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sexta-feira, 29 de maio de 2020

COMO FOI O ASSALTO AO TREM PAGADOR?


Donald Biggs

Um dos roubos mais espetaculares da história aconteceu no dia 8 de agosto de 1963 e envolveu 16 pessoas no condado de Buckinghamshire, Inglaterra. Na ação o bando levou de um trem postal a espetacular quantia de 2 631 784 libras esterlinas em notas miúdas.

Duas conhecidas gangues de Londres, a South West e a South East ("Sudoeste" e "Sudeste", em português) juntaram suas forças para pôr o crime em prática. Entre os bandidos, estavam um antiquário, um renomado cabeleireiro londrino, um ex-boxeador dono de uma boate e o dono de uma pequena editora. E, claro, o carpinteiro Ronald Biggs que se tornou mundialmente famoso por ter se refugiado no Brasil.

Os ladrões descobriram que um trem do correio recolhia os depósitos de bancos da Escócia e os levava para a capital inglesa. Eles estudaram a rota e os horários da locomotiva, além de escolher a dedo a data do crime: o dia seguinte a um feriado bancário, quando o trem carregaria os depósitos de dois dias.

Por volta das 3 e meia da manhã o trem passava por uma região conhecida como Sears Crossing. Lá havia uma sinaleira que, ao acender uma lanterna de cor âmbar, indicava parada obrigatória cerca de 1 quilômetro adiante nos trilhos - os ladrões simularam a luz de alerta e tomaram de assalto o trem (veja infográfico).

O maquinista foi obrigado a levá-los à próxima estação, onde foi descarregado o dinheiro. Acuado pela ação da polícia, o grupo abandonou às pressas o esconderijo, contratando um comparsa para limpar os rastros. No entanto, o faxineiro se limitou a surrupiar metade da dinheirama. Detalhe: o traidor nunca foi localizado pela polícia. A Scotland Yard descobriu impressões digitais nos quatro cantos da casa, o que facilitou a identificação dos assaltantes.

Menos de um mês depois a maior parte da gangue já freqüentava a fila do bandejão do presídio mais seguro da Inglaterra. Depois de passar quase dois anos encarcerado, em 8 de julho de 1965, o ex-carpinteiro Biggs, corrompendo funcionários da penitenciária, conseguiu escapar da prisão. Depois da fuga, viveu na Austrália por três anos. Com medo de ser reconhecido, escapou para o Panamá e voou, em 1970, para o Rio de Janeiro. 

Ronald Biggs e seu filho que era do Balão Mágico do Brasil Michael Biggs

"Meu pai já não tinha mais um centavo, pois havia gastado tudo fugindo pelo mundo", diz Michael Biggs, o Mike, que também virou celebridade ao integrar, na década de 80, a banda infantil Turma do Balão Mágico. Mike, filho de Ronald com a dançarina Raimunda de Castro, foi quem salvou o pai das garras da polícia britânica.


Pela lei, nenhum estrangeiro pode ser extraditado se tiver um filho com uma pessoa de nacionalidade brasileira. 
Depois de viver por mais de 30 anos no Brasil, Biggs decidiu se entregar às autoridades britânicas em maio de 2001.

Lá, foi para a prisão de Belmarsh, de segurança máxima, em Londres, e cumpre 55 anos de pena. "Aqui na Inglaterra, não há prescrição de crime", afirma Mike Biggs. "Mas meu pai, desde que se entregou, teve um terceiro derrame, não fala mais e anda com dificuldade. Estamos recorrendo nos tribunais europeus de direitos humanos pois, da forma como ele está sendo tratado, ele é um prisioneiro político." Que participou de um assalto de nada menos que 220 milhões de reais...

Michael Biggs, Simoni,... e Jaizinho filho de Jair Rodrigues - Turma do Balão Mágico.

 Do roubo à roubada

1 - Depois de parar o trem postal com um sinal falso no meio da madrugada, os bandidos dão uma paulada na cabeça do maquinista Jack Mills.

2 - Sangrando muito, Jack é obrigado pela quadrilha a conduzir o trem até uma estação próxima, onde mais bandidos aguardavam o dinheiro.

3 - Os ladrões descarregam os 120 sacos de dinheiro e os levam para uma fazenda a 40 quilômetros do local do roubo.

4 - A alegria no esconderijo durou pouco: eles fugiram, mas deixaram digitais em tudo (até em peças de Banco Imobiliário), o que facilitou o trabalho da polícia.


Este site não está mais abrindo. É provável que o autor excluiu.

9 ANOS DO ENCONTRO CANGACEIRO COM O CINEASTA DE FORTALEZA ADERBAL NOGUEIRA E COM O FUNDADOR DA SBEC - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO PAULO MEDEIROS GASTÃO


Por José Mendes Pereira
Paulo Gastão, Manoel Severo, Lemuel Rodrigues e Aderbal Nogueira

Terça-feira, 31 de dezembro de 2011 pela manhã fui convidado através de telefone pelo fundador da SBEC - Socidedade Brasileira de Estudos do Cangaço, o Dr. Paulo Medeiros Gastão (já falecido) para eu conhecer de Fortaleza o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira, que se encontrava hospedado no Hotel Thermas de Mossoró. Às 3:30 hs eu já me encontrava lá, e fui muito bem recebido pelo o Aderbal que se encontrava em seu apartamento, mas assim que a recepcionista comunicou-lhe a minha presença no hotel, de imediato ele desceu e veio me receber;  um homem simples, e foi a primeira vez que eu o vi pessoalmente. Ao lado das piscinas permanecemos conversando sobre o cangaço, e meia hora depois, o Dr. Paulo Gastão chegou.

A família Duarte foi relatada na palestra porque Manoel Duarte Ferreira da Silva segundo a literatura diz que ele foi o homem que baleou  o cangaceiro Jararaca. Eu nasci em uma das suas propriedades, e que durante muitos anos o meu pai Pedro Nél Pereira (já falecido) foi seu morador, mas nunca empregado, apenas morava de favor. Por essa razão eu conheci e conheço quase toda família Duarte. 

Já o Dr. Paulo Gastão também teve e tem contato direto com a mesma, pois um dos seus   irmãos Dr. Gastão era casado com Dra. Arita filha do ex-senador Duarte Filho, irmão do Manoel Duarte.  Mas tanto eu, como o Dr. Paulo Gastão não nos conhecíamos antes, pois a nossa amizade surgiu em maio de 2011.

A palestra continuou e mais ou menos 18:00 hs. lá chegou o atual presidente da SBEC, o professor e pesquisador do cangaço Lemuel Rodrigues, que também falou sobre o cangaço e a SBEC. Lá foram feito fotos pela esposa do Aderbal.

Se você amigo leitor, ainda não se decidiu ser um cangaceirólogo, decida logo. Cangaço não é bicho de sete cabeças. Cangaço é Cultura. Estudar o cangaço é fantástico. 

Venha! Junte-se a nós, amigo! É fantástico estudar cangaço.

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A MORTE DE ADRIÃO | O CANGAÇO NA LITERATURA | #227

Por Robério Santos

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quinta-feira, 28 de maio de 2020

LIVROS SOBRE CANGAÇO É COM O PROFESSOR PEREIRA


A  bibliografia do cangaço e temas afins é extensa e diversificada. São centenas de livros à disposição dos estudiosos, pesquisadores, colecionadores e admiradores da história e cultura nordestina.  Mas, infelizmente, dezenas destas obras não são mais encontradas nas livrarias e sebos especializados. São consideradas esgotadas e, em alguns casos, raras. Quando são colocadas à venda, estão com preços exorbitantes, totalmente fora da realidade financeira da maioria das pessoas que desejam adquiri-las.

Faço, por meio deste artigo, uma indagação pertinente e natural: por que esses livros não são reeditados? Não é o meu propósito procurar identificar  e analisar os fatores que dificultam ou impedem essas reedições, mas contribuir, positivamente, com este processo, para que o resultado seja promissor. Aproveito a oportunidade para conclamar,  solicitar aos autores, herdeiros de autores já falecidos ou quem esteja na posse do direito destes trabalhos, que procurem reeditá-los, pois são obras extraordinárias, que demandaram milhares de horas de leituras, pesquisas, viagens e entrevistas, com muito sacrifício, principalmente, em épocas mais remotas, quando os autores não dispunham de meios de transporte, comunicação, e a internet, que podemos utilizar atualmente.
Professor Pereira entre, Kydelmir Dantas e Honório de Medeiros em dia de Cariri Cangaço

Então, não se justifica a ausência destas relíquias, na bibliografia disponível  do cangaço. Faço este apelo,  em nome de milhares de pessoas que necessitam dessas obras para a efetivação das suas pesquisas, descobertas e fundamentações teóricas de monografias, dissertações e teses, no Brasil e mundo afora.Os sites, blogs e comunidades virtuais ligados ao fenômeno do Cangaço, como: SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, O Cariri Cangaço,  Lampião Aceso, Cangaço em Foco, Tokdehistória, Lampião, Rei do Cangaço  entre outros, que estão sempre focados e à disposição da expansão do estudo da história e cultura nordestina,  divulgando  os  lançamentos de edições e reedições de livros, revista e  artigos referentes ao assunto, o que facilita  o acesso deste material pelos pesquisadores, colecionadores e interessados no tema.

Como consequência natural da utilização destas ferramentas,  observo um crescimento considerável de pessoas  interessadas no estudo do Cangaço. Além do uso da Internet na distribuição eficiente  desses livros,  o que contribui e incentiva  os autores a editarem e reeditarem suas obras.  Tomo a liberdade e a iniciativa de citar algumas obras, por ordem cronológica,  que gostaria de vê-las reeditadas e espero que os leitores acrescentem, por meio de seus comentários, outros trabalhos esgotados e raros aqui não relacionados:   

Os Cangaceiros, Romances de Costumes Sertanejos 1914, Carlos Dias Fernandes;   Heróes e Bandidos 1917, Gustavo Barroso;  Beatos e Cangaceiros 1920, Xavier de Oliveira;  Ao Som da Viola 1921, Gustavo Barroso;  A Sedição de Joazeiro 1922, Rodolpho Theophilo;  Lampião, sua História 1926, Érico de Almeida;  Lampeão no Ceará, A Verdade em Torno dos Fatos 1927, Moysés Figueiredo;   Padre  Cícero e a População do Nordeste 1927, Simões da Silva;  Os Dramas Dolorosos do Nordeste 1930, Pedro Vergne de Abreu;    Almas de Lama e de Aço 1930, Gustavo Barroso;  O Flagello de Lampião 1931, Pedro Vergne de Abreu;  O Exército e o Sertão 1932, Xavier de Oliveira;  Sertanejos e Cangaceiros 1934, Abelardo Parreira;  Como Dei Cabo de Lampeão 1940, Ten. João Bezerra;  Lampeão, Memórias de um Oficial Ex-comandante de Forças Volantes 1952, Optato Gueiros;  Caminhos do Pajeú 1953, Luís Cristóvão dos Santos;  Solos de Avena s/d, Alício Barreto;  Cangaceiros 1959, Gustavo Augusto Lima;   Rosário, Rifle e Punhal 1960, Nertan Macedo;  Serrote Preto 1961, Rodrigues de Carvalho;  O Mundo Estranho dos Cangaceiros 1965, Estácio de Lima;  Lampião e Suas Façanhas 1966, Bezerra e Silva;  Lampião, O Último Cangaceiro 1966, Joaquim Góis;  Sertão Perverso 19 67, José Gregório;  Lampião, Cangaço e Nordeste 1970, Aglae Lima de Oliveira;  Cinco Histórias Sangrentas de Lampião, Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião(dois livros)1970, Nertan Macedo;  Vila Bela, Os Pereira e Outras Histórias 1973, Luís Wilson;  Terra de Homens 1974, Ademar Vidal;  Bicho do Cão, Canga, Cangaço, Cangaceiro s/d, José Cavalcanti;  Cangaço: Manifestação de Uma Sociedade em Crise 1975, Célia M. L. Costa;  Figuras Legendárias 1976, José Romão de Castro;  A Derrocada do Cangaço 1976, Felipe de Castro;  Antônio Silvino, O Rifle de Ouro 1977, Severino Barbosa;  Capitão Januário, a Beata e os Cabras de Lampião 1979, José André Rodrigues(Zecandré);  Gota de Sangue Num Mar de Lama, Visão Histórica e Sociológica do Cangaço 1982, Gutemberg Costa;  Volta Seca, O Menino cangaceiro 1982, Nertan Macedo;  Prestes e Lampião s/d, Ten.  Adaucto Castelo Branco;  Sangue, Terra e Pó 1983, José de Abrantes Gadelha;  Lampião, as Mulheres e o Cangaço 1984, Antônio Amaury C. de Araújo;  Lampião e Padre Cícero 1985, Fátima Menezes;  Guerreiros do Sol:  Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil 1985, Frederico Pernambucano de Mello(Será l ançado a 5º edição desse livro, agora em janeiro/2012); Lampião e a Sociologia do Cangaço s/d, Rodrigues de Carvalho;  A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes 1989, Severino Coelho Viana;  Lampião, Memórias de Um Soldado de Volante 1990, Ten. João Gomes de Lira;  Nas Entrelinhas do Cangaço 1994, Fátima Menezes;   Lampião e o Estado Maior do Cangaço 1995, Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena;   Cangaço: Um Certo Modo de Ver 1997, Vera Figueiredo Rocha;  Amantes e Guerreiras: A Presença da Mulher no Cangaço 2001, Geraldo Maia;   Histórias do Cangaço 2001, Hilário Lucetti;   Lampião e o Rio Grande do Norte, a História da Grande Jornada 2005, Sérgio Augusto de Souza Dantas.

Obs. Algumas dessas obras já foram reeditadas, mas, mesmo assim, estão  esgotadas.Está lançado o debate. Vamos à discussão construtiva, formando um elo de entendimento, consultoria,  convergência na direção do resultado positivo, e espero que possamos  colher os frutos num futuro próximo, com novos livros no mercado. Votos de Saúde e paz a todos.

Peça através deste e-mail: franpelima@bol.com.br
Francisco Pereira Lima - Prof. Pereira
Advogado, Professor, Membro da UNEHS, SBEC e
Conselheiro do Cariri Cangaço
franpelima@bol.com.br
Cajazeiras - PB


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EM UM DADO MOMENTO NA HISTÓRIA DO BRASIL

Por: Alfredo Bonessi
Publicado em 30 de dezembro de 2012.

Incentivado  por Chico Pereira o único cangaceiro cowboy do sertão, pois usava botas, chapéu de mocinho de cinema e rifle, Lampião enviou seus irmãos Antonio e Levino com o bando de cangaceiros, para atacar a cidade de Sousa na Paraíba. Lampião não foi ao ataque – estava ferido no pé por bala da volante de Theofannes Torres.  

Theofannes Torres

Para Chico Pereira o ataque serviria como vingança contra os desafetos que tinham  feito atrocidades contra o seu pai naquela cidade. Nessa ocasião Lampião e o seu bando estavam a serviço do coronel  José Pereira, de Princesa, na Paraíba.  Esse coronel não gostava de Lampião e nem dos cangaceiros – tinha em seus mandos  centenas de jagunços, pistoleiros e muita gente que não prestava – ele era o manda-chuva na região.

Coronel José Pereira de Lima

Com o ataque dos cangaceiros a cidade de Sousa o coronel Pereira rompe em definitivo com Lampião e seu bando, e os expulsa das suas fazendas, mas um cunhado de Pereira continua amigo de Lampião e  o recebe em sua casa, almoçam juntos e são amigos do peito. Essa amizade é do conhecimento do coronel Pereira que não podendo fazer nada, apenas tenta aconselhar o cunhado a se desligar desse tipo de má gente. Mas ele continua amigo do Rei do Cangaço e é coiteiro dele.

O cangaceiro Chico Pereira

Essa amizade com Chico Pereira não dura, esse cangaceiro quando ferido, foi traído  e abandonado pelos irmãos Ferreira em um canavial quando estava cercado pelas volantes, estava sem forças e quase moribundo e ainda, nessa ocasião, estava picado de cobra venenosa.

Surge a questão entre João Pessoa e João Dantas – dizem alguns por ciúmes e interesse na namorada de João Dantas. João Pessoa manda a polícia atacar e prender João Dantas na casa da namorada. Esta estaciona o automóvel nos fundos da casa e João Dantas escapole pela janela dos fundos. Mas a polícia invade a casa e vasculha todos os aposentos e se apossa das cartas de namoro entre os dois. Essas cartas vão parar nos jornais e os ataques pela mídia da época fica acalorado entre os dois e como decorrente surgem  as ameaças entre ambos: João Dantas avisa: - Se você vier a Pernambuco, morre!

A política  brasileira na ocasião ferve no Sul do País e João Pessoa é o candidato para a posse  política  – seu prestigio  e fama  estão em alta – todo o país sabe quem é ele.

João Pessoa decide ir ao Recife, mas é avisado pelas pessoas mais chegadas: 

- Não vá! Você está ameaçado de morte!

- Que nada! vou ao Recife!  e fez pouco caso dos avisos.

João Dantas vem de bonde – está em pé e uma pessoa está sentada  lê o jornal do dia. João Dantas dá uma brechada  na página principal do jornal e vê a noticia que João Pessoa está na cidade. No mesmo bonde ele volta para casa e apanha o revólver.  Procura por João Pessoa e o encontra na confeitaria – espera por ele. João Pessoa sai da confeitaria e João Dantas se aproxima pelas costas. Grita para ele: 

- Eu não te disse que não viesse ao Recife!!!!

João Pessoa se vira e investe contra ele de bengala em punho: 

- Ora seu! ...e leva três tiros.

A noticia se  espalha que nem fogo Brasil afora – João Dantas é considerado o Judas Nacional.  O  crime imediatamente serve de pretexto político e passa a ser considerado político e vira  motivo  principal para a sublevação nacional. Forças Getulistas  tomam o poder e João Dantas é preso com um parente seu que nada tinha a ver com o caso.

Ao lado da cela de João Dantas está o cangaceiro Antonio Silvino cumprindo pena. Tempos antes ele se oferece para pegar Lampião a unha, vivo ou morto e dá até um prazo para o feito:  20 dias.  Mas ninguém acredita nele e o deixa mofar atrás das grades. Você já pensou se houvesse esse encontro?

- Quem mataria quem nesse embate?

Antonio Silvino fora um cangaceiro justiceiro, respeitador de lares e de mulheres, pedia antes de se apossar, se alguma mulher  o repreendesse ele até pedia desculpas e ia se embora. Praticava a justiça por onde andava e casou muita gente nesse sertão na marra, às vezes a coice de rifle, outras vezes a ponta de punhal. Não digo que era um homem corajoso, mas astucioso, esperto, muito precavido – andava sempre com pouca gente e se fazia obedecer pelos seus comandados.

Lampião

Lampião era aguerrido, ágil,  não fazia esse tipo justiça, não respeitava as mulheres, permitia que elas fossem estupradas e marcadas a ferro, ele mesmo forçou algumas delas,  não tinha dó de ninguém,  não ligava para a tortura que sofria as suas vitimas, desprezava a morte e sabia que um dia morreria por uma bala qualquer – sua estratégia maior era  não ser pego pela policia. Diversas vezes quis se entregar e seus irmãos não o deixaram.  Levino Ferreira, seu irmão, dizia para ele: você é um frouxo, um covarde – não serve para ser cangaceiro.  Lampião  sabia quando era a hora de lutar e a hora de escapar. E dizia sempre: - Não enfrente os macacos.  Lampião tinha a sua própria justiça, a justiça lampiônica, pois  a justiça era dele – a justiça era ele – ele fazia as suas  vinganças  a sua moda, muito  cruel. Lampião andava quase sempre com muita gente no bando e permitia que   chefes previamente designados mandassem nos seus grupos e decidisse a sorte daqueles cangaceiros  que por acaso fizesse algo que deveria  ser punido com a expulsão do bando ou até mesmo a morte.

- Ele sempre dizia:

“cangaceiro é para morrer no mato, de bala, feito bicho!”

Cumpriu-se essa profecia.

Antonio Silvino sempre afirmava: Lampião é um príncipe!

Lampião sempre dizia:

- Antonio Silvino é um covarde, pois se entregou!

A polícia invade a cela de João Dantas e a luta é ferrenha. Antonio Silvino escuta tudo – foi uma longa briga que acabou com a morte de João Dantas e do seu parente. A população fica sabendo do ocorrido e comemora o acontecido – a vingança fora feita.

Novamente  procura-se um responsável  pela ideia e autorização para a chacina de João Dantas: quem mandou?

A culpa cai em cima do Deputado  Suassuna que nada tem a ver com o caso. Ele mesmo decide ir ao Rio de Janeiro se explicar e  provar que não tem nada a ver com o assassinato de João Dantas. Seus familiares  o aconselham que não vá. Ele vai e é assassinado no Rio de Janeiro.  A questão esfria e a política continua – tudo abafado, mas não para os familiares do Deputado Suassuna que até hoje estão indignados por esse crime e procuram pelos mandantes. Na época o criminoso é mandado trabalhar  próximos as fazendas do Deputado assassinado - mas a viúva  não autoriza a vingança. Depois o criminoso vem trabalhar nas fazendas da  família do Deputado Suassuna, mas a viúva não deixa que o matem.

Final

Com a Revolução de 30 o Coronel Pereira  é derrotado e expulso de suas propriedades e vai se esconder no interior do Sertão  - errou de lado no apoio militar. Somente voltou as suas terras  muito  tempo depois do fato, mas nunca mais se recuperou no poder de mando e decisão, pois a revolução de 30 acabou com a poder dos coronéis e criou a classe política.

Chico Pereira, escapou das balas da polícia e do veneno da cobra mas acabou preso  e covardemente assassinado pela polícia.

Lampião reinou  absoluto no sertão durante o período da revolução de 30 – os militares e as volantes que o perseguiam foram brigar em outra praça de guerra. Por estar tudo calmo e bom demais arrastou  mulheres para o seu bando – Sinhô Pereira comentou; acabou-se a invencibilidade dele.

Dois irmãos Ferreira já estão mortos, Antonio e Levino e em breve morrerá o caçula da família, Ezequiel Ferreira e o cunhado Virginio, ferido em combate mas executado com um tiro no peito pelo cangaceiro Moreno que acabou ficando com a mulher  do “Juiz do Cangaço”.

Lampião sempre dizia; o cabra mais safado que eu conheci foi o Coroné Pereira de Princesa – mas Lampião nunca dizia o porque. Essa rusga começou por um erro de estratégia de Lampião em atacar a cidade de Sousa na Paraíba – como vimos – cidade protegida pelo Coronel Pereira que ali tinha vários amigos.

Hoje, se me perguntarem qual foi o principal fator que desencadeou a revolução de 30 – eu digo: foi um crime passional.

Se me perguntarem quem matou João Dantas na prisão ? – eu respondo que foi a policia a mando dos revolucionários de 30 – para  eliminar a dita causa que deflagrou o conflito. Se ouvissem João Dantas sobre os reais motivos do crime, a tese  inicial da morte política iria por águas abaixo e o caso poderia dar uma reviravolta.

Quem matou o Deputado Suassuna ? – também acredito que foi os revolucionários de 30 para eliminar todas as duvidas de quem mandou matar João Dantas na prisão – acredito que ele estava inocente do fato, até mesmo na morte de João Pessoa que como vimos a causa foi passional e não política.

Por fim veio a morte de Lampião e  o Estado Maior do Cangaço em Angico - Sergipe.


Estava certo Corisco, que na ocasião, com os olhos cheios de lágrimas e riscando o chão com a ponta do punhal profetizou:

- acabou-se a alegria do sertão.

Alfredo Bonessi

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AINDA A MINHA RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.312

Rua Antônio Tavares, mesmo sendo a primeira rua de Santana, fora o quadro comercial, levou décadas e décadas para receber algum tipo de benefício. Rua de passagens de boiadas, carros de boi e cavaleiros, rua de ximbras, bolas, pinhões...  Rua de comerciantes e artífices, Corredor de fogo das fogueiras de São João, dos desfiles de bandas de música e procissões da Padroeira. Ignorada pelo poder público, somente dominou o solo de terra em torno dos anos 70. Não havia essa coisa de “gestor” e, sua metade, salvo engano, foi calçada com paralelepípedos pelo prefeito Henaldo Bulhões e a outra metade, pelo prefeito em exercício, Jaime Chagas. As varandas de fundos do seu casario contemplam do alto o rio Ipanema, os serrotes Gonçalinho e Cruzeiro e as habitações da área da Rua Santa Quitéria e Conjunto Eduardo Rita, além do rio Ipanema.

Rua Antônio Tavares, revolvendo a terra para calçamento, anos 70. (FOTO:DOMÍNIO PÚBLICO). 
Como toda a Santana, abandonada pela gestão de certo prefeito,  acumulou o lixo na via, metralha e mais, num serviço estúpido de demérito para tudo que já havia sido. Somente a poucas semanas foi louvada com cobertura asfáltica, vestindo-se a rigor e recebendo uma crescente movimentação de veículos e sendo valorizada no seu lado físico e na  tradição. Antes, parte da estrada do coronel Delmiro Gouveia, para Palmeira dos Índios, Quebrangulo e Garanhuns, depois, roteiro para Maceió  via Bebedouro/Maniçoba. Rua que mantinha o equilíbrio social e alimentava o progresso crescente da urbe.  Rua que registrava todo o movimento da AL- 130, visto das suas varandas privilegiadas.
Foi ali construída a Cadeia da vila, sinal na época de bastante prestígio. Rua da primeira Salgadeira de carne-de-sol, da primeira tipografia, do primeiro Sindicato Patronal, da primeira gráfica, da primeira delegacia, do primeiro Quartel de combate a cangaceiros e talvez da primeira fábrica de sabão e de vinagre. Era a rua que avistava primeiro a chegada do transporte Neusa na AL-130; espécie de vã que abastecia as bodegas com guloseimas marcas Neusa, loucura da criançada. Vamos aguardar a liberação da quarentena para uma visita formal à rua que me criou e as irmãs que ainda por ali moram.
Abençoadas raízes.
Orgulho Sertão.


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A BOTIJA DE JARARACA


Por Geraldo Maia do Nascimento
             
Como antigamente não havia bancos nas cidades do interior as pessoas colocavam suas economias (moedas de prata e ouro), dentro de uma panela de barro devidamente fechada e que era enterrada num dos quartos da casa ou debaixo de uma árvore. Se a pessoa morresse e deixasse suas economias numa botija enterrada, sua alma ficaria penando. E a pessoa morta aparecia aos vivos mostrando onde é que estava enterrada sua botija. A pessoa tinha que ir sozinha. Se fosse com outra pessoa, a botija desaparecia ou virava carvão. Quando a alma do falecido aparecia a uma pessoa, pedia que a botija fosse desenterrada e que parte do dinheiro fosse gasto celebrando missas para sua alma. Essa é a definição que encontramos nos dicionários de folclore ou almanaques quando procuramos o significado da palavra "botija".
             
Vários são os relatos de descoberta de botijas no sertão nordestino. Alguns com tanta riqueza de detalhe que chega a impressionar. Mas sempre falando de uma terceira pessoa, na maior parte das vezes desconhecida, que teria encontrado uma botija. Um desses relatos diz respeito a uma botija deixada por Jararaca.  

José Leite de Santana o Jararaca

Consta que ao fugir do cenário da batalha naquele 13 de junho, mesmo ferido no peito e na coxa, conseguiu atravessar a ponte de ferro e se abrigar debaixo de uns pés de oiticicas na região conhecida por "Saco". Lá ele teria reunido sua riqueza indébita em uma caixa de charutos para enterrá-la, marcando o local com um pau seco fincado. E depois de morto, sua alma teria aparecido a um pequeno comerciante de Mossoró para que o mesmo fosse desenterrá-la.

 Gilbamar de Oliveira Bezerra

O escritor Gilbamar de Oliveira Bezerra em seu livro "Cangaço - Recordação do Ataque Frustrado", narra o caso da botija de Jararaca. Diz Gilbamar:
             
"Existia em Mossoró um cidadão conhecido por Chico do Rosário, que residia com a família numa casa situada no bairro Doze Anos e comercializava carnes nas imediações do "Saco". No dia 13 de junho de 1927 ele se encontrava em seu estabelecimento comercial, quando o portador do bilhete de Lampião ao Prefeito Rodolfo Fernandes o encontrou, avisando-lhe, então, do propósito dos cangaceiros, que já se encontravam próximos, aconselhando que ele deveria fechar a bodega. Seu Chico agradeceu, fechou o estabelecimento e se dirigiu para o lar onde já se encontravam outras famílias à espera de transporte. Foram todos levados para vários pontos da cidade, ficando Chico do Rosário e família arranchados numa casa, próximo à trincheira da igreja de São Vicente, onde permaneceram até o fim do combate.
             
Com a prisão e morte de Jararaca, a cidade voltou à rotina. Certo dia, Chico do Rosário dirigiu-se ao "Saco", a fim de trazer alguns animais que comprara. Atravessou a ponte do trem e continuou seguindo o seu caminho quando ouviu uma voz lhe chamando.

Procurando o autor da voz, reconheceu o mesmo como sendo o bandido Jararaca, que ele havia visto algumas vezes na cadeia, antes do mesmo ser "justiçado" pela polícia, trajando a mesma roupa de quando havia sido preso.

Mesmo sabendo que o bandido estava morto, Chico do Rosário não teve medo. Aproximou-se e ouviu o mesmo dizer:
            
- Eu lhe chamei para lhe dar um negócio. Tá vendo esse pau enfincado? - Perguntou o espectro de Jararaca.
             
- Tou! - Disse o marchante.
            
- Apois tire o pau daí, cave um pouco, no buraco tem uma caixa com 22$000 (vinte e dois contos de réis) e um punhal com duas alianças de ouro. São seus.
           
Chico do Rosário fez exatamente como lhe dissera Jararaca, inclusive repassando o valor. De posse do dinheiro, do punhal e das alianças ele levantou-se para agradecer tão generosa oferta, no entanto não havia mais ninguém no local além dele; o espectro desaparecera inexplicavelmente.
           
Ainda sem nada temer guardou os valores e prosseguiu seu destino. De então em diante sua vida mudou por completo, comprou uma grande casa e continuou no comércio de carnes, agora de forma mais acentuadamente diferente: possuía uma pequena riqueza.
            
Gilbamar teve o cuidado de explicitar a fonte dessa informação. Segundo ele, o fato foi narrado por um senhor chamado José Bruno da Mota, que adiantou ter visto o punhal diversas vezes e ter sido o próprio Chico do Rosário que o teria contado da maneira acima descrita.
           
Confesso que não conheço outra fonte que comprove essa história/estória. Reproduzo aqui apenas como mais uma curiosidade do cangaço. 

Fonte:

Jornal "O Mossoroense"
Jornalista: Geraldo Maia

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANGAÇO: EPOPEIA DE GUARIBAS

Publicado em dezembro de 2011.
No município de Porteiras, sul do Ceará aconteceu uma das maiores tragédias do movimento do cangaço.
Circulou informação que o afamado Cangaceiro Lampião estava de coito na sede da fazenda Guaribas de propriedade de Francisco Pereira Lucena, vulgo Chico Chicote.
Se destacaram no combate ao movimento cangaceiro as chamas Forças Volantes, compostas de policiais e também civis encorporados.
Certo momento uma volante composta de 150 soldados da Paraíba, Pernambuco e Ceará, diante da informação que circulava resolveu atacar a sede da fazenda de Chico Chicote.
Foram 32 horas de combate.
Dentro da residência se encontravam 4 homens e 2 mulheres da família do Chico.
As mulheres colaboraram colocando panos molhados para esfriar os canos dos rifles e os homens da família sustentaram o fogo.
Resultado: 37 pessoas mortas, 27 policiais e 10 civis.
 
De dentro da residência foram 2 mortos com mais 8 civis da fazenda Guaribas.
 Nas fotos reveladoras se destaca o coqueiro resistente todo furado de bala. 
 
Extraído do blog: "Luz de Fifó