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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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SANTANA: NADA IGUAL AO TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de dezembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.228

Lembramo-nos do intenso movimento bíblico católico do Bairro Camoxinga, em Santana do Ipanema. Tinha como sede, um prédio ajardinado e muito agradável próximo ao Estádio Arnon de Mello e, continua sendo ponto de referência. Destacava-se naquelas ações, o cidadão José Nogueira, com voz cheia, melodiosa e atraente, como um dos cabeças e do êxito do Movimento. Foi ele um dos enfrentantes para construção da igreja do Clima Bom. Clima Bom é um lugar por trás do Bairro Barragem, solo enxuto, alto e arejado pelos ventos que sopram pelo vale do rio Ipanema. Uma ruazinha, duas ou três ruazinhas, muito vazio e algumas casas esporádicas. Popularmente recebeu o degrau de bairro. É ali onde a pobreza mora.

(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Por isso ou por aquilo, a construção da igreja ficou apenas em três paredes erguidas e uma intensa frustração. Abandono total em torno de duas décadas. Há cerca de um ano estivemos no local e batemos uma foto que para nós é obra-prima, mas não sabemos no momento onde encontrar. Continuavam as três paredes em preto sob um sol ricamente ornado para a foto. O senhor José Nogueira estava enfermo e deixamos de apresentar-lhe a fotografia temendo reação negativa na sua saúde. O homem da bela voz faleceu não está com muito tempo, sem conhecer o destino da igreja do Clima Bom.
Lembram-se da crônica “Sua Foto é Valiosa”? Comprovamos agora o que dissemos. Foto enviada para o Face mostrava pessoas da Igreja do Bairro Camoxinga, no movimento católico para homenagear Nossa Senhora da Conceição no último dia 8. Elas nem perceberam ainda, mas a foto de pessoas torna-se histórica para o mundo católico de Santana do Ipanema e particularmente do Clima Bom. Ela mostra no segundo plano, novas paredes com tijolos e vigas, em preto, demonstrando que as obras foram retomadas, após tantos anos. Viram como sua foto é valiosa? E o melhor, muito bem tirada, parecendo serviço de profissional. 8.12.1919.  Ficamos felizes pela retomada da construção. Quanto vale um pesquisador? Infelizmente não temos o autor da foto.
NADA IGUAL AO TEMPO.


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O VELHO MESTRE

*Rangel Alves da Costa

Que este meu olhar, que certamente será meu último olhar, tenha conseguido avistar o que de belo no mundo ainda há, pois entre sombras e névoas, a esperança reside em ao menos imaginar o que teria valido se pudesse ser visto. Assim disse o velho mestre.
Que estas palavras desfolhadas agora, que foram minhas últimas palavras, ecoem pelos portais dos tempos e repousem perante aqueles que ainda tenham olhos para ver e ouvidos para ouvir a verdade da vida. Disse o velho mestre ao seu discípulo, antes de ter as pálpebras fechadas para a eternidade.
Dois dias e duas noites em cima da montanha. O jovem discípulo saciando a fome e a sede nas palavras do velho amigo, e este, o mestre, se alimentando apenas da vontade em realizar seu último esforço sobre a terra: deixar, através de palavras, uma carta a todos aqueles que estivessem nos arredores e muito além da montanha. Todos os povos do mundo.
Da memória do velho não cuidou seu discípulo, não coube a este, ao modo dos aprendizes gregos da filosofia, guardar na mente as palavras e repassá-las para a posteridade, mas sim à própria natureza. Folhas ao vento, as pedras espalhadas no cume, a própria ventania que passava recolhendo o perfume, além do invisível papiro do tempo, foram os instrumentos onde as palavras foram inscritas e espalhadas pela vida afora, chegando aos tempos de hoje.
Eis as palavras do velho mestre, lições de antigamente, mas que ainda ecoam como se direcionadas às realidades eternas, de ontem, hoje e até amanhã. E assim está escrito por todo lugar:
“Meu olhar vai muito além do horizonte e de mais adiante, alcançando o primeiro grão de areia da primeira estrada de tudo. Lá, onde tudo começou, eu estava. E o que sou agora é também o que já fui desde aquele primeiro passo. Eis que sou fruto de seres que são frutos de outros seres, desde o que sou e serei ao primeiro; desde o que sou ao que foi o meu pai e todos aqueles que antes dele vieram.


Por isso tenho nome e sobrenome que não dizem nada. Tudo falso e tudo ilusão, pois talvez o homem seja esquecido se o seu nome não for lembrado. Por isso que meu nome é sangue, é raiz, é linhagem, é ancestral, é hereditariedade, é passado. Ninguém pode tirar do ser aquilo que está na sua alma, no seu espírito, na sua ancestralidade. Por consequência, a morte jamais será fim de alguém. E ninguém morreu desde aquele primeiro passo naquele primeiro grão de areia.
Então, que digam ao homem que ele faz parte de família maior do que poderia imaginar. Digam ao homem que sou seu sangue, vim da mesma raiz, que sou seu irmão, que viemos do mesmo lar um dia aumentado com a chegada de tantos outros irmãos. E muitos ainda virão. Digam ao homem que assim como sou seu irmão, aquele outro desconhecido também o é. O rico e o pobre são seus irmãos, o sadio e o enfermo também, todos, igualitária e indistintamente.
E creio não ser da normalidade humana, de seres que pensam, raciocinam, sabem distinguir o bem e o mal, a verdade e a mentira, e tudo o mais que os diferencia dos irracionais e loucos, o desconhecimento e a desvalorização do seu irmão. E são tantos e são todos irmãos. Irmãos desde aquele primeiro grão no primeiro passo, e que continuam unidos pelos laços da hereditariedade no tempo e do parentesco vindo daquele primeiro pai.
Vai de encontro à vida, ao sentido da existência, que o menosprezo ao próximo, e que é seu irmão, tantas vezes se transforme em ódio, em ameaça, em violência. Quando um irmão tira sangue de outro está derramando o sangue de si mesmo, do próprio corpo. Quando um irmão quer ou tenta destruir o outro, estará fazendo desabar sobre si o seu próprio castelo. E quantos egoísmos, vaidades, arrogâncias, brutalidades, situações que sempre acabam fazendo o caminho inverso. Ao erguer a mão implorando ajuda, os outros irmãos temerão, por medo, qualquer aproximação.
Mas eis a força do tempo e das transformações. Haverá o dia do desconhecimento, do esquecimento, mas também chegarão os tempos do arrependimento e da remissão. E aquele que olha pra trás e consegue enxergar sua casa e sua família naquele tempo primeiro, também conseguirá avistar todos os seus irmãos ao redor. E jamais viverá na solidão ou no sofrimento”.
Assim falou o velho mestre. Ao menos assim é que ainda ouço ecoando no vento.

Escritor
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TRIBUTO À "NAZARENA" MABEL NOGUEIRA.


Por Geraldo Júnior

Minha amiga querida você se foi tão de repente e não deu tempo sequer de nos despedirmos, mas não tenho dúvidas de que um dia nos encontraremos na eternidade e veremos que aquilo que vivenciamos nessa vida não passou de um aprendizado para evoluirmos.

Tenho um carinho e uma dívida enorme de gratidão com você e por mais que eu me esforce jamais conseguirei pagar. A história do cangaço e em especial a história de Nazaré do Pico (Pernambuco) e de sua gente também possui uma dívida impagável por conta de seus esforços na tentativa de resgatar e colocar os personagens históricos de Nazaré no devido local de destaque que merecem. Levarei nossos projetos adiante e só descansarei quando ver tudo aquilo que você desejou sendo realizado. Uma questão de honra para mim.

Obrigado por tudo, Por seus gestos de carinho, por sua amizade e por toda a colaboração que deu para meus trabalhos relacionados com o tema cangaço.

Você está fazendo muita falta.

Descanse em paz minha querida e que Deus a tenha em um excelente lugar, conforme você merece. Até um dia.

Seu amigo "chato"...
Geraldo Antônio de Souza Júnior


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UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO


01- A frente da Igreja

A Igreja de Nossa Senhora de Piedade construida no século XVIII no município de Aracati, construda em um lugar ermo, antes rota de passagens das chaqueadas, contar a história da colonização portuguesa no Ceará, localizada 170 km de Fortaleza. 

02- Cemitério

A capela de Nossa Senhora da Piedade no distrito de Mata Fresca, segundo o IPHAN é uma das igrejas mais antigas da região, escavações arqueológicas foram feitas no local, encontram ossadas humanas, indica um cemitério ao lado. 

03-antigo reboco da igreja

O primeiro registro da igreja é datado de 1631, no livro de registro da diocesse de Limoeiro do Norte-CE, vários materiais foram encontrados com os arqueólogos, com a remoção do reboco encontraram duas janelas, uma construção do período colonial, atualmente esse patrimônio histórico pertence a empresa Brazil Melon, seu diretor presidente Dr Vieira preserva com responsabilidade e respeito a história do Brasil colônia.

04- Dr jarbas Carvalho, Dr Vieira e Giovane Gomes.

Fazenda Palmares - Aracati-CE.
Fotos: 01- A frente da Igreja, 02- Cemitério, 03-antigo reboco da igreja, 04- Dr jarbas Carvalho, Dr Vieira e Giovane Gomes.


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A PRIMEIRA GRANDE VITÓRIA DE LAMPIÃO.

Por João Filho de P. Pessoa

Em 1926, em Serra Grande-Pe., Lampião com a média de 80 cangaceiros lutou contra 350 soldados de três volantes juntas. Atraiu os “Macacos” para uma grande emboscada mediante o sequestro de um funcionário da Esso exigindo assim alto resgate, com isto todos os soldados da região se dirigiram à captura de Lampião guiados pelo melhor rastejador do local, Ângelo Caboclo, que ao se aproximar do local em que os cangaceiros se escondiam, juntou uma pista no chão, olhou para seu comandante e disse “eu estou morto” levando um tiro na mesma hora, começando em seguída uma chuva de balas, um tiroteio medonho, as volantes se viram cercadas e encurraladas em terrível desespero pela vida, enquanto os cangaceiros atiravam sem dó, cantando, dançando, gritando, aboiando tristes e longas melodias, vários soldados fugiram covardemente, mais de 10 morreram e tantos outros ficaram feridos, inclusive o Ten. Manoel Neto com três tiros nas pernas, num combate de 8 horas, média de 5.000 tiros, sem nenhuma baixa cangaceira. Restando vitorioso Lampião e seu bando. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 08/10/2019.


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SÍLVIO SANTOS ESTÁ ANIVERSARIANDO HOJE!

 Por José Mendes Pereira
Sílvio Santos. Foto do acervo do Edvaldo Morais

Os domingos à noite sem Sílvio Santos não é domingo. O homem nasceu no meio da pobreza e mesmo assim, soube construir o seu império. 

Parabéns, Sílvio Santos!

DE CAMELÔ A BILIONÁRIO, CONHEÇA TRAJETÓRIA DE SILVIO SANTOS

Empresário mais carismático do Brasil construiu um império usando a TV para divulgar seus empreendimentos.

Qual brasileiro nunca ouviu falar de Silvio Santos? 

Um dos rostos mais conhecidos do país, o carismático apresentador é tão popular que já esteve prestes a se candidatar à presidência. A simpatia, no entanto, está longe de ser o único trunfo de um dos homens mais ricos do Brasil. 

Por trás do sorriso que alegra as tardes de domingo de milhões de brasileiros está um dos mais talentosos empreendedores da história do país, que soube, como poucos, explorar o potencial da economia popular e dos meios de comunicação de massa para criar um império empresarial que vai muito além do SBT. 

(...)  

Acompanhe um pouco a sua biografia aqui:


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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

CURIOSIDADES POR SÍLVIO BULHÕES



VÍDEO...Curiosidades por Sílvio Bulhões. (filho do casal de cangaceiros, Dadá e Corisco). Bulhões fala sobre a descendência de Dadá, o roubo de dadá por Corisco e o termo 'cangaceiro'.


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Livro "Lampião a Raposa das Caatingas"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
franpelima@bol.com.br
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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RÉVEILLON: ALAGOAS RECEBE O MUNDO

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de dezembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.227

Mais uma vez Alagoas sai na frente diante do Brasil inteiro como destino mais procurado para o fim de ano. Isso quer dizer que o estado bateu Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, ficando no topo das dez cidades mais procuradas para o Ano Novo. Dois milhões de turistas são aguardados e lotarão mais de 90% dos hotéis, dizem notícias sobre o assunto. Em Alagoas ganha força: Maceió, Maragogi e São Miguel dos Milagres para quem deseja ir para o Norte; e Barra de São Miguel, destino Sul. Todas têm praias belíssimas, entre tantas outras que encantam os nativos e os de fora. Outros destinos dentro do estado também recebem turistas como os cânions do São Francisco, Delmiro Gouveia, Piranhas, Traipu e Penedo.

PRAIA DE PAJUÇARA. (FOTO: B. CHAGAS/R. GEOGRAFIA DE ALAGOAS).

Não só brasileiros de todas as Cinco Regiões estarão presentes em Alagoas, mas também argentinos, chilenos, e portugueses, falam notícias dos entendidos. Apesar de atrações por todos os lugares e manchas de óleo que afetaram praias do estado, Maceió e Maragogi deverão ser os destinos mais procurados. Inúmeros turistas não chegam somente para o Ano Novo, mas complementam até com semanas suas incursões por essas bandas. As praias são conhecidas como as mais belas do Brasil, mas não só de praias vive o turismo alagoano. Entretanto, a orla de Maceió estar preparada tanto em beleza quanto em atrações culturais. Quem anda pelo Comércio sente a movimentação incomum de invasões benfazejas.
Quanto às manchas de óleo que invadiram alguns pontos do nosso litoral, praticamente desapareceram e o banho de mar não encontra problemas nas praias de Maceió. Entretanto, a movimentação alagoana, funciona em duas mãos. Muitos são também os que deixam a capital e se dirigem aos interiores procurando suas raízes, longe do foguetório da orla. Destinos do Sertão, Agreste, Alto Sertão, Zona da Mata, Sertão do São Francisco e Foz, movimentam a rodoviária e o grande número de transportes alternativos.
Nem tudo são flores, mas...
Alagoas espera por você.

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DAS HISTÓRIAS DO MEU LUGAR

*Rangel Alves da Costa

Poço Redondo, meu sertão querido, o seu álbum e suas molduras ainda vivem em mim como imagens eternizadas no coração. Por isso tanto me lembro, tanto recordo, tanto busco nas nostalgias suas feições mais singelas.
Ainda me lembro da tábua de pirulitos de mel de Dona Luisinha, do arroz-doce de Baíta ao entardecer, de Maria do Piau aparecendo na esquina com sua piaba salgada em cesto na cabeça. Mãeta em sua calçada dando a benção a quem passasse e pedisse a proteção. Seu João Retratista chegando de Pão de Açúcar e armando seu tripé perante aquele que desejasse uma fotografia como recordação. 
Nas proximidades da Festa de Agosto, Manezinho Tem-tem, famoso engraxate daqueles idos, atravessava o rio para fazer verdadeiros milagres em sapatos tortos, tronchos, de muito caminho andado. Delino vendendo banana, Delino com o seu bar, e das três portas adentro o forró comendo no centro.
Certa feita, num dia de forró de Festa de Agosto, Heraldo Carvalho da Serra Negra entrou pelas portas do bar com cavalo e tudo. Quem reclamava? Quantos sanfoneiros bons já animaram aquele passado poço-redondense: Zé Aleixo, Zé Goití, Dudu, Agenor da Barra, Dida e tantos outros. Zelito era a voz do forró de Zé Aleixo. Miltinho abria as portas de seu bar para resgatar aquele forró pé-de-serra que já descambava para o esquecimento.
Camisa chique de volta-ao-mundo, calça boca-de-sino, brilhantina no cabelo e nos bolsos um pente e um espelhinho ovalado. Ali na Praça da Matriz, bem defronte à casa de Tia Cordélia, a marinete de Seu Vavá parando depois de mais de cinco horas de viagem por estrada de chão, e todo o sacrifício para chegar ao sertão. E, tantas vezes, para fazer retornar sertanejos depois de uma estadia no sul.
Gente passando menos de ano pelo Rio de Janeiro e São Paulo e logo chegando com falar diferente, num carioquês ou paulistês desavergonhado que só. Trazia sempre uma radiola e discos de Maurício Reis, Odair José e Fernando Mendes. Depois era uma farra, mas só até o dinheiro ir minguando e o sertanejo se virar como podia para se manter. Tudo isso ainda possui presença forte na minha memória.


As calçadas do entardecer tomadas pelas senhoras e suas almofadas de renda de bilros. Araci, Maria de Iaiá, Dom, Clotilde, uma irmandade que era só maestria no tracejar dos bilros fazendo encantamentos sobre as marcações das almofadas. No barraco de Zé de Lola a pinga boa. Não havia quem não se encantasse com o doce de leite de bolas do Bar de Noélia. Também local onde a vaqueirama se juntava para a farra e o aboio.
Quando Zé Ferreira, Ademor e tantos outros chegavam por ali, então tudo parecia cheirando a terra e a gado, mas principalmente a aboio e toada, e tudo em meio a uma cervejada sem fim. Pelas ruas, o que sempre há em toda cidade interiorana: os doidos, desajuizados, ou aluados, como melhor se dizia. Zé Gabão, Expedito e até Tonho Bioto, quando a lua desandava o seu juízo. Tonho Doido e Nalvinha viviam na paz de seus poucos juízos, sendo amigos de todo mundo.
Pano de roupa de festa, florido, bonito, tudo era encontrado com a irmandade Izabel Marques, Mãezinha e Conceição. Uma vez por ano, eis que a cidade parecia ser outra. Além da roupa nova para a Festa de Agosto, também as fachadas das casas recebiam pintura nova. Nas calçadas, por riba de cadeiras, colchas e panos rendados ao sol. Também uma forma de mostrar as posses daquela família.
Um dia inesquecível foi a chegada da televisão na cidade. O colorido era apenas numa tela de plástico de diversas cores colocada sobre o chuvisquento preto e branco. Parecia coisa do outro mundo! Mas nada igual ao Cassimicoco de Julinho e as serenatas ao som da sanfona de Zé Goiti pelas noites enluaradas da cidade. Já perto da meia-noite a Praça do Cruzeiro parecia só de Alcino. Chegava com sua radiola e discos sertanejos e então deixava se embriagar pela lua e as estrelas de seu sertão.
Poço Redondo era um mundo assim, de viver singelo e pacato, mas de uma grandiosidade sem fim. Aquela Rua dos Vaqueiros e suas porteiras agora saudosas dos grandes homens: Abdias, Tião de Sinhá, Mané Cante, Bastião Joaquim e tantos outros. Chico de Celina ora passava esquipando em cavalo bom ora passava tangendo um carro-de-bois. Mariá juntava uma trouxa grande e seguia com as muitas roupas em direção às pedras do riachinho.
Maninho chegava junto pé do balcão e pedia uma relepada boa, não demorava muito e já estava esfuziante: “Ora, pois, pois...”. Dizia sem nada reclamar da vida. Nos anos 70, a inauguração da energia elétrica fez a noite virar dia. Galinhas, pintos e galos, confundidos com o clarão, desceram de seus poleiros e tomaram a cidade inteira, dividindo as ruas com as pessoas maravilhadas.
E eu aqui apenas com muita saudade, tendo que me contentar em abrir aqueles velhos baús para reencontrar o doce e nostálgico passado de Poço Redondo.

Escritor
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O SERTÃO DE ANTONINO PEREGRINO POR:BRUNO PAULINO

o
Muito já se escreveu sobre Antônio Conselheiro, o personagem central e emblemático da Guerra de Canudos – episódio dos mais sangrentos da história do Brasil. Durante muito tempo, como asseverou o grande pesquisador José Calassans, o peregrino ficou preso com a pencha de fanático - “gnóstico bronco” ou “grande homem pelo avesso” - na “gaiola de ouro” que lhe colou Euclides da Cunha, no clássico maior de nossas letras, Os Sertões, de 1902.

Com o passar do tempo, sobretudo, após a década de 50 do século passado, vários de seus biógrafos fugindo a leitura euclidiana trouxeram à luz dos fatos, um Conselheiro de boa paz, manso, humilde, quase um ermitão, após a edificação da cidade santa do Belo Monte - que num massacre hediondo viria a ser completamente destruída pelo exercito brasileiro. Agora já se sabe que o beato era versado em boas leituras, escrevia razoavelmente bem, citava filósofos e transcrevia uma bíblia para uso próprio. Era um homem “biblado”, como definiu o professor Pedro Lima Vasconcelos, importante pesquisador do tema.

Foi partindo dessa forma outra de narrar à saga de Antônio Conselheiro, com um olhar distante da “gaiola de ouro” euclidiana e com uma prosa poética muito particular – embebido dos universos estéticos de Guimarães Rosa e Manoel de Barros – que Osvaldo Costa escreveu o romance infanto-juvenil Antonino Peregrino. Um texto potente, enriquecido pelas vivas ilustrações da talentosa Luci Sacoleira. O sertão bonito pintado em cores, mesmo quando seco e sem vida. O resultado é um livro daqueles que a gente tem vontade de morar dentro.

Osvaldo Costa e Luci Sacoleira

Osvaldo Costa souber manter com maestria na obra o equilíbrio entre o caráter histórico e a ficção. É um livro para todos – gente pequena e gente grande. Para os que nada sabem sobre o Conselheiro, para quem o pesquisa de muito tempo; e, claro, para quem quer apenas encontrar boa literatura. Tudo isso sem cair na armadilha ardilosa do sentimentalismo, na imagem idealizada, devocional que muitos caem quando se propõem a tal empreitada.

Antonino Peregrino é narrado em primeira pessoa. É o Conselheiro que se conta através da escrita quase mediúnica do autor. “Minha chegança se deu no sertão, no pedaço de um campo maior, chamado de Quixeramobim. Lá a cor do mundo se derrama diferente, o sol grita luz e as sombras das árvores são afagos que a natureza faz nas gentes”. É assim, como um afago por entre ruinas, que Antonino nos convida a viajar nas páginas de sua história, para junto dele reconstruir a peregrinação de suas dores, dramas e sonhos – a grande utopia revolucionaria do Nordeste – que ainda hoje teima em viver, porque também é a utopia de muitos, coletiva e plural.

Com engenho, como num convite a calçar as alpercatas, o autor nos faz penetrar no mundo interior de Antonino, e segui-lo na sua peregrinação tanto física quanto espiritual partindo de Quixeramobim até os dias finais no Belo Monte: suas dúvidas, alegrias, decepções, temores e esperanças.Antonino Peregrino é, por fim, um livro sobre o existir e o lutar no sertão. Resistência!

Bruno Paulino, poeta e escritor.
09 de Dezembro de 2019 - Quixeramobim, Ceará
Cariri Cangaço
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TODAS AS REDES QUE O CARIRI CANGAÇO PROPORCIONOU AO LONGO DO TEMPO POR:GUERHANSBERGER TAYLLOW

Filósofa argentina Esther Díaz e Guerhansberger Tayllow

Escrever para este blog é sempre um exercício de memória: rememoro os primeiros passos, os primeiros eventos e todas as redes que o Cariri Cangaço proporcionou. Sempre acreditei na possibilidade do diálogo entre a universidade e as produções que são desenvolvidas cotidianamente para além de seus muros. Nessas produções encontrei amigos, afetos e espaços. Sonhei desde o primeiro dia na possibilidade da criação, de entregar algo assinado por mim, mas que ao mesmo tempo estivesse em conexão com outros. Foi assim que surgiu meu primeiro livro, através do encontro com o Cariri Cangaço e as orientações recebidas enquanto aluno do curso de História na UFCG/Cajazeiras.

É verdade que também contei com a sorte, pois em Cajazeiras vive um dos maiores livreiros sobre o cangaço. Trata-se do professor Pereira; Conselheiro Cariri Cangaço; homem digno, sábio e de espírito iluminador. Conversar com Pereira, sentí o clima do seu livreiro sempre foi um disparate de estímulo. Para quem gosta desse universo a companhia de Pereira é um acontecimento, momento de leitura de muitas páginas. Daí surgiram as primeiras indicações de livros, direcionamentos que me encaminhavam para a realização de projetos. Sou muito grato ao amigo e professor Pereira, obrigado!

No decorrer do tempo fui afunilando minhas reflexões em torno do cangaceiro paraibano Chico Pereira. Enquanto muitos estavam interessados na verdade histórica sobre o personagem, percebi que essa “verdade” biográfica foi construída por meio de múltiplos interesses em redes de memórias. A medida que dissecava as redes memorialísticas do passado  em torno de Chico Pereira, costurava outras no presente com pessoas incríveis. Em Nazarezinho (terra de Chico Pereira)  conheci Iris Mendes, mulher militante nas causas culturais e de um coração encantador. Iris é sertaneja que, assim como Jarda, sabe  soletrar a mensagem do perdão e do amor que o padre Pereira deixou em sua construção narrativa sobre seu pai cangaceiro.  Iris, muito mais do que amiga tornou-se uma irmã.

Guerhansberger Tayllow recebe o Diploma do Cariri Cangaço durante o Cariri Cangaço na cidade de Lastro, Paraíba. 
o
Nesse mesmo momento tive a oportunidade de conhecer e estabelece amizade com o professor e escritor José Romero, que já não está entre nós, mas que nunca deixou de fazer presença nos meus escritos e nas minhas lembranças. Romero nunca se recusou em ajudar foi um dos grandes divulgadores dos meus escritos. Obrigado eterno amigo!

Vejam só quantas redes costurei. Na verdade, muitos e muitas que fazem parte dos eventos do Cariri Cangaço me ajudaram de alguma forma. Esse é o lado humano e corpóreo da pesquisa, atravessado por afetos e recordações. Não por acaso o resultado foi um livro plural desde o título: Nas redes das memórias: as múltiplas faces do cangaceiro Chico Pereira até as ultimas páginas que inconformadas com essa condição, isto é, de serem as últimas, apontaram para  novos caminhos, outros territórios.


Agora venho oferecer ao olhar crítico do leitor meu mais novo livro VIRGULINO  CARTOGRAFADO:  RELAÇÕES  DE  PODER  E TERRITORIALIZAÇÕES  DO  CANGACEIRO  LAMPIÃO. O  mesmo foi fruto  de uma pesquisa de mestrado pela qual busquei lançar reflexões sobre a primeira fase do cangaço lampiônico (1920-1928) através de conceitos espacias (como espaço e território). Espero ter conseguido lançar novas interpretações, tarefa difícil dada a quantidade de trabalhos sobre a vida do cangaceiro Lampião. Trata-se de uma conversa criativa  entre um jovem historiador com geógrafos, antropólogos e filósofos já consagrados. É um livro que não tem medo de dialogar, argumentar,  entra e sair de territórios. A tese principal é que Lampião viveu e constituiu uma multiterritorialidade. É um trabalho inspirado por autores do pensamento nômade, que em sua feitoria possibilitou o nomadismo profissional do próprio autor. É um escrito de vida diante de tantos eventos de morte. Isso porque minha vida está diretamente relacionada com os meus estudos. Foi nesse universo que encontrei amigos, respeito, admiração e conhecimento.

Guerhansberger Tayllow
Pesquiador e escritor do Cariri Cangaço
La Rioja, Argentina, 28 de novembro de 2019.

CARIRI CANGAÇO HOMENAGEIA CANGAÇO OVERDRIVE DO ROTEIRISTA ZÉ WELLINGTON



Zé Wellington e Manoel Severo

Já há muito tempo conhecia o trabalho e o talento de Zé Wellington, depois esse talento acabou chegando ainda mais próximo através de minha filha; Manoela Barbosa, estudante do curso de Sistemas e Mídias Digitais na Universidade Federal do Ceará; uma apaixonada por todas as manifestações de mídia; imagem, comunicação, literatura, enfim. Certo dia Manoela me abordou e perguntou: "Pai você já viu o novo e espetacular gibi, Cangaço Overdrive do Zé Wellington?" Na verdade Manoela já era fã incondicional de um dos maiores roteiristas de quadrinhos do Brasil...

"Cangaço Overdrive" é a mais nova e festejada obra desse cearense de Sobral, nascido em 1984, José Wellington Alves Granjeiro Filho. Administrador, escritor e roteirista de história em quadrinho, Zé Wellington já vem se destacando há algum tempo no universo dos gibis de vanguarda. Foi indicado dois anos consecutivos ao Troféu HQMIX na categoria "Novos Talentos", nos anos de 2015 e 2016 tendo sido vencedor no ano de 2016 e com seu trabalho Cangaço Overdrive foi indicado para o Prêmio Jabuti 2019.

O cordel se une à batalhas cibernéticas no universo futurista para trazer a obra cyberpunk genuinamente nordestino em quadrinhos, Cangaço Overdrive justamente com o roteiro de Zé Wellington, que já havia produzido; Quem Matou João Ninguém? e Steampunk Ladies: Vingança a vapor; os desenhos são de Walter Geovani (Red SonjaSala Imaculada) e Luiz Carlos B. Freitas e cores ficaram a cargo de Dika Araújo (Quimera) e Tiago Barsa (The few and the cursed). 

Se nas terras áridas das caatingas sertanejas os protagonistas principais  eram Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião e Maria Bonita, nas ousadas e inéditas páginas de Cangaço Overdrive o principal personagem é Capitão Cotiara seguido de sua amada Flor de Lis. O cenário do cangaço real se passa no sertão dos sete estados nordestinos, já o cyberpunk se passa no nosso Ceará, num futuro próximo e num cenário de seca das mais terríveis, onde vão se enfrentar novamente os lendários cangaceiros e os coronéis do futuro, representados pelos grandes conglomerados empresariais. 

"O cangaço é um destes exemplos que chegam a ser paradoxais. A partir de uma história de deslocamento, imaginando um cangaceiro reanimado num futuro distópico, Cangaço Overdrive quer mostrar como o contraste social pode também tornar frágeis os limites entre bem e mal. Como dizia Chico Science: o medo dá origem ao mal" revela Zé Wellington ao portal judao.com e continua o portal, o Nordeste possibilitou alguns paralelos interessantes. Por exemplo, qual é o cenário comum das histórias cyberpunks? Cidades sem vida e interesses das grandes corporações sobrepujando interesses sociais, com ricos muito ricos e pobres em situação de extrema pobreza. E conclui Zé Wellington “veja só, foi num cenário parecido com esse que surgiu o cangaço, no século XIX. O produto final é um legítimo cyberpunk, mas sem perder a regionalidade. Os cangaceiros, um dos assuntos preferidos dos cordelistas, viviam em seu próprio mundo pós-apocalíptico — e aí eu penso agora que esse apocalipse começou para o Nordeste quando o Brasil foi descoberto, a luta de classes que representa o PUNK do cyberpunk possibilitou alguma relações interessantes com o banditismo social".

 Zé Wellington recebe Comenda do Cariri Cangaço das mãos de Manoel Severo
O Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo confirma, "para nós que fazemos o Cariri Cangaço foi uma grande honra poder homenagear na noite de hoje o talento, a arte, e principalmente a determinação e perseverança deste que sem dúvidas é um dos maiores roteiristas de quadrinhos do Brasil, Zé Wellington Filho". Em suas palavras o festejado roteirista confessa: "A honra é inteiramente nossa, sua fã do Cariri Cangaço e do trabalho do Severo há muito tempo e quis o destino que hoje nos encontrássemos nessa noite muito importante para mim"encerra Zé Wellington.

Por fim mais um trecho da entrevista de Zé Wellington ao portal judao.com de Thiago Cardim: "Mesmo depois de ler romances como Grande Sertão: VeredasVidas Secas e Os Sertões, ainda sentia um certo formalismo na minha escrita: ainda parecia um cyberpunk escrito fora do país, dai dei de frente com alguns experimentos do cordelista e quadrinista Klévisson Viana, entre eles adaptações de cordéis clássicos para quadrinhos, respeitando integralmente o texto original. Funcionava muito bem. Já havia na história uma personagem no futuro que tinha uma forte relação com a cultura popular e pensei: e se ela fosse a narradora da história e o fizesse como cordel?" E assim nasceu Cangaço Overdrive. 

Por Manoel Severo
Homenagem a Zé Wellington e Cangaço Overdrive
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29 de Novembro de 2019