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sábado, 10 de maio de 2014

Lampião na Bahia - Concurso literário 2014

 Por Luiz Carlos Marques Cardoso

O livro do qual faço a resenha já se encontra na 6° Edição, foi escrito pelo pesquisador Oleone Coelho Fontes, esse que acabou por legar a sociedade mundial uma obra riquíssima em detalhes sobre a vida do maior bandido que o Brasil já teve. Em seus estudos entrevistou uma gama de pessoas, gente essa que teve papel singular em algum dado momento da passagem de Virgulino pelas terras da Bahia. O livro trás ainda fotografias dos integrantes do cangaço, e comentários que nos faz pensar num período de trevas aos sertanejos sofridos, tanto pela seca, a pobreza e naquela época, pela violência imputada pelo bando do facínora. 

O cangaceiro Lampião companheiro de Maria Bonita

Lampião, ou Capitão Lampião, assim exigia que fosse chamado, por ter ele recebido do Padre Cícero essa titulação. Saía a dizer ser ele o governador dos sertões, na verdade, por mais de dois séculos foi sim de certa forma o Governador das bandas secas do Brasil. Deixou o Estado de Pernambuco ciente da perseguição que os volantes infligiam a seu debilitado bando, precisava de repouso para repor as energias e recrutar novos homens. Fez aquilo que a polícia não imaginava que seria feito, a travessia de uma margem para a outra do Rio São Francisco, aconteceu depois do meio-dia do dia 21 de agosto de 1928.
    
Já nas terras baianas, gozava de paz, a polícia débil do Estado fazia vista grossa. Ficou a andar por cidades falando que estava na Bahia em paz, que se meteu no Cangaço por imposição da vida e se lhe tivesse condições ele largaria tudo para viver em paz. Sempre coagindo conseguia dos sertanejos o sustento do bando.
    
Após o grupo de cangaceiros passarem pela vila do Cumbe uma volante cruza em seu encalço. Numa fazendo logo adiante acontece o primeiro embate dos homens de Lampião com a polícia baiana. Na ocasião, o bando saiu vitorioso, matou um sargento e dois soldados. Aquele momento marcou o inicio das atividades perversas do banditismo na Bahia.
    
O cangaceiro Corisco, esposo de Dadá

De cidade em cidade os cangaceiros iam pilhando, matando, castrando e tomando das mulheres. Teve uma ocasião em que obrigaram cinco moças a dançarem nuas. Corisco, o Diabo Louro, pegou um antigo inimigo, tinha jurado que quando tivesse o homem nas mãos esse sofreria muito antes de morrer. Corisco afirmava que fora o dito homem o responsável pela sua entrada no cangaço. Teve sociedade com ele, porém foi passado para trás. No momento do pagamento pegou a pobre presa e amarou feito bode a ser morto de cabeça para baixo, tirou o couro do homem, esse ainda em vida, sobre muitos gritos.
    
Em um conflito com os “macacos” (dessa forma os cangaceiros chamavam os policiais) Lampião perde um dos seus homens, esse fato acirrou ainda mais os embates dos volantes com os cangaceiros. Lampião após tomar uma vila prende oito macacos e um sargento. Depois de beberem muito, dançarem; o bando vai a delegacia, local onde se encontrava os soldados presos, tinha soltado os que estavam presos e encarcerados aqueles. Um por um ia sendo levado para fora e com golpes de punhal e tiro na testa tombavam ao chão. Apenas o sargento foi poupado por Lampião, conta que Virgulino fez uma aposta com uma senhora, como essa ganhou, ele pediu que ela exigisse algo, a mesma inquiriu que soltasse o sargento, o rei do cangaço como não ia contra a palavra dada, dessa forma o fez, contrariando seus ideais, pois o lema dele era matar todos os macacos que colocasse as mãos.
    
O bando de Lampião cresceu tanto que ele se viu obrigado a dividi-lo em vários subgrupos. Corisco chefiava um, fato esse que poupou da morte no encontro da volante com os cangaceiros na Gruta do Angico. Dessa forma ficou mais difícil em exterminar o cangaço. A polícia que parecia com os cangaceiros, tanto em trajes como em perversidade, fatos comprovados e contados no livro. Em cada encontro os bandoleiros obtinha vitória, eles possuíam informantes e fazendeiros a disporem de armas, além de agirem por meio de emboscadas. Conheciam a caatinga como ninguém, além de usarem técnicas para despistar, conseguia farejar macacos de longe.
    
Em um combate Lampião perde o último irmão que o acompanhara no cangaço, sobrou-se apenas um, por sinal, esse foi o único a não se meter com o cangaço. Depois desse fato, conta-se que Lampião ao ver o irmão sofrendo e sem possibilidade de vida deferiu-se um certeiro na testa, o homem aumentou sua crueldade, matava por matar, castrava. Por vingança ele matou um coronel, mas antes fez despir esse e a mulher e no lombo de animal o homem na frente, a mulher na garupa, foram levados para uma vila próxima para que o ato servisse de exemplo. O coronel foi morto a punhaladas, a esposa foi poupada a pedido dos companheiros de cangaço, todavia essa jamais recobrou a consciência.

O cangaceiro Zé Baiano 

Zé Baiano tinha como marca um ferro de ferrar animais, porém o usava para marcar mulheres. “J B” era as letras que continha no instrumento. Quantas não foram as moças ferradas por ele? Ferrava-se no rosto, nas pernas, nas nádegas. Carregar uma marca dessas, além da feiúra levantava muitas indagações, pois o povo sabia de quem era tais iniciais.
    
Tamanha brutalidade ocorreu com a família Salina, foi uma verdadeira chacina. Lampião manda um bilhete exigindo do chefe da família uma determinada importância. Esse se aconselha na cidade e a autoridade fala para ele não ceder aos bandidos. Assim feito, Lampião ameaça dizendo que quando colocasse as mãos nele poderia considerar um homem morto. A família Salina passa a residir no povoado, porém suas posses iam sumindo, já que ficava sempre ocioso e precisava de recurso para se manter. Dado dia ele foi obrigado a ir a fazenda colher a mandioca e fazer dessa farinha. Reuniu-se com a família e alguns amigos para o trabalho, era fazer a farinha e voltar logo ao povoado. Lampião chega e cerca a propriedade, matam quase todos, deixam apenas duas moças vivas para contar o ocorrido, um rapaz que se encontrava sobre o telhado também consegue fugir. O velho Salina tem os dois olhos furado, orelhas cortadas e é castrado. Lampião coloca o homem ainda vivo no cavalo e leva para a casa de um dos filhos deste, defronte ele mata o velho, abre o peito a golpe de facão e tira o coração. Mata também o filho de Salina que saiu a porta. A brutalidade de Virgulino chegava ao estremo.

O cangaceiro Volta Seca

Volta-Seca entrou para o cangaço quando ainda era garoto. Por ter muita coragem foi levado por Lampião. Ele na chacina dos soldados chegou após o ocorrido e disse que estava desapontado, pois o chefe só havia deixado sangrar quatro macacos. Certa feita o garoto ameaçou o rei do cangaço dizendo: “Se você bater em mim eu te mato”. Com medo e aconselhado por alguns colegas foge no calar da noite. A namorada vai para a casa dos parentes, ele foge para outro povoado. Retorna para ver a moça, porém a família dela não queria o relacionamento. Volta-Seca fica pelas intermediações, acuado pela polícia os irmãos da moça armam uma emboscada e pega o garoto e o entrega as autoridades. Volta-Seca é conduzido para Salvador, onde após um ano passa a dá entrevistas e conta suas proezas do cangaço.

Maria Bonita

Maria Déia, popularmente conhecida por Maria Bonita, entrou para o cangaço por desejo próprio, pois odiava a mansidão da vida que levava ao lado do marido sapateiro. Certo dia um Luís Pedro foi ao povoado verificar a situação do local, parou ao escutar uma moça falar do chefe dos cangaceiros, ela dizia que largaria tudo se Lampião a quisesse. O cabra retornou ao esconderijo e falou ao chefe tudo que havia escutado. Virgulino quis conhecer a moça, já que pelas palavras do informante a danada era muito bonita. Chegou e com poucas palavras levou Maria, ao sair ainda disse ao marido sapateiro (José de Neném), que se encontrava de cabeça baixa, “Adeus Zé”. Maria Déia nasceu no povoado de Malhada do Caiçara, município de Santa Brígida. Teve alguns filhos, porém somente um conseguiu vingar, essa logo ao nascer foi entregue a um coiteiro do bando. Expedita ficou sobre guarda de dona Aurora, a esposa do vaqueiro Mamede, na fazenda Inchu. Maria Bonita faleceu ao lado de Lampião na Gruta do Angico.
    
A morte de Lampião é cercada por muitas controvérsias, um diz que ele foi envenenado, mas o enredo mais aceito é aquele divulgado pela mídia. Lampião e seu bando de cabras foram repousar na Gruta de Angico, na ocasião iria acontecer uma reunião entre os grupos. Certo é que o Rei do Cangaço já não tinha a mesma vitalidade de outrora, com a idade passando dos quarentas e levando uma vida dura: andava muito sob o sol quente do nordeste, comia muito em alguns períodos e nada em outros, sofria com o pânico de ser surpreendido pelos macacos. Pedro de Cândida foi o coiteiro que traiu Lampião, ficou conhecido como Judas de angico, fez por ter sido ameaçado pelos homens de Bezerra. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938 quando os volantes atacaram o pouso do Rei do Cangaço e mataram onze pessoas, nove homens e duas mulheres, uma delas Maria Bonita, que segundo consta, foi degolada ainda em vida, começava ali o fim do cangaço que durou mais de duas décadas. Os policiais saquearam todos os pertences dos cangaceiros, uns chegaram a arrancar as mãos dos cadáveres para quando em casa tirarem os anéis de ouro. As cabeças foram levadas para servir de prova que o cangaço havia perdido seu principal homem, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Muitos cangaceiros conseguiram fugir, Corisco ainda não tinha chegado ao local.

Dadá,a suçuarana,  esposa do cangaceiro Corisco
    
Corisco ao ver a foto contendo as cabeças chorou copiosamente junto sua companheira Dadá. Resolveu se vingar. As primeiras vítimas foram da família de Domingos Ventura, avô da esposa de João Bezerra. Chegou à casa do homem, comeu e pediu que seus cabras levasse um a um para fora, ao final foi ele com o chefe da família, esse último teve o mesmo fim dos demais, foram degolados e suas cabeças enviadas a Bezerra juntas a um bilhete: “Se o negocio é de cabeças, vou mandar em quantidade”. Em um confronto o Diabo Louro foi baleado na perna, fragilizado ele tenta refugio em outras terras, mas o caçador de cangaceiros Zé Rufino o encontra. Ferido por bala não agüenta e morre. Morreu em Brotas de Macaúbas no dia 25 de Maio de 1940. Com a morte de Cristino Gomes da Silva Cleto o cangaço chegava ao seu final.
    
Aconselho a todos que leem esse magnífico livro. O leitor verá nessas páginas como foram aqueles anos no sertão, onde o Governador não era o Governador, mas um cangaceiro, homem que para uns era bom, enquanto para outros uma peste; fazia caridade ao mesmo tempo em que tomava do que era dos outros.

http://www.focadoemvoce.com/resenhas/lampiaonabahia.php

Ilustrado por José Mendes Pereira
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Pedro Nél Pereira - Uma longa vida de trabalho e honestidade - Três anos de saudades!

Por: José Mendes Pereira
Pedro Nél Pereira

Pedro Nél Pereira nasceu no dia 17 de Abril de 1922, na Fazenda Duarte, município de Mossoró. Se sair de Mossoró em um automóvel, gastará no máximo 10 minutos. 

Era filho de Manoel Francisco Pereira (Seu Néo) e de Herculana Maria da Conceição (Madrinha Herculana, como chamava a vizinhança, e  netos e bisnetos a chamavam de Mãenanana, Mananana ou ainda Mamãenana).

Pedro Nél Pereira

Pedro Néo Pereira nasceu e se criou na Fazenda Duarte, propriedade de Francisco Duarte (Chico Duarte), tendo sido educado por dona Chiquinha Duarte, esposa do fazendeiro. Após o seu casamento continuou sendo morador do fazendeiro, só saindo de lá quando conseguiu comprar uma pequena propriedade, nos dias de hoje pertence aos herdeiros. 

Dona Chiquinha Duarte, sua professora, esposa do fazendeiro Chico Duarte

São poucos mossoroenses que não conheceram Pedro Nél Pereira; costumeiramente ele organizava no mês de Outubro a festa de São Francisco, e após o leilão, o fole gemia nas noites enluaradas do Sítio São Francisco, de sua propriedade.

Pedro Nél Pereira

Nos anos 40 prestava serviços ao exército brasileiro, em Natal, quando foi convocado para participar da guerra da Alemanha, juntamente com tantos outros mossoroenses. Mas para sorte de todos, quando estavam no navio para partirem, receberam a notícia que a guerra havia acabado.

 
Pedro Nél Pereira no exército brasileiro

Pedro Nél Pereira foi agricultor, membro efetivo de dois Conselhos Comunitários de Mossoró, membro efetivo do Sindicado dos Trabalhadores na Lavoura de Mossoró, durante 40 anos. 

Pedro Nél é o segundo da fila.

Foi fundador da Capela de São Francisco de Assis, no Sítio São Francisco e suplente vereador de Mossoró. Pedro Nél Pereira recebera por merecimento patente 2º tenente do exército.

Era pai de 16 filhos: Nilton Mendes Pereira, Francisco Mendes Pereira (já falecido), Eneci Mendes Pereira, Antonio Mendes Pereira, Maria das Graças Pereira, José Mendes Pereira, Luzia Mendes Pereira, Anzelita Mendes Pereira, Antonio Mendes Sobrinho, Raimundo Mendes Pereira (falecido), Elizabete Mendes Pereira (falecida), Maria do Carmo Mendes Pereira (falecida), Laete Mendes Pereira, Eliete Mendes Pereira (falecida), Antonia Vera Lúcia Mendes Pereira e Lúcia do Carmo Mendes Pereira.


Pedro Nél Pereira faleceu no dia 10 de Maio de 2011, em Mossoró, aos 89 anos; não deixou nenhuma intriga durante  o período em que viveu. Foi compadre de  trinta e um casais, incluindo os padrinhos dos seus filhos. Durante a sua vida soube considerar todos os seres humanos. Jamais fez intrigas, apenas lutava para manter amizades sinceras sem menosprezar ninguém.

Hoje, 10 de Maio de 2014, está completando três anos que ele partiu para a eternidade. Pedro Nél Pereira era pai do administrador deste blog.

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LAMPIÃO, POEIRA E BALA

Por Clerisvaldo B. Chagas, 9 de maio de 2014 - Crônica Nº 1. 185

O negócio estava feio. Dizem que quando o povo fala, ou é ou está para ser. Portanto, o apavoramento da população santanense, justificava-se, pois, apesar da existência do Tiro de Guerra, no centro da cidade, ninguém havia traçado estratégia militar para enfrentar o bandido Lampião.

Antiga Rua da Poeira que esperou Lampião em Santana do Ipanema. Hoje calçada, com o nome de Manoel Medeiros Aquino. foto: Clerisvaldo B. Chagas

O bandoleiro descia de Pernambuco, vindo do Juazeiro, onde conseguira uma falsa patente do exército. Com apenas 102 homens bem montados e municiados com as armas que recebera para combater a Coluna Prestes, Lampião abandonou o plano. Repara se ele iria enfrentar cerca de oitocentos homens experimentados no gatilho! Deu meia volta em Pernambuco, raivoso por ter sido enganado com o caso da patente e, deixou apenas uma frase de efeito e nada mais, se referindo a Carlos Prestes: “Vou olhar se esse Prestes, presta mesmo!”


Não podendo enfrentar os homens da Coluna, preferiu atacar Alagoas, onde matou fazendeiros e um cabo, primeiramente.

Houve debandada em Santana. Algumas famílias correram para o mato e duas, em automóveis, preferiram o agreste de Palmeira dos Índios.

Mas um grupo de homens resolutos convocou pessoas e armas formando uma força de 25 cadetes do Tiro de Guerra, 14 praças da Cadeia Velha, da Rua do Sebo e, mais alguns civis. Entre os últimos estavam o padre José Bulhões, Ormindo Barros, Firmino Rodrigues da Rocha, Joaquim Ferreira da Silva, Pedro Rodrigues Agra, e Joel Marques. Os cadetes tinham no comando o brigada Antônio Ribeiro Cavalcante e, os policiais, o delegado civil Bertoldo Rodrigues Machado. Inúmeros rifles saíram das residências inclusive também com o incentivo do juiz Manoel Xavier Accioly.

A resistência santanense partiu para a Rua da Poeira (hoje, Manoel Medeiros de Aquino), entrada oeste de Santana. Era a tarde de 5.6.1926. O pessoal passou o resto da tarde e a noite inteira na espera, mas o bandido não apareceu, com sua força dobrada em relação à defesa.

Lampião e sua legião de demônios, entretanto passou ao largo, cometendo seus atos infames nas caatingas indefesas do município e foi invadir Olho d’Água das Flores, na época pertencente a Santana, situada a 4 léguas da sede e, também indefesa.

Não sei se o bandido, estuprador, ladrão, assassino e assaltante venceria o fogo que não houve. Mas que a resistência estava aguardando, estava. Mesmo assim a Rua ficou na história com as conversas sobre LAMPIÃO, POEIRA E BALA.

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Colorir é preciso

Por José Mendes Pereira
Sérgio Roberto - Lampião, cangaço e nordeste

Você que sabe trabalhar com foto shop (nem sei se o nome é este mesmo, sou analfabeto em relação a este assunto), faça como muitos estão fazendo, colorindo as fotos do cangaço. Não pense em ganhar dinheiro, a sua participação é muito importante, e os pesquisadores, escritores, curiosos e estudantes do cangaço, todos agradecerão a sua boa vontade de colaborar.

Sérgio Roberto - Lampião, cangaço e nordeste

Se colorir uma foto, ponha o seu nome na imagem, passe-a para Internet, pois mesmo que alguém ao usá-la,  tire o seu nome da foto, mas ela continuará com o seu nome gravado como o primeiro a fazer este trabalho. Colabore com os estudiosos do cangaço. E é uma forma de ajudar a cultura continuar viva, com brilho e cor. 

Sérgio Roberto - Lampião, cangaço e nordeste

Veja que lindo trabalho feito por Sérgio Roberto (não tenho ideia de qual Estado e cidade ele mora), que coloriu a foto de  Sérgia Ribeiro da Silva, a companheira do cangaceiro Corisco; uma perfeição fora de sério. 

Fonte: Governador do Sertão Virgulino

Se eu soubesse fazer este trabalho, acredito que muitas já tinham ganhado outras cores.

Fonte: Governador do Sertão Virgulino

Colabore colorindo fotos do tempo do cangaço, pois o seu nome ficará gravado na mente das pessoas e todas reconhecerão o seu trabalho. O Brasil precisa de pessoas que colaboram com a cultura.

Sérgio Roberto - Lampião, cangaço e nordeste

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Zé Saturnino o inimigo número "1" da família Ferreira


Amigo Antonio de Oliveira:

Desde 2008 que eu venho acompanhando os cangaceiros do nordeste brasileiro pela caatinga, livrando-me de balas, assistindo algumas traições, tanto de coiteiros, fazendeiros, cangaceiros como de cangaceiras, acompanhando o homem que leva  bilhetes enviados pelos facínoras solicitando money, e algumas vezes jogo  baralhos com eles. Mas sei que tenho sido muito covarde, porque de momento a momento defendo os cangaceiros, em outros, estou dando razão aos policiais, às vítimas, aos coiteiros. Tudo isto eu já presenciei, mas eu ainda não conhecia esta foto do José Saturnino. E me parece que ela faz parte do acervo do pesquisador Sergio Augusto de Souza Dantas, publicada no blog http://lampiãoaceso.blogspot.com. Mas vale lembrar que eu a encontrei no facebook,  página:  Lampião, cangaço e Nordeste. 

Se para você não é novidade, para mim é.

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ROTEIRO DO CANGAÇO EM PAULO AFONSO

Por João de Sousa Lima


ROTA DO CANGAÇO I

CASA DE MARIA BONITA

Saída – Paulo Afonso – Bahia
Lagoa do Mel
Baixa do Boi
Povoado Riacho
Serra do Umbuzeiro
Malhada da Caiçara
Casa de Maria Bonita

A casa fica situada no povoado Malhada da Caiçara, distante da sede do município 37 km As vias de acesso para a residência são:

Pelo povoado Riacho km 25, que é também chamada BR 110, entrando a esquerda, por estrada de chão, 12 km em direção a Malhada da Caiçara.

Povoado no Alagadiço

No trajeto, na altura do km 18, no povoado Baixa do Boi, encontra-se o ponto conhecido como Lagoa do Mel, local onde morreu Ezequiel Ferreira, irmão mais novo de Lampião e ainda à esquerda da Serra do Umbuzeiro, encontra-se a Casa de Dona Generosa, sendo ela uma das maiores coiteiras de Lampião e dona de um magnífico patrimônio com 04 casas e uma capela, local onde Lampião realizava os famosos bailes.
Em frente à casa de Generosa pode-se ver ainda a cruz de Zé Pretinho, coiteiro assassinado pela volante policial.

Povoado Brejo do Burgo

Outro trajeto é pela estrada que liga Paulo Afonso à Sergipe, na altura do povoado Xingozinho, 35 km da sede do município, a direita passando pelo povoado Salobro, fazenda Canoa e Sítio do Tara, percurso de 16 Km.


O terceiro acesso a Casa de Maria Bonita é pelo povoado Barriga que fica à 36 km da sede do município de Paulo Afonso, pela BR 110, entrando a esquerda e passando pelos povoados Baixa da Areia, Lagoa Seca, chegando a Malhada da Caiçara, perfazendo um total de mais 14 km nesse trecho, estrada de chão.


Obs. O roteiro está incluso na Associação de Guias de Turismo de Paulo Afonso, denominado Roteiro VI – Serra do Umbuzeiro, ofício 002/2004.


Dica: O almoço pode ser agendado no povoado Riacho onde é servido o tradicional bode assado.
  
ROTA DO CANGAÇO II

POVOADO VÁRZEA

Saída de Paulo Afonso – Bahia
Povoado Campos Novos
Povoado Nambebé
Povoado Macambira
Povoado Serrote
Lagoa do Rancho
Várzea

Saindo de Paulo Afonso passa-se no povoado Campos Novos distante, 15 km da sede e local onde nasceu morto e foi enterrado o primeiro filho de Lampião e Maria bonita.


Mais 06 km chega-se ao povoado Nambebé onde nasceram os cangaceiros Bananeira e Medalha e foi um dos grandes coitos de Lampião, depois de mais 05 km vem o povoado Macambira onde aconteceu a prisão do cangaceiro Passarinho, seguindo mais 04 km encontra-se o povoado Alagadiço, andando mais 03 km chega-se ao povoado Serrote local onde Lampião matou o jovem João de Clemente, mais 2,5 km chega-se ao povoado Lagoa do Rancho local onde Lampião matou o cangaceiro Sabiá depois que esse estuprou uma moça chamada Rita de 15 anos de idade, por último chega-se na Várzea povoado que é entrada pro Raso da Catarina. A Várzea foi um dos maiores coitos de Lampião e a casa de Aristeia, onde os cangaceiros realizavam os bailes, ainda encontra-se em pé e o coiteiro Arlindo Grande é uma das fontes de informações das histórias daquele tempo.

ROTA DO CANGAÇO III

Saída de Paulo Afonso – Bahia
Povoado Salgadinho
Povoado Juá
Brejo do Burgo

CASA DA CANGACEIRA LIDIA

 Saindo da sede, na direção da BR 210 entrando na altura do motel Paradise, andando 15 km chega-se ao povoado Salgadinho encontrando-se a casa onde nasceu a cangaceira mais bonita do cangaço, a Lídia, de Zé Baiano e ainda a casa do coiteiro João Garrafinha, seguindo mais 06 km chega-se ao povoado Juá, local onde houve o maior contingente de jovens para o cangaço, na região, podendo se ver ainda os escombros da casa de João Lima, morto a pauladas, pela volante policial, como sendo coiteiro de Lampião.



Obs. O roteiro pode ser estendido até o Brejo do Burgo, tribo indígena dos Pankararé, onde ocorreu a maior concentração de cangaceiros para os grupos e subgrupos.



* ainda encontram-se vários remanescentes da época do cangaço, como familiares de Inacinha, Catarina, Mourão, Arvoredo, etc.

ROTA DO CANGAÇO IV

Saída de Paulo Afonso – Bahia
Povoado Arrasta pé
Povoado Santo Antonio
Povoado São José
Povoado Riacho

CASA DA CANGACEIRA DURVINHA.
  
Saindo da sede pela BR 110, andando 04 km até a entrada da Vila Matias, passando depois pelo povoado Tigre, passando pelo povoado Salinas chegando até o povoado Arrasta pé, em um total de 21,5 km, local onde foi um dos maiores coitos de Lampião e seus seguidores e de onde saiu uma das cangaceiras mais famosas, a Durvalina Gomes de Sá, conhecida pela alcunha de Durvinha e que veio a falecer em junho de 2008.



No povoado arrasta-pé podemos ainda encontrar os escombros da casa de Durvinha, assim como vários familiares e remanescentes do cangaço.



Seguindo mais 15 km chega-se ao povoado Santo Antonio, onde se encontra a casa do senhor Argemiro, local onde Lampião almoçou por quatro vezes, existindo ainda, na frente da residência, um frondoso tamarindeiro que serviu de abrigo para os cangaceiros.



Segue mais 05 km até o povoado São José onde foi também um dos grandes coitos de cangaceiros, do São José passa pelos povoados Sítio do Lúcio, Bogó e sai no povoado Barriga já na BR 210, retornando mais 11 km chega-se ao povoado Riacho onde se pode desfrutar da gastronomia típica nordestina, saboreando a famosa carne de bode.


Obs. Esse roteiro pode ser acrescentado da visitação ao Museu Casa de Maria Bonita.

Paulo Afonso, 09 de maio de 2014

João de Sousa Lima é historiador, escritor e pesquisador do cangaço.

Enviado pelo o escritor

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Fogo das Ipueira dos Xavier em destaque em noite GECC-Cariri Cangaço

Por Manoel Severo
Audízio Xavier e Manoel Severo

Quem foi à reunião do GECC- Cariri Cangaço do último dia 06 de Maio teve a oportunidade de conhecer ou mesmo aprofundar-se em um dos mais pitorescos e marcantes episódios do cangaço de Lampião nos idos de 1927. O cenário era o município de Serrita, região de serra, fronteira com o estado do Ceará, terras bem próximas à Chapada do Araripe. De um lado Serrita em Pernambuco, do outro; Jardim, Barbalha e Missão Velha, no Ceará. De um lado a força do coronel Santana da Serra do Mato, do outro, coronel Chico Romão, ícone de Serrita e de toda região. É necessário traçar o perfil geográfico e político da região para compreendermos melhor o desenrolar dos fatos daquele longínquo fevereiro de 1927. 

A conferência seguida de debate teve como conferencista da noite o economista e pesquisador, Audízio Xavier, descendente de Pedro Xavier, um dos principais protagonista do episódio, mas, vamos a eles a partir dos relatos e depoimentos reunidos por Audízio Xavier:



Naquela época mandava em Serrita o coronel Chico Romão. Lampião era useiro e vezeiro em visitar a Chapada do Araripe, entrando sempre pelos municípios de Jardim, Barbalha, Porteiras e Missão Velha, todos no Ceará, sob as bênçãos do coronel Santana , da Serra do Mato. Ainda em 1925,  o rei dos cangaceiros pediu a Chico Romão para ser recebido em suas terras por ocasião de sua passagem por Serrita rumo ao Ceará. 

Naquela ocasião o mandatário de Serrita ajuizou não ser conveniente receber em suas terras o cangaceiro. Por manter laços de parentesco e amizade com a família Xavier; possuía 3 familiares casados com 3 familiares daquela família; se dirigiu ao patriarca das Ipueira, Coronel Pedro Xavier e lhe pediu que pela conveniência recebesse nas Ipueira, Lampião e seu bando.

Pedro Xavier de Sousa
O presidente do GECC, Ângelo Osmiro deu às boas vindas a todos para a noite GECC - Cariri Cangaço no debate sobre o Fogo das Ipueira dos Xavier

O consentimento de Pedro Xavier se revelou logo em seguida em um grande constragimento. Na passagem do bando de Lampião naquele ano de 1925 pelas Ipueira dos Xavier, foi recebido com cordialidade e a todos foi servida refeição com  a marca da anfitriã família Xavier. O inesperado acabaria acontecendo a partir de um "gracejo" dirigido por um dos cangaceiros do bando a uma das filhas do cel. Pedro Xavier, Maria Xavier, na época com 25 anos.

Já prontos para seguirem viagem, o cel. Pedro Xavier se dirigiu a Lampião afirmando que não iria mais recebê-lo nas Ipueira em função do desrespeito do cabra com relação à sua filha. O chefe do bando perguntou qual seria a punição que deveria dá ao cabra, mas o cel. Pedro disse que a providência seria Lampião sair de suas terras imediatamente. Virgulino desceu do cavalo e diante de todos afirmou que quando voltasse à Ipueira seria para ver muito choro e sangue...


 Vagner Ramos e Arlindo
Tomaz Cisne e Audízio Xavier

Passaram dois anos e em fevereiro de 1927 Lampião buscou comprir com o prometido ao Cel. Pedro Xavier. Novamente vindo do Ceará, desta vez trazendo como refém Pedro Vieira, acercava-se das Ipueira para o combate de choro e sangue para a família Xavier. 

O fogo não se demorou muito, da casa grande foi rechaçado a bala por Dezim Xavier e poucos homens, Pedro Xavier que se encontrava na vila, do outro lado da estrada, seguiu para a casa, tendo uma crise de asma no caminho, todos pensavam que o mesmo havia sido atingido. Dezim logo alvejou a primeira e única vitima do combate, o cangaceiro Tempero, ou Musqueiro; o desenrolar do ataque era ouvido ao longe e logo muitos homens das redondezas ligados a Chico Romão e à família Xavier acorreram ao local, no total já se encontravam cerca de 120 homens para defender Pedro Xavier. 

 Nemésio Barbosa apontam a direção de onde vinham os cangaceiros e o exato local onde foi enterrado Pedro Vieira

Lampião ao perceber a nítida desvantagem na peleja e ao notar um de seus amuletos, tipo patuá, cortados a bala, se fez em retirada, não sem antes matar o refém Pedro Vieira e outro rapaz que havia anunciado sua chegada à Ipueira. Dessa forma a famosa Ipueira dos Xavier se uniu a Uiraúna na Paraiba e a Mossoró no Rio Grande do Norte como uma daquelas que expulsou Virgulino Lampião.

Os pormenores e detalhes desse Fogo, depoimentos e vídeos documentários sobre o episódio tornaram a apresentação de Audízio Xavier, primorosa; possibilitando a todos um maior entendimento sobre os acontecimentos ligados ao episódio. Ao final do encontro ficou certo uma nova apresentação de Audízio Xavier, desta feita sobre o ataque dos Irmãos Marcelino a família Xavier em Barbalha.

As reuniões do GECC-Cariri Cangaço acontecem sempre às primeiras terças-feiras de cada mês. Fique atento acompanhando este mesmo blog.

Manoel Severo

GECC - Cariri Cangaço
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