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sexta-feira, 28 de junho de 2019

O INESQUECÍVEL CREPÚSCULO MATUTO NO SERTÃO DO CEARA: CARIRI CANGAÇO QUIXERAMOBIM

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O Pôr do sol é o momento em que o astro rei se oculta no horizonte na direção oeste; sendo o inicio da noite; sem dúvidas um dos mais fantásticos espetáculos da natureza: Crepúsculo ! Desta vez o sertão central cearense no extraordinário "Salva Vidas" de Quixeramobim, foi responsável por um dos momentos marcantes do Cariri Cangaço 2019. Sob as bençãos de Nossa Senhora das Graças, a capelinha do Salva Vidas testemunhou um dos momentos mais sublimes de toda a programação do Cariri Cangaço cearense.
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Manoel Serafim, Manoel Severo e Louro Teles 
Ingrid Rebouças
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Antes mesmo da programação literária, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um dos cenários mais bonitos do interior do Ceará. Ali no meio da caatinga brava do sertão central se erguem os magníficos monólitos do Salva Vidas, emoldurando e margeando o açude de mesmo nome, região para onde afluem artistas, fotógrafos, poetas e os mais variados apaixonados pela natureza. Ali aconteceu o final de tarde da programação do Cariri Cangaço Quixeramobim em seu segundo dia, 25 de maio.
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 Louro Teles
 Maria Oliveira, Ingrid Rebouças e Rai Arts
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Um monólito ou monolito é uma estrutura geológica, como uma montanha, por exemplo, constituído por uma única e maciça pedra ou rocha, ou um único pedaço de rocha colocado como tal. A palavra deriva do latim monolithus que deriva da palavra grega μονόλιθος (Monólithos), que por sua vez é derivada de μόνος ("um" ou "único") e λίθος ("pedra"), ou seja, significa "pedra única". Os monólitos geológicos são, geralmente, resultado da erosão que normalmente expõe essas formações, que são na maioria das vezes feita de rochas muito duras de origem metamórficas ou ígneas. São geralmente um grande bloco único de rocha exposto no terreno, homogêneo e sem fraturas, de dimensões decamétricas em geral ou maiores e, muitas vezes, associados a campos de matacões(boulders) que são de dimensões métricas.
O Salva Vidas sob o olhar de Ingrid Rebouças

O sol já havia partido quando os convidados do Cariri Cangaço, no "patamar " da capela de Nossa Senhora das Graças, acompanharam o lançamento do livro "O Cinema dos Fósseis" do poeta, escritor,  dramaturgo e compositor cearense Alan Mendonça. Com mediação e debates a cargo dos escritores Bruno Paulino e Renato Pessoa, o momento contou com a apresentação da obra e do trabalho do autor que completa quase 20 anos de produção artística.
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 Capela de Nossa Senhora das Graças e o Crepúsculo sertanejo no Cariri Cangaço.
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"De forma inédita o Cariri Cangaço abre espaço para a mais festejada manifestação da nova poesia cearense, ter em nossa programação a presença dos grandes poetas da nova geração cearense é um privilégio. Alan Mendonça é uma dessas pessoas que se guarda no coração; não só pelos inegáveis, talento e obra, mas acima de tudo pela grande figura humana que é, e a seu lado duas pérolas; nossos queridos amigos e não menos talentosos; Bruno Paulino e Renato Pessoa, sem dúvidas um inesquecível crepúsculo de Cariri Cangaço no sertão do Ceará" afirma o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo.
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Bruno Paulino, Alan Mendonça e Renato Pessoa
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Por cerca de uma hora os poetas Alan Mendonça, Bruno Paulino e Renato Pessoa discorreram sobre a magia da poesia que nasce da alma verdadeiramente sertaneja e da feliz iniciativa do Cariri Cangaço Quixeramobim.
Foto de Tim Oliveira
Alan Mendonça que já está na estrada há vinte anos, comemora seu talento a partir de uma trajetória cheia de muito trabalho, inspiração, poemas, composições e muita arte. Além dos poemas imortalizados em livros, Alan festeja também muitas composições gravadas por grandes nomes da música cearense, como Mona Gadelha, Calé Alencar e Fernando Rosa, numa autentica festa do talento e da arte cearense. O lançamento de “O cinema dos fósseis”, apresenta um "Alan Mendonça de estética minimalista, breve  e em forte diálogo com o imagético por meio de ilustrações de diversos artistas plásticos, entre eles:Descartes Gadelha, Rafael Limaverde e Fernanda Meireles."
Ainda sobre a obra: "O livro – sexto de poesia assinado por Alan e saído pela Editora Radiadora – tem prefácio assinado pelos escritores Carlos Vazconcelos e Kelsen Bravos e adentra o universo da intimidade humana, priorizando, nesse percursos, detalhes de medo, esperança, festa e vazio. O resultado é uma intrigante combinação de gritos e silêncios, na mesma medida." comenta o jornalista do Diário do Nordeste, Diego Barbosa. 

A Praça da Matriz em festa para o Boemidade e o Cariri Cangaço
Fracine Maria, Manoel Severo, Rodrigo Honorato e Francivaldo Romão
 Bruno Paulino, Manoel Severo e Goreth Pimentel
Ana Lúcia, Elane e Archimedes Marques e Lívio Ferraz
Pedro Igor, Manoel Severo e Louro Teles


O final do segundo dia de Cariri Cangaço Quixeramobim ainda reservava mais surpresas no campo da poesia e da música. Na praça principal de Quixeramobim o Cariri Cangaço foi recepcionado pelo Grupo "Boemidade" composto por compositores, interpretes e músicos locais que perpetuam a alma da musica popular brasileira em praça pública. Composições de monstros sagrados da musica brasileira das décadas de 40, 50 e 60  desfilaram por boa parte da noite quando também testemunhamos o último momento da programação Cariri Cangaço para este dia 25 de Maio, o lançamento do festejado e premiado "A Cidade" do escritor e poeta cearense Maílson Furtado, ganhador do Prêmio Jabuti 2018.

Manoel Severo, Mailson Furtado, Bruno Paulino e Renato Pessoa
Francine Maria e Mailson Furtado
Pedro Lucas, Suely, Nair Lima, Coronel Marcelo Leal e Manoel Severo
Manoel Serafim, Lívio Ferraz, Ângela e Luiz Ruben
Arthur Holanda e Ingrid Rebouças

A mesa teve como mediadores os escritores Bruno Paulino e Renato Pessoa que apresentaram a obra festejada de Mailson Furtado e protagonizaram também a apresentação do autor; uma das mais gratas revelações da poesia cearense, filho da cidade de Varjota, na região norte do estado do Ceará; Maílson Furtado, que oportunizou a todos conhecer suas principais referências literárias, sua inspiração e o sentimento ao ganhar um dos mais cobiçados prêmios literários do Brasil, em 2018.

A obra de poesia "à cidade", de Mailson Furtado Viana, foi escolhida como o livro do ano no 60º Prêmio Jabuti. O prêmio foi entregue pela Câmara Brasileira do Livro - CBL, esta que é a mais tradicional premiação literária do país. O autor, Mailson Furtado,  foi escolhido entre os ganhadores de todas as categorias do Jabuti 2018, em cerimônia no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. As categorias do Jabuti estão divididas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Este último contempla ações de incentivo à leitura. Prêmio Jabuti: Eixo -  Literatura tendo como Livro do ano: "à cidade" (Autor Independente), de Mailson Furtado Viana.

Lili Conceição, Manoel Severo e Luana Lira
 Damata João, Abimael e Mucio Procópio
 Cristina Couto e Fatima Lemos
 Luana Lira, Ingrid Rebouças, Manoela e Pedro Barbosa
Pedro Igor, Manoel Severo e Heldemar Garcia

Segundo Dia de Cariri Cangaço Quixeramobim
Capela de Nossa Senhora das Graças, Salva Vidas
Praça da Matriz - Quixeramobim-Ceara
Tarde e Noite de 25 de Maio de 2019
Fotos de Louro Teles e Ingrid Rebouças
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LAMPIÃO MATA JOVENTINO:CRIME TRAÇADO NAS TERRAS DE "ÁGUA BRANCA".

Por João de Sousa Lima

Água Branca em Alagoas foi uma das cidades que sofreu a fúria do cangaço. em 1922 Lampião realizou o famoso saque a Baronesa de Água Branca, a senhora Joana Vieira,os povoados Tingui e Alto dos Coelhos era reduto de cangaceiros e viu também as ações violentas do cangaço, onde várias pessoas foram mortas. Um dos capítulos de morte nessas terras aconteceu na Fazenda Riacho Seco, de propriedade de Abel Torres, filho da Baronesa de Água Branca.

O crime aconteceu por consequência de uma fofoca. um rapaz chegou em Água Branca procurando emprego como vaqueiro e falaram que pra trabalhar como vaqueiro estava difícil pois os cangaceiros estavam espalhados por toda região, o rapaz respondeu que para Lampião tinha era um "Parabellun" pra atirar nele, falou isso em um movimentado dia de feira, onde coiteiros andavam vasculhando informações. No mesmo dia Lampião ficou sabendo da afronta do jovem Joventino.

Joventino conseguiu trabalho nas terras de Abel Torres e foi morar na fazenda Riacho Seco, próximo a divisa de Água Branca com Olho Dágua do Casado. nessa fazenda tinha duas casas, residindo em uma delas o senhor Antônio Zezé e em outra morava Joaquim Gomes. Joventino ficou na casa que morava Joaquim Gomes. Lampião ficou sabendo do paradeiro de Joventino e foi com "Pitombeira" (Zacarias Bode), Luiz Pedro e mais dois companheiros. os cinco cangaceiros se aproximaram da casa onde estava Joventino.


Lampião já no terreiro gritou:- Joventino cadê o Parabellun que você tem pra atirar neu? Joventino saiu da casa e quando chegou no alpendre os cangaceiros o pegaram e o rapaz negou sofre o recado desaforado que tinha mandado pra Lampião.- Isso é mentira!!!!  Lampião sem contar conversa atirou no rapaz que já caiu morto, com o corpo do rapaz ensanguentado no chão os cangaceiros entraram na casa, o cangaceiro Pitombeira encontrou o senhor Antônio Laurentino (Lorentino).Lorentino era vaqueiro que tinha os pés aleijados. Pitombeira tinha uma antiga rixa com Antônio Lorentino e viu nesse momento a oportunidade de se vingar.

A intriga entre os dois começou por causa de uma cerca que Pitombeira estava fazendo e invadindo um pedaço do terreno do patrão de Lorentino, na fazenda do Talhado, o proprietário Abel Torres empatou de Pitombeira fazer a cerca e ai criou-se uma intriga entre o futuro cangaceiro e o vaqueiro. Pitombeira e outros cangaceiros seguraram Antônio  Lorentino para matar e nesse momento outro vaqueiro, chamado Mané Egídio se atravessou na frente de Pitombeira e falou:- Esse daqui você não mata não!!! Lampião olhando a cena, sentenciou: - Aqui não se mata ninguém, esse daqui fica pra ir a visar ao patrão pra ele vir enterrar o defunto!


Esse valente vaqueiro Mané Egídio que livrou o amigo da morte certa, mais tarde tronou-se o famoso cangaceiro Barra Nova, um dos bravos homens do grupo de Lampião. Em abril de 2019, eu, Aldiro Gomes, Thomaz Deyvid e Raul Sandes, estivemos nessa fazenda e nas duas casas conhecendo esses dois monumentos que viveram a história do cangaço. Uma saga vivida entre a razão e a violência onde homens pagavam com as vidas por uma simples palavra empenhada, muitas vezes simples palavras jogadas ao vento, sem intenção de se transformar em verdade. tempos difíceis e conturbados. hoje escombros cobrem os sangues do passado e marcam os fatos vivenciados nessas terras.....


CONVITE “atos solenes” ASCRIM da AGE-014/2019” DIA 09.07.2019

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  A ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES MOSSOROENSES–ASCRIM, tem a honra de Convidar Vossa Senhoria e Exma. Família para os “atos solenes” ASCRIM da AGE-014/2019”, NO DIA 09.07.2019, INÍCIO 08H00MIN(terça-feira) nas seguintes ordens do dia:
I-SESSÃO CULTURA HISTÓRICA: I FORUM PERMANENTE HISTORIOGRAFIA DA ORIGEM E CONTINUIDADE DO POVOAMENTO DE MOSSORÓ -fophpm-(2ª ETAPA CONCLUSIVA DEFINIÇÃO MARCO ZERO de mossoró. TESES DOS EXPOSITORES DAVID LEITE DUARTE E MARIA DA CONCEIÇÃO MACIEL FILGUEIRA.
II-SESSÃO INSTITUCIONAL ASCRIM: “LAUREADAS HOMENAGENS, “IN MEMORIAN”, AO DR. MILTON MARQUES DE MEDEIROS, “INSTITUÍDO PATRONO DA ASCRIM”. OUTORGA DE MEDALHAS “ASCRIM/TCM TRIBUTO CULTURA E TELEVISAO DR. MILTON MARQUES DE MEDEIROS”, CHANCELA DA EXMA. PRESIDENTE DA TCM DRA ZILENE CONCEIÇÃO CABRAL FREIRE DE MEDEIROS. PUBLICAÇÃO OFICIAL IMPRESSA DO EDITAL DE FUNDAÇÃO E INSTALAÇÃO DA ACADEMIA DOS ESCRITORES MOSSOROENSES-ACADEM, CHANCELADO NASTÉLICAS RESOLUÇÕES DA ASCRIM.
III-SESSÃO QUADRO DE HONRA DA INTELECTUALIDADE: LANÇAMENTO “MEMORIAL DO CENTENÁRIO DOS IMORTAIS”, 1º TITULAR RAIMUNDO NONATO CAVALCANTI NUNES/GUARDIÃO DO TÍTULO, Pe. SÁTIRO CAVALCANTI DANTAS.INDICAÇÃO DR. ELDER HERONILDES DA SILVA-PRESIDENTE DA AMOL.“II SEMANA TRIBUTO CULTURA DR. MILTON MARQUES DE MEDEIROS” e II FESTIVAL DIVERSIDADE CULTURAL ASCRIM-II FDCA ABERTO PARA EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS AUTORAIS, DE 09 A 13.07.2019. 09h40min AS 14h00min.“COMENDA ESTRELA ASCRIM TRIBUTO PRESIDENCIÁVEL”.
FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-Presidente da ASCRIM-

EVENTO: 09.07.2019=INÍCIO:08:00HS, no Auditório da Biblioteca Municipal Ney P. Duarte. PRAÇA DA REDENÇÃO JORNALISTA DORIAN JORGE FREIRE–CENTRO, MOSSORÓ(RN).
CONTATOS 84-99150-8664 ou email asescritm@hotmail.com  
P.S.: DETALHES NO EDITAL AGE-014/2019.

CLIC NO LINK ABAIXO PARA LEV/VER O CONVITE. SE NÃO DER CERTO, COPIE O LINK E COLE NA BARRA DE ENDEREÇOS DO NAVEGADOR. OU ABRA O ARQUIVO ANEXO, ONDE SE CONTÉM O MESMO CONVITE.


SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO 
- PRESIDENTE DA ASCRIM -
Enviado pela ASCRIM

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HOMENAGENS!


Por Manoel Severo

Homenageados na Grande Noite de Abertura do Cariri Cangaço 10 Anos no Salão Nobre da URCA - Universidade Regional do Cariri , dia 24 de Julho de 2019 em Crato. Pesquisador Paulo Britto recebe em nome de seu pai; Tenente João Bezerra a comenda na Categoria Personalidade Histórica, "in memoriam" ; Patricia Gastao recebe em nome de seu pai, Paulo Medeiros Gastão na Categoria Pesquisador, "in memoriam". IMPERDÍVEL Em Julho o Brasil de Alma Nordestina volta seus olhos para o Cariri do Ceará !


FALECEU LENINE PINTO, O MAIOR HISTORIADOR SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO RIO GRANDE DO NORTE

Por Rostand Medeiros

Conheci esse homem incrível entre 2008 e 2009, quando fui coautor do livro “Os Cavaleiros dos Céus”. Lenine foi de uma gentileza impressionante e de uma atenção enorme para com um desconhecido que desejava apenas escrever sobre a história potiguar. 


Seus conselhos foram marcantes e eu nunca esqueci suas palavras. Era um homem simples, que amava os livros e a história de sua terra. Devo muito a ele através do seu exemplo. 

Vá em paz Grande Mestre!


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CONSELHO ALCINO ALVES COSTA DO CARIRI CANGAÇO.


Grandes Sonhos possuem uma trajetória peculiar para tornarem-se realidade: Disciplina, Trabalho, Seriedade, Perseverança, Talento e Entrega. Aqui somos o resultado do sonho de muitas e muitos, de norte a sul, de leste a oeste, desse imenso Brasil Sertanejo. Avante Grande Família Cariri Cangaço, rumo aos 10 Anos.

CRATO-JUAZEIRO-MISSÃO VELHA-LAVRAS DA MANGABEIRA-BREJO SANTO-CEARÁ-BRASIL.

24 a 28 de Julho de 2019

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quinta-feira, 27 de junho de 2019

DESTINOS DIFERENTES A FAMÍLIA DE LAMPIÃO EM JUAZEIRO DO NORTE, CE

Por: Leandro Cardoso

Muita gente não sabe, mas a família de Lampião viveu em Juazeiro do período de 1923 a 1927, com a permissão do Padre Cícero. Na segunda década do século passado, por duas vezes, a família Ferreira teve que se mudar em razão dos entreveros com o vizinho José Alves de Barros, o Zé de Saturnino. Na primeira vez, obedecendo a um pacto de acomodação arbitrado pelo Coronel Cornélio Soares de Vila Bela, mudaram-se para a Vila de Nazaré (hoje Carqueja–PE).

Na segunda vez, demandaram à cidade alagoana de Mata Grande, ocasião em que morreram os genitores de Lampião, José Ferreira (vítima da volante de José Lucena Maranhão) e Dona Maria (vítima de um ataque cardíaco).

Em 1922, o jovem cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, já definitivamente com o pé fincado no cangaço, assume a chefia do bando do célebre Sinhô Pereira, que deixava o Nordeste em fuga para Goiás.

A família Ferreira, sem possibilidade de retornar para Vila Bela, procura abrigo em Juazeiro do Norte. Com a morte dos pais, João Ferreira (o único dos irmãos que não entrou para o cangaço), assume a chefia da família. Após conversa com o Padre Cícero, recebe permissão para se estabelecer em Juazeiro com as irmãs, cunhados, primos (os Paulo) e sobrinhos.

Lampião e familiares em Juazeiro do Norte

Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família. Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Pente Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro.

Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, nas várias ocasiões em que a entrevistei, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro. Dona Mocinha, hoje com 96 anos, única remanescente viva dos irmãos e irmãs de Lampião, mora em São Paulo e foi diversas vezes entrevistada por mim. Contou-me que aprendeu a dançar com Virgulino tocando “harmônica” no terreiro da fazenda “Passagem das Pedras”, em Vila Bela, e que o irmão vivia na casa da avó, Dona Jacosa Lopes. Refere-se aos irmãos sempre com muito carinho, dizendo que o mais fechado era Antônio e o mais brincalhão era Livino Ferreira. E, em todas as vezes que conversamos, sempre externou a excelente acolhida que a família teve em Juazeiro, e gratidão de todos ao Padre Cícero. Tanto é que seu primogênito é afilhado do Padre Cícero.

Rememora com muita satisfação dos familiares de João Mendes de Oliveira, de quem se tornaram amigos. Dona Mocinha casou em Juazeiro com Pedro Queiroz e só deixou a Meca nordestina quando a polícia pernambucana intimou seu marido em Vila Bela, e o prendeu arbitrariamente. Então, Dona Mocinha (e parte da família), teve que deixar Juazeiro em 1927 para residir em Serra Talhada.

Para finalizar, deixo minhas homenagens à Dona Mocinha, que hoje, quase centenária e lúcida, é um repositório vivo da história recente do Brasil e de Juazeiro do Norte, uma vez que foi expectadora de camarote de um dos períodos mais interessantes e polêmicos da nossa história recente, além de ser testemunha inconteste do desprendimento e da bondade incondicionais do Padre Cícero Romão Batista.

 O autor com Dona Mocinha

O autor é médico, cordelista, escritor, residente em Teresina, PI – Foto

PALAVRA DE UM INIMIGO LAMPEÃO, SEGUNDO OPTATO GUEIROS

Transcrição fiel à época, de Rubens Stone de trechos do texto introdutório ao livro "Lampeão - Memórias de um Oficial Ex-Comandante de Fôrças Volantes" (3ª edição - São Paulo - 1953), do Major da Polícia Militar de Pernambuco, Optato Gueiros.

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Podemos considerar Lampeão enquadrado no rol das vítimas da política do seu tempo.

... Política dos "coronéis" armados que se degladiavam de quando em vez sob as vistas complacentes dos aulicos do tempo que interferiam quase sempre não para fazer justiça, mas para tirarem partido que falassem mais alto às conveniências pessoais.

Colocou-se Virgulino Ferreira ao lado da antiga família Pereira, do Pageú, que contendia, pelas armas, com a não menos tradicional família Carvalho.

Surgiram as primeiras desavenças entre a autoridade local e o futuro Lampeão que, vocacionado para as armas, crescia em meio aos bandos armados. Mui cedo deu provas de admirável capacidade tática e estratégica que assombravam os inimigos.

Todos os "coronéis-barões" foram humilhados por Lampeão e, quase todos, com o mesmo, firmaram acordos ditados pelo cangaceiro. Para que tivessem as suas propriedades em segurança, sujeitaram-se ao triste papel de moços-de-recados de Virgulino.

Podemos dizer também, sem errar: Lampeão foi um instrumento nas mãos de Deus para executar uma justiça que nem a polícia nem os juízes poderiam fazê-lo. Centenas de facínoras foram expulsos da terra natal por Lampeão, enquanto igual número era atraído para as fileiras lampeonescas, onde encontravam a morte ou a prisão. E assim é que, somente em Pernambuco, foram mortos e prêsos mais de mil cangaceiros pertencentes às hordas de Virgulino.



E, por esta forma, a destruição dos tarados existentes no Nordeste foi total. Lampeão matou mais indivíduos maus que já deveriam ter desaparecido do cenário dos vivos desde há muito, do que mesmo inocentes. Por outro lado, as fôrças-volantes abatiam impiedosamente elementos que se incorporavam aos grupos do rei do cangaço.

Somente os que perseguiram Lampeão podem dizer algo a respeito da refinada astúcia, inteligência, resistência física e bravura do mesmo. Pressentia a aproximação das fôrças como um cão de caça. Muitas tropas, ansiosas por um encontro, passavam às vezes, mais de um ano sem poderem fazer contato com o bando por Lampeão comandado.

O seu grupo oscilava de 60 a 100 bandoleiros, fracionado em pequenos bandos de 8 a 12 homens que agiam num raio de 50 léguas (...)

Lampeão era homem de uma índole cruel, verdadeiramente tigrina. Assassinou para mais de 1.000 pessoas, incendiou umas 500 propriedades, matou mais de 5.000 rezes; violentou mais de 200 mulheres e tomou parte em mais de 200 combates, aqui no Pernambuco e nos seis Estados nordestinos. Foi ferido seis vezes em Pernambuco. Em 1928, atravessou para a Bahia.


Com seis homens sòmente, chegou à Bahia extenuado e descarnado.

(...)

Foram muitos os atos de bravura que praticou, assim como inúmeros também os feitos de covardia e os de revoltantes vilezas e crueldades inomináveis. Revelava-se admirável no comando e com rara energia dominava as feras humanas que compunham os seus bandos, como se fossem tenros cordeiros.

Fisicamente era Lampeão insuperável. Esgotou centenas de perseguidores enquanto que ele aparecia, ao fim de cada jornada, sempre mais disposto.

Desvendou os segredos das caatingas desabitadas de seis Estados, a pé, e procurou devassar o imenso Raso da catarina, na Bahia, e por pouco não morreu de sêde com os seus cabras nesse Saara baiano.


Na intimidade da sua gente, nada tinha que se parecesse com a fera descoraçoada e bravia, tal como se apresentava em suas eternas rázias em busca de mais e mais dinheiro, que acumulava em suas bolsas e bornais.

Para Lampeão, a vida de um homem nada significava. Fez, entretanto, muitos prisioneiros - soldados, cabos e até mesmo um coronel da Polícia Militar de Pernambuco - e os soltou, deixando-os ir em paz.

Era Lampeão um mundo de contrastes, um complexo enigmático e um gênio ao repontar na vida.

Major Optato Gueiros, 1953.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2019/06/palavra-de-um-inimigo.html

CASA DA FAZENDA PATOS.

Local em que no dia 02 de agosto de 1938 aconteceu um dos crimes mais perversos e macabros de todo o ciclo do cangaço nordestino.

Foi nos arredores da antiga casa da Fazenda Patos (Foto), que na época pertencia ao senhor Antônio Brito, localizada no município de Piranhas no estado de Alagoas, que o cangaceiro Corisco "Diabo Loiro", julgando estar assassinando os delatores do esconderijo de Lampião, fato que veio a causar a morte deste, de sua companheira Maria Bonita e outros nove cangaceiros, matou e degolou seis pessoas inocentes da mesma família.

As cabeças das vítimas foram enviadas para a cidade de Piranhas dentro de um saco, acompanhadas por um bilhete escrito por Corisco e endereçadas ao Tenente João Bezerra da Silva. O então Prefeito de Piranhas/AL, João Correia Brito, recebeu a macabra "encomenda" e tratou logo em seguida de providenciar um sepultamento digno para aquelas vítimas inocentes.

Fotografias gentilmente cedidas pelos escritor e pesquisador José Sabino Bassetti.

Geraldo Antônio De Souza Júnior

Casa da Fazenda Patos. Onde Corisco assassinou o vaqueiro Domingos Ventura,
sua esposa dona Guilhermina, três filhos e uma filha do casal.

Detalhes das paredes da sala da casa, onde podemos observar um armador de redes.

Antigo fogão a lenha localizado na cozinha da casa. Onde, possivelmente, dona Guilhermina preparou o café que fora servido aos cangaceiros, poucos instantes 
antes de sua morte.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA CANGACEIRA.

Soldado Antônio Vieira.

Foi um dos soldados que atuaram sob as ordens do Tenente João Bezerra da Silva, durante o ataque ao coito de Lampião em Angico, local que na época pertencia ao município de Porto da Folha em Sergipe, na manhã do dia 28 de julho de 1938. Antônio Vieira era membro efetivo da Força Volante que tinha o comando do Aspirante Francisco Ferreira de Melo “Chico Ferreira”, na ocasião do ataque.

Antônio Vieira faleceu no dia 20 de dezembro de 2010, aos 98 anos de idade, na cidade de Delmiro Gouveia no estado de Alagoas.

Fotografia gentilmente cedida pelo escritor e pesquisador José Sabino Bassetti.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


GROTA DO ANGICO. LOCAL DA MORTE DE LAMPIÃO E PARTE DE SEU BANDO.

Essa fotografia de autoria do escritor José Sabino Bassetti, que em parceria com o também escritor mineiro Carlos Megale, escreveu o indispensável “Lampião – Sua morte passada a limpo”, um dos livros mais completos já escritos sobre os acontecimentos de Angico, mostra o local exato por onde vários integrantes do subgrupo liderado pelo cangaceiro Zé Sereno (José Ribeiro Filho) conseguiram escapar da saraivada de balas disparadas pelos soldados da Força Policial Volante alagoana comandada pelo então Tenente João Bezerra da Silva, na manhã do dia 28 de julho de 1938.

Geraldo Antônio de Souza Júnior



MINHAS ANDANÇAS PELAS TRILHAS DA HISTÓRIA CANGACEIRA.

Durante minha caminhada em busca da história do cangaço tenho conquistado várias amizades importantes com gente envolvida no assunto e convivido com pessoas de mentes brilhantes, que assim como eu, também se interessam pelas pesquisas e estudos sobre o fenômeno cangaço.

Uma dessas figuras ilustres que tive o prazer e a honra de conhecer foi o Professor de Jornalismo (FMU - Faculdades Metropolitanas Unidas), comentarista da Rádio CBN (Nacional) e autor do livro "O outro olho de Lampião", Arthur Aymoré, com o qual tive a grande satisfação de debater o assunto no Programa Panorama (TV Cultura), apresentado por Andresa Boni, no dia 27 de julho de 2018, véspera do aniversário de oitenta anos da morte de Lampião.

Embora durante o programa tenhamos discordado sobre alguns fatos históricos referentes ao cangaço e seu principal personagem, continuo sendo admirador de seus trabalhos e o vejo como um dos grandes nomes do jornalismo nacional, por conhecer a sua trajetória.

Ao professor Arthur Aymoré meu respeito e consideração.

Geraldo Antônio De Souza Júnior 

Com o Jornalista Arthur Aymoré (Direita)

Na sala VIP (TV Cultura) com o Jornalista Arthur Aymoré (Direita)
http://cangacologia.blogspot.com/

NAZARENOS. A MAIS AGUERRIDA FORÇA VOLANTE NO COMBATE A LAMPIÃO.

Filhos do então povoado de Nazaré (Pernambuco), atual Nazaré do Pico. Terra que cedeu vários de seus habitantes para o combate ao cangaceirismo/banditismo, durante a época do cangaço. Uma terra de valentes que se destacaram na luta contra Lampião e seus seguidores e que foram sem dúvida alguma a grande pedra na alpercata de couro do famigerado rei cangaceiro.

Na fotografia iniciando da esquerda vemos os Nazarenos: Manoel Flor, Pedro Gomes de Lira, David Jurubeba e Quincas Pedro. Destaque para David Jurubeba que foi um feroz inimigo de Lampião e tinha com esse uma dívida de sangue. David Gomes Jurubeba teve seu irmão Olímpio Gomes Jurubeba morto no dia 20 de novembro de 1924, durante um tiroteio entre os Nazarenos e o bando de Lampião na Fazenda Baixas, localizada no município de Floresta/PE. Nesse dia, ainda durante o tiroteio, David Jurubeba, inconformado com a morte do irmão, deixa a trincheira de onde combatia e desafia Lampião para um duelo de facas. Em resposta o cangaceiro pede para que David Jurubeba retorne para seu lugar para continuar o combate, pois não briga com quem está querendo morrer.

Fotografia registrada pela escritora Marilourdes Ferraz​, autora do livro "O canto da Acauã" e gentilmente cedida pelo pesquisador e escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


CACIMBINHAS: MERGULHO NO SERTÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.133
(FOTO: ASCOM/SEINFRA)
Em toda a região sertaneja nordestina é incessante a luta pela sobrevivência.  Cada fonte d’água descoberta ou construída, alivia, renova e aumenta a esperança que recusa morrer. Lá em Cacimbinhas, sertão alagoano, registra-se uma dessas batalhas em busca do precioso líquido. Trata-se da barragem Gravatá que está sendo construída e projetada para atender a 4.700 moradores. Segundo o site TribunaHoje, a obra foi iniciada no mês de abril, está com 35% concluída e em breve chegará ao final. Os recursos vêm do Fundo Estadual de Combate a Erradicação da Pobreza – Fecoe. Cacimbinhas estar localizada na zona sertaneja da Bacia Leiteira e faz vizinhança com Dois Riachos, Major Izidoro e Minador do Negrão.
A barragem Gravatá será alimentada pelo riacho Gravatá e quando pronta deverá ser a solução hídrica para centenas de pessoas, para o criatório e para a agricultura familiar. 
Em nosso romance (inédito) “Fazenda Lajeado”, descrevemos em várias páginas, uma construção de açude por multidão de retirantes. Tudo feito sem máquina alguma. Hoje são ao contrário, duas ou três pessoas na obra, manejando alguns tipos de tratores fortes e modernos. Esses reservatórios – de extrema necessidade para o sertanejo – não custam barato. A barragem de Gravatá, mesmo, tem investimento de mais de um milhão e ocupará uma área de 99 mil metros quadrados. Quando concluída deverá acumular 280 mil metros cúbicos de água.
  Com uma barragem, os habitantes se livram do caminhão-pipa, o governo também se livra das despesas daquela forma de abastecimento. Em Santana do Ipanema, perto de Cacimbinhas, foi anunciada a construção de uma barragem no sítio Barra do João Gomes, que será alimentada pelo riacho João Gomes. Temos a impressão de que o projeto ainda não foi realizado. Barra no Sertão, geograficamente falando, significa foz, desaguadouro, lugar onde um riacho, um rio, despeja em outro. Podemos até chamar Sertão das Barragens, pela quantidade e importâncias que elas exercem sobre seus moradores.
Sem água não tem doce.
Doce só com água.
               

A HISTÓRIA NÃO TEM CULPA (AS PESSOAS SIM)


*Rangel Alves da Costa


Embasado em fontes históricas, leituras e demais pesquisas, hoje eu postei um texto onde eu falava de duas eleições municipais ocorridas num mesmo mês, num recém-emancipado município sertanejo, e todo num entremeado de política, artimanha eleitoreira, poder e violência.
Não narrarei aqui os acontecimentos pela escolha da síntese. Apenas dizer que o texto tratava de eleições municipais e onde os candidatos pleiteantes tiveram tratamento diferenciado da justiça eleitoral de então. Resultado: um dos candidatos, sentindo-se aviltado pelo tratamento que lhe fora concedido, simplesmente não deixou que o primeiro pleito acontecesse, pois roubou as urnas.
Após a postagem feita nas redes sociais, então uma chuva de críticas e até de ameaças começaram a recair sobre o texto e minha pessoa. E tudo, num esbaforimento danado, vindo de familiares de um dos personagens da história relatada. Uma dizendo que eu precisaria pesquisar melhor antes de escrever, outra dizendo que eu procurasse o que fazer, e ainda outra dizendo que queria ter uma conversinha pessoalmente.
Ainda aguardo a visita da parenta do personagem relatado. E aguardo para dizer que na história não há escolha pessoal do narrador, elegendo um como bom moço e ou outro como simples algoz. Na história não há como modificar os fatos para transformá-los em outra realidade. Ou relata ou acontecido - e como aconteceu - ou se estará incorrendo em julgamento pessoal.
Fato é que a história não tem culpa de nada. A história é a realidade, mesmo passada, na sua mais ampla inteireza. Mesmo que haja recortes de situações por falta de informações mais precisas, os dados obtidos devem refletir uma realidade sem disfarces. Não é possível à seriedade histórica que o pesquisador se atenha, por exemplo, apenas a determinados fatos que possam desvirtuar a fidelidade dos acontecidos.
Forjar a história para agradar alguns é não ser fiel ao fato histórico. Ao enveredar por paixões pessoais, certamente que o historiador estará produzindo uma deslavada mentira. Ao elaborar um estudo, por exemplo, para dizer que Lampião foi apenas um bandido ou foi somente um herói, logicamente que o pesquisador já tenciona pela inverdade, eis que com pretensão de apenas opinar ante um contexto histórico.
Como dito, a história não tem culpa se os seus personagens são, muitas vezes, desconcertantes, brutais ou violentos. A história não tem culpa se Hitler dizimou milhões, se Genghis Khan passou o fio do punhal em milhares de cabeça, que Stalin tenha mandado para a morte milhões de desafortunados. A história não tem culpa porque fizeram isso. Culpados são tais personagens históricos, mesmo assim a julgamento do leitor.
Tome-se por exemplo a vida dos santos. Muito biógrafo se volta apenas para o lado santificado de tais personagens e sem a menor análise de suas vidas pessoais, tantas vezes mundanas ou desregradas. É como se o santo já fosse santificado de nascença, sem jamais ter passado pelo cruel e rude mundo dos homens. Estaria cometendo uma falácia aquele que se voltar apenas para o lado bonzinho e humanista de cada um. Ou se relata a verdade ou será melhor nada relatar.
Eis, neste sentido, o teor do inconformismo de alguns pelo que escrevi. Ora, eu não inventei, eu não distorci a realidade, eu não criei situações inexistentes. Os testemunhos ainda são muitos dos acontecidos. E por que, então, dizer que faltei com a verdade? Será que a minha verdade viria somente se eu moldasse a história segundo o desejo de alguns?
Como diz o ditado, as ações e atitudes das pessoas servirão como espelho para toda a vida. Ninguém vai ser apenas bonzinho mais tarde só porque seus familiares assim desejam. Basta saber que são humanos, e como tal propensos aos erros e aos acertos.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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Nós estávamos com problema. Desculpem-nos pela falta de portagens.