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sábado, 7 de julho de 2012

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 8 (CONFISSÕES DO VELHO COITEIRO)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 8 (CONFISSÕES DO VELHO COITEIRO)

Certa tarde decidi colocar em prática aquilo que vinha com intenção de fazer desde muito tempo. Coloquei a mochila da história no ombro, coloquei pilha no eco do tempo, me municiei de papel da memória e da caneta do destino. E segui adiante.
Sou historiador das veredas da vida e não um agente da verdade transformada. Por isso mesmo meu compromisso maior é pesquisar, colher o inusitado, o que ninguém já nem valoriza mais, para mostrar a desconhecida saga do povo sertanejo. Meu povo. E como sou feliz por ser desse povo.
Fui no passo certo, pelo caminho que certamente levaria até ele, um velho coiteiro que agora só dava refúgio e guarida, mantinha e acobertava, às velhas recordações de áureos tempos em que desfrutou da honraria de ser amigo e contar com a confiança do rei maior das caatingas nordestinas, o Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião abrasando o seu tempo.


Já o conhecia de outras conversas, de outros encontros no descompromissado entardecer sertanejo. Sempre de boa conversa, chegado a um proseado sobre fatos e coisas matutas, ficava um pouco relutante apenas quando a conversa puxada dizia respeito aos seus tempos de coiteiro a serviço de cangaceiros.
Tentava fugir do assunto, desconversar, sempre dizendo que havia sido um tempo que já havia morrido e que, portanto, estava sepultado na sua memória. Mas eu sabia que não era nada disso, que o velho coiteiro ainda respirava aquela vida perigosa de antigamente, ainda se orgulhava do trabalho realizado para ajudar seu amigo Capitão.
Um dia resolvi fazer com que o homem abrisse de vez o seu velho baú cangaceiro, contando tudo o que sabia e o que tinha vivido naqueles tempos de sol refletindo sangue esparramado pelas veredas sertanejas. Mas não somente isto, pois também um tempo de amizades, de confiança, de se acreditar na força que o sertanejo tem.
Cheguei embaixo do tamarineiro onde estava sentado numa cadeira de balanço e pedi licença para ficar por ali um pouquinho. Gritou que seu bisneto trouxesse um banquinho e depois disse que eu havia chegado em boa hora. Perguntei por que e o velho sertanejo me falou que não suportava mais ficar muito tempo sem dizer algumas verdades do seu percurso de coiteiro.


Pediu que trouxesse uma lapada de pinga, me ofereceu outro tanto, que prontamente aceitei com um sorriso, e depois passou a mão pelo queixo de barba branca por fazer e me pediu pra olhar em direção a uma mataria que se descortinava adiante. Acompanhou o meu olhar e em seguida disse que aquilo era nada diante do corrupio catigueirento e espinhoso de outros tempos.
Era uma mata muito mais fechada, perigosa, cheia de armadilhas, de espinhos graúdos e pontas de paus que pareciam faca amolada. Só entrava ali quem tinha mesmo alguma coisa a resolver. E era nos esconderijos dessa mataria que os cangaceiros procuravam se refugiar depois dos combates e das longas caminhadas, e estas muitas vezes feitas ali por dentro mesmo.
Por isso mesmo é que tanto precisavam do coiteiro, daquele que conhecendo onde estavam escondidos, passava a ter a incumbência de ser o contato entre eles e o mundo lá fora. Não somente isso, pois também aquele que fazia chegar ao coito tudo o que precisassem. Se Maria Bonita precisasse de uma máquina portátil de costurar, então lá ia o coiteiro providenciar.
Tanto levava como trazia carta e recado. Batia na porta do coronel dono do mundo sem medo porque chegava logo dizendo de quem estava a serviço. Em seguida transportava maços de notas graúdas, caixas de munição, sacos de alimentos. Tudo isso carregado nas costas ou no lombo dos jumentos, mas sempre com o cuidado maior do mundo para não ser descoberto pela volante que se espalhava por todo lado.


Era um serviço muito difícil e perigoso de ser feito. Coiteiro macho de verdade foi torturado e até perdeu a vida de bico calado. A polícia, não sabendo que ajudava Lampião e seu bando, simplesmente ia pegando qualquer e judiando. Gente que não sabia de nada mentia, dizia que a cangaceirada estava lá pra perto da Maranduba. Na verdade estava noutra direção.
Mas o silêncio era a lei que imperava para o coiteiro. Também não podia ser diferente, pois ou se fazia de mudo ou corria o risco de morrer pelas mãos dos próprios cangaceiros. E não foi só um não, mas muitos que foram degolados pelos bandoleiros apenas porque achavam que estavam sendo traídos.
E muitas vezes eram traídos mesmo. Traição foi o que mais ocorreu no cangaço. Daí a certeza de que Lampião possuía uma misteriosa proteção lhe acompanhando, avisando sempre quando o tempo ruim estava batendo na porta, cercando o coito. Coiteiro traía, dava o mapa do lugar, mas quando a macacada chegava lá o canto já estava mais limpo.
Só não se livrou de uma traição. Ao menos é o que dizem, mas coisa que não acreditava não. Conhecia aquele que passou para a história como o traidor de Lampião e nunca achou que ele teria sido capaz de ter feito aquilo. E se houve um traidor nessa história toda foi o próprio Capitão João Bezerra, comandante da volante que acabou praticando a chacina.
E traidor porque mancomunado com o próprio Lampião, tendo gente que até via uma verdadeira amizade entre os dois. Ora, os dois já tinham sido avistados jogando baralho juntos e no meio da mataria; trocavam bilhetes, mandavam recados. 
Certa feita Lampião mandou emprestado, e sabendo que era verdadeira doação, um embornal cheio de dinheiro pro comandante da volante, da macacada.


E quem levou o dinheiro não havia sido outro não, mas o próprio coiteiro sentado ao meu lado. Então perguntei por que a volante comandada pelo Capitão João Bezerra atravessou o rio e matou o amigo Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. E a resposta veio numa surpreendente revelação.
E disse que Lampião já sabia de tudo, até a hora do ataque da volante. E não saiu da Gruta do Angico a tempo porque não quis, o campo estava aberto pra ele seguir pra onde quisesse. Não foi embora porque já estava cansado daquela vida e preferiu se findar de uma vez a ir morrendo aos poucos.
Assim, Lampião só morreu porque quis. E a volante só atirou em quem estava ali porque João Bezerra havia afirmado que o grande Capitão não estava mais no lugar. Ao menos foi isso que ouvi do velho amigo coiteiro que já não existe mais.


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (VI)

Por: Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 814

É sempre difícil falar nossas opiniões sobre o pensamento dos grandes sobre qualquer assunto. 
Oscar Niemeyer, por exemplo, foi autor de prédios famosos, alguns feios, outros sem ventilação. Mas quem ousa criticar o mestre, como vi em certa revista? Mas também já vi críticas sobre teses absurdas de um grande do cangaço, no próprio espaço virtual dedicado ao tema. Bem, quem escreve é formador de opiniões, cabe aos leitores, como nós aceitar ou não. Com as melhores das intenções, com seu trabalho exaustivo, sério e de fôlego, Arquimedes deixa ao leitor alguns ganchos que não comprometem sua obra. 

O assunto é vasto e nem sempre o autor dispõe de outras fontes para confronto. Pag. 129: Água Branca, Alagoas, não pertence à região do Pajeú. Págs. 150, 151 e 152: Excelente sobre Frederico Bezerra Maciel. Pag. 228: O peitica também é uma ave do interior (Empidonomus varius) parecido com o Bem-te-vi. Seu canto é considerado de mau augúrio. Págs. 252, 253: Faltando entre os quatro mais importantes combates, o primeiro de Poço Branco, quando Virgolino se firmou para o cangaço.



Houve um segundo combate de Poço Branco, logo após o assalto a Água Branca (ver depois detalhes:“Lampião em Alagoas”). Pag. 277: Ótimo, dignidade do tenente alagoano José Joaquim Grande, ao resguardar Volta Seca, mas, Pag. 351, sobre o mesmo tenente, o contrário? O tenente era homem de toda a confiança do comando. Pag. 430: Se os seguidores de Bezerra naquela noite de 27 de julho de 1938, não fossem destemidos, não teriam passado a noite enfrentando o frio terrível e o escuro para enfrentarem o bandido Lampião. 


Sobre as imundícies praticadas por Panta e outros, é outra coisa: abomináveis. Pag. 445: Nunca vi uma fotografia de Lídia para afirmar que ela era mesmo a mais bonita, pois, pelas fotos vistas, somente “bonita” era o apelido de Maria de Lampião. Aliás, beleza é questão particular de cada um. Pag. 453: O grande e excelente Costa incorporou tanto o tema cangaço, dá inúmeros títulos a Lampião e chega ao absurdo de chamá-lo Herói Nacional, (talvez um Caxias, um Tiradentes, um Plácido de Castro...) essa, com toda vênia, não engulo nem com manteiga. Pag. 455: Foram chefes de Virgolino: Matilde, os Porcino e só depois Sinhô, quando veio o apelido Lampião. Pag. 463: Tentando diminuir o mérito de José Rufino em cercar um paralítico. Quem já viu cobra cascavel paralítica sem veneno? Pag. 484: Lampião, Justiça de Deus: Um absurdo maior do que o paralítico. Essa opinião nem com manteiga e iogurte.

Não sou vaqueiro do cangaço, não sou associado ao movimento, não sou escritor e pesquisador do cangaço, propriamente dito, sou apenas um leitor exigente e como leitor, não me pode ser negado o direito de opinar, certo ou errado. Sobre a parte relativa à Maria Bonita, preferi apenas ler as palavras do Dr. Pedro de Morais, nas citações de Archimedes, bem como os veementes protestos de defesa.


Sobre ridículos, pequenos, médios e grandes escritores do cangaço: Muitos querem colocar Lampião no céu; poucos enfiá-lo no inferno; e pouquíssimosenquadrá-lo no purgatório.
Encerro aqui os meus trabalhos de uma série de seis crônicas sobre a obra de Marques, agradecendo a paciência dos leitores e a confiança do autor. Desejo todo o sucesso do mundo ao pesquisador, delegado, advogado e novo escritor desse tema complexo e de borracha que se chama cangaço. Almejamos, meu amigo Archimedes Marques, outros livros seus na praça, tão bons e gostosos de leitura quanto “Lampião contra o Mata Sete”. Parabéns.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Enquanto não vem cangaço - Maria dos Anjos

 Por: José Mendes Pereira

Uma mocinha com pouco mais de 16 anos. Moreno claro, de olhos negros, cabelos longos e  pretos, como a asa da graúna. Era uma verdadeira "Iracema". Ninguém resistia o seu olhar  atraente, já imaginava coisas imorais. Além do mais, tinha umas lindas coxas. Coisa de menina bonita. Nem parecia ser filha de um homem feioso, magro, cabeça de coco, poucos dentes naturais, e alguns havia adquirido no protético prático do bairro.  Totalmente desajeitado, como  era o seu pai, o Elesbão. 

Certo dia chegara do Rio de Janeiro um militar, o João Prado, todo enfiado num uniforme do exército brasileiro. Era cearense da gema, mas desde menino que viera para Mossoró, em companhia dos pais. Aqui cresceu, e daqui foi servir o exército no Rio de Janeiro. Ao ver a linda mocinha, que não havia presenciado  a rápida mudança em seu corpo, a desejou de corpo e alma.  

Os pais do João Prado eram  vizinhos dos pais da Maria dos Anjos,  mas as amizades entre eles eram restritas, apenas algumas vezes faziam reuniões nas calçadas.

Nesse dia, o João Prado chegou a prosear com a mãe da Maria dos Anjos, a Isabel, sobre a  beleza da sua filha, chegando a  mandar-lhe um recado , que fosse se arrumando que iria levá-la para Copacabana.

Nos anos setenta, uma das boates  mais faladas em Mossoró, era o Cassino "Copacabana", no bairro Bom Jardim, situada nas imediações do Alto do Louvor, lugar reservado para a prostituição de mulheres.

Assim que dona Isabel chegou em casa, participou a Elesbão, a brincadeira que o João Prado dissera com sua filha, que fosse se arrumando, que iria levá-la para "Copacabana", e lá, ambos, iriam viver um belo romance. 

Elesbão ao ouvir a  brincadeira do João Prado, contada pela sua esposa, a Isabel, não disse nada, ficou calado, apenas ficou tentando engolir o ódio que atravessava em sua garganta, sobre o desrespeito do João Prado, com a sua filha, a Maria dos Anjos. Ficou a imaginar que aquele sujeito metido a galã estava pensando que iria passar a perna sobre sua filha. Ele estava totalmente enganado. Sim Senhor! Aquela filha era criada com carinho, filha única e nada lhe faltava. Era pobre, mas filha de um senhor honrado e trabalhador.

Quantas vezes saíra ao clarear do dia para o seu sofrido emprego, lá na fábrica de óleo do Aderaldo, só para dar a sua filha o que ele não tivera quando em companhia do seu velho pai. Aquele sujeito só porque estava de uniforme do exército brasileiro, agora se sentia como se fosse um galã de cinema, o Juliano Gema, o Antonio Sthefane, o Marcos Damon... Enganara-se por completo. Sua amada filha tinha um pai para protegê-la.

Ao anoitecer, Elesbão foi até à quitanda do Valentim, também próxima ao Alto do Louvor; tomou umas quatro ou dez cachaças, não sei, e já meio tonto, foi  em casa. Pegou uma faca, mais um pedaço de mangueira grossa, enviou-os na cintura e foi ao encontro do João Prado, que no momento palestrava em uma das casas amigas.

Ao chegar, perguntou ao dono da casa, o Tiago das Oiticicas, como era chamado no bairro: 

- João Prado está aí, seu Tiago?
- Está - respondeu Tiago das Oiticicas.
- Chame ele por favor.
- João Prado, Elesbão quer falar com você! - Gritou  seu Tiago lá pra dentro da casa.

E lá se veio inocentemente o João Prado.

- O que deseja, Seu Elesbão? - Perguntou-lhe João Prado.

- João Padro, eu vim aqui porque você mandou um recado pela Isabel, para minha filha, Maria dos Anjos, que fosse se arrumando que iria levá-la para o Copacabana.  Como  ela não pode vir, então eu vim para ir junto com você ao Copacabana.

E sem mais pensar, desenfiou o pedaço de mangueira da cintura, mais a faca e acunhou atrás do João Prado, descendo a ladeira do Alto do Louvor. E tome mangueira, e tome peia, e tome peia. Na carreira, as passadas do João  Prado atingiram dois metros de distância, igualando as do seu agressor. Mas a frente depararam-se com um muro de dois metros. Mas o agredido não contou conversa, saltando-o de uma vez só.  Nem precisou colocar as mãos sobre ele para se apoiar e facilitar o impulso sobre o muro. Foi aí que Elesbão resolveu não arriscar pular o alto muro. 

Enquanto o Elesbão corria atrás do João Prado, os amigos do Elesbão  corriam atrás dele, para que ele não realizasse o assassinato. E todos que corriam atrás do Elesbão, gritavam:

- Não faça isso Elesbão! Não faça isso..., pelo amor de Deus!!!

Dias depois o João Prado retornou às pressas para  o Rio de Janeiro, e nunca mais botou os pés em Mossoró.

O Elesbão não sabia que o Copacabana que o João Pado se referia é uma praia no Rio de Janeiro. Ele pensava que o rapaz estava desconsiderando a sua filha, querendo levá-la para o meio da prostituição, no cassino de Mossoró, "O Copacabana".  

Minhas simples histórias 

A AÇÃO NOBRE DE UM RUDE

Por: Ângelo Osmiro

Conta o escritor Ângelo Osmiro Barreto, que em 1910, durante o período da Semana Santa, o lendário Cassimiro Honório, um velho cangaceiro do alto sertão pernambucano, da afamada região do Navio, promoveu um formidável cerco a um dos seus inimigos José de Sousa.



Melânia, era filha de Cassimiro Honório, havia sido roubada por José de Sousa. O pai da moça, inconformado com a atitude do jovem sertanejo, arregimentou um grande contingente de cangaceiros e retomou a filha do jovem apaixonado. O episódio criou grande rivalidade entre os dois sertanejos, homens valentes e acostumados às lutas, numa época em que as divergências eram resolvidas à bala. A justiça, pouco ou nada fazia para resolver essas pendengas.

Durante um grande cerco promovido por Cassimiro Honório à fazenda de José de Sousa que durou sete dias, um fato interessante chamou a atenção de todos.

Dentre muitos homens valentes de ambos os lados, um iria se destacar pela sua atitude nobre. José Rajado, sertanejo rude com sangue no olho como se diz até hoje naqueles sertões, brigava entrincheirado ao lado dos comandados de Cassimiro Honório.

Passados três dias de luta renhida, José Rajado escutou um choro de criança vindo de dentro da casa sitiada. O choro persistente chamou a atenção do cangaceiro.

Aquela criança aos prantos só poderia estar com fome, pensou o cangaceiro naquele momento da luta. Em ato repentino José Rajado levantou as mãos, e aos gritos, pediu para que o tiroteio fosse suspenso.

Surpresos com a atitude pouco comum do bravo sertanejo, os contendores pararam os tiros, e o silêncio tomou conta do lugar por alguns momentos. O cangaceiro José Rajado, propôs aos sitiados que se prometessem não alvejá-lo, iria ao curral, ordenharia umas cabras e levaria o leite para a criança que estava chorando com fome.

José de Sousa prometeu todas as garantias a José Rajado, que confiando na palavra empenhada do inimigo, foi ao curral encheu um balde de leite e deixou-o em frente à porta da casa sitiada. Retornou ao seu local de combate e após estar novamente seguro, o tiroteio recomeçou.

O cangaceiro José Rajado, apesar de toda sua rudeza, acabara por praticar um ato da mais alta nobreza.

Esta informação é do escritor e pesquisador do cangaço, Ângelo Osmiro Barreto, com a colaboração do confrade natalense Ivanildo Alves Silveira, colecionador e pesquisador do cangaço.

 lampiaoaceso.blogspot.com

O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue"


O cantor João Mossoró fará show amanhã - (sábado -  7 de Julho), no"Mercadão Cadegue", no Estado do Rio de Janeiro), no bairro Benfica.

O show será para todas as idades. 
Uma festa portuguesa, aonde o cantor  apresentará no "Cantinho das Concertinas", a partir das12;00 horas.

Lá, o artista cantará:“O Meu Pé de Serra”, do Gonzagão, e “O Meu Verde Vinho”, com um tok nordestino.

Não deixe de participar desta grande festa. Prestigie o cantor com a sua presença.

O Abraço à familia Mariano

Comendador Francisco Mariano e Dra. Maria Amélia

Hoje é com pesar que convidamos a todos os amigos a se fazerem presentes à Missa de Sétimo dia de Geovane Gomes Mariano; filho de nosso querido confrade Comendador Mariano. Nos unimos às orações de toda a família e que Deus possa continuar a abençoar a todos.

Missa de Sétimo Dia

10 Horas da manhã

Capela da Santa Casa de Misericórdia

Fortaleza-CE

cariricangaco.blogspot.com

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 7 (UMA PELEJA EM VERSO E TAPA)


Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 7 (UMA PELEJA EM VERSO E TAPA) 

No nordeste brasileiro, o termo peleja possui diversas significações. Serve para designar, por exemplo, a luta diária do homem pela sobrevivência, o acirramento entre desafetos, mas também a disputa travada por meio de cantoria. Daí as pelejas travadas entre repentistas, desafiadores, violeiros.

A verdadeira peleja, essa do desafio e do repente, chega sempre com um mote, puxando um assunto. O tal mote é desenvolvido a partir do final do verso cantado, quando o repentista sobe no seu galope para responder ao desafiante; ou mesmo sem puxar o verso e apenas criando a estrofe rimada sobre o assunto, como resposta ou provocação. Quando a peleja é acompanhada apenas do pandeiro, chamam coco de embolada; e cantoria quando é puxada por viola cabocla.


Neste sentido, peleja significa o desafio proposto por dois violeiros para ver quem sai vencedor na disputa levada em versos improvisados, também chamados repentes. Eis que o desafio é a disputa musical em que dois cantadores se alternam com versos improvisados, e o repente é o verso feito na hora para contradizer e sobressair-se sobre o achado do outro improvisador.

Quando repentistas afamados chegam ao sertão é festa certa. Na feira ou no botequim, no alpendre da casa do fazendeiro ou debaixo do pé de pau, logo começa a se aglomerar uma plateia entusiasta e torcedora. Tem gente que aposta em quem vai rimar melhor, criar versos mais criativos ou deixar o outro sem ter galope de resposta. Na peleja, perde sempre aquele que começa a dizer coisa com coisa, perder o fio da rima ou demorar a pensar para responder.

Ora, a peleja tem de ser rápida, sem pausa para imaginar o melhor verso. Também não entusiasma a rima pobre, a que soa sem graça, a que não seja resposta provocativa, a que não venha à altura ou mais potente do que o outro verso. Daí a maestria de muitos repentistas nordestinos, cabras que já andam com versos afiados na ponta da língua e sabendo pelejar com qualquer mote.

E certa feita dois desses cabras, dos melhores repentistas de viola que havia em toda região, foram convidados por Seu Ermerindo - um sertanejo apaixonado por Padim Ciço e por cantoria matuta – para um desafio na sua venda, um misto de botequim e mercearia. Homem afamado na Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo, mandou espalhar sobre a chegada dos repentistas e em menos de meia hora o local já estava repleto.


Com o salão cheio, dividido entre duas torcidas, uma parte pronta para aclamar Chico Trova, e a outra pronta para zuadar em favor de Zezim Galope, eis que um dos repentistas perguntou ao dono do salão qual mote preferia pra começar. Queria propor Padre Cícero, mas seria inconveniente mandar pegar fogo em cima do santo nordestino. Então alguém gritou sobre o cangaço de Lampião. Os dois cabras se olharam com as violas prontas e, com a aceitação do senhor do salão, a peleja começou sem demora.
E Chico Trova, afinando um pouco mais a viola, começou:

“Nesses quadrantes do sertão
para cimentar o seu chão
um dia foi pintada aquarela
na povoação de Vila Bela
porque nasceu um cristão
menino que se tornou Lampião
lindo fruto que nos deste
maior homem do Nordeste”

Zezim Galope subiu na cela e foi desfazer o dito, versejando:

“Não nego a valentia de Virgulino
mas lhe nego esse destino
de ser bondoso e justiceiro
muito menos é verdadeiro
que só lutou contra a polícia
pois agiu com tanta malícia
matando e ferrando inocente
fazendo sofrer tanta gente”

A essa altura as palmas e os apupos já estrondavam pelo salão. Os defensores de Lampião, acompanhando o galope de Chico Trova, não viam a hora de o repentista dar o troco na medida. E lá foi ele:

“Seu pai que foi coiteiro conhece
a verdade maior que prevalece
foi o próprio Lampião que salvou sua irmã
do cabra que lhe esperou na manhã
pra lhe romper a virgindade
chegando e vendo tanta maldade
o Capitão sacou do punhal e pistola
cortou o pinto do cabra e fez vestir a calçola”

Zezim Galope, sem muito tempo pra pensar, apenas se esforçou pra derrubar o verso do outro e com alguma coisa que fizesse seus torcedores contagiados, contando a vitória certa. E subiu na ponga:

“Pois dizem que Lampião
não cortava pinto não
deixava o dono com ele
pra depois merecer dele
uma amizade tão profunda
que acabava dando...”

“Se disser o resto eu atiro nas suas fuças, seu cabra safado”. E um velho sertanejo partiu pra cima de Zezim Galope com arma na mão e disposto a acabar com a vida do homem. Aproveitando a confusão formada, com as torcidas trocando tapas entre si, os dois repentistas entraram no oco do mundo e nunca mais tiveram coragem de botar os pés ali.


Os dois correram com tanto medo que um escafedeu por um canto enquanto o outro pegou o caminho do cemitério. E na mercearia de Seu Ermerindo continuou o troca-tapas até que o dono deu um grito tão alto que todo mundo ficou como paralisado. Quando a sertanejada se acalmou Seu Ermerindo se virou e disse:

“Era bom mesmo que aquele sujeitinho do Zezim Galope tomasse uns tabefes por riba dos olhos que era pra nunca mais ele dizer besteira com o Capitão Lampião. Nem de brincadeira de cantoria ele devia ter inventado uma coisa dessas”. E um minuto depois botou a mão no bolso, tirou duas notas e disse: “Dou esse dinheiro a quem alcançar o safado do Zezim Galope pra dar uma lição de vara. Quem topa?”.

E todo mundo saiu porta afora na maior correria, no encalço do maldoso repentista. Por isso mesmo é que se diz que falar mal de Lampião no sertão é abrir a própria cova ou se enfiar pelo chão.   

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
http://blograngel-sertao.blogspot.com.br/2012/07/as-cronicas-do-cangaco-7-uma-peleja-em.html



LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (V)


Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 813

Respondendo ainda ao Capítulo 8 do livro “Lampião contra o Mata Sete”. Zé Lucena criou fama perseguindo bandidos, desde 1918, em Alagoas. Com a revolução de 30 continuou fiel ao governador e acabou preso acusado de desviar dinheiro da Caixa Beneficente da Guarda Civil. Muito sereno, provou sua inocência, foi solto e passou a ser homem de confiança do governador. Assumiu o comando do 2º Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema, criado para ser o centro de operações contra cangaceiros. Foi ele quem escolheu seus homens a dedo. Recebeu carta branca contra cangaceiros, ladrões de cavalos, arruaceiros e malfazejos em geral que atormentavam a sociedade. Em Santana incorporou-se ao social fazendo dupla com o padre Bulhões, os dois homens mais prestigiados de todo o interior. Brincava carnaval com os comerciantes locais e participava ativamente de todos os movimentos em prol do progresso de Santana. Foi prefeito dessa cidade, deputado e prefeito de Maceió. 

Dr. Archimedes Marques

Tem razão o juiz Pedro de Morais quando diz em citação de Archimedes na página 186: “(...) Lucena foi um militar probo, valente, e seus feitos de glória honraram a briosa Força Pública das Alagoas, pela retidão de seu caráter, no mister de valoroso guerreiro, cumpridor de seus afazeres. (...). O resto da citação é loucura. 


Zé Lucena foi um dos mais valentes comandantes do Nordeste à caça de cangaceiros. Deu o prazo de 15 dias para a entrega da cabeça de Virgolino pelas volantes alagoanas e, o prazo foi cumprido.  Quem fala que Lucena era covarde porque matou inúmeros bandidos em cova aberta ou não, ainda não apresentou um nome sequer de algum comandante de polícia ou volante candidato a santo. Estamos aguardando. Esperem mais detalhes do seu caráter logo, logo em “Lampião em Alagoas”.

Lucena hoje é nome da avenida principal da cidade de Santana do Ipanema e do 7º Batalhão de Polícia sediado nessa cidade de cinquenta mil habitantes, “Capital do Sertão” de Alagoas. Zé Lucena sempre reconheceu as estratégias militares de Lampião, pois brigara com ele desde o tempo em que Virgolino era capanga dos Porcino (Antônio, Manuel e Pedro). Por outro lado, Lampião tinha um cuidado especial com Lucena, pois já provara da sua coragem e ferocidade nos combates. Desafiar Lucena não era tarefa para qualquer um, tanto que após a instalação do Batalhão em Santana, Virgolino nunca mais ali passou por perto. Querer tirar os méritos do morto Lucena, é querer fazer o que o juiz Pedro de Morais quer fazer com Lampião.

(Amanhã encerraremos nossos comentários (série de 6 crônicas) a respeito do livro “Lampião contra o mata Sete”, do bem-vindo escritor, delegado e advogado Archimedes Marques).

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2012/07/lampiao-contra-o-mata-sete-v.html

Estreando na capital baiana


Volta Seca no teatro

Release: Espetáculo solo baseado na vida do cangaceiro Volta Seca, integrante do bando do Rei do Cangaço, Lampião. A montagem constrói uma tessitura peculiar, que se afasta da imagem clássica e recorrente do cangaço e do nordestino. O espetáculo constrói atmosferas diferentes, que tanto aproximam a plateia da experiência mística, das batalhas sangrentas, como dos medos, desejos e sofrimentos do personagem, compondo, assim, um panorama mais próximo do carismático, misterioso e imprevisível Volta Seca. A localização do cangaço se liberta da concepção geográfica para ganhar a conotação mais humana e universal possível.

“Escrito em um ato para o teatro, o texto é documental e revela as perseguições das volantes, os momentos de descontração do bando e, de maneira particular, a própria saga da personagem. Um dos maiores fenômenos populares do Brasil, misto de banditismo e heroísmo no imaginário coletivo, o cangaço de Lampião desafiou as autoridades e sobreviveu por 20 anos às investidas das unidades volantes da polícia.”, revela o diretor Fabio Nieto Lopez.

Apesar da referência histórica, e do encontro da plateia com seu personagem no palco, próximos uns dos outros, esse momento não faz referência unicamente a uma história distante, porque o plano dessa “prosa” aparentemente improvisada se dá em um ambiente onírico, articulando a linguagem teatral em sua concepção poética, inventiva, sonora e plástica. Nesse plano de possibilidades, Volta Seca é o anfitrião.

Os fatos históricos foram transformados em cena na peça teatral "O cangaceiro Volta Seca", escrita e interpretada pelo ator e dramaturgo Edmar Dias.

Serviço
O quê: Peça Volta Seca – O sentinela do cangaço
Onde: Espaço Xisto Bahia (Rua General Labatut, 27, Barris – Salvador)
Quando: 5/7 a 26/7 e 2 e 9/08 (Quintas) 20hs
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Classificação: 14 anos
Realização: Edmar Dias e Fábio Nieto Lopez
Site: www.espetaculovoltaseca.blogspot.com.br
Tels: (71) 3117 6155 / 9330 9385 / 9121-1940
E-mail: espetaculovoltaseca@gmail.com

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2012/07/estreando-na-capital-baiana.html

quinta-feira, 5 de julho de 2012

CRISTINA DE PORTUGUÊS


Era considerada uma das mais belas cangaceiras do Bando de Lampião. Companheira de Português, teve um fim trágico por ter cometido adultério, fato imperdoável segundo o Código de Honra do Cangaço e a pena era a morte. Mas ela conseguiu adiar essa pena por três dias, quando foi devolvida à família, e no trajeto, foi surpreendida com facadas do cangaceiro 


Luis Pedro e de outros companheiros não só pela traição, mas também, pela possibilidade de ela delatar os esconderijos e coiteiros do bando. Isso aconteceu em 21 de julho de 1938, uma semana antes do massacre de Angico.

http://www.mulheresdocangaco.com.br/?p=88

A vida do Cel. ARRUDA, Cangaceirismo e Coluna Prestes. (Comentário)

Por: Archimedes Marques
A vida do Cel. ARRUDA, Cangaceirismo e Coluna Prestes. (Comentário)

O bom trabalho literário, de grande importância para a compreensão da história regional da Paraíba, intitulado "A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes", de autoria do ilustre Promotor de Justiça paraibano, Severino Coelho Viana, sem dúvida, um dos mais brilhantes pombalenses, constitui-se em excelente contribuição para o mundo literário pertinente ao tema.

O texto, de leitura simples e direta, sem subterfúgios ou palavras difíceis, termina por envolver o leitor do inicio ao fim do livro, buscando mostrar todas as importantes passagens da vida publica do militar, do policial, do politico, do homem, do Cel. Arruda, desde a sua compreensão e retransmissão de que aquele cidadão se tratava de um ser humano espetacular, atencioso e formidável, além de ser dotado de memória estupenda, de tudo se lembrando nos mínimos detalhes, apesar da sua idade avançada quando da entrevista prestada ao autor do livro.

No decorrer da leitura, o leitor, por mais leigo que seja, percebe as grandes qualidades que possuía o Cel. Arruda, destarte para a sua coragem, destreza, honradez, honestidade, um grande homem, entretanto, teimoso e afoito por demais, talvez, por vezes agindo mais pela emoção, mas no intuito de acertar e vencer em vitórias não só suas, mas do seu povo, do povo a quem tanto amava, do povo paraibano a quem tanto defendeu. O exemplo maior dessa ousadia e extrema coragem visando defender o povo da tirania do suposto exército revolucionário que buscava novos rumos para o país, mas para tanto não deixou de praticar rosários de arbitrariedades por onde passou, foi o seu enfrentamento a grande e temível Coluna Prestes, quando da passagem daquela Unidade de Guerra pelo município de Piancó na Paraíba, em fevereiro do ano de 1926. Sem sombras de dúvidas, um ato corajoso de um destemido homem, mas ao mesmo tempo temeroso e intempestivo, vez que de tudo, houve final trágico para muitos combatentes com a cidade praticamente arrasada em verdadeiro inferno. Entretanto, o exercito revoltoso de Prestes sentiu a pungência e a força do povo paraibano, apesar de ter realizado verdadeiro e covarde massacre a certos combatentes de Piancó, já rendidos e desarmados como foi o caso do Padre Aristides Ferreira da Cruz e alguns dos seus bravos seguidores.

Tal ato combativo e heroico rendeu ao então sargento Arruda, a importante e dignificante honraria do governo do Presidente do Estado, João Suassuna, por bravura, condecorado com a espada do herói.

Passeando na interessante leitura do livro, para não muito se alongar no presente comentário que de fato merece destaque para muitos atos heroicos do bravo Cel. Arruda, deixamos de tecer dados sobre a sua atuação incansável em busca de criminosos; sobre a prisão que efetuou do temível e sanguinário bandoleiro Chico Pereira; sobre a sua luta contra o poderio dos chamados "coronéis"; sobre a sua trajetória politica de prefeito a deputado estadual; sobre os embates que ravou com o Padre Manoel Otaviano na época em que ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba; sobre a sua inimizade com o famoso coronel Jose Pereira e sobre tantos outros acontecimentos pelos quais passou o Cel. Arruda na sua trajetória de militar e delegado de policia em várias cidades da Paraíba embrenhando-se no matagal, nas caatingas, sob o sol causticante em busca dos cangaceiros de Lampião, deixando de tudo então, para melhor se ater a questão da citada batalha contra a Coluna Prestes, a sua mais arrojada batalha, embora pudesse ter sido evitada se alguém dos combatentes de Piancó não tivesse disparado tiros contra aquele temível e terrível exército revolucionário, como de fato ocorreu, ninguém sabendo quem teria sido o autor de tal audácia que gerou rápida, mas sangrenta guerra naquelas terras da Paraíba.

Consta da leitura que quando a Coluna Prestes entrava em Piancó, talvez em passagem amistosa, ninguém sabe, com os homens da cidade já devidamente preparados e entrincheirados em diversos piquetes de defesa, tiros certeiros alvejaram cavalos e cavaleiros daquela tropa, até mesmo oficiais. Daí por diante o tempo fechou em barulho e desespero, quando intenso tiroteio transformou a cidade de Piancó em verdadeira praça de guerra.

Havia entre os defensores de Piancó, um cidadão que na verdade era um preso que ali estava por demonstrar ser de bom comportamento e assim viver de certas regalias fora da cadeia. Esse detento que possuía tratamento diferenciado era conhecido por "preá" e que ganhara tal apelido por ser considerado exímio rastreador de animais perdidos, que para prova disso, bastavam lhe dar uma rapadura que ele conseguia trazer do meio da caatinga qualquer caprino que por ventura se desgarrasse do rebanho. Na delegacia, por conta de tais benesses, o referido "preá" era uma espécie de faz-de-tudo que lhe mandassem.

Junto aos defensores da cidade o tenente Antônio Benício, delegado de Piancó, que estava do outro lado da rua, noutro piquete, solicitou por gestos e algumas poucas palavras em meio ao barulho ensurdecedor dos estampidos vindos de todos os lados, que "preá" trouxesse quatro fuzis e munição suficiente para o piquete dele que assim necessitava. Não havendo a mínima possibilidade de "preá" atravessar a rua em meio ao cerrado tiroteio sem ser atingido, principalmente com todo aquele apetrecho pesado, então, o agora protagonista da história ora comentada, sargento Arruda, teve a idéia de instrui-lo para pendurar a camisa branca que vestia em um dos fuzis. A estratégia deu certo, pois quando "preá", mesmo tremendo mais do que vara verde, saiu à rua com o fuzil hasteando a bandeira branca, imediatamente os revoltosos de Prestes, ensarilharam suas armas respeitando a decisão contida no símbolo internacional, ou até quem sabe, pensando que os combatentes pretendiam se entregar.

Em contraponto, talvez por não saber o que de fato acontecia naquele momento de pausa, outro piquete de defesa da cidade ali próximo, o grupo chefiado pelo Padre Aristides, aproveitou o momento de distração da Coluna Prestes para intensificar o tiroteio em sua direção, trazendo como resultado de tal irrazoabilidade, muitos soldados mortos e feridos.

Disso resultou que a tropa revoltosa, em imensa fúria e ódio, comandada pelo próprio Capitão Luiz Carlos Prestes, investiu fortemente contra o piquete do Padre Aristides Ferreira da Cruz, lançando inclusive duas bombas de efeito narcótico dentro da casa do citado reverendo, o que fez com que aquele grupo, fraco, tonto, sufocado e desorientado, se entregasse.

Covardemente, usando tão somente por base, o atroz sentimento de vingança pelos seus mortos em virtude do incidente ocorrido, o comando da Coluna Prestes determinou que todos "os prisioneiros de guerra" que estavam na casa, incluindo o Padre Aristides e o prefeito de Piancó, o Sr. João Lacerda, bem como o filho deste, fossem conduzidos amarrados a um barreiro ali próximo e lá barbaramente sangrados, um a um, com ferimentos perpetrados por longos punhais enfiados nas jugulares, ou em brutais degolas das vitimas que em gritos e desesperos não foram perdoados, fazendo disso, das maiores arbitrariedades, dos maiores e horrendos crimes praticados pelos soldados revoltosos na caminhada histórica da Coluna Prestes. A água do barreiro da morte ficou tão vermelha de sangue quanto vermelha de vergonha ficou essa covarde ação daqueles homens que diziam lutar por um Brasil melhor, que se diziam revolucionários reformistas. Uma ação totalmente injustificada que jamais justificaria a desastrada ação do grupo do Padre Aristides em ter atirado contra os homens que respeitavam a bandeira branca carregada por "preá". Uma triste, desolada, insana e macabra ação de negatividade em extrema falta de hombridade, sensatez e humanidade contra homens indefesos, desarmados e presos, uma execução sumaria em verdadeira chacina, que ficou para sempre guardada nos anais da história de guerra desses valorosos paraibanos contra a poderosa Coluna Prestes.

O discurso do autor do livro não é um discurso autoritário, ditatorial ou mesmo demagógico, é um discurso livre, democrático, que busca novas discursões, mas que traz a verdade, ou pelo menos dela se aproxima, sem mentiras, invencionices, extravagâncias, baseado na história real até mesmo em certos pontos diferindo da história oficial, mas não em forma contundente, sim em trabalho cuidadosamente organizado, de forma realmente consciente, de tudo para mostrar ao leitor o que foi a trajetória vida do cidadão Manuel Arruda de Assis, um verdadeiro exemplo para todos os seus familiares, um homem imortal para os paraibanos, um exemplo a ser seguido por todos os homens de bem.

De parabéns, portanto está o autor do livro, por resgatar a historia desse homem guerreiro que tanto enobrece o solo desse tão importante Estado da Paraíba que tantos ilustres personagens trás para o cenário brasileiro. Uma leitura que de igual modo espero que todos gostem. Um livro que merece estar em todas as boas bibliotecas.

Foi assim que eu vi e senti do livro de Severino Coelho Viana.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br 
  

DELMIRO GOUVEIA (7)

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 05 de junho de 1863, na fazenda Boa Vista (município de Ipu, na serra da Ibiapaba). Filho da paixão e do acaso, pois o coronel Delmiro de Farias (nome de uma rua que se inicia no bairro Jardim América e chega ao Rodolfo Teófilo), casado e pai de cinco filhos, raptou a jovem pernambucana Leonilda Flora da Cruz Gouveia. Apaixonou-se por ela quando viajou a Recife, a negócios. 

Delmiro Gouveia perdeu o pai na Guerra do Paraguai, em 1867. Dele, herdou a personalidade forte, a coragem e os arroubos da juventude. “Em uma das festas que promoveu, ele se apaixonou por uma condessa italiana. Chegou a passar meses na Itália... Em Alagoas, mantinha duas residências: numa, ficava a irmã e os filhos. No chalé, fora do cercado (região onde estava a cidade), teve muitas mulheres e muitas amantes”, conta Edvaldo Nascimento, da Fundação Delmiro Gouveia (Alagoas). 

Após a morte do pai, Delmiro e a mãe escaparam em Pernambuco. Migraram do interior para a capital até o rapaz se estabelecer no ramo de peles. Por essa época, 1883, casou-se com Anunciada Cândida de Melo Falcão (o casal se separou em 1901). O mascate era intermediário entre os produtores do sertão e os comerciantes estrangeiros de Recife. Em 1896, já era proprietário da Casa Delmiro Gouveia & Cia. A sociedade com a L.H. Rossbch, de Nova Iorque, rendeu-lhe o título de Rei das Peles.


O rei Lampião

Nesse período, Virgulino Ferreira (antes de se tornar o cangaceiro Lampião) foi almocreve de Delmiro. Ele carregava as mulas, pra lá e pra cá, fazendo o transporte das peles. Era o início do século XX, e Delmiro seguia a sina do pai: fugiu com a adolescente 


Carmela Eulina do Amaral Gusmão para Vila da Pedra (Alagoas). Um povoado, como situa Edvaldo Nascimento, na margem do Rio São Francisco, a cem quilômetros de Canudos, a 60 de Angicos e a 150 da terra de Graciliano Ramos.


Em Pedra, Delmiro Gouveia continuou a lida com as peles até viajar à Europa e conhecer a revolução industrial. Do outro lado do mar, trouxe a idéia da hidrelétrica (1910).

"O Povo", 21/10/2007:

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 6 (OS DIAS E AS NOITES)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

AS CRÔNICAS DO CANGAÇO – 6 (OS DIAS E AS NOITES)

O sertão cangaceiro era o mesmo tabuleiro onde se espalhavam as peças do jogo acirradamente disputado pelos quatro cantos, desde o alvorecer ao mais fechado negrume da noite. A manhã surgida aos olhos do vivente entrincheirado nas caatingas e tocas era a mesma brotando festiva diante do olhar do velho matuto ao abrir a porta de sua tapera de barro.

Sertão bonito demais, indescritível sertão! Terra e chão, malhada e vastidão, saleta de chão e alpendre sombreado, mataria e garrancho, bicho amigo e indócil, um sopro de tempo chamando à vida, a esperança de sempre chamando a sobreviver. Um horizonte infinito, ainda que azul demais por causa do tempo seco, um entardecer que se alonga e vai tornando cada ser um poeta sem precisar escrever qualquer verso. Apenas olhar ao redor, se encantar, deixar aflorar os sentimentos e versejar os amores e as saudades no vão poético da memória.


Eis o sertão do cangaceiro e do lavrador, do coiteiro e do citadino, da volante e do vaqueiro, do bandoleiro das caatingas e do homem de paz no roçado, da beata e do vigário, do coronel e do jagunço. Sertão de muitos lados, muitas faces e muito mais. Eis que vastidão de véu e cortina, de espelho turbado, em cujo lado de lá mora a dor e o sofrimento, o grito e o lamento, a pobreza e a fome, a injustiça e a perseguição, a morte tragando a vida, o sobreviver fraquejando diante do mundo apocalíptico.

E por que será que o sertão é assim tão contrastante, de um lado a beleza e de outro a feiúra horripilante, numa face o sorriso e na outra o lanho do sofrimento? Desígnio divino, tudo vem na medida do merecer da terra e do homem. Se a grandiosidade paisagística do lugar, com seu luar inigualável, seus caminhos instigantes e as cores que vão se formando por cima da mata durante o entardecer servem para acalentar o vivente, de outro lado faz do sal do sofrimento a balança que há em tudo. Não há nada tão belo que não venha com uma pontinha de amargura.

O sertanejo vive num paraíso sem jardim, vive ao lado do roseiral sem poder cheirar a flor, vive ladeando o que há de mais belo na natureza e caminhando por estradas de pontas de pedras e espinhos pinicantes. O orgulho imenso de ser filho da terra e com ela se confundir em tudo, não afasta o desencanto que também bate à porta. O prazer de repente se transforma em dor e agonia. Porque o homem é instigado ao prazer e ao sofrimento para se conhecer o seu merecimento no mundo.

Contudo, dentro do próprio sertão, perante os seus filhos, há outras diferenças que parecem querer dividir os nativos em muitos. São vidas e jeitos de viver diferentes, pessoas com atitudes e vocações que desafiam os entendimentos. Por cima da mesma terra, gente que nasce para a paz e tantos que buscam a guerra; muitos cheios de contentamento com a vidinha humilde e simples que têm, e outros deixando a porta sossegada de casa e seguindo rumo ao desconhecido, ao perigoso, ao desafiador.


Um dia, num tempo distante, lá pelos idos dos anos desde muito envelhecidos, muitos desses jovens de famílias pobres, trabalhadoras na terra, sobreviventes do suor e do alimento da estação, de repente decidiram que a guerra era melhor que a paz, o perigo era melhor que o viver sossegado nos seus cantos. E não somente os meninos pobres, mas também filhos de famílias mais abastadas, mas que por impulsos e revoltas debandaram pelas veredas esturricadas e de encruzilhadas sangrentas.

Ao escolher a vida cangaceira, fazer valer seu ímpeto sertanejo para se tornar errante nas caatingas, o jovem certamente não tinha o pensamento suficiente claro para imaginar as consequências imediatas desse ato nem as durezas futuras no seu cotidiano debaixo do sol, sob a lua, correndo de costas, enganando a morte, saltando pedras e caindo em espinhos, deixando para trás rastros de sangue. Vida de sangue, de medo, de ataque e de fuga.

A paixão pelo cangaço, como acontece com todas as paixões, trazia a insanável cegueira até que o espinho de quipá furando olho o acordasse para a realidade. E será que estava vivendo, que aquilo era mundo, que era jeito de gente viver e morrer? Somente quando abria os olhos e já não podia voltar atrás é que é se entregava de corpo e alma ao mundo que escolhera. Primeiro o encanto, depois a realidade. E então o espanto. Em tudo a vida ao lado da morte.

Coisa simples, até sem doer, pois forçado a acostumar com toda dor, com o espinho de facheiro, de xiquexique, de mandacaru; a urtiga e cansanção roçando na pele sem ferir, sem queimar, mais parecendo pétala de flor agrestina. E tudo passa a ser visto de modo diferente porque assim tem de ser. A lama é água, o barro é líquido, a chuva é milagre do céu, pingo d’água é coisa que chega a assustar; carne de cobra parecendo com peixe, perna de preá não tem igual. Se não tivesse fogueira ou não houvesse tempo para o assamento que os cantos da boca sangrassem derramando o apetite, a fome.

Amigo do tempo, amigo do mato, amigo do bicho, amigo do matuto do lugar, muitas vezes amigo do inimigo, mas também hostil a quase tudo. Confiar sempre desconfiando, falar meia palavra porque já é demais, não se aproximar muito para não deixar marcas, ser apenas o vulto e a sombra que no instante seguinte já não é mais. Cangaceiro era tudo, quase sem ser nada. E até era melhor ser assim mesmo para ver se tinha uma vida sem tanta perseguição.


Que coisa boa ao encontrar uma casa, um imenso palácio para o merecido descanso. A porta maior do mundo, ladeando o sertão e suas veredas. Palacete de cama macia, adornada por terra cheia de espinhos, pedras como travesseiros, uma lua inteira como cobertor. E sonhar com a linda princesa que vai chegando devagarzinho, subindo pelos lados da serra, cautelosamente caminhando ao encontro do seu amado. E traz na mão alguma coisa bonita, brilhosa, reluzente. Mas não, é a volante de mosquetão. O mesmo pesadelo de todas as noites.

Que vida dura, seu moço, e o menino nem pensou um bocadinho nisso antes de tomar a decisão de ser cabra de Lampião. Mas agora é tarde demais. Está formado na vida, sabe tudo, é doutor. Conhece o remédio do mato, a cobra que é venenosa, cada pegada que encontra, todo barulho que ouve, todo farfalhar de folhagem. Sabe que há inimigo na redondeza, que o silêncio da mata logo se tornará em grito, em disparo, num pega-pá-capá desgraçado.

Correu mil léguas, caminhou mais duas mil e ainda não chegou ao coito. Todo mundo pensa o que seja um coito, porém ninguém nunca soube o que é um coito. Nem cangaceiro sabia. Quando o Capitão dizia que em tal lugar descansariam, então ali poderia ser tido como o refúgio chamado coito. Muitas vezes o lugar mais aberto no meio da mataria, um esconderijo detrás das pedras, uma toca grande moradia de animais, um lugar qualquer que servisse pra descansar. Não tinha número na porta nem ficava em endereço, apenas num local onde os bichos nativos eram espantados para que outros bichos se apossassem.

Bichos não. Nem quase bichos. Apenas seres humanos com seus destinos. E tão seres humanos que se compraziam com qualquer instante de paz que encontrassem, que conseguissem alcançar naquelas vastidões sertanejas. Sagrado era o alimento conseguido, sagrada era a visita do coiteiro que trazia o carregamento que tanto precisavam pra sobreviver, sagrada era a esperança de adormecer e amanhecer com vida, levantar cedinho para seguir adiante. E sagrada a prece da noite, a oração pedindo proteção, pois a mesma mão calejada e acostumada com o mosquetão, segurava mansamente o terço ou o rosário para o ofício da fé.

Assim eram os dias, assim eram as noites cangaceiras. Assim era a vida no sertão de Lampião.      


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
http://blograngel-sertao.blogspot.com.br/2012/07/as-cronicas-do-cangaco-6-os-dias-e-as.html

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (IV)

Por: Clerisvaldo B. Chagas -Crônica Nº 812

Muitas coisas foram ditas sobre José Lucena de Albuquerque Maranhão em nosso livro “O boi, a bota e a batina: história completa de Santana do Ipanema” que ficou para o ano para novas inclusões e por ter cinco outros livros na fila, antes dele. 

Coronel José Lucena Albuquerque Maranhão

Lucena também está amplamente no livro “Lampião em Alagoas” que, pelos preparativos de lançamento, não vai dar para o dia vinte e oito deste mês, como prevíamos, ficando talvez para agosto. Uma crônica só é pouco para nossas observações sobre o Capítulo 8 do livro 



“Lampião contra o Mata Sete”, mas tentaremos pelo menos com reduzidas palavras afirmar posições. Desde 1918 que o sargento Lucena lutava na Zona da Mata Alagoana e no Alto Sertão, época em que a Família Ferreira veio morar em Alagoas. Lutou contra bandos de cangaceiros, inclusive o dos Porcino que foram chefe de Lampião. Aliás, Lampião não foi somente chefiado por Sinhô. Ele teve três chefes, pela ordem: Matilde, os Porcino e depois Sinhô Pereira. No caso da morte de José, está claro em “Lampião em Alagoas”. Lucena estava em busca do criminoso Luís Fragoso, cercou sua casa, sem resistência, morrendo aí, por infelicidade, José Ferreira, durante a invasão, pelo instinto de cão do soldado Caiçara, o assassino. Lucena esbravejou contra Caiçara, mas como comandante da pequena força, assumiu o ato do soldado. Quanto à morte do oficial de que fala o Capítulo 8, de “Lampião contra o Mata Sete”, também está escrito de forma inédita detalhadamente, em “Lampião em Alagoas”. O oficial tentara assassiná-lo na noite de escuro, anterior. Chamado para esclarecimento o tenente Porfírio desafiou o comandante e não quis atender o seu pedido por duas vezes, o que Lucena para não ficar desmoralizado mandou que dois soldados que foram chamar o oficial o trouxessem vivo ou morto. Porfírio preferiu ir morto. (Aguarde “Lampião em Alagoas”).
Em relação à morte do coronel José Rodrigues de Lima, Lucena havia sido emboscado no município de Água Branca quando morreu o capitão Eutíquio Rafhael de Medeiros. Essa emboscada foi atribuída a Zé Rodrigues. Naquele tempo − o companheiro Archimedes sabe que era assim − ou um ou outro. Lucena até demorou com a vingança. (Detalhes no mesmo livro acima).
Em 1936, com a criação do 2º Batalhão de Polícia de Alagoas e sua instalação em Santana do Ipanema, Lucena torna-se o seu primeiro comandante. O batalhão passa a ser a sede de todas as forças volantes distribuídas estrategicamente no semiárido. São frases do conhecido comandante João Bezerra “Como dei cabo de Lampião” (...) “S.S. sempre possuía dados importantes. Trabalhador valoroso, não se descuidava de um só instante de pesquisar por todos os meios ao seu alcance dos paradeiros dos grupos assassinos”.
(...) esse valente militar dava ordens à distância e nunca perdia o contato com os seus comandados, auxiliando-os constantemente por todos os meios, ora com avisos, informações escritas, por portadores e telegramas quando possível, ora fiscalizando as marchas através das caatingas, animando, estimulando e orientando os comandados que surpreendia em toda parte com a sua agradável presença de chefe destemeroso.
Ainda Bezerra (1983, p. 177): O coronel Lucena nunca vacilou para dar ordens enérgicas sempre que o interesse da campanha o exigisse. A confiança que tinha em si mesmo, a sua fé e a sua coragem aliadas à expectativa feliz de êxito nas diligências, se irradiavam sobre os seus comandados, estimulando-os a imitá-lo na esperança da vitória.

Foi Theodoreto quem sugeriu a criação do 2º Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema. O comando seria entregue ao major José Lucena de Albuquerque Maranhão, oficial reconhecidamente destemido e experimentado nas lutas cangaceiras. Sobre ele fala o santanense sargento Oscar Silva, seu comandado, depois escritor de conceito, em “Fruta de Palma”:
(...) sob o comando de um homem de cultura limitada, mas de inteligência rara e férreo espírito de disciplina: o major José Lucena de Albuquerque Maranhão (...).
(...) senso de intransigente cumpridor da Lei e da Ordem. Era um amigo incondicional dos comandados, ao mesmo tempo, um intransigente adversário de qualquer deles, conforme a adaptação ou não dos subordinados à sua maneira de comando.

(Continuação e conclusão amanhã, sobre Lucena e Capítulo 8 de “Lampião contra o Mata Sete”).