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terça-feira, 7 de junho de 2016

SILA E O CANGAÇO QUE TODOS CONHECEMOS

Por Alfredo Bonessi

O Cangaço foi um fenômeno social que teve como berço o Sertão Brasileiro. Originou-se logo após o descobrimento do Brasil e germinou nas cidades interioranas do Nordeste Brasileiro,  onde a lei era a vontade do mais forte, o  senhor dono das terras. Esse fenômeno surgiu como um grito de revolta e indignação aos desmandos desse poder absoluto,  que estava acima de todos e até mesmo da própria lei – pode-se dizer que o Cangaço foi uma revolta de homens valentes contra as formalidades  sociais da época – insurretos – insubordinados contra as normas vigentes de uma sociedade em transição entre a burguesia portuguesa escravocrata e preconceituosa  e o pobre sertanejo de enxada na mão, escravo da fé, do dogma religioso,  da superstição,  vítima da natureza inclemente que não aceitava a intromissão  de pessoas frágeis, sem vontade de viver e fáceis  de matar.  

O Cangaço foi composto por gente sertaneja, da terra, que nada temia, nem mesmo a morte. Não se tem noticias que  um Cangaceiro não tenha se comportado com valentia e dignidade na hora da morte, mesmo ferido e sabendo que a hora derradeira havia chegado.

Na guerra contra o  Cangaço valia  tudo, e nunca na história das sociedades a fofoca matara tanta gente. Bastava falar mal de um inimigo, inocente ou não, tanto para a polícia  como para os cangaceiros, que seria morte certa dessa pessoa.

O Cangaço como todo o movimento social fora-da-lei cometeu exageros e crimes hediondos, a maioria injustificáveis, às vezes contra pessoas inocentes, algumas delas a serviço da lei, como prova de desacato e provocação a corporação a que serviam.

O Cangaço começou a definhar quando atrapalhou o comercio, impedindo o progresso local, e quando surgiram as estradas e o rádio de comunicação, quando veículos motorizados foram empregados em sua perseguição e quando sertanejos foram colocados como guias a frente  das volantes a procura dos cangaceiros. Podemos afirmar que Lampião, principal chefe de bando e considerado o Rei dos Cangaceiros, morreu sem saber da tática principal da policia que acabaria o levando a morte:

-  a intriga entre um coitero e outro;

- quando a policia descobria um coitero, o deixava de molho, a espera de uma boa oportunidade para agir contra ele, normalmente o aliciava como informante, ao invés de puni-lo com a chibata e a tortura;

- o cerco de várias volantes ao mesmo tempo, se reunindo em um lugar pré-determinado pelo comandante - chegando ali recebiam novas ordens e novos itinerários de busca;

Essa estratégia, essa nova forma de combater,  longe dos olhos dos coiteros, fazia com que os informes dos movimentos da policia  que chegavam a Lampião eram aqueles que a policia desejava que ele  soubesse, mas não eram verdadeiros,  o único objetivo era deixar transparecer que a força estava inativa, inoperante, estava acomodada, quando na verdade mais de 3 mil homens se movimentavam sem cessar, diuturnamente, fechando o cerco contra o bando de cangaceiros.

Muitos chefes de bando e historiadores culpam as mulheres como o principal fator de extinção do Cangaço – na minha ótica, a mulher favoreceu ao afrouxamento das regras de sobrevivência do cangaço, por questões obvias: elas não combatiam, não cozinhavam, eram mais sensíveis e delicadas,  simplesmente eram mulheres mesmo do pessoal e por tudo isso o bando precisava  sempre andar beirando a água, sejam  nascentes ou rios ou caldeirões de água depositadas pela chuvas.

A presença da mulher foi marcante no bando dos cangaceiros porque o número de estupros das sertanejas diminuíram;  muitas mulheres do bando mandavam mais que os homens, davam as suas opiniões pessoais nas questões internas do grupo, salvaram pessoas da ponta do punhal, e foram algozes na  condenação de outras cangaceiras a morte, nos casos de saídas do bando. Pode-se dizer que com a chegada das mulheres a tenacidade guerreira do grupo de cangaceiros arrefeceu um pouco, os homens se acalmaram mais – o bando virou um feudo do crime, onde havia rei e rainha, quem mandava e quem obedecia; todos os olhares e toda a consideração eram  para as mulheres, principalmente a mulher do chefe. Os homens eram ferozes, valentes, justiceiros, guerreiros, altivos, prepotentes, arrogantes, mandões, para os de fora do bando, mas dóceis, afáveis, atenciosos, cortejadores, galantes para com as suas mulheres – as mulheres eram para eles um precioso objeto, um bem valioso, mais que a sua própria vida – a mulher representava  a  honra, o  status, o  poder de seu dono -   por isso era  coberta de jóias - era o centro de todas as atenções  por parte dos membros do grupo – por causa disso  a cangaceira  era o alvo preferido das piadas e descompostura dos policiais durante os combates.

Sila era uma criança quando se comprometeu que seguiria com o cangaceiro Zé Bahiano, mas  acabou fugindo de casa com  Zé Sereno, primo desse. Em termos de sanguinário e violento não se sabe quem era o maior, mas quando os comparamos ao dinheiro e  a agiotagem,  Zé Bahiano é infinitamente mais rico que Zé Sereno. Sila alegou sempre para a imprensa que a entrevistava,  que seguiu ZÉ Sereno porque esse ameaçou toda a sua família – não acreditamos nisso. O fato é que esses cangaceiros deixavam transparecer uma riqueza e um poder que só existia na mente deles, simplesmente impressionava as mocinhas da época, que viviam em completa servidão na casa dos pais, longe de tudo e que precisavam sobreviver da roça queimada pelo sol, da escassa chuva quando havia, nutrindo a esperança de ver  qualquer um   homem  que raramente  passava pela frente de sua casa. Normalmente a vida da sertaneja se resumia entre a roça e o curral, a cozinha, e as noites enluaradas, onde  contemplava as estrelas do firmamento, deixando-se embalar pelos  devaneios dos causos e das historinhas contadas pela avó e pela mãe – até que o sono as separavam em mais uma noite de sonhos e de ilusões.

Acertada a fuga,  Sila saiu pela janela de sal casa e logo adiante, na primeira noite,  foi estuprada em cima de uma enorme pedra -  foi mulher como devia ser a mulher de um cangaceiro – escolha feita por ela, fato esse marcante para sua mente juvenil de 14 anos, e que nunca mais saiu de sua memória. Daí por diante foram  correrias, fugas espetaculares da polícia,  noites mal dormidas, chuva, frio, fome, sede e abortos provocados,  algumas raras vezes o sossego a beira de uma fogueira, os encontros com os outros bandos, a carne assada nas trempes, o café delicioso  e o dedo de prosa com as amigas, as costuras e os bordados das roupas do pessoal e o preparo do enxoval do novo filho. Mas amor de sonho de menina nunca houve – Zé Sereno tinha muita coisa para se preocupar – precisava viver daquilo e sobreviver como  fera em um  ambiente hostil e ainda ludibriar a polícia – dependia do coitero para tudo – o cangaço era movimento  e o grupo de cangaceiros, chefiado por ele,  não podia ficar parado em um só lugar. Viver aquela vida,  que não era vida e que não podia deixar de vive-la,  foi um tormento para Sila.

Ao romper do dia naquela manhã de 28 de julho de 1938 estava acordada quanto um tiro isolado despertou a natureza na Grota de Angicos – Sergipe. Em seguida mais tiros,  levantou-se rapidamente e saiu  correndo em uma direção seguida de alguns companheiros. Balas ricocheteavam por todos os lados, a macega espinhenta se dobrava a sua frente pelo corte dos projéteis. Não teve tempo de olhar para atrás . Viu uma amiga cair morta,  amparou um cangaceiro que estava com o braço dependurado e quando os tiros ficaram mais longe se reuniu com os sobreviventes do grupo de cangaceiros para tomar um fôlego – estava milagrosamente  salva, mas toda lanhada nas pernas pela ação dos espinhos da caatinga.  
  
Depois vieram  as entregas – rendição para a policia – a viagem a São Paulo – o encontro com a cidade grande, berço de recolhimento de todo retirante nordestino. Seria nova vida ? – não foi. Apesar de ir fazer aquilo que mais gostava – costurar – sofreu  os efeitos que uma cidade grande provoca em todos os seus habitantes: a indiferença. Em um aglomerado urbano de milhões de pessoas, a atenção, o carinho e a afeição passam despercebidos,  de nada valeria gritar para a multidão que foi cangaceira.  Restou  criar os filhos e netos e conviver com o marido feroz e violento.

Em dado momento ressurgiu para as noticias de jornais, rádios e TVs onde tentava explicar o inexplicável: como foi que entrou para o cangaço. Viajou para muitos lugares, encontrou-se com outros remanescentes do cangaço – todos tinham algo a contar e a explicar, mas a grande maioria confundia datas e fatos, alguns escondiam mal feitos, outros não se lembravam de nada, mas grande parte deles  guardavam  silencio, ainda receosos da ação da justiça e da vingança por parte dos familiares das vítimas do cangaço.

Muito se tem escrito sobre  a guerra cangaceira – muito ainda se há de escrever – o tema é inesgotável. Sobreviveu a terra, o sol,  a caatinga. Ainda hoje o chão está marcado pelo  sangue dos policiais e dos cangaceiros – ainda hoje se pode ver as marcas das balas encravadas nas pedras e nos matos – ainda hoje os espíritos desses guerreiros se encontram nos caldeirões, nas aguadas da vida espiritual  para trocarem pensamentos dos feitos da guerra cangaceira  vivida na  terra.

Para o sertanejo nada mudou. A terra é a mesma, a política é a mesma, o gado morre do mesmo jeito, o sertanejo anda de moto, usa iPhone e possui computador. Em cada sertanejo de hoje existe um pouquinho de cangaceiro e um pouquinho de volante – e o pior bandido de todos que existe nesse momento são os políticos – com uma grande diferença dos guerreiros daqueles tempos – agem em nome da legalidade e são protegidos por lei.

Resta-nos  trazer aqui as palavras finais do grande chefe volante, Coronel João Bezerra,  que eliminou o Rei dos Cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião:

“Hoje eu não perseguiria Lampião. Hoje eu acho que ele não era bandido. Hoje existem bandidos bem piores do que ele”. 
(João Bezerra)
                             
Tarde demais.
Fortaleza,Ce, 05 de junho de 2016
Alfredo Bonessi – GECC - SBEC  

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

LIVRO EM QUADRINHOS - "LAMPIÃO NA TERRA DOS SANTOS VALENTES"

Por Marcos Guerra

Olá, a todos!

Sou de Natal-RN, e trabalho com Quadrinhos! Meu último trabalho é uma livre adaptação do ataque de Lampião à Mossoró, chamada "Lampião na Terra dos Santos Valentes"! Exponho a capa para apreciação abaixo, e teria grande prazer em presentear os administradores do grupo com uma cópia futuramente! Estará disponível para compra e envio a partir do fim desse mês!

Marcos Guerra

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LANÇADO MAIS UM LIVRO COM O TEMA CANGAÇO E SERTÃO.



Trata-se de um trabalho fotográfico de Márcio Vasconcelos, o renomado fotógrafo maranhense, ganhador de vários prêmios a nível nacional.

Livro de fotografias de Márcio Vasconcelos, texto de Frederico Pernambucano de Mello,

Confira, abaixo, a capa do livro, já lançado em algumas capitais do país, a exemplo de SP, Recife, São Luiz...etc.

O livro já está à venda na Livraria Cultura, Site Estante Virtual OU DIRETAMENTE COM O AUTOR, a um preço promocional...

Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=520653041470008&set=gm.486781358197480&type=3&theater

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PEDIDO DE SINHÔ PEREIRA A LAMPIÃO


A partir de 1917/18 os irmãos Antônio, Livino e Virgolino Ferreira, segundo relatos de pesquisadores, já mostram do que são capazes de fazer com as armas nas mãos.

Uma das primeiras imagens de Lampião e seu grupo- 1922

Andam com o grupo dos Porcinos e, depois se juntam de vez ao bando comandado por Sinhô Pereira.

Sinhô Pereira

Sinhô Pereira, entra no cangaço para vingar a morte de um parente. Dentre os grandes chefes cangaceiros que ‘juraram’ vingança, como Antônio Silvino e Lampião, Sinhô foi o único que concluiu a promessa.

Antiga Rua do Comércio. No primeiro plano a famosa loja "A Rosa do Monte" do Coronel Gonzaga Ferraz e mais adiante a sua famosa residência, adquirida tempos mais tarde pelo Sr. João de Pádua. Fonte - Arquivo de Valdir Nogueira, Belmonte-PE, através do pesquisador Artur Carvalho.

Naquele tempo ter um parente fazendo parte de bando de cangaceiros, não importando a causa, razão ou circunstância que o levou a entrar para horda, era motivo de ser castigado pelas volantes. Quantos e quantos sertanejos, com suas famílias, foram surrados... Suas mulheres e filhas vítimas de estupros por soldados de volantes inescrupulosos? Muitas família foi desonrada dentro da sua própria casa.

Havia dois cidadãos que residiam, na cidade e município, de Belmonte, PE. Em certas obras literárias, trazem os dois até como compadres, e, para alguns, naquele tempo, ser compadre, era fazer parte da família.

Coronel Luiz Gonzaga - Luiz Gonzaga Lopes Gomes Ferraz

Pois bem, um desses cidadãos era o comerciante Luiz Lopes Gonzaga Gomes Ferraz, mais conhecido como coronel Luiz Gonzaga. Era constantemente ‘inquirido’ pelos cangaceiros para fornecer-lhes mercadoria.

Ioiô Maroto à esquerda

O outro era o cidadão Crispim Pereira de Araújo, conhecido como "Ioiô Maroto". Como notamos, em seu sobrenome tem “Pereira”, um clã que há muito vinha em luta com outro, ou outros clãs. E consequentemente, parente do, naquela atualidade, chefe cangaceiro Sinhô Pereira.

Família do Coronel Luiz Gonzaga. Foto tirada no Porto da Madeira, Recife, onde passaram a residir logo depois do ocorrido em Belmonte. Sua esposa é a senhora vestida do preto, de luto pelo falecimento de Gonzaga. Fonte - Arquivo de Valdir Nogueira, Belmonte-PE, através do pesquisador Artur Carvalho.

Naqueles dias, antes do meado de 1922, na cidade de Belmonte, PE, serviu de base para tropa do tenente Cardim. Essa volante vinha no ‘rastro’ do bando de Sinhô Pereira. Há, ali próximo, um local, que era ou ainda é, chamado Olho D’água. Esse lugar destaca-se por ser quase que nas divisas dos Estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba. O citado comandante recebe a informação de que o chefe cangaceiro, e seu bando, estavam naquela região. Coloca a tropa em forma e dirigem-se para lá. 

Sabedor da quantidade dos ‘cabras’ do bando de Pereira, e quão eram aqueles cangaceiros destemidos e valentes, o tenente pede auxílio ao tenente Peregrino de Albuquerque Montenegro, que fora cangaceiro, comandante de uma volante cearense. Essa volante, segundo relatos, era composta por mais ou menos 60 Praças. Aumentando assim o contingente para o previsto encontro com os cangaceiros.

Só que o comandante cearense desvia sua rota e vai ‘vasculhando’ as modestas moradias dos sertanejos, passando a maltratar, descendo o cacete nos moradores daquela redondeza. Tiros, gritos e palavrões chegam aos ouvidos dos cangaceiros acoitados e esses dão no pé, embrenhando-se na caatinga, apagam seus rastros.

O tenente Montenegro segue para a cidade de Belmonte, lá chegando, entra em contato do o coronel Luiz Gonzaga. O coronel ver aí uma chance de vingar-se daquilo que os cangaceiros sempre faziam com ele.
Sabedor do que era capaz de fazer aquele comandante sem escrúpulos, Gonzaga dedura seu compadre, dizendo que ele era parente de Sinhô Pereira. O comandante da volante segue em direção à residência de Ioiô Maroto.

“(...)Consta que o militar recebeu uma informação sobre um possível coiteiro e parente de Sinhô Pereira e, para não “perder a viagem” no caminho de volta para casa, fez uma “visitinha” a esta pessoa e sua família. A propriedade era conhecida como Cristóvão, pertencia a Crispim Pereira de Araújo, conhecido como Ioiô Maroto, um homem pacato e que vivia longe de complicações, apesar de ser membro da família de Sinhô Pereira(...)”. (tokdehistoria.com)

Ao chegar lá, manda descer a ‘lenha’ no chefe da família, que sem nada ter feito, há não ser, ser parente de um cangaceiro. Pense numa sova demasiada de grande.

Além da surra que manda dar em Ioiô, o comandante, segundo relatos de um periódico, rir muito com o que faz um de seus comandados. “(...) à visita da volante cearense ao pobre do Ioiô Maroto foi que “o cacete comeu” e sobrou para sua já vetusta mulher e suas filhas. Consta que um policial negro, conhecido como “Uberaba”, teria praticado contra as mulheres “toda sorte de misérias e imoralidades, entre a risadaria de todos, inclusive do tenente que achava em tudo muito espirito”(...)”. (blog Ct.)

Sinhô Pereira passa o comando do bando para Virgolino, que a essa altura já era Lampião, devido a problemas de saúde, e some no ôco do mundo para arranchar-se em terras distantes. Antes, porém, faz um pedido ao seu sucessor, que ele lave a honra de seu parente, Ioiô Maroto. O “Rei dos Cangaceiros” promete resolver essa ‘questão’. Que seu amigo e antigo chefe ficasse tranquilo.

Numa quinta-feira, 19 de outubro de 1922, a noite, choveu torrencialmente. Na manhã da sexta-feira, no quebra da barra, pois ainda eram umas quatro horas da manhã, 20 de outubro, estoura um forte barulho de disparos de armas de fogo na cidade de Belmonte.

“No livro “Serrote Preto”, de Rodrigues de Carvalho (1961. Págs, 157 a 161), o autor comenta que certa noite, provavelmente um ou dois dias antes da manhã de 20 de outubro, Lampião e seu bando chegou a propriedade de Ioiô Maroto pronto para resolver a questão. Rodrigues de Carvalho afirma que o parente de Sinhô Pereira não queria mais a vingança e que seguiu com Lampião praticamente obrigado”. (blog Ct.)

Belmonte, na época era guarnecida por dez soldados comandados pelo sargento José Alencar de Carvalho. Havia uma ordem, ou um pacto, entre os militares de que se algum tiroteio começa-se, todos deveriam procurar, imediatamente, o “QG”.

“(...)o sargento Alencar se achava adoentado na casa do seu sogro, o coronel João Lopes, irmão de Gonzaga. Mesmo assim Alencar saiu a rua e disparou contra os cangaceiros “cerca de 40 tiros” e foi para o pequeno quartel para dar ordens ao seu pessoal. Mas no lugar, ao invés dos 10 militares só estavam os praças Manoel Rodrigues de Carvalho, José Francisco e José Oliveira(...)”. (blog Ct.)

Com o tiroteamento, a pequena população procura refugiar-se como pode. Embaixo de móveis, em esconderijos feitos anteriormente, danam-se nas brenhas e etc.. O fogo continua e mais dois militares, Severino Eleutério da Silva e Heleno Tavares de Freitas, vem auxiliar aqueles que já estavam no confronto. Este último é de cara atingido e tomba sem vida.

O coronel Gonzaga, começa a tirotear com o bando de cangaceiros. A família fica enlouquecida, uns choram, outros gritas e outros rezam... Gonzaga vai para a parte traseira da casa e vendo uma barreira de balas a sua frente, sobe de três em três degraus a escada que leva para o sótão. Na pressa e agonia, o coronel tenta alcançar uma janela e escorrega. Com o peso de seu corpo, ele, por falta de sorte, cai numa parte em que o forro é apenas de lambri. Este cede e ele despenca e vai cair no meio da turba sedenta de sangue...

O Governador de Pernambuco, Sérgio Teixeira Lins de Barros Loreto, é responsabilizado pela falta de segurança no interior pela imprensa escrita, além do “Jornal do Commercio” trazer impressa uma carta da viúva do coronel Gonzaga, fazendo Ioiô Maroto responsável pela morte de seu marido... Nas quebradas do sertão.

Fonte/foto tokdehistoria.com

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

Grupo: OFÍCIO DAS ESPINGARDAS
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QUADRO A ÚLTIMA CEIA DE LAMPIÃO

Por Perigo Neto 

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: O Cangaço
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O CANGAÇO NA LITERATURA - VOLTA SECA - S01E03

https://www.youtube.com/watch?v=7ZRsyzhzUos

O CANGAÇO NA LITERATURA - VOLTA SECA - S01E03

Publicado em 15 de fevereiro de 2015
Neste episódio entrevistamos a sobrinha de Volta Seca, Dona Ilza dos Santos; Grupo Lampião, Cangaço e Nordeste, é com muito orgulho que apresento dona Ilza dos Santos, sobrinha direta do famoso cangaceiro Volta Seca. Gravei uma longa entrevista com ela onde me trouxe informações incríveis e inéditas sobre ele. Estive no povoado Saco Torto e ela tem 84 anos... Ela é uma dos 18 filhos de Dona Felismina dos Santos, parteira das boas era uma das 13 filhas de Manuel Antônio dos Santos e Arminda Maria dos Santos. Senhora lúcida, não lembra de muita coisa, pois Volta Seca quando foi preso ela tinha apenas 1 ano de idade e em 1953 os dois se encontraram no Saco Torto... Estou muito feliz em estar contando esta história. Abraço, depois publico mais fotos que consegui e o vídeo.

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"Sabino e Lampeão" por Volta Sêca ( • )

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ÁRVORE GENEALÓGICA DE LUIZ LULA GONZAGA. O FAMOSO GONZAGÃO.


ÁRVORE GENEALÓGICA DE LUIZ LULA GONZAGA. O FAMOSO GONZAGÃO.

Fonte: facebook
Página: Josimar De Lima Alves
Grupo: O Cangaço
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OS PERSONAGENS DO POÇO DO FERRO

Cariri Cangaço na Fazenda Poço do Ferro

A primeira visita do terceiro dia do Cariri Cangaço Floresta 2016 à Fazenda Poço do Ferro em Ibimirim, lendária propriedade do coronel Ângelo da Gia, local que marcou a morte por acidente do irmão de Lampião, Antônio Ferreira, marcou também a presença da Família Cariri Cangaço de todo o Brasil...

Clique no link abaixo e leia a continuação deste, inclusive todas as fotos dos cangaceirólogos que participaram do Cariri Cangaço Floresta 2016.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2016/06/os-personagens-do-poco-do-ferro.html

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AS LÁPIDES DA FAMILIA DE GENEROSA GOMES DE SÁ: A MAIOR COITEIRA DE LAMPIÃO NA BAHIA

Por João de Sousa Lima

Visitando a Capela de Generosa Gomes de Sá, uma das maiores coiteiras de Lampião na Bahia.
*Fotos e Pesquisa do acervo do historiador João de Sousa Lima

Sempre que visitamos o complexo arquitetônico e histórico de Generosa Gomes de Sá, no povoado Riacho, Paulo Afonso, Bahia, encontramos a pequena Capela fechada e pouquíssimas pessoas que estudam o tema cangaço chegou a ver as lápides da família da famosa coiteira e agora trago em primeira mão essas fotografias para compor o acervo de quem estuda o tema.


Generosa Gomes de Sá foi uma das maiores coiteiras de Lampião e residia no povoado Riacho, Paulo Afonso, Bahia.

A casa de Generosa e mais três casas que ela construiu para os filhos, assim como uma imponente capela, formam um dos mais espetaculares conjuntos arquitetônicos.


As construções das casas começaram em 1900, e vieram alguns pedreiros do estado pernambucano, tendo em vista que a arte do adôbe era desconhecido pelos construtores dessa região, acostumados a construírem casas de taipa.


Por ter uma localização no meio do caminho entre a saída do Raso da Catarina, a casa de Maria Bonita e o estado sergipano, Lampião passava sempre na casa de Generosa, e lá realizava os famosos bailes.


O conjunto arquitetônico agora está incluído no Roteiro Integrado do Cangaço, projeto realizado pelo escritor João de Sousa Lima.


Um detalhe curioso é que Generosa está enterrada na capela ao lado da casa onde podemos ver as datas de nascimento morte, onde consta que ela morreu com 114 anos de idade.


Generosa era prima legítima de Santina Gomes (mãe da cangaceira Durvinha).


Para os interessados nas nossas histórias do cangaço e do sertanejo, esse é um ponto que vale a visita.

http://joaodesousalima.blogspot.com.br/2016/06/as-lapides-de-da-familia-de-generosa.html

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CANDEEIRO - VINTE E CINCO - SÍLVIO BULHÕES


CANDEEIRO - VINTE E CINCO - SÍLVIO BULHÕES

Enviado em 7 de dez de 2014
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domingo, 5 de junho de 2016

REVISTA FORMAS ONLINE (FORMAS revista on-line)


Obter o máximo de atenção ao compartilhar a notícia de que ele é publicado.

REVISTA FORMAS POTIGUAR
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Enviado por Demetrius Coelho

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BATALHA DA SERRA GRANDE E A FORÇA PÚBLICA DE PERNAMBUCO

Fonte: Capitães do Fim do Mundo

Em 26 de novembro de 1926, ocorreu a Batalha da Serra Grande, a maior da história do cangaço. A Força Pública de Pernambuco, com aproximadamente 300 policias e seis comandantes de volantes, todos fortemente armados, inclusive com duas metralhadoras, formou um verdadeiro exército para combater o Bando de Lampião. Segundo o historiador Frederico Bezerra Maciel, durante a chuva de balas vindas de cima da serra, disparadas pelos cangaceiros, os soldados ainda conseguiram arrastar trinta dos colegas feridos, deixando-os fora de perigo. Com exceção de uns quarenta militares, a massa total das forças de mais de duzentos e trintas soldados debandaram desordenadamente pela catinga, deixando grande quantidade de armas, munições, cartucheiras, cantis, bornais, chapéus, etc.

EXCLUSÃO DE PRAÇA DA FORÇA PÚBLICA DE PERNAMBUCO

Fonte: Capitães do Fim do Mundo.

Tendo o Sr. Maj Teophanes Torres, comandante das Forças no Interior, comunica em telegrama de hoje, expedido de Villa Bella, que desertaram e extraviaram-se covardemente por ocasião do tiroteio de Serra Grande, os soldados do 2°Batalhão, Assis de Siqueira Cavalcante, Manoel Verissimo do Nascimento, Barnabé Leite da Silva, Tintino de Oliveira e do 3°Batalhão, Aristides Paulo Cavalcante, Sancho Diniz Cavalcante, Guilherme Ferreira de Lima, João Ferreira do Nascimento e Domingos Alves Pereira, todos pertencentes a Villa Bella a fora o último, pertencente a Força do Tenente Lemos, sendo que o primeiro já apresentou-se em Buique onde se acha recolhido ao xadrez, determino que as referidas praças sejam excluídas por serem elementos péssimos. Telegrafou-se o Sr. Maj Theophanes.

Boletim Diário n° 263 de 02/02/1926
Arquivo do 2°BPM Polícia Militar de Pernambuco.

Fonte: facebook
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O CANGAÇO COMO HISTÓRIA

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Ex-cangaceiros, fugidos em 1940, sobreviventes do massacre de Angico, em Sergipe, 1938, quando uma volante alagoana matou 11 cangaceiros, entre eles Lampião e Maria Bonita, de repente aparecem em um seminário ocorrido no Teatro Celina Queiroz, na Universidade de Fortaleza, cujo tema girava sobre o assunto. Eram eles o ex-cangaceiro Moreno e sua esposa Durvinha.


Felizmente o Cangaço não é mais uma questão maldita e podemos agora falar dele e de seu lado idílico assim como de fatos de valentia e covardia praticados por eles. Antes, era ambíguo no sentido de ser rejeitado e condenado, sobretudo pelos que nunca quiseram compreender essas coisas. Hoje o estudamos, inclusive resgatamos as figuras heroicas que o combateram.


O Cangaço, como visão histórica, procurando debater diversas facetas dele, e entre tais, a cultura do homem daquela época, onde centenas de livros e folhetos nos contam a saga de Lampião e seus Cabras (a palavra "cabra" empregada no nordeste em determinadas frases indica e denota valentia) e pode até parecer estranho, essa enorme aura que paira sobre o assunto onde entra a visão de "herói popular" tanto para cangaceiros quanto para os que os combateram, as volantes militares e civis.


Registro as boas e raras pesquisas a esse respeito, pois o Cangaço até então, tinha sofrido não só indiferença, mas preconceito de significativos setores da sociedade, onde em geral aparecia como criminoso, perverso, que em determinados momento o foi, como apontam estudiosos.


Estivemos no mês passado, precisamente de 26 a 29 de maio, na cidade pernambucana de Floresta, no sertão do Pajeú, reunido com escritores, pesquisadores, historiadores e amantes das coisas nordestinas, onde fomos recebidos hospitaleiramente pela Prefeita do Município, Sra. Rorró Maniçoba, Vereadores e população, que nos deram boas-vindas no evento inicial no auditório da Câmara Municipal.

Nesse encontro de escritores, historiadores, pesquisadores e estudiosos do cangaço, tive a honra e a satisfação de receber, por indicação do Curador do Cariri Cangaço, o amigo Manoel Severo e por aprovação dos Conselheiros, (sem esperar e surpreso fiquei),  o Título de Amigo do Cariri Cangaço, confraria que agrega uma família de amantes da história nordestina. 

Nesse encontro na cidade de Floresta, tivemos mais um grandioso lançamento de estudo e pesquisa.


Trata-se do livro As Cruzes do Cangaço - Os Fatos e Personagens de Floresta, dos jovens autores Marcos Antonio de Sá e Cristiano Luiz Feitosa Ferraz que dissertam sobre os bravos e heroicos homens do Pajeú, que combateram Lampião e seus cangaceiros.

Para aguçar a sede de conhecimento do assunto, trago aqui um pequeno comentário sobre a chacina da família Gilo no ataque de Lampião à fazenda Tapera, onde estivemos e fizemos um documentário da visita guiada pelos autores do livro. (veja aqui - A Chacina da Família Gilo por Lampião).


A narrativa textual sob o título O PREÇO DA TRAIÇÃO, os autores narram a complexidade do fenômeno sócio histórico dessa família honrada, habitantes dessa região do município de Floresta, mostrando o ataque à fazenda Tapera, que foi planejado minuciosamente por Permínio Alves dos Santos, que recebeu ameaça de Horácio Novaes, acusado de roubo de alguns muares de propriedade dos Gilo, que se não ajudasse em sua vingança, sua família iria arcar com as consequências. E Permínio, até então amigo dos Gilo, traiu a família com medo das ameaças e seduzido por uma quantia oferecida de 200 mil réis.

Desde o caso triste acontecido na fazenda  Patos, no município de Piranhas, Alagoas, com o extermínio quase que total da família de Domingos Ventura, tido como coiteiro de Lampião, que também foi uma traição, quando Corisco os matou e degolou suas cabeças e as mandou para o tenente Bezerra, que comandou o ataque que dizimou o bando de Lampião, com a morte do mesmo (Veja aqui - A Vingança de Corisco no Palco dos Inocentes) eu não tivera conhecimento de outro fato tão triste como esse que documentei na Fazenda Patos.


Pois bem, voltando ao início desse artigo, onde não podemos esquecer de um palestrante famoso, o amigo  João de Souza Lima, pesquisador baiano, que apresentou o casal e que falou das mulheres no cangaço, e principalmente de Durvinha onde foi mostrado trechos do filme de Benjamim Abrahão em que Durvinha e Moreno aparecem dançando juntos, registramos Moreno, animado, e que fez questão de levantar e declamar:

"Senhores e senhoras / a todos eu peço licença / e todos prestem atenção / eu fui um cangaceiro do grupo de Virgínio / cunhado de Lampião / e todos os cangaceiros da quebrada do Sertão / eu falo com consciência / com toda satisfação / aqui dentro do salão / que o sol vai abaixando / vai trazendo a escuridão / eu canto a noite inteira / e seguro meu rojão" 

Então amigos, hoje podemos estudar, pesquisar e historiar o cangaço com suas consequências, graças à desmistificação de ser coisas de bandidos, pois também estamos falando e pesquisando sobre os militares e civis que combateram o cangaço e o exterminaram.


Hoje convivemos com familiares de cangaceiros e volantes que os combateram, irmanados todos, pelo conhecimento da história. Nesse encontro, assim como outros que tivemos, foi uma alegria de encontrar novamente a filha de Durvinha e Moreno, a amiga Neli, que abrilhanta nossos encontros do Cariri Cangaço com sua alegria contagiante.

Os textos de José Lins do Rego, João Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, que nos falam sobre os nordestinos; e as pesquisas de autores também famosos, tais como; Frederico Pernambucano de Melo, Antônio Amaury Corrêa de Araújo, Rachel de Queiroz, Ranulfo Prata, Maria Christina Matta Machado, Alcino Alves Costa, João de Sousa Lima, Rodrigues de Carvalho, Luitigarde Oliveira Cavalcanti Barros, entre outros, desmistificam a exclusão do cangaceirismo do século 19 entre a importância histórica desses fatos, quando nos contam a saga de cangaceiros, coiteiros, volantes e do povo heroico que combateu de igual para igual, os facinorosos bandidos. 


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FOTOGRAFIA DO BANDO DE LAMPIÃO


Bando de Lampião, Ribeira do Capiá no Estado de Alagoas em 1936.

Filmado por Benjamim Abraão Botto. 

Começando da esquerda para direita: 
1 - O rei Lampeão 
2 - Ponto Fino 2, este não é o irmão de Lampião.
3 - Sabonete
 4 -  Juriti
 5 - Cacheado
 6 - Vila Nova
 7 - Marreca. 

Fonte: facebook
Página: Pedro R. Melo
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