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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A INVENÇÃO DO SERTÃO

By: Rostand Medeiros
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“O que é o tempo? Se não me perguntam, eu sei; se me perguntam, desconheço”. A frase de Santo Agostinho, que me chegou através do escritor argentino Jorge Luis Borges, mais parece um aforismo de Guimarães Rosa: O que é o sertão? Se não me perguntam, eu sei; se me perguntam desconheço. Segundo o dicionário Houaiss, o sertão é uma região agreste, afastada dos núcleos urbanos e das terras cultivadas, em especial a zona mais seca que a caatinga, ligada ao ciclo do gado, e onde permanecem tradições e costumes antigos. Para Câmara Cascudo o sertão é o interior, como o definiram os cronistas Fernão Mendes Pinto, o Padre Antonio Vieira e o escrivão Pero Vaz de Caminha.
O sertão dos bandeirantes paulistas situava-se na Serra do Mar ou além dela, em floresta atlântica, onde grilavam índios, procuravam ouro, pedras preciosas e caçavam animais de peles comerciáveis. Capistrano de Abreu lamentava que a história brasileira tivesse ficado apenas no litoral, não adentrasse os interiores. Os primeiros mapas desenham um Brasil costeiro. Só mais tarde, com o avanço da colonização e o trabalho dos exploradores, seguindo os cursos dos rios, chega-se ao outro Brasil.
Os ingleses traduzem sertão como backlands – terras de trás. Olhando o mar e o litoral, tudo o que está às costas seria sertão. Esse primeiro significado valia para as terras gerais do Brasil. A palavra sertão ainda não fora reinventada pelos escritores, poetas, pintores e cineastas. Ainda não ganhara os limites geográficos que hoje a situa em zonas mais áridas, sobretudo nordestinas. Cascudo escreveu que “o nome fixou-se no Nordeste e no Norte, muito mais do que no Sul. O interior do Rio Grande do Sul não é sertão, mas poder-se-ia dizer que sertão era o interior de Goiás e de Mato Grosso”. Para Guimarães Rosa, ele se situa nos gerais de Minas.
Vaqueiro nordestino vestindo seu traje de trabalho - Foto - Geyson Magno - Fonte - http://saovicentenews.blogspot.com
Há algo que sentimos como sertão. Talvez ele nos transmita um apelo, o mesmo que Rudyard Kipling ouviu em relação ao Oriente. – “Se ouvires o apelo do Oriente, já não ouvirás outra coisa”. Se ouvires as vozes sertanejas, já não escutarás outras vozes. Nem enxergarás outras perspectivas, como um cearense a quem subiram num prédio alto de São Paulo e pediram que dissesse o que avistava e ele respondeu: o Crato. O sertão habita em nós, mesmo quando já não o habitamos. O sertão é como Deus definido por Hermes de Trimegisto: uma circunferência cujo centro está em toda parte e a periferia em nenhuma. O sertão é a essência, o miolo, o cerne. É marca de ferro que nos queima e nunca se desfaz. O sertão é o silêncio das pedras, as ausências. O sertão não existe, é pura invenção dos poetas.
O sertão é anterior ao descobrimento. Ele já se fundara em Creta, na Grécia Antiga, o berço da civilização ocidental, no culto ao touro, na arte de domar a rês. E em Israel com o legado da Escritura Sagrada. O Oriente e o Ocidente se juntaram no sertão, no sedimento da cultura moura e judaica transportada da Península Ibérica.
Mas é através dos artistas que o sertão se inventa. Cada um cria o próprio ferro de marca, o sertão pessoal que vira patrimônio de todos: José de Alencar, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Glauber Rocha.
O cinema do ciclo do cangaço fixa os estereótipos de um regionalismo que a televisão irá explorar de forma grosseira e vulgar. Surgem caricaturas de trajes e falas, os coronéis, as sinhás, os vaqueiros que não são cowboys. Retrata a miséria, os mandacarus e chique-chiques, os despotismos, a sanha dos cangaceiros. O sertão por essas lentes é um mundo sem épica, de tragédias sem sentido trágico. Não possui a dignidade de um faroeste americano, do cinema de John Ford, John Huston ou Roberto Leone.
À margem do poderoso mundo da comunicação, os poetas, violeiros, cordelistas, aboiadores, contadores de história, xilogravadores, ferreiros, artesãos do couro, bordadeiras, romeiros e brincantes dos autos populares continuaram produzindo uma arte que se filia à tradição universal. Através deles, se realizou o milagre de síntese de várias culturas milenares.
Sertão do Jaguaribe, Ceará, 2009 - Foto - Rostand Medeiros
No sertão, origens e tempos se misturam. O aboio, que chama para o curral o gado de semente indiana, lembra o canto de um muezim muçulmano. O sertanejo habita uma casa de arquitetura portuguesa. Come o pão em que o trigo foi substituído pelo milho de lavra indígena. Acende um cigarro de fumo da terra, e põe na cabeça um chapéu de palha com trançado africano. Dentro de casa, a esposa vê televisão, e o filho pequeno brinca num vídeo game. E o homem nem imagina que nele deságuam civilizações e saberes. Repara na tarde “que tem qualquer coisa de sinistro como as vozes dos profetas anunciadores de desgraça”, e num vaqueirinho que testa o aparelho celular, buscando sintonia com o mundo.
RONALDO CORREIA DE BRITO é autor de Faca, O livro dos homens, Galiléia e Retratos Imorais.
2011/07/09/noticiavidaeartejornal,2265127/a-invencao-do-sertao.shtml

Extraído do blog: Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros

O TEMPO DAS BOTIJAS

By Rostand Medeiros
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O povo nordestino tem certas peculiaridades que o distinguem dos de outras regiões brasileiras. São tradições e costumes que o pintam de maneira singular.
Quando criança, comecei a ouvir lá no meu interior, histórias de descobridores de botijas, era o tempo das botijas que creio eu ainda não findou-se.
Contavam os mais velhos que nos séculos XVIII, XIX e ainda quase metade do século XX. O povo do interior costumava guardar suas moedas de ouro, prata e cobre escondidos em latas de metal onde podiam ser conservadas ou em baús revestidos de chapa de metal e enterrados. O lugar era marcado por pedras, acidentes geográficos ou embaixo de grandes e velhas árvores.
As latas eram colocadas nas paredes grossas das casas e os baús, longe, como já dito fora delas.
O costume se fazia pela falta de bancos, pelo medo do roubo e por não ter com que gastar o muito lucrado. Sertanejos faziam quase tudo, e se às vezes tinham o que comprar, guardavam uma minguada economia que sobrava sempre e assim se mantinham.
Em Ipueiras, foram encontradas várias botijas no correr de sua história, a mais recente na década de 1970. O descobridor derrubando as paredes de uma antiga casa encontrou socado numa grossa parede de canto uma lata, cheia de moedas de prata e ouro, não se sabe o valor, o certo é que silenciosamente em pouco tempo mudou-se com a família para uma capital do sudeste e só depois por parentes se soube do fato.
Contornando o morro do Cristo, em Ipueiras , se via no caminho serpenteado, covas quadradas na medida de um grande ou médio baú, quase a beira da estrada carroçal.
Não havia dúvida, e isso era fato corrente daquela região, muitas botijas foram certamente achadas.
Dizem os mais velhos que às vezes o felizardo sonhava com o lugar, ou por pura sorte cavando encontrava. Para completar o quadro,era corrente a história de que ao cavar o astuto e ambicioso tinha visões macabras, como fogo queimando o corpo, cobras se enroscando nas penas e espíritos penados a mandar que parasse a escavação. O certo era que das histórias que ouvi muitos fugiram e se desequilibraram mentalmente, outros mais corajosos iam até o fim, e bastava abrir o baú de madeira carcomida, tudo sumia com um gemido medonho.
O que levava estas botijas a serem esquecidas era ou a morte repentina do dono, e só ele sabia onde estava, ou pela idade o esquecimento que lhe fazia procurar e não mais achar o lugar correto.
Outro fato era o sonho do lugar da botija, dizia-se que o espírito não teria paz enquanto não revelasse o segredo, o dinheiro que em vida não usufruiu, que o ouro e a prata o prendiam no lugar.
Verdadeiro ou falso, muitos descobriram esses tesouros, e formou-se lenda no sertão, dinheiro não gasto traz a perdição do falecido.
O tempo das botijas passou. Mas quem pode afirmar quantas ainda estão a esperar o seu descobridor. Com modernos aparelhos a detectar metais, um corajoso aventureiro não há de voltar de mãos vazias, ficando rico da noite para o dia e finalmente libertando o espírito de quem a enterrou.
Bergson Frota – Cronista - bergsonfrotta@ig.com.br
app/opovo/jornaldoleitor/2011/08/20/noticiajornaldoleitorjornal,2280957/o-tempo-das-botijas.shtml
Extraído do blog "Tok de História" do historiógrafo Rostand Medeiros

Filha dos cangaceiros Moreno e Durvalina



MÃE E FILHA
Jovina Maria da Conceição Souto,
à esquerda, ex-cangaceira do bando de Lampião. Ex-companheira do cangaceiro Vírgínio. Com a morte de Virgínio, Durvalina passou a conviver com o cangaceiro Moreno, que antes era comandado de Virgínio.
Nely Maria da Conceição,
à direita, filha dos cangaceiros Moreno e Durvalina.   Ela nasceu no dia 2 de Setembro de 1950, em Augusto de Lima, no Estado de  Minas Gerais.  É a segunda dos 5 filhos do casal de ex-cangaceiros Moreno e Durvinha.
Durvinha faleceu no ano de 2008 e Moreno no ano de 2010.

Grande empresário engana Lampião e quase lhe vende o pão

Por: Guilherme Machado
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Foi na Serra do Machado em Ribeirópolis, no Estado de Sergipe, no ano de 1935,
que o grande empresário engana Lampião e quase lhe vende o pão
Minha intenção é focalizar passagens da história de Mamede Paes Mendonça, filho de Elisiário e Maria da Conceição, proprietários de um sítio em Serra do Machado, Distrito de Ribeirópolis-SE. Quando criança quebrou um braço, passou a estudar e a ser feirante, vendendo o que o sítio produzia. Seu primeiro investimento foi uma padaria, no ano de 1935, na Serra do Machado no Município de Ribeirópolis - Sergipe.  
Numa madrugada, recebeu Lampião que levou toda a produção de pães. Com sua simplicidade seu Mamede conquistou Lampião, levando-o até a querer pagar. Com sua visão logo foi empresário em Itabaiana, Aracaju, Salvador, expandindo para São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Grande história de um grande homem, que com muita sabedoria sobre contornar o temível Lampião.

Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha - BA.

Atenção cantadores e compositores - Vem aí...

II FESTIVAL DE MÚSICAS DO CANGAÇO
 
 
Está previsto para o período de 10 de janeiro a 10 de fevereiro as inscrições para os interessados em participarem do 2º Festival de Músicas do Cangaço, indicado pra acontecer no dia 28 de abril de 2012, em Serra Talhada, a Terra de Lampião e Capital do Xaxado.
Em breve o as fichas de inscrições e regulamento vão estar disponíveis no blog -
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com- e no Museu do Cangaço. Serão distribuídos
R$15.000.00 (quinze mil reais) em prêmios.
O 2º Festival de Músicas do Cangaço é de um evento competitivo, que tem como objetivo incentivar a boa música, aprimorar e desenvolver a cultura musical, revelar talentos, valorizar artistas, compositores e intérpretes;
O evento será de âmbito nacional, onde o cenário é propiciado pela diversificação cultural, voltado para Música Popular Brasileira, de composições inéditas, com temática Cangaço, visando envolver todos os gêneros e estilos, objetivando fomentar o segmento musical em vários formatos, além de formar platéia e criar massa crítica. Prepare sua música e arrume o matulão pra vir participar conosco dessa festa.

Att. Anildomá Willans de Souza
MUSEU DO CANGAÇO
Ponto de Cultura Cabras de Lampião
Vila Ferroviária, S/Nº - Centro
CEP: 56.903-170
Serra Talhada - Pernambuco
Tel: (87) 3831 3860 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
www.pontodeculturacabrasdelampiao.blogspot.com
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*A sugestão da matéria foi do sempre atencioso cumpadi Wilson Seraine. Que a propósito
merecia um cargo de acessor de comunicação do Ponto de Cultura. Wilson apesar de ser Piauiense da capital é quem nos repassa as novidades de Serra Talhada.

Extraído do blog: "Lampião Aceso"

SECAS E CANGAÇO


Por: Lúcia de Fátima Guerra Ferreira
Na bibliografia existente sobre o cangaço nem sempre os autores concordam entre si com relação aos fatores determinantes e geradores deste fenômeno social.
Segundo Rui Facó, um dos caminhos para o cangaço começava com as dificuldades provenientes das secas pois, muitos sertanejos engajavam-se “nas chamadas obras contra as secas durante uma das calamidades periódicas. Chegadas as chuvas no ano seguinte, em geral as obras não prosseguiam, pois tinham mais por finalidade reter ali mão-de-obra excedente para o latifúndio. Uma vez que não podia absorver toda mão–de-obra disponível, os desocupados procuravam outro meio de vida, nem que fossem os assaltos armados, entrando para um grupo de cangaceiros”.
Maria Lúcia Resende Garcia
Para Maria Isaura Pereira Queiroz, que segue linha semelhante a Rui Facó, “o cangaço independente começou, pois com um período de marasmo econômico para as populações do Nordeste, devido às circunstâncias específicas de seu próprio meio, haviam sempre recorrido à complementações ocupacionais e financeiras fora dele; no período em questão, o meio exterior nada lhes oferecia, e a maior parte da população via-se confinada aos seus próprios recursos.”
Outros autores com Billy Jaynes Chandler superestimam o aparecimento do banditismo neste período. A fragilidade das instituições responsáveis pela lei, ordem e justiça também contribuiu grandemente.
Sem encontrar garantia de proteção nem do patrão, nem do Estado, muitas destas povoações do sertão se transformaram em verdadeiras selvas, onde cada um lutava por sua sobrevivência. “Paro, portanto, certo que o aparecimento do cangaço esteja intimamente ligado a este estado de desorganização social.”
Fonte: tarauacanoticias.blogspot.com
Apesar das diferenças quanto ao determinante político ou econômico, alguns dos os autores são unânimes no que diz respeito a influência das secas que no surgimento de grupos de cangaceiros, quer na sua expansão. Chandler coloca que, “o banditismo geralmente florescia durante as secas mais intensas e se agravou durante o final da década de 1870. Embora já existisse em tempos normais, é muito provável que a freqüência com que as secas se repetiam no final do século XIX e início do século XX contribuiu para aumentar o nível de violência que caracterizou o cangaço”. E Queiroz a afirmar que, durante as secas, o engajamento no cangaço independente era o melhor meio para garantir a sobrevivência e, ao mesmo tempo, adquirir prestígio. Sobrevindo a falta de oportunidade de trabalho em regiões externas ao Nordeste, onde o sertanejo ia buscar um ganho suplementar indispensável, o cangaço independente novamente supriu os meios que faltavam e permitiu aos indivíduos mais ativos e inquietos uma oportunidade para afirmação de sua personalidade”.
Durante muito tempo existiram os “coutos” espécies de esconderijos onde se agrupavam fugitivos da sociedade, desde escravos fugidos, remanescentes de movimentos revoltosos até criminosos e ladrões, que se constituíam em grupos de bandoleiros com a tolerância de algum coronel das proximidades, esses grupos atuavam tanto em benefício próprio como em benefício dos coronéis a eles ligados.
Fonte: http://www.new.divirta-se.uai.com.br
Segundo Carlos Alberto Dória, os primeiros grupos de cangaceiros autônomos, sem a ambigüidade dos Valhacoutos surgiram durante a seca de 1877/79, com a proliferação de diversos grupos que às vezes lutava entre si, e outras aliavam-se para algum grande empreendimento (1982.33).
A atuação dos cangaceiros na Paraíba durante a seca de 1977/79 é relatada por
José Américo de Almeida, cuja ênfase é dada à proliferação desses grupos com elementos que escapam das cadeias municipais arrombada; afirmado os grupos: o de Calandro, evadido da cadeia do Grato e cabeça dos 60 assalariados de Inocêncio Vermelho; o de Sebastião Pelado, inimigo dos primeiros; o dos Irmãos viriato, formado de mais de 40 bandidos; o dos Matheus e outros”.
Dentre os cangaceiros destacam-se as figuras de Jesuino brilhante,
Grupo de Antonio Silvino - Fonte: pt.wikipedia.org
Antonio Silvino e Vígulino Ferreira da Silva,
o Lampião, que lideraram por longa data bandos organizados.
Na seca de 1877/79, já referida, firmou-se o mito de Jesuíno Brilhante tipo do cangaceiro herói, justiceiro, protetor dos flagelados e da ordem Arthur S.F eid aborda este período nos seguintes termos: Eclode e grande seca. De 1877. Esta atinge a todos, inclusive os bens de Jesuino.
Ajuda os retirantes, inicialmente com mantimentos ainda seus. Posteriormente assalta comboios de alimentos do governo, distribuindo-os aos esfomeados. À justiça, adiciona-se a prática redistributiva de Jesuino Brilhante. Quando assalta os comboios do governo, justificavam-se pela administração dos comissários do governo, responsáveis pela administração dos socorros governamentais às vítimas da grande seca de 1877. Em legitima sua atitude como não atentatória à propriedade privada.
De 1896 a 1914 destaca-se o grupo de Antonio Silvino, que resistiu o quanto pode à modernização em curso no sertão nordestino, perseguido correios, queimando correspondência, cortando fios de telégrafos, arrancando da reat Western e saqueando empreiteiros das obras ferroviárias. Também tem seu nome ligado a prática de ações em prol dos pobres e desvalidos. Em 1912, Antonio Silvino Ligou-se a oposição ao governo da Paraíba, apoiando Franklin Dantas e Santa Cruz, em Alagoa do Monteiro, Favoráveis à deposição da oligarquia civil e a instauração da política salvacionista do Presidente Hermes da Fonseca , que na Paraíba tinha a frente o militar Rego Barros, apoiado pelo General Dantas Barreto, vitorioso em Pernambuco. Apesar de a salvação instalar-se em Pernambuco, o mesmo não aconteceu na Paraíba devido a acordos entre as oligarquias e o governo federal, mediados por Epitácio Pessoa.
Em conseqüência do crescimento da onda do banditismo aliado a agitação política, foi feito um pacto entre as elites dominantes para implementar uma perseguição conjunta e intensa aos grupos de cangaceiros, que foi assinado em 1912 pelos governos dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Esse acordo foi renovado e reforçado por iniciativa do governo de João Pessoa em 1928, e só contou com a confirmação dos Estados de Pernambuco e Ceará. Um dos pontos inovadores foi a permissão para a perseguição de cangaceiros além das fronteiras do Estado, ou seja, ficava permitida a livre entrada da polícia de um Estado em outro.
Foto do Sinhô Pereira
A atuação de Lampião cobre o período de 1918 a 1938, sendo que nos primeiros quatro anos como integrante do grupo de Sinhô Pereira. No decorrer desse tempo Lampião atuou em todo o sertão nordestino, fixando-se temporariamente em determinadas áreas.
De 1923 a 1926, o seu raio de ação restringiu-se praticamente a área fronteiriça dos Estados de Pernambuco e da Paraíba, mais precisamente a altura da comarca de Princesa, já que Lampião mantinha relações de amizade com o sogro e o cunhado do coronel Zé Pereira, chefe político local.
Chico Pereira - Fonte - cariricangaco.blogspot.com
Nesse período destaca-se o ataque a cidade de Sousa pelo grupo do cangaceiro paraibano Chico Pereira, cujo objetivo era não só o saque e a pilhagem mas também atacar o seu chefe político Otávio Mariz. Após o ataque a Sousa, o coronel Zé Pereira retirou o apoio ao grupo de Lampião, que teve de seguir para outras paragens.
Coronel José Pereira
Em meados de 1926, Lampião recebeu um chamado do Padre Cícero, para ir ao Juazeiro e lá se acertou a participação do seu grupo ao combate a Coluna Prestes, que percorreu o interior brasileiro de 1925 a 1927.
Lampião chegou a receber a patente de Capitão de armas e munição, mas não chegou a ocorrer enfrentamento entre os dois grupos.
Durante os vinte anos de atuação de Lampião alguns períodos foram de recolhimento e até de dispersão do bando, para em seguida retornarem a labuta.
Em várias mensagens dos presidentes do Estado da Paraíba encontram-se referências ao banditismo e ao cangaceirismo no que diz respeito a perturbação da ordem pública e a atuação da força pública na sua repressão.
Fonte: historiaesperancense.blogspot.com
João Suassuna, presidente do Estado de 1924 a 1928, em uma de sua mensagem refere-se ao cangaço e a sua repressão nos seguintes termos:
“Sinto-me contente de render esse tributo de justiça aos que souberam cumprir nobremente o dever, e o faço com a profunda convicção de que a Parahyba sempre honrou o seu, e exaurindo-se na luta e sendo alvo do ódio e da vindicta dos malfeitores quando encontravam nos territórios vizinhos seguros esconderijos, elementos de combate em homens e munições".
Amargamos essa delicada situação por meses e anos a fio, com perdas de vida, sacrifícios de recursos e perturbação econômica para a riqueza pública, na esperança de que o mal se curasse ao menos pelo próprio excesso. Nunca registrara nos anais do banditismo o efetivo de centenas de malfeitores, armados a fuzil Mauser e tão municiados como as forças que os perseguiam, mas era essa triste situação quando começaram a agir as dignas autoridades a que com respeito, já me referi, demonstrando que a deprimente calamidade era fruto da inação e desinteresse na campanha. Jugulada a malta capitaneada pelo hediondo Lampião, não mais sofremos incursões de cangaceiros, reentrou a nossa terra na tranqüilidade de que sempre gozara mas tinha o meu governo sacrificado parte do seu programa, pelo tempo e dinheiro absorvido na luta dos seus primeiros três anos e de que toda a Parahyba pode dar caloroso testemunho. Para enfrentar com eficiente galhardia os encargos do combate, teve o governo de adotar dispendiosas medidas: construção de quartéis para destacamento de vulto no interior; aumento do efetivo da força; aquisição de armas e munições, veículos e custeio de transporte; manutenção de vários contingentes volantes, só há pouco dissolvidos.
João Pessoa - Fonte: blogdolenildo.com
Contudo, é no governo de João Pessoa, que este assunto é mais discutido e trabalhado a nível administrativo, não só com a renovação do acordo já referido, mas sobretudo pela nova tática de combate ao cangaceirismo na Paraíba cerceando o seu abastecimento de armas. Foi a chamada política do desarmamento total, como expressa bem a sua mensagem: “... ainda mais inflexível me tornei contra o banditismo, normalmente contra os protetores de cangaceiros, certamente a causa principal da permanência a difusão desse flagelo. No dia imediato a minha posse no governo convoquei uma reunião de todos os chefes políticos presentes. Para lhes manifestar, de viva voz, o empenho em que estava e estou a perseguir, de preferência, os protetores de bandidos de proteção ao bandidismo, cuja causa principal eram os pequenos arsenais com que os fazendeiros desabusados costumavam abastecer os grupos afeiçoados.
Daí, o meu empenho de promover o desarmamento geral, posto em prática sem distinguir entre amigos e inimigos, humildes e poderosos tendo já atingidos alguns chefes da situação. Se nem todos chegaram ao ponto de fornecer armas e munições livremente, muitos era desapossados, com violência, desse material que supria os bandos esgotados, valendo tal concurso involuntário como um fator do cangaceirismo.
João Pessoa organizou um serviço de guarnecimento das fronteiras do Estado, fazendo remanejamento de tropas, além de instalar o rádiotelégrafo ligando a capital com as forças do interior para o pronto atendimento aos pedidos de socorros. Por trás dessa parafernália contra o cangaceirismo, que era mais de prevenção pois nesse período a Paraíba não estava sofrendo investidas de nenhum grupo, o objetivo principal de João Pessoa era o fornecimento do aparelho do Estado frente aos coronéis.
Com a Revolução de 1930, após os primeiros anos de instabilidade no novo governo federal, o Estado brasileiro lançou-se na campanha de combate ao banditismo como nunca ocorrera antes, unificando a ação de perseguição a Lampião e colocando a cabeça dos principais cangaceiros a prêmio. Contudo, o cangaço ainda resistiu até 1940, quando foi liquidado o último grupo, liderado por Corisco.

Blog: "História da Paraíba" - do professor e historiador Josias
http://historiadaparaiba.blogspot.com/2007_12_01_archive.html

A história de Jesuíno Brilhante

Por: José Romero de A. Cardoso

Chamava-se Jesuíno Alves de Melo Calado, nascido em 1844, em Patu, Rio Grande do Norte. O sítio Tiuiú foi seu reduto, firmando seu valhacouto inexpugnável na casa de pedra da Serra do Cajueiro, próximo ao local onde nasceu.
Fez-se chefe de Cangaço devido a intrigas com a família Limão, protegida por influentes potentados rurais das províncias do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Mello (1985, p. 92) afirma que “seus principais biógrafos são unânimes em reconhecer-lhe o caráter reto e justiceiro”.
Jesuíno Brilhante agiu no semi-árido paraibano e potiguar, quando a instituição do escravismo ainda vicejava de forma proeminente, refletindo as exigências da classe dominante em fazer valer seus interesses em detrimento de valores humanos.
Fonte: tvsinopse.kinghost.net
O cangeceiro transformou-se em ´Robin Hood´, intervindo em prol dos humildes em diversas oportunidades, com ênfase quando da grande seca de 1877-1879, atacando comboios de víveres enviados pelo governo imperial, distribuindo-os com famintos e desvalidos dos sertões ermos e esquecidos.
Mello (id.; ibid.) afirma ainda que “como principais asseclas podem ser mencionados seus irmãos Lúcio e João, seu cunhado Joaquim Monteiro e mais os cabras Manuel Lucas de Melo, o Pintadinho; Antônio Félix, o Canabrava; Raimundo Ângelo, o Latada; Manuel de Tal, o Cachimbinho; José Rodrigues, Antônio do Ó, Benício, Apolônio, João Severiano, o Delegado; José Pereira, o Gato; e José Antônio, o Padre.”
Entre as mais fantásticas de suas ações encontram-se o ataque à cadeia de Pombal, na Paraíba, no ano de 1874, e a resistência à prisão em Martins, Rio Grande do Norte, em 1876.
Embora tenha feito várias alianças com chefes políticos, a exemplo da firmada com o comandante João Dantas de Oliveira, a fim de que houvesse condições de atacar a cadeia de Pombal, intuindo libertar o irmão e o pai, que ali se encontravam prisioneiros, Jesuíno se indispôs com o mandonismo local devido à sua ética.
A negativa em assassinar o eminente professor Juvêncio Vulpis Alba, em Pombal, rendeu-lhe a inimizade com o todo poderoso João Dantas, o que resultou em conluio deste com o Preto Limão, para que o vingador sertanejo fosse assassinado.
Jesuíno morreu de emboscada no Riacho dos Porcos, em Belém do Brejo do Cruz, na Paraíba, no final da seca de 1879, atingido por carga de bacamarte disparada pelo visceral inimigo Preto Limão.
BIBLIOGRAFIA

JASMIN, Élise, Cangaceiros, Ed. Terceiro Nome, São Paulo, 2006

MELLO, Frederico Pernambucano de., Guerreiros do Sol - O banditismo no nordeste brasileiro, Ed. Massangana, Recife, 1985

NONATO, Raimundo, Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico, Fund. Vingt-un Rosado, Mossoró, 2000
ADENDO

Casa de Pedra onde morou o cangaceiro Jesuíno Brilhante em Patu-RN

Clique duas vezes para assisti-lo no YouTube 



Hoje na História - 25 de Agosto de 2011

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 25 de agosto de 1950, o Senador Getúlio Vargas faz sua segunda visita a Mossoró, nessa oportunidade como candidato à Presidência da República. Sua comitiva era integrada pelos parlamentares Batista Luzardo, Rui Almeida, Gurgel do Amaral. Cel. Gasyh Chagas Pereira, Professor Stevenson, Dr. Ubirajara Índio da Costa, Samuel Wagner, Dr.Carlos de Souza Gomes, além da guarda pessoal comandada por Gregório Fortunato. 
Grande multidão o recepcionou no aeroporto da cidade, estabelecendo cortejo automobilístico até a praça Rodolfo Fernandes de onde, em palanque armado, falaram em saudação ao
Senador Getúlio Vargas, os drs. Antônio Rodrigues de Carvalho, pelo PTB
Fonte: honoriodemedeiros.blogspot.com
e Abel Coelho, pelo PSP,
seguindo-se como a palavra o deputado Gurgel do Amaral, Dr. Gilson de Mendonça, este em nome do Governador Ademar de Barros e por último, o candidato Getúlio Vargas. Ato seguinte, a multidão o acompanhou ao palanque residencial do industrial Raimundo Jovino de Oliveira, à rua Almino Afonso, onde lhe oferecido um banquete, falando o Dr. José Maciel Luz e por último o deputado Batista Luzardo, que em seu grande improviso recordou o dia 7 de fevereiro de 1930, em Natal, onde, dirigindo uma caravana de políticos liberais, testemunhou graves acontecimentos provocados pela policia do Governador Juvenal Lamartine. 
O Senador Getúlio Vargas e comitiva ficaram hospedados.

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Geraldo Maia do Nascimento



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Hoje na História - 25 de Novembro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 25 de novembro de 1922, o General Cândido Mariano Rondon esteve em visita a Mossoró com a incumbência de examinar as Obras Contra as Secas. 
Sua comitiva era constituída dos Capitães do Exército Emanuel Amarante e Tomaz Reis, Drs. Indefonso Simões Lopes de Morais Barros, Eng. Henrique de Novais e José Bezerra, diretores das OCS no Ceará e Rio Grande do Norte. 
O General Rondon e comitiva visitaram as salinas “Miramar”, apreciando os métodos de fabricação do sal, após o que, de regresso a Mossoró, viajaram de automóvel para a cidade do Assú. 
O General Cândido Rondon demonstrou nessa visita seu grande interesse pelo prosseguimento da Estrada de Ferro de Mossoró. 
Era natural do Estado de Mato Grosso, tendo nascido no município de Santo Antônio. Descendia dos Índios Guanás.

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Blog do Gemaia
Autor:
Geraldo Maia do Nascimento



Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"
Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 26 de novembro de 1916 era encenada, no Cine-teatro Almeida Castro, a revista de costumes locais – MOSSORÓ POR DENTRO, de autoria do Prof. Eliseu Viana, na época Diretor do Grupo Escolar “30 de Setembro”.
O aludido trabalho contou com a colaboração do beletrista Tibério Burlamaqui e dos musicistas Martins de Vasconcelos, Augusto Coelho e Irineu Wanderley dos Santos.
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comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.
Fonte:
Blog do Gemaia
Autor:
Geraldo Maia do Nascimento



Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

Hoje na História - 27 de Novembro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 27 de novembro de 1928 dava–se o lançamento da pedra fundamental da Igreja
de São José, no bairro Paredões, com solene cerimonial e discursos alusivos do Cônego Amâncio Ramalho e Padre Luiz da Mota, vigário de Mossoró.
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Blog do Gemaia
Autor:
Geraldo Maia do Nascimento



Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

A espera (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

A espera

Manto de cor enluarada
mansamente caminhando
trazendo ladeando consigo
o perfume da flor da manhã
soprando aragem no vento
na quietude e beleza da face
ela vem...

ainda ao longe bem longe
imagino sentir o seu passo
a natureza está resplandecente
tudo na vida se mostra feliz
o tempo para a esperar
o vulto na curva distante
porque ela vem...

corredor de flores na estrada
uma dádiva e uma fortuna
um singelo presente na mão
buquê de manhã campesina
uma fruta vermelha madura
quanto eu quisera dar a vida
e dizer amém...


 
Rangel Alves da Costa

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

EIS-ME AQUI! (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

EIS-ME AQUI!
Estava decidido, arrumei as malas, planejei o passo de cada passo e sua sombra, mas acabei desistindo, e continuo aqui. Abri novamente a janela, reguei as plantas, coloquei comida pros passarinhos, disse ao silêncio que conversaria depois.
E decidi não partir por vários motivos. Só tenho essa casinha pequena, esse casebre ao pé da serra encantada, e não posso simplesmente deixar o que tenho ao desvão. Preciso destruir a cumeeira e retira o telhado. Só quero o tempo, a lua, a chuva, o sol e vento por cima de mim.
Não posso esquecer-me de arrancar a janela e as duas portas, a da frente e a de trás. Não quero nada que me tranque, me feche, me guarde. Como não tenho tempo nem dou atenção a coisa ruim, então tudo que quiser chegar pode ir logo entrando de porta adentro que ouvirá o meu dedo de prosa, mas também o meu silêncio e a melodia que chega no vento.
Tenho muito ainda a fazer por aqui, só agora me dei conta. Preciso ainda deitar na rede e sonhar os sonhos que me prometi e ainda não sonhei, tenho que procurar barro lá no barreiro e fazer um pote e uma moringa novos, necessito puxar a mata um pouquinho mais pra cá que é pra os bichos se ajeitarem por cima dos móveis que não possuo.
Preciso mudar urgentemente a curva do vento e a hora que começa o entardecer de verdade. O vento está passando distante, soprando longe da minha janela, não quer mais entrar pela minha porta, está procurando inimizade comigo. Se eu antecipar o entardecer, coisa fácil demais de fazer, então o danado soprante não vai mais ter desculpa de que passa longe porque vai apressado demais.
Também vou derrubar o varal, retirar os dois pedaços de paus e o arame. Vou deixar a roupa secando mesmo por cima das pedras do riachinho, e aí não vou ter trabalho de tomar banho acolá e vestir roupa aqui. Estando tudo lá, então só é lavar a que tiro, estender depois da limpeza e em seguida escolher a roupa que quero vestir. Por isso vou deixar lá um pente também, pois o espelho não há de faltar na água cristalina.
Tenho um velho baú que precisa ser desenterrado debaixo da umburana que fica defronte ao casebre. Deixei lá abaixo de alguns palmos de terra porque queria ver enterrado alguns escritos cheirando a limão, a charuto e à solidão. Minha vida de escrivinhador está todinha ali. Versos de desamor, cantigas de relembranças, crônicas irrealistas, contos de tanto faz.
Mas o mais importante ali não são os escritos. Estes se reescrevem sozinhos, mas sim as cartas, bilhetes, pedaços de papel e fotografias de um tempo ido. Fui menino e era tão diferentemente bonito, segundo o velho e amarelado retrato. Tive família um dia, uma mãe sorrindo e alegre, um pai ternamente resoluto, como se pode ver no velho cartão retratado. E tive amores perfeitos, desfeitos e insatisfeitos. Em cada cartinha ou bilhete se lê um tanto gostar, e até amar, pra depois dizer adeus.
Por tudo isso resolvi ficar, e eis-me aqui. Mas minha permanência tem outras motivações que há muito atinam meu juízo, consomem os meus dias, me deixam danado de preocupado. Eis que ouvi dizer que algumas pessoas que vivem mais adiante, que moram na cidade grande, precisam urgentemente conversar com alguém. O mais estranho é que moram com suas famílias, amigos, companheiros, ao lado de tanta gente, e não conseguem conversar com ninguém.
E como eu gostaria de conversar com essas pessoas, ter um dedo de prosa com cada uma. Mesmo sem conhecer profundamente suas histórias, seus temores, alegrias ou desilusões, diria que nem precisavam conversar comigo para serem ouvidas. Ora, os outros são absolutamente desnecessários para alguém confessar qualquer coisa boa ou ruim, dizer qualquer coisa de sua vida. Não há nada que mais saiba ouvir do que a própria pessoa, não há nada mais realista do que o próprio indivíduo consigo mesmo, e basta um espelho para confirmar tudo que se confessou, que se conversou, que obteve como resposta.
E fizessem como eu, que prefiro o silêncio da solidão à falsa presença. E sou tantos em mim, tantos comigo mesmo, que somente vivendo sozinho para ter espaço para quem verdadeiramente amo. Que humanamente sou eu mesmo. E se outra pessoa quiser ser mais uma em mim, eis-me aqui.

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com