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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Feliz Aniversário!

Por: Antonia Aruza

Feliz Aniversário! Hoje é o aniversário da mulher da minha vida. Obrigada meu Deus, por dar vida longa a esta que uma grande mulher, pelas virtudes de ser: 


uma mãe maravilhosa, para nós seus filhos perfeita!;  Vencedora, amiga, religiosa, grande companheira e esposa para meu pai (in memorian - saudades meu amor). 


Obrigada sempre meu Deus por todas as tuas maravilhas em nossas vidas. Abençoa minha MÃE  hoje e sempre, dê a ela: saúde e paz em sua velhice. Feliz Aniversário e Parabéns minha amada. Amor da minha vida! 

Mensagem da sua filha Antonia Aruza

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TRIBUTO A VIRGOLINO - A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO


A cultura e a história que pulsa nas veias do sertão já tem data marcada para sua comemoração: O “TRIBUTO A VIRGOLINO – A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO”, será nos dias 24, 25, 26, 27 e 28 de julho/2013, na Estação do Forró e no Museu do Cangaço, em Serra Talhada/PE – Terra de Lampião e Capital do Xaxado, reunindo grupos musicais, grupos folclóricos, pontos de cultura, feira de artesanatos, violeiros repentistas, cantores, poetas, ex-cangaceiros, ex-volantes e todo público geral, numa festa em homenagem aos 75 anos de morte de Lampião.

O “TRIBUTO A VIRGOLINO – A CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO” é um projeto que congrega diversos grupos e artistas, produtores culturais e artesãos celebrando a cultura de raiz, integrando as seguintes linguagens:

1.   Música; 2.   Teatro; 3.   Dança; 4.   Fotografia; 5.   Cultura Popular; 6.   Literatura; 7.   Artesanato; 8.   Gastronomia.

Durante a programação do evento, será apresentado o espetáculo O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO, uma encenação teatral ao ar livre, contando a história do cangaceiro pernambucano, apresentações musicais com Trios e Grupos de Forró Pé-de-Serra, apresentações de Grupos de Danças Populares, Feira de Artesanatos, Área de Alimentação com comidas típicas da região, além da realização da CELEBRAÇÃO DO CANGAÇO, um momento em que todos os grupos e artistas convidados se reúnem para afirmarem a importância do Cangaço na identidade cultural do povo sertanejo.

Todas as atividades serão realizadas na ESTAÇÃO DO FORRÓ e no MUSEU DO CANGAÇO, utilizando diversos espaços/palcos paralelos um do outro.

O MASSACRE DE ANGICO – A MORTE DE LAMPIÃO consiste na encenação de um espetáculo teatral ao ar livre, em Serra Talhada/PE, berço de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, contando sua história, mesclando acontecimentos reais com o imaginário popular e o folclore, com vistas ao fomento nas artes cênicas na região do sertão nordestino, bem como a geração de emprego e renda para as cidades circunvizinhas e incentivando o turismo e a cultura local, estimulando o conhecimento da história, promovendo a auto-estima, valorizando profissionais do teatro, envolvendo artistas e técnicos da região e do estado. O espetáculo será em ESPAÇO ABERTO, SEM VENDA DE INGRESSOS
(See attached file: O MASSACRE DO ANGICO.dot)


Realização:
Fundação Cultural Cabras de Lampião

Patrocínio:
Funcultura / Fundarpe / Secretaria de Educação / Governo de Pernambuco

Apoio:
Ministério da Cultura
SEBRAE/PE
SESC/PE.
Secretaria de Cultura / Prefeitura de Serra Talhada.
Comércio local.

MUSEU DO CANGAÇO
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170

Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Em 05.01.1934 o Jornal A tarde publicou esta reportagem


Chefiado pelo cangaceiro “Corisco” apareceu no interior um grupo de oito bandidos e duas mulheres, que atacaram o povoado da “Ilha Grande” na fronteira de Pernambuco: saquearam varias casas levando joias e dinheiro. Corisco, após o saque deu cem palmatoradas, além, de uma surra de chicote, no vaqueiro Clementino. 

Fonte: (A TARDE, Salvador. p. 01.05 Jan. 1934).

Poderá gostar de:

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Lampião em Alagoas

Autor: Clerisvaldo B. Chagas

São 467 páginas.
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Com o revendedor oficial Professor Pereira através do 
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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Paulo Gastão - Nazarezinho

Por: Wescley Rodrigues

Meus nobres amigos e amigas

Saudações cangaceiras!

Em anexo encaminho a conferência proferida pelo 


amigo Paulo Gastão, no dia 16 de junho de 2013, por ocasião do Seminário Parahyba Cangaço, na cidade de Nazarezinho - PB.

Boa leitura!
Abraços,
Prof. Wescley Rodrigues
Nazarezinho

Pela primeira vez estamos a nos debruçar sobre momento delicado e significativo ocorrido nesta região. Retornarmos no tempo significa interesse nas nossas origens. A história que estamos a abraçar é singular. A primeira pergunta que muitas pessoas fazem trata-se de uma interpelação ou curiosidade.

Que dimensão se pode dar a família Pereira?

Ela no Nordeste se fixou e tem se ampliado das margens do rio São Francisco, onde mencionamos Piranhas; seguimos em direção ao Norte e abrigados os encontramos às margens do rio Pajeú em Serra Talhada e na ribeira do Piancó, representada por Nazarezinho. Como trazer os Pereira para com a presença dos cristãos novos entre nós?

Necessário se faz de estudo genealógico contundente, específico e esclarecedor para que possamos nos aperceber da representatividade desta ilustre família.

Alguns aspectos são determinantes para com o processo evolutivo desta região. A presença dos dirigentes da Casa da Torre é determinante, no sentido da implantação de novos currais. Com a caminhada dos vaqueiros até o Sul do estado do Piauí em determinado momento verificamos o caminho de volta pelo gado gordo, que transitava na chamada Estrada Real, que determina a espinha dorsal deste estado, servindo até os dias atuais, para seu grande fluxo de riquezas e materiais de vários matizes. Esta estrada é fundamental para levar a proteína até as populações do litoral, que se dedicavam a glicose pela cana-de-açúcar e seus derivados.  Para que estes conceitos sejam ampliados recomendamos a leitura da obra de Rosilda Cartaxo – Estrada das Boiadas (roteiro para São João do Rio do Peixe).

A geografia nos mostra de uma situação deveras interessante. Sendo Nazarezinho considerado nosso centro, para o Norte temos o Rio Grande do Norte; para o Sul Pernambuco e para oeste o Ceará. Conclui-se que o elemento – divisa – encontra-se bem próximo. Se constitui erro designar como fronteira, pois, é entre países que a denominação é correta. Que os futuros pesquisadores não cometam este erro. Os deslocamentos para outros estados eram frequentes, desde que não era permitida a presença de militares atuando fora do seu estado de origem. Depois de algum tempo as divisas deixaram de ser problema para o trânsito das volantes.

O mando regional era estabelecido pelo coronel. Desde o século XIX que as patentes eram compradas. O imenso país, sem vias de acesso, buscou o governo na figura do coronel o processo administrativo, de mando, das diretrizes políticas e do conteúdo social. Era, portanto, o coronel, um potentado por excelência. Para seu comando corria a riqueza da região, concentrando inclusive as peças de ouro e deixando as localidades pobres ou de pouca representatividade. Dai a grande concentração dos movimentos bélicos terem ocorrido na área do campo e de pouca atuação nas comunidades que buscavam a todo custo se tornarem núcleos denominados de cidade. Nos afirma Horácio de Almeida, na sua História da Paraíba, que no Nordeste o aparecimento das  cidades ocorre a partir de 1850.

A região recebe a Coluna Prestes oriunda do Norte, que tinha alcançado Flores, hoje Timon, estado do Maranhão. O caso do padre Manoel Otaviano, que resolveu defender seu rebanho tendo trágico fim, representa o mais significativo episódio em terras paraibanas. Quando anos após eclode a Revolta de Princesa, sob o comando do coronel Zé Pereira, chefe político e filho de tradicional família da região oestana.  Mais uma vez temos o registro dos Pereira, fazendo história no seu torrão natal. Não confundir este episódio isolado com a Revolução de 30, que atingiu a nação.

A implantação de novos segmentos na região determinou a chegada do barracão. Este por sua vez era controlado e mantido pelo coronel e servia como fonte de abastecimento aos residentes na construção de açudes, estradas e outros segmentos. Desta feita vamos nos deparar com grave situação, desde que, ocorre um assassinato vitimando pessoa de representatividade na comunidade local. O barracão funciona em São Gonçalo. É morto o sr. João Pereira e outros. O moribundo pediu por várias vezes que não existisse vingança.

Acreditamos que caso único no planeta, onde fica estabelecida a conduta em não haver vingança. Gesto heroico e que deve ter sensibilizado a todos que tomaram conhecimento da decisão. Com o passar do tempo aparece no caminho a saga histórica de Chico Pereira.

Como nos posicionarmos frente a epopeia vivida por este paraibano? No inicio do ano de 1959 de férias na minha cidade, Trinfo estado de Pernambuco, recebemos a visita de um senhor que procurava pelo meu genitor. O nome do meu pai é Manoel Gastão Cardoso que morou vários anos em Princesa e dela se afastando por recomendação da própria família quando estourou a Revolta de Princesa. Foi ele ao chegar a Triunfo funcionário da firma do coronel Carolino de Arruda Campos, também conhecido pelo apelido de – Duduzinho. Tornou-se almocreve e consequentemente conhecedor da região e seus habitantes. O período das suas andanças está compreendido entre 1930 e 1940. Porém, o meu pai não se encontrava na cidade naquele momento. Fizemos ver ao nobre pesquisador que desconhecíamos documentos referentes ao assunto em questão, mas, na vizinha Princesa ao chegar ao cartório, procurasse o senhor Zacarias Sitônio, meu padrinho de batismo. Com ele tudo seria resolvido. E assim segue Pereira da Nóbrega em busca de informes.  Vez primeira que estivemos com a ilustre figura do naquele tempo reverendo.   Não nos vimos nunca mais. Raras vezes trocávamos informações pelo telefone. A última vez que tentamos trazer Chico Pereira foi para encenação da peça Vingança, Não em teatro na cidade de Mossoró.  Proposta a ser analisada, mas infelizmente não se confirmou. Com algum tempo tomávamos conhecimento que Chico teria de nós se despedido para ficar ao lado do pai.

Outro momento que gostaríamos de aqui registrar ocorreu no nosso tempo de universitário na cidade do Recife. Para bem caracterizar no bairro do Espinheiro.  Em plena manhã de domingo encetamos visita a nossa amiga Lília, por nós chamada de Lila, era ela nossa vizinha em Triunfo na Rua da Caridade, hoje homenageada com o nome do homem que implantou as Casas de Caridade, Rua Padre Ibiapina. Deveriam ter colocado - Rua Mestre Padre Ibiapina. Pois bem, traquino e irrequieto sempre estávamos em cima do muro e quando descíamos era para o lado da casa dela, recebendo bolo ou doces. Ela não tinha filhos menores, e acreditamos ter a nós se dedicado pela nossa tenra idade. Era seu marido o guarda-livros Sigismundo Pinto, oriundo do Vale do Piancó e proprietário do Jornal ‘A Voz do Sertão’, que circulou por muito tempo na cidade. Seus filhos Miranda, Vanice, Geraldo, Vanilda e Vanessa todos com sobrenome Campos. A Vanessa é jornalista, trabalha como editora de assuntos do sertão na empresa Jornal do Commércio em Recife e acaba de lançar livro sobre o cangaço. Naquele domingo conhecemos uma grande figura, grande mulher. Seu nome Jardelina que para a família era Jarda. Estatura mediana, magra, não esboçava nenhum sorriso, pouco se comunicava, porém, demonstrava viver algum problema de ordem familiar, pois, a roupa usada naquele momento era de cor preta, significando o chamado luto fechado. Não procuramos saber em detalhes de quem se tratava, nem por que aquele traje. Dias depois, tomamos conhecimento de quem se tratava e por não termos ainda nos ligado a história por ela vivida houve total desligamento e nunca mais nos vimos. Perdemos uma grande oportunidade em nos aproximarmos daquela que se casou ainda de menor, com o homem que amava e a ele continuou ligada até seu último suspiro e que trouxe ao mundo três crianças que se tornaram o orgulho dela, da família e de nós outros que deles nos aproximamos. Precisamos registrar com carinho seus nomes – Raimundo, Francisco e Dagmar. Todos receberam o melhor que ela poderia dar – a educação. Raimundo torna-se engenheiro; Francisco segue o caminho da religião sendo padre e Dagmar, agora como Albano, se fixa na Ordem dos Franciscanos Menores.
Em busca de ampliar nossos conhecimentos nos deparamos com Rosilda Cartaxo, a mulher que ganhou título de baronesa de São João do Rio do Peixe que nasceu em Cajazeiras e foi sua cabeça lavada na mesma pia onde o padre Rolim foi batizado. Para nosso estudo recomenda-se a leitura de ‘Estradas das Boiadas’ e em particular ‘Mulheres do Oeste’. Dentre importantes e representativos nomes de mulheres da região nos deparamos com Jardelina Pereira Nóbrega – Jarda. Relata a escritora: “Se hoje eu falo de Mulheres do Oeste, o espaço devia ser todo seu – Jarda – a medida do amor. Certa vez encontrei-a na igreja, ajoelhada, terço na mão, soletrando mágoas e rimando solidão. As rosas deixadas no beiral da Casa Grande de Nazarezinho se despetalaram. Só a saudade de Chico Pereira não passava. Registramos que Dom Adelino Dantas dirige carta a escritora logo que recebe seu livro. Mais adiante temos – Jarda não guardava mágoas pelo título de cangaceiro dado a Chico Pereira. Aceitou. Feliz teria ficado se esta carta fazendo-o Mártir tivesse lhe chegado às mãos. Se um dia Chico fora chamado de bandido, um Bispo da Bahia Dom Adelino Dantas, chamou-o de Mártir, perdoado foi quando a família criou a frase “VINGANÇA, NÃO”, maior atestado de humanismo.  A  autora finaliza sua homenagem a esta grande mulher assim relatando: Jarda tem neste espaço todo o carinho dos Dantas lá do Serrote, em São João do Rio do Peixe, que fez a pousada de Chico!

Em determinado momento as famílias de Sigismundo e Pereira se cruzam quando seus filhos Raimundo e Vanice se casam e vão residir em Brasília nos seus primeiros anos de existência, já tendo se tornado a jovem Capital Federal. Não sabemos as causas durante passadas festas do Natal, Raimundo desapareceu e até hoje nenhuma notícia do seu paradeiro. Chico foi para Roma, tornou-se escritor, professor e jornalista. Consegue no final da vida transformar sua grande obra em peça de teatro. E assim Vingança, Não teve inicio a sua grandiosa caminhada. Pelos caminhos do radioamadorismo nos aproximamos de um colega que operava na cidade de Aracaju. Era ele frei Lauro, frade da mesma ordem de Albano e que por nossa solicitação, sem saber do que se tratava, quando nós queríamos conhecer mais um filho de Chico Pereira. O tempo se passa e frei Lauro de descendência alemã, passa a residir em Campina Grande, onde viemos a conhece-lo. Naquela oportunidade para nós rara, lhe fizemos completo relato do por que da nossa solicitação. Mas, frei Albano já havia sido transferido e não sabíamos do seu paradeiro. Durante longo período não conseguimos saber do paradeiro do frei Albano. Mais uma vez quem nos salva é frei Lauro, confirmando a presença desejada no Santuário do Canindé no Ceará. Surge que recebemos convite do amigo de caminhadas nas caatingas atrás de depoimentos do tempo de cangaço, Aderbal Nogueira, que nos estende convite para colhermos algumas imagens na Serra Grande ou Serra da Ibiapaba e assim chegamos até a gruta de Ubajara. Seguimos em busca de Sete Cidades já em território piauiense e fina neblina nos roubou a grande oportunidade de filmarmos as belezas construídas pela natureza.  Seguindo viagem nos deparamos com Guaraciaba do Norte e procuramos pelo bisneto de Antônio Conselheiro, porém, não se encontrava na cidade naquele momento. Então nos dirigimos até a cidade de Ipú, fotografamos e filmamos a bela cachoeira e procuramos nos aperceber da brilhante figura de Leonardo Mota, também identificado de Leota, magistral pesquisador, memorialista e folclorista cearense. Estará chegando uma grande data, ou seja, o sesquicentenário do coronel Delmiro Gouveia o maior empreendedor do Nordeste brasileiro e como a memória do homem de hoje é pequenina por demais, não deveremos comemorar absolutamente nada. Uma vergonha para o Nordeste e para o Brasil. E chegamos ao começo da noite, a cidade de Canindé em festa, a igreja não cabia mais ninguém e teria sido momento de abraçar frei Albano. Nunca pensamos que a cidade estivesse em festa e terminamos indo dormir em Fortaleza.

Afinal Jarda viu seus filhos encaminhados na vida do bem, a enaltecer a memória do pai.

Afinal o pai, o homem, o cangaceiro, o cabra macho, ganha espaço no nosso relato. Com a morte do seu genitor o que se tinha em casa era a não violência, era o perdão, o afastamento da vingança que não lavaria a lugar algum. Do outro lado, o mundo via as posições inversas, ou seja, deveria existir a vingança, que a família não poderia ser desmoralizada e assim num crescendo difícil de mudança de comportamento. Conselhos e pedidos foram feitos a Francisco Pereira, o Chico Pereira para não estabelecer a vindita. Mas, o bicho homem depois de decidir o que deseja torna-se impenetrável nas suas decisões, e assim, o filho que perdera o pai vendo que a justiça nada resolvia, tomou do mosquetão e ganhou a caatinga em busca do seu desafeto. Consegue trazê-lo e coloca-o na prisão. Algum tempo depois está o criminoso na rua. Chico Pereira resolve ampliar sua capacidade de luta e percorre terras vizinhas no próprio estado e viver muito além, percorrendo trilhas nos estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Localidades que fizeram parte do universo de Chico Pereira. Na Paraíba temos: a partir de Nazarézinho, Sousa, São Gonçalo, Lastro, Antenor Navarro, Fazenda Jacú, Cajazeiras, Condado, Malta, Sítio Pau Ferrado, Coremas, Patos, Santa Luzia, Campina Grande, Guarabira. No Rio Grande do Norte anotamos Acarí, Serra da Rajada, Currais Novos. Esta nomenclatura está estabelecida no livro Vingança, Não, página 18, da Livraria Freitas Bastos, 1960.

Porém as andanças de Chico Pereira se estenderam por um território bem mais amplo. Nas suas andanças Chico Pereira passa a conhecer nomes pouco conhecidos até hoje, como seja: Estrêla do Norte, Jandaia, Serra Negra, Maçarico, Caboré, Jordão, Estrêla Dalva, Corró, Moitinha, Curió, Perigo e muitos outros. Sua mãe pedia para acabar com aquelas andanças perigosas e Chico dizia que queria primeiro casar. Casamento ocorrido por procuração no dia 25 de maio de 1925 na matriz de Pombal. A noiva de 14 anos apenas de nome Jardelina Nóbrega. Depois tomaria o rumo de Goiás para onde já teriam ido Luís Padre, Sinhô Pereira e Zé Inácio do Barro. Era ele bem informado dos acontecimentos que ocorriam no atribulado mundo. Permaneceu no seu torrão natal.

Patos de Princesa, hoje Irerê, recebeu a visita de Chico Pereira sob os auspícios do coronel Marcolino Diniz, seu amigo pessoal. Fora da vila residia na casa grande, o major Floro, proprietário de terras, gado. Homem que implantou energia elétrica em fins do século XIX, mesmo antes de Triunfo.

Quanto a sua prisão a literatura oral menciona que os Presidentes (hoje governadores) dos estados da Paraíba João Suassuna e do Rio Grande do Norte Juvenal Lamartine de Faria entraram em acordo no sentido de exterminar a chaga do cangaço nos seus territórios. Juvenal esteve a frente do governo potiguar desde 01 de janeiro de 1928 até 05 de outubro de 1930. Correu mundo a seguinte afirmativa: Juvenal Lamartine caçava a cabeça de Chico Pereira em toda região nordestina desde o dia que tomou conhecimento de que um sua parenta, moça bonita e prendada, estava apaixonado por Chico Pereira e com ele queria casar. Juvenal encetou caçada até que consegui prender Chico Pereira que numa trágica viagem os policiais que o transportavam viraram o carro por cima do preso e para encobrir o crime simularam o acidente. Seu mausoléu está fincado às margens da BR-427, quilometro 177 e está a 18 km de Currais Novos do lado esquerdo de quem vem de Natal para Acarí. Na noite tenebrosa da covardia, Chico Pereira encontrou a morte.

Resumindo, Chico Pereira passou a conhecer mundos dos estados de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, onde praticou assaltos, crimes, sozinho ou com seu pequeno bando e foi na cidade de Acarí no estado do Rio Grande do Norte instaurado o Processo Crime contra o paraibano, amor de Jarda.
                
Vejamos a força do relato oferecido por P. Pereira Nóbrega, a pag. 126.
27 de julho de 1924.

As quatro da madrugada, Sousa estava cercada. Os 84 homens formavam quatro pelotões sob a chefia de Chico Pereira, Levino, Antônio Ferreira, Chico Lopes. Três grupos algum tempo ficaram piquetando as principais entradas da cidade, para impedir qualquer socorro de fora.

Chico Pereira foi bater à porta da delegacia, acordando as autoridades.

- Tenente Salgado, me desculpe. Não esperava que o senhor estivesse aqui.  Se soubesse, não teria vindo, por atenção à sua pessoa. Mas já é tarde para voltar a trás. Comunico à polícia que Sousa está cercada. Vamos abrir fogo contra Otávio Mariz. Se quiserem podem reagir. Se quiserem podem sair em paz.

O Tenente Salgado sabia que estava só. Reagir era suicídio. Às sete horas da manhã batia retirada. O resto da polícia cumpriu o que dissera às vésperas: passividade absoluta ante os cangaceiros.

Êles também foram gratos. A polícia não fizeram mal...

Arrolado num processo de mais de 800 páginas está um memorandum do juiz de direito, dirigido ao Presidente do Estado, em que depõe sobre militares:

É de lamentar que a fôrça da polícia, composta de 10 a 12 praças, sob o comando do sargento Apolônio, não tinha se movido a menor diligência de rebate aos assaltantes, pois não disparara uma só arma, conservando-se indiferente no seu cômodo aquartelamento na cadeia, de onde observava o trânsito constante e desassombrado dos cangaceiros, ostensivamente senhores de tudo e de todos.

“O Tenente Salgado que ali viera pronto e solícito a reunir-se ao destacamento local no dia anterior à negregada tragédia, não encontrou infelizmente apoio e solidariedade daquela fôrça para a resistência ao ataque que se pressentia, tendo declarado o sargento que os soldados não atirariam se fosse realizado o assalto à cidade pelos referidos bandidos.

A história de Chico Pereira nos chega pelas mãos da querida escritora Raquel de Queirós, que no seu prefácio intitulado ÊSTE LIVRO, diz: ”Êste livro, é um livro de padre, mas é também um livro duro, que conta uma história imensamente dramática. Nêle não se poupa ninguém – embora não se acuse ninguém. É um depoimento que impressiona pela honestidade – e se às vezes como obra de arte que é, alça às puras alturas da beleza, nunca perde a severa imparcialidade que representa a marca principal”...

Procura Raquel concluir sua apresentação com o brilhante depoimento: “Conheci este ano a moça Jarda. A esposa-menina de Chico Pereira. Digo moça, porque realmente ainda está muito jovem, embora marcada por tantas tragédias. É uma mulher bonita, de fala mansa e gestos tranqüilos. Vive para os netos que lhe deu o filho engenheiro e pelo amor dos dois outros filhos – um frade e um padre. Conversamos feito amigas de muito tempo – e, curiosamente, Jarda não me deu a impressão da viúva esmagada por um acúmulo de dramas; pareceu-me antes uma pessoa que lutou muito e acabou triunfando. E os dois filhos, ministros de Deus, são a evidente razão dêsse triunfo. Pois, ao encaminhá-los para o sacerdócio, ela não o fazia como uma reparação, como um sacrifício propiciatório pelos pecados do pai. Parece ao contrário que ela queria provar – e provou – que se o sangue de Chico Pereira lhe deu tais filhos – quem tinha razão era ela em o amar quando vivo e lhe venerar a memoria depois de morto. São os filhos de um guerreiro, que serviu uma causa errada sim, mas a serviu com bravura e desprendimento e, por ela morrendo, pagou todos os erros de que se culpara”.

Paulo Gastão

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

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Nossa gratidão a toda família Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira

Por: Manoel Severo

Sempre dissemos que o Cariri Cangaço é uma grande e fantástica construção coletiva. Todo o pensamento, a formatação, as ideias, os desafios, as dificuldades e principalmente todas as conquistas precisam ser e são, compartilhadas por todos aqueles que se dedicaram na realização deste sonho.


Não poderíamos deixar de ressaltar e parabenizar a toda equipe do município de Lavras da Mangabeira, palco de nossa primeira Avant-Premiére do ano; sob o comando da competente secretária de cultura, Cristina Couto, que com o espírito de Fideralina se dedicou por dias a fio na realização do Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira, nos proporcionando o inicio vitorioso de um novo ciclo que já tomam conta do nordeste.

Muitos trabalharam dia e noite, muitos vieram ao palco, muitos ficaram nos bastidores e muitos permaneceram anônimos até o final. A todos vocês, o nosso profundo e sincero abraço de gratidão. Parabéns agora também podemos dizer que a família Cariri Cangaço  é também Lavras da Mangabeira...


Gustavo Augusto Bisneto, Cristina Couto, Dimas Macedo, Cícera Queiroz, Milene Sá, Aline Lima, Ruy Gabriel, Paula Queiroz, Assis Veloso, Luiz Gerson, Cianinha, Rogério Caldas, Ivaneida, Willame Leite, Lúcia, Mazinha, Quitéria, Terezinha, Zé de Pedro, Rosangela, Aparecida Granjeiro, Leonice, Neta, Aparecida, Dona Zefinha, Cláudia, Irismar, Vinícius, Edileuza, Stephany, Franklin, Edileudo e o querido Raul Sá...

Muito, muito, muito obrigado e até 2014 !!!

Manoel Severo

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Reedição do livro "Memórias de um Soldado de Volante", por Ten. João Gomes de Lira.


Tenho o prazer de divulgar a reedição do livro "Memórias de um Soldado de Volante", do nosso querido Tenente João Gomes de Lira.

O lançamento da nova edição acontecerá no dia 13 de julho de 2013, no distrito de Nazaré do Pico / Floresta - PE. Neste dia também estaremos comemorando o Centenário de nascimento do mesmo.

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Lampião em Sergipe - Notícia do jornal A Tarde - em 17 de Abril de 1929


Em 17 de Abril de 1929, o Jornal A Tarde publicou uma reportagem comunicando que o afamado Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião e seu bando estavam nas terras sergipanas.

Para amedrontar mais ainda a população o facínora graceja da polícia, avisando que havia chegado naquelas terras. Esta notícia foi comunicada na Agência Brasileira em Aracaju. Aproveitando a sua passagem pelas terras sergipanas Lampião ainda deu entrevista ao juiz municipal  da  cidade de Carira. Alexandre Barreto.

Segue a reportagem abaixo:

“Mais ou menos 5 horas da tarde, de hontem, dava entrada no povoado, Lampião e sua cabroeira. Antes de entrar, no cemmiterio, ele escreveu um bilhete ao delegado Felismino Dionysio, pedindo licença para entrar. Antes, porém, que o delegado desse qualquer resposta, ele entrou desmontando-se com os companheiros na casa do referido delegado, onde se hospedaram.


A Tarde, Salvador, p. 03, 17 Abril 1929.

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Próximo encontro - Avant premier para sergipanos, alagoanos e circunvizinhança


Falando nisso...

Cariri Cangaço 2013. Das telas do Ceará para o Mundo!

A FGF, Faculdade Integrada da Grande Fortaleza, mantém a FGF TV, um canal universitário que exibe entre outros o programa UNIVERSIDADE VIVA com apresentação do diretor de comunicação da FGF Jonas Luis DA SILVA, de Icapuí.

No último dia 12 de maio ele recebeu e conversou com nossos confrades Manoel Severo Gurgel Barbosa e Aderbal Simões Nogueira


Pescado no Canal da GGTV no YouTube

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O SEGUNDO PROTESTO: A LEGITIMIDADE E A DESORDEM (Artigo)

Por: Rangel Alves da Costa(*)

O SEGUNDO PROTESTO: A LEGITIMIDADE E A DESORDEM (Artigo) 

Depois do marco histórico do dia 20/06, quando mais de 30 mil pessoas tomaram as ruas e avenidas de Aracaju para mostrar suas indignações contra o aumento da tarifa do transporte e outras pautas populares, novamente o povo se reuniu na capital sergipana. E dessa vez para deixar bem claro que não vai mais tolerar calado os descalabros das administrações em todas suas esferas.

Tendo como mote principal a revogação da tarifa de ônibus, o que se viu foi uma avalanche de reivindicações, provando o descontentamento do povo com a ineficácia dos serviços públicos e a omissão deliberada dos governantes e seus agentes. As faixas e cartazes deixavam induvidosas as cobranças da população.

Como já era esperado, a classe política em geral se transformou em alvo preferencial da repulsa das ruas. Os médicos também se fizeram presentes em protesto contra as medidas de importação de profissionais anunciadas emergencialmente pelo governo federal. Outras classes profissionais e estudantes de cursos específicos igualmente apresentaram suas reivindicações.


Contudo, o número de manifestantes foi bem inferior ao avistado no primeiro ato. Em nenhum momento a Praça Fausto Cardoso, local da concentração, foi tomada pelos revoltosos. Um grupo maior circundou o coreto, onde permaneceu tocando instrumentos, gritando palavras de ordem e entoando motes de protesto, tendo outras pequenas aglomerações espalhadas pelos arredores. Bem diferente da multidão compacta do último dia 20.

Diante do ocorrido no primeiro ato, quando os manifestantes rejeitaram a presença de bandeiras partidárias e de centrais sindicais, dessa vez estes grupos decidiram não participar. Daí não haver qualquer carro de som nem discursos inflamados. Talvez por isso que a multidão de hoje estava mais silenciosa, mais arredia e menos encorajada. Já não havia aquelas feições predispostas, aqueles olhares efervescentes, aqueles gestos de descontentamento.

Por volta das cinco horas a caminhada teve início. Mas sem a organização devida, as pessoas não seguiam conjuntamente. Enquanto um grupo seguia na frente, muitas outras pessoas ainda continuavam pela praça. E assim prosseguiu, com alguns vazios, até a esquina da Av. Barão de Maruim. Neste momento, os manifestantes da dianteira tiveram de parar para esperar que as pessoas se pusessem em caminhada num só bloco.

Após isso, e já pela Barão de Maruim, então a multidão começou realmente a mostrar sua força, tomando completamente as duas pistas e calçadas, numa extensão que talvez chegasse a cinco quarteirões num só passo. Batucadas, palavras de ordem, cantorias, tudo isso efervescendo a caminhada sempre aplaudida pelos moradores dos edifícios ao redor.

Profissionais saíam de seus escritórios para aplaudir a manifestação, dos edifícios surgiam gestos de apoio, nos veículos parados o contentamento dos motoristas e passageiros. E assim a multidão, mesmo menos numerosa que a anterior, foi mostrando sua força e sua capacidade de união diante dos males que tanto corroem Sergipe e o Brasil.


Novamente helicópteros vigiaram do alto. Policiais novamente estavam infiltrados em meio à multidão, mas certamente não conseguiram avistar uma só ação de vandalismo, depredação ou exaltação mais exacerbada. Mas só até a multidão chegar ao Centro Administrativo Municipal.

Ao chegar ao local programado para a finalização do ato, um grupo mais exaltado logo procurou macular a imagem da multidão pacífica e ordeira. Verdadeiros vândalos começaram a depredar o patrimônio público e ameaçar invadir a sede do governo municipal. E em casos tais é preciso o uso da força para inibir a ação daqueles que traíram a legitimidade da ação da grande maioria. E o povo não marchou com essa bárbara finalidade.

É por essas e outras que o encanto, repentinamente, se torna em desencanto. E, em decorrência de tais atos, dificilmente haverá outra manifestação vitoriosa pelas ruas da capital. Pena que tenha acontecido assim. Mas eis as feras escondidas nos labirintos da multidão.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.
  
Poeta e cronista
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Nazarezinho e a Casa de Chico Pereira

Por: Sara Saraiva



"Minha emoção é tanta que não sei nem por onde começar. Depois de ler a obra de padre Pereira "Vingança Não" e vir aqui, pisar esse chão onde tudo aconteceu, é demais!”.
Sarinha Saraiva

Fotos de Sara Saraiva
Membro da família Cariri Cangaço

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Humberto de Campos Veras

Por: Marinalva Freire da Silva

Palavras iniciais

Humberto de Campos Veras, filho de Joaquim Gomes de Faria Veras  (pequeno comerciante) e Ana de Campos Veras, nasceu no município de Miritiba, no Maranhão, no dia 25 de outubro de 1886 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 05 de dezembro de 1934, ainda jovem, aos 48 anos de idade. Após seu falecimento, o município, seu berço natal, recebeu seu nome, como um ajusta homenagem ao ilustre filho autodidata, pois foi jornalista, poeta, contista, político, prosador, memorialista, inspetor de ensino, diretor da Casa de Ruy Barbosa.


Trajetória de vida
            
De origem humilde, sem meios de sobrevivência, quando seu pai faleceu, Humberto de Campos, aos seus anos de idade (1892), foi levado pela família para São Luís, em busca de sobrevivência. Aos 17 anos (1903), foi morar no Pará onde conseguiu um trabalho.

Foi aprendiz de tipógrafo e depois, escriturário, iniciando-se no jornalismo como colaborador e redator na “Folha do Norte” (1908) em Belém do Pará; chegou a  ser diretor de “Província do Pará” . Aos 24 anos (1910), publica seu primeiro livro, uma coletânea de versos intitulada “Poeira”. Fatores políticos levaram-no a mudar-se  para o Rio de Janeiro, aos 26 anos de idade (1912). Ali chegando, foi convidado para trabalhar como redator de “O Imparcial”. (SENA, Flash de Yala. Cidade verde.In

Nessa época trabalhava como redatores ou colaboradores um grupo de escritores famosos, entre os quais, Goulart de Andrade, Rui Barbosa, José Veríssimo, Júlia Lopes de Almeida, Salvador de Mendonça e Vicente de Carvalho, além de Júlio Ribeiro, crítico literário e José Eduardo de Macedo Soares, grande revolucionário da campanha de civilista. Humberto de Campos foi um fiel seguidor do Movimento civilista, para o que adotou o pseudônimo de Conselheiro XX, e com este, assinava seus contos e crônicas, hoje, reunidos em vários volumes. Passou a usar também outros  pseudônimos: Almirante Justino Ribas, Luís Phoca, João Caetano, Giovani Morelli, Batu-Allah, Micromegas e Hélios. (MAGALHÃES Jr., R. Antologia de humorismo e sátira. In Releituras.com/hdecampos_menu.asp.,Acessado em 24 de Junho de 2103).  
            
Inicia a longa série de publicações em prosa , tendo como estréia “Da seara de Booz” (1918). Prosseguindo, publica “A serpente de bronze” (1921), “A bacia de Pilatos” (1924), “ O monstro e outros contos”(1932) , “Poesias completas” (1933) e Suas “Memórias” (1933),considerada a obra mais importante, embora ficasse inacaba a segunda parte, sendo publicada postumamente. Tinha um Diário secreto, que foi publicado em 1954, causando escândalo à sociedade. (In http://antoniomiranda.com.br/poesia/maranhao/humberto-_de_campos.htm. Acessado em  24/6/2013).
            
Humberto de Campos Veras tem o privilégio da amizade de Coelho Neto, Emílio de Menezes e Olavo Bilac, poetas parnasianos. Aos 34 anos (1920), é eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira nº 20, deixada por Emílio de Menezes,  cujo patrono é Joaquim Manuel de Macedo, sendo empossado no dia 08 de maio de 1920, sendo saudado pelo acadêmico Luís Murat. Em 1920 ingressa na política, sendo eleito deputado federal por seu estado, Maranhão, com três mandatos sucessivos, até 1939, quando eclode a Revolução, sendo cassado. Mas, Getúlio Vargas, seu grande admirador, nomeia-o diretor da Casa Ruy Barbosa. Apesar de pouco estudo, foi um dos grandes autores brasileiros, pois inovou as crônicas adicionando ao estilo novos elementos. Ao adoecer, passou a utilizar um estilo mordaz e cômico, passando a defender os excluídos de quem encontra consolo. (In http://www.
Alemdoarcoiris.com/biografias/Humberto_campos.htm. Acessado em 24 de junho de 2013).
            
Abandonado por parentes e antigos amigos poderosos, enfrenta sérias dificuldades financeiras, submete-se a várias cirurgias, perde a visão e, desta forma, parte para o além, deixando perplexo o meio em que vivia, principalmente quando da publicação de seu diário secreto, que, a meu ver, não deveria ter sido publicado porque, creio, teve razões para desabar e, quem sabe, se tivesse tempo de viver e  refletir seus escritos em momentos de abandono, dor, solidão,  o tivesse destruísse, pois não vale a pena a imortalidade com atitudes que denigrem a alma porque ferem o próximo.


MARINALVA FREIRE DA SILVA

Licenciada em Letras Clássicas e Vernáculas e Pedagogia pela UFPB. Mestre em Letras -PUC do Paraná; Doutorado em Filologia Românica-Universidade Complutense de Madrid; Professora da UFPB e UEPB (aposentada). Tradutora. Membro da APEEPB; APEESP; IWA,/OHIO,USA; da Academia de Estudos Literários e Linguísticos  de Anápolis/GO; da  UBE/PB ,da AFLAP/PB e da ALAP-RJ. Autora de várias obras.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso

Sobre algumas efemérides de Isaias Arruda

Por: João Calixto Junior
João Calixto Junior e Manoel Severo

Desejo esclarecer, antes de tudo, não terem os presentes apontamentos qualquer caráter polêmico. Visam, tão-somente, ao aclaramento. Assunto um tanto obscurecido tem sido o que concerne às origens de Isaías Arruda de Figueiredo, mais conhecido na história por Cel. Isaías Arruda, morto na estação ferroviária de Aurora, em 1928.

Revolvendo arquivos daqui e dalém, perseguindo informações que me remetessem esclarecimentos sobre as primícias de minha terra berço (Aurora), a mim apresentaram-se, sobremaneira, e em virtude do ineditismo a que se remeteu, importantes documentos que me puderam descobrir os indícios deste famanaz nordestino, figura presente, muitíssimas vezes, nas linhas que grafam os anais do período coronelístico regional, sem, portanto, comprobação quanto às suas efemérides. Ei-lo, conquanto, algumas considerações sobre suas datas, natalícia e matrimonial:

Nasceu em Aurora Isaías Arruda de Figueiredo aos 6 de julho de 1899, filho de Manoel Antônio de Figueiredo de Arruda e Maria Josefa da Conceição, ambos naturais da mesma Freguesia de Aurora, tendo sido batizado pelo Pe. João Carlos Augusto aos 30 de julho do mesmo ano. Sobre seu registro batismal, assinado pelo Pe. Augusto Barbosa de Meneses (à época em que a Paróquia de Aurora estava anexada à de Caririaçu), perlustrei-o em um dos Livros da Paróquia do Menino Deus de Aurora (Livro 2, 1897-1904, p. 80), onde se observam Antônio Leite de Oliveira (solteiro) e Maria Joaquina da Conceição (casada), como seus padrinhos.
  
Isaías Arruda

Convolou núpcias no primeiro dia de setembro de 1920 na Igreja Paroquial de Aurora com Estelita Silva, natural de Fortaleza, tendo como testemunhos a Raimundo Antônio de Macêdo e Manoel Gonçalves de Araújo. (Livro de Registro de Matrimônios, Paróquia do Senhor Menino Deus de Aurora, 1909-1922, p. 177). Em perfeita consonância com a práxis vigente de sua época de existência, inseriu-se Isaías Arruda na prepotente atuação sócio-política regional, marcada pela incursão do poder privado dos coronéis. Eram estes os senhores supremos dos feudos nordestinos, detentores do voto do cabresto e responsáveis pelas famosas eleições a bico de pena, onde até defuntos votavam. Trapaças e moléstias sociais que hoje ainda remanescem, apesar de diminuídas as proporções, são oriundas deste famigerado tempo da República dos Coronéis ou Coronelismo, a chamada República Velha. 

Bosquejando sobre as passagens deste notável personagem do cenário coronelo-cangaceirístico, delegado de polícia em Aurora, assim como Prefeito municipal de Missão Velha, transcrevo o que exara Joaryvar Macêdo em Império do Bacamarte (Fortaleza, 1990, p. 225): “Improvisado o coronel Isaías Arruda em poderoso chefe político de Missão Velha, se o juiz não se submetesse às suas ordens, ele o escorraçava, e ao oficial de polícia, intolerante com os desregramentos, mandava assassinar”. Algo depois de funestos episódios que lhe marcaram a curta vida, polêmica e tumultuosa, ocorreu-lhe o assassinato, aos 4 de agosto de 1928.
  
Sousa Neto, Manoel Severo, Bosco André e José Cícero na Estação da RVC em Aurora

Alguns Paulinos, armados até os dentes, rumaram em direção ao carro de passageiros, parado na plataforma da estação. De súbito, aparece o temível coronel Isaías. Numa fração de segundos uma saraivada de projéteis lhe põe fim à vida, tumultuosa e agitada. Era a vingança tremenda da família Paulino. (Waldery Uchoa, Anuário do Ceará, Fortaleza, 1954, p. 42).

Da calçada, onde caíra baleado, Isaías foi transportado para a residência de Augusto Jucá. No dia seguinte foi assistido pelos médicos Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos, mas estes pouco puderam fazer no sentido de salvar a vida de Isaías, que terminou falecendo no dia 8 de agosto, pelas 6 horas da manhã (...). (Amarílio Tavares, Aurora, História e Folclore, Fortaleza, 1993, p.131). No Livro de Registros de Óbitos da Paróquia de São José de Missão Velha (1926-1930, p.136), deparei-me com o assento referente ao seu falecimento:

“Aos oito dias do mês de agosto de mil novecentos e vinte e oito, na sede da Freguesia de Aurora, foi assassinado Isaias Arruda com vinte e oito anos de idade, casado com Estelita Arruda. Seu corpo foi sepultado nesta Villa. Para constar mandei lavrar este assento que assino. O Vigário Horácio Teixeira”.
           
Prof. João Tavares Calixto Júnior

NOTA CARIRI CANGAÇO: O coronel Isaías Arruda é um dos personagens principais do Cariri Cangaço 2013 em Missão Velha, quando setembro chegar. Imperdível !

Fonte:
http://cariricangaco.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com