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segunda-feira, 9 de junho de 2014

O LOUCO, O DOIDO E O INSANO

Por Rangel Alves da Costa*

Nos acasos e inusitados da vida, eis que o destino parece ter feito valer sua fama. Colocou frente a frente, ou lado a lado, três pessoas completamente desajuizadas: um louco, um doido e um insano. E para a dura e difícil tarefa de dialogar compreensivamente acerca da realidade da vida. Encontro impossível de ser descrito na sua inteireza de conversação e de pontos de vista. Mas enfim.

Encontro mais que casual e inesperado. Todos os dias, assim que chegava o entardecer, os três se encaminhavam para realizar tarefas cotidianas e sempre no mesmo lugar, numa praça com árvores centenárias, estátuas imponentes por todo lugar, bancos de madeiras para o repouso e meditação. Cruzavam-se por ali, se entreolhavam, mas nunca se cumprimentavam ou paravam para uma palavra mais alongada. A verdade é que cada um se mostrava desconfiado perante a presença do outro, achando estar diante de um maluco de careta e pedra. Os motivos da andança de cada um, ainda que inexplicáveis racionalmente, eram plenamente justificados nas suas mentes psicologicamente afetadas.

Um levava flores de plástico para pregar nas plantas dos canteiros desnudos e ressequidos. Outro procurava uma estátua na praça que desejasse conversar com ele, vez que já estava entediado com tanta falta de educação daquelas pessoas empertigadas demais. Ora, dava boa tarde e nenhuma respondia. E o outro ficava por ali esperando a cavalaria revolucionária chegar para tirar à força o ditador de seu palácio. Por isso mesmo, no intuito de ajudar os rebeldes, levava escondido um pedaço de ripa como espada e pedras no bolso, que eram suas balas de canhão. E também um grito de vitória pronto para ser ecoado.

Assim, o louco procurava um jardim para fazê-lo florescer artificialmente; o doido procurava uma estátua que fosse boa de prosa; e o insano esperava ansiosamente a chegada dos rebeldes para derrubar o tirano e salvar a pátria. Mas o encontro dos três ocorreu quando o doido falou para a estátua, de espada erguida na mão, que baixasse aquela arma e viesse dialogar. O insano revolucionário ouviu tais palavras e prontamente correu ao local, gritando em direção à estátua que jamais se rendesse às mentiras daquele agente da ditadura. E que empunhasse ainda mais a sua espada contra toda a tirania do mundo.


Diante do impasse e do imediato estranhamento, o doido e o insano já estavam para se atracar, para dar início a uma briga feroz, quando o louco correu e se colocou perigosamente entre eles. Arriscava sua integridade física e até sua vida se metendo no meio da briga dos outros, mas fazia assim porque tinha bom coração e tentava evitar uma verdadeira tragédia. Não só se posicionou entre eles como puxou duas flores de plástico de um saco e estendeu-as aos desafetos.

Ao recebê-la, o doido fez menção de oferecê-la à estátua, atitude prontamente desaprovada pelo insano. Este gritou que a revolução não precisava de flores, mas de armas e do sangue da tirania e seus bajuladores. E disse mais: Assim que a cavalaria chegar por um lado e de outro despontar os canhões, não restará pedra sobre pedra. O oprimido vai tomar o poder e pessoas como vocês, que acreditam em estátuas de heróis e pensam que flores curam feridas, terão que se contentar em comer o pão molhado em suor.

Então o louco pediu para que se afastassem um do outro e mantivessem a calma, pois precisava falar, dizer algumas palavras que pudessem acabar com aquela intriga ameaçadora e desnecessária. Em seguida, empunhando a mais bela flor artificial que pôde encontrar nos seus apetrechos, subiu num banco, beijou a flor, levantou-a em direção aos céus, e começou a falar:

“Será que vocês perderam o juízo de vez e querem ser iguais às pessoas que andam por aí se dizendo normais? Vocês querem ser iguais a eles, espertos e inteligentes demais, mas não pensam duas vezes para fazer as piores maldades para conseguir o que desejam? Vocês querem perder a razão, a consciência de tudo que fazem para se tornar como eles, uns loucos, psicopatas, verdadeiros desequilibrados da mente? Ora, pessoas normais não agem como eles, que vivem disfarçados, escondendo suas verdadeiras feições. Eles sorriem tão falsamente, conversam tão mentirosamente e agem tão covardemente, que até se iludem com suas capacidades de iludir. Agora deixem de briga e venham me ajudar a transformar essa praça num jardim florido”.

Mas os outros dois rejeitaram a proposta. Disseram que não iam se arriscar a ser chamados de doidos se alguém os visse colocando flores de plástico em planta morta. Não iam sair de onde estavam de jeito nenhum. Não sem antes a estátua resolver conversar sobre a copa do mundo e a cavalaria e os canhões aparecerem para tirar do poder a tirania que gasta com estádio de futebol e não com as reais necessidades da população.

E continuaram por ali, mas agora tentando encontrar um jeito de mandar para um hospício todos aqueles doidos que passavam e os olhavam como se fossem malucos.

Poeta e cronista
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Antonio José de Oliveira homenageando os amigos

         
Caro pesquisador Mendes:
          
Em 29 de Maio do ano em curso, escrevi uma modesta mensagem homenageando o administrador doblogdomendesemendes.blogspot.com pela passagem do seu aniversário, a qual foi publicada no referido blog. No conteúdo da mensagem, além do companheiro MENDES, citei os nomes de quatro notáveis personagens que, embora, com diferentes formações acadêmicas, são exímios pesquisadores, nem só da saga do cangaço, mas de tudo que diz respeito à História.
          

Fiz menção do nome do ilustre Escritor e Advogado Rangel Alves Costa, filho da Terra que produziu um dos melhores sergipanos – Poço Redondo, o saudoso político e escritor Alcino Alves Costa;
         

Mencionei o nome do Historiador e Escritor pernambucano, radicado em Paulo Afonso, João de Sousa Lima;
         

Citei o nome do Jornalista e Agrônomo Doutor Lima, filho do Rio Grande do Norte e radicado nas Terras do Ceará;

   

Fiz alusão ao nome do nobre Delegado e Escritor das Terras Sergipanas, Doutor Archimedes Marques;
        
E, é claro, ao Professor e Administrador de três ou quatro blogs, o amigo José Mendes Pereira.
        
Não obstante, por questão de lapso da memória dos meus setenta anos, fui omisso, e até diria, negligente em não mencionar os seguintes nomes, com os quais tive o privilégio de contactá-los pessoalmente ou pela INTERNET, aos quais peço as minhas desculpas.
         

Guilherme Machado, Pesquisador do Cangaço e Administrador do blog Portal do Cangaço de Serrinha, filho das Terras do Recôncavo Baiano e radicado em nossa Cidade, que sempre me recebe de braços abertos;
         

O ilustre Professor Universitário e Escritor Paulo Medeiros Gastão, filho das Terras Pernambucanas de Triunfo e radicado na bela Cidade de Mossoró. Cidadão extremamente atencioso no trato com as pessoas;
         

Francisco Carlos Jorge de Oliveira, Militar, Cronista e Pesquisador do Cangaço, residente nas Terras do Paraná, mas ama o nosso Nordeste;
          

Escritor e Historiador Rostand Medeiros, filho do Rio Grande do Norte e residente na encantadora Cidade de Natal. Personagem de profundo conhecimento nem só da História do seu Nordeste, como no âmbito de toda a História Geral. Homem de comprovada atenção dispensada aos que lhe procuram.
          

Aos demais incansáveis pesquisadores, principalmente da área do cangaço, que os conheço de nomes e pelos seus escritos, deixo os meus sinceros agradecimentos por abraçarem com dedicação e firmeza uma missão, muitas vezes árdua e espinhosa, mas enormemente gratificante.
                                               
Antonio José de Oliveira reside em Serrinha, no Estado da Bahia. É pesquisador do cangaço.

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Descendentes de volantes e cangaceiros

Por Paulo George

Abimael Lira, bisneto do velho Gomes Jurubeba da fazenda Jenipapo, Nazaré, distrito de Floresta no Estado de Pernambuco. Sua avó, Filomena Gomes de Lira. Filha do velho " Gomes".


Ulisses Flor, filho do capitão Euclides Flor, Nazaré, distrito de Floresta no Estado de Pernambuco.


Claudionor Santos, neto da cangaceira Adília.

Fonte: Facebook
Página: Paulo George

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CANAL DE TV PERNAMBUCANA GRAVA PROGRAMA EM PAULO AFONSO


Canal de televisão de Recife grava programa Pé na Rua em Paulo Afonso.


A equipe passou por Piranhas, Paulo Afonso e seguiu pra Petrolândia. O programa irá ao ar em Setembro.


Em Paulo Afonso foi gravado sobre o Rio São Francisco as Usinas e o cangaço. Roteiros turísticos que representam bem a cidade de Paulo Afonso e região.

João de Sousa Lima e João Bosco representaram  a cidade.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

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Desvendado Parte II

Por: Luiz Ruben
Nely Conceição e Luiz Ruben

Aos amigos pesquisadores do cangaço: Quem era o cangaceiro “NÃO CONHECIDO”? Ainda nos documentos citados no artigo anterior, na continuação das minhas pesquisas para meu mais recente livro “O Fim do Cangaço: As Entregas, encontrei mais um documento que talvez esclareça o nome de guerra do cangaceiro Luiz de Thereza desta vez no Jornal Gazeta de Alagoas em 1 de novembro de 1938, numa entrevista com o cangaceiro Cobra Verde.

Segue a transcrição de parte do jornal com a entrevista de Cobra Verde e em anexo o fac-símile do citado jornal, uma foto do cangaceiro Cobra Verde e algumas observações sobre o fato.


TRANSCRIÇÃO DE PARTE DO JORNAL
Gazeta de Alagoas, 1 de novembro de 1938

FALA-NOS COBRA VERDE

Como se sabe três dos sete bandidos capturados em poço Redondo, os denominados, Vila Nova, Santa Cruz e Cobra Verde achavam-se com Lampião no valhacouto de Angico, quando as forças comandadas pelo 1º tenente, hoje capitão João Bezerra o atacou. Cobra Verde saía muito cedo pra comprar leite numa vacaria cita em Cajueiro, distante meia légua de Angico. De volta, ouviu os tiros e desconfiou do que acontecia. Então se aproximou cauteloso, subindo a uma elevação, de onde viu, ao longe, o combate. Não quis mais saber de nada e abalou no mundo.

OS BANDIDOS QUE SE ENCONTRAVAM EM ANGICO.

Foi Cobra Verde que nos forneceu a relação completa dos celerados que se achavam em Angico, no momento da refrega, ao todo 42 homens e 7 mulheres. Lá estavam Lampeão e os seus sequazes habituais, que nunca dele se afastavam, Quinta-Feira, Elétrico, Laranjeira, Candieiro, Alecrim, Vila Nova, Quixabeira, Chá Preto e Menino, sobrinho de Lampeão, de 16 anos.

Estavam também os seguintes grupos: o de Luiz Pedro constituído por Moeda, Vinte e Cinco, Cobra Verde, Amoroso, Cruzeiro e Azulão; o de José Sereno, formado por Cajazeira, Marinheiro, Pernambucano e Ponto Fino; o de Balão por Bom Deveras, Mergulhão, Macela e Besouro; o de Criança por Santa Cruz, Colchete, Cuidado; o de Jurity, por Penedo, Borboleta e Mangueira; o de Diferente por Velvel e Beija-Flor; e mais Zabelê, Lavandeira, Pitombeira e Delicado, que costumavam andar sós. As mulheres eram Maria Bonita, amante de Lampeão, Enedina, de Cajazeira, Maria, de Jurity, Bastiana de Moita Braba, Sila, de José Sereno, Dulce, de Criança e Dina, de Delicado.

Cobra Verde

O único cangaceiro relacionado por Cobra Verde que nos parece novidade é o Velvel, (escrito dessa forma no jornal). Este cangaceiro nunca foi mencionado em outras fontes, por isso, me parece plausível que o Luiz de Thereza divulgado na matéria do Jornal de Alagoas do dia 9 de novembro de 1938 com a manchete: Quem era o bandido que não foi identificado no sucesso de Angico, compartilhado por mim a todos os pesquisadores, possa ser esse cangaceiro aqui relacionado por Cobra Verde.

Alerto que a lista dos grupos feita por Cobra Verde pode gerar algumas divergências aos pesquisadores mais atentos.

Cobra Verde, diferente de outros cangaceiros sobreviventes a Angico e que vieram a declarar décadas depois, com divergências, os cangaceiros participantes do evento, não conseguiram fazer uma listagem numerosa. Cobra verde, entretanto, dá essa declaração onde relaciona um maior número de cangaceiros, apenas três meses depois dos fatos de Angico, que culmina com a morte de Lampeão.

Maurício Ettinger identificou o “Não Conhecido” (assim denominado na lista de identificação das cabeças dos cangaceiros na foto da escadaria de Piranhas), como sendo Luiz de Thereza. Será o Velvel o nome de guerra de Luiz de Thereza? Fica aí uma pista, para ser ou não confirmada! Espero que ao compartilhar essas “descobertas” esteja contribuindo para o fim de mais um mistério na história do cangaço. 

Saudações cangaceiras
Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista, Turismólogo, Pesquisador de Cangaço e Ferrovias.

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Filho do cangaceiro Zé Sereno

Por Tercília Teco de Souza

Ivo nasceu no dia 06 de Maio de 1942 e faleceu no dia  22 de Julho de 1981, acidente no “Cais” de Santos onde trabalhava. Casamos em 1968 e tivemos um filho, hoje com 45 anos.


A última foto que nós tiramos juntos poucos meses antes dele falecer. Fui muito feliz. Ele faleceu 5 meses após o falecimento do meu sogro Zé Sereno. Foi muita perda no mesmo ano, mas a vida continua.

Abraço, Geraldo!

Fonte: facebook
Página: Tercilia Teco de Sousapublicou em‎ Geraldo Júnior

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domingo, 8 de junho de 2014

Só enquanto não vem cangaço - O que eles procuram no chão?

Por José Mendes Pereira
Márcio Marinho, Tarcísio Maia, Aureliano Chaves e José Agripino Maia em 1983 - site azougue.com

Você tem ideia o que eles estão  procurando no chão?

Veja que o Dr. Tarcísio Maia o primeiro da esquerda,  ex-governador do Rio Grande do Norte, dá impressão que achou o que perderam, mas não arrisca apanhar. Voltará em outra ocasião. 

Aureliano Chaves que é o da frente ladeado por Tarcísio Maia e José Agripino Maia finge que não está interessado encontrar. Mas se achar, não dividirá com ninguém. E suspirou fundo.

Márcio Marinho preferiu ficar perto das flores, pois se achar o que perderam, fingirá que irá pegar uma flor. 

Já o José Agripino Maia senador do Rio Grande do Norte está apenas cumprindo pauta. Ainda é muito jovem e tem muita vida pela frente. Não irá se preocupar com isso. Muitas e muitas coisas as encontrará na sua longa estrada da vida.

Lá no fundo da foto aparecem dois senhores. Um é civil. E pela pose que faz, ele colocou as mãos para traz para não se misturar com políticos. E se achar o que perderam, apanhará com os próprios pés.

Mas o outro é militar. E ameaça os outros, que se algum deles encontrar e não dividir o achado também com ele, não perdoará, será tangido para o quartel, já que os 4 são políticos, e político é uma conveniência.

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Expedito Nogueira segurando a foto de Zé Saturnino


Este é o Expedito Nogueira e está segurando a foto do seu tio José Saturnino Alves de Barros (Zé Saturnino), o inimigo número (1) de Virgulino Ferreira da Silva, o capitão Lampião.

Matéria da revista de bordo tam nas nuvens. setembro 2013

Fonte: facebook
Página:  Jorge Remígio

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Dioguinho - um criminoso brasileiro que atuava no interior de São Paulo


Diogo da Rocha Figueira (1863 — 1897) foi um criminoso brasileiro atuante no interior de São Paulo no final do século XIX. A ele foram atribuídos mais de 50 assassinatos praticados entre 1894 e 1897. 

Escondido no extremo oeste do estado, foi perseguido por uma força-tarefa do governo, sendo dado como morto em 1897 após um tiroteio com as autoridades, nas margens do Rio Mojiguaçu. O cadáver, no entanto, jamais foi recuperado.


Seus feitos foram exaustivamente explorados pela imprensa da época, sendo posteriormente tema de diversos livros, como Dioguinho, publicado em 1901 por João Rodrigues Guião, Dioguinho, narrativas de um cúmplice de dialecto, publicado em 1903 por Antonio de Godoi Moreira e Costa, e Dioguinho, o matador dos punhos de renda, do jornalista João Garcia, publicado em 2002. Era também uma espécie de cangaceiro !!!!

Fonte: Facebook

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No Angico homenagem da Policia Militar ao soldado Adrião

PM de Alagoas no Angico

Nesta ultima quarta-feira, dia 04 de junho, foi iniciado em Piranhas,Alagoas, a abertura do primeiro Curso de Operações Policiais em área de Caatinga, pela Policia Militar de Alagoas. A tropa foi recebida pelo prefeito de Piranhas Dante Alighieri e realizou, desde o pequeno porto fluvial da bela cidade ribeirinha, o percurso realizado há 76 anos pela volante do Tenente Bezerra.

Os homens da policia militar sob o comando do coronel Lucena e do capitão Winston companhados do prefeito Dante, do pesquisador Jairo de Oliveira, além de equipe;  visitaram a grota do Angico. Onde foi realizada uma homenagem ao Soldado Adrião, componente da volante do Aspirante Francisco Ferreira de Melo, que veio a ser morto, infelizmente, logo no início do combate de Angico naquele julho de 1938. Com a subdivisão da tropa comandada pelo Tenente João Bezerra, para a execução do cerco ao acampamento de Lampião, o grupo liderado pelo Aspirante Ferreira, foi quem primeiro teve contato com os cangaceiros, ao ponto de se verem forçados a dar início a ofensiva. Cessado o combate, constatou-se a morte do soldado Adrião.

Jairo Luiz e prefeito Dante aconpanham a tropa da PM ao Angico


"Depois de 76 anos a Polícia Militar de Alagoas prestar homenagem ao único soldado morto em Angico em 28/07/1938. Gostaríamos de agradecer ao Ten. Cel. Lucena , Cap. Wisnton e ao Prefeito de Piranhas , Dr. Dante, pelo convite feito para acompanhá-los nesta justa homenagem" ressalta Jairo Oliveira.

Nas imediações da Orla de Piranhas soldados da caatinga fizeram uma simulação de uma abordagem onde o condutor de um veículo era suspeito de roubar um carro de passeio. A sena chamou a atenção dos turistas e populares pelo preparo dos policiais na efetivação da abordagem.


A justa homenagem ao Soldado Adrião Pedro de Souza após 76 anos pela Polícia Militar de Alagoas teve no Ten. Cel Lucena - Comandante do Policiamento de Área do Interior I ; Ten. Cel. Alburquerque - Comandante Geral do Grupamento de Polícia do Interior e Capitão Winston - Comandante do Grupamento de Caatinga, os representantes da polícia militar de Alagoas.
Fonte: Prefeitura de Piranhas
Fotos: Marcos Lima

E vem aí...
Cariri Cangaço Piranhas 2014 !
24 a 27 de julho

Semana do Cangaço

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ZÉ DE IAIÁ - UM SERTANEJO QUE PARTIU RUMO AOS SERTÕES DO CÉU

Por Rangel Alves da Costa*

A cena ainda está presente em minha mente. Todas as vezes que eu chegava ao Bar de Naní, lá na terra onde nasci, em Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, encontrava um casal sentado: Dona Iolanda e Seu Zé de Iaiá, pais da comerciante. Moravam nas proximidades, mas gostavam de ficar ali sentadinhos porque defronte para a praça principal da cidade.

Com a idade já avançada, os dois então repousando das lutas travadas durante toda a vida, ficavam ali observando a movimentação, quem passava, quem chegava, ciente de tudo que acontecia ao redor. Mas lúcidos, proseadores, gostando demais de reencontrar amigos para um dedo de prosa e de recordação.

Ela, Dona Iolanda, de família imensa e importante na fundação e povoação do lugar, tendo seu nome já escrito nos anais da história poço-redondense. E ele, Seu Zé de Iaiá, de leito igualmente importante e com uma irmandade que pontua em muitas famílias e no sobrenome de muita gente. A própria história de Poço Redondo, desde o Poço de Cima ao Poço de Baixo.


O amigo Toinho de Lídia gostava sempre de estar ali no barzinho fazendo companhia ao casal sertanejo. Naní num afazer e noutro, quase sem tempo pro proseado, deixava com Toinho o prazer de dialogar com os dois sobre as realidades da vida. E quanto é aprendido quando a porteira do passado é reaberta para que realidades sejam conhecidas. E também sobre o presente, com o aval de quem é sábio por experiência.

E era essa cena que eu encontrava quando chegava por lá. Eu olhava nos olhos de Zé de Iaiá, no seu semblante, nas suas marcas do tempo, e encontrava um imenso livro. E quantas páginas da história de meu lugar, do meu povo, e também a minha história. Eis que também sou Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo.

Seu Zé de Iaiá estava ali, tantas vezes silencioso e pensativo, mas guardando em si muito além que qualquer um pudesse imaginar. Ora, naquele olhar o espelho do tempo, de um passado distante de muita dureza e dificuldade de sobrevivência, avistando tanto sol e pouca chuva. E nos seus pés, mãos e veias, todo o percurso de um lutador sem trégua para preservar a dignidade do nome e de sua família.

Cruzou sertões em busca do pão de cada dia, foi comboeiro, montou em burro brabo, subiu em pau de arara, foi vendedor de farinha, um manejador, do quilo, da penca, do pacote, do saco. Também foi vaqueiro do próprio e pequeno rebanho, encheu suas mãos de espinhos de palma no afã de matar a fome do bicho. E tudo para matar a fome dos seus. E uma filharada imensa, e todas cordiais figuras humanas, grandes e verdadeiros amigos. Do mesmo modo os netos que também já são tantos e alguns já cuidando de aumentar a família.

Eu soube da partida de Seu Zé no domingo, dia 1º, logo cedinho. Não pude viajar à minha terra para a despedida do grande sertanejo e abraçar Dona Iolanda, seus filhos e familiares. Entristecido, fiquei imaginando aquela presença no bar da filha, ao lado da esposa. As recordações foram muitas, de outros tempos e percursos, mas o casal ali sentado não saía do meu pensamento. E para sempre guardarei esse retrato.


Não pude acompanhar a despedida, mas sabia que teria oportunidade de expressar meus sentimentos acerca daquele bom sertanejo. E eis que no meio da semana sua filha Naní me telefona. Mesmo que ela silenciasse no momento, eu já sabia o que era, o que desejava. E então meu coração se encheu de contentamento, pois me foi confiado escrever algumas palavras para a missa de sétimo dia.

E escrevi. Não estas palavras, mas outras, que certamente foram lidas ontem à noite durante a missa em Poço Redondo. Estas surgiram apenas porque recordei aquele retrato: Dona Iolanda e Seu Zé sentados no bar da filha Naní. Que essa moldura permaneça viva na história de Poço Redondo. E que Dona Iolanda continue por muitos anos ao lado dos seus.

Poeta e cronista
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sábado, 7 de junho de 2014

LIVRO CONTA A HISTÓRIA DO TRIO MOSSORÓ


Lançado no dia 6 de maio de 2014, em Mossoró, o livro MINHA HISTÓRIA de Oseas Lopes, Trio Mossoró a Carlos André, conta em detalhes a trajetória dos artistas mossoroenses que mais fizeram sucesso em nível Brasil, na década de 1960. Formado por três irmãos, Oseas Lopes, rebatizado artisticamente de Carlos André, mais Hermelinda e João Batista, o livro tem a apresentação de Raimundo Fagner e o prefácio de Luiz Vieira. Essa primeira edição sai pelo Projeto Rota Batida, da Fundação Vingt-un Rosado, da Coleção Mossoroense, sob o patrocínio da Petrobras, Governo do Rio Grande do Norte, e Cosern. Além da participação de Fagner e Luiz Vieira, o livro traz depoimentos de artistas, produtores e até do jurado José Messias, um dos maiores incentivadores do Trio Mossoró, ainda em início de carreira no Rio de Janeiro.

Trio Mossoró: Oseas, João e Hermelinda
      
O mais interessante na história dos três irmãos desbravadores, é o  início de tudo. Como um simples pintor de carroceria de caminhão, no caso Oseas Lopes, foi descoberto. Ele costumava cantar músicas de Luiz Gonzaga, enquanto pintava frisos nas carrocerias, pois sempre teve uma letra caprichada e elogiada pelos colegas de escola. E todo dia outro jovem como ele, passava a caminho do seu trabalho, uma emissora de rádio, e observava-o cantar. O ano era 1956 e o jovem locutor era o saudoso Canindeh Alves, com apenas vinte anos de idade, que ousou convidar o pintor, que tinha 17 anos, para cantar na festa de primeiro aniversário da Rádio Tapuyo. Oseas espantado com o convite, não entendeu direito, mesmo assim, levou Canindeh até sua casa e, com a permissão do pai, Messias Lopes, cantou para um auditório lotado e nunca mais pintou nada. Ali estava traçado seu destino de cantor, depois tocador de sanfona, compositor, produtor musical, dentre outros, do seu cantor inspirador, Luiz Gonzaga. 


Hermelinda, Oseas e João Batista
       
O livro também conta as tragédias que abateram dois filhos de seu Messias Lopes, primeiro Edson, funcionário da Petrobras, vítima de grave acidente numa plataforma; e Cocota, o maior seresteiro da cidade, assassinado por um menor,às vésperas de viagem para o Rio de Janeiro, onde se uniria aos irmãos e tentaria carreira solo.  

 João Batista, Hermelinda e Oseas

        
Quem quiser saber mais detalhes do sucesso do ritmo forró na região Sudeste, precisa ler a biografia do homem que mudou seu nome artístico para Carlos André, após gravar e estourar o sucesso Se Meu Amor Não Chegar, cujo refrão 'Eu hoje quebro essa mesa, se meu amor não chegar', gravado em 1974, vendeu um total de um milhão de cópias e ainda é executada em emissoras de rádio no Nordeste brasileiro.  
      
No livro, o registro fotográfico do Trio Mossoró, de Carlos André e sua família, amigos e a capa de todos os discos do Trio Mossoró, de sua carreira solo e dos artistas que ele produziu.    
     
O livro pode ser adquirido através do e-mail: 
emuribeka@uol.com.br 
com entrega via Correios ou a domicílio 
para Mossoró.      

http://www.luciarocha.com.br
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Lampião x Baronesa de Água Branca


Como ainda não dispunha de recursos que pudessem sustentar seu pessoal, Lampião mandou pedir certa quantia em dinheiro à Dona Joana Vieira de Siqueira Torres, baronesa de Água Branca, para a compra de provisões. Feita a colaboração, ela jamais seria incomodada novamente, nem por ele nem por qualquer um outro do cangaço; teria mandado dizer-lhe. 


A Senhora de Água Branca – município ao qual pertencia a Vila de Piranhas – entretanto, não atendeu ao seu pedido e, pior: mandou um recado desaforado pelo mesmo portador endereçado àquele que tentou extorquir de suas posses: 

“Diga a seu chefe que o dinheiro que 
tenho é para compra de munição com a qual pretendo arrancar-lhe a cabeça”. 

Depois, para se prevenir, pediu ao Governo da Província que mandasse reforçar a guarda de seu território com uma força policial mais equipada de homens e armas. 

Ao ouvir do mensageiro o recado da Baronesa, Lampião virou-se numa fera bravia, com vontade de esganar. E logo quis dar o troco: mandou comprar algumas redes e as preparou segundo os costumes locais de carregar mortos, onde um madeiro é colocado de um punho a outro, sendo carregado nos ombros por dois homens robustos. Preparou tudo com esmerado cuidado, seus homens vestindo-se como pessoas comuns do lugar, com roupas simples e chapéu de palha, descalços, ou arrastando sandálias leco-leco. Fuzis, punhais e cartucheiras eram carregados no lugar onde deviam estar os mortos, enrolados em panos untados com groselha para aparentar sangue, dentro das ditas redes. Dirigiram-se esses à porta da delegacia de polícia e, aos berros, um dos cabras, disfarçado, gritou para o soldado de plantão: 

“acuda, praça! Mande gente lá para as bandas do povoado da Várzea, que a cabroeira de Lampião está acabando com tudo ali; mataram estes daqui e ainda há mais gente morta aos montes. Ande depressa, homem de Deus!”

O despreparado soldado chamou imediatamente o corneteiro, que tocou reunir. Foi o momento propício para a execução do plano de Lampião: as armas foram retiradas das redes e empunhadas contra o pelotão policial, que já estava perfilado, pronto para sair à procura dos bandidos. Aí, enquanto a polícia era rendida, outra parte do grupo já havia entrado na cidade e agia no saque à casa da Baronesa. 

Irreverente, Lampião foi até ela e, fitando-a com severidade, soltou o vozeirão: 

- Então, Senhora Baronesa, vai arrancar-me a cabeça agora? Venha, vamos dá um volta pela cidade para que vosmecê e todos daqui saibam qui cum o capitão Virgulino não se brinca nem se manda recado desaforado”. 

E fez a respeitável senhora, dona de notório prestígio público, segurar seu braço e andar assim com ele desfilando pela cidade. – (este foi o primeiro de um sem-número de assaltos cometidos pelo bando de Lampião. Aconteceu em 28/06/1922, poucos dias depois que tinha assumido o comando do grupo de Sinhô Pereira, jovem ainda, aos 25 anos de idade).

Lampião - virou mito e a sua fama de herói – ou bandido – é difícil de ser apagada da memória do povo. Continua um vulto que se eleva pela coragem de enfrentar o latifúndio dos “coronéis”, dos donos das cabeças. Borravam-se todos ante a ameaça de Lampião. Este cobrava por suas vidas e aqueles pagavam para continuar vivendo. Viravam coiteiros e de certa forma cúmplices das atrocidades que se vinham cometendo em nome do cangaço por esses sertões afora, numa área de 700 mil quilõmetros quadrados, compreendendo sete estados: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba Rio Grande do Norte e Ceará. Lampião subverteu a ordem das coisas. Latifúndios, (leia-se: “coronéis”, grandes fazendeiros) que durante séculos traziam o povo aos seus pés, pisando-os em cima, de repente viraram covardes, vivendo pela vontade daquele que realmente imprimia respeito e medo: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo “Lampião”, cuja palavra era lei. Ele comandava uma pequena legião de 50 cangaceiros, enfrentando forças policiais cujos contingentes suplantavam a casa de 4.000 soldados em todos os territórios por onde passava.Durante as décadas de 20 e 30 o Cangaço (etnologicamente, gênero de vida levada pelos cangaceiros), correu a ruidoso galope pelas brenhas e caatingas do Sertão nordestino. 

3º da esquerda pra direita com seta vermelha - Padre que batizou Lampião.

Causava espanto e medo entre as às populações sertanejas, onde predominavam, de um lado, a aridez da terra, com suas caatingas brabas, de espinhos e chão esturricado e, do outro, a pobreza e a natureza rude do homem local, este já submetido a cruel sofrimento pelos rigores da seca. Por onde passava o cangaço ia deixando marcas de mortes, numa onda de violência tão brutal que causava desespero, tensão, angústia e medo; as pessoas somente se valendo da proteção de Deus e do “Padim Cirço” para sua salvação.

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