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sábado, 13 de outubro de 2012

Companheiros inseparáveis - Faca, facão e punhal: Poder e vaidade no Cangaço

Por: Willian White
O rei Lampião

Com a exceção da primeira, as demais fotos ficaram por conta e risco do Lampião Aceso).

Um projeto da envergadura e abrangência deste catálogo sobre Facas Brasileiras precisa tratar, mesmo que em rápidas palavras, de um movimento  típico do Nordeste brasileiro que fez uso permanente e intensivo de diversos tipos de armas brancas: o cangaço. Cangaço  era o agrupamento de indivíduos em bandos de variados tamanhos, desde 3 ou 4 a mais de uma centena, em geral jovens oriundos da zona rural  que se juntavam para cometer crimes diversos, sempre motivados por três objetivos: vingar-se de alguém, proteger-se de alguma vingança ou simplesmente ter uma “profissão” rendosa.


Não se sabe exatamente com quem, onde ou quando esse tipo de atividade teve início. Entretanto, se a localizarmos nos Estados de Pernambuco e Bahia nas primeiras décadas do século 19 e, mais precisamente, de 1850  em diante, certamente estaremos muito próximos da realidade. Importante para os objetivos desta publicação é saber que seu apogeu ocorreu nas décadas de 1920 e 1930 do século XX,  período que coincidiu com o domínio absoluto do mais terrível  dos chefes cangaceiros: Virgulino Ferreira da Silva que, sob o vulgo de Lampião, aterrorizou sete estados do Nordeste brasileiro.

Lampião nasceu a 4 de junho de 1898 no Sítio Passagem das Pedras, município de Vila Bela, atual Serra Talhada, no Estado de Pernambuco. Desde muito cedo mostrou-se dono de inteligência anormalmente desenvolvida para os padrões da classe social a que pertencia.  Era almocreve por profissão, além de hábil produtor de arreios e roupas de couro, sanfoneiro, vaqueiro de primeira ordem, amansador de burros e sabia ler e escrever regularmente. Por motivos ainda hoje controversos, tornou-se cangaceiro com cerca de 16 anos juntamente com seus irmãos Antônio, Livino e, posteriormente, Ezequiel.

Os irmãos Ferreira acabaram por unir forças com Sinhô Pereira, chefe do até então principal grupo de cangaço em atividade na área e que, ao abandonar a vida de bandoleiro por volta de junho de 1922, deixa seu bando sob o comando de Lampião que à época contava apenas 24 anos. Foi agraciado com a falsa patente de Capitão em 1926 por pressão de personalidades do Juazeiro do Norte (CE), entre eles o Deputado Federal Floro Bartolomeu e o próprio Padre Cícero Romão Batista com a intenção de que combatesse a Coluna Prestes, de passagem pela região.  Morreu na Grota de Angico, município de Porto da Folha (SE), atualmente pertencente ao município de Poço Redondo, em 28 de julho de 1938, aos 40 anos de idade e após 22 anos de atividade cangaceira ininterrupta.

Os bandos do cangaço lampiônico, se assim podemos chamar o período áureo desta atividade, eram prioritariamente compostos por jovens oriundos de algum latifúndio pertencente a um coronel-de-barranco, tremenda força política de então nas caatingas, onde exerciam a função de vaqueiros ou simples moradores e parceiros. Assim sendo, e por força das próprias atividades que desempenhavam, estes indivíduos desde a mais tenra idade se familiarizavam com o sangue de animais que abatiam e com as lâminas com que desempenhavam esta função. Era tudo muito mecânico, normal e rotineiro. A intimidade que tinham com facas e a indiferença pelo sangue e a morte eram fatores importantes quando entravam para um bando cangaceiro.

Além deste aspecto, os jovens delinqüentes eram vistos com extrema admiração pelas moças de vilas e fazendas, pois que andavam sempre vestidos à sua maneira vistosa característica, endinheirados e exalavam poder já que muito raramente encontravam resistência em suas andanças e ataques. Parece inclusive ter ocorrido uma certa reordenação na hierarquia do poder sertanejo, já que de certa forma  o coronel latifundiário também foi cerceado em seu mandonismo absoluto pelo rifle insolente do cangaceiro, de maneira que a arma substituía a posse da terra na estrutura social da caatinga. O cangaço usava do sequestro a dinheiro, do fogo em pastos, casas e currais, da matança indiscriminada de rebanhos e de uma série de outras ameaças largamente cumpridas para obter recursos e manifestar seu efetivo poder não apenas em relação ao coronel, mas à população sertaneja em geral.

Alguns autores têm se ocupado em pesquisar a estética do cangaço apesar da escassa fonte de informações existente. Muita divergência surge desses trabalhos, mas há unanimidade quando se referem à vaidade do cangaceiro. E por muitos aspectos. A citada intimidade do homem em geral e do cangaceiro em particular com as armas brancas é histórica, ficando até a dúvida de que se seria mesmo o cão o melhor amigo do homem do cangaço. A estética de sua indumentária lembra algo de mouro trazido pelos portugueses durante o período colonial e particularizada ao sertão.

A marca registrada dessa composição, não há dúvida, é o grande chapéu de couro com a aba rebatida na frente e atrás, fortemente adornado com medalhas de santos, moedas de prata e ouro, signos de Salomão e outros penduricalhos. Apesar de haver um padrão relativamente bem definido de suas vestimentas e adornos, cada indivíduo do grupo tinha o direito, e o exercia com capricho, de manifestar sua vaidade como melhor entendesse. Isso ia do tipo de meia que usavam  à aplicação de enfeites nas alças dos mosquetões e fuzis, ao número e tipo de anéis que adornavam suas mãos, muitas vezes um em cada dedo - sendo alguns destes premiados com dois -, o comprimento dos cabelos e o trato de brilhantina e perfume que recebiam, os óculos de grau ou de sol,  a luneta e uma infinidade de outros quesitos com particular atenção dedicada às facas, facões e punhais.



Lambedeiras de Elétrico e Quinta-Feira. Abaixo: "Estoque" de Catingueira e Pajeuzeira de Avelino, 1909 Coleção de Frederico Pernambucano de Mello. Foto de Valentina Fildini. In Estrelas de Couro - A estética do Cangaço, pág 135.

Quanto à importância de cada lâmina carregada pelo cangaceiro pode ser dito que o facão era utilizado nas tarefas mais duras como o corte de galhos de árvores para montagem de suas barracas, o esquartejamento de bovinos e outros. No geral não chamavam muito a atenção com a honrosa exceção de um que Lampião portava e possuía cabo de prata lavrada com muito esmero e apresentando em sua porção final uma cabeça de águia esculpida. Mas por serem de feitio comum e carregados por poucos elementos do cangaço, eram praticamente escondidos sob a axila de seu proprietário,  de forma que permaneciam muito pouco visíveis. Ressalte-se aqui que mesmo feiosos e sem grande prestígio, tais facões acabaram, por ironia do destino, participando do ato final da epopéia cangaceira ao serem utilizados para decapitar os onze cangaceiros mortos na grota sergipana naquela garoenta madrugada do inverno de 1938. Dois anos antes, a 7 de junho de 1936, o cangaceiro José Baiano, violento chefe de um subgrupo, foi morto à traição juntamente com outros 3 companheiros e teve sua cabeça “separada do pescoço por sucessivos golpes de facão”,  conforme atesta a Certidão de Exumação emitida pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe.

Rasparam minha cabeça
Como quem raspa um leitão

Botaram água fervendo

Caía pêlo no chão
Eu berrava como um bode
Minha barba e meu bigode
Raparam com um facão     

Em vez da noiva enxerguei
De cartucheira na mão
Um grupo de cangaceiros
E o bandido Lampião
Pensei que estava sonhando
Quando acordei fui levando
Uma surra de facão¹
(...)



Facão curto de Lampião: Gavião guarnecido por cachorro, 1938. Coleção privada. In Estrelas de Couro - A estética do cangaço pág. 134. Frederico Pernambucano de Melo.

A faca talvez tenha sido a lâmina de maior utilidade pois servia a muitos fins,  como matar, esfolar e retalhar pequenas criações, castrar animais e, vez por outra, homens, cortar couro e tecidos para a produção de arreios e roupas, retirar balas alojadas em seus corpos, descascar frutas, cortar queijo e o que mais fosse necessário. Estas facas apresentavam características muito diversas umas das outras e algumas eram verdadeiras obras de arte muitíssimo trabalhadas. Apresentavam lâminas de cerca de 20 a 30 cm com cabos caprichosamente executados por alguns cuteleiros que se tornaram famosos, casos da família Caroca na Paraíba e da família Pereira no Cariri cearense.

Eram cabos compostos por pequenos discos de materiais diversos como chifre bovino, caprino ou ovino, madeira, prata, cobre, níquel, alpaca, marfim, osso e eventualmente até ouro. No entanto, o uso deste metal estava longe de ser a regra. Comumente, para o uso cotidiano, as facas eram lâminas simples e com cabo de madeira ordinária, especialmente com o advento da industrialização por volta de 1930, fato que colaborou bastante para a extinção da cutelaria artística como era até então conhecida. Era mais importante que seu aço pegasse bom fio do que tivesse alto senso estético.  Estas também pouco apareciam na indumentária do cangaço. Quase sempre estavam guardadas no cós da calça, nas costas, ou na mesma posição do facão, ou seja, sob as axilas.

Porque na ponta da faca
Uma barriga não erro
E um ladrão que me rouba
Até o cabo eu enterro
Pule o que for mais valente
Para eu corrê-lo no ferro²

Dei uma volta na rua
Encontrei um camarada
Com uma faca de ponta
Feita de aço de espada
No momento que eu cheguei
Sem desejar encontrei
Um princípio de zoada³
(...)

Finalmente, e com notável destaque, havia o punhal. Utilizado apenas como arma perfurante, posto não possuir fio em nenhum dos lados, mas apenas a ponta extremamente aguçada própria para sangrar animais em geral, inclusive homens, como atestam inúmeros registros de diversos autores. Tratamento especial e diferenciado sempre foi dedicado aos punhais, estes sim, motivo de orgulho e vaidade de seus proprietários.

Eram sempre carregados de forma ostensiva, transversalmente ao abdome que lhes servia de perfeita moldura, e sustentados pelo cinturão de balas.



A vaidade de cada um se manifestava neles de diversas maneiras: pelo material com que era produzida sua lâmina, a composição de sua empunhadura e sua bainha, o cuteleiro que o confeccionou, seu comprimento e a habilidade que cada um possuía ao manejá-lo. Material para as lâminas era quase sempre importado: espadas quebradas, ferramentas agrícolas e especialmente pedaços de trilhos de ferrovias  e do sistema de vagonetes utilizados na indústria açucareira. A forja e montagem desses punhais eram feitas em locais denominados tendas, que nada mais eram que rústicas cutelarias bastante disseminadas pelo Nordeste, em especial nos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará, onde a movimentação de cangaceiros era intensa.


Sobre esta imagem o colecionador e especialista em cutelaria Dênis Artur Carvalho faz a seguinte observação: O cangaceiro Atividade está portando três armas brancas: Uma faca de ponta com cabo de embuá na cintura, um facão de cortar mato abaixo do braço e uma faca paulista à altura do peito. Eu nunca tinha visto nenhuma fotografia de cangaceiro portando uma faca típica da região de São Paulo. Preferiam a boa faca de ponta nordestina ou as famosas lâminas europeias principalmente alemãs. Abaixo, uma peça idêntica, de minha coleção:

Facas de ponta com empunhadura "Embuá" também da nossa coleção:


A estética e características gerais de forma, tipo de cabo, comprimento de lâmina e material e modelo da bainha era função da criatividade do cuteleiro e dos recursos de quem encomendava o produto. De maneira geral,  o punhal tinha forma bastante esguia, longa e fina, arrematado pela empunhadura de estilo muito semelhante ao utilizado pelas facas artesanais acima descritas. Mesmos materiais, mesmas formas. As bainhas também eram caprichosamente elaboradas, quase sempre por terceiros, podendo ser de couro ou metal. Quando metálicas, por vezes eram forradas de couro ou veludo e podiam possuir uma ou duas articulações, ao logo de seu comprimento, como delicadas dobradiças, de forma a facilitar o andar e o montar de quem as usasse.

Prestando mais atenção
Eu vi um grande punhal

Fabricado com três quinas
De um tamanho desigual
O cabo de ouro e prata
Nunca se viu então igual⁴
(...)
   
Conduzia o seu punhal
Passado na cartucheira
Com setenta e três centímetros
Respeito da cabroeira
Moedas de prata e ouro
Lhe enfeitavam a bandoleira
(...)

No cangaço parece não ter havido uma relação direta entre o tipo de punhal e faca utilizados e a hierarquia interna do grupo.  Tudo era exatamente uma questão de gosto, vaidade e dinheiro. Embora nem fosse de uso mais freqüente, os punhais longos exerciam especial fascínio entre os cangaceiros, sendo curioso reproduzir aqui parte do “Inventário dos objetos apreendidos, pertencentes ao famigerado “Lampeão”, produzido pelo Regimento Policial Militar de Maceió, em 26 de novembro de 1938:

FACA: de folha de aço, com 67 cm de dimensão, com cabo e terço de níquel, adornado o cabo com três anéis de ouro, notando-se na lâmina, uma mossa produzida naturalmente por bala; bainha toda de níquel,    com forro interno de couro, notando-se também na parte interna superior o estrago produzido por bala.

Sabe-se pela literatura a respeito do tema que aos 67 cm de lâmina são acrescidos 15 cm de cabo, perfazendo um comprimento total de 82 cm. Qual a utilidade prática de tamanho exagero? Talvez nenhuma, exceto manifestar o que vem sendo escarafunchado aqui: poder e vaidade.

Muito embora este relato se refira aos despojos particulares de Lampião, outros membros do bando também possuíam punhais igualmente longos, o que é visível na famosa “foto das cabeças” e que viria reforçar a tese da inexistência de vínculo entre o comprimento dos punhais e a posição hierárquica do indivíduo no grupo.

E Luís Pedro, rico e garboso...


...Findou caboclo

Para sangrar um homem ao estilo do cangaço, ou seja, fazendo o punhal penetrar pela fossa clavicular esquerda para atingir coração e pulmão não era necessário esse exagero de comprimento, coisa de 70 cm.

O tamanho de punhal mais disseminado entre os cangaceiros era de aproximadamente 35 a 40 cm, incluída a empunhadura. Claro está que o fato de a arma ser de menor porte em nada atrapalhava a expressão da vaidade em sua confecção. Era carregada com o mesmo orgulho e tinha o mesmo poder especialmente frente a adversários civis.

"O rifle de ouro" também tinha sua lâmina. - Coleção privada.

Vale ressaltar que muito provavelmente existia um aspecto psicológico, mórbido e doentio quando se considera o significado que o sangramento tinha, e tem, para o homem rústico do sertão nordestino. Ao usar sua arma esteticamente  mais expressiva para esse fim, o indivíduo manifestava, a um só tempo, sua vaidade em relação ao punhal,  e também um importante poder sobre a vítima, não apenas porque esta sempre se encontrava subjugada pelo grupo mas também porque sangrar era, e é, ato de extrema ofensa para quem o sofria,   extensiva a toda a família da vítima. Ou seja, para o sertanejo, o drama não estava em morrer,  mas sim em ser sangrado. Ofensa inadmissível, passível de vingança necessária e obrigatória e muitas vezes origem das famosas brigas de família. Sangrar era para porco, cabrito, boi – não para o homem.

Finalmente, é importante mencionar um vínculo havido entre a morte de Lampião, decretando o início do fim do cangaço, o poder e a vaidade que aqui se explicou. Após mais de vinte anos de atividade em circunstâncias quase sempre muito adversas, “morando debaixo do chapéu”, como certa vez disse o Rei do Cangaço, parece que a atividade já não exercia nele o mesmo fascínio de outros tempos. Sua mobilidade era bastante menor e sua área de ação estava mais ou menos restrita ao baixo rio São Francisco, ora em Alagoas, ora em Sergipe onde, até por influência das mulheres do bando, passaram a tomar muito mais cuidado com a higiene pessoal, fato demonstrado pela adoção de novos costumes tais como banhos freqüentes, lavagem de roupas e um acesso mais rotineiro a melhores alimentos mandados buscar em feiras através de seus coiteiros.

Esses fatos, acrescidos à onipresente sensação de impunidade, à extorsão praticada à larga contra as elites urbana e rural apenas via bilhetes, à confiança exacerbada em sua rede de coiteiros, à  cada vez maior delegação de autonomia aos chefes de subgrupos, à enorme quantia de dinheiro em espécie e ouro que acumulara e portava e à venalidade dócil e obediente dos militares responsáveis por sua captura parecem ter provocado o afloramento simultâneo de sua sensação de poder e vaidade pelo que já obtivera e não mais perderia. Lampião certamente tinha ciência de que sua morte não era conveniente a muitos caatingueiros que, de uma forma ou outra, dele dependiam para sobreviver ou auferir maiores ganhos.

 

Inclua-se aí desde grandes latifundiários e militares até o mais simples morador que fazia e vendia queijos. Lampião sempre pagou regiamente pelos produtos que adquiria, fossem alpercatas, rapaduras ou mosquetões e sua munição.

Certa vez perguntaram ao Cel. José Lucena de Albuquerque Maranhão que quando sargento havia sido responsável pela morte do pai de Lampião:

- Cel. Lucena, quem matou mesmo Lampião?
- O dinheiro dele!
- Nem só, Coronel, nem só!

¹ Macedo, Nertan. Lampião-Capitão Virgulino Ferreira. Rio de Janeiro: Editora Renes,1975. pp. 84-85.
² D’Almeida, Manoel, Os Cabras de Lampião – São Paulo, Ed. Prelúdio Ltda. 1970, pág 19
³ Macedo, Nertan, obra citada, pág.82
⁴Macedo, Nertan, obra citada, pág. 57 - D’Almeida, Manoel, obra citada, pág.9

Disponível em: Coleção Orsini

Créditos para o amigo Ernane Cunha.

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

De:Fabio Campos

"Só existe um tipo feliz de imaginação: aquela que faz a realidade acontecer."                           
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Enviado pelo escritor Clerisvaldo B. Chagas
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CANGAÇO – MILLENARIAN REBELS: PROPHETS AND OUTLAWS Parte VI

Para os países que falam Inglês
A Jagunço captured by soldiers of the Brazilian army. This and other warriors who defended Canudos, after being captured were summarily executed by beheading. Photo of Flávio de Barros – http://www.scielo.br

The troops tried to reinforce the encirclement penetrating step by step into the interior of the village, but they met with a fierce resistance that thwarted their advance. Furthermore, the jagunços fell back, but did not run away. They remained nearby, a few steps away, in the next room of the same house, separated from their enemies by a few centimeters of pressed earth. There wasn’t much space in the village. This caused those who wanted to preserve themselves and who put up an increasing resistance to the soldiers by crowding them to gather in the hovels. Though they gave up on some things, they reserved quite different surprises for the victors. The cunning of the sertanejo made itself felt. Even in their most tragic moment, they would never accept defeat. Far from being satisfied with resisting to the death, they would challenge the enemy by taking the offensive.

On the night of September 26, the jagunços violently attacked four times. On the 27th, eighteen times. The next day, they didn’t respond to morning and afternoon bombings, but attacked from six o’clock in the evening until five the next morning.

24th Infantry Battalion. Commanded by major Henrique José de Magalhães, this battalion was originally from Rio de Janeiro. Reached the combat zone on August 15 with 27 officers and 398 enlisted personnel. Participated in the assault on the citadel of Canudos on the first day of October manning the front trench, line the rear of the command and general hospital. Photo by Flávio de Barros after the end of fighting, against the backdrop of the ruins of the old church – http://www.scielo.br

On October 1, 1897, an intensive bombing of the last hotbed of resistance began. A decisively cleaned-up terrain was needed for the assault. The assault had to happen at in a single strike, at the charge, with only one concern, the ruins.

No projectile was wasted. The last bit of Canudos was inexorably turned inside out, house by house, from one end to the other. Everything was completely devastated by the heavy artillery fire. The last jagunços suffered the ceaseless bombardment in all its destructive violence.

But no one was seen fleeing; there wasn’t the least agitation.

And when the final strike was shot, the inexplicable quiet of the destroyed countryside could have made one think that it was deserted, as if the population had miraculously escaped during the night.

The attack began. The battalions took off from three points to converge at the new church. They didn’t get far. The jagunços followed their attackers step by step and suddenly came back to life in a surprising and victorious way like always.

Corpses in the ruins of Canudos. Photo of Flávio de Barros – www.scielo.br

All the pre-established tactical movements were changed, and instead of converging on the church, the brigades were stopped, fragmented and dispersed among the ruins. The sertanejos remained invisible. Not a single one appeared or tried to pass through the plaza.

This failure resembled a rout, since the attackers were stopped and found themselves facing unexpected resistance. They took shelter in the trenches and finally got out of the fix by limiting themselves to a merely defensive strategy. Then the jagunços came out of the smoking huts and unleashed an attack in their turn, swooping down on the soldiers.

There was an urgent need to expand the original attack. Ninety dynamite bombs were launched against those who remained in Canudos. The vibrations produced fissures that crisscrossed over the ground like seismic waves. Walls collapsed. Many roofs fell to pieces. A vast accumulation of black powder made the air unbreathable. It seemed as though everything had vanished. In fact, it was the complete dismantling of what was left of the “sacred city”.

The battalions waited for the cyclone of flames to die down before launching the final attack.

But it wasn’t to be. On the contrary, a sudden withdrawal took place. No one knows how, but from the flaming ruins, gunfire poured out, and the attackers ran for shelter on all sides, mostly withdrawing back behind their trenches.

Without trying to hide, jumping over fires and those roofs that remained standing, the last defenders of Canudos leapt out. They launched an assault of wild audacity, going to kill the enemy in their trenches. These enemies felt their lack. They lost courage. Unity of command and unity of action dissolved. Their losses were now heavy.

In the foreground, a typical house of the place. Photo Flávio de Barros – http://www.passeiweb.com

In the end, at about two o’clock in the afternoon, the soldiers fell back in defense, tasting defeat.

But the sertanejos’ situation had gotten worse, since they were blockaded in such a reduced space.

Nonetheless, at dawn on October 2, the weary “victors” saw the day emerging under a heavy burst of gunfire that seemed like a challenge.
In the course of the day, taking advantage of a truce, three hundred people asked to surrender, but much to the chagrin of the military authorities they were just exhausted women, very young or wounded children and sick old people, all those who could no longer hold a weapon. They were slaughtered the following night (“And words being what they are, what comment should we make on the fact that, from the morning of the third on, nothing more was to be seen of the able-bodied prisoners who had been rounded up the day before…”[38]).

To tell the truth, there were no prisoners. All the wounded jagunços who fell into the soldiers’ clutches were finished off a bit later with cold steel.

“There is no need of relating what happened on October 3 and 4. From day to day the struggle had been losing its military character, and it ended by degenerating completely…. One thing only they knew, and that was that the jagunços would not be able to hold out for many hours. Some soldiers had gone up to the edge of the enemy’s last stronghold and there had taken in the situation at a glance. It was incredible. In as quadrangle trench of a little more than a yard in depth, alongside the new church, a score of fighting men, weak from hunger and frightful to behold, were preparing themselves for a dreadful form of suicide… a dozen dying men, their fingers clenched on the trigger for one last time, were destined to fight an army.

Ruins of the Old Church of St. Anthony – http://osertanejosdecanudos.blogspot.com.br

“And fight they did, with the advantage relatively on their side still. At least they succeed in halting their adversaries. Any of the latter who came too near remained there to help fill that sinister trench with bloody mangled bodies…

“Let us bring this book to a close.

“Canudos did not surrender. The only case of its kind in history, it held out to the last man. Conquered inch by inch, in the literal meaning of the words, it fell on October 5, toward dusk — when its last defenders fell, dying, every man of them. There were only four of them left: an old man, two other full-grown men, and a child, facing a furiously raging army of five thousand soldiers…

“The settlement fell on the fifth. On the sixth they completed the work of destroying and dismantling the houses — 5,200 of them by careful count.”[39]

The few men, women and children prisoners – http://osertanejosdecanudos.blogspot.com.br

Once again the law of the Republic ruled over the sertão. Thus, the heroic epic of Canudos came to an end. An adventure full of humanity that perished in sound and fury. Canudos, the empire of Belo Monte, was not defeated; it vanished together with the last one killed. It was annihilated.

In those days, in the province of Ceara, a vast, religiously inspired social reform movement developed under the guidance of Father Cicero. This movement experienced a less tragic end, because Father Cicero knew how to navigate his way with authority among the political components of the region, with full respect for the state and property, a compromise before power that assured him not only impunity, but a position recognized and respected by all.

The young priest Cicero Romao Batista – http://osertanejo.blogspot.com.br

This movement was of a more priestly rather than blatantly messianic inspiration. The spirit of Catholicism in both its political and social sense animated the movement more than the spirit of millenarianism, which is purely social and has nothing to do with politics. It intended to rediscover the pattern of the primitive Church: devoting political means to a social mission.

Padre Cicero had exceptional prestige. He was the only Brazilian messiah to belong to the clergy. All the others were lay people who were carried into divine service by vocation, but never took holy orders. He was sent into the hamlet of Juazeiro in 1870, in the early days of his ministry, and traveled throughout the region preaching. After this period of Franciscan poverty, he started to animate social activity around Juazeiro with an ideal of peace according to which the interests of all were supposed to prevail over particular interests, the source of quarrels and conflicts. He had managed to convince small property owners and peasants to stop living on their land and instead move to the village, near to him. In the morning they went to work in the fields, and in the evening they came back.

A traffic of pilgrims began in Juazeiro. They came to ask the blessing and counsel of Padre Cicero.

Continuaremos na próxima semana...

Extraído do blog: "Tok de História" do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros


RETRATO DE CRIANÇA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

RETRATO DE CRIANÇA 

Quem visita o meu blog (blograngel-sertao.blogspot.com), ao percorrer o conteúdo encontrará, lá no finalzinho, uma junção de fotografias minhas que se entrelaçam. E quase no cantinho abaixo, em preto e branco, um menino sertanejo chupando um bico enorme, com o olhar para o mundo, mas certamente sem entendê-lo. Sou eu.

Talvez ali estivesse um menino feliz da vida, eis que naquela idade não poderia ser diferente. Espera-se em todo molecote a felicidade e o contentamento. Não sei bem se seis, sete anos ou pouco mais, mas na plenitude da meninice festiva, da criança arrelienta, da idade preocupada apenas com o carrinho de brinquedo, as traquinagens pelas ruas matutas do meu lugar, a vida criança dada por Deus.


Menino de Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo, menino sertanejo, traquina sergipano, criança amiga da macambira e do preá, da catingueira e da cansanção, molecote amante dos banhos em dias de trovoadas, cativo amante de tanto sol e tanta lua. E amigo do cavalo de pau, da velha muito velha que passava capengando e sempre chamando meu netinho.

Mas olhando bem a fotografia - e com o peito apertado pelas saudades dos tempos idos -, não posso deixar de fazer uma observação sobre o eu ali retratado, ou o eu que se mostra aos olhos do tempo. E contraditoriamente ao que sempre achei que fosse, aquele retrato mostra um menino de semblante entristecido. Será que eu já era triste naquele tempo?

Olho-me e me vejo, sinto não só a infância ali, mas todo o passado. Até esqueço outros momentos, outros percursos e outras idades, para criar uma distância imaginária, ponto a ponto, entre o agora e o momento daquela fotografia. E uma simples constatação: os sentimentos ainda são os mesmos, o filme permaneceu na criança que já não sou e no homem que ainda insiste em ser menino matuto.

Hoje não preciso mais de fotografias, apenas refletir no espelho as tantas marcas, os cabelos de repente com fios de algodão. Mas não posso fugir daquela fotografia. Nenhum outro retrato me mostra tão completamente, tão verdadeiro, quanto aquele já amarelado pelo tempo. E não é uma fotografia de corpo inteiro, mostrando o menino todo cheio de roupas para a pose talvez forçada, mas apenas o rosto de criança e seus afluentes.

Talvez o retrato fosse bem maior, completo, inteiro, mostrando a bermudinha e o sapatinho com meia, mas quando o encontrei num velho e esquecido álbum já estava desse jeito, recortado, mostrando apenas uma parte de mim. Pensei em perguntar à minha mãe sobre o resto. Impossível. Ela não está mais aqui. E o que se mostra é o que me faz imensamente pensativo toda vez que me olho e me encontro.

Alguns aspectos retratados são inconfundíveis, no rosto, no cabelo, mas principalmente na chupeta imensa que tenho à boca. Mentira não, mas só larguei de chupar bico depois de muito apanhar e muito castigo, e já com cerca de dez anos. Talvez por isso eu tenha os lábios grossos, salientes, ainda como vestígios de carregar por tanto tempo um bico na boca.


Contudo, o que realmente impressiona no retrato é o meu olhar ali fixado. Não creio haver motivo para a tristeza numa fase tão bonita da existência. Mas ali não há outro olhar senão o da tristeza. E um olhar apertado, molhado, distante, verdadeiramente expressando um sentimento profundo. Mas qual, naquela idade?

Olho novamente a fotografia e digo a mim mesmo que um dia encontrarei a resposta para aquele instante assim já tão desalentado. Talvez jamais encontre a resposta exata, vez que nunca deixei de olhar daquele jeito: triste, carregado de realidade. Os olhos mais cansados, turvos pelos mil sóis nas noites infindas, e de tão molhados que não mais reconhecem o brilho.

Os olhos são outros, mas os motivos do olhar são os mesmos daqueles tempos, retratados ali na fotografia. E por isso sei quem não puder encontrar meu retrato, basta me encontrar por aí. Os olhos mirando além, e sempre entristecidos, são os meus, mas também os olhos do menino. E quem procura motivos de alegria sou eu, e para dar contentamento aos olhos tristes do menino, e que também sou eu.
  
(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE. 

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Cangaceiros

** Por Marco Albertim

A história dá conta de Basílio Quidute de Souza Ferraz como primeiro cangaceiro, autodenominado bispo de Lorena. Depois, José Gomes, o Cabeleira. Joaquim Gomes, o pai, e o negro Theodósio, formaram um grupo apreciado e temido pela população da caatinga de Pernambuco. Os três, capturados por militares, foram enforcados em Recife; em 1876.

O cangaceiro Antonio Silvino

Em seguida foi a vez de Manoel Batista de Morais se tornar famoso como Antônio Silvino; tão famoso, posto que também era chamado de Rei do Cangaço, Rifle de Ouro e Governador do Sertão. Jurou vingar a morte do pai, e juntou-se ao bando de Luís Mansidão. Pouco se diz que a violência dos jagunços, a mando de portugueses donos de terras, fora a parideira do cangaço; violência entre famílias rivais abocanhando terras. Os jagunços se alugavam em troca de comida, de dormida.

Antônio Silvino errou absoluto pelo sertão, por quinze anos. Propôs ao governo do Rio Grande do Norte, deixar a vida de erradio em troca da anistia. Com a recusa, foi preso em 1918. Condenado a vinte anos de cadeia, foi indultado por Getúlio Vargas em 1937. Tornou-se funcionário público no Paraná. Na prisão, aderira à religião batista, abjurando o cangaço. Morreu em Campina Grande, em 1944.

O chefe de polícia Ulysses Gerson Alves da Costa escreveu em relatório de 1908, referindo-se a Silvino: “Essas populações criam toda a espécie de obstáculos à ação da polícia, negando esclarecimento aos comandantes das forças e facilitando a fuga dos bandidos.”

A trilha foi seguida pelos grupos de Sebastião Pereira e Praxedes. Em 1917, tocaram fogo em propriedades, arrebataram bichos e mataram gente no município de Malhados. Na seca de 1919, Jatobá de Tacaratu, Águas Belas e Ipanema foram atacadas pelo grupo dos irmãos Porcino – Manoel Antônio e Pedro – e de Antônio Germano.

A família de José Ferreira da Silva, pai de Lampião, vendera a fazenda em Vila Bela e se mudara para Nazaré. Por motivo de roubo de gado. O vizinho, José Saturnino, não manteve a palavra de ficar longe dos Ferreira. Houve troca de tiros. A casa de José Ferreira foi cercada por quinze homens. Virgulino e o tio, Manoel Lopes, reagiram com tiros.

Depois disso, toda a família passou a andar com armas de fogo e punhais, afora as roupas de couro e chapéus de abas largas. Coincidiu de, na época, 


Sinhô Pereira e Luís Padre errarem por Pernambuco, Paraíba, Ceará e Alagoas. Por razões de vinganças familiares.

No ataque a Nazaré, Virgulino e seus dois irmãos – Levino e Antônio – aderem a Sinhô Pereira. A polícia ataca a posse da família. Levino é preso. José Ferreira compromete-se a deixar a região se o filho for solto. Vão para Águas Belas, Alagoas. ; perdem o gado, ficam pobres.


As terras de José Saturnino são atacadas em 1920. João, outro filho de José Ferreira, é preso. Lampião ameaça tocar fogo na cidade se o irmão não for solto. A polícia solta João. O pai é morto no ano seguinte. Definitivamente no cangaço, Lampião ganha o apelido por dar tiros rápidos e seguidos, encandeando a noite. Herda de Antônio Silvino o ofício da agiotagem, com o dinheiro extorquido de fazendeiros ou mediante sequestro de políticos e de gente influente. Labareda, que pertencera ao grupo, diz à polícia que o chefe mandava o intermediário cobrar as “notas promissórias”, e dizer ao devedor que “não se confie por estar na cidade grande, porque ele tem quem venha lhe arrancar um olho e levar para guardar no bornal...”*

Antes de se estabelecer com Luís Padre em Minas Gerais como criadores de gado, Sinhô Pereira pede a Lampião que mate o derradeiro dos assassinos de seu irmão, uma pessoa da família Carvalho. Coincide que Lampião também tem os Carvalho como inimigos.

Lampião apeia em Triunfo com o apoio do prefeito e do vigário. Sérgio Loreto, governador de Pernambuco, confessa ser difícil capturar os cangaceiros, “especialmente os de Lampião”, por terem a cumplicidade dos habitantes. O bando atua em Arcoverde – Rio Branco, Ipanema, Moxotó, Pajeú, Navio e Brígida.

Estácio Coimbra, governador seguinte, nomeia Eurico de Souza Leão, chefe de polícia. São criadas as volantes – perseguição apenas de cangaceiros. Usam alpargatas de rabicho, as mesmas do cangaço. (continua)

*História do Cangaço – Maria Isaura Pereira de Queiroz

**Jornalista e escritor. Trabalhou no Jornal do Commércio e Diário de Pernambuco, ambos de Recife. Escreveu contos para o sítio espanhol La Insignia. Em 2006, foi ganhador do concurso nacional de contos “Osman Lins”. Em 2008, obteve Menção Honrosa em concurso do Conselho Municipal de Política Cultural do Recife. A convite, integra as coletâneas “Panorâmica do Conto em Pernambuco” e “Contos de Natal”. Tem dois livros de contos e um romance.

DESCONFIANÇA

Por: Clerisvaldo B. Chagas, Crônica Nº 884

DESCONFIANÇA

Entre as coisas sérias do mundo, para o brasileiro, está a seleção de futebol. Entretanto, continuamos descontentes, desconfiados, incrédulos. Ninguém apostou no Brasil. Aposta sim, em relação a uma goleada no Iraque ou em outro país mais fraco do que ele. É desconhecido o sistema do técnico Mano Menezes ou da CBF de somente jogar com frango abatido. Tanto tempo treinando a seleção, Mano não define o passo do baile e continua “filotando”. A torcida irritada sem a definição que aguardava, não espera muito disso que está aí. Não falamos da qualidade dos jogadores, pois o que é de melhor, está às mãos do treinador. Fora a Argentina, fica esse círculo vicioso de jogos com equipes sem expressão que apenas ganha tempo para o técnico. Dois anos de experiência! Parece até pesquisa de laboratório que sempre passa dos dez. Nada definido. Inúmeros torcedores não se interessam mais em saber dia e hora dos jogos da seleção. É o nosso orgulho brasileiro fugindo pela janela, sem crédito, sem nenhuma garantia do que se vê. Os 6 x 0 sobre o Iraque nada representa. Um jogo amistoso, um treino fora de casa que não devolve a confiança.

Kaká e Oscar. Foto: (AFP).

A seriedade falada acima representa a alma do povo brasileiro, daí ser motivo de mais esse trabalho. Todos dão opinião sobre nomes e posições de jogadores, mas tudo indica que o problema da seleção não é esse. Se os melhores estão ali, o que fazer com eles? É essa a grande pergunta da atualidade. “Quem apanha de bêbedo, apanha de um bêbedo; quem bate em bêbedo bateu em um bêbedo”, duas coisas sem méritos nenhum. 6 x 0 no Iraque não dá nem para suspirar. E a Copa das Confederações se aproxima, enquanto nós vamos marretando os fraquinhos. Não bastasse isso, a Rede Globo ainda contribui com o falatório enjoado de Galvão Bueno que não deixa ninguém assistir o jogo. O homem parece que “bebeu água de chocalho”, como afirmamos no Sertão. Quer ser mais estrela de que os jogadores. Ainda bem que temos a competência ímpar do comentarista de arbitragem, Arnaldo, muitas vezes ironizado pelo primeiro.

Quantos amistosos ainda teremos que fazer? Brasil, 6 x 0, riso amarelado do torcedor, tudo com antes. Japão vem aí. Continua a DESCONFIANÇA.

Autobiografia do autor:

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei. 

Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão(encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Bumba-meu- boi da Liara

Por: Gilmar de Carvalho

BUMBA-MEU-BOI DA LIARA

Poucas vezes um artista cearense enfrentou uma tarefa tão complicada e desafiadora instigante como a que se propôs Liara ao dar forma ao seu “bumba-meu-boi”.

Só os dotados de muita competência, determinação e fôlego para o trabalho (também braçal) podem chegar a este conjunto que ela ofereceu à nossa fruição.

A proposta de Liara começa a ser importante pela escolha da cerâmica como suporte. A argila se deixa domar e ganha formas fortes, rebuscadas, delicadas, e poéticas, por meio de suas mãos firmes e ágeis.
Diz a tradição que Deus teria modelado o homem do barro, antes de lhe soprar a vida. Certo é que a cerâmica se inscreve como das formas mais ancestrais de expressão, está presente em praticamente todas as culturas, e veio a ser o material ideal para a modelagem do bumba-meu-boi.

Estamos diante de outra manifestação muito antiga. O reisado cristaliza uma representação que, antes de ser arte, foi ritual. É uma manifestação anímica e Liara domina como poucos este universo mítico e estético.

O bumba-meu-boi é dos folguedos presentes em praticamente todos os Estados brasileiros. Conta, em poucas palavras, a saga de uma rês morta para atender ao desejo da mulher do vaqueiro que estava grávida. A partir daí, entram bichos, se encena um entrecho dramático, se dança, o boi ressuscita e são renovadas as promessas de que ele voltará no próximo ano.

Em boa parte do Brasil, faz parte dos festejos do ciclo natalino. No Maranhão, no entanto, se inclui no calendário das celebrações juninas.

Liara pesquisou muito para nos dar este conjunto. Foi ao Maranhão, vasculhou o interior do Ceará, visitou Pernambuco, e obteve mais referências no Rio de Janeiro.

O bumba-meu-boi foi mostrado em muitos espaços, de vários Estados, e obteve uma aprovação da crítica especializada, ganhou espaço nas publicações voltadas para a arte e a cultura, e se inscreveu como referência no campo da escultura em cerâmica com uma “pegada” tradicional.

O diferencial é que Liara faz a tradição dialogar com outras vertentes, com elementos da história da cultura e com diferentes tendências artísticas. O resultado é rico e a aquisição deste conjunto valorizará qualquer acervo de arte brasileiro ou estrangeiro que queira contar com uma releitura atenta, sensível, e valorativa do bumba-meu-boi e de seus brincantes, no contexto da cultura brasileira, que não deixa de ter suas antenas voltadas para todo o mundo.

Gilmar de Carvalho
Jornalista, Professor da Universidade Federal do Ceará
Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo
Estudioso das relações da Comunicação com a Cultura

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

Faça uma visitinha ao blog: "FATOS E FOTOS" para você ler as crônicas e poesias dos escritores: Rangel Alves da Costa e Clerisvaldo B. Chagas

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Extra - Procura-se


Francisco Batista nasceu na cidade de João Câmara, mas foi criado em Parazinho, também no Rio Grande do Norte. Ele é filho de Filomena Batista e Antonio Firmino Carlos. Seus irmãos são: Manoel Batista, Luiz Batista, Cícero Batista, Gideão Batista e Lourdes Batista. 

Após a morte do seu pai, sua mãe casou-se com seu tio Argemiro Chaves e tiveram mais filhos, sendo eles: Alvino Chaves Batista, Arnaldo Chaves Batista e Raimunda Chaves Batista. Estes últimos foram criados em Angico Velho. 

Francisco  Batista não vê seus familiares a mais de 60 anos. Hoje Francisco Batista mora em Cuiabá. 

Se alguém souber aonde se encontra os seus irmãos, entrar em contato com  os telefones: (065)92725022 / (065) 92862585, falar com Neusa, ou mesmo através deste email facebook tatianny_motta@hotmail.com.

Caso contrário, entrar em contato com: 

josemendesp58@hotmail.com, 
josemendesp58@gmail.com 
ou ainda através deste blog. 


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Centenário do Rei do Baião na II FLiQ Natal


Centenário de Luiz Gonzaga vai ser comemorado na II FLiQ 

O ano de 2012 marca uma importante data na história da música brasileira: o Centenário de Luiz Gonzaga, que nasceu em 13 de dezembro de 1912, na cidade de Exu/PE. Dono de uma voz e de composições inconfundíveis, o eterno Rei do Baião não poderia deixar de ser homenageado na II Feira de Livros e Quadrinhos de Natal - FLiQ.

Na noite da sexta-feira, 26, o Auditório, da FLiQ receberá os convidados Múcio Procópio e Kydelmir Dantas para um bate papo. Múcio é pesquisador e palestrante sobre Música Popular Brasileira; e Kydelmir é pesquisador, cordelista, integrante de várias instituições culturais do RN e está lançando o livro “Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte.”

Eles falarão sobre a trajetória de Luiz Gonzaga e do legado que ele deixou à nossa sociedade, a relação do cantor com o estado do RN e tantas outras curiosidades serão abordadas na II FLiQ. A mesa começará às 18h30min, na sexta-feira, e terá a duração de 1h.

O Circuito Potiguar do Livro, ao longo do ano, preocupou-se em enfatizar o Centenário de Luiz Gonzaga. De forma que o público tivesse a oportunidade de conhecer, admirar e trocar experiências com os estudiosos da obra cultural do artista.

Atenciosamente,
Bethânia Lima
Assistente de Eventos
84. 3201-0501 / 3212-5553

...A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa...
Lenine


Bethânia Lima
Assistente de Eventos
84. 3201-0501 / 3212-5553

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

Rádio Gonzagão



Caros amigos,

Já está no ar a Rádio Gonzagão, o dia todo tocando os sucessos do Rei do Baião!

O link da rádio é:

http://radiogonzagao.com.br/

Zé Nobre
Museu Fonográfico Luiz Gonzaga
Campina Grande - PB


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Kydelmir Dantas

Diretor Breno Silveira fala de seu novo filme sobre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha


Breno Silveira

Responsável por “Dois Filhos de Francisco”, um dos grandes sucessos do cinema nacional recente, o diretor Breno Silveira está prestes a lançar seu novo longa. “Gonzaga – De Pai Pra Filho“, que estreia no circuito nacional no dia 26 deste mês é uma cinebiografia do rei do baião Luiz Gonzaga focada no relacionamento com seu filho Gonzaguinha.

Uma das grandes apostas do cinema brasileiro atual, o filme renderá também uma série de televisão. Em entrevista à Rádio UOL, Breno Silveira falou sobre sua motivação, a adaptação para a tevê e um pouco mais sobre os protagonistas do filme.

Em vídeo exclusivo, o diretor fala sobre o filme:


Relembre os grandes sucessos do Rei do Baião e aproveite para ouvir outras vozes do Nordeste na Rádio UOL.

Tags: breno silveira, dois filhos de francisco, gonzaga de pai para filho, gonzaguinha, luiz gonzaga

http://radiouol.blogosfera.uol.com.br/2012/10/08/breno-silveira-conversa-com-a-radio-uol-sobre-gonzaga-de-pai-pra-filho/ 

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 Kydelmir Dantas