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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VIDA E MORTE DOS CANGACEIROS

Por: José Mendes Pereira

1751 – Nasceu José Gomes, o Cabeleira.
1775 – José Gomes e o pai Joaquim Gomes, os primeiros cangaceiros do nordeste, aterrorizaram os sertões nordestinos.
 1776 – José Gomes e sua saga são capturados e levados à forca no Forte das Cinco Pontas, em Paudalho.
1807 - 18 de outubro nasceu Lucas Evangelista, o Lucas da Feira.
1844 – Nasceu Jesuíno Brilhante.
1849 – Morreu Lucas da Feira.
1871 – Jesuíno Brilhante fez a sua primeira morte, assassinando o negro Honorato Limão.
1875 – Morreu na Paraíba o cangaceiro Adolfo Meia Noite, durante um tiroteio com a polícia.
1875 - 02 de novembro nasceu Antonio Silvino.
1876 – Morreu Inocêncio Vermelho
1879 – Em dezembro morreu Jesuíno Brilhante, num tiroteio com a polícia. Foi baleado, mas não conseguiu reagir.
1890 - Nasceu Benjamim Abraão Botto, Zahié Líbano, e foi um fotógrafo sírio-libanês-brasileiro, responsável pelo registro conográfico do cangaço e de seu líder, o Lampião.
1893 – José Ferreira da Silva deixou a Ribeira cearense do Jaguaribe e se estabeleceu em Vila Bela, onde, no distrito de Nazaré, adquiriu uma propriedade denominada de Sítio das Pedras. Ali conheceu Maria Sulena da Purificação, com quem contraiu matrimônio.
1895 – Nasceu Antonio Ferreira da Silva, irmão de Lampião.
1896 – Desidério Ramos assassinou Francisco Batista de Morais, o pai de Antonio Silvino.
1896 – Nasceu Livino Ferreira da Silva, irmão de Lampião.
1896 – No dia 20 de Janeiro nasceu Sebastião Pereira da Silva, Sinhô Pereira em Vila Bela.
1898 – 04 de junho nasceu Virgulino Ferreira da Silva.
1898 – 03 de setembro Lampião foi batizado pelo Padre Quincas - Joaquim Antônio Siqueira Torres, da Diocese de Pesqueira, Paróquia de Floresta do Navio, sendo os seus padrinhos: Manoel Pedro Lopes e Maria José Soledade.
???? - Entre 1899 a 1901, nasceu Virtuosa Ferreira da Silva, irmã de Lampião.
1900 - Antonio Silvino afirmou-se como chefe de um grupo de cangaceiros independentes, como Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia Noite e outros.
1901 – Antonio Silvino pressionado pelos policiais entrou na cidade de São João do Sabugí, no Rio Grande do Norte.
1901 – No dia 05 de maio nasceu José Leite de Santana, o Jararaca, em Pajeú das Flores, no Estado de Pernambuco.
1902 – Nasceu João Ferreira da Silva, irmão de Lampião.
???? - Entre 1903 a 1907 nasceu Angélica Ferreira da Silva, irmã de Lampião.
1903 - Lampião passou a morar com os avôs: Jocosa e Manoel Lopes, na localidade de Poço Negro, na Vila de Nazaré.
1905 – No dia 11 de agosto nasceu Amâncio Ferreira da Silva, o delegado Deluz.
1905 – Lampião fez a sua primeira comunhão.
1906 - As ações de Antonio Silvino voltaram-se cada vez mais contra as autoridades locais.
1907 – 10 de agosto nasceu Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco.
1908 – Nasceu Ezequiel Ferreira da Silva, irmão de Lampião.
1909 – Lampião já trabalhava na agricultura. Vindo a ser almocreve, feirante, artesão e vaqueiro.
1910 – Nasceu Maria Ferreira (Mocinha, irmã de Lampião.
1911 – No dia 08 de março, nasceu Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita.
1912 – Nasceu Anália Ferreira da Silva, irmã de Lampião.
1912 - Antonio Silvino visitou as cidades de Jucurutu e Augusto Severo, atual Campo Grande, no Rio Grande do Norte.
1912 – Lampião foi crismado na vila São Francisco.
1914 - Antonio Silvino foi ferido e preso em Lagoa da Laje (PE) pelo Alferes Theophanes Ferraz Torres.
1915 – No dia 15 de abril nasceu Sérgia Ribeiro da Silva, em Belém/PR, Dadá, a esposa de Corisco.
1916 – No dia 23 de junho nasceu Aristéia Soares de Lima.
1916 – Começou a rixa entre a família Ferreira e Zé Saturnino. Primeiro confronto armado. Em companhia de seu irmão Antônio, Lampião praticou o primeiro crime de morte; assassinou um indivíduo que roubara uma cabra de seu pai. Fugiu para Nazaré, município de Floresta, onde foi se encontrar com o seu irmão Livino.
1916 - Sinhô Pereira e o primo, Luiz Padre, juntaram-se para vingar a morte de seu irmão, Seu Né.
1918 – 23 de junho, Virgulino ingressou no bando dos irmãos Antônio e Manoel Porcino, e pai destes dois; depois de ter a casa cercada por uma escolta alagoana, chefiada pelo álfares José Lucena, o pai dos irmãos Porcino, foi assassinado.
1918 – Lampião já ingressado na vida criminosa passou a integrar no bando de Sinhô Pereira, a este, também se juntaram outros bandidos criminosos, como os irmãos Supaúba, Cassiano, José e André, além de Antônio Matilde e outros.
1919 – 26 de outubro nasceu Ilda Ribeiro de Sousa, A Sila, cangaceira, na localidade de Poço Redondo, Sergipe, que posteriormente foi companheira do cangaceiro Zé Sereno.
1919 - Luiz Padre, a pedido de Padre Cícero, largou o cangaço e foi para Goiás.
1919 - Morreu Cacheado, cangaceiro de Sinhô Pereira.  Ele passou 57 dias tratando do assecla em uma fazenda. No mesmo ano, João de Bola, que baleou Cacheado, foi morto por um dos cabras de Sinhô Pereira. O tenente Zeca Rubens, através de um seu irmão, mandou lhe dizer que não o perseguiria, enquanto ele estivesse tratando do cabra ferido Foi um gesto nobre.
1920 – 04 de abril morreu Maria Sulena da Purificação, a mãe de Lampião.
1920 – 22 de abril do mesmo mês assassinaram José Ferreira da Silva, o pai de Lampião.
1920 – Lampião e seus irmãos: Antonio e Ezequiel, após a morte do pai, resolveram entrar de uma vez para o bando de cangaceiros do Sinhô Pereira.
1921 - Lampião aliou-se novamente aos irmãos Porcino. E no dia 22 de junho, teve o seu primeiro encontro com a polícia do Estado, próximo à cidade de Espírito Santo, na divisa de Alagoas com Pernambuco.
1921 – Em setembro, os irmãos: Antonio Porcino foi morto em combate, e Pedro Porcino foi morto pelo sogro.
1921 - Lampião e o bando cercaram a casa de Zé Saturnino, seu primeiro inimigo, na fazenda Pedreira, quando a mãe do mesmo, intercedeu em favor do filho, pedindo-lhes que poupassem a sua vida.
1922 – Em Junho Sinhô Pereira, passou o comando do grupo a seu melhor homem. Então, Lampião o escoltou até a fronteira do Piauí com Goiás (onde hoje fica o Estado de Tocantins). Depois voltou como chefe do bando que se compunha de apenas 12 homens, contando com ele próprio.
1922 - No dia 26 de junho, Lampião atacou a baronesa de Água Branca, em Alagoas.
1922 – A partir do dia 2 de julho, até cinco de agosto do mesmo ano, Lampião foi manchete de jornais.
1922 - Em agosto, Antonio Ferreira, irmão de Lampião atacou a cidade de Sousa na Paraíba. Morreu um cangaceiro com o nome de Meia Noite. Os cangaceiros invadiram São José do Belmonte e mataram Gonzaga. 
1922 – 15 de agosto, Lampião matou o senhor Manoel Cipriano de Sousa.
1922 - 20 de outubro, Lampião matou Luiz Gonzaga de Souza Ferraz, de Princesa.
1923 - Num lugar chamado Bonito de Santa Fé (PB), Lampião deu início ao estupro coletivo da mulher de um delegado. Participaram desse estupro 25 cangaceiros.
1923 – 31 de julho, Lampião invadiu Nazaré e tumultuou casamento de Maria Licor Ferreira de Lima, com Enoque Menezes. A moça teria sido uma paixão sua. Apesar dos pedidos para se retirar em paz, decidiu ficar com 16 cangaceiros. Permitiria a cerimônia religiosa, mas proibiria a festa que aconteceria a seguir. Foi quando aconteceu a última entrada de Lampião em Nazaré.
1924 – Morreu Antonio Rosa, Vulgo Antonio Gelo. Foi morto pelas costas por Enéias e Livino, este último, irmão de Lampião.
1924 - Corisco foi convocado pelo Exército Brasileiro para cumprir o serviço militar. Desertou no ano de 1926, e tomou a decisão de aliar-se ao bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, apelidado Lampião.
1924 - Lampião matou o cangaceiro Nêgo Tibúrcio e seu grupo, em Santa Maria, atual Tupanací (Mirandiba). Fogo das Baixas. Tiroteio entre Lampião e os Nazarenos.
1924 - Em Lagoa do Vieira (PE) Lampião foi ferido no pé, o que lhe causou uma lesão para o resto da vida. Em função do ferimento, Lampião entrou em depressão e pensou em entregar-se à justiça. No mesmo ano, Antonio Ferreira atacou a cidade de Sousa, no sertão da Paraíba.
1925 – Lampião mandou um telegrama ao governador de Pernambuco, dizendo-lhe que ele governasse o Estado até Arco Verde (Rio Branco), enquanto Lampião governaria o sertão.
1925 - Em fevereiro, Lampião enfrentou volantes da Paraíba e Pernambuco no Serrote Preto, no Estado de Alagoas.
1925 – Em agosto, morreu Livino, irmão de Lampião, e ele ficou cego do olho direito.
1926 - Sabino atacou a cidade Triunfo. Assassinaram José Nogueira. E foi construída uma nova cadeia em Vila Bela para prender Lampião. Combate da Serra Grande, em Pernambuco. Lampião enviou uma carta ao Governador de Pernambuco propondo a divisão do Estado, assinando como Governador do Sertão.
1926 – 04 de março, Lampião chegou ao Juazeiro, atendendo a um convite do vigário Padre Cícero, feito por carta, cuja autenticidade, foi garantida pelo fazendeiro Né da Carnaúba, seu amigo.
1926 - Em Juazeiro do Norte-CE, recebeu patente de Capitão do Batalhão Patriótico, para combater a Coluna Prestes.
1926 - No meio do ano, através de um fazendeiro amigo, Corisco entrou para o bando de Lampião.
1926 - No dia 26 de novembro, na Serra Grande, região do oeste pernambucano, distante 25 quilômetros de Flores, Lampião fez um terrível combate. E já tinha enfrentado uma tropa de policiais, sob o comando do tenente Manoel de Souza Neto, onde o início foi às 9 horas da manhã, terminando ao anoitecer.
1927 – 11 de janeiro, Lampião e seus irmãos deram início às grandes invasões no Estado de Alagoas.
1927 - O cruel Jararaca à frente de um grupo invadiu Carnaíba, em Pernambuco, e Zabelê foi preso em Vila Bela.
1927 - Em janeiro, morreu Antonio Ferreira, irmão de Lampião. (Não encontrei o dia do seu falecimento).
1927 – No dia 10 de maio, Lampião entrou na Paraíba, atacou a cidade de Belém do Rio do Peixe.
1927 – No dia 12 de junho, o bando de Lampião atacou São Sebastião, atual Governador Dix-Sept Rosado, em nosso Estado, Rio Grande do Norte.
1927 – No dia 13 de junho, o bando atacou a nossa cidade Mossoró, e morreu Colchete. Sabino saiu baleado, Menino de Ouro e mais outros. Jararaca foi capturado.
1927 – No dia 18 de junho, covardemente mataram Jararaca em Mossoró, depois de capturado.
1927 - O coronel Antonio Gurgel foi feito de refém, do dia 12 a 25 de junho, sendo libertado apenas no município de Limoeiro do Norte/CE.
1927- Ao passar por Aroeira, Lampião e o bando assaltaram a fazenda do coronel José Lopes, e levaram a esposa deste, D. Maria José Lopes, como refém. Adotou idêntico procedimento em Santana.
1927 - Massilon, instigador do assalto a Mossoró, e seu irmão, "Pinga Fogo", desertaram do grupo logo após o ataque, no qual perderam a vida, "Colchete”, e "Jararaca", este último abatido depois de preso.
1927 - No dia 16 de outubro, morreu Rodolfo Fernandes, prefeito de Mossoró, no período do ataque de Lampião.
1928 - No dia 05 de janeiro, o cangaceiro Vinte e Dois foi morto pela polícia. Lua Branca, Manoel Toalha, Pedro Miranda, foram baleados e presos. Também no mesmo dia, foram presos os primos: Joaquim Gomes e João Gomes, acusados de coiteiros. Depois de presos, os cinco foram levados a um lugar chamado Alto do Leitão, e sumariamente executados, depois de cavarem as suas próprias sepulturas Todos eram chefiados por Vinte e Dois.
1928 – No dia 21 de agosto, já bastante perseguido, com apenas cinco homens: Luiz Pedro, Mariano, Mergulhão, Virgínio (ex-cunhado, o Moderno) e Ezequiel, seu irmão (o Ponto Fino). Lampião e o bando abandonaram Pernambuco e cruzaram o Rio São Francisco, passando a agirem na Bahia e em Sergipe.
1928 - Lampião dispensou seu bando, para poder diminuir as perseguições policiais, e passou seis meses refugiado na fazenda de um coronel, no norte do Sertão da Bahia, onde conheceu vários bandidos e criminosos. Formou um grupo de 100 cangaceiros.
1929 – Balão entrou para o cangaço. Motivo: os policiais da força do sargento Inocêncio, de Alagoas   mataram o seu pai e um dos seus irmãos.
1929 - Na cidade de Capela, Sergipe, Lampião pesou sua carga. Sem as armas e com os depósitos de água vazios, chegou a 29 quilos.
1929 – No dia 01 de março, morreu Sabino das Abóboras e Lampião entrou pela primeira vez em Carira.
1929 - A visita seguinte a Poço Redondo, em 19 de abril, permitiu um encontro de Virgulino Ferreira da Silva, com o padre Artur Passos, Pároco do Porto da Folha, então celebrando missa naquele povoado, como fazia periodicamente. Um diálogo duro, entre o cangaceiro e o padre, marcou a presença do grupo em frente à igreja.
1929 – 20 de abril, Lampião visitou a cidade de Nossa Senhora da Glória, no Estado de Sergipe.
1929 – No dia 25 de novembro, Lampião e seu bando entraram pacificamente na cidade de Capela, no Estado de Sergipe. E mandou um emissário ao intendente Antão Correia de Andrade, irmão do Secretário de Segurança, Herivaldo Correia. Recebeu a visita do próprio intendente, a quem pediu avisar ao major Correia que desejava entrar em paz. Porém se o mesmo não viesse à sua presença, conversar com ele, o faria a bala.
1929 - No dia 22 de dezembro, Lampião e seu bando promoveram uma chacina em Queimadas (Bahia) e fizeram presepadas em outras cidades e fazendas arredores.
1929 - Primeiro encontro com Maria Bonita, em Malhada do Caiçara, lá em Santa. Brígida (BA).
1929 – Lampião lutou com a polícia de Sergipe.
1930 - O Governo da Bahia ofereceu uma recompensa de 50 contos de réis, para quem entregasse o famigerado bandido Lampião.
1930 - Em fevereiro, Lampião passou a viver com a mulher com quem morreria ao seu lado, oito anos depois, a Maria Gomes de Oliveira.
1930 - Lampião na fazenda Mandacaru, município de tucano, vitimando a volante comandada pelo tenente Geminiano José dos Santos, da Bahia, e pelo sargento José de Miranda Matos, ocasião em que morreram estes dois oficiais e mais sete soldados.
1930 – 13 de agosto nasceu José Alves dos Santos, suposto filho de Lampião e Helena, filha de um coiteiro de Lampião.
1930 - Ano da Revolução. Uma trégua entre bandos e volantes.
1930 - Lídia Pereira da Silva, - companheira de Zé Baiano, incorporou-se ao bando de cangaceiros de Lampião.
1930 - Antônio de Engrácias. Cangaceiro garboso, rival de Lampião, foi assassinado pelo próprio irmão, Cirilo. Era considerado um dos dez maiores cangaceiros existentes.
1931 - Não haveria mais um grande grupo. Agora, os companheiros antigos e leais, chefiariam até seis homens, deslocando-se em várias direções ao mesmo tempo, para confundir as volantes e dar maior segurança aos casais, que em breve passariam a ter filhos.
1931 – 23 de abril, tiroteio na Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel, morreu Ezequiel Ferreira da Silva, irmão de Lampião.
1931 – Virgulino foi acusado por diversas volantes. Resolveu homiziar-se no Raso de Catarina, nos sertões do Estado da Bahia, onde foi perseguido pelo segundo tenente José Sampaio Macedo.
1932 - Em janeiro, na fazenda Maranduba-SE, Lampião repetiu o fato militar da Serra Grande, em 1926, ao derrotar uma força militar, integrada por famosos combatentes contra o cangaço.
1932 - Nascimento de Expedita, filha de Lampião e Maria Bonita. Nasceu debaixo dum umbuzeiro, na fazenda Exu, propriedade de Zequinha Tavares, no Estado de Sergipe.  A dona Rosinha, moradora dos arredores da fazenda Pedra d’Água, foi a parteira.
1932 – Morte do cangaceiro Sabiá.
1932 – No início desse ano foi preso o cangaceiro Volta Seca.
1932 – Foi assassinada Lídia, ex-esposa de José Aleixo, o José Baiano. Motivo, traição.
1932 – Corisco assassinou Santo da Fazenda Mandassaia.
1933 – Morreram: Azulão, Maria Dora, Canjica e Zabelê, no Sítio Lagoa Grande do Lino, atual Serrolândia, no Estado da Bahia.
1934 – 20 de julho morreu Padre Cícero, aos 90 anos de idade.
1934 – Cirilo foi morto por civis, e a sua cabeça foi decepada e depois recolocada para ser fotografada.
1934 – Zé Fortaleza, Limoeiro, Suspeita e Medalha, assassinaram Manoel Vitório, e castraram o seu filho Beijo.
1934 – Final do ano, foram assassinados: Zé Fortaleza, Limoeiro, Suspeita e Medalha.
1935 – No início do ano, aconteceu o encontro de Lampião e o coronel Joaquim Resende.
1935 – Fevereiro, Brió foi assassinado pelos cangaceiros.
1935 – Em agosto, nasceu Silvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, herdando o nome do padre que o criou.
1936 – Zé Sereno raptou Ilda Ribeiro de Sousa, a Sila.
1936 – Morreu em combate Neném do Ouro, companheira de Luiz Pedro Cordeiro, ou Luiz Pedro do Retiro.
1936 - Maria Bonita foi ferida em Serrinha do Catimbau, próximo a Garanhuns, no Estado de Pernambuco.
1936 – Em agosto, morreu o cangaceiro Pau Ferro.
1936 – 07 de julho, o bando de Zé Baiano foi eliminado por civis, inclusive ele. Era sobrinho de Antônio e Cirilo, ambos da família dos Engrácias.  Perverso, sádico e tarado, estuprador sistemático. Marcava as pessoas a ferro e usava uma palmatória a que chamava “Boneca de laço e nó”, com a qual aplicava “bolos” nas mãos das pessoas.
1936 - 28 de setembro, num tiroteiro, Inacinha foi capturada. Gato, que era seu companheiro, acreditava que ela tinha sido levada para Piranhas, em Maceió, e partiu com o objetivo de tirá-la da cadeia. Mas foi baleado.
1936 – O tenente Zé Rufino mandou o cabo Artur assassinar Zé Grosso, irmão do cangaceiro Diferente.
1936 – Os cangaceiros: Diferente, Beija-Flor e Coidado assassinaram por vingança, os tropeiros: Manezinho Izidório, Miguel Casimiro Carlos e Antonio Pedro Caibreiros. Vingança da morte de Zé Grosso, irmão de Diferente.
1936 – No dia 10 de outubro de 1936, morreram em combates: Pavão, Pai Velho, Mariano-esposo de Rosinha, todos, cangaceiros de Lampião.
1936 – No dia 01 de outubro, Gato que já estava baleado, faleceu. Este era o companheiro de Inacinha.
1936 – No dia 25 de outubro, morreu Virgínio Fortunato da Silva (Moderno), em combate com uma pequena volante. Ex-cunhado de Lampião.
1937 – No dia 22 de abril, na fazenda Arara, Porto da folha, em Sergipe, morreu o cangaceiro Zepelim.
1937 – 02 de maio, os cangaceiros assassinaram o vaqueiro Torquato José da Silva e Firmino, por vingança.
1937 – Antonio Silvino foi solto e não voltou mais ao banditismo. Regenerou-se por total.
1937 – Rosinha, a ex-esposa do cangaceiro Mariano, foi assassinada, a mando de Lampião. Luiz Pedro Participou também da chacina.
1937 - Combate na Lagoa do Crauá, no Estado de Sergipe.
1938 – No dia 09 ou 10 de janeiro, morreu o cangaceiro Vulcão. Assassinado pelos próprios companheiros, autorizado por Lampião.
1938 - 20 de fevereiro, Eleonora, irmã de Aristéia, mais o companheiro Serra Branca e Ameaça líderes de um subgrupo, foram assassinados, e as cabeças decepadas pela polícia.
1938 – No dia 20 de março, morreu em combate Cícero Garrincha, o cangaceiro Catingueira. Ele era companheiro da cangaceira Aristéia.
1938 – Em abril, foi presa Aristéia, companheira de Catingueira.
1938 – Nasceu João Ferreira da Silva, o Peitudo, como era chamado no Juazeiro. Filho de Lampião e Maria Bonita.
1938 - A partir de abril, Lampião começou a preparar o seu espírito, dizendo: “-Viagem pesada! Não sei o que eu vou encontrar pela frente. Mas vamos a chamado de uma pessoa poderosa”.
1938 – Em 09 de maio, foi assassinado Benjamim Abraão, o nosso primeiro repórter de guerra; em uma cidade do interior de Pernambuco. Era também fotógrafo de Lampião.
1938 – 21 de julho, Cristina, ex-companheira do cangaceiro Português, foi acusada de ter um caso com Jitirana. E foi morta a golpes de facas por Luiz Pedro e outros. Dentro do cangaço, a mulher não podia trair.
1938 - Na noite do dia 27 de julho, Lampião chamou o bando e disse-lhe: “-Olha, eu vou embora amanhã cedo. Quem quiser ir comigo vai, quem não quiser, fica. Eu não posso mais ficar aqui. Já estou na iminência de matar até meus amigos. Para Pernambuco nem se fala que eu tenho inimigo até demais. Mas em Minas e Goiás eu não tenho”.
1938 – O cangaceiro pontaria foi assassinado pela volante de Alagoas
1938 – 28 de julho mataram Lampião, Maria Bonita, e mais nove cangaceiros, numa emboscada, na Fazenda Angicos, no Estado de Sergipe.
1938 – Depois do combate de Angicos, os cangaceiros: Cruzeiro, Amoroso, Zé de Vera, foram mortos pela volante do sargento Zé Luiz.
1939 - Francelino José Nunes, o Português e a sua companheira Quitéria, entregaram-se às autoridades policiais. (Este Português não era o Português Moita Brava.
1939 – Borboleta, Juriti e Maria, sua companheira, foram liberados pelo capitão Aníbal Vicente Ferreira.
1939 - O grupo do cangaceiro Pancada se entregou à prisão em Santana de Ipanema, no Estado de Alagoas.  Foram eles: Cobra Verde, Vinte e Cinco, Peitica, Maria Jovina, Pancada, Vila Nova, Santa Cruz e Barreira. Este último não pertencia ao grupo de Pancada.
1939 - Em outubro, durante um duro combate contra três volantes, na fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe, Corisco foi ferido e nunca mais se recuperou:
1940 - Corisco dissolveu o bando, ficando apenas na companhia de Dadá, Rio Branco e Florência, sua companheira.
1940 - Ângelo Roque, - o Labareda, entregou-se à Polícia e ainda viveu muitos anos. Não encontrei a data do seu falecimento.
1940 – No dia 02 de fevereiro, Moreno e Durvalina abandonaram o cangaço em busca de uma vida tranquila.
1940 – No dia 25 de maio, a volante de Zé Rufino assassinou Corisco, na fazenda Cavaco, em Brotas de Macaúbas, Bahia. Dadá foi ferida e presa. Marcando o fim do Cangaço.
1940 – 22 de agosto morreu o coiteiro Pedro Cândido, possível entregador de Lampião à volante, depois de torturado. Há quem diga que Pedro Cândido foi assassinado em Piranhas por um deficiente mental que o confundiu com um lobisomem.
1941 - Manoel Pereira de Azevedo, o Juriti, três anos depois da morte de Lampião, foi covardemente queimado, tendo sido o seu matador, o Sargento Deluz
1944 – 28 de julho morreu Antonio Silvino, aos 69 anos. Na prisão, ele cumpriu pena de 22 anos, dois meses e 22 dias.
1952 – O sargento Amâncio Ferreira da Silva foi assassinado pelo sogro, cunhados, concunhado, mais Vicente da Mata Grande, Mané Vigia e Cícero Cupira.
     1953 - O cangaceiro Volta Seca foi liberado pela justiça, quando já havia completado 20 anos de sofrimento na penitenciária.
     1957 – Inacinha, companheira de Gato, faleceu, vítima de câncer.
     1961 – 19 de fevereiro, Zé de Julião foi assassinado.
1964 – Morreu Maria Joaquina Conceição de Oliveira, a mãe de Maria Bonita. Sofreu uma picada de cobra, não resistindo ao envenenamento, veio a falecer.
1965 - Morreu José Gomes de Oliveira, o pai de Maria Bonita.
1969 – 06 de fevereiro, o corpo de Corisco saiu do Museu Nina Rebouças, e foi enterrado em Jeremoabo, na Bahia.
1970 – Faleceu João Bezerra da Silva, um dos matadores do facínora Lampião. Tinha uma trajetória muito semelhante à de sua vítima. Acusado de ter sido um dos fornecedores de armas aos cangaceiros.  Nasceu no mesmo dia e ano que nasceu Lampião.
1971 - Sinhô Pereira visitou Serra Talhada, sua antiga Vila Bela, para reencontrar parentes e amigos. O ex-chefe de cangaceiro foi entrevistado pelo seu parente Luiz Lorena.
1971 – Morreu José Miguel da Silva, (Zé de Neném) sapateiro e ex-esposo de Maria Bonita, na cidade paulista de Nova Andradina.
1972 – Morreu o Sinhô Pereira em Lagoa Grande, Minas Gerais, deixando para trás uma vida e uma história marcada de angústia, dores e vontade de viver feliz com sua família e amigos. Não encontrei o dia e mês de sua morte.
1982 – Morreu o cangaceiro Zé Sereno, em São Paulo.
1991 – No dia 19 de abril, morreu Severino Garcia dos Santos, o cangaceiro Relâmpago, do bando de Lampião, que chegou ao Rio de Janeiro na década de 40. Morava no bairro da Saúde e morreu aos 84 anos de idade. Relâmpago, que se aposentou como ferreiro da indústria naval vangloriava-se que quando vivia no sertão, tinha 12 mulheres e havia matado mais de 20 com Lampião.
1991 – 07 de setembro, Plebiscito em Serra Talhada, quando a população decidiu que Lampião é herói, com o seguinte resultado: 79% votaram SIM.
1994 – Em fevereiro, morreu Dadá, esposa de Corisco.
1997 - Vítor Rodrigues da Silva, o cangaceiro Criança, morreu aos 83 anos, também em São Paulo, no dia 28 de julho, dia em que a tocaia em Angicos completou 59 anos.
2000 – No dia 26 de junho, morreu no Juazeiro do Norte, João Ferreira da Silva, (João Peitudo), filho de Lampião e Maria Bonita.
2003 – Em 09 de janeiro morreu aos 92 anos, o matador de Luiz Pedro. Manoel Marques da Silva ou nome adotado, Euclides Marques da Silva, ou ainda Mané Véio, faleceu na cidade de Pires do Rio – Goiás, ao lado de sua terceira esposa, a goiana Nori Alves Marques da Silva. Hoje residente na capital.
2005 – 15 de fevereiro morreu aos 86 anos de idade, Ilda Ribeiro de Sousa, que era companheira do cangaceiro Zé Sereno.
2007 – Em maio foi encontrada uma cangaceira, Aristéia Soares de Lima, com 95 anos de idade.
2008 – 30 de julho morreu Jovina Maria da Conceição Souto, (Durvalina). Uma das últimas cangaceiras que ainda restava viva. Esposa de Antonio Ignácio, o Moreno.
2009 – No dia 22 de setembro, morreu em São Paulo, aos 79 anos de idade, o ex-pedreiro, Ananias Gomes de Oliveira, irmão da cangaceira Maria Bonita, ou possivelmente filho de Maria Bonita e Lampião. 
2010 - No dia 06 de setembro faleceu aos 100 anos o cangaceiro Moreno, esposo da cangaceira Durvalina.

Estas datas foram encontradas em textos do cangaço depois de uma longa pesquisa.  

A ação nobre de um rude

Ângelo Osmiro

Conta o escritor Ângelo Osmiro Barreto que em 1910, durante o período da Semana Santa, o lendário Cassimiro Honório, um velho cangaceiro do alto sertão pernambucano, da afamada região do Navio, promoveu um formidável cerco a um dos seus inimigos José de Sousa.


Melânia era filha de Cassimiro Honório, havia sido roubada por José de Sousa. O pai da moça, inconformado com a atitude do jovem sertanejo, arregimentou um grande contingente de cangaceiros e retomou a filha do jovem apaixonado. O episódio criou grande rivalidade entre os dois sertanejos, homens valentes e acostumados às lutas, numa época em que as divergências eram resolvidas à bala. A justiça, pouco ou nada fazia para resolver essas pendengas.

Durante um grande cerco promovido por Cassimiro Honório à fazenda de José de Sousa que durou sete dias, um fato interessante chamou a atenção de todos.

Dentre muitos homens valentes de ambos os lados, um iria se destacar pela sua atitude nobre. José Rajado, sertanejo rude com sangue no olho como se diz até hoje naqueles sertões, brigava entrincheirado ao lado dos comandados de Cassimiro Honório.

Passados três dias de luta renhida, José Rajado escutou um choro de criança vindo de dentro da casa sitiada. O choro persistente chamou a atenção do cangaceiro.

Aquela criança aos prantos só poderia estar com fome, pensou o cangaceiro naquele momento da luta. Em ato repentino José Rajado levantou as mãos, e aos gritos, pediu para que o tiroteio fosse suspenso.

Surpresos com a atitude pouco comum do bravo sertanejo, os contendores pararam os tiros, e o silêncio tomou conta do lugar por alguns momentos. O cangaceiro José Rajado, propôs aos sitiados que se prometessem não alvejá-lo, iria ao curral, ordenharia umas cabras e levaria o leite para a criança que estava chorando com fome.

José de Sousa prometeu todas as garantias a José Rajado, que confiando na palavra empenhada do inimigo, foi ao curral, encheu um balde de leite e deixou-o em frente à porta da casa sitiada. Retornou ao seu local de combate, e após estar novamente seguro, o tiroteio recomeçou.

O cangaceiro José Rajado, apesar de toda sua rudeza, acabara por praticar um ato da mais alta nobreza.

Esta informação é do escritor e pesquisador do cangaço, Ângelo Osmiro Barreto, com a colaboração do confrade natalense Ivanildo Alves Silveira, colecionador e pesquisador do cangaço.   


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Padre Cícero e Floro Bartolomeu

Por: José Mendes Pereira

PADRE CÍCERO

                 Nasceu no Crato, no dia 24 de março de 1844, e faleceu no Juazeiro do Norte, no dia 20 de julho de 1934. 
                 Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô. Juntamente com Floro Bartolomeu da Costa, deu a patente de capitão a Lampião e de tenente a Sabino Gomes.
                Em 1865, entrou para o Seminário da Prainha, em Fortaleza e em 1870 ordenou-se padre.
               Em 1872, foi nomeado vigário de Juazeiro do Norte. Angariou fundo para a construção de uma igreja e passou a desenvolver trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares. Em 1889, quando celebrava missa, a hóstia consagrada por ele sangrou na boca de uma beata chamada Maria de Araújo. As toalhas utilizadas para limpar o sangue, tornaram-se objetos de adoração. A notícia saiu de Juazeiro, e deu início a uma peregrinação feita pelos interessados nos poderes do Padre.
                Mas Padre Cícero foi desacreditado pelo Vaticano. Em 1894, recebeu castigo, com a suspensão da ordem. E por toda a vida, tentou revogar a pena. Em 1898, foi a Roma, e lá esteve com o Papa Leão XIII, que lhe concedeu indulto parcial, mas proibia de celebrar missas. Apesar da proibição, nunca deixou de celebrar missas em sua igreja em Juazeiro.
              Sentindo-se desapoiado, Padre Cícero tentou recuperar o seu o prestígio entre os fiéis para ingressar na carreira política. E em 1911, com a emancipação de Juazeiro, elegeu-se prefeito, ocupando o cargo por quinze anos.
               Engajou-se tanto nas disputas políticas entre os oligarcas cearenses, que acabou por ver-se na situação de enfrentar tropas federais, enviadas para uma intervenção.  Usou sua popularidade para convencer os fiéis a pegar em armas, e obrigou o governo federal a recuar da intervenção.
               Foi nomeado vice-governador do Ceará e eleito Deputado Federal. Mas, como não queria deixar Juazeiro, jamais exerceu nenhum desses cargos. Até sua morte, aos 90 anos, foi uma das mais expressivas figuras políticas do Estado. Após sua morte, sua fama e seus feitos foram divulgados entre as camadas populares, não raramente com certo exagero dos poetas populares. Embora ainda banido pela Igreja, tornou-se, de fato, um santo entre os sertanejos.
               No final do século 20, o Papa Bento XVI, quando ainda era Cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma, propôs um estudo sobre o Padre Cícero com a finalidade de possivelmente, reabilitá-lo perante a Igreja Católica e, eventualmente, beatificá-lo.
              Alguns afirmam que o Padre Cícero armou Lampião para continuar fazendo as suas maldades. Mas, a intenção de Padre Cícero não era maldosa. Era que Lampião se sentisse honrado, e deixasse o cangaço de uma vez por toda.

FLORO BARTOLOMEU 

               Nasceu no dia 17 de agosto de 1876, em Salvador-BA. Faleceu no dia 08 de março de 1926 no Rio de Janeiro.
               Filho de Virgílio Bartolomeu da Costa e Dona Carolina Costa. Recebeu ordem do presidente da república, Artur Bernardes para patentear Lampião a capitão e Sabino Gomes a tenente.
               Era médico pela
               Em 1912, Marcos Franco Rabelo foi nomeado interventor do Ceará pelo presidente Hermes da Fonseca. Assim que assumiu o governo estadual, tratou de minar o poder de Padre Cícero, destituindo-o da prefeitura de Juazeiro do Norte e ordenando sua prisão. Floro, então, convocou os romeiros a se juntarem a seus jagunços com o intuito de defender Padre Cícero. Enquanto isso, Floro no Rio de Janeiro conseguiu o apoio do senador Pinheiro Machado.
              A tropa juazeirense evitou a entrada das forças policiais de Franco Rabelo em Juazeiro e, em seguida, partiram para Fortaleza, para derrubar o governador. Com o apoio de Pinheiro Machado, Franco Rabelo foi deposto e Floro eleito deputado estadual, ocasião em que exerceu a presidência da Assembleia Legislativa. A revolta ficou conhecida como sedição de Juazeiro.
              Em 1921, surgiu um boato de que os habitantes do Sítio Baixa Dantas estavam venerando um boi de Padre Cícero como a um Deus. Para contornar a situação, Floro Bartolomeu ordenou que o boi fosse morto e o beato José Lourenço, líder do sítio, fosse preso.
              Em 1925, o presidente da República, Arthur Bernardes, encarregou Floro, na época, deputado federal, de defender o Ceará dos ataques da coluna Prestes. Algum tempo depois da formação do batalhão, se espalhou a notícia de que a coluna Prestes tinha entrado em confronto com Lampião, em Pernambuco.
              Ao tomar conhecimento disso, Floro, usando o nome de Padre Cícero, convidou o cangaceiro a se incorporar ao Batalhão Patriótico para combater Prestes.
Lampião aceitou o convite e partiu para Juazeiro. Mas não encontrou Floro, que havia viajado para o Rio de Janeiro por motivos de saúde.  Ao encontrar Lampião e seu bando, Padre Cícero os aconselhou a abandonarem o cangaço e lhes deu rosários de presente, com a condição de que só usassem depois que abandonassem o cangaço.           


Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se no ano de 1904. Foi para o Ceará no ano de 1908, na ambição da mina de cobre de Coaxá, em Aurora. Fixou moradia em Juazeiro do Norte, comprou farmácia e passou a atender a população, como médico e rábula, tornando-se amigo do padre Cícero, que o convenceu a ingressar na política.     

Confrade Alcindo Alves da Costa:

 Por: José Mendes Pereira


              Até poucos dias eu não acreditava tanto no que sempre o caipira de Poço Redondo (assim diz o senhor) insiste em dizer que o que aconteceu na madrugada de 28 de julho de 1938,  na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, a maior parte do que contaram os depoentes, tanto os policiais como os remanescentes de Lampião, não passou de uma grande mentira. 
               
Lampião

              É verdade!
              Lendo o seu texto sobre o que disse Panta de Godoy, descobri que agora ninguém sabe qual dos dois fantasiou mais o que aconteceu com Maria Bonita.

Maria Bonita

              Panta de Godoy disse aos repórteres que a matou com um tiro. O amigo Balão afirmou à Revista Realidade que Maria Bonita correu e se escondeu em baixo de uma pedra, mas logo foi encontrada, e os perseguidores a degolaram ainda viva.

O cangaceiro Balão

              Pelo meu pouco conhecimento sobre o cangaço do nordeste, e principalmente sobre o ataque aos cangaceiros na madrugada de 28 de julho de 1938, o companheiro Balão, pelo o que ele afirmou, eu entendo que  presenciou quase tudo que se passou na grota de Angicos. Aí é a onde surge uma pergunta: Teria sido o amigo Balão mais um traidor do rei Lampião?
              Pela as informações dele, eu entendo que permaneceu lá, não correu logo, ficou como um repórter que faz cobertura numa guerra, registrando tudo que se passa.
              Se os policiais aumentaram as suas declarações, mesmo assim, dá para se acreditar, não tudo, é claro, já que quem estava atacando eram eles, e continuaram vendo os rios de sangue escorrendo em busca do São Francisco.
              O que fizeram com Lampião foi bem estudado, e não foi só Pedro de Cândido como o acusam  como traidor. Eu acredito que tinha outros por traz dessa covardia.
              Se o traidor tiver sido só um, no caso Pedro de Cândido, eu acho que não foi traição, e sim livrar-se dos maus tratos.  
              Eu pergunto: Qual é o ser humano que debaixo de peia e muita peia, vendo as suas unhas sendo arrancadas, pancadas por todo corpo, pontapés e humilhações, que se nega a dizer o que os seus agressores o perguntam? Dessa maneira qualquer ser humano entregará até o Cristo ao carrasco. 

               Fonte de Pesquisa: Material do escritor Alcindo Alves da Costa.   

O cangaceiro Jararaca e Rodolfo Fernandes

Por José Mendes Pereira

José Leite de Santana, o Jararaca, nasceu no dia 05-05-1901 em Pajeú das Flores, no Estado de Pernambuco (terra do Sinhô Pereira), e faleceu no dia 18-06-1927.

Era um homem forte, de estatura mediana, moreno-escuro e muito violento. De comportamento absurdo, obrigando-se a fugir de sua cidade, indo para Maceió, Alagoas. Foi covardemente assassinado em nossa Mossoró, no dia 18 de junho de 1927, cinco dias depois da invasão de Lampião.

Com medo da jararaca humana se soltar, ou mesmo Lampião voltar à cidade para resgatá-la, os policiais resolveram covardemente assassiná-la. Em sua opinião leitor, qual é o apelido mais apropriado para os executores da fera humana?

É claro que não devemos deixar de elogiar os bravos homens que defenderam Mossoró do ataque de Lampião. Mas também não devemos dizer que Mossoró foi uma grande heroína. Qual é a razão finalmente? Heroína desse jeito?

O que vemos nos depoimentos que foram dados aos repórteres, por pessoas que estavam presentes na noite que fizeram a “covarde chacina à Jararaca”, é que o cangaceiro foi desprezado e brutalmente assassinado. Ainda comentam que ele foi enterrado vivo. Uma justificativa para que possamos defender o bandido, é que ele estava algemado, baleado, faminto e muito doente.

Existe um dito popular que diz: “não se mata homem deitado e nem amarrado”.  Imagine bem o sofrimento deste homem, quando viu que estava chegando a um lugar que jamais sairia dali vivo. Sem defesa e sem proteção de Deus. E principalmente sendo justiçado pelo homem que não sabe fazer justiça.

Será que o marginal Elias Maluco, assassinou o repórter Tim Lopes, copiando o que os policiais de Mossoró fizeram com Jararaca?

Outra perversidade foi o desprezo que deram ao cangaceiro. Não chamaram um médico, e nenhum comprimido foi dado ao marginal, para que ele se sentisse aliviado das dores causada pela bala, que perfurou o seu peito e caminhou rasgando o pulmão. Isso, se ver claramente na foto que foi tirada no momento em que ele estava na cadeia.

Desculpa-me minha linda Mossoró! Mas você não deve se gloriar dos absurdos feitos dos teus filhos.  Eu sei que você não tem culpa dos erros cometidos por eles. Mas essa prática violenta está sendo abominada pelos teus netos, e será sempre pelos teus bisnetos, trinetos e futuras gerações.

Um cadáver pede mais uma chance para continuar repousando no Cemitério São Sebastião em Mossoró 

Rodolfo Fernandes de Oliveira que no dia 13 de junho de 1927, era prefeito de Mossoró, foi o idealizador da resistência contra o bando de Lampião que tentou invadir a cidade. E infelizmente existe um grande desprezo ao nosso herói.  Até mesmo o túmulo do ex-prefeito, lá no cemitério São Sebastião, está totalmente deteriorado, necessitando de uma limpeza urgente. A Prefeitura Municipal de Mossoró deve mandar gravar o seu nome, data de nascimento e falecimento, cujos, não se encontram para pesquisas. Limpar pedras, placas e colunas que sustentam a cobertura que protege o seu busto. Um homem que organizou um batalhão de resistentes civis contra o bando de Lampião, hoje é simplesmente um cadáver que repousa em seu túmulo desmoronado. 

Infelizmente Rodolfo Fernandes de Oliveira faleceu duas vezes em Mossoró. A primeira: “MORTE NATURAL”. A segunda: “DESPREZO”, por não ser lembrado na cidade em que prestou os seus serviços e combateu o perigoso bandido Lampião.

Se a Prefeitura Municipal de Mossoró não cuidar do túmulo do ex-prefeito, os seus restos mortais correrão o risco de desaparecerem do cemitério, assim como aconteceu com os de Jesuíno Brilhante, quando o médico, o Doutor Almeida Castro se responsabilizou por eles, deixando-os várias décadas no Colégio Diocesano de Mossoró, para depois fazerem parte do acervo museológico de um senhor chamado Juliano Moreira, lá no Rio de Janeiro. E por falta de responsabilidade, hoje se encontram perdidos.

Se Jesuíno Brilhante era patuense, por que não entregaram os seus restos mortais à população de Patu, como história de sua cidade?

No meu entender, a Prefeitura Municipal de Mossoró, tem como obrigação, manter no cemitério, os túmulos limpos e bem cuidados, principalmente àqueles que os familiares desprezaram por uma razão qualquer. Até porque os túmulos bem conservados ficarão mais bonitos para quem os visita.

Se Rodolfo Fernandes de Oliveira tivesse nascido no berçário “ROSADO”, seu nome estaria gravado em tudo que era de lugar. Até mesmo nas palmeiras. Como não nasceu no seio Rosadomania, seu nome desapareceu do túmulo.

Se nós analisarmos cuidadosamente, Rodolfo Fernandes de Oliveira morreu para sempre, no dia 16 de outubro de 1927, quatro meses depois da invasão de Lampião a Mossoró; restando apenas o seu túmulo desprezado e mal cuidado.

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AMIGO ESCRITOR LIRA NETO

 Por: José Mendes Pereira

Parabenizo-lhe pelo excelente artigo, e gostaria de usar as suas páginas para levar a minha discordância (não sobre o seu artigo), em relação às dúvidas sobre a morte de Lampião.
               
Sendo eu um principiante da literatura lampiônica, até hoje não entendi o motivo pelo o qual alguns escritores e pesquisadores tentam manipular leitores sobre a não acontecida morte de Lampião, na madrugada de 28 de julho de 1938, lá  na Grota de Angicos, no Estado de Sergipe, afirmando que houve uma farsa: os policiais colocaram no lugar de Lampião a cabeça de um sósia, cuja, teria sido a do fazendeiro Lampião de Buritis. Que coincidência, hein?! O Lampião de Buritis morreu no mesmo dia da chacina de Angicos, e os seus familiares permitiram que decepassem a sua cabeça para colocá-la no lugar da cabeça de Lampião verdadeiro. Não tem fundamento uma história dessa.
                
Eu não sei se o escritor já viu as duas fotos das supostas cabeças dos dois Lampião, no blog do escritor Leandro Cardoso (lembrando que ele em nenhum momento diz que Lampião não morreu naquela chacina. Apenas escreveu o artigo).
               
Sem precisar de se fazer uma análise e estudo sobre elas, ver-se no primeiro olhar que nada tem a ver uma com a outra.
               
1 - O Lampião verdadeiro tem a pele e formato ainda jovem. O Lampião de Buritis além da pele estragada, aparentemente tinha 80 anos, no mínimo, na época.
               
2 - A boca de Lampião verdadeiro é miúda. A boca de Lampião de Buritis é enorme.
               
3 - As orelhas de Lampião verdadeiro são pequenas. As de Lampião de Buritis são enormes.
              
4 - Lampião verdadeiro não apresenta sinais que os seus cabelos haviam caído. Lampião de Buritis aparenta ser calvo.
              
5 - O nariz de Lampião verdadeiro ver-se que era afilado. O nariz de Lampião de Buritis era meio grosso.
              
6 - O queixo de Lampião verdadeiro, tem certo formato do queixo de Lampião de Buritis. Mas esta aparência é devido a cabeça de Lampião, estar, não sei, sobre uma mesa, um colchão, ou outra coisa parecida, e fez com que o seu próprio peso arriasse um pouco, dando um ligeiro formato do queixo de Lampião de Buritis.
             
O escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa diz em um dos seus artigos: (OS 70 ANOS DA MORTE DE LAMPIÃO - publicado em 18/06/2008), que no livro “LAMPIÃO E ZÉ SATURNINO – 16 ANOS DE LUTA”, escrito por José Alves Sobrinho, que era sobrinho em segundo grau de José Saturnino, o inimigo número 1 de Lampião, diz que o rei não morreu em Angico, e sim, aos 83 anos de idade na fazenda Ouro Preto, em Tocantinópolis, Goiás. 
              
E diz ainda o escritor que um senhor chamado Jaques Cerqueira, subeditor do Viver do Jornal Diário de Pernambuco, é o autor de um artigo intitulado “A outra morte de Lampião” que saiu no jornal Página Certa, da minha  Mossoró, afirmando que Lampião não morreu em Angico, e sim em setembro de 1981, na fazenda Ouro Preto, em Tocantinópolis, Goiás. 
              
Ainda segundo Alcino, José Alves afirma: “O Capitão Virgulino tinha o olho esquerdo com pálpebra arriada, e não o olho direito fechado como o da cabeça decepada pela polícia e mostrada no “Museu Nina Rodrigues”. 
              
O escritor ainda faz uma interrogação: “-Lampião morreu em Angico?” E ele mesmo a responde: “-Acredito que sim. Mas, me pergunto - continua ele, por que os estudiosos, os historiadores, os pesquisadores, enfim, a sociedade brasileira não aceita sob hipótese alguma desfazer as terríveis mentiras que foram plantadas naquele pedacinho histórico de sertão? E se Lampião não morreu em Angico, como é que fica a história?" Finda o escritor.
              
Eu como estudante do cangaço, não tenho a menor dúvida.  Pela foto da cabeça, Lampião morreu na chacina de Angicos de 1938. Papéis e gravações cabem tudo. Mentiras e Verdades.
             
Respeitando o ilustre escritor José Alves Sobrinho. Mas tenho que dizer a minha verdade e repúdio sobre a não acontecida morte de Lampião: O escritor fez esta história no intuito de lucros e mais lucros. 
             
Também não entendo o porquê de não terem feito o DNA, pois acredito que material para exame existe. O que falta é o interesse da comprovação real sobre os dois Lampião.
             
Gostaria de dizer ao nobre escritor José Alves Sobrinho, que muito embora pareça, mas isto não é uma crítica, apenas minha análise e opinião.
              
José Mendes Pereira - Mossoró - Rio Grande do Norte.

Fonte: facebook
Página: Lampeão o Rei do Cangaço

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