia de uma enfermidade na fazenda Jaramataia propriedade de seu pai no município de Gararu.

Algumas biografias dão conta de que esse encontro se deu “antes” de ele estar com Caixeiro. Outras que foi numa visita do interventor até a Borda da Mata.

A ordem dos fatores… Em ambas há um mesmo parágrafo: Trocam cumprimentos e o Dr. faz a Lampião uma indagação que entrou para galeria das “máximas cangaceiras”.

- “Então, como devo chamá-lo, capitão ou coronel? Porque eu também sou capitão e deve haver aqui uma hierarquia – como oficial do exército não posso ser comandado pelo senhor”.

Lampião compreendeu a malícia e replicou: - “Pois desde já o senhor está promovido a coronel”.

Após o café Eronides presenteou Lampião com uma garrafa térmica e uma caixa de queijos importados. Naquele instante nascia uma estreita amizade. Lampião passou a tratar de negócios, queria munição especialmente para sua pistola Luger (Parabellum) cujas balas eram difíceis de encontrar.
Por favor, um médico!

Foi através de Eronides que os cangaceiros conheceram as propriedades analgésicas do ácido-acetil-salicílico. Em dado momento perceberam que um dos cabras apresentava o rosto inchado e queixou-se de dor de dente. O Dr. trouxe-lhe o comprimido o qual inicialmente não ingeriu. Olhou para Lampião que fez um sinal de consentimento com a cabeça e em algumas horas tinha sua dor aliviada pelo comprimido. Uma aspirina.

Outra propriedade dos Carvalho que era pouso seguro para os cangaceiros era a fazenda São Domingos em Porto da Folha. 

(Observação - Fonte e Fotos Rostand Medeiros.)

Extraído do blog: 
Portal do Cangaço de Serrinha - Bahia, do amigo Guilherme Machado.

O afamado cangaceiro Corisco

Por: José Mendes Pereira

Corisco - o Diabo Loiro
Cristino Gomes da Silva Cleto, este nome nos lembra um grande cangaceiro. E na verdade é ele mesmo! O temido Corisco, o Diabo Loiro, o Alemão. Corajoso à admiração dos comparsas.
Se falarmos em Lampião, com certeza lembrar-nos-emos deste imediatamente. E era um grande astro da Empresa de cangaceiros Lampiônica & Cia.
Cristino Gomes da Silva Cleto nasceu no dia 10 de agosto de 1907, em Matinha de Águas Brancas, no Estado de Alagoas. Era filho de  Manuel Gomes da Silva Cleto e Firmina Cleto.
Aos 17 anos, em uma festa, quando tentava se aconchegar aos braços de uma jovem, apesar de ter sido rejeitado por ela, mas mesmo assim continuou insistindo; um dos parentes da moça que no momento observava a sua teimosia, querendo que a jovem caísse no salão aos seus desejos, e  que não lhe permitia ganhar aconchegos dela,  o esmurrou no meio da festa.
Corisco não aceitando a desmoralização, que naqueles tempos era um dos maiores desrespeitos aos camponeses, resolveu ir até à casa do patrão, apoderou-se de uma arma, voltou à festa e lá assassinou o seu agressor.
Temendo ser preso, atirou-se às matas. Mas no meado do ano de 1926, um fazendeiro amigo de Lampião, conseguiu a sua colocação no bando do rei.
Corisco foi um dos grandes amigos de Lampião, onde certa vez o chefe do bando de cangaceiros chegou a dizer que todos os seus subgrupos de cangaceiros eram excelentes batalhadores, mas o que mais lhe dava lucros era o de Corisco.
Minha opinião - "Nada concreto"
Mas não dar para se entender. O rancor que o rei guardava de Alagoas, por que tinha tanta adulação com Corisco que também era Alagoano, quando toda sua vida de bandoleiro, as maiores desgraças e decepções que sofreu foram causadas por gente de Alagoas?
1 - Foi em Alagoas que em 1920 que ele perdeu a sua amada e honrada mãe.
2 – Foi em Alagoas que também com poucos dias da morte da mãe, o seu pai José Ferreira da Silva foi barbaramente assassinado pela volante policial de Zé Lucena, que também era alagoana.
3 - E por má sorte de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido por capitão Lampião, a volante do tenente

João Bezerra, sentado à esquerda
João Bezerra que o assassinou na madrugada do dia 28 de julho de 1938,  na Grota de Angicos, no Estado de Sergipe, também era Alagoana.

Aderbal Nogueira e Alcino Alves
O escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa em: ”Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico”, diz o seguinte: “-Uma estranha versão conta que nos últimos dias que antecederam o cerco na Grota de Angico, os famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues foram até ao coito, com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo com o falado Diabo Loiro”. Diz ainda Alcino: “-É esta visita misteriosa, um dos grandes segredos que cercam os fatos de Angico”. 
Teria sido o amigo Corisco um dos traidores do capitão Lampião, entregando o rei aos famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues, já que eles foram ao seu coito com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo?
Ainda diz Alcino, que quando aconteceu a chacina que levou o rei, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, Corisco e seus asseclas se encontravam acoitados entre as fazendas Coidado e Emendadas.
Será que Corisco não foi para o acampamento quando aconteceu o ataque aos bandidos, porque sabia o dia em que seria feita a chacina, uma vez que a volante não iria ter tempo de escolher quem morreria e quem ficaria vivo? E aí, leitor?
Lembrando ao leitor que esta é minha opinião, nada concreto.

José Mendes Pereira- Mossoró-Rn.

Fonte de pesquisas: “Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico” – Escritor: Alcino Alves  Costa.

Mais uma fonte que seca

Adeus Aristéia!

Morreu ontem, dia 28 de janeiro de 2012, às 13:00hs, no hospital Nair Alves de Sousa em Paulo Afonso, a ex cangaceira Aristéia Soares de Lima, 98 anos. Ela estava internada desde a segunda feira, 23. 

Aristéia foi sepultada na sua terra natal povoado Capiá da Igrejinha, município de Canapi, Alagoas, nesse domingo, 29. A má notícia nos foi repassada por João de Sousa Lima.



Clique aqui aqui  e reveja outras matérias, conheça a história de Aristéia.

Nossos votos de pesar e solidariedade à família especialmente ao seu filho, nosso amigo Pedro Soares.

Extraído do blog: "Lampião Aceso"
http://lampiaoaceso.blogspot.com

Uma última lembrança da ex-cangaceira Aristéia

Por: Guilherme Machado
Aristéia Soares de Lima  - 23-6-1916 - 28-1-2012 )

A sua certidão de nascimento. Uma colaboração do escritor e pesquisador do cangaço


João de Sousa Lima, Para o Portal do Cangaço da Bahia.


Aristéia Soares de Lima nasceu em 23 de junho de 1916 (dia que se comemora a festa de São João) e lembra-se bem da passagem dos cangaceiros: Corisco, Virgínio e Luiz Pedro em sua casa, sendo que por diversas vezes, outros cruzaram o terreiro da fazenda Lajeiro do Boi.

Tendo seu nome envolvido como coiteira de cangaceiros e temendo a ação vingativa dos policiais, Aristeia fugiu para fazenda Alto Vermelho, entre Lajinha e Campo, próximo a Santana do Ipanema, indo refugiar-se na casa das tias Mariinha, Zifina, Santa e Maria Grande. Por essa época ,Eleonora já se cobria com a mescla azul e os bornais enfeitados com os desenhos de flores coloridas.

Cícero Garrincha já tinha certa queda por Aristéia e assim que abraçou a nova vida do cangaço começou a rondar a fazenda da família da moça. Em uma dessas passagens, ele foi avisado pela amiga Celina, da localização de Aristéia. Cícero seguiu para fazenda Alto Vermelho e depois de conversar com a escolhida, sem usar a força, conseguiu que ela mesma contra sua vontade, acompanhasse o cangaceiro.

O novo casal seguiu ao encontro do grupo de Moreno que os aguardava no coito conhecido por “Pilão das Pêia Juntas”, próximo a casa de Aristéia. No esconderijo, Aristéia foi festivamente recebida. Durvalina manejou a velha máquina de costura e fez um vestido para nova amiga, completando o figurino com bornais floridos e um chapéu de feltro.

Logo após a entrada de Aristéia, suas primas Sebastiana e Quitéria seguiram os cangaceiros Moita Brava e Pedra Roxa. Ver-se a ex- cangaceira Aristéia e o Pesquisador Guilherme Machado, Na Residência da Cangaceira, em Jardim Cordeiro, povoado de Delmiro Gouveia Alagoas.

Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha - Bahia, do amigo Guilherme Machado.

Dois Estados Nordestinos: Expoentes da história do cangaço: Bahia e Rio Grande do Norte. Dois ferrenhos divulgadores da saga:

Por: Guilherme Machado

Machado & José Mendes Pereira: Divulgadores e fundadores dos blogs: Mendes & Mendes e o Portal do Cangaço na Web.

Dois jovens repórteres  Internautas: Guilherme Machado dos Santos, Baiano da Cidade de Muritiba Bahia, Radicado em Serrinha Bahia.  


José Mendes Pereira, Potiguar da cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte... Dois amantes da saga do cangaço do Nordeste. 


Mendes professor aposentado, Guilherme curador e pesquisador autodidata, cursou  o 2º grau do ensino médio. Dois eternos  apaixonados,  pela cultura tradicional nordestina.

Tudo aquilo que vem do sertão, o vaqueiro, cangaceiro, jagunços, padres, coronéis, beatos, cabra da peste, caçadores, pescadores, jangadeiros,  cordelistas,  sanfoneiros e os cachaceiros. No nordeste tem de tudo um pouco, e muito mais, Como diria  Luiz da Câmara Cascudo.
Acima ver-se fotos de Guilherme Machado & José Mendes. Mais abaixo, bandeiras dos Estados da Bahia e do Rio Grande do Norte.

Extraído do blog: "Portal do Cangaço de Serrinha -  Bahia, do amigo Guilherme Machado.

Saiu na Imprensa...


Tribunal de Justiça do Ceará elege dois novos desembargadores

A escolha ocorreu em sessão pública, com votação nominal, aberta e fundamentada, presidida pelo desembargador José Arísio Lopes da Costa.
Por: Renata Paiva

Os juízes Luiz Evaldo Gonçalves Leite e Francisco Gomes de Moura foram eleitos desembargadores do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). A votação ocorreu nesta sexta-feira (27/01), durante sessão do Pleno.
Luiz Evaldo Leite, natural de Aurora, é lotado na 2ª Vara de Sucessões do Fórum Clóvis Beviláqua, foi eleito pelo critério de merecimento. Ele assume a vaga deixada com a aposentadoria do desembargador Francisco Haroldo Rodrigues de Albuquerque, em setembro de 2011.
Francisco Gomes de Moura, natural de Nova Russas, é titular da 5ª Vara de Sucessões da Comarca de Fortaleza, foi escolhido por antiguidade. O magistrado ocupará a vaga surgida com a aposentadoria, em novembro do ano passado, do desembargador Lincoln Tavares Dantas.
A escolha ocorreu em sessão pública, com votação nominal, aberta e fundamentada, presidida pelo desembargador José Arísio Lopes da Costa.
Fonte: Ceará Agora (online) Foto: tjce.jus.br

LEIA MAIS EM:

WWW.blogdaaurorajc.blogspot.com
Postado por José Cícero


Enquanto não vem cangaço - 1821-1849 - REVOLUCIONÁRIA BRASILEIRA

Anita Garibaldi

Ana Maria Ribeiro da Silva nasceu em Laguna, Santa Catarina, em 1821. Abandonando seu marido, tornou-se amante de Giuseppe Garibaldi, guerrilheiro italiano exilado no Brasil que servia aos farroupilhas, latifundiários escravistas e separatistas que haviam se rebelado contra o Império brasileiro.

Fonte: infoescola.com

A causa imediata do movimento foi o descontentamento dos fazendeiros gaúchos com o baixo preço do charque (jabá), importante ingrediente da alimentação dos escravos negros. 

As forças imperiais enviadas para combater os separatistas tinham Caxias como seu principal comandante. Anita uniu-se ao movimento, participando dos combates em defesa da República Juliana, em Santa Catarina, outra tentativa de fracionar o país. Dotada de grandes habilidades para o combate, recebeu dos seus companheiros o título de "Bravo Entre os Bravos", após o combate das Forquilhas.

Acompanhou Giuseppe Garibaldi quando este foi contratado para combater Rosas, ditador do Uruguai. Casaram no Uruguai. Nesta época, a Itália estava dividida em pequenos reinos e repúblicas, além de territórios pertencentes ao Papa.

Frustrado em sua tentativa de dividir o Brasil, Giuseppe Garibaldi voltou à Itália com o objetivo de continuar a sua luta pela unificação desta. Anita o acompanha. Na Itália, empreendem diversas fugas, uma delas para Veneza. Mas em agosto de 1849, próximo a San Alberto e Ravenna, fugindo para a Suíça, Anita Garibaldi falece.

Considerada traidora por muitos brasileiros, recebeu o cognome de "Heroína de Dois Mundos" por seus admiradores.

Fonte: www.geocities.com
Na Itália


Em 1847, Anita foi para a Itália com os três filhos e encontrou-se com a mãe de Garibaldi. Elas depois viajaram para a cidade de Nizza, (atual Nice, na França), onde ficaram morando. O próprio Garibaldi reuniu-se a eles alguns meses depois, quando voltaram a Itália. Os filhos de Anita e Garibaldi ficaram na França com a mãe dele.

Em 9 de fevereiro de 1849, presenciou com o marido a proclamação da República Romana, mas a invasão franco-austríaca de Roma, depois da batalha no Janículo, obrigou-os a abandonar a cidade. Com 3 900 soldados (800 deles a cavalo), Garibaldi deixou Roma. Em sua perseguição saíram três exércitos (francesesespanhóis e napolitanos) com quarenta mil soldados. Ao norte lhes esperava o exército austríaco, com quinze mil soldados. Anita e o marido tinham que enfrentar a guerra e lutar para salvar o território italiano. Mesmo grávida do 5º filho, ela enfrentou tudo até o fim.

Anita, no final da gravidez, tentou não ser um peso para o marido, querendo deixá-lo despreocupado para lutar sozinho na guerra, em que ela poderia ir morar com a mãe dele, como seus filhos moravam, mas suas condições de saúde pioraram quando atingiram a República de San Marino. Ela e Garibaldi decidiram não aceitar o salvo-conduto oferecido pelo embaixador americano e continuaram a fuga, pois não teriam como lutar contra milhões de soldados e se fossem presos, morreriam na cadeia. Com febre e perseguida pelo exército austríaco, foi transportada às pressas à fazenda Guiccioli, próximo a Ravenna, onde morreu no parto junto com a criança, em 4 de agosto de 1849, para desespero de Garibaldi.

Caçado pelos austríacos, sem nem sequer poder acompanhar o sepultamento da esposa, Garibaldi saiu outra vez para o exílio e nos dez anos em que esteve fora da Itália, os restos mortais de Anita foram exumados por sete vezes. Por vontade do marido, seu corpo foi transferido a Nice. Em 1932, seu corpo foi finalmente sepultado no monumento construído em sua homenagem no Janículo, em Roma.

OS ÚLTIMOS CANGACEIROS VIVOS.

Por: José Mendes Pereira

Ainda existiam 4 cangaceiros vivos, todos remanescentes do bando de Lampião, quando este atuou fortemente nos sete Estados do Nordeste: Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia e Sergipe.

  

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima, que havia publicado em seu blog: http://www.joaodesousalima.com/, os cangaceiros que ainda estavam vivos eram: 

http://www.trilhabrasil.com.br/expedicao2000/images/jun_d1_ne.jpg

Manoel Dantas Loiola (Candeeiro), 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdoPsFzA6AV_rOC0Tf4M6i47Dm2x7-_FjnykxrIl_Q7cPorqHdKFI4Rh1R9t8pYYO69QLxa996b55JNCyiSxE7unQl-t90Ep3FOHUQv1gpqvbfWJDyLS3B7EwTKD2a6twaTS1wCs_Zd4rs/s400/DSC00830.JPG

Dulce Menezes (a senhora que está ao lado direito era irmã de Dulce, e faleceu esta semana com 102 anos de idade), 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilKtYf7lgyxWKMzJ_bkhcXY7jCsrxyqXXg_cB0eeycTNHy-56X1DJfJNo45WHcRTbRxaPEB4IpSAkgVUeRqSvvW2xmQDW-58H0ajSrTGEoVbGenwAJuiNt7bSTONkBE-L7DGRF973yH69u/s400/vinte+e+cinco.JPG

o Vinte e Cinco (José Alves de Matos), 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIwWE25IDiM_qEC6CqRqJaqPGdFETFhhPEl4YBsJDCFwpjsfzXZ9euB5mTSiz0Lr2xTUOTS8iXOEGn4jdpGW1VHWgmylxtf_ekOxZbhv1wQp7cZk2O47H1GVxzylT_petL5B0m9uy_I0nx/s1600/fotos+novas+022.jpg 

e Aristéia Soares que passou todo seu tempo no Capiá da Igrejinha, Canapí, Alagoas, e hoje reside com o filho Pedro Soares, sendo bem cuidada pelo filho e a nora Damaris. 

Mas infelizmente, a ex-cangaceira Aristéia Soares, esta semana viajou para o reino de Deus, vítima de problemas estomacais.

Com a partida de Aristéia Soares, agora só restam três ex-cangaceiros: Candeeiro, Dulce Menezes e José Alves de Matos, este último alcunhado no cangaço por Vinte e Cinco.

Poderá ainda existir algum cangaceiro no anonimato, mas é mais provável que estes acima são os últimos remanescentes do bando de Lampião.

Noite de lua, céu na bacia (Poesia)


Noite de lua, céu na bacia


Noite de lua
céu na bacia
toda a vida
toda a sorte
o ser e o destino
por cima da água

minha avó
olhava e sorria
trocava a água
e o mistério
era refeito
com a água
repousando calma
e brilhando muito
na meu rosto
espalhado ali
e nos olhos
da minha avó
que chorava
de felicidade

foi por isso
que um dia
ela disse contente
que o vasto mundo
era todo meu
mas bastando
que eu tivesse
apenas o necessário
para viver bem
com honra
coragem para lutar
e dividir a vitória
com a humildade
dos que sabem
que tudo tem
sem nada ter.


Rangel Alves da Costa
 Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

O CORONEL, O FRADE E O DOCE DE FRADE (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

O CORONEL, O FRADE E O DOCE DE FRADE
                                    
Dizem que numa terra distante, ainda num tempo onde o coronelismo imperava e tomava conta de terra e gente, havia um coronel afamado que se indispôs com o padre da serventia e foi a maior confusão. Dizem que a história chegou até o Vaticano. Sei não...

Verdade é que um jagunço, que de vez em quando ia chorar seus pecados na porta da igreja, ouviu o celebrante, que era um frade, dizendo missa e deixando o sermão das coisas divinas de lado se danou a falar mal do seu patrão, o Coronel Tiburciano Titó.

Perante a igreja cheia de fiéis pecadores e beatas fofoqueiras, o frade não mediu palavras para desqualificar o rei do mandonismo desde sua primeira raiz. Esculhambou com o coronel sem piedade, chamando-o de gerente de escravos, encomendador da morte de pobres donos de pedacinhos de terra, blasfemo, pai de uma ninhada de filho que não dava nenhuma importância, safado, grileiro de uma figa, corrupto e traiçoeiro. E prometeu que diria mais na próxima missa, pois aquilo não era nem metade do que sabia.

Como era de se esperar, ao ouvir aquele palavreado do frade o jagunço nem pensou duas vezes. Dobrou a esquina e seguiu em direção ao sobrado do poderoso, pedindo uma audiência urgente para tratar de assunto dos mais apimentados. Não demorou muito e foi avisado que o patrão estava deitado na rede da varanda lhe esperando.

Depois de tirar o chapéu e se ajoelhar perante o homem, ainda de cabeça baixa disse do que se tratava. O coronel deu um pulo que assustou até o jagunço. E a cada passagem que era contada o homem avermelhava, bufava, cusparava pelo chão, mordia charuto, ficava em tempo de explodir. Num dado momento disse “chega!”. E falou gritando:

“Apois, vosmicê volte até lá agorinha mermo, entre na igreja e procure aquele safado onde ele tiver, seja na sacristia ou de furdunço com beata sem vergonha, e diga a ele que na próxima missa eu vou levar um tabuleiro de doce de frade pra dar de presente, que é pra mostrar ao povo daquela igreja com quantas cabeças de frade safado se faz uma cocada. Vá, chispa daqui!”.

Como se sabe o doce ou cocada de frade tem esse nome porque é feita com a polpa branquicenta de um cacto ovalado, nascido na aridez da caatinga e chamado cabeça de frade. E isto porque na parte de cima do cacto existe uma auréola avermelhada por onde floresce. Retirando-se os espinhos e a casca verdosa e grossa, surge uma polpa que é cortada em cubos e levada ao fogo com leite de coco e açúcar para a feitura da cocada.

Mas voltando ao recado, verdade é que assim que chegou à igreja, o jagunço encontrou o frade já se encaminhando para a sacristia. A igreja estava totalmente vazia e o religioso despreocupadamente com um copo de cachaça na mão, pois era adepto convicto de uma branquinha. Segundo ele, superava em muito o vinho aguado que as beatas traziam. Virou o copo e perguntou o que o rapaz desejava.

E o homem disse ao seu modo: “Só vim dizer que o Coronel Tiburciano mandou avisar que já que o senhor está falando tanto mal dele, então ele vai trazer um tabuleiro de cocada de frade pra presentear na próxima missa”.

O frade não entendeu muito bem o recado repassado pelo homem. Mas começou a refletir no mesmo instante a partir das palavras “falando mal do coronel” e “presente de cocada de cabeça de frade num tabuleiro”.

Então rapidamente perguntou ao homem: “E por aqui alguém faz doce de frade? Onde tem cabeça de frade por aqui?”. E o jagunço respondeu: “Que eu saiba, a única cabeça de frade que tem por aqui é a sua”.

O coitado do frado quase congelou, passou rapidamente a mão pela cabeça para ver se esta continuava no lugar e pediu licença ao emissário do coronel. Disse que voltava num instantinho, mas no momento seguinte já estava pulando a janela da sacristia com sua maletinha e entrando amedrontado, apressado, no oco do mundo. Levando logicamente sua garrafa de pinga.

Para espanto dos fiéis e beatas, nunca mais foi visto por ali. Na ausência do religioso, o coronel até pensou em celebrar, ele mesmo, os ofícios religiosos. Mas depois lembrou que tinha pecado demais para se atrever a tal.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 28 de janeiro de 2012

Enquanto não vem cangaço - A Maior estrela do universo


A maior estrela conhecida do Universo é a VY Canis Majoris, também conhecida como VY Cma, que fica a 5 mil anos-luz da Terra e tem 2,9 bilhões de quilômetros de diâmetro, porte 1 800 a 2 100 vezes maior que o do Sol. O diâmetro da superstar equivale a nove vezes a distância da Terra ao Sol! Mas pode haver astros ainda maiores, já que hoje se conhecem "apenas" 70 septilhões de estrelas no Universo. A VY Canis Majoris fica na constelação de Cão Maior, na Via Láctea, e ganhou o nome da mitologia grega. A constelação representava o cachorro de Órion, o caçador gigante. Apesar do tamanho descomunal da Cma, não é possível vê-la da Terra - ela está morrendo e despejando parte de sua massa em uma nebulosa que encobre nossa visão. O posto de vice-campeã vai para a VV Cephei, com diâmetro de 1 600 a 1 900 sóis. "Os valores variam porque os dados são coletados a partir de aproximações e comparações, são sempre cálculos indiretos", explica Augusto Damineli, professor do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. No quesito peso, a vencedora é a Eta Carinae, 150 vezes mais pesada do que o Sol (1,9891 x 1030 quilos do Sol, contra 298,365 x 1030 quilos de Eta Carinae). Tamanho nem sempre significa brilho - a mais brilhante daqui da Terra é o Sol - nem luminosidade - em que a LBV 1806-20 é campeã. O brilho está relacionado àquilo que podemos observar aqui da Terra; e a luminosidade é o brilho de fato, como se as estrelas fossem colocadas lado a lado e pudéssemos comparar sua intensidade. Depois do Sol, a estrela mais brilhante para nós é a Sirius, distante 8,57 anos-luz.

Calçada da fama estelar
Comparado com as maiores estrelas em algumas categorias, o Sol perde o trono de astro rei
Se o Sol fosse... - Uma bolinha de tênis
A maior estrela da categoria seria... - Um campo de futebol
TAMANHO
VY CANIS MAJORIS - 2 100 vezes maior que o Sol
DIÂMETRO - 3 bilhões de quilômetros
ONDE FICA - Constelação de Cão Maior
Se o Sol fosse... - Um homem de 85 kg
A maior estrela da categoria seria... - Dois elefantes africanos
PESO
ETA CARINAE - 150 vezes mais pesada que o Sol
PESO - 298,365 x 1030 quilos
ONDE FICA - Constelação de Carina
Se o Sol fosse... - Uma lâmpada
A maior estrela da categoria seria... - Três vezes o show de luzes da Fremont Street, em Las Vegas
LUMINOSIDADE
LBV 1806-20 - 38 milhões de vezes mais brilhante que o Sol
LUMINOSIDADE - 38 milhões de unidades
ONDE FICA - Constelação de Sagitário
Se o Sol fosse... - Um passo distante da terra...
A maior estrela da categoria seria... - ... a outra estrela mais próxima da terra estaria a 90 km de nós
PROXIMIDADE DA TERRA
PRÓXIMA CENTAURO - 4,2 anos-luz
SOL - 8 minutos-luz
ONDE FICA - Constelação de Centauro

Cangaço: Glauber Rocha entrevista Zé Rufino em Jeremoabo

Zé Rufino começou a sua narrativa afirmando que “Não queria matar Corisco”.

Pesquisa Pedro Son/wwwjeremoabo.com.br
Navegando pela internet deparei-me com artigo interessante postado no site tok de história organizado por Rostand Medeiros e que trata de resgate e análise de entrevista concedida por Zé Rufino, nosso famoso caçador de cangaceiros e Glauber Rocha, e que pode ter influenciado diretamente no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, marco da cinematografia de Glauber e do Cinema Novo.
Por outro lado, a visita de Glauber Rocha à nossa cidade pode ser destacada pela importância de nosso município no cangaço, reconhecido por autores e pela história, e que estamos deixando escorrer pelos dedos. A entrevista foi publicada em 21.02.1960, no antigo jornal Diário de Notícias.
“A ENTREVISTA DE GLAUBER ROCHA COM ZÉ RUFINO, O MATADOR DE CORISCO”.
Autor – Rostand Medeiros
Como um grande apreciador da sétima arte e um curioso sobre a história do cangaço, seria inevitável que um dia eu viesse a assistir as obras cinematográficas de Glauber Rocha, onde este baiano utilizou o cangaço como parte de suas temáticas.
Obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e o “Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, se não foram os primeiros filmes a mostrar este fenômeno de banditismo, certamente foram películas marcantes, principalmente fora do Brasil.
Eu sempre me perguntei de onde veio a inspiração para Glauber Rocha ter criado estas obras. Perguntava-me que tipo de envolvimento ele teve com livros clássicos sobre o assunto? Ou quantas outras películas cinematográficas sobre o cangaço marcaram a sua mente para realizar estes trabalhos?
Um tempo atrás chegou as minhas mãos a edição número 30, da “Revista da USP”, onde nas páginas 290 a 306, a professora Josette Monzani, da Universidade Federal de São Carlos, trás um interessante artigo intitulado “Glauber e a Cultura do Povo” e eu encontrei uma parte da resposta que desejava.
Glauber Jornalista?
A acadêmica aponta que para Glauber Rocha realizar as suas obras ele teria reunido um levantamento da visão popular do cangaço. O cineasta teria utilizado cordéis, recortes de jornal e cantigas para compor personagens marcantes como Corisco, interpretado por Othon Bastos e Antônio das Mortes, conduzido pelo ator Mauricio do Valle.
Além do material documental, a autora do artigo apontava que Glauber Rocha utilizou de “entrevistas” para criar seus trabalhos. Mas que entrevistas eram estas?
Então descobri que em 1960, o irrequieto Glauber Rocha, então com 21 anos de idade, enfrentou os ainda duros trajetos em direção a cidade baiana de Jeremoabo, como repórter do jornal “Diário de Notícias”, de Salvador, onde realizou uma interessante entrevista com um dos mais eficientes caçadores de cangaceiros, o oficial da polícia baiana José Rufino.
Achei que realmente eu precisava ler este material. Havia no artigo da professora uma reprodução fotográfica da reportagem do jornal “Diário de Notícias”. Mas, infelizmente, como é comum em obras de cunho acadêmico, a foto estava com uma resolução tão ridícula que impossibilitava a visualização. Assim desisti de conhecer momentaneamente um pouco mais daquele trabalho.
Entretanto, mesmo sem ter acesso ao material, achei fantástico descobrir que Glauber havia largado o conforto da beira mar de Salvador e encarou poeira, sol, desconfiança e inúmeras dificuldades para entrevistar o próprio José Rufino, ou Zé Rufino, o comandante de volante que matou o cangaceiro Corisco.
Tempos depois fui a Salvador, cidade que adoro, onde tive a oportunidade de procurar com calma o exemplar do jornal “Diário de Notícias” e finalmente foi possível ler e digitalizar a dita reportagem. Chama logo a atenção no texto que Glauber não seguiu para este trabalho jornalístico com no máximo um fotógrafo, como seria de esperar na função de repórter. Ele foi a Jeremoabo com mais três amigos. Além do futuro diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, estavam juntos o cineasta Trigueirinho Neto, um paulista radicado na Bahia que naquele ano lançaria seu único longa-metragem, “Bahia de todos os santos”. [1] Outro membro era o ator Geraldo Del Rey, um baiano da cidade de Ilhéus, que em 1960 já tinha participado de dois trabalhos cinematográficos e era considerado um dos mais promissores atores que atuavam no chamado “Ciclo Baiano” de cinema.[2] Finalmente entre os membros da comitiva de Glauber em Jeremoabo estava o jovem acadêmico Antônio Guerra.[3]
Não é para menos que os quatro amigos fossem inicialmente recebidos com muita reserva e desconfiança por parte de Zé Rufino. Enfim, depois de tudo que Rufino havia feito na vida de caçador e matador de cangaceiros, receber a visita de um grupo de quatro homens desconhecidos, certamente faria o ex-policial imaginar que aquilo poderia ter mais jeito de ser uma emboscada do que uma entrevista. [4] A desconfiança foi desfeita quando Glauber falou que tinha como um amigo comum do antigo lutador das caatingas, um membro da família Sá, de forte influência e tradição política na região de Jeremoabo. A partir daí o guerreiro sertanejo “Deu confiança”, nas palavras de Glauber e desandou a contar sua incrível história.
Rufino é descrito como sendo “Alto, queimado pelo fogo do sol nordestino, corpo rijo, dobrando a casa dos cinquenta (anos)”. Foram encontrar a lendária figura na salinha de sua casa, de calça, paletó sem gravata e fumando um cigarro atrás do outro. Afirmou o irrequieto cineasta que Zé Rufino era um homem bem estabelecido em Jeremoabo, “Com boas fazendas e duas mil cabeças de gado”. O cineasta nascido em Vitória da Conquista afirmou que a patente do pernambucano Zé Rufino era a de major e assim o designou durante toda a entrevista.
E o major foi logo adiantando que;
-Conheço esse mundo com a palma da mão. Tirava 18 léguas na perna e nunca soldado meu se deitou para fazer fogo. A briga era em pé e eu gostava de lutar com o velho – o velho é Lampião, cuja sombra lendária continua a desfilar pelas serras e campos do Nordeste-.
Um Repórter, ou Diretor de Cinema? Apesar de fazer a função de repórter, Glauber sempre foi um cineasta e nas letras da reportagem ele já qualificava Zé Rufino como um “-Um ator perfeito”.
A conversa fluía aberta e franca e o entrevistador viajava com a mente de cineasta diante da verdadeira lenda viva. Para ele, a narrativa de Zé Rufino foi totalmente realizada na melhor linguagem de um autêntico “Western” e deixaria um John Ford “Suspirando de emoção”. [5] Esta emoção vinha principalmente da qualidade do narrador. Rufino descrevia os combates com voz vibrante, repassando detalhes dos campos de luta, narrando biografias e voltando sem receio a um passado em que muito sangue jorrou no sertão. Interessante foi que Zé Rufino descreveu que na sua juventude detestava a polícia e os policiais. Comentou que isso se devia à violência que alguns militares praticavam de forma desenfreada contra os civis. Por conta desta opinião, mesmo tendo vários parentes como membros do aparato de segurança do Estado, Rufino quase chegou a fazer parte do bando de Lampião, cujo nome real era Virgulino Ferreira da Silva.
Para o antigo guerreiro havia uma admiração pelo seu maior inimigo, que Rufino descreveu como sendo “-Magro, boa estatura, sempre de óculos, com uma lágrima escorrendo no olho quase cego e usando dois galões de capitão nos ombros”. Ele narrou que em algumas ocasiões se encontrou com Lampião frente a frente. Em um destes momentos, quando o chefe cangaceiro estava acompanhado com cerca de 80 homens, Lampião vez chamou Rufino para lhe acompanhar pela terceira. O convite foi assim descrito:
-Rufino, já duas vezes lhe chamei para ser meu cabra e você nunca quis. Agora é hora Rufino!
Rufino afirmou que em um primeiro momento recusou, mas viu que Lampião não havia gostado nada de sua decisão. Para sair daquela situação disse que seguiria com o “Rei do Cangaço”, mas não naquele momento. Informou que tinha “Uns negócios” para resolver junto a sua mãe. Por incrível que pareça, a demonstração de responsabilidade de Rufino em relação a sua genitora fez o cangaceiro refrear seu ímpeto e Lampião deixou o jovem seguir seu caminho. O ex-militar afirmou a Glauber que o grupo partiu devagar, com Lampião transmitindo ordens aos seus chefes de subgrupos para que partissem ordenadamente, tal como uma força militar tradicionalmente organizada. O próximo encontro entre os dois valentes pernambucanos seria de fuzil na mão e cada um do seu lado mandando bala.
Glauber Rocha recordou (sem referenciar) o paraibano José Lins do Rêgo, que dizia que no Nordeste daqueles tempos “Quem não era cangaceiro, soldado, ou beato, padecia na seca, ou sofria de fome, ou de violência”. Rufino afirmou que preferiu ser policial a cangaceiro. Pois estes “Faziam miséria com o povo, tendo o fuzil na mão e o nome de Deus na boca”. Narrou sem desassombro que deu muito prejuízo a Lampião e seus cangaceiros, pois quando pegava um deles “Cortava a cabeça, botava num saco e trazia nas costas para Jeremoabo”. Afirmou que nesta época a cidade baiana tinha cerca de 800 policiais de prontidão. Segundo o ex-militar, Lampião esteve em uma serra próxima, mas não entrou em Jeremoabo. [6]
Quando saía para a luta Rufino afirmou que sempre a frente de sua volante de policiais seguia o rastejador “Bem-te-vi”, que nunca perdia o rastro. Havia longas caminhadas, com os espinhos dilacerando tudo, rasgando roupas, mas logo que a volante topava com os cangaceiros a luta era dura. Para Rufino seus soldados deveriam de lutar em pé, mesmo que fosse a cinco metros de distância dos oponentes. Tinham de mostrar valentia, pois os inimigos eram fortes, conheciam o terreno e nos confrontos os cangaceiros pareciam fantasmas saltando para fugir das balas, com as suas “Cabeleiras voando”.
Em uma ocasião, no meio da refrega violenta, um policial gritou e caiu no chão. Os cangaceiros recuaram, o tiroteio diminuiu gradativamente de intensidade e finalmente cessou. Ao retornar para junto dos companheiros, Zé Rufino narrou que sentiu alguma coisa mole no rosto e nos braços. Eram os “miolos”, a massa encefálica do soldado caído. O morto era seu primo carnal, que havia levado um balaço de fuzil bem no meio da testa.
O próprio rastejador de Zé Rufino, o veterano “Bem-te-vi” estava presente no encontro com os quatro rapazes vindos da capital baiana. Este demonstrou um enorme respeito pelo feroz adversário. Disse que era mentira em relação a uma versão que afirmava ter sido Lampião ser um “Matador de crianças”. O rastejador disse que Lampião “Tinha remorso de atirar em passarinho, nunca de matar um sujeito ruim”.  “Bem-te-vi” mostrava um respeito sincero pelos seus adversários. Como só os verdadeiros guerreiros que participaram da boa luta, da luta valente, do combate realizado frente a frente, no campo da honra dos nossos sertões.
Interessante foram as afirmações de Rufino em relação à força da religiosidade entre os cangaceiros e mesmo entre seus camaradas de farda. Todos eles sempre tinham “O nome de Deus na boca”. Reconheceu que “Entre todos aqueles que botaram o fuzil no ombro, não tinha um que não se benzia”. Os lutadores foram em suas declarações “Um povo beato até os fios dos cabelos”. Mas indubitavelmente para o major Zé Rufino, o seu maior feito na luta contra os cangaceiros foi a morte de Corisco.
A Caçada e Morte do “Diabo Louro”
Zé Rufino começou a sua narrativa afirmando que “Não queria matar Corisco”. Disse que o eliminou porque foi alvejado primeiro. Tanto assim que, mostrando suas intenções, não deixou que seus homens exterminassem Dadá, onde garantiu a sua vida até Salvador, onde ela foi tratada. Para o antigo caçador de cangaceiros, Corisco e Dadá eram definidos como “Um casal bonito”. Ele via Corisco, conhecido como “Diabo Louro”, como um homem de fibra e achava que ele “Morreu feliz”, pois era um valente que não aguentaria viver em uma penitenciária. Corisco era uma figura que Zé Rufino nutria um enorme respeito, mesmo passados quase vinte anos do confronto que havia provocado a sua morte e o ferimento que fez Dadá perder parte de sua perna direita. Dadá era uma “-Mulher linda e valente” aos olhos de Rufino. Em sua opinião a companheira de Lampião era “Pequena” diante de Dadá.
Glauber aproveita a fundo a conversa com José Rufino, principalmente a descrição do porte físico do cangaceiro e da indumentária, que muito lhe ajudariam no futuro a compor um dos principais personagens de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Na reportagem Zé Rufino, talvez com exagero, diz que “Os cabelos de Corisco eram grandes, e quando ele jogava as mechas por cima dos ombros pareciam duas bandeiras amarelas. Quando Corisco cortou os cabelos, cada pedaço dava para fazer uma grande trança”. Rufino afirmou que deu muito fogo, muito combate, contra Corisco e que este era doido para lhe matar. Aparentemente nos momentos finais do chefe cangaceiro, que gostava de ser tratado como “capitão”, este não reconheceu Zé Rufino e lhe perguntou o nome. Desejava ir para a eternidade sabendo quem o derrubou. O antigo major afirmou a Glauber Rocha que no momento que Corisco soube quem o pegou, este nitidamente demonstrou irritação e deu o último suspiro. Glauber transcreveu a afirmação do major Rufino contando este fato, e colocou esta parte com destaque no início da reportagem;
-Estou ferida meu velho – gritou Dadá pulando no ar, baleada na perna. Mais fortes são os poderes de Deus – respondeu Corisco e fez fogo feroz contra o Major Rufino. O Major continuava correndo e disparava seguidamente no Diabo Louro que fugia para o horizonte. Uma bala rompeu os intestinos, as tripas de Corisco saltaram. O Major se aproximou, viu o homem no chão, calmo, sem medo, sem dores: – Por que você não se entregou Corisco? – Sou homem de morrer, num nasci pra ser preso. Cumé seu nome? – José Rufino. Então o rosto do capitão se contorceu e ele mordeu os lábios com fúria. Eram 5 da tarde em ponto, no mês de maio, 1940. O que o militar José Osório de Farias, o Zé Rufino se esqueceu de comentar com Glauber Rocha foi que Cristino Gomes da Silva Cleto, o famigerado Corisco, natural de Matinha de Água Branca, nas Alagoas, estava praticamente aleijado de ambos os braços naquele combate. Sua deficiência era fruto de balaços que havia recebido anteriormente. Fraco e debilitado, ele tentava com sua mulher Dadá, como era conhecida entre os cangaceiros a jovem Sérgia Ribeiro da Silva, alcançar discretamente o sul da Bahia, acompanhados do cangaceiro Rio Branco e da mulher deste. Mas em um sábado, 25 de maio de 1940, Zé Rufino e seus homens apareceram em um sítio em Brotas de Macaúbas e a história se desenrolou. [7]
Final de Um Grande Encontro
Independente dos fatos reais eu creio que esta parte da narrativa realizada pelo antigo caçador de cangaceiros, mexeu de verdade com a cabeça do cineasta baiano. Pois muito do que está descrito nesta reportagem publicada no jornal “Diário de Notícias”, edição de 21 de fevereiro de 1960, um domingo, Glauber Rocha reproduziu magistralmente em suas obras cinematográficas.  Consta que a entrevista entrou pela noite adentro. Logo a matéria aponta que o Geraldo Del Rey mostrava que havia material suficiente para uma trilogia, só com as memórias de Zé Rufino.
Trigueirinho Neto convida então o antigo combatente das caatingas para ser ator. Logo “Bem-te-vi” também é convidado a fazer parte do elenco do filme. Zé Rufino afirma na sequência, em um diálogo que demonstra camaradagem e tranquilidade, que vai chamar os antigos perseguidores dos cangaceiros ainda vivos para participarem da película, com a intenção que tudo seja reconstituído “Como reza a verdade e o mito”. E a entrevista se encerra.
Hoje quem percorre os aproximadamente 380 km que distancia Jeremoabo e Salvador, seguindo pela BR-110, realiza o trajeto uma boa estrada asfaltada e com conforto. Mas quando Glauber, Trigueirinho, Geraldo Del Rey e Antônio Guerra realizaram esta viagem a 52 anos atrás, aparentemente o caminho que ligava Jeremoabo a Salvador era todo, ou em grande parte de barro. Talvez já houvesse luz elétrica devido a proximidade com a Usina de Paulo Afonso, mas as notícias eram através dos velhos rádios valvulados. Ou seja, o sertão não era igual ao do tempo de Lampião, mas apenas 20 anos de diferença ainda não havia mudado tanto a triste realidade daquela gente sofrida. Em meio a todo este cenário, tão distinto do belo litoral Soteropolitano, Glauber ficou fascinado com aquela narrativa.
O interessante é que apenas no final da reportagem, e em mais nenhuma outra parte da matéria, o cineasta baiano afirma que, além do trabalho jornalístico para o “Diário de Notícias”, aquela viagem seria também para realizar uma avaliação do que havia de interessante, de belo, de produtivo no sertão baiano no sentido de desenvolvimento cinematográfico. Certamente que ao viajar com amigos que participavam do movimento cinematográfico baiano do início da década de 1960, Glauber já tinha mil ideias funcionando dentro da sua cabeça e logo o vulcão que ele era, seguiria despejando grandes obras de arte cinematográficas, que chamariam atenção principalmente na Europa. Tudo isso resultaria na criação de um movimento chamado Cinema Novo e alavancaria a carreira de um cineasta que era antes de tudo ousado, determinado e genial nas suas abordagens.
Não sei proporcionalmente o quanto o contato com Zé Rufino e “Bem-te-vi” contribuiu para a realização, quatro anos depois, do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Mas certamente a ida daqueles quatro amigos ao sertão não foi em vão.
Citações:
[1] Este filme apresentava um painel político e social do país na era do governo Getúlio Vargas, seria intensamente aclamado pela crítica, ficando marcado pela expressiva fotografia Guglielmo Lombardi e estrelado pelo ator Geraldo Del Rey. 
[2] Geraldo Del Rey consegue projeção nacional e internacional ao participar ao lado de Leonardo Villar e Glória Menezes no filme de Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas (1962), que seria premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Mas é sob a direção de Glauber Rocha e sob as lentes do Cinema Novo que o ator de olhos verdes, chamado por alguns de Alain Delon tupiniquim, finca para sempre o seu nome no cinema brasileiro, participando dos antológicos e históricos filmes de Glauber. Geraldo Del Rey integrou o núcleo fundador do Festival de Cinema de Gramado, em 1973, dando muito de seu prestígio e apoio para que o evento ganhasse repercussão nacional. Em 2004, em reconhecimento a essa colaboração o 32º Festival de Cinema de Gramado prestou uma Homenagem Especial pela sua participação e contribuição ao cinema nacional. Faleceu de câncer no dia 25 de abril de 1993. Fonte – http://virtualia.blogs.sapo.pt 
[3] Posso estar enganado, mas acredito que o Antônio Guerra relatado pelo diretor de cinema na matéria de 1960, não é outro se não o advogado e ex-procurador-geral do Estado da Bahia, Antônio Guerra Lima, mais conhecido como “Guerrinha”, grande amigo de Glauber Rocha e de sua família.
 [4] Consta que em muitas publicações sobre o cangaço a patente de Zé Rufino seria a de coronel. Entretanto decidi deixar conforme está no texto de Glauber Rocha. 
[5] John Ford (1894-1973) foi um diretor de cinema norte-americano de grande sucesso. Tendo atuado entre as décadas de 1930 a 1960, conhecido principalmente pelos seus westerns. Em 51 anos de carreira, Ford dirigiu 133 filmes. 
[6] Ao visitar a cidade de Jeremoabo em 2010, esta história do respeito de Lampião pela localidade foi largamente comentada. Já a elevação onde ficaram os cangaceiros foi a Serra da Cruz. Percebe-se igualmente em Jeremoabo um enorme respeito em relação à memória da figura de Zé Rufino. 
[7] Rufino transmitiu a Glauber a raiva que sentiu em relação a um jornalista baiano que afirmou que ele “Havia roubado o ouro de Corisco”. O antigo caçador de cangaceiros revidou a este repórter afirmando que Corisco levava “Um quilo” de metal precioso e que entregou tudo a Dadá, que estava viva na época “Para confirmar”. Comentou que sua promoção para major veio “Devagar” e foi a última a ser efetivada na escala hierárquica da Polícia Militar da Bahia daquele período. Talvez este episódio anterior com a imprensa explique a animosidade e desconfiança de Zé Rufino no início da entrevista com Glauber Rocha.
Nota do www.jeremoaboagora.com.br
O Capitão Zé Rufino, juntamente com a esposa Lourdes e os filhos Luiz e Zélia, residiam na Rua Desembargador Zacarias Lourenço de Carvalho, número 79, no centro de Jeremoabo. Dadá de Curisco chegou a residir durante algum tempo, ha poucos metros, na mesma rua. 
Zé Rufino foi sepeultado no Cemitério São João Batista em Jeremoabo. O filho Luiz Rufino, ingressou nas fileiras da Polícia Militar do Estado da Bahia e já na reserva faleceu recentemente. D. Lourdes e Zélia se mudaram para o Rio de Janeiro logo após a morte do Capitão.  Os netos de Zé Rufino, filhos de Luiz, residem no município.