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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Coronel Delmiro Gouveia


Um coronel estranho. Necessário lembrar que, neste caso, o termo coronel está se referindo aos antigos chefes locais do interior do Brasil, em geral grandes proprietários rurais. O título parece ter a sua origem na antiga Guarda Nacional nos tempos do Império. Com a descentralização política promovida na fase da Primeira República (1889-1930), esses chefes locais fortaleceram ainda mais a sua autoridade, manipulando as eleições e exercendo o controle do poder, principalmente a nível municipal.

Delmiro Gouveia (imagem acima) fugia desse modelo do coronel tradicional. Embora tenha começado a sua vida ligado às atividades rurais, sobretudo a compra e venda de couros no interior de Pernambuco, acabou conhecido como o industrial do sertão. Abriu uma grande fábrica no interior do estado de Alagoas, nas proximidades da famosa cachoeira de Paulo Afonso. Ao lado da fábrica, construiu uma vila operária pioneira para abrigar os seus empregados. De coronel a empresário, esta foi a trajetória deste personagem cuja morte está até hoje mal explicada.

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em 1863, fruto de um relacionamento arrebatador entre Delmiro Porfírio de Farias, mais conhecido como Belo, de 34 anos, tropeiro e uma adolescente chamada Leonila Flora da Cruz Gouveia, que mal havia completado os 14 anos. A paixão levou Belo a raptar Leonila. Foram meses em fuga pelo sertão, pois a polícia e os jagunços enviados pelo pai da moça estavam no encalço dos dois amantes. Em meio a essa fuga nasceram Maria Augusta e o futuro coronel Delmiro. Logo depois, Belo foi convocado para a Guerra do Paraguai e não retornou mais. A viúva Leonila decidiu morar em Recife e ficou em dificuldades para criar os filhos, pois a sua antiga família a renegara depois da união com Belo. Contudo, pouco tempo depois, Leonila casou-se com o advogado Meira Vasconcelos, para quem trabalhava como governanta.

 

Quando Delmiro Gouveia completou 15 anos, sua mãe faleceu decorrente de problemas no coração. A partir daí, o jovem Delmiro resolveu ganhar a vida e começou a trabalhar. Tinha recebido as primeiras instruções em casa com a própria mãe e o padrasto. Exerceu os mais variados tipos de serviço, como bilheteiro em uma empresa de transporte urbano, condutor e depois, em 1881, tornou-se caixeiro no comércio de Recife. Fez amizade com o comerciante de algodão Francisco Xavier dos Santos, que o apresentou a um amigo, o tabelião Antonio Severiano de Melo Falcão. Este último tinha uma filha de apenas 13 anos, Anunciada Cândida ou Iaiá, por quem Delmiro se apaixonou. O casamento ocorreu em 1883 (na foto acima, Delmiro e dona Iaiá).

A situação do Nordeste nessa época não era das melhores e conseguir sobreviver não era fácil para aqueles menos privilegiados. As secas começavam a dispersar uma parte da população do sertão em direção à Amazônia, onde começava o ciclo da borracha. A riqueza da economia açucareira era uma lembrança do passado e as atenções do país estavam voltadas para o café, produzido no Sul. Contudo, a região apresentava a possibilidade da produção e comercialização do couro obtido do boi, cavalo, bode, carneiro, burro e até do jegue. A atividade atraia estrangeiros, entre eles o sueco Hermann Lundgren, cuja família fundaria o império das Casas Pernambucanas. Foi nessa atividade que Delmiro Gouveia começou a prosperar e como representante da casa norte-americana Keen Sutterly & Co. Ltd. . Logo depois de uma viagem aos Estados Unidos, Delmiro tornou-se o gerente de todos os negócios da firma em Pernambuco.

 

Em 1894 voltou aos Estados Unidos (na foto acima, Delmiro Gouvea diante das cataratas de Niagara) para comprar as instalações da firma norte-americana que havia encerrado as suas operações no Brasil. Delmiro também realizara outros negócios paralelos no ramo dos couros, que incluiam a poderosa empresa de peles norte-americana J. H. Rossbach Brothers.

Em 1897, era um comerciante próspero e construiu uma bela casa em Apipucos, nas proximidades de Recife. Delmiro tornava-se uma figura atraente na sociedade local e envolvia-se frequentemente com outras mulheres. Embora na sociedade patriarcal da época isso fosse algo comum, no caso de Delmiro ganhava muita notoriedade, principalmente o seu gosto por cantoras de ópera, as quais homenageava com presentes caros em sua própria casa. Sem condições emocionais de suportar esses escândalos, dona Iaiá resolveu deixá-lo em definitivo.

Delmiro Gouveia, ao contrário dos outros membros da elite dos coronéis, pensava em diversificar os seus negócios e em 1898 firmou um contrato com a prefeitura de Recife para instalar um Mercado Modelo, no antigo Derby Club da cidade. No ano seguinte, o mesmo já estava sendo inaugurado. A novidade para a população recifense: os preços inferiores aos dos outros lugares da cidade. O Mercado funcionava durante a noite com luz elétrica e tendo atrativos como carrosséis, teatro, hotel de luxo, velódromo e um sistema de transporte de bondes puxados a burro para levar o público ao mesmo. Era quase uma antevisão do moderno "shopping". Delmiro resolveu construir um palacete para residir próximo ao seu empreendimento.

Apesar do êxito popular de seu novo negócio, Delmiro Gouveia não estava sintonizado com a elite política dominante em Pernambuco e que era liderada pelo então vice-presidente da República, o Conselheiro Francisco de Assis Rosa e Silva. Um de seus aliados era o novo prefeito de Recife, o qual colocou uma série enorme de empecilhos ao funcionamento do Mercado-Modelo, como por exemplo, a proibição para a venda de carne. A fim de resolver a desavença com o prefeito, Delmiro viajou ao Rio de Janeiro para avistar-se pessoalmente com o vice-presidente Rosa e Silva e recebeu deste a promessa de que a perseguição acabaria caso ele e seus amigos apoiassem o governo de Pernambuco. Ao mesmo tempo, Delmiro tomava conhecimento, ainda no Rio, de que um pistoleiro conhecido como João Sabe-Tudo já se encontrava na capital para assassiná-lo. Logo depois, quando caminhava no centro da capital, na Rua do Ouvidor, Delmiro encontrou o vice-presidente Rosa e Silva na porta de uma loja e dirigindo-se ao mesmo, esbravejou contra a ameaça de morte que estava sofrendo. Em seguida, em um ataque de fúria, Delmiro agrediu o vice-presidente com a sua bengala, obrigando Rosa e Silva a se esconder dentro da loja, diante de uma multidão que se aglomerava e testemunhava o episódio.

A represália veio logo depois, no dia 02.01.1900, quando o Mercado-Modelo do Derby amanheceu em chamas. As autoridades locais acusaram o próprio Delmiro de ter mandado atear fogo ao mercado para receber o dinheiro de um seguro e a polícia recebeu ordens para prendê-lo. Delmiro teria dito depois que os policiais o insultaram moralmente para justificar a sua reação e assassiná-lo. Contudo, diante da pressão de seus amigos junto ao então governador, Segismundo Gonçalves, Delmiro foi libertado, mas teve de abandonar a capital pernambucana. O coronel ainda tocava os seus negócios, entre eles a venda de couros e uma usina de açucar.

 

Delmiro retornou dois anos depois a Pernambuco e conheceu uma moça de 16 anos chamada Carmela Eulina do Amaral Gusmão (imagem acima), que muitos apontavam como filha do governador em um caso extra-conjugal. Delmiro repetiu o ato do pai, raptou a menor e levou-a para o interior de Alagoas, onde comprou uma fazenda e se estabeleceu em um local chamado Pedra, às margens de uma estrada de ferro pouco utilizada e distante 20 quilometros da cachoeira de Paulo Afonso. Sim, ele foi processado por rapto e estava sendo procurado pela polícia. Posteriormente, o processo foi anulado por interferência dos aliados de Delmiro Gouveia. Eulina deu a Delmiro três filhos e permaneceu na fazenda, em Pedra, por cinco anos.

Foi nesse lugar, aparentemente inóspito, que Delmiro realizou o seu grande empreendimento, o de explorar os recursos hidrelétricos da cachoeira de Paulo Afonso e estabelecer um centro industrial naquele local. A fazenda que adquiriu prosperou com a introdução do gado zebu e das vacas holandesas, além de cultivar uma planta cactácea que teria vindo do Texas, conhecida como palma. A partir dessa fazenda, Delmiro continuava a exportar couro para os Estados Unidos.


Sem acordo com o governo local para a instalação da usina de eletricidade, Delmiro resolveu explorar de forma particular a energia hidrelétrica no São Francisco. Trouxe geradores até as margens do rio e os fez atravessar por meio de uma ponte improvizada. Para colocar a primeira turbina, foi necessário descer a mesma de uma altura de 84 metros. Alguns autores afirmam que o próprio Delmiro orientou a descida pendurado em uma corda. Em 1913, a usina foi inaugurada. Em seguida, veio a fábrica (na foto acima, a entrada da Cia. Agro-Fabril Mercantil).


A indústria dedicou-se à produção de linhas de costura. Máquinas foram importadas da Inglaterra, técnicos vieram da Europa, mil operários foram contratados, além dos trabalhadores utilizados nos campos para a produção de algodão. Em meados de 1914, a fábrica já estava produzindo fios, linhas para crochê, bordado e ainda cordões brancos e coloridos (na imagem acima, os escritórios da empresa). Os produtos tinham a marca "Estrela" e dois gigantes puxando um fio como símbolo ou logotipo. Em pouco tempo, a produção aumentou e a fábrica exportava para alguns países da América do Sul.


Os anos correspondentes à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foram favoráveis aos negócios fabris no Brasil, diante das dificuldades de importação decorrente da guerra travada na Europa e Delmiro Gouveia soube tirar proveito dessa situação.


Outro aspecto a destacar desse novo empreendimento de Delmiro Gouveia foi a vila operária para abrigar os trabalhadores. As condições de vida dentro da mesma estavam acima das que eram encontradas na maior parte do sertão nordestino. Eram 250 casas com luz elétrica, água e um sistema de esgotos (na foto acima, a antiga vila com as casas). Mas as normas para viver lá eram rigorosas. Não era admitida a presença da Igreja Católica e nem as datas religiosas eram celebradas. Nem mesmo o carnaval era comemorado. O controle sobre os trabalhadores era exercido até dentro das próprias casas, onde os mesmos deviam seguir normas, como não usar chapéus e nem andar sem camisa. O próprio Delmiro inspecionava as casas que deviam ficar com as portas abertas. Aqueles que cometiam alguma falta grave eram duramente castigados. O estilo autoritário de Delmiro feria muitos costumes arraigados na vida dos trabalhadores, como a religiosidade. Por outro lado, médicos e remédios eram disponibilizados e havia diversão, apesar do controle com relação ao consumo de bebida alcoólica.

A alfabetização era obrigatória para as crianças e foram implantados cursos noturnos para os trabalhadores. O regime de trabalho era de oito horas diárias com descanso semanal aos domingos. Uma Caixa de Previdência foi implantada mediante uma contribuição semanal dos próprios trabalhadores.


Não se têm notícia de morte violenta na fábrica localizada em Pedra, exceto uma, a do próprio Coronel Delmiro. Em 10.10.1917, às 9 horas da noite, quando estava na sua varanda lendo jornal, Delmiro foi alvejado com três tiros, um dos quais lhe acertou o coração. Três pistoleiros foram detidos e, sob tortura, incriminaram dois mandantes, que nunca foram presos, um dos quais por ter imunidade parlamentar. Dois outros suspeitos de encomendar o crime incluiam o pai de uma jovem que Delmiro seduzira e um amigo de Rosa e Silva, o vice-presidente que foi agredido pelo coronel.


Contudo, ficou sempre no ar uma suspeita, a de que Delmiro Gouveia tivesse sido assassinado a mando de seus concorrentes ingleses, mais precisamente da multinacional textil Machine Cottons. Não havia dúvida de que o crescimento do negócio de Delmiro incomodava esta empresa estrangeira. Os ingleses chegaram a boicotar os comerciantes que comprassem as linhas Estrela. A Machine Cottons tinha feito várias propostas de compra da fábrica de Pedra e sempre tendo resposta negativa da parte do Coronel Delmiro. Contudo, nenhuma prova do envolvimento da multinacional foi encontrada nos tiros que vitimaram o empresário. A fábrica continuou prosperando até 1924, quando passou para os três filhos de Delmiro Gouveia.

No governo do presidente Washington Luís, a política liberal então adotada reduziu a taxa de importação sobre linhas de costura. Diante da nova situação, em 1927, a fábrica foi vendida pelos herdeiros para a firma Menezes Irmãos & Cia., a qual, em 1929, a revendeu para a...Machine Cottons, que substituiu a marca Estrela pelas linhas da marca Corrente. Em 1930, a fábrica de Pedra foi desmantelada e as máquinas jogadas no fundo do rio São Francisco.

Para saber mais:

Marcovitch, Jacques. Pioneiros & Empreendedores: A Saga do Desenvolvimento no Brasil. São Paulo: Edusp e Editora Saraiva, 2007, vol. 3.
Crédito das imagens: Grandes Personagens da Nossa História. Abril Cultural, 1969, pags. 845-860.


http://histormundi.blogspot.com.br/2012/11/coronel-delmiro-gouveia.html
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Rádios que pertenceram a Dona Chiquinha Duarte

Por: José Mendes Pereira
Foto: ESTE RÁDIO PERTENCEU À DONA CHIQUINHA DUARTE, A PRIMEIRA MOTORISTA DE MOSSORÓ.

Ela fez doação ao meu irmão Antonio Mendes Pereira antes da sua morte.
Rádio marca Montreal  - A caixa é de fabricação de madeira coberto com napa

Estes dois rádios AMs os quais funcionam normalmente, ou até mesmo   melhor do que os rádios fabricados nos dias de hoje, pertenceram à Francisca Rodrigues Duarte - dona Chiquinha Duarte, 

Dona Chiquinha Duarte
Dona Chiquinha Duarte

proprietária da Fazenda Barrinha, sendo esta a primeira motorista de Mossoró e madrasta de Manoel Duarte,

Manoel Duarte Ferreira

o matador do cangaceiro Colchete, e ali mesmo ainda deixou o cangaceiro Jararaca baleado.

Foto: ESTE RÁDIO PERTENCEU À DONA CHIQUINHA DUARTE, A PRIMEIRA MOTORISTA DE MOSSORÓ.

Ela fez doação ao meu irmão Antonio Mendes Pereira antes da sua morte.
Marca SPICA - Ele é vestido com uma capa de couro

Estes rádios foram doados por ela a Antonio Mendes Pereira, meu irmão, antes da sua morte. O motivo da doação ao meu irmão foi devido a grande aproximação que meus pais 

Pedro Nél PereiraAntonia Mendes Pereira
Pedro Nél Pereira e Antonia Mendes Pereira

Pedro Nél Pereira, Antonia Mendes Pereira e nós, filhos, tínhamos com ela. Como meu irmão é zeloso os rádios continuam em perfeito estado de conservação.

O meu avô Manoel Francisco Pereira fora morador do casal de fazendeiro por muitos anos. Logo que o meu pai se casou continuou sendo seu morador,  mas em local diferente.

Chico Duarte

Chico Duarte - esposo de dona Chiquinha e pai de Manoel Duarte

Com a morte de Chico Duarte, esposo de dona Chiquinha Duarte, as terras foram divididas com os herdeiros, sendo que o meu pai passou a ser morador de Manoel Duarte, mas permanecendo na mesma casa. 

Do casal eu tenho em meu poder: Uma balança romana e uma balança de pesos. Isto é, balança grande com dois pratos. Mas foram doadas por ela ao meu pai.


A única herança que dona Chiquinha Duarte me deu foram os estudos, quando me trouxe para Mossoró, para estudar na Casa de Menores Mário Negócio, órgão do governo, e lá eu morei oito anos como interno.

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CENTENÁRIO DE JOÃO GOMES DE LIRA: NAZARÉ COMEMORA E HOMENAGEIA UM GRANDE VULTO NORDESTINO

Por: João de Sousa Lima
O Historiador João de Sousa Lima e João Gomes de Lira

Nazaré do Pico, Floresta, Pernambuco, comemora o centenário de João Gomes de Lira. João Gomes foi um dos grandes combatentes do cangaço, fez parte da volante dos famosos "Nazarenos".

Centenário de João Gomes de Lira

O evento acontecerá dia 13 de julho de 2013. 
Haverá uma mesa redonda no Clube Recreativo, às 14:00 hs com os palestrantes:

João de Sousa Lima (Paulo Afonso-Ba) 
Antonio Vilela (Garanhuns-Pernambuco) 
Paulo Moura (Recife-Pernambuco).

João Gomes de Lira com sua farda que tanto honrou.

Às 17:00 hs será inaugurado um busto em homenagem ao João Gomes. 
Às 19:00 hs acontecerá uma missa e as 22:00 hs o encerramento terá uma festa na praça.

Enviado pelo escritor, pesquisador do cangaço e sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

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Sesquicentenário!!!!

Por: Paulo Medeiros Gastão

Amigos, bom dia!!!!

Como andador das caatingas não posso deixar passar em branco a data de 05/07/2013. Vou lhe lembrar: 150 anos atrás nascia aquele que seria o maior empreendedor do Nordeste, DELMIRO GOUVEIA. 

Coronel Delmiro Gouveia

Não tenho conhecimento de mínima comemoração oriunda: da cidade do Ipu/CE onde ele nasceu; da cidade de Delmiro Gouveia, que foi ele o fundador com o nome de Pedra. da CHESF em Paulo Afonso/BA., do Ministério da Cultura.
 
Tudo é um silêncio sepulcral. E assim vamos cultivando em alto estilo o desprezo pela memoria do país.
 
Um POVO reverencia seus entes representativos e amados. Mas, não esqueça quando neste país tivermos um POVO, teremos condições  em comemorar muitas datas importantes  e representativas para com aqueles que são na realidade merecedores do nosso respeito.
 
Tenham um dia maravilhoso.
 
Paulo Gastão.

Enviado pelo professor universitário, escritor, pesquisador e fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

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MANUELITO PEREIRA


Centenário de Manuelito Pereira, o fotógrafo número 1 (I)

Esta matéria é uma justa homenagem àquele, que através de suas lentes, por quase meio século, elaborou um registro visual inquestionável, e, de valor incalculável para a História da cidade de Mossoró-RN, o fotógrafo Manuelito Pereira, (17/08/1910-10/08/1980). O centenário de nascimento deste artista do clique e do flash: 17/08/2010.


Por meio de um arquivo disponibilizado pela Color Filmes de Mossoró-RN, acessei a esta pequena auto-biografia do fotógrafo, escrita numa linguagem simples, direta e coloquial, a qual transcrevo, na íntegra, e que apenas inseri mínimas correções para torná-la mais clara ao leitor.

Dados pessoais: "Meu nome é Manuelito Pereira dos Santos Magalhães Benigno, ou mais simplesmente Manuelito Pereira. Nasci em Fortaleza a 17 de agosto de 1910, e cheguei a Mossoró no dia 4 de outubro de 1933, já como profissional da fotografia, a convite da família Escóssia, para trabalhar no Foto Escóssia, que na época, era o fino da cidade. Casado com D. Maria Silva Barbosa Pereira, também cearense, das macambiras de Canindé. Constituí uma família de 5 filhos, dos quais somente dois estão vivos, e 6 netos, todos estudando na capital do Estado, sendo que quatro deles já são acadêmicos de engenharia , em diversos ramos. Estou, portanto, aqui há quase 44 anos e com 47 de profissão."

A imagem 01, de 1942, retrata o fotógrafo Manuelito, em seu próprio estúdio, localizado na Praça Vigário Antonio Joaquim, Mossoró-RN. . A autoria da imagem é desconhecida, é provável que venha ser de algum outro funcionário daquele estúdio.

Da iniciação na arte fotográfica: "Iniciei-me na arte fotográfica em Fortaleza-CE, era aprendiz do “Foto Sales”. Depois passei por diversos outros estúdios, e, em 1930, já era considerado um profissional.

Recebi convite de Augusto da Escóssia para trabalhar no foto de propriedade de Louro da Escóssia e para aqui (Mossoró-RN) me desloquei fixando-me até hoje, (1977).

Depois do “Foto Escóssia”, ainda trabalhei com José Otávio, para finalmente instalar-me por conta própria.

Foi no ano de 1942, num sábado de carnaval, que inaugurei meu estúdio próprio, na praça Vigário Antonio Joaquim, onde está até hoje, com o nome de “Foto Manuelito”. Consegui, ao longo dos anos, ser considerado o “fotógrafo n° 1 da cidade” o que só me dá motivos de satisfação e orgulho. Até hoje, mesmo depois de arrendado o estúdio, continua com a mesma denominação, mantendo a tradição do nome feito com muito trabalho, sacrifício e amor e arte.

Também para mim é motivo de orgulho poder dizer que encomendei muito dos meus ex-empregados que hoje são donos de estúdios fotográficos, aqui (Mossoró-RN) e em outros lugares.

Este Foto realmente me envaidece, e faço votos que todos progridam e sejam felizes. Mesmo com a minha aposentadoria, continuo sendo um amante da arte, pois a fotografia é uma coisa que empolga a gente, e faz gente gostar e se apaixonar pelo que ela pode dar e ensinar."

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope. Autoria das imagens 02,03 e 04: Manuelito Pereira, 1910-1980; Fonte dos arquivos fotográficos P&B 01, 02 e 03- Site Azougue. - Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica


Escrito por Copyright@Télescope

http://telescope.blog.uol.com.br/sociedade/

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terça-feira, 2 de julho de 2013

MEMORIAL DA BATALHA DE JENIPAPO

Por: João de Sousa Lima

Durante minha estadia em Teresina para participar do Salão do Livro do piauí, o amigo Wilson Seraine me proporcionou alguns momentos inesquecíveis, conhecemos alguns museus e um dos momentos mais marcantes foi conhecer o Memorial da Batalha de Jenipapo.

Busto na entrada do memorial de jenipapo

O memorial fica ao lado do cemitério onde foram assassinados e enterrados vários sertanejos que lutaram nessa batalha.

PARA ENTENDER UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA:

A Batalha do Jenipapo  foi um confronto entre partidários da independência brasileira e a resistência portuguesa, que procurava evitá-la, ocorrida no dia 13 de março de 1823, às margens do riacho de mesmo nome, localizado na região do atual município de Campo Maior, na província do Piauí. Ela é considerada fundamental no  processo de independência e consolidação do território brasileiro.


Além da população do Piauí, maranhenses e cearenses participaram do levante popular contra as tropas lideradas pelo Major João José da Cunha Fidié, que desejavam manter a região sob domínio lusitano e sufocar os movimentos de independência. O embate pode ser visto como um dos momentos chave da adesão da província piauiense ao processo emancipatório brasileiro.

 João de Sousa Lima e Jadilson no Memorial de Jenipapo

Com o retorno de D. João VI a Portugal a independência foi oficialmente proclamada a 7 de setembro de 1822, pelo príncipe regente Dom Pedro I em São Paulo, às margens do rio Ipiranga, no entanto,o gesto não representou a integração de todas as províncias do país.

Algumas armas do Memorial de Jenipapo

Com a intenção de impedir o crescimento das idéias separatistas, o governo português enviara desde 1821 para o Piauí o veterano das guerras napoleônicas, major Fidié. A intenção era manter a província ligada a Portugal e estabelecer com o Maranhão e Grão-Pará uma área de domínio lusitano.

Detalhes de uma arma exposta no Memorial de jenipapo

Após a declaração da independência do Piauí feita a 19 de Outubro de 1822, em Parnaíba, o comandante português reúne suas tropas e parte de Oeiras em direção à Parnaíba, a 13 de novembro, para combater os emancipacionistas liderados por Francisco Inácio da Costa, José Francisco de Miranda Osório, José Marques Freire, Luís de Sousa Fortes Bustamante Sá e Menezes, Simplício José da Silva, Luis Rodrigues Chaves, João da Costa Alecrim, José Antônio da Costa Cardoso e Alexandre Nery Pereira Nereu.

Wilson Seraine e João visitando o Museu da Batalha de jenipapo

Fidié chega a Campo Maior e, no dia 13 de março de 1823, pela manhã, onde tem início a batalha entre suas tropas bem armadas e experientes e brasileiros sem treinamento militar, utilizando paus, pedras e outros materiais de pouco poder ofensivo. Devido a superioridade bélica, o que se viu à beira do Jenipapo foi um massacre. 

Placa

Mesmo com a derrota do movimento popular, a Batalha do Jenipapo tornou-se decisiva para afastar o major João José da Cunha Fidié do Piauí e consolidar a independência e a unidade territorial do Brasil. Enfraquecidas, as tropas fiéis à coroa seguiram para Caxias, no Maranhão, onde foram derrotadas por piauienses, maranhenses e cearenses, a 31 de julho de 1831.

A Batalha do Jenipapo é um capítulo fundamental no processo de consolidação do território nacional e a data do acontecimento passou a ser estampada, a partir de 2005, após aprovação da Assembleia Legislativa do Piauí, na bandeira do estado.

Nota: Duas fotos não foram inseridas devido problemas na página.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: 
João de Sousa Lima

 joaoarquivo44@bol.com.br
joao.sousalima@bol.com.br

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Paixão à Primeira Página

Por: Sara Saraiva
 Sarinha na casa de Chico Pereira em Nazarezinho

Participar da experiência do Cariri Cangaço Parayba tornou-se mais que especial devido ao livro 'Vingança, não', do Padre Pereira Nóbrega. Tive a oportunidade de lê-lo dias antes do evento!


Sou apenas uma iniciante no assunto, não tenho embasamento teórico. Li o livro com olhos leigos, sem críticas, apenas sentimento. E foi paixão à primeira página. Fiquei cativada de tal modo que cheguei a me emocionar em certos capítulos e criei uma enorme empatia pela família Pereira, por sua luta , e principalmente, pela mensagem que eles passam. Assim, pisar no solo onde essa história aconteceu tornou-se algo mágico.

Visualizar os detalhes, embora ruídos pelo tempo, da casa de Chico Pereira e imaginar a ansiedade de Maria Egilda, a angústia de Francisco Pereira, a chegada dos cangaceiros, os cercos da polícia... Transportar a imagem que criamos a partir da leitura e ver que tudo foi tão real... É fascinante. Não há outra palavra para descrever a sensação além dessa.

 
Sarinha e Manoel Severo, Casa de Chico Pereira

Vivo em meio a textos rápidos na internet e uma juventude que desconhece a própria história. Participar desse evento, para mim, foi como um despertar. Observar a seriedade e o compromisso com que os fatos passados são discutidos e analisados trouxe-me uma grande curiosidade acerca do Cangaço e da história do nordeste em geral. Resgatá-la, estudá-la e entender o contexto em que se desenrolaram os acontecimentos é uma forma de reconhecer erros, refletir, compreender realidades e mais, evoluir.

A obra de Padre Pereira, por exemplo, foi-me uma grande oportunidade de reflexão. Embora narre uma história de violência, há uma moral esplêndida divulgada logo no título do livro. Uma vez que a própria sociedade induzia a vingança, e que os interesses políticos e econômicos influem mais que o âmbito humano, ver a determinação de Jarda em conduzir seus filhos, com sucesso, a um caminho de perdão, apesar de toda injustiça acometida a família, é um exemplo de persistência e humanidade. Ressalto, deste modo, um trecho do livro que descreve bem esse valor:

  "Vingar-se é menos do que humano, porque é próprio das feras. Perdoar é mais do que humano, porque é próprio de Deus.''


Sara Saraiva
Fortaleza

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Caravana Cariri Cangaço percorre o Nordeste Por: Aderbal Nogueira


Em razão do ano eleitoral não tivemos a edição do Cariri Cangaço 2012, entretanto foi possível realizar um maravilhosa Caravana Cariri Cangaço por várias cidades de nosso nordeste, palcos de muitos episódios marcantes do ciclo do cangaço.

Esse vídeo documentário, produzido pela Laser Vídeo, do confrade Aderbal Nogueira, mostra um pouco do que foi a visita da Caravana Cariri Cangaço aos municípios de Serra Talhada, Triunfo e Floresta em Pernambuco; Piranhas e Delmiro Gouveia em Alagoas; Canindé e Poço Redondo em Sergipe e ainda Paulo Afonso, Santa Brígida e Jeremoabo na Bahia. Na verdade uma das mais sensacionais viagens do Cariri Cangaço.
Bom vídeo !

Manoel Severo

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

iNFORMAÇÃO AO LEITOR!

Material para postagens, temos, mas o blog está com problemas, e não está aceitando 
fotos na página.

Jardim de Piranhas realiza São João da terceira idade


A Prefeitura de Jardim de Piranhas realizou, na última sexta-feira, 28, o São João da Terceira Idade. A festa organizada pela Secretaria Municipal de Trabalho, Habitação e Assistência Social, através do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), reuniu mais de 136 idosos de várias idades, estudantes e gente da comunidade. Durante a festividade que começou às 9h da manhã e só terminou depois das 13h, teve comidas típicas, quadrilha junina e a escolha do rei e da rainha do São João.


Estudantes da escola municipal Walfredo Gurgel fizeram uma apresentação de quadrilha estilizada com direito até a encenação. De acordo com a secretária de Ação Social, Cristina Queiroz, o trabalho consiste em promover atividades físicas e, principalmente, trabalhar a socialização dos “jovens da terceira idade” que, ao contrário do que muitos pensam, têm uma vida muito ativa. “É um trabalho muito importante e que nos traz grandes resultados”, enfatizou.

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Extra - Só para você ver o que a natureza tem para mostrar o amor que tem os animais


Leoparda Lagadema poupa vida de filhote de babuíno e o protege de predadores.


Um relato de babuíno

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domingo, 30 de junho de 2013

O jornal A Tarde publicou em 24 de Dezembro de 1929


A passagem de Lampião às Queimadas deixou o povo desesperado, pois lá os cangaceiros fizeram o que bem entenderam, e ainda mataram 7 soldados, deixando vivo apenas o sargento Evaristo.

A seguir a matéria do jornal A Tarde

Enquanto isso, os cabras saqueavam o comércio, tendo se apoderado da importância de 20 contos de reis. 

Às 6 horas da tarde, resolveram fuzilar o destacamento e o fizeram fria e covardemente a porta da cadeia.


Foto do sargento Evaristo Carlos

Das oito praças, escapou apenas o sargento Evaristo, com uma concessão do bandido aos retirados pedidos dos presentes. 

Em seguida, o grupo sinistro mandou abrir o cinema, sendo passado um filme e assistido até o fim. 

Houve depois “baile” isto é sapateado e cachaçadas. 

(A TARDE, Salvador, p. 24 de dezembro 1929).


Clique no link abaixo para você saber porque Lampião não assassinou o sargento Evaristo Carlos


http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2013/06/o-caso-da-sargento-evaristo-carlos.html

O cangaceiro Moita Brava

Por: José Plínio de Oliveira

José Mendes, tive a oportunidade de conhecer na Várzea da Ema o Sr. Marcos Batista - irmão dos cangaceiros Moita Brava e Carrasco - e a Sra. Dona Eva, esposa de Seu Marcos, falecido no dia 19/06/2013. Ambos figuram como pessoas da minha mais elevada estima. 

José Mendes, a saga do cangaço na Várzea da Ema atormentou a muitas famílias, inclusive a do Sr. Marcos Batista. É uma longa história. Carrasco morreu logo no início da lida cangaceira, Moita Brava lutou e sobreviveu. 

A informação que eu tinha era de que depois das "entregas" Moita Brava sumiu no mundo e a família na Várzea da Ema nunca mais teve notícias. Se tens alguma informação sobre a história dele em São Paulo, gostaria de estudá-la. 

JOSÉ PLÍNIO DE OLIVEIRA - pdw28@hotmail.com (Serrinha - Bahia) 

Amigo José Plínio de Oliveira:

 Seu e-mail não está dando certo. Envie-nos contatos.

Estou lhe enviando material sobre o cangaceiro Moita Brava através do blog "Lampião Aceso", escrito pelo pesquisador Kiko Monteiro.

Clique no Link:

Caso não consiga abri o blog "Lampião Aceso" leve o link até ao google.

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2013/04/cangaceiros.html

Faça uma boa leitura!

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

NOVO LIVRO DE JOÃO BARONE NA GLOBO NEWS

Publicado em 23/06/2013 por Rostand Medeiros

João Barone no programa Globo News Literatura.

João Barone no programa Globo News Literatura.

O novo livro do músico e pesquisador João Barone “1942-O Brasil e sua guerra quase desconhecida” foi esta semana um dos temas de uma interessante reportagem do programa Globo News Literatura.

Em seis minutos você pode conhecer mais sobre este livro e a pesquisa realizada. Para acessar é só clicar no link abaixo;

http://g1.globo.com/globo-news/literatura/videos/t/todos-os-videos/v/baterista-do-paralamas-do-sucesso-lanca-1942-o-brasil-e-sua-guerra-quase-desconhecida/2649309/

Durante a reportagem fiquei surpreso e ao mesmo tempo feliz, de ver que na escrivaninha do amigo João Barone está o nosso último livro “Eu não sou Herói-A história de Emil Petr”.

João Barone é mais conhecido pelo seu desempenho nas baquetas da banda Paralamas do Sucesso, mas há algum tempo vem trazendo para o grande público, através de seus documentários e livros, novas e interessantes informações sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Já tive a oportunidade expressar a João Barone minha opinião que ele é um dos maiores responsáveis pelos processos de popularização deste tema nos últimos anos aqui no Brasil. Esta popularização é extremamente necessária para que aqueles que lá foram não sejam esquecidos, ajuda a pesquisadores a ampliarem novos trabalhos sobre o tema e para que esta história não volte a se repetir.

1942-O Brasil e sua guerra quase desconhecida

Sei que novos trabalhos do João Barone estão chegando e com certeza com a marca da qualidade que lhe é peculiar.

Extraído blog Tok de História - do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com

Dona Fideralina, a Matriarca de Lavras da Mangabeira

Dona Fideralina Augusto Lima

Num universo dominado pelo patriarcalismo, há que se ressaltar a figura de Fideralina Augusto Lima, nascida em Lavras da Mangabeira no ano de 1832, filha de um poderoso latifundiário e chefe político local. Com a morte do pai, dona Fideralina deu continuidade a sua atividade político-partidária. De atitudes enérgicas tornou-se figura expressiva entre o coronelismo da região.

Dona Fideralina casara-se muito jovem, aos 15 anos, com um filho de Raimundo Duarte Bezerra (Papai Raimundo, fundador de Várzea Alegre). E enviuvara aos 44, sendo mãe de doze filhos.
 
O poder herdado do pai, e mais tarde do marido, foi habilmente mantido. Fideralina conseguia sempre estar bem com os governos: de monarquista converteu-se em republicana, contanto que dominasse a região de Lavras da Mangabeira. 

Nunca quis cargo político mas os ocupava com os familiares e amigos próximos. Os mais próximos chamavam-na de Dindinha, os mais distantes chamavam-na de Fidera do Tatu.

Casa do Sitio do Tatu, onde viveu Fideralina  - (imagem: http://blogdosanharol.blogspot.com.br)

O apelido devia-se ao fato de, apesar de ser proprietária de vastas terras, vivia no sitio do Tatu, próximo à cidade. Ali mantinha engenho, casa de farinha e bolandeira de beneficiar algodão. Era também proprietária de muitos escravos, onde se destacava um grupo de negras que eram usadas  como parideiras de moleques, que após algum tempo eram vendidas. Fideralina impunha respeito, e despertava medo e curiosidade das pessoas.

Foto do final dos anos 1930/início da década de 1940. Antiga Rua da Praia, depois Rua Santos Dumont e hoje Wilson Sá. Ao fundo a Rua da Beira do Rio, destruída pela enchente de 1947. (imagem: http://lavrasdamangabeirace.blogspot.com.br)

Entre os negros do sitio do Tatu, quatro deles, dos mais fortes, deviam estar sempre prontos para carregar a liteira de Dona Fideralina, nas suas idas à cidade. Corpulenta, medidas avantajadas, quadris largos, rosto cheio, Fideralina era baixa e gorda, sisuda, falava alto, cheirava rapé e bebia zinebra. Tempos depois trocou a liteira pelo cabriolé – uma espécie de charrete – e, depois de velha, estranhamente, começou a andar a cavalo, inspirando uma crônica do juiz Álvaro Dias Martins, assustado com a vitalidade da velha cavaleira.

 Estação ferroviária de Iguatu, em 1957 (foto do site estações ferroviárias)

Temida pelo povo, não era só medo que ela despertava nas pessoas. Quando viajava de Lavras para Iguatu, onde tomava o trem para Fortaleza, e se hospedava na casa do chefe político da cidade, despertava imensa curiosidade. O povo ia à casa do coronel para vê-la, corria às calçadas a fim de lhe assistir a passagem e, na hora do embarque, uma multidão se comprimia na plataforma da estação ferroviária para ver aquela mulher perigosa, valente, cheia de coragem, que mandava matar os inimigos.

Igreja Matriz de Lavras da Mangabeira (foto: O globo)

Essas viagens faziam parte de seu relacionamento com o Presidente da Província. Mas Fideralina abusava às vezes dessas boas relações. Chegou a exigir em carta ao Presidente que nomeasse um amigo analfabeto para o posto de professor de grego do Liceu de Fortaleza. Provavelmente era ela mesma quem escrevia as próprias cartas. Tinha uma bela letra e assinava Federalina, com a letra E no lugar do I, como era conhecida.

Graças a seu poder político e econômico, Dona Fideralina podia manter certos hábitos interditos à mulher. Falava o que lhe viesse a cabeça, dizia palavrões em qualquer oportunidade, alteava a voz com os homens. Tinha um grupo de "cabras" capazes das maiores crueldades para proteger a propriedade e garantir a família. Ela própria andava sempre com um bacamarte ao alcance da mão.

Rezava o rosário diariamente em companhia da família e das escravas – o folclórico dizia que o rosário era confeccionado de orelhas dos inimigos. 

Localização de Lavras da Mangabeira, no mapa do Ceará

Fideralina faleceu em 1919, o que não encerrou o domínio da família Augusto. Apenas na década de 70, pela primeira vez, os Augustos não conseguiram eleger o prefeito de Lavras. 

Pesquisa:
História do Ceará, de Airton de Farias
site estações ferroviárias 
Jornal Diário do Nordeste

Tv Assembleia do Ceará